: :Sn PARES ¢ c Schoo r Axe oo, Religion Serkeley, é , _- Digitalizado pelo Internet Archive em 2023 com financiamento da Fundação Kahle/Austin

https://archive.org/details/scienceosacrameO0000lead A CIÊNCIA DOS SACRAMENTOS.

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A CIÊNCIA DOS SACRAMENTOS

POR

CHARLES W. LEADBEATER Bispo Regionário da

Igreja Católica Liberal da Australásia CONTEÚDO PARTE UM.

Introdução Página Prefácio ae 2 ee ie Capítulo I— Uma Nova Ideia de Culto na Igreja

PARTE DOIS.

Os Sacramentos Capítulo II— A Santa Eucaristia a Capítulo III.

Santo Batismo e Confirmação Capítulo IV.— Ordens Sagradas , Capítulo V.— Os Sacramentos Menores

PARTE TRÊS.

Os Instrumentos dos Sacramentos Capítulo VI— O Edifício da Igreja .. Capítulo VII.— O Altar e seus Acessórios : By oe Capítulo VIII.—As Vestes Litúrgicas

PARTE QUATRO.

Outros Serviços da Igreja Capítulo IX.— Vésperas e Bênção do Santíssimo Sacramento .. Capítulo X.— Serviços Ocasionais Apêndice.— A Alma e Suas Vestes Índice ou LISTA DE DIAGRAMAS Página Diagrama 1.—A Formação do Pavimento .. co Oe Diagrama 2.—A Relação entre o Celebrante e seus Ministros ree :

Diagrama 3.—Incensação do Altar 2s ra os Diagrama 4.—A Ordem da Formação das Taças no Kyrie Ee

Diagrama 5.—Os Variados Tipos de Formas construídas no Kyrie mostrados em corte transversal .. - Diagrama 6.—Incensando as Oblações ... Diagrama 7.—A Mudança que ocorre na Consagração quando o pão se torna a Hóstia ... Diagrama 8.—Interação de Forças na Igreja durante a Consagração ... Diagrama 9.—O Simbolismo da Santa Eucaristia ... Diagrama 10.—O Reservatório ... Diagrama 11.—O Despertar do Humano na Ordenação ... Diagrama 12.—Planta Baixa de uma Igreja Ideal ... Diagrama 13.—Fluxo de Forças através da Estola ... Diagrama 14.—Cruz da Estola ... Diagrama 15.—Fluxo de Forças através da Capa ... Diagrama 16.—Fluxo de Forças sob a Alva ... Diagrama 17.—Fluxo de Forças na Casula ... Diagrama 18.—O Báculo ... Diagrama 19.—Interação de Forças na Igreja nas Vésperas ... Diagrama 20.—Um Átomo Físico Último ... Diagrama 21.—Os Princípios Humanos ...

LISTA DE PRANCHAS ... Frontispício.—A Forma Eucarística Completa ... Prancha 1—(Fig. 1): A Igreja de Santa Sofia em Constantinopla. (Fig. 2): Corte transversal da Igreja em ... Prancha 2.—(Fig. 1): A Bolha de Asperges como aberta pelo Celebrante. (Fig. 2): Corte transversal da Bolha. (Fig.

3): Corte transversal da parte ocidental da Bolha .. como na Prancha 3—(Fig. 1): A Bolha do Asperges quando ampliada durante o Salmo. (Fig. 2): Corte transversal da Bolha .. Prancha 4—(Fig. 1): A Bolha do Asperges após sua expansão pelo Anjo. (Fig. 2): Corte transversal da Bolha .. Prancha 5.—O Pavimento de Mosaico .. Prancha 6—(Fig. 1): Uma Porção da Peregrinação (Fig. 2): Um Bloco Isolado .. Prancha 7.—(Fig. 1): Formação das Pétalas. (Fig. 2): Corte transversal do Vórtice. (Fig. 3): Ordem de Formação das Pétalas .. Prancha 8.—(Fig. 1): Forma em Forma de Cálice. (Fig. 2): Corte transversal mostrando dois conjuntos de Pétalas. (Fig. 3): Corte transversal mostrando contornos externos da Forma .. Prancha 9.—(Fig. 1): Forma Cilíndrica Alongada (Fig. 2): Corte transversal da Forma .. Prancha 10.—(Fig. 1): Forma Oblonga. (Fig. 2): Corte transversal da Forma .. Prancha 11.—(Fig. 1): A Forma Eucarística no final do Kyrie. (Fig. 2): Corte transversal da Forma .. Prancha 12.—A Igreja de San Giovanni degli Eremiti em Palermo .. Prancha 13.—(Fig. 1): A Cúpula Baixa após a fotografia do Gloria. (Fig. 2): Corte transversal da Forma .. Prancha 14.—Uma Mesquita no Cairo .. Prancha 15—(Fig. 1): A Forma Eucarística no final do Gloria. (Fig. 2): Corte transversal da Forma .. Prancha 16.—A Imposição das Mãos na Consagração de um Bispo .. A Ciência dos Sacramentos

Página Prancha 17.—Um Altar .. Prancha 18.—(Fig. 1): Véu e Bolsa cobrindo o Cálice. Orig. .. Patena, Cibório, - Prancha 19.—(Fig. 1): em Monte ... (Fig. 2): Sacerdote vestido com Batina e Amito .. Prancha 20.—(Fig. 1): Sacerdote em Batina, segurando a Biretta. (Fig. 2): Bispo em Batina .. Prancha 21.—(Fig. 1): Sacerdote em Sobrepeliz e Estola. (Fig. 2): As Vestes dos Acólitos .. Prancha 22—(Fig. 1): Sacerdote vestindo-se para a Celebração da Eucaristia. (Fig.

2): Diácono — vestido como quando assiste à Eucaristia. — Estampa 23.—(Fig. 1): Sacerdote com Casula — Vista Frontal. (Fig. 2): Sacerdote com Casula — Vista Posterior. — Estampa 24.—(Fig. 1): Bispo com Mozzeta. (Fig. 2): Bispo com Mantelleta. — Estampa 25.—(Fig. 1): Paramento Pontifical Completo — Vista Frontal. (Fig. 2): Paramento Pontifical Completo — Vista Posterior. — Estampa 26.—Vórtice e Haste formados nas "Vésperas". — Estampa 27.—Aparência da Hóstia no Momento da Bênção.

NOTA.

A Liturgia da Igreja Católica Liberal é singularmente rica em passagens de beleza poética e elevada aspiração e, embora extensos extratos tenham sido incorporados a esta obra, a própria Liturgia deve ser lida para se obter uma ideia adequada de seu valor e apelo pessoal.

Exemplares em tecido e dourado podem ser obtidos dos editores.

Um número limitado de cópias do frontispício em cores foi impresso separadamente e pode ser obtido dos editores a 1/6 cada.

- PREFÁCIO

Há ao nosso redor um vasto mundo invisível; invisível para a maioria de nós, mas não necessariamente inacessível à visão.

Existem no homem faculdades da alma que, se desenvolvidas, o capacitarão a perceber esse mundo, de modo que se tornará possível para ele explorá-lo e estudá-lo precisamente como o homem tem explorado e estudado a parte do mundo que está ao alcance de todos.

Essas faculdades são a herança de toda a raça humana; elas se desdobrarão dentro de cada um de nós à medida que nossa evolução progride; mas os homens que estiverem dispostos a se dedicar ao esforço podem obtê-las antes dos demais, assim como um aprendiz de ferreiro, especializando-se no uso de certos músculos, pode alcançar (no que lhes diz respeito) um desenvolvimento muito maior do que o de outros jovens de sua idade.

Há homens que têm esses poderes em pleno funcionamento e são capazes, por meio de seu uso, de obter uma vasta quantidade de informações das mais interessantes sobre o mundo que a maioria de nós ainda não pode ver.

A notícia que tais investigadores nos trazem é, felizmente, do caráter mais tranquilizador; eles podem nos dizer que a lei divina reina nesses mundos superiores de matéria mais sutil, assim como reina aqui embaixo na matéria mais grosseira; que para tudo neste mundo há um lado interior, e que esse lado interior é frequentemente muito maior e mais glorioso do que o exterior que, em nossa cegueira, nos parece ser o todo.

A Ciência dos Sacramentos

Eles nos dizem que o homem é um espírito, uma centelha do próprio fogo de Deus; que ele é imortal, e que para seu crescimento e esplendor não há limite; que o plano de Deus para ele é maravilhoso e belo além de toda concepção, e que ninguém pode, em última instância, deixar de alcançar o objetivo que lhe foi destinado, por mais lento que seja seu progresso, por mais longe que se desvie do caminho da retidão.

Eles não pretendem conhecer a totalidade desse poderoso plano, mas sua tendência geral é claramente visível.

Como homens, estamos em certo degrau da escada da vida; podemos ver outros degraus tanto abaixo quanto acima de nós, e aqueles que estão bem acima de nós — tão acima que nos parecem deuses em seu maravilhoso conhecimento e poder — nos dizem que não faz muito tempo estavam onde agora estamos, e nos indicam claramente os passos intermediários que também devemos trilhar se quisermos ser como eles.

Todas essas coisas não são questões de fé, mas de certeza para aqueles que aprenderam a usar os olhos do espírito.

Que fique claramente entendido que não há nada de temível ou não natural nessa visão.

É simplesmente uma extensão de faculdades com as quais todos estamos familiarizados, e desenvolvê-la é tornar-se sensível a vibrações mais rápidas do que aquelas às quais nossos sentidos físicos normalmente são treinados para responder.

Tão radical é a mudança em nossa concepção da vida introduzida pelo conhecimento desse mundo interior que (embora eu tenha tentado evitar tecnicismos) temo que muito do que escrevi nas páginas seguintes possa não ser plenamente compreensível para aqueles que não estudaram esse assunto.

Penso, portanto, que pode ser útil reimprimir, como apêndice deste livro, uma palestra explicativa que proferi há alguns anos, e sugeriria que aqueles que não estão familiarizados com a ideia de um mundo circundante composto de matéria mais sutil que a física recorram a esse apêndice e o estudem antes de ler o livro em si.

Acontece que alguns de nós que, após muitos anos de trabalho mais árduo do que a maioria das pessoas se disporia a empreender, conseguimos adquirir esses sentidos superiores, temos profundo interesse pela Igreja e suas cerimônias.

É natural, portanto, que, tendo aprendido tanto em outros campos de estudo mediante o uso desses poderes ampliados de observação, também os utilizemos para examinar o lado interno e espiritual dos Sacramentos, a fim de verificar o que realmente são, o que podem fazer por nós e pelos outros, e como podemos administrá-los de modo a melhor cumprir a intenção do Cristo que os instituiu.

O resultado de uma longa série de tais investigações e experimentos está consubstanciado neste volume.

A Santa Eucaristia tem sido até agora considerada como um meio de graça para o indivíduo.

Que ela o é, sem dúvida; mas desejo mostrar, com toda reverência, que ela é também muito mais do que isso.

É um plano para auxiliar a evolução do mundo mediante o frequente derramamento de torrentes de força espiritual; e oferece-nos uma oportunidade sem igual de nos tornarmos, como diz São Paulo, cooperadores de Deus, prestando-Lhe verdadeiro e louvável serviço ao atuarmos como canais de Seu poder maravilhoso.

Escrevi, creio eu, de modo algo difuso; desviei-me frequentemente do curso principal de meu comentário sobre o serviço da Santa Eucaristia 12       A Ciência    dos Sacramentos

para seguir algum caminho lateral interessante que se abria diante de mim; mas assim o fiz de propósito, pois este aspecto do serviço é tão novo, e suas ramificações e implicações são tão numerosas e tão belas, que me parece exigir certa liberdade de tratamento.

Não introduzi deliberadamente nenhuma declaração das crenças teológicas suscitadas pelo conhecimento mais amplo obtido por esse desenvolvimento de faculdade, embora indícios delas transpareçam aqui e ali.

Se me for concedido tempo, espero preparar posteriormente um segundo volume tratando desse lado da questão.

Desejo expressar meus sinceros agradecimentos ao Bispo Presidente da Igreja Católica Liberal, o Revmo.

James I. Wedgwood, por muitas valiosíssimas sugestões e críticas; e ao Revmo.

Irving S. Cooper, Bispo de nossa Igreja nos Estados Unidos da América, por seu trabalho em conexão com as ilustrações iluminativas que aparecem neste livro, e por sua colaboração mais útil e cuidadosa na preparação da obra para o prelo.

Também desejo expressar minha gratidão ao Sr. E. Warner pelo difícil trabalho técnico de preparar as ilustrações da forma eucarística; à Srta. Judith Fletcher pelas fotografias das vestes; e à Srta. Kathleen Maddox por seu cuidado em anotar os muitos sermões e palestras informais incorporados neste volume.

Que a utilidade do livro para outros seja proporcional ao trabalho tão livremente dedicado à sua produção.

                    CAPÍTULO        I     UMA NOVA       IDEIA DE CULTO       NA IGREJA    Sem dúvida, o maior dos muitos      auxílios que Cristo proporcionou ao Seu povo é o Sacramento da Eucaristia, comumente chamado de Missa — a mais bela, a mais maravilhosa, a mais edificante das cerimônias cristãs.

Ela beneficia não apenas o indivíduo, como fazem os outros Sacramentos, mas toda a congregação; não é útil apenas uma vez, como o Batismo ou a Confirmação, mas destina-se a ajudar todo membro da igreja por toda a sua vida; e, além disso, afeta toda a vizinhança ao redor da igreja na qual é celebrada.

Os homens podem nos perguntar, como seus filhos perguntavam aos israelitas de outrora: “Que quereis dizer com este serviço?” O que é esta Eucaristia que celebrais? Devemos ser capazes de responder a tal pergunta de forma inteligente; mas, para fazê-lo, precisamos estudar certos aspectos do assunto que têm sido geralmente esquecidos; devemos abstrair-nos completamente de qualquer ponto de vista limitado ou egoísta; devemos perceber que nossa religião se destina principalmente a nos habilitar a prestar serviço leal e frutífero ao nosso Senhor e Mestre.

Deve-se lembrar que a verdadeira religião tem sempre um lado objetivo; ela atua não apenas de dentro, estimulando os corações e mentes de seus devotos, mas também de fora, dispondo que influências edificantes e refinadoras atuem constantemente sobre todos os seus veículos; tampouco confina seus esforços aos seus próprios adeptos, mas também procura, através deles, influenciar o mundo ignorante e descuidado ao redor.

O templo ou igreja destina-se a ser não apenas um lugar de adoração, mas também um centro de radiação magnética através do qual a força espiritual pode ser derramada sobre todo um distrito.

É necessário que tal radiação seja feita da maneira mais econômica possível.

A curiosa ideia anticientífica de milagres que prevaleceu entre os cristãos por séculos teve um efeito paralisante sobre o pensamento eclesiástico e impediu a compreensão inteligente dos métodos adotados por Cristo para prover a Sua Igreja.

Devemos perceber que tal provisão é feita através da ação de Poderes intermediários, cujos recursos não são de forma alguma infinitos, por mais estupendos que possam ser em comparação com os nossos.

Consequentemente, é dever real de tais Poderes economizar essa força e, portanto, fazer o que Lhes foi designado da maneira mais fácil possível.

Por exemplo, neste derramamento de força espiritual, seria claramente desperdício derramá-la indiscriminadamente em toda parte como chuva, porque isso exigiria o esforço de sua materialização em um nível inferior em milhares de lugares ao mesmo tempo.

É obviamente muito mais prático estabelecer em certos pontos centros magnéticos definidos, onde a maquinaria de tal materialização possa ser permanentemente arranjada, de modo que quando a força é derramada de cima, ela possa ser imediatamente distribuída sem desperdício desnecessário na ereção de maquinaria temporária.

Uma Nova Ideia de Culto à Igreja

O plano adotado pelo Cristo com relação a esta religião é que um compartimento especial do grande reservatório de força espiritual seja separado para seu uso, e que uma certa ordem de oficiais seja capacitada, pelo uso de cerimônias designadas, palavras e sinais de poder, a recorrer a ele em benefício da humanidade.

O esquema escolhido para transmitir esse poder é o Sacramento da Ordenação, que será explicado em um capítulo posterior.

Qualquer pessoa para quem a ideia de um reservatório de força espiritual seja totalmente nova é remetida ao relato ali apresentado.

Através da cerimônia da Eucaristia, cada vez que é celebrada, passa para o mundo uma onda de paz e força, cujo efeito dificilmente pode ser superestimado, e dificilmente podemos estar em erro ao considerar isso como o objetivo primário do serviço, pois é alcançado em cada celebração da Santa Eucaristia, seja ela Solene ou Simples, seja o sacerdote sozinho em seu oratório particular ou ministrando a uma vasta congregação em alguma magnífica catedral.

Essa ideia é confirmada pelo fato de que quando nos reunimos assim na igreja, dizemos que viemos para participar do serviço divino.

Acredito que muitas pessoas, ao empregarem essa expressão, pensam que o serviço a que se refere é a atribuição de louvor e adoração a Deus; mas dificilmente seria correto descrever isso como serviço.

É muito conveniente, justo e nosso dever obrigatório oferecer louvor, humilde adoração e ação de graças, com todo o nosso poder, ao grande Senhor de tudo.

É uma coisa excelentíssima para nós e um grande benefício para a nossa evolução; contudo, seria indigno e até blasfemo supor que um Ser Infinito possa derivar qualquer gratificação de mera adulação; mas quando nos reunimos a fim de construir uma _pensamento-forma_ ou _edifício eucarístico_ (como será descrito mais adiante), através do qual o Seu poder possa ser mais facilmente derramado, percebemos imediatamente a adequação da palavra "serviço", pois nos damos conta de que estamos literalmente nos oferecendo como voluntários no Seu grande exército, e que, por mais humilde que seja a capacidade, por mais infinita que seja a distância, estamos realmente nos tornando cooperadores juntamente com Ele — certamente a mais alta honra e o maior privilégio que jamais pode caber à sorte do homem.

É significativo que o significado literal da palavra "liturgia" seja trabalho público, tendo a última parte da palavra exatamente a mesma derivação de "energia". Outro objetivo é o efeito produzido sobre aqueles que estão presentes ao serviço, e um terceiro é o resultado ainda maior obtido no caso daqueles que participam do Santo Sacramento; mas sobre isso escreverei mais adiante.

Temos também de ter em mente o seu aspecto como um símbolo maravilhoso e majestoso, que nos lembra a descida da Segunda Pessoa da Trindade à matéria, e também o sacrifício do Cristo ao tomar um corpo e viver uma vida física dolorosamente restrita, a fim de apresentar diante de nós, sob uma nova forma, as boas-novas da Sabedoria Antiga.

Devotos padres da Igreja pensaram que, no ritual da Eucaristia, poderiam traçar uma representação alegórica da suposta vida terrena do Cristo.

Não estou de modo algum preocupado em dar uma nova ideia do culto eclesiástico.

negar a verdade de tais sugestões ou mesmo minimizar sua importância, mas desejo enfatizar o aspecto da cerimônia como uma oportunidade oferecida a nós — uma oportunidade de trabalhar para Deus e para o mundo; considerar seu efeito real sobre vários planos e descrever algo do mecanismo pelo qual o efeito é produzido.

Se esse mecanismo for claramente compreendido pelos membros da Igreja, eles descobrirão que podem cooperar útil e eficientemente com o clero em uma obra maravilhosamente bela e desinteressada, não apenas avançando grandemente sua própria evolução, mas também melhorando distintamente a atmosfera mental e moral da cidade em que vivem.

Quando percebermos quão excelente oportunidade nos é aqui oferecida, veremos que seria tolice, e de fato errado, não aproveitá-la com a maior frequência e plenitude possível.

Mas para fazer isso, são necessários algum estudo e algum esforço mental; e é para ajudar aqueles que estão sinceramente interessados a uma compreensão mais completa do assunto que este pequeno livro é escrito.

O método particular concebido para a recepção e distribuição desse derramamento de energia é derivado dos Mistérios de algumas das religiões mais antigas.

Tem sido um plano favorito deles transmitir influência da Divindade aos seus adoradores por meio de alimento ou bebida especialmente consagrados — um expediente obviamente útil, quando o objetivo é que a força permeie completamente o corpo físico do homem e o coloque em sintonia com a mudança que está sendo simultaneamente introduzida nos veículos superiores.

Para expressar da maneira mais forte concebível a intimidade da relação entre a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade e os adoradores, e também para comemorar Seu eterno Sacrifício (pois Ele é "o Cordeiro morto desde a fundação do mundo"), aquilo que é comido e bebido é chamado misticamente de Seu próprio Corpo e Sangue.

Talvez, para o nosso gosto atual, alguma outra expressão possa parecer mais atraente, mas seria ingrato para o cristão criticar o simbolismo adotado, quando ele está recebendo um benefício tão grande.

A devoção da Igreja sempre se centrou principalmente em torno da oferta da Eucaristia como um ato da mais alta e pura adoração possível e, consequentemente, os esforços mais exaltados de seus maiores compositores musicais também estiveram em conexão com este serviço.

Aqui podemos ver mais um exemplo da sabedoria com que os arranjos foram originalmente feitos, e da crassa inépcia daqueles que tão desastradamente tentaram melhorá-los.

Cada um dos grandes serviços da Igreja (e mais especialmente a celebração da Santa Eucaristia) foi originalmente concebido para construir uma poderosa forma ordenada, expressando e envolvendo uma ideia central — uma forma que facilitaria e dirigiria a radiação da influência sobre toda a aldeia que se agrupava em torno da igreja.

A ideia do serviço pode ser considerada dupla: receber e distribuir a grande efusão de força espiritual, e reunir a devoção do povo, oferecendo-a diante do trono de Deus.

Uma Nova Ideia de Culto Eclesiástico

No caso da Eucaristia, como celebrada pela Igreja Romana ou Grega, as diferentes partes do serviço são agrupadas em torno do ato central da consagração, distintamente com vistas à simetria da grande forma produzida, bem como ao seu efeito direto sobre os fiéis.

As alterações feitas no Livro de Oração Inglês em 1552 foram evidentemente obra de pessoas ignorantes deste lado da questão, pois perturbaram completamente aquela simetria — razão pela qual é algo eminentemente desejável para a Igreja da Inglaterra que ela, o mais rapidamente possível, organize seus assuntos de modo a obter permissão para usar como alternativa a Missa do Rei Eduardo VI, segundo o Livro de Oração de 1549. Esse não é de modo algum um serviço perfeito, mas é ao menos melhor que a revisão posterior, que é em muitos aspectos lamentavelmente deficiente, pois nem fornece material adequado para sua forma eucarística, nem ora por um Anjo para utilizar a matéria que de fato fornece.

Seus compiladores parecem ter construído o serviço unicamente para o benefício dos presentes, e ter perdido completamente a intenção imensamente mais ampla e desinteressada que estava tão claramente na mente do Fundador.

Um dos efeitos mais importantes do serviço eclesiástico, tanto sobre a congregação imediata quanto sobre o distrito circundante, sempre foi a criação dessas belas e devocionais formas-pensamento, através das quais o derramamento de vida e força dos mundos superiores pode mais prontamente produzir efeito.

Estes são melhor elaborados e sua eficiência é aprimorada quando uma parcela considerável daqueles que participam do serviço o faz com compreensão inteligente, 20           A Ciência dos Sacramentos

mas mesmo quando a devoção é ignorante, o resultado ainda é belo e edificante.

Muitas das seitas que infelizmente se separaram da Igreja perderam completamente de vista este lado interior e mais importante do culto público.

A ideia do serviço oferecido a Deus quase desapareceu, e seu lugar foi em grande parte ocupado pela pregação fanática de dogmas teológicos estreitos, que eram sempre           sem importância         e       frequentemente ridículos.

Os leitores às vezes expressaram surpresa por aqueles que escrevem do ponto de vista da visão interior parecerem decididamente favorecer as práticas da Igreja, em vez das das várias seitas cujo pensamento é, em muitos aspectos, mais liberal.

A razão é mostrada precisamente nesta consideração do lado interior das coisas com o qual estamos agora ocupados.

O estudante desse lado superior da vida que ainda está oculto para a maioria de nós reconhece mais plenamente o valor do esforço que tornou possível a liberdade de consciência e de pensamento; contudo, ele não pode deixar de ver que aqueles que rejeitaram as esplêndidas formas e serviços antigos da Igreja perderam nesse próprio ato quase toda uma das partes mais importantes de sua religião, e fizeram dela essencialmente uma coisa egoísta e limitada — uma questão principalmente de "salvação pessoal" para o indivíduo, em vez da oferta agradecida de adoração a Deus, que é em si o canal que nunca falha através do qual o amor divino é derramado sobre todos.

A conquista da liberdade mental foi um passo necessário no processo da evolução humana; a maneira desajeitada e brutal pela qual foi obtida,           Uma Nova Ideia do Culto           da Igreja            re

e a tolice dos excessos aos quais a ignorância grosseira conduziu seus defensores, são responsáveis         por muitos dos resultados deploráveis que vemos nos dias atuais.

A mesma luxúria selvagem e insensata por destruição arbitrária que moveu os soldados brutais de Cromwell a quebrar estátuas inestimáveis e vitrais insubstituíveis também privou a Igreja Inglesa, em grande medida, do valioso efeito produzido nos mundos superiores pelas orações perpétuas pelos mortos, e pela devoção praticamente universal do povo comum na Idade Média aos santos e Anjos.

Então, a grande massa do povo era religiosa — ainda que religiosamente ignorante; agora é francamente e até mesmo ostensivamente irreligiosa.

Talvez esta fase transitória seja necessária, mas dificilmente pode ser considerada em si mesma bela ou satisfatória.

Se religião significa "uma religação", devemos perceber que ela não se destina apenas a nos religar individualmente a Deus; destina-se a religar todo o mundo de Deus de volta a Ele, e nós, se formos verdadeiramente religiosos, devemos ser altruístas; devemos estar trabalhando juntamente com Ele, nosso Senhor, para aquela gloriosa consumação final.

Temos pensado demais na religião como se ela fosse apenas oração e louvor, ou apenas devoção.

Lembremo-nos do provérbio *Laborare est orare*, que significa "trabalhar é orar", enquanto não esquecemos o dito companheiro *Bene orasse est bene laborasse* — "ter orado bem é ter trabalhado bem". Chamamos nossa religião em grande parte de oração e louvor; a religião do Antigo Egito era chamada "a obra oculta", e a mesma coisa ainda é chamada pelo nome de obra por outra poderosa organização, que, embora não se anuncie como religião, está laborando para o mesmo propósito — está também oferecendo sua adoração Àquele Que é Sabedoria, Força e Beleza, tão verdadeira e tão belamente quanto a Igreja oferece a sua.

Aprendamos, pois, a servir com nossas mentes tanto quanto com nossos corpos.

Procuremos compreender este grande e glorioso serviço que Cristo nos dá não apenas para nosso próprio auxílio, mas como uma maravilhosa oportunidade, um magnífico privilégio, para que possamos compartilhar com Ele Sua divina obra de serviço e santificação.

O edifício de pensamento eucarístico a que me referi é construído durante e em grande parte por meio da devida realização do ritual.

Este edifício difere um tanto de qualquer uma daquelas figuras do livro *Formas-Pensamento*, embora tenha muito em comum com as grandes formas musicais retratadas no final daquela obra.

Numa Celebração Baixa, o material para a construção é fornecido pelo pensamento e devoção do sacerdote, auxiliado pelo de sua congregação (se ele a tiver); mas numa Celebração Alta, a música e outros acessórios desempenham um papel proeminente em sua ereção, embora as palavras e sentimentos do celebrante ainda sejam a força controladora, e em todos os casos há uma certa quantidade de orientação e assistência angélica.

Este edifício é construído com matéria pertencente a vários planos — mental, astral e etérico — e, numa fase posterior do serviço, a matéria de níveis ainda mais elevados é introduzida, como será explicado oportunamente.

Tantos fatores entram na sua manufatura que há espaço para amplas diferenças de tamanho, estilo, decoração e colorido, mas o plano geral é sempre reconhecidamente o mesmo.

Sugere a forma de uma basílica; de fato, diz-se que a Igreja de Santa Sofia em Constantinopla foi erguida à imitação de um desses edifícios espirituais.

(Estampa 1.) A estrutura completa é geralmente aproximadamente quadrada em planta baixa, com uma série de aberturas reentrantes ou portas em cada um de seus quatro lados, coroada por uma grande cúpula central, com cúpulas menores ou às vezes minaretes em seus cantos.

A irrupção de força no Sanctus magnifica tanto a cúpula e suas cúpulas anexas que ela se torna a parte importante do edifício, e após essa mudança a construção abaixo é antes o plinto que sustenta um dagoba do que uma igreja encimada por uma cúpula.

Essa gigantesca forma-pensamento é gradualmente construída durante a parte inicial do serviço.

Todo o ritual visa a construir corretamente essa forma, carregá-la com força divina e então descarregá-la; e cada cântico ou recitação contribui com sua parcela para esse trabalho, além da parte que desempenha na preparação dos corações e mentes do sacerdote e do povo.

O edifício incha de baixo para cima como uma bolha que está sendo soprada.

De modo geral, pode-se dizer que o Cântico de abertura fornece seu pavimento e o Introito o material para suas paredes e teto, enquanto o Kyrie supre as tigelas ou cúpulas subsidiárias, e o Gloria a grande cúpula central.

Os detalhes do edifício variam com a forma de serviço empregada e, até certo ponto, com o tamanho e a devoção da congregação.

Formas-Pensamento, de Annie Besant e C. W. Leadbeater.

Londres, 1905. Recomenda-se àqueles para quem o assunto da construção de forma em matéria superior pelo poder do pensamento é novo que leiam essa obra.

Uma Nova Ideia de Culto Eclesiástico

Tratado neste livro é o resultado da Liturgia revisada, tal como usada pela Igreja Católica Liberal.

A da Missa Romana é a mesma na aparência geral, mas as expressões infelizes que tão constantemente maculam sua beleza têm um efeito distintamente prejudicial sobre essa arquitetura espiritual.

Como todo estudante de história sabe, na forma em que é agora usada pela Igreja Romana, a Missa não é um todo coerente, mas uma congregação de partes tomadas de várias formas anteriores, e sua redação é em alguns lugares trivial e bastante indigna da augusta realidade que deveria expressar.

Mas, embora a redação real tenha passado por muitas mudanças, a eficácia da magia subjacente não foi fundamentalmente prejudicada.

Ela ainda alcança a coleta e a radiação da força divina para a qual seu Fundador a destinou, embora, sem dúvida, uma quantidade maior de amor e devoção inestimáveis pudesse ser derramada se todo o medo e a impotência fossem removidos de sua fraseologia, todos os apelos abjetos por "misericórdia", e os pedidos a Deus para fazer por nós uma série de coisas que deveríamos nos pôr a fazer por nós mesmos.

Foi feita uma tentativa na Liturgia revisada usada pela Igreja Católica Liberal de introduzir alguma melhoria nesse aspecto.

O serviço usado pela Igreja da Inglaterra é tristemente mutilado e truncado, pois é evidente que os chamados reformadores nada sabiam da intenção real do grande ritual que tão impiedosamente desfiguraram, e assim, embora as Ordens da Igreja da Inglaterra sejam válidas e seus sacerdotes tenham, portanto, o poder de extrair do grande reservatório de força espiritual, o edifício que ela constrói para sua recepção e distribuição é seriamente imperfeito e comparativamente mal adaptado ao seu propósito.

Isso não impede o derramamento, mas diminui a quantidade disponível para radiação, porque grande parte da força tem de ser gasta pelos auxiliares angélicos na construção de maquinaria que deveria ter sido preparada para eles por nós. Esse edifício de pensamento desempenha no serviço um papel um tanto semelhante ao do condensador em uma instalação para destilação de água.

O vapor jorra da retorta e se dissiparia no ar circundante se não fosse recebido em um frasco ou câmara, no qual pode ser resfriado e condensado em água.

A câmara é necessária para conter o vapor enquanto ele é transmutado em uma forma mais baixa e densa, de modo que possa ser disponibilizada para uso físico comum.

O objetivo do sacrifício da Santa Eucaristia é oferecer uma oportunidade para um derramamento especial de força divina dos níveis mais elevados, e proporcionar tal veículo para essa força que possa habilitar esses Anjos-auxiliadores a usá-la para certos propósitos definidos em nosso mundo físico, como será explicado mais adiante.

Água derramada no chão é de pouca utilidade, exceto para irrigar esse chão; se a queremos para outros usos, devemos providenciar um vaso para contê-la. Além disso, uma forma na qual a força possa ser coletada é necessária para que o Anjo possa ver qual é o montante total, e calcular quanto ele pode se dar ao luxo de distribuir para cada um dos propósitos aos quais ela deve ser dedicada.

Os objetivos que nos propusemos ao preparar esta forma revisada da Liturgia foram reter o contorno geral da forma que ela produz, e o funcionamento da magia antiga — os efeitos dos vários atos em diferentes estágios, a descida e o retorno do Anjo da Presença, e assim por diante — mas remover dela todo o cinza do medo e o marrom do egoísmo, e até certo ponto mudar o estilo de sua arquitetura de clássico para gótico.

Ao investigar, descobrimos que os Grandes Seres inspiraram as bandos errantes de Maçons (que construíram a maioria das grandes catedrais da Europa) com a ideia do estilo gótico, precisamente como uma tentativa no plano físico de guiá-los em direção à forma-pensamento mais jubilosa e aspirante que se desejava que seus serviços religiosos erigissem; mas eles foram singularmente lentos em perceber a analogia.

A atitude geral dos cristãos daquela época era obsequiosa e encolhida; muitos deles consideravam Deus como um ser que precisava ser aplacado, e em suas orações suplicavam-Lhe que os ouvisse por um momento antes de destruí-los, que tivesse misericórdia deles, e geralmente agiam e falavam como se Ele fosse um tirano mal-humorado em vez de um Pai amoroso.

Assim, seu pensamento devocional construía, no todo, um edifício de teto plano.

Vimos que sua superfície atual, tal como construída pelo ritual romano, é frequentemente um nível morto de nervosismo e ansiedade, cheio de feias cavidades e fossas de depressão causadas pelas confissões exageradas de vileza e apelos abjetos por misericórdia, desonrando igualmente a Deus e aos homens que Ele fez à Sua imagem.

Cada uma dessas depressões deveria ser substituída por um pináculo de fervorosa devoção, erguido pela confiança absoluta no amor de Deus, de modo que a forma-pensamento de uma Nova Ideia de Culto Eclesiástico mostrasse uma floresta de agulhas reluzentes, como a Catedral de Milão, em vez do teto plano ou abatido que frequentemente apresenta atualmente, a fim de que, por influência simpática, suas linhas ascendentes pudessem guiar os pensamentos dos homens para o alto, e afastá-los do medo servil para a confiança, adoração e amor.

Vimos quão maligno fora o efeito sobre a forma-pensamento das passagens vingativas, cominatórias ou aduladoras dos salmos hebraicos, e nos foi especialmente impresso que nenhuma palavra deveria ser posta na boca do sacerdote ou da congregação que eles não pudessem realmente significar.

Procuramos levar a cabo essas ideias o melhor que pudemos, e nosso trabalho foi recompensado por maior simetria no edifício erigido e por uma adaptabilidade distintamente aumentada ao seu propósito.

Não se pode enfatizar demasiadamente que a cooperação inteligente da congregação com o sacerdote é um fator valiosíssimo nesta grande obra, pois uma grande efusão de força e uma magnífica e eficaz forma-pensamento coletiva podem ser produzidas por uma reunião de homens que participam cordialmente de um serviço religioso.

Geralmente há considerável dificuldade em obter esse resultado, porque os membros da congregação média são inteiramente destreinados em concentração e, consequentemente, a forma-pensamento coletiva é usualmente uma massa fragmentada e caótica, em vez de um todo esplêndido e organizado.

A devoção, também, seja individual ou coletiva, varia muito em qualidade.

A devoção do selvagem primitivo, por exemplo, é geralmente muito mesclada de medo, e a ideia principal em sua mente em conexão com ela é aplacar uma divindade que, de outro modo, poderia mostrar-se vingativa.

Pouco melhor que isso é grande parte da devoção dos homens que se consideram civilizados e cristãos, pois é uma espécie de barganha profana — a oferenda à Divindade de certa quantidade de devoção se Ela, por Sua vez, estender certa quantidade de proteção ou assistência.

Tal devoção, sendo inteiramente egoísta e interesseira em sua natureza, produz resultados apenas nos tipos inferiores de matéria astral, e resultados excessivamente desagradáveis à vista são eles em muitos casos.

As formas-pensamento que eles criam são frequentemente moldadas como ganchos, e suas forças movem-se sempre em curvas fechadas, reagindo apenas sobre o homem que as emite, e trazendo de volta a ele qualquer pequeno resultado que possam alcançar.

A devoção verdadeira, pura e desinteressada é uma irrupção de sentimento que nunca retorna ao homem que a emitiu, mas constitui-se, em verdade, uma força cósmica produzindo resultados abrangentes nos mundos superiores.

Embora a força em si nunca retorne, o homem que a origina torna-se o centro de uma chuva de energia divina que desce em resposta, e assim, em seu ato de devoção, ele verdadeiramente abençoou a si mesmo, mesmo que ao mesmo tempo tenha abençoado muitos outros também, e além disso (se seu pensamento segue linhas cristãs), ele teve a honra de contribuir para o reservatório especial que o Cristo separa para a obra de Sua Igreja.

Qualquer pessoa que possua o livro Formas-Pensamento pode ver nele uma tentativa de representar a esplêndida espiral azul feita pela devoção deste tipo quando se lança para cima,              Uma Nova Ideia de Culto na Igreja

e compreenderá prontamente           como ela abre       um caminho para uma definitiva efusão da força divina.

Deus está derramando Sua maravilhosa energia vital em todos os níveis, em todos os mundos, e naturalmente a efusão pertencente a um mundo superior é mais forte e mais plena e menos restrita do que aquela sobre o mundo inferior.

Normalmente, cada onda desta grande força atua apenas em seu próprio mundo, e não pode (ou pelo menos não o faz) mover-se transversalmente de um mundo ou plano para outro; mas é precisamente por meio do pensamento e sentimento desinteressados, seja de devoção ou de afeição, que um canal temporário é providenciado através do qual a força normalmente pertencente a um mundo superior pode descer a um inferior, e pode produzir ali resultados que, sem ela, jamais poderiam ter ocorrido.

Todo homem que é verdadeiramente desinteressado frequentemente se torna tal canal, embora, é claro, em escala comparativamente pequena; mas o poderoso ato de devoção de toda uma vasta congregação, quando está verdadeiramente unida, e inteiramente sem pensamento de si mesma, produz o mesmo resultado em escala enormemente maior.

Às vezes, embora raramente, esse lado oculto dos serviços religiosos pode ser visto em plena atividade, e ninguém que tenha tido ao menos uma vez o privilégio de testemunhar uma manifestação tão esplêndida quanto esta pode, por um momento, duvidar de que o lado oculto de um serviço eclesiástico seja de uma importância infinitamente maior do que qualquer coisa puramente física.

Tal pessoa veria a deslumbrante agulha ou cúpula azul do mais elevado tipo de matéria astral precipitando-se para cima, rumo ao céu, muito acima da imagem de pedra que por vezes coroa o edifício físico no qual os fiéis se reúnem; veria a glória ofuscante que se derrama através dela e se espalha como uma grande inundação de luz viva sobre toda a região circunvizinha.

Naturalmente, o diâmetro e a altura da agulha de devoção determinam a abertura feita para a descida da vida superior, enquanto a força que se expressa na velocidade com que a energia devocional se precipita para cima tem sua relação com a velocidade com que o correspondente derramamento descendente pode ocorrer.

A visão é de fato maravilhosa, e aquele que a vê jamais poderá duvidar novamente de que as influências invisíveis são mais do que as visíveis, nem poderá deixar de perceber que o mundo, que segue seu caminho indiferente ao homem devoto, ou talvez até desdenhoso dele, deve-lhe o tempo todo muito mais do que sabe.

Nenhum outro serviço tem um efeito sequer comparável ao da celebração da Eucaristia, embora grandes formas musicais possam, naturalmente, aparecer em qualquer serviço em que a música seja utilizada.

Em todos os outros serviços (exceto, na verdade, a Bênção do Santíssimo Sacramento), as formas-pensamento desenvolvidas e o bem geral que é realizado dependem, em medida ainda maior, da devoção do povo.

Quando acontece que um número de estudantes desse aspecto interior do Cristianismo pertence a tal assembleia, eles podem ser de grande utilidade para seus companheiros de adoração, reunindo conscientemente as correntes dispersas de devoção e soldando-as em uma única e harmoniosa corrente poderosa.

Em nossa Liturgia, como na da Igreja de Roma, um Anjo é invocado para supervisionar essa soldagem e para dirigir a construção do edifício.

Por exemplo, no raro caso acima descrito, ele se apoderaria daquele esplêndido surto de devoção e, em vez de permitir que se elevasse em direção àquela gloriosa espiral azul, habilmente o moldaria em uma estrutura que se tornaria, em seguida, o veículo para uma descida de poder talvez dez vezes ou mesmo cem vezes maior do que a resposta que teria obtido em sua forma original.

O Anjo pode e irá suprir o que falta e retificar nossas deficiências, mas é obviamente desejável que facilitemos seu trabalho tanto quanto possível.

Essa consideração sobre a cooperação da congregação deve prevalecer sobre todas as outras ao determinar a seleção da música utilizada nos diversos serviços religiosos.

A música elaborada, de fato, produz resultados de longo alcance em níveis superiores e tem um efeito maravilhoso em estimular e elevar aqueles que compreendem e apreciam plenamente suas belezas; mas, neste estágio da evolução da humanidade, esses serão sempre poucos, e não muitos; e mesmo esses poucos devem perceber que não é principalmente para sua consolação e elevação pessoal que vêm à igreja, mas para trabalhar no serviço de Deus em auxílio de seus semelhantes.

Eles devem aprender a esquecer a si mesmos e seus desejos individuais, a submergir a personalidade e trabalhar como parte de um todo, como um rapaz faz ao ingressar em um time de críquete, um time de futebol ou a tripulação de um barco de regata.

Ele deve agir não por sua própria honra e glória, mas pelo bem do clube; pode ser chamado a deixar absolutamente de lado seus próprios desejos e a sacrificar oportunidades de brilho ou prazer pessoal.

Assim também devemos nós — *A Ciência dos Sacramentos* — aprender a silenciar o eu inferior e a trabalhar como congregação em verdadeira fraternidade e cooperação.

Não pode haver dúvida quanto à eficácia comparativa dos dois métodos.

Um serviço musical simples, no qual cem pessoas participam cordialmente e com intenção, é de muito maior utilidade para o mundo do que uma exibição da mais magnífica música à qual milhares assistem, ainda que a escutem com deleite e proveito para si mesmos.

Investigação cuidadosa e repetida sobre os resultados nos mundos interiores tornou abundantemente claro que, embora concertos sagrados ocasionais tenham um lugar importante na evolução individual, o serviço da Igreja deve ser organizado de modo que todos possam cooperar cordial e inteligentemente na obra que se propõe realizar. Uma forma simples de serviço musical deve ser adotada, e suas principais características devem permanecer inalteradas, para que todos possam tornar-se completamente familiarizados com elas.

A congregação deve ser bem instruída quanto ao significado e efeito das diferentes partes da cerimônia, e a intenção que devem manter em mente em cada parte.

Dessa forma, mesmo um pequeno grupo de pessoas pode realizar trabalho eficiente e útil, e tornar-se um verdadeiro centro de bênção para uma vasta região; e eles mesmos podem ser ajudados em medida quase incalculável, se puderem ser induzidos a unir-se cordialmente em hinos e cânticos bem escolhidos e inspiradores.

Nem toda música simples é igualmente adequada.

Obviamente, aquela que dará menos trabalho ao Anjo é a que por si só produz uma forma que se aproxima daquela que ele deseja.

Ela deve, naturalmente, variar em expressão conforme as palavras, mas deve sempre ser alegre e edificante.

Uma Nova Ideia de Culto na Igreja

Passagens lúgubres, monótonas e indefinidas devem ser evitadas a todo custo.

Nenhuma das adaptações existentes ajusta-se exatamente às nossas palavras, mas algumas podem ser adaptadas sem grande dificuldade.

Sem dúvida, compositores católicos liberais surgirão em breve que produzirão precisamente o que se deseja; entretanto, um serviço provisório será publicado que, embora longe de ser musicalmente perfeito, tem sido usado por vários anos com resultados práticos extremamente bons.

O sacerdote zeloso deve esforçar-se por assegurar para sua igreja a execução de tal serviço musical que forneça, econômica porém eficientemente, uma quantidade suficiente do melhor material disponível para o uso do Anjo da Eucaristia; mas deve estar constantemente em guarda contra os esforços bem-intencionados, porém egoístas, de seu coral para introduzir música ambiciosa na qual a congregação não possa participar.

Os cantores devem perceber que têm uma oportunidade singular de trabalhar a serviço de Deus ou de ajudar seus irmãos menos talentosos; e devem dedicar-se a esse trabalho, buscando nem a exibição vaidosa de seus dons, nem a titilação dos ouvidos e a elevação do coração para si mesmos, mas agindo com absoluto desinteresse e, assim, seguindo os passos de seu Mestre, o Cristo.

O sacerdote fará bem em incentivar o estudo da música entre sua congregação, para que possa, gradualmente, fortalecer essa parte de seu serviço; ele pode oferecer quantos concertos educativos de música mais elaborada desejar, mas nunca deve perder a inestimável cooperação de seu rebanho nos serviços efetivos de sua igreja.

34          A Ciência dos Sacramentos

Compreender-se-á que uma igreja que foi consagrada e está em uso constante para os diversos serviços divinos já é um porto de refúgio contra o incessante turbilhão do pensamento comum lá fora, e que sua atmosfera está altamente carregada de devoção.

No entanto, as pessoas que nela entram dia após dia trazem consigo uma certa proporção de suas preocupações e problemas particulares; suas mentes estão cheias de todos os tipos de pensamentos e ideias relacionados ao mundo exterior — não necessariamente maus pensamentos, mas pensamentos que não são especialmente religiosos em sua natureza.

Alguns podem até estar oprimidos pela consciência do fracasso, ou de efetiva transgressão.

É portanto desejável fazer um esforço especial para purificar a igreja antes de começar o serviço.

Por essa razão, é sempre útil começar com uma procissão.

O clero e o coro devem obviamente entrar de maneira ordenada e ocupar seus lugares, e quando possível, é bom estender essa necessária procissão de entrada a uma perambulação pela igreja, porque dessa forma a purificação preliminar é grandemente auxiliada, e a congregação é ajudada à autoconcentração, à estabilidade de pensamento e à concentração na obra em questão.

Um dos fatores mais valiosos nesse esforço é o incenso; ele já foi abençoado pelo sacerdote ou pelo bispo e, consequentemente, sua fumaça carrega consigo influências purificadoras e elevadoras onde quer que sua fragrância penetre.

Se um bispo estiver presente, ele derrama sua bênção sobre o povo (usando o sinal da cruz) enquanto a procissão passa entre eles; e, embora esse dever não seja imposto ao sacerdote, ele poderá, no entanto, ajudar grandemente seu povo se, ao caminhar na procissão, mantiver em mente um forte senso de paz e um sincero desejo de que sua congregação compartilhe desse sentimento com ele.

O efeito de um hino processional sobre o povo é bom também em outros aspectos, pois tende a trazer todos a uma vibração harmoniosa e a direcionar seus pensamentos para canais semelhantes.

É algo equivalente à afinação das cordas de um violino, pois o canto tem um efeito decidido em elevar suas emoções e pensamentos.

É claro que é impossível trazer uma congregação mista absolutamente em uníssono no que diz respeito a seus pensamentos e sentimentos, mas eles deveriam ao menos ser colocados em sintonia uns com os outros, de modo que se fundissem em um todo harmonioso, assim como fazem os variados instrumentos de uma grande orquestra.

As fortes vibrações ondulantes do hino suprimem as ondulações de pensamento que não concordam com elas, e a passagem do coro tão de perto entre o povo estimula este a participar de forma mais cordial e vigorosa do serviço, e assim, dessa maneira, o canto congregacional é uma excelente preparação para o trabalho que se seguirá.

O hino constrói, em matéria superior, uma série de formas retangulares desenhadas com precisão matemática, seguindo-se umas às outras em ordem definida como os elos de alguma poderosa corrente; e essa repetição constante age como os golpes repetidos de um martelo na cabeça de um prego, e fixa a lição que se pretende inculcar.

Novamente, a esplêndida aparência de uma procissão bem organizada, a cor e as luzes, os ricos estandartes e as suntuosas vestes, tudo se combina para inflamar a imaginação, elevar os pensamentos do povo acima do nível prosaico da vida comum, e ajudar sua devoção e entusiasmo,

CAPÍTULO II. A SANTA EUCARISTIA

ASPERGES                                    SALMO    CATÓLICO ROMANO           CATÓLICO LIBERAL
Antes da Missa Principal aos                Antes de todos os Serviços
Domingos.                                   Eucarísticos.

Antífona                                  Antífona    Tu me aspergirás                  Tu me aspergirás com hissopo, e com hissopo, e ficarei                ficarei purificado: tu me purificado: tu me lavarás,          lavarás, e me tornarei mais e me tornarei mais branco           branco do que a neve. do que a neve.

Salmo                                     Salmo    Tem misericórdia de mim,          Elevo os meus olhos para os ó Deus, segundo a tua               montes: de onde me virá o grande misericórdia.                socorro.

O meu socorro vem do                                                Senhor, que fez o céu e a                                                terra.

Ele não permitirá que o                                                teu pé vacile: e aquele que                                                te guarda não dormirá.

Eis que aquele que guarda                                                Israel não dormirá nem                                                cochilará.

O Senhor é quem te                                                guarda: o Senhor é a tua

+ Edição autorizada, publi-    Tradução publicada por cada por The St. Alban Press,   Messrs. Burns and Oates,        Los Angeles e Londres.          Londres, Sydney.

A Santa Eucaristia                        ah

defesa à tua direita.                                                Para que o sol não te fira                                                de dia, nem a lua de noite.

O Senhor te guardará de                                                todo mal: sim, é Ele quem                                                guardará a tua alma.

O Senhor guardará a tua                                                saída e a tua entrada,                                                desde agora e para sempre.

Glória ao Pai, e ao Filho,     Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.              e ao Espírito Santo.

Assim como era no prin-         Assim como era no prin- cípio, agora e sempre,           cípio, agora e sempre, por todos os séculos dos           por todos os séculos dos séculos. Amém.                     séculos. Amém.

Antiphon                        Antifona    Thou shalt sprinkle  me         Tu me aspergirás com hissopo, e serei        Thou shalt sprinkle   me with hyssop and I shall be      purificado: tu me lavarás, e serei      with hyssep, O Lord, and cleansed: thou shalt wash       mais branco do que a neve.      me and I shall be made          Tu me aspergirás, ó Senhor, e serei whiter than snow.                purificado: tu me lavarás, e serei

mais branco do que a neve.

A Liturgia começa com o asperges, ou cerimônia purificatória.

Asperges é simplesmente o latim das palavras iniciais da antifona "Tu me aspergirás", pois é costume constante na Igreja usar a primeira palavra ou palavras de um salmo ou cântico como seu nome.

A procissão, tendo já despertado o povo e auxiliado-o a unir-se em pensamento e sentimento, o celebrante, por meio do asperges, faz um esforço especial para expulsar da igreja qualquer 38        A Ciência dos Sacramentos

acúmulo de pensamento mundano.

Ele faz isso aspergindo água benta, que foi fortemente magnetizada com vistas a esse tipo de trabalho.

Ao chegar ao santuário, o sacerdote ajoelha-se diante do altar e canta as palavras iniciais da antifona: "Tu me aspergirás", o coro e a congregação continuando a melodia a partir desse ponto.

O sacerdote recebe o hissope, que foi mergulhado na água benta, e, após fazer com ele o santo sinal da cruz sobre si mesmo, asperge o altar três vezes, pois é especialmente necessário que esta parte da igreja seja cuidadosamente preparada para a recepção da tremenda força que tão logo irradiará dele. Não precisa espalhar grande quantidade de água ao fazê-lo, pois a purificação é produzida menos pelas gotas que caem do que pela vontade do sacerdote dirigindo a energia armazenada na água magnetizada.

Com cada movimento de arremesso do hissope, ele direciona essa força em qualquer direção desejada, e ela flui imediatamente ao longo da linha traçada para ela. Dessa forma, ele pode dirigir um jato de força em direção à cruz acima do tabernáculo, através do altar até as velas, e assim por diante. O clero e o coro são então aspergidos, e finalmente a congregação; em cada caso, uma rajada de força purificadora é lançada, que viaja, quando apontada para o povo, até o fim da igreja, por maior que seja. Essa expansão sopra o que parece uma vasta bolha achatada de matéria etérica e astro-mental, uma edificação de pensamento, etérea, diáfana — uma bolha que apenas inclui a congregação.

(Veja a Estampa 2.) Dentro desta, a atmosfera psíquica é purificada, a bolha repelindo aquilo que não foi afetado.

Dessa forma, uma área é desobstruída para as operações do Anjo que será invocado em seguida.

Enquanto o celebrante realiza esta cerimônia, o coro e a congregação cantam o salmo centésimo vigésimo primeiro, que poderia ser resumido numa frase bem conhecida emprestada de outro salmo: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela." Isso enfatiza o pensamento de que somente pelo poder do nosso Senhor o mal pode ser mantido à distância; a implicação obviamente é que somente mantendo nosso pensamento constantemente fixo Nele podemos preservar a condição de purificação mental e astral que foi estabelecida no edifício por meio da aspersão.

Como sempre, o salmo é provido de uma antífona, que nos indica o pensamento que devemos manter em mente enquanto o cantamos — neste caso, o pensamento da pureza perfeita.

Originalmente, na Igreja primitiva, os versículos do salmo eram cantados pelo sacerdote ou por um único cantor, enquanto a antífona era repetida após cada versículo pela congregação, como uma espécie de coro ou refrão, e foi somente em um período um pouco posterior que ela foi relegada ao início e ao fim do salmo, como a temos agora.

Assim, tendo essa intenção de extrema pureza de pensamento e sentimento em nossas mentes o tempo todo, cantamos os vários versículos do salmo, que nos dizem que é somente ao nos determos no pensamento de Deus e das coisas superiores que tal pureza pode ser mantida.

A ideia aqui não é primariamente a de pureza geral de vida, eminentemente desejável embora isso inquestionavelmente seja. É antes a concepção de pureza de intenção — o que descreveríamos como concentração de propósito ou unicidade de foco.

Todos os outros pensamentos devem ser rigorosamente banidos, toda inclinação para divagar deve ser firmemente contida, para que possamos concentrar nossas energias na obra que temos em mãos.

Enquanto esses pensamentos fluem constantemente das mentes do sacerdote e do povo, o canto real das palavras que os incorporam está simultaneamente produzindo seus efeitos — fortalecendo, ampliando e enriquecendo a bolha soprada pelo esforço do sacerdote.

(Veja Estampa 3.) Este salmo não é necessário para a eficácia da purificação; de fato, ver-se-á que na forma mais curta do serviço prescindimos dele por completo.

Mas quando temos bastante tempo à nossa disposição, ele sem dúvida ajuda a reunir os pensamentos dispersos do povo.

Temos de perceber que a concentração súbita e intensa do pensamento não é fácil — é, na verdade, quase impossível — para a mente não treinada; a maioria das pessoas precisa de um pouco de tempo e mais de um esforço antes de poder elevar seu entusiasmo e sua devoção ao ponto mais alto, de modo que suas forças estejam plenamente em ação.

O salmo é inserido para dar tempo para essa "preparação" àqueles que dela necessitam. É desejável usar para este salmo um dos tons gregorianos mais simples; o 6º tom, 1ª terminação, por exemplo, tem-se mostrado satisfatório, ou o 8º tom, 1ª terminação.

(Estes números estão de acordo com o sistema do conhecido Saltério de Helmore.) O clarividente que estuda o efeito da música eclesiástica dificilmente deixará de se impressionar com a diferença entre os fragmentos quebrados, embora brilhantes, do canto anglicano, e a esplêndida e luminosa uniformidade do tom gregoriano.

Ao final do salmo aparece a doxologia de glória à sempre-bendita Trindade, com a qual tem sido o costume da Igreja, desde tempos muito antigos, encerrar todos os seus salmos e cânticos.

Não requer comentário além da observação de que "sem fim" é uma tradução um tanto insatisfatória de *per omnia secula seculorum*; que claramente significa exatamente o que diz: "através de todas as eras das eras". A concepção do *éon* ou dispensação como designação de um longo período de tempo era perfeitamente familiar aos gregos e romanos, como também o era a ideia adicional de um período ainda maior chamado um *éon* de *éons* — como poderíamos poeticamente chamar dez mil anos de um século de séculos.

Assim, "através de todas as eras das eras" equivale a "por toda a eternidade". Aqui também temos, pela primeira vez em nosso serviço, a palavra "Amém", pela qual se supõe que o povo manifeste sua aprovação ao que o sacerdote disse.

Geralmente, isso é tomado como uma forte afirmação; as palavras que Cristo usa com tanta frequência, traduzidas em nossa versão inglesa como “‘Em verdade, em verdade’” são, no grego que Ele falava, “Amém, amém”. Os judeus trouxeram essa palavra do Egito, onde era um dos Nomes do Deus-Sol—Amom-Rá. Jurar por Amém era um juramento que ninguém ousava quebrar; ninguém que invocasse Amém como testemunha do que dizia ousaria falar outra coisa senão a verdade; e assim essa fórmula “Por Amém eu vos digo” trazia absoluta convicção aos ouvintes.

Assim, quando nosso Senhor desejava ser especialmente enfático, Ele usava 42          A Ciência dos Sacramentos

a forma à qual Seu auditório estava acostumado, que não podia deixar de convencer aqueles que a ouviam. Pronunciada ao final de um discurso ou de uma oração, transmitia a total concordância e aprovação daqueles que a usavam: “Por Amém, assim é,” ou “Por Amém, concordamos com isso;” e assim acaba por ser considerada como equivalente a “Assim seja,” ou “Assim é.” Um exemplo de seu uso anterior pode ser visto em Isaías lxv, 16, onde a Versão Autorizada Inglesa traduz: “Aquele que se abençoar na terra será abençoado no Deus da verdade, e aquele que jurar na terra jurará pelo Deus da verdade.” A palavra hebraica aqui traduzida como “da verdade” é Amém; portanto, a declaração real é simplesmente que as pessoas jurarão pelo Deus Amém, precisamente como se fazia no antigo Egito.

VERSÍCULOS            ROMANO                                    LIVRE   V. Mostra-nos, ó Senhor, a    P.    Ó Senhor, abre Tu os tua misericórdia.

nossos lábios.

R. E concede-nos a tua sal-           C. E a nossa boca anunciará vação.

o Teu louvor.

V. Senhor, ouve a minha oração.

P. Quem subirá ao monte do                                   Senhor?   R. E o meu clamor chegue       C. Aquele que tem as mãos até Ti,                        limpas e o coração                                   puro.

O sacerdote então canta o versículo: “Ó Senhor, abre Tu os nossos lábios,” e o coro responde: “E a nossa boca anunciará o Teu louvor.” Este versículo tem sido usado desde um período primitivo na história da Igreja no início de um dos serviços matinais, embora não na Missa.

Sua ideia subjacente é que é somente com a ajuda do poder divino em nós-                          A Santa Eucaristia

eus mesmos que podemos esperar louvar ou adorar de maneira digna.

Quando falamos da ajuda do Senhor, devemos procurar compreender que podemos recorrer ao Poder divino externo — ao que comumente se chama o Poder de Deus — somente porque nós mesmos também somos Deus, porque somos fundamentalmente parte d'Ele.

A intenção deste versículo é que o Divino dentro do homem possa ser despertado para entrar em harmonia com o Divino externo, enquanto a resposta nos diz que, depois que nossos lábios são descerrados, o primeiro uso que devemos fazer da fala é oferecer louvor ao Senhor.

É importante notar que não é oração ou benefícios, mas louvor, a primeira coisa que devemos oferecer.

O celebrante então canta: "Quem subirá ao monte do Senhor?", querendo dizer com isso: Quem pode útil e adequadamente subir os degraus que conduzem ao altar? Imediatamente vem a resposta: "Aquele que tem mãos limpas e coração puro." Agora, com essa convicção firmemente implantada em si mesmo, o celebrante volta-se para o povo e, pela primeira vez no serviço, dá a Bênção Menor.

DOMINUS VOBISCUM

ROMANO                                    LIBERAT      V. O Senhor esteja convosco.               P. O Senhor esteja convosco.

Vós.

R. E com o vosso espírito.

C. E com o vosso espírito.

Qualquer pessoa que observe atentamente o serviço romano da Missa dificilmente deixará de notar a frequência com que o celebrante se volta para a congregação e profere as palavras: Dominus vobiscum — "O Senhor esteja convosco." O povo 44       A Ciência dos Sacramentos

responde: Et cum spiritu tuo — "E com o vosso espírito", frase que parece necessitar de revisão, pois o espírito é o possuidor único, e nunca pode, por qualquer possibilidade, ser a coisa possuída.

Uma expressão mais precisa seria: "E contigo como espírito." A Igreja primitiva, no entanto, não falava com tão cuidadosa precisão, mas adotava antes a fraseologia do salmista hebreu, que não raramente exorta sua alma a bendizer o Senhor, aparentemente identificando-se com seu corpo.

São Paulo foi melhor instruído, pois escreve sobre corpo, alma e espírito como a tríplice divisão do homem, embora ainda assim os coloque como possessões do homem.

Uma declaração mais científica é que o Espírito (às vezes chamado de Mônada) é a centelha divina em cada um de nós, que é a causa de todo o resto e, consequentemente, o homem verdadeiro; que este Espírito projeta para níveis mais baixos que o seu próprio uma manifestação parcial de si mesmo, a qual chamamos de alma ou ego; que esta alma desdobra suas qualidades divinas latentes por meio de muitas vidas sucessivas em um mundo ainda mais inferior, no curso das quais se reveste de veículos adequados a esse mundo, aos quais damos o nome de corpo.

Assim, em qualquer momento dado da vida física, o homem — o Espírito — possui uma alma e um corpo — na verdade, vários corpos, pois São Paulo explica ainda: "Há um corpo natural e há um corpo espiritual". Essas palavras não são bem traduzidas; mas o contexto deixa claro que por "corpo natural" ele se refere a essa vestimenta de carne com a qual todos estamos bem familiarizados, e que pelo termo "corpo espiritual" ele quer dizer o que os hindus chamam de "corpo sutil" — dividido por investigadores posteriores nos veículos astral e mental.

A Santa Eucaristia

Por mais que a ideia possa ter sido obscurecida no curso dos séculos, é certo que o serviço da Santa Eucaristia se destina a ser uma cerimônia coerente, movendo-se firmemente em direção a um clímax, e habilmente calculada para produzir certos efeitos magníficos.

Considerando o ritual cientificamente desse ponto de vista, talvez alguém possa estranhar um pouco a frequente repetição de uma observação que, embora bela em si mesma, parece à primeira vista não ter conexão óbvia com o propósito esplêndido do grande ato espiritual do qual faz parte.

A frase ocorre nada menos que nove vezes (na forma mais curta, três) no curso da Liturgia, com uma ligeira mas importante adição em um caso — a saudação da paz — à qual me referirei quando chegarmos a ela. O serviço como um todo centra-se na tremenda efusão de poder que ocorre na Consagração.

Tudo o que é dito e feito antes desse momento destina-se, de várias maneiras, a conduzir a ele, e tudo o que acontece depois está relacionado com a conservação ou distribuição do poder.

A ideia de preparar o sacerdote para realizar o grande ato está sem dúvida presente, mas também, e mais proeminentemente, a de preparar a congregação para recebê-lo e dele beneficiar-se. Essa preparação do povo é alcançada em grande parte ao atraí-los cada vez mais para uma harmonia magnética com o sacerdote—ao trazê-los mental e emocionalmente em sintonia com ele na poderosa obra que ele está realizando.

Assistir ao constante aumento do poder durante todo o tempo, e promover a harmonia de vibração sempre crescente entre sacerdote e povo, são os objetivos desta Bênção Menor constantemente repetida.

Para quem possui visão clarividente, seu valor é claramente aparente, pois quando o celebrante se volta para o povo e canta ou fala as palavras prescritas, uma poderosa corrente de força desce sobre a congregação, e então, um momento depois, reflui em direção ao altar, grandemente aumentada em volume, porque varre e carrega consigo todos os pequenos jatos de força que os fiéis individualmente geraram, os quais, de outra forma, flutuariam para cima e se dissipariam.

Tudo converge sobre o sacerdote com as palavras: "E com o teu espírito"; e a corrente é às vezes tão forte que, se ele for de algum modo sensível, fica quase atordoado por ela, mas seu dever é recebê-la em si mesmo e segurá-la para o uso do Anjo que ele está prestes a invocar.

Essa interação é mais eficaz em soldar celebrante, assistentes e congregação em um todo harmonioso—um verdadeiro instrumento vivo a ser usado na magia da Eucaristia.

Essas palavras são repetidas ao longo do serviço sempre que o sacerdote realizou algum ato ou proferiu alguma oração que exalte suas emoções ou o encha de alguma força particular, sendo a ideia que ele é capaz, através da Bênção Menor, de compartilhar essa exaltação ou força com o povo, e assim elevá-los mais perto de Deus.

Neste caso, é a ideia e a realização de pureza e concentração que devem ser compartilhadas; a compreensão da necessidade dessas virtudes, e a determinação de alcançá-las.

Isso sendo completamente impresso em seu povo, a Santa Eucaristia

O sacerdote volta-se para outra parte da preparação e diz:

COLETA
ROMANO
LIBERAL
Oremos.

Oremos.

Ouví-nos com misericórdia, ó
Senhor santo, Pai eterno, Deus
todo-poderoso: e dignai-Vos
enviar do Vosso trono celestial
o Vosso santo Anjo para
guardar, nutrir, proteger,
visitar e defender todos os que
habitam nesta morada.

Guiai-nos, ó Pai todo-poderoso,
em todas as nossas ações, e
dignai-Vos enviar do céu o
Vosso santo Anjo para estar
convosco, guardar, nutrir,
proteger, visitar e defender
todo o Vosso povo que se
reuniu para servir e adorar-Vos.

Por Cristo, nosso Senhor.

Por Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

R. Amém.

A frase "Oremos" é um sinal dado pelo celebrante ao povo quando ele está prestes a proferir uma oração, e é, portanto, tempo de se ajoelharem.

Tal sinal era ainda mais necessário na Igreja primitiva, quando o povo não dispunha de cópias da liturgia (nem, na maioria dos casos, sabia lê-las, caso as tivesse), e era, portanto, obrigado a confiar inteiramente no sacerdote para as orientações quanto à posição que deveriam assumir.

De fato, por um tempo considerável não houve liturgia escrita, e cada celebrante preenchia extemporaneamente o esboço da cerimônia conforme dado pelo Cristo.

Que o Cristo deu tal esboço é certo a partir da investigação clarividente.

O relato da instituição deste Sacramento dado nos vários evangelhos é provavelmente substancialmente exato, embora devamos lembrar que os escritores estavam compilando um maravilhoso e belo drama-mistério, no qual

48 A Ciência dos Sacramentos

estavam muito mais preocupados em transmitir com sucesso as poderosas verdades que jaziam por trás de seu simbolismo do que em observar exatamente as unidades da forma narrativa na qual haviam decidido lançar seu relato.

Mas as palavras proferidas naquela primeira Eucaristia, na noite da Quinta-feira Santa (ou, como parece mais provável, imediatamente após a meia-noite, e assim bem cedo na manhã da Sexta-feira Santa), foram meramente a instituição formal da grande cerimônia.

Informações detalhadas quanto ao seu método e intenção foram dadas pelo Senhor após a Sua ressurreição, entre as muitas coisas "pertencentes ao Reino de Deus" que Ele então ensinou aos Seus discípulos.

Mas, embora seja certo que Ele lhes deu direções claras quanto aos pontos principais do serviço eucarístico e explicou que efeito cada um deveria produzir, também é claro que deixou que esse esqueleto da cerimônia fosse preenchido por Seus apóstolos conforme achassem conveniente sob as condições constantemente variáveis de seu trabalho evangelístico inicial.

Os seguidores de cada apóstolo naturalmente tentariam lembrar e reproduzir suas improvisações; e assim surgiria uma série de rituais, todos construídos sobre o mesmo esqueleto, mas revestindo-o de maneiras diferentes.

Foi somente com o passar dos séculos que a Igreja evoluiu, por experiência e compilação, as várias liturgias que agora possuímos; embora, novamente, não devamos esquecer que Ele mesmo esteve sempre por trás de seus esforços, sempre pronto a inspirar e dirigir aqueles de seus líderes que se abriam à influência espiritual.

Tendo efetuado uma purificação preliminar e assim provido um campo (dentro da enorme bolha soprada pelo esforço do sacerdote) no qual um Anjo sentirá ser possível trabalhar, o celebrante agora invoca o auxílio de um desses benéficos ajudantes.

Há muitas ordens e raças desses radiantes espíritos não humanos, e a maioria deles, no estágio atual da evolução humana, tem pouca conexão com a humanidade.

Certos tipos, no entanto, estão sempre prontos a participar de cerimônias religiosas, não apenas pelo prazer de praticar uma boa ação, mas porque tal trabalho lhes oferece a melhor oportunidade possível de progresso.

Quatro vezes no decorrer do serviço eucarístico o sacerdote invoca a ajuda dos santos Anjos, e podemos estar bem certos de que ele nunca invoca em vão, pois um vínculo com essas hostes celestiais é uma das vantagens que lhe são conferidas em sua Ordenação.

Nesta ocasião, ele invoca o que é comumente chamado de Anjo da Eucaristia, cujo trabalho especial em conexão com ela é auxiliar na construção do edifício do qual já falei.

Ele determina o tamanho da forma que pode ser erguida em qualquer ocasião dada, levando em conta o número de pessoas presentes, a intensidade de sua devoção, a quantidade de seu conhecimento, sua disposição de cooperar, e assim por diante. Uma grande congregação trabalhando inteligentemente pode dar muito mais material para a construção da forma do que uma pequena congregação; novamente, muito mais material está disponível em uma Celebração Solene do que em uma celebração simples.

Está na obra do Anjo zelar para que nossa matéria seja sabiamente utilizada na construção do edifício.

Se um pavimento demasiado extenso fosse construído ao cantar-se o cântico, o edifício eucarístico, quando completo, poderia ficar tão atenuado que mal se sustentaria.

A forma é moldada e dirigida por este Anjo, embora seu contorno possa, até certo ponto, ser alterado pela vontade do celebrante, se ele conhecer a existência da forma e o propósito para o qual ela está sendo construída.

O primeiro ato do Anjo ao chegar é expandir a bolha formada pela vontade do sacerdote nas aspersões.

(Estampa 4.) Ele a empurra para além do altar até ter desobstruído um espaço tão a leste do altar quanto a bolha original havia desobstruído a oeste.

Para tornar possível essa expansão sem que a bolha se torne demasiado tênue, o sacerdote, no momento em que asperge o altar, deve imaginar mentalmente a película da bolha como sendo muito mais espessa nas proximidades do altar e do santuário do que em qualquer outro lugar.

Ver-se-á que a forma romana da oração das aspersões não faz referência direta ao trabalho do Anjo na ereção do edifício, embora seja por meio dessa construção que ele guarda, protege e defende a congregação, em grande medida, da intrusão de pensamentos malignos ou errantes, mesmo enquanto, por seu poderoso e contudo repousante magnetismo, ele verdadeiramente visita e nutre aqueles que estão dispostos a receber sua influência.

Não quero dizer que, se um homem permitir que sua mente se encha de preocupações particulares, o Anjo interferirá especialmente para expulsá-las; mas ele exclui de seu edifício as vastas multidões de formas-pensamento vagas que, na vida comum, constantemente pressionam sobre nós e atravessam nossas mentes sempre que, por um momento, as deixamos em branco.

Sua própria presença é uma bênção, pois um resplendor calmante e edificante emana dele.

página 50.

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fluindo eternamente dele; assim, sua visita oferece claramente uma oportunidade valiosa àqueles que estão preparados para tirar proveito dela. No serviço mais curto, comprimimos toda a ação das aspersões em uma única coleta.

Fazendo o sinal da cruz sobre si mesmo com o hissope, o sacerdote diz: Que o Senhor me purifique, para que eu possa dignamente realizar o seu serviço.

Ele asperge o altar e o presbitério.

Na força do Senhor, repilo todo o mal deste Seu santo altar e santuário,      Ele asperge o povo.

e desta Casa, onde O adoramos;       Ele volta-se para o altar.

e rogo a nosso Pai celestial que envie Seu santo Anjo para construir para nós um Templo espiritual através do qual Sua força e bênção possam ser derramadas sobre o Seu povo.

Por Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

Isto é, em todos os sentidos, tão eficaz quanto a forma mais longa, mas requer pensamento alerta e concentrado por parte do sacerdote.

Ele provavelmente achará aconselhável recitar a coleta um tanto lentamente, lançando toda a força de sua vontade em cada cláusula.

A invocação que imediatamente segue as aspersões na forma mais longa, na forma mais curta é feita para precedê-la, tornando assim a purificação definitivamente parte do serviço eucarístico, em vez de uma preparação para ele. Tem sido nosso esforço, na forma abreviada, ajustar as palavras mais exatamente ao efeito que está sendo produzido, para que seja mais fácil para a congregação acompanhar o lado interno do serviço.

Todas as ações manuais do sacerdote são precisamente as mesmas; não há diferença perceptível entre os edifícios erguidos pelas duas formas, nem na quantidade de força derramada.

Quando a Epístola e o Evangelho não são lidos, perdemos a quantidade de material útil gerado pelo Gradual; e tais membros da congregação que precisam de uma boa dose de pressão constante para despertar seu entusiasmo têm tempo para contribuir um pouco mais durante as orações mais longas.

Mas, na prática, essa ligeira falta é geralmente compensada pelo aumento da atenção e pela compreensão mais clara do que está sendo feito.

Na forma mais curta, as ações importantes do ritual sucedem-se mais rapidamente, porque tudo o que não é realmente necessário para o trabalho interno foi eliminado.

Muitas passagens belas têm de ser omitidas; mas, no entanto, a forma abreviada será considerada conveniente em muitas ocasiões em que seria impossível realizar a cerimônia completa.

A SANTA EUCARISTIA — PREPARAÇÃO — INVOCAÇÃO

ROMANA                           LIBERAL
Em nome do Pai, e do Filho,           Em Nome do Pai, e do
e do Espírito Santo.                  Filho, e do Espírito Santo.
Amém.                                 Amém.

R. Amém.

Agora que o serviço propriamente dito está prestes a começar, a capa é removida dos ombros do celebrante e ele é revestido com a casula, a vestimenta sacrificial que, desde os primeiros dias da Igreja, foi reservada para a celebração da Santa Eucaristia.

O significado e o uso desta vestimenta serão descritos na Parte III, "Os Instrumentos dos Sacramentos". A Eucaristia começa, como todos os serviços da Igreja, com uma Palavra e Sinal de Poder.

Para compreender plenamente o uso e a força de tais palavras e sinais, devemos estudar um aspecto da natureza que é quase totalmente esquecido nos dias modernos.

Devemos aprender que não vivemos em um mundo material vazio e sem resposta, mas em meio a um vasto oceano de vida fervilhante — que estamos sempre cercados por uma grande nuvem de testemunhas, uma poderosa hoste de seres invisíveis aos nossos olhos físicos.

Esse imenso exército inclui seres sobre-humanos (Anjos de todos os graus e tipos), as inumeráveis hostes dos mortos (que, naturalmente, ainda se encontram no nível humano) e incalculáveis milhões de entidades sub-humanas — espíritos da natureza, formas-pensamento animadas e afins.

Todos esses estão continuamente nos influenciando, alguns para o bem e outros para o mal, assim como nós, por nossa vez, estamos continuamente os influenciando.

A maioria das pessoas é inteiramente inconsciente ou zombeteiramente incrédula quanto a tudo isso, e assim tropeçam pela vida sem ajuda; embora talvez também seja verdade que a barreira de sua descrença cega, até certo ponto, as proteja de perigos possíveis.

Mas certamente Deus intenta que toda a Sua criação trabalhe em conjunto em Seu serviço, e que nos aproveitemos dos muitos auxílios que Ele colocou prontos às nossas mãos, tão logo sejamos sábios o bastante para compreendê-los.

Nisto, como em todas as outras direções, conhecimento é poder, e aquele que inteligentemente usar as forças da natureza poderá obter grande vantagem com isso.

A Ciência dos Sacramentos

Aqueles que estudaram religião comparada estão cientes da vasta importância atribuída aos nomes; sabem que, segundo toda crença antiga, o nome de uma coisa tem uma conexão direta com ela e pode invocá-la em qualquer lugar.

Recordar-se-á que, no Livro dos Mortos egípcio, o candidato que viaja pelo Salão de Amenti é abordado por todos os tipos de entidades, algumas delas de caráter terrível, que barram seu caminho e exigem ser identificadas.

Se devidamente instruído, ele prontamente as reconhece e diz a cada uma: "Eu te conheço; tal-e-tal é o teu nome." Diante disso, o dragão obstrutivo instantaneamente se aquieta, e o candidato prossegue triunfantemente em seu caminho.

Nesse antigo sistema, é claro que conhecer o nome de qualquer coisa implicava conhecimento de sua natureza íntima, seus poderes e qualidades.

Para os homens de outrora, portanto, comandar em Nome ou pelo Nome de qualquer manifestação de Deus era valer-se do poder dessa manifestação.

Há muita verdade nessa ideia, especialmente quando a invocação é proferida por alguém que, tendo sido vinculado à fonte do poder, recebeu autoridade para usá-lo. Assim, anunciar que iniciamos nosso serviço em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo é, no caso do sacerdote, invocar e colocar em atividade o vínculo especial estabelecido em sua ordenação, e em resposta há uma tremenda descida de força.

Quando um bispo está presente, essas palavras de poder são sempre proferidas por ele, por causa da camada adicional de poder que ele é capaz de invocar.

Quando essa invocação é usada por um leigo, ela convoca o equivalente ou representante da Santíssima Trindade dentro de si mesmo — seu espírito, intuição e inteligência.

Assim como no sistema solar tudo começa e termina com a Trindade, também no simbolismo da Eucaristia começamos com uma invocação dirigida ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, e terminamos com uma bênção em Nome dos mesmos Três Aspectos da Divindade.

O sinal de poder que acompanha essa invocação, o sinal da santa cruz, tem vários aspectos como símbolo.

A cruz grega com braços iguais significa o Logos em atividade — o braço do Senhor estendido para ajudar ou abençoar.

A cruz latina com a haste mais longa tipifica o Segundo Aspecto do Logos, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Deus Filho descido à matéria.

Em todas as bênçãos e exorcismos, ela é usada para imprimir a vontade do sacerdote sobre a pessoa ou objeto com o qual ele está lidando.

É um sinal através do qual o poder flui, às vezes do sacerdote para outro; às vezes do alto para o próprio sacerdote, como em certos pontos do serviço.

Quando um homem a faz sobre si mesmo, ela visa promover a autoconsciência; lembrá-lo do Nome que ela simboliza e ajudá-lo a realizar isso.

Onde esse Nome é invocado, confiamos que nenhum mal sobrevirá. É uma espécie de credo em miniatura, expresso em ação em vez de palavras; ou, ao tocarmos primeiro a testa e depois o plexo solar, isso nos lembra como "por nós homens e por nossa salvação" Cristo desceu do Pai, que é Cabeça sobre todas as coisas, a esta terra, ao plano físico, a parte inferior de Sua criação; enquanto, ao tocarmos primeiro o ombro esquerdo e depois o direito, lembramos que Ele passou da terra ao mundo astral inferior, chamado inferno, tipificado como à mão esquerda de Deus (embora mesmo assim seja mais elevado que a terra) e dali procedeu para assentar-se em glória para sempre à mão direita do Pai.

Um homem cujos pensamentos e sentimentos estão sempre no mais alto nível possível pode não precisar de um lembrete dessa espécie; mas a maioria de nós ainda não é perfeita, e portanto não é sábio rejeitar qualquer coisa que possa nos dar assistência.

A maioria de nós é bem-intencionada, mas esquecida, e tudo o que nos ajuda a recordar o ideal e auxilia a afastar pensamentos e influências malsãos é benéfico.

Ainda não somos santos; ainda estamos sujeitos a ser afetados por ondas de irritação ou egoísmo, ou por pensamentos indesejáveis.

O sinal da cruz feito sobre nós mesmos atrairá ao nosso redor influências invisíveis que tenderão a afastar tudo o que é desagradável e, ao mesmo tempo, tornarão mais fácil reter o que é bom.

Para compreender esse poder do sinal da cruz, devemos perceber que, como já disse, vivemos no meio de uma vasta hoste de outros seres.

Entre estes, as criaturas sub-humanas (ou espíritos da natureza, como às vezes são chamados) são peculiarmente suscetíveis à influência dos sinais de poder, dos quais a cruz é um.

Onde quer que esse sinal seja feito, ele atrai imediatamente a atenção de todas essas criaturas na vizinhança, e elas se reúnem em torno da pessoa que faz o sinal, na expectativa de que ela envie pensamentos e vibrações do tipo que elas apreciam.

Não devemos confundir esses espíritos da natureza com os Anjos.

Se um grande Anjo que por acaso estivesse passando visse o sinal da cruz e os bons pensamentos que o acompanham, certamente lançaria sobre o homem que o fez um sorriso radiante que traria uma influência auxiliadora, mas não seria provável que se desviasse de seu trabalho.

Os espíritos da natureza evoluem em grande parte por meio das vibrações nas quais se banham, e portanto o instinto neles implantado os leva a estar sempre à procura daquelas que lhes são úteis.

Há alguns que se encontram no estágio de evolução que necessita dos tipos mais grosseiros de vibrações, que para nós (mas não para eles) expressam pensamentos ou sentimentos maus ou passionais.

Tais criaturas se aglomeram ao nosso redor quando demonstramos irritabilidade ou sensualidade, e sua pressão encoraja e fortalece qualquer tendência indesejável que esteja se manifestando — não porque essas criaturas sejam em si mesmas más ou desejem nos prejudicar, mas porque estão apenas seguindo seu instinto e se reunindo em torno de uma fonte de emanações que lhes são agradáveis, assim como moscas se reúnem em torno de um pote de mel ou homens em torno de uma fogueira em tempo frio.

Outras estão em um estágio que necessita das vibrações mais elevadas, que em nós expressam bons pensamentos e sentimentos, e o sinal da cruz atrai esse tipo, assim como afasta o outro.

Não é tanto que estes últimos o temam, como geralmente se supõe (você sabe como o hino o coloca: "Ao sinal do triunfo, a hoste de Satanás foge"); a verdade é antes que sua radiação lhes é desagradável, e eles imediatamente reconhecem que onde esse sinal é feito não há nada para eles; então partem prontamente em busca de pastagens mais promissoras.

A Ciência dos Sacramentos

Compreenderemos melhor como essas forças atuam se pudermos nos despojar completamente das superstições infantis sobre o diabo e anjos malignos e encarar todo o assunto de um ponto de vista de senso comum e científico.

As ideias éticas de bem e mal nada têm a ver com a questão.

O reino dos espíritos da natureza contém tanta variedade quanto o reino animal.

Alguns espíritos da natureza, como alguns animais, são úteis para nós, enquanto outros membros de ambos os reinos nos são nocivos, e assim como desencorajamos, afugentamos ou destruímos ratos, cobras, escorpiões e vermes parasitas, da mesma forma deveríamos desencorajar ou afugentar entidades astrais ou etéricas indesejáveis.

Muitas pessoas não são sensatas quanto a esses assuntos; ou são estupidamente supersticiosas, ou igualmente estúpidas em sua incredulidade, porque não conseguem ver o mundo de matéria sutil que as cerca.

Eles não podem ver os micróbios da doença; ainda assim, essas criaturas invisíveis frequentemente influenciam suas vidas de forma séria, e assim também podem as invisíveis criaturas astrais.

Os espíritos da natureza, sejam benéficos ou nocivos, respondem avidamente às oscilações que lhes apelam; eles as reproduzem em si mesmos e as intensificam, e assim, por sua vez, reagem sobre nós e tendem a perpetuar em nós as condições que os atraíram.

Por essa razão, embora pessoas ignorantes às vezes considerem mera superstição, o fazer do sinal da cruz tem um valor prático definido.

CÂNTICO             ROMANO                                    LIBERAL      Antífona                                  Antífona      Irei   ao               altar             Irei ao altar de Deus.

de Deus.

A: Santa Eucaristia

Até Deus, que                    dá         Mesmo até o Deus              o alegria à minha juventude.

de minha alegria e regozijo.

Omitido em todas as missas         do tempo desde o Domingo da Paixão      ao Sábado Santo exclusivamente.

Salmo                                        Cântico   Julga-me,       O    Deus,     e       Alegrei-me quando me disseram: distingue      minha      causa    da      iremos à casa do Senhor.

nação  que  não   é                   santa: livra-me                  do homem injusto      e enganador.

Pois tu,        O Deus,        és minha         Alegrar-me-ei       e    re- força: por que me rejeitaste?                  gozijarei em Ti: sim, can- E por que ando triste,                     tares farei ao Teu Nome, enquanto o inimigo me                        O Altíssimo.

aflige?

Envia tua luz e tua                        Envia Tua luz e Tua verdade, verdade: elas me guiaram                     verdade, para que me guiem: e me trouxeram ao teu                        e me levem ao Teu santo monte santo, e aos teus                        monte, e à Tua morada.

tabernáculos.

E irei ao altar de                        E para que eu vá ao altar Deus: ao Deus que dá                       de Deus, mesmo ao Deus alegria à minha juventude.                     da minha juventude.

alegria e regozijo: e sobre a harpa darei graças a Ti, ó Deus, meu Deus.

Louvar-te-ei sobre a harpa, ó Deus, meu Deus; O Senhor está em Seu santo por que estás triste, ó minha templo: o assento do Senhor alma, e por que me inquietas? está no céu.

Espera em Deus, pois ainda o louvarei, que é a Os céus declaram a glória salvação do meu semblante, e o de Deus: e o firmamento mostra o meu Deus.

Seu artifício.

Engrandecei o Senhor nosso Deus, e adorai-O (A Ciência dos Sacramentos

sobre Seu santo monte: pois o Senhor nosso Deus é santo.

O Senhor dará força ao Seu povo: o Senhor abençoará o Seu povo com paz.

Glória seja ao Pai, Glória seja ao Pai, e ao Filho, e ao e ao Filho: e ao Espírito Santo.

Espírito Santo.

Assim como era no princípio, Assim como era no princípio, agora é, e sempre agora é, e sempre será, pelos séculos sem será: pelos séculos sem fim.

fim.

Amém.

Amém.

Antífona Antífona Irei ao altar de Deus. Irei ao altar de Deus.

A Deus, que dá A Deus, que dá alegria à minha juventude.

minha alegria e regozijo.

Esta invocação é imediatamente seguida pelo cântico de abertura, ao longo do qual a atitude que o povo deve adotar é claramente indicada; fala em toda parte de alegria, de regozijo e gratidão.

Na oração: "Ó envia a Tua luz e a Tua verdade, para que elas me guiem e me levem ao Teu santo monte e à Tua morada", expressa-se o pensamento de que só podemos nos aproximar aceitavelmente do altar de Deus se o fizermos na plena luz da verdade, sem recuar diante de nenhum dos atos que a verdade possa trazer, e cheios de tão elevada coragem e resolução que estejamos inteiramente livres do medo, da covardia, da desconfiança.

Nunca poderemos apreciar o pleno significado da Eucaristia e compartilhar amplamente de seus benefícios se estivermos cheios de medo de Deus, que nos ama. A Santa Eucaristia

Então procuramos realizar a glória e a santidade de Deus, e que d'Ele vem a força e a calma.

Assim dizemos: "O Senhor dará força ao Seu povo; o Senhor abençoará o Seu povo com paz." Todo o cântico tem a intenção de lançar o fundamento do que será feito mais tarde, levando o povo à atitude de alegria, regozijo, confiança e paz, necessária para que participem utilmente do serviço; e, como de costume, a antífona nos dá a tônica — o pensamento que devemos manter diante de nós enquanto cantamos.

A importância de adotar essa correta disposição de espírito no início do serviço não pode ser exagerada.

É provável que na Igreja primitiva o cântico preparatório fosse cantado em procissão, enquanto o clero e o coro entravam no edifício sagrado.

O cântico recitado aqui pelo celebrante e seus ministros na Igreja Romana contém versículos que parecem inadequados e inúteis, por isso substituímo-los por outros que melhor realizam a ideia.

Seguimos esse plano em todos os nossos serviços, selecionando para nossos salmos apenas versículos que tenham algum significado inteligível, e evitando todos aqueles que se queixam, se rebaixam ou amaldiçoam.

Enquanto as palavras que cantamos desempenham seu papel na preparação de nossas mentes, o Anjo da Eucaristia trabalha ativamente, porém com graciosa facilidade, utilizando tanto as formas criadas pela música do cântico quanto a efusão causada por nossos sentimentos de amor e devoção ao cantá-lo. Com esse material ele assenta o piso ou fundamento de seu edifício, seguindo primeiro a parte inferior da tênue bolha soprada pelas aspersões, e então voltando-se para o leste e estendendo seu piso para além do altar, até produzir um pavimento com o dobro do tamanho daquele sobre o qual a congregação se encontra. 62 A Ciência dos Sacramentos

(Veja a Prancha 5.) Seu trabalho é condicionado pelo número de pessoas presentes e pela quantidade e tipo de matéria vivificada que o entusiasmo delas lhe fornece.

Se a igreja estiver cheia, ele geralmente segue a planta do edifício como contorno para seu pavimento; se estiver apenas pela metade, ele não necessariamente abrange todo o espaço, mas pode muito bem encerrar sua formação logo atrás do último membro de sua congregação.

Qualquer que seja sua extensão para oeste a partir do altar, ele sempre a leva igualmente na direção oposta, atrás do altar, que invariavelmente marca o ponto central da forma completada.

Se material suficiente for fornecido, ele frequentemente alarga seu edifício para o norte e para o sul, caso em que ocasionalmente se torna cruciforme, embora mais frequentemente quadrado, aproximando-se muito da forma de basílica já mencionada.

A profundidade da fundação depende do material disponível; em uma Alta Celebração bem frequentada, o pavimento pode ter até um metro de espessura, coincidindo sua superfície superior com o piso da igreja.

Seu desenho é sempre o mesmo — um mosaico de blocos azuis e carmesins dispostos diagonalmente, de modo a apresentar a aparência de losangos ou diamantes.

Onde, nas bordas, a espessura do pavimento é visível, exibe uma borda em mosaico de triângulos alternados das mesmas cores, sugerindo que os blocos usados em sua construção não são cubos, mas pirâmides.

(Veja a Prancha 6.) O carmesim e o azul são expressivos de amor e devoção, respectivamente.

DIAGRAMA 1.—A Formação do Pavimento.

As linhas carmesim (1) são primeiro lançadas para os lados da igreja pelo Anjo da Eucaristia.

De frente para o oeste, ele então emite as linhas carmesim (2) e as linhas azuis (3). Em seguida, de frente para o leste, ele emite as linhas carmesim (4) e as linhas azuis (5), assim estabelecendo o delicado traçado do pavimento.

As linhas na parte superior do diagrama são deixadas incompletas para mostrar claramente a aparência das linhas carmesim antes que as azuis sejam adicionadas.

A Ciência dos Sacramentos

tivamente, e os matizes variam de acordo com o caráter dessas emoções.

Geralmente obtemos cores profundas e ricas; mas onde a congregação inclui muitas pessoas instruídas e altruístas, podem ser vistos tons radiantes e delicados de azul e rosa.

O Anjo começa estendendo os braços lateralmente e derramando através deles uma corrente de amor que faz uma linha carmesim em cada lado, de onde ele está até a parede da igreja.

Movendo os braços lentamente para a frente, ele faz com que uma série de linhas paralelas se projete do lado da original, como os dentes de um pente, exceto que elas se inclinam em direção ao centro da igreja, de modo que se cruzam umas com as outras para formar o padrão diagonal.

(Veja o Diagrama 1.) Outro movimento semelhante lança uma corrente azul de devoção, que preenche os espaços deixados pelo carmesim do amor.

Então ele se volta para o leste e repete esses movimentos, de modo a fazer um pavimento semelhante para aquela parte da forma eucarística que está fora da igreja.

Esses primeiros movimentos produzem um xadrez tênue, semelhante a uma teia de aranha, um verdadeiro fantasma de piso, tão leve e diáfano que não poderia ser mantido unido exceto dentro da bolha que empurrou para trás o caos de vibrações discordantes que teriam despedaçado sua delicadeza.

Mas o piso rapidamente se solidifica à medida que os versículos do cântico ressoam, e é interessante notar que, onde os versículos são cantados antifonalmente, o Anjo desvia a corrente alternada de som e a emprega para marcar as linhas diagonais que esculpem seu material de pavimentação em losangos, ou melhor, pirâmides.

(Veja a Estampa 6.) Numa Celebração Baixa, o edifício é frequentemente pequeno, (Fig. 1). — Uma Porção do Pavimento, vista de cima, mostrando o arranjo dos blocos.

(Fig. 2). — Um bloco único.

ESTAMPA (Fig. 6. — Frente à página 64. A Santa Eucaristia)

e a coloração do pavimento opaca; mas o padrão é sempre preservado.

Deve-se compreender que uma Missa Baixa é perfeitamente eficaz em fazer descer a força divina e espalhá-la pela vizinhança, embora naturalmente o poder numa Missa Solene seja, de várias maneiras, muito maior.

A cerimônia é envolvida em glória e beleza, que se destinam a despertar os corações e as mentes das pessoas e torná-las mais receptivas.

Então, a assistência costuma ser muito maior — um fator de grande importância.

A Consagração e a qualidade da radiação que emana da sagrada Hóstia são, naturalmente, as mesmas em todos os casos; mas se houver mais pessoas que sintam devoção, a quantidade de radiação será maior, porque uma quantidade adicional dessa força divina é posta em ação por essa devoção extra.

Considero da maior importância que percebamos que essa força divina é uma realidade — um fato definido e científico.

Essa força espiritual, que muitas vezes é chamada de graça de Deus, é tão definida quanto o vapor, a eletricidade ou qualquer outra das grandes forças da natureza.

Ela atua em matéria um tanto mais elevada do que a eletricidade, e não é evidente ao olho físico em seus resultados, mas, no entanto, é tão real em todos os sentidos, e de fato é muito mais poderosa, por atuar antes sobre a alma, a mente, as emoções do homem do que meramente sobre seu corpo físico.

Verdadeiramente, nesta santíssima Eucaristia, ela é trazida até mesmo ao nível físico para nós — tão grande é o cuidado de nosso Senhor por Seu povo, tão ansioso está Ele em que tenhamos toda a ajuda que somos capazes de receber.

Seu derramamento é uma coisa cientificamente mensurável; não mensurável talvez por métodos do plano físico, mas capaz de medição e comparação com outros derramamentos nos mundos superiores.

Sua distribuição ocorre sob precisamente as mesmas leis divinas que uma radiação neste plano, permitindo certas diferenças causadas pelas vibrações mais rápidas da matéria em estado mais elevado.

Por exemplo, a atuação da força invocada na cerimônia da Eucaristia pode ser comparada, não inapropriadamente, ao fluxo de uma corrente de eletricidade.

A voltagem de uma corrente que passa por um fio, permanecendo constante, a quantidade de luz obtida depende do número de lâmpadas acesas. Se imaginarmos que a corrente que flui no fio provém de uma fonte inesgotável e pode atender a qualquer demanda, é evidente que somos livres para adicionar qualquer número de lâmpadas, e com isso obteremos um clarão de luz.

No serviço da Eucaristia, cada pessoa que coopera inteligentemente assemelha-se a uma lâmpada, e com a adição de cada uma dessas pessoas, o canal para o fluxo da corrente torna-se mais amplo e mais pleno.

Uma pequena congregação de cinquenta pessoas, cada uma das quais compreende o propósito do serviço e sabe exatamente o que cada parte está planejada para fazer, pode enviar tanta luz sobre o distrito circundante quanto uma grande mas ignorante congregação de muitos milhares reunida em alguma grande catedral.

O tamanho da assembleia, sem dúvida, ajuda, porque quanto mais pessoas enviam sua devoção, maior é a largura do canal; mas quando à devoção se acrescenta a inteligência e a vontade de servir, o resultado é enormemente maior. A Santa Eucaristia

Quando uma espiral de devoção se eleva de uma congregação, a altura e o brilho dela marcam a intensidade da devoção, enquanto seu diâmetro indica a quantidade da emoção.

Uma espiral ampla, mas curta e em forma de barril, algo opaca na cor, mostraria que uma grande massa de devoção bastante ignorante foi sentida, não intensamente, mas antes como uma questão de costume.

Se as pessoas são agitadas por um sentimento realmente profundo e forte, uma grande espiral de azul brilhante irrompe para cima sobre suas cabeças, e em tal caso, o derramamento em resposta é exatamente proporcional ao impulso ascendente.

O objetivo de um serviço religioso é fazer um canal através do qual a força divina possa fluir.

Quanto maior o número de pessoas que comparecem, mais entusiasmadas e devotas elas são, maior é o canal para o poder divino.

Nesse sentido, é um serviço a Deus, porque ao nos reunirmos formamos um canal maior e melhor para Seu amor e bênção, que Ele sempre anseia derramar sobre o mundo.

Podemos perguntar: "Mas por que Ele não pode derramar isso ou a Si mesmo sempre?" Ele o faz; mas lembrem-se de que Ele trabalha, como nós também devemos trabalhar, ao longo da linha de menor resistência.

Ele carrega os mundos superiores com poder espiritual, mas trazer esse poder espiritual para baixo, até nossos cérebros físicos e corpos astrais, seria um esforço de força que não seria justificado pelos resultados produzidos, se Ele tivesse que fazer tudo sozinho.

Mas se cooperarmos e fizermos a parte inferior desse trabalho, tornando-nos canais para esse derramamento, então imediatamente se torna válido derramar essa força.

As pessoas não estão necessariamente cumprindo todo o dever do cristão sincero apenas sentando em seus         68          A Ciência dos Sacramentos

assentos e desfrutando da elevação da cerimônia.

Se desejarem, podem aumentar grandemente o poder do serviço e ampliar a esfera de sua influência.

Não deveria ser por nós mesmos, mas pelo bem dos outros, que nos unimos a uma organização como a Igreja, que existe para fazer o bem.

É claro que é verdade que recebemos grande benefício ao nos unirmos assim, mas quanto menos pensarmos no benefício que estamos recebendo, e quanto mais pensarmos na ajuda que somos capazes de dar, melhor será para nós mesmos e para a organização à qual pertencemos.

As pessoas deveriam vir ao serviço porque desejam ser úteis. Aqueles que vêm regularmente, independentemente do clima, e se lançam de coração no serviço, são as pessoas que fazem da Eucaristia uma força viva.

Isso é especialmente verdadeiro quando estudaram o ritual cuidadosamente e estão, portanto, em posição de cooperar inteligentemente com o celebrante.

Quando um celebrante é sensível e tem atrás de si uma congregação que trabalha com ele, ele geralmente pode sentir a força gerada pelo pensamento deles girando atrás e ao redor dele como um vento forte.

Quando ela chega, dá a sensação elétrica curiosa que às vezes pode ser notada no meio de uma grande multidão movida por alguma emoção forte.

O celebrante, no entanto, é como o capitão de um navio ou o maestro de uma orquestra, e assim como um capitão não deve perder a cabeça quando seus passageiros se agitam com excitação, assim também o celebrante deve manter total controle de suas emoções para usar essa força útil gerada pela congregação.

Ele não deve apenas dirigir as forças, mas também observar exatamente o que está sendo feito por seus tenentes, para que, se alguém não fizer a coisa certa no momento certo, ele possa suprir a deficiência imediatamente, lançando mão de força adicional e ajudando de qualquer maneira possível.

Novamente, em uma Celebração Solene, temos a vantagem quase incalculável do uso da música.

Já dissemos que as vibrações ordenadas do som vivificam vastos volumes de matéria e, assim, proporcionam ao Anjo da Eucaristia muito material magnífico para sua estrutura; mas há muito mais do que isso, embora seja difícil encontrar palavras para descrevê-lo, e este não é o lugar para uma longa dissertação sobre assunto tão recôndito.

Digamos que a terra é uma grande inteligência, e que a música é uma de suas faculdades — que, quando tocamos ou cantamos, estamos ajudando a terra a expressar-se; além disso, que a música é uma espécie de entidade ou conjunto de entidades, e que, quando a usamos, colocamos em ação um conjunto inteiramente novo de forças, outro lado da Natureza, e associamos a nós em nosso trabalho uma hoste de grandes Anjos da Música.

Não podemos nos desviar para dar detalhes aqui; mas mesmo uma insinuação tão leve proporcionará um vislumbre passageiro ao longo de uma vasta perspectiva — o suficiente para mostrar que há excelente razão para introduzir música em nossos serviços sempre que for de qualquer maneira possível.

Essas considerações aplicam-se também a uma Missa Cantata; mas, em uma Celebração Solene, temos adicionalmente o auxílio do diácono e do subdiácono, que formam um triângulo com o celebrante e, por um tempo, atuam como extensões de sua consciência, aliviando-o de alguns aspectos de seu trabalho e deixando-o livre para concentrar suas energias.

Algumas das forças empregadas irradiam através deles e são intensificadas por sua presença e sua ação.

É seu papel agir como intermediários, tanto na coleta quanto na distribuição de energia — uma tarefa que, assim, é mais fácil e eficientemente realizada.

(Diagrama 2.)

Altar

(Diagrama com círculos indicando posições)

DIAGRAMA 2 — A Relação entre o Celebrante e seus Ministros. Sua posição no degrau diante do altar é indicada por círculos.

© é o celebrante, D o diácono e S o subdiácono.

As linhas mostram como as forças fluem ou do celebrante através de seus ministros para o povo, ou do povo através dos ministros para o celebrante e daí para os Elementos no altar.

Para tornar claro o seu funcionamento, podemos usar a analogia do corpo humano.

Se o celebrante é comparado ao cérebro, então o diácono e o subdiácono são gânglios que têm certos tratos sob sua responsabilidade; o cérebro, é claro, dirige os gânglios, mas há coisas que eles podem fazer sem o cérebro.

Originalmente, na Igreja primitiva, o diácono e o subdiácono representavam respectivamente os homens e as mulheres, porque o diácono ficava à direita do sacerdote, isto é, no lado da epístola onde os homens se sentavam, e recolhia toda a devoção dos homens e a preparava para o uso do sacerdote, enquanto o subdiácono fazia o mesmo pelas senhoras.

Ainda há algumas igrejas em que os sexos são separados, mas não sei se há alguma vantagem especial nisso, exceto que, se os números forem iguais, produz um efeito agradável no canto antifonal.

O fluxo de devoção, aspiração, amor e adoração da congregação derrama sobre o sacerdote em uma enchente de diversas vibrações, e não é tarefa fácil reduzi-las todas a uma espécie de denominador comum, para que possam ser convenientemente encaminhadas.

O diácono e o subdiácono podem recebê-las do povo e, em grande medida, sentar e combiná-las enquanto passam para as mãos do sacerdote, poupando-lhe assim muito trabalho.

Para a forma abreviada da Santa Eucaristia, escolhemos um cântico que se refere mais diretamente à obra que o Anjo está realizando ao lançar o fundamento de seu edifício.

É precedido por um convite do sacerdote, que diz: Irmãos, lancemos agora o fundamento do nosso Templo.

Antífona.

Cristo é o nosso fundamento.

E a nossa principal pedra angular.

Não somos mais estrangeiros nem forasteiros: mas concidadãos dos santos e da família de Deus;

E somos edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas: sendo o próprio Jesus Cristo a principal pedra angular;

No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para um templo santo no Senhor;

No qual também vós juntamente sois edificados: para habitação de Deus no Espírito.

72 A Ciência dos Sacramentos

Exceto que o Senhor edifique a casa: em vão trabalham os que a edificam. O fundamento de Deus permanece firme, tendo este selo: todo aquele que profere o Nome de Cristo aparte-se da iniquidade.

Antífona.

Cristo é o nosso fundamento.

E a nossa principal pedra angular,

VERSÍCULOS               ROMANO                                   LIBERAL   V. O nosso auxílio está no               P.  O nosso auxílio está no nome      do Senhor.

Nome do Senhor.

R.       Que fez o céu              C. Que fez o céu e a terra.

e a terra.

P. Converte-nos, ó Senhor, e vivifica-nos. Os versículos e respostas correspondentes seguem                      Cc. Para que o Teu povo se alegre em Ti.

P. Confiai no Senhor para sempre.

C. Pois a nossa Rocha dos Séculos é o Senhor.

Chegamos agora a uma etapa posterior de nossa preparação para a grande obra que estamos prestes a empreender.

Procuramos purificar a atmosfera mental expulsando os pensamentos errantes, e nos colocar na atitude de força, paz e alegria, que é necessária se quisermos realizar bem o nosso trabalho.

Certas dificuldades mecânicas podem, contudo,                 A Santa Eucaristia                   "

permanecer ainda em nosso caminho; devemos tentar removê-las também.

Mas isso só pode ser alcançado rapidamente por meio de auxílio especial vindo de fora, e assim procedemos a aplicar o método designado por Cristo para a Sua Igreja — o da confissão e absolvição.

Os versículos que introduzem esta porção do serviço têm a intenção de induzir a um estado de espírito que facilite a ação deste plano.

Primeiro reconhecemos que é somente pelo poder divino que este resultado rápido pode ser obtido (pois aqui novamente Nome equivale a Poder), mas lembramos a nós mesmos que para o onipotente Criador do céu e da terra esta mudança rápida é algo simples.

E assim nos assinamos com o sinal da cruz para que, por sua ação, possamos nos aproximar d'Ele.

Porque nos afastamos um tanto d'Ele, da atitude de amor absoluto, paz, compreensão e unidade, e assim estamos, nessa medida, restritos como canais de força espiritual, pedimos nas palavras: "Converte-nos, ó Senhor, e vivifica-nos", para que Ele nos traga de volta ao caminho do reto esforço, e para que Ele nos vivifique com Sua radiante vida.

Sem esta mentira renovada não podemos experimentar a alegria profunda que é necessária se quisermos extrair o melhor do Sacrifício que se seguirá.

Então, para enfatizar nossa total confiança em Seu poder e boa vontade, dizemos: "Confiai no Senhor para sempre; porque o Senhor é a Rocha dos Séculos." A própria possibilidade de um rápido reajuste depende de nossa absoluta convicção de que isso pode ser feito.

Se duvidarmos dessa questão, essa própria dúvida ergue uma barreira e impede a livre ação da força.

O poder divino está pronto, mas devemos abrir nossos 74 A Ciência dos Sacramentos

corações.

Examinemos então o sistema de retificação por confissão e absolvição, e vejamos como ele funciona,                              CONFITEOR             ROMANO                              LIBERAL   P. Confesso a Deus todo-              Todo.

Ó Senhor, Tu criaste poderoso, à bem-aventurada           o homem para ser imortal, Maria sempre virgem, ao            e o fizeste à imagem de bem-aventurado Miguel           Tua própria eternidade; arcanjo, ao bem-aventurado         contudo, muitas vezes João Batista, aos santos           esquecemos a glória de apóstolos Pedro e Paulo, a         nossa herança, e erramos todos os santos, e a vós,         pelo caminho que conduz irmãos, que pequei            à justiça.

Mas Tu, Ó Senhor, excessivamente, em pensamento,        nos fizeste para Ti palavra e obra; por minha           mesmo, e nossos corações culpa, por minha culpa,           estão sempre inquietos até por minha gravíssima           encontrarem descanso em Ti.

culpa.

Portanto, rogo à         Olha com os olhos de Teu bem-aventurada Maria, sempre       amor para nossas múltiplas virgem, ao bem-aventurado       imperfeições, e perdoa Miguel arcanjo, ao bem-           todas as nossas deficiências, aventurado João Batista,        para que sejamos preenchidos aos santos apóstolos Pedro       com o brilho da luz e Paulo, a todos os santos,       eterna, e nos tornemos o e a vós, irmãos, que          espelho imaculado de Teu rogueis ao Senhor nosso          poder e a imagem de Tua Deus por mim.                   bondade.

Por Cristo, S. Que Deus todo-poderoso         nosso Senhor.

Amém.

tenha misericórdia de ti, perdoe os teus pecados e te conduza à vida eterna.

S. Confesso a Deus todo-poderoso, etc.

P. Que Deus todo-poderoso, etc.

A oração empregada na Igreja Romana começa com a palavra *Confiteor*, "eu confesso"; daí o nome.

O propósito dessa confissão é ajudar o povo ao auto-recolhimento e trazê-lo àquela atitude de mente necessária para que seja assistido pela absolvição que se segue imediatamente depois.

A redação do *Confiteor* usado no ritual da Igreja Católica Liberal é, até certo ponto, original e (como se verá) difere amplamente em tom daquela usada pelas Igrejas Romana ou Anglicana.

A confissão romana: "Pequei excessivamente, em pensamento, palavra e obra; por minha culpa, por minha culpa, por minha gravíssima culpa"; a observação anglicana: "Não há saúde em nós", e outras declarações semelhantes, são exageros e não representam o que uma pessoa normal realmente sente.

Nenhum homem são e racional sente de fato que é inteiramente mau, e pôr tais palavras em sua boca ou o torna um hipócrita, ou lhe dá uma concepção inteiramente enganosa da natureza humana.

Essa reiteração constante da maldade inerente ao coração humano provavelmente surgiu no cristianismo primitivo como reação contra certos excessos que macularam as civilizações em meio às quais essa fé se enraizou.

As maiores das civilizações com as quais a nova religião teve de lidar foram as da Grécia e do Egito.

Ambas eram eminentemente sãs e razoáveis.

O grego, por exemplo, adorava a beleza e estava pleno da alegria de viver.

Ele bem sabia que havia planos superiores e planos inferiores, céu e terra, mas sustentava que Deus fez o inferior tanto quanto o superior, e que, enquanto estamos no inferior, somos destinados a tirar o melhor dele e a obter o máximo de alegria possível da vida.

À medida que essas antigas e maravilhosas civilizações decaíram, sem dúvida surgiram excessos, e na busca pela beleza o bem foi às vezes esquecido.

Esses excessos eram abomináveis aos primeiros cristãos e, estabelecendo o ideal do ascetismo, eles oscilaram para o extremo oposto em seu pensamento e condenaram como mau tudo o que pertencia ao mundo e à vida física.

Tais exageros são malsãos e desnecessários; como o Senhor Buda nos ensinou há muito tempo, o Caminho do Meio da razão é sempre o mais seguro, e o ascetismo indevido, por um lado, é tão perigoso e antinatural quanto a indulgência indevida, por outro; e, portanto, evitamos cuidadosamente, na redação da confissão, quaisquer declarações às quais não pudéssemos subscrever honestamente.

Usamos as palavras de Santo Agostinho, que disse que Deus nos fez para Si mesmo, e, por isso, nossos corações estão sempre inquietos até encontrarem nEle o seu descanso.

Sempre que nos afastamos daquilo que sabemos ser certo, como todos fazemos, mais ou menos, por descuido ou esquecimento, ficamos desconfortáveis até que as coisas sejam corrigidas, porque sabemos que cometemos um erro.

Estamos sempre infelizes quando nos desviamos do caminho, mesmo que não percebamos a causa dessa infelicidade.

Dizemos que Ele criou o homem à Sua própria imagem — a imagem de Sua própria eternidade, um belo pensamento extraído da Sabedoria de Salomão (ii, 23). Visto que somos, assim, uma reprodução dEle, deveríamos, naturalmente, permanecer sempre próximos dEle, na plena luz de Seu poder e de Seu amor; mas, por causa de nossa ignorância e de nosso erro, nos afastamos dEle.

O propósito da confissão é remover a atitude mental que nos separa e substituí-la por uma condição aberta e receptiva do homem inteiro, para que a luz de Deus possa entrar.

A confissão não afeta diretamente o edifício eucarístico que estamos construindo, embora seja um fator importante para nos preparar a construí-lo. Vejamos como a absolvição que a segue alcança seu resultado.

O sacerdote se levanta, sobe ao altar, volta-se para o povo e pronuncia a absolvição.

ABSOLVIÇÃO ROMANA LIBERAL
Que o Senhor onipotente e misericordioso nos conceda perdão, absolvição e remissão de nossos pecados.
R. Amém.
Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, abençoem, preservem e santifiquem vocês; que o Senhor, em Sua bondade amorosa, olhe para baixo.

Sobre vós e vos seja propício; o Senhor vos absolva de todos os vossos pecados, e vos conceda a graça e a consolação do Espírito Santo.

R. Amém.

V. Vós vos voltareis, ó Deus, e nos vivificareis. Os versículos e respostas correspondentes precedem o Confiteor.

R. E o vosso povo se alegrará em vós.

V. Mostrai-nos, ó Senhor, a vossa misericórdia.

R. E concedei-nos a vossa salvação.

V. Ó Senhor, ouvi a minha oração.

R. E que o meu clamor chegue até vós. 78 — A Ciência dos Sacramentos

V. O Senhor esteja convosco. A bênção menor correspondente precede o Introito.

R. E com o vosso espírito.

P. Afastai de nós as nossas iniquidades, vos suplicamos, ó Senhor, para que sejamos dignos de entrar com mentes puras no Santo dos Santos.

Por Cristo, nosso Senhor.

Amém.

Vos suplicamos, ó Senhor, pelos méritos dos vossos santos cujas relíquias aqui se encontram, e de todos os santos, que vos digneis perdoar-me todos os meus pecados.

Amém.

Para compreender o efeito da absolvição, devemos primeiro explicar que as ideias geralmente associadas ao perdão dos pecados são totalmente falsas e enganosas.

A concepção comum parece ser que Deus, tendo criado o homem e conhecendo, portanto, as suas capacidades e exatamente o que ele provavelmente fará em quaisquer circunstâncias, no entanto, volta-Lhe as costas e Se ofende com ele sempre que este faz o que um cálculo de probabilidades nos levaria a esperar do homem comum.

É a mesma confusão que perpetuamente confronta o investigador do Cristianismo; se os cristãos apenas abandonassem a noção judaica primitiva de uma divindade tribal ciumenta e vingativa, e aceitassem o ensinamento do seu líder, Cristo, a maioria dessas concepções grosseiras e blasfemas desapareceria imediatamente.

Suponho que possamos conceder que a teoria de que Deus Se ira quando o homem erra, de que Ele precisa ser aplacado e suplicado — A Santa Eucaristia

perdoar é uma maneira grosseira e materialista de enunciar certa lei da Natureza; mas está sujeita à objeção terrivelmente séria de que dá ao homem uma concepção totalmente errada e degradante de Deus, e torna impossível para ele adotar para com sua Divindade a única atitude que lhe torna o progresso praticável.

Ninguém em sã consciência poderia supor que Deus nutre animosidade contra o Seu povo.

Toda a ideia de que uma pessoa que fez o mal precisa ser perdoada deve ser posta completamente fora de nossas mentes, porque dizer que Deus tem de perdoar um homem implica que, se ele não fosse perdoado, Deus guardaria rancor contra esse homem.

Isso é uma coisa que ninguém tem o direito de dizer sobre o Pai Divino.

Deus não guarda rancor contra homem algum.

Pelo contrário, Ele está sempre esperando para ajudar, assim como o sol está sempre brilhando.

O sol não está guardando rancor de nós quando uma nuvem passageira obscurece sua luz e seu calor.

A luz do sol está sempre ali, e tudo o que precisamos fazer é esperar a passagem da nuvem.

O Deus Que suspendeu nosso sistema solar no espaço e derramou Sua própria vida nele para que nós e Suas outras criaturas pudéssemos vir a existir, supervisiona o progresso desse tremendo Experimento com interesse benevolente e paternal.

Ele sabe muito mais sobre nós do que nós mesmos podemos saber; Ele compreende nossa força e nossa fraqueza, e não poderia estar mais irado conosco do que nós podemos estar irados com uma lagarta em nosso jardim.

Mas Ele observa nosso crescimento e coloca vários auxílios em nosso caminho; talvez Lhe agrade quando compreendemos e aproveitamos esses auxílios, mas mesmo que não o façamos, o apoio de Sua mão ajudadora nunca está longe de nós, do contrário cessaríamos rapidamente de existir. É a atenção de Deus que mantém Seu sistema em existência; se por um momento Ele a retirasse, tudo se resolveria instantaneamente nas bolhas das quais é construído.

E essa atenção se manifesta aqui embaixo, nos planos inferiores, como uma força, ou antes, um número de forças.

É difícil colocar essas concepções em palavras sem materializá-las irremediavelmente; contudo, é melhor sobre-materializá-las do que ser totalmente ignorante de sua beleza e de sua glória.

Tentemos tornar claro o que realmente acontece quando um homem comete o que comumente se chama pecado.

Pecado é qualquer coisa que é contra a Vontade divina — isto é, contra a corrente da evolução.

Se um homem intencionalmente faz algo para impedir a evolução, seja a sua própria ou a de outra pessoa, então, enfaticamente, ele está agindo errado.

Mas duvido que um homem pratique o mal pelo mal, exceto talvez em casos muito raros, como as atrocidades alemãs.

Geralmente, o que se chama pecado surge de uma de duas coisas: ou o homem é ignorante e comete erros, ou é descuidado e egoísta e não suficientemente atento às consequências de seus atos.

Se um homem realmente entendesse plenamente o que estava fazendo quando pecava, não o faria. Grande parte do mau proceder vem da avareza, do desejo por dinheiro.

Isso ocorre porque os avarentos não sabem nada melhor; para eles, o dinheiro é de primeira importância.

Uma vasta quantidade de dano vem da paixão animal.

Mais uma vez, os sensualistas são ignorantes e egoístas, e não compreendem verdadeiramente o mal que causam aos outros e a si mesmos.

A maneira de nos livrarmos do mal é aumentar a sabedoria, como o Senhor Buda pregou na Índia há dois mil e quinhentos anos.

Aceitemos, então, a definição de pecado ou transgressão como qualquer pensamento, palavra ou ato que não esteja em harmonia com a Vontade de Deus ou do homem — isto é, com a evolução.

Em vez de progressão, é transgressão, não um movimento para frente com a força evolucionária, mas um atravessar a linha de seu fluxo.

Essa Vontade divina atua como uma pressão constante para cima e para adiante, e de fato produz na matéria superior (mesmo até o nível etérico) uma espécie de tensão que só pode ser descrita em palavras como uma tendência ao movimento em uma direção definida — o fluir de uma corrente espiritual.

Quando os pensamentos, palavras e ações de um homem são bons, ele se abre mais plenamente a essa influência; é permeado por ela e por ela carregado. Mas quando ele faz ou pensa o mal, ele se desvia da direção dessa corrente espiritual e, assim, estabelece uma tensão definida na matéria etérica, astral e mental, de modo que não está mais em harmonia com a Natureza, não é mais uma força que ajuda, mas que atrapalha, um obstáculo no rio da vida.

Essa tensão, ou torção transversal, quase que inteiramente interrompe seu progresso por um tempo e torna impossível que ele se beneficie de todos os impulsos de boa influência que fluem constantemente ao longo da corrente do rio do qual falamos.

Antes de poder fazer qualquer bem real a si mesmo ou a qualquer outra pessoa, ele deve desfazer essa distorção e entrar em harmonia com a Natureza, e assim estar novamente plenamente receptivo às boas influências, e capaz de aproveitar os muitos e valiosos auxílios que são tão generosamente fornecidos a ele.

Os vários veículos do homem não estão realmente separados no espaço, pois os tipos mais sutis de matéria sempre interpenetram os mais grosseiros. Mas, vistos de baixo, dão a impressão de estarem um acima do outro, e também de estarem unidos por inúmeros fios finos ou linhas de fogo.

Ora, toda ação que age contra a evolução coloca uma tensão desigual sobre eles—torce e emaranha. Quando um homem se desvia gravemente de alguma forma, a confusão se torna tal que a comunicação entre os corpos superiores e inferiores é seriamente impedida; ele não é mais seu verdadeiro eu, e apenas o lado inferior de seu caráter consegue se manifestar plenamente.

Deve ficar claramente entendido que, no longo e lento curso da evolução, as forças naturais são perfeitamente capazes de corrigir essa condição infeliz. A pressão constante da corrente acabará por desgastar o obstáculo, mas um período de muitos meses ou mesmo anos pode transcorrer antes que o reajuste seja totalmente efetuado, embora o esforço sincero do próprio homem possa encurtar um pouco esse período. Mas, mesmo assim, há uma certa tendência de a distorção se reafirmar.

Portanto, é obviamente do interesse do homem que ele descubra algum método mais rápido para recuperar a uniformidade. Tal método a Igreja fornece, pois o poder de desfazer esse emaranhado na matéria superior é um dos poderes especialmente conferidos ao sacerdote na ordenação. O próprio Cristo falou desse poder nas palavras mais claras, embora as pessoas geralmente as evitem ou tentem explicá-las de outra forma, justamente porque encheram suas mentes com a ideia de um perdão emocional, e não conseguem entender que temos que lidar com um processo científico direto. Mas o sacerdote não pode realizar esse maravilhoso milagre de cura sozinho; ele precisa da cooperação de seu paciente.

Ninguém pode forçar um homem à harmonia se ele persiste em buscar a desarmonia; é somente "se confessarmos os nossos pecados" que "Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça". É necessário que o candidato esteja ansioso por elevar-se acima das imperfeições de sua natureza e viver a vida superior.

Em todos os seus principais serviços, a Igreja oferece uma forma de confissão geral a ser recitada por seu povo, e uma forma de absolvição a ser pronunciada pelo sacerdote; e se algum homem na congregação está verdadeiramente arrependido de algum deslize ou erro que cometeu, e sinceramente ansioso por colocar-se novamente em plena sintonia com a corrente evolucionária, não há dúvida de que a força divina que flui através do sacerdote quando ele pronuncia a absolvição realmente percorre os veículos superiores desse homem, desfaz o emaranhado e endireita as linhas torcidas até que ele esteja novamente em perfeita harmonia com a Vontade de Deus.

O sacerdote derrama a força absolvente sobre sua congregação e não sabe sobre quem ou em que direção ela está produzindo efeito; mas se um indivíduo vem a ele em particular e lhe diz exatamente o que está errado, ele talvez tenha certa vantagem por poder concentrar toda a força 84 — A Ciência dos Sacramentos — exatamente onde ela é mais necessária.

Além disso, independentemente do poder que lhe foi conferido, o sacerdote pode, muitas vezes, a partir de sua experiência, oferecer conselhos muito úteis.

Mas que ninguém suponha que a absolvição pública dada a todo o rebanho seja de alguma forma menos eficaz do que a absolvição privada, se o desejo de retificação por parte do pecador for igualmente sincero e fervoroso.

Como foi dito, no lento processo do tempo, a distorção deve se endireitar, sob a influência das forças evolucionárias ordinárias; e sem dúvida esse procedimento seria acelerado pelo forte desejo do paciente por reajuste.

A ação do sacerdote nesse assunto é meramente o que comumente se chama de "meio de graça" — isto é, uma pequena ajuda no caminho da evolução provida pelo Cristo para Seus seguidores.

Na Igreja Católica Liberal, a confissão auricular é inteiramente opcional e não é exigida como preliminar para o recebimento da Santa Comunhão.

Sua prática frequente e sistemática não é encorajada, pois se considera que, sob tais condições, a confissão detalhada tende a tornar-se uma questão de rotina, e seu valor espiritual na vida do indivíduo fica assim frustrado.

Para todos os fins ordinários, a confissão geral na Santa Eucaristia deve ser suficiente.

Deve ficar claramente entendido que o efeito da absolvição é estritamente limitado à correção da distorção acima descrita.

Ela reabre certos canais que foram em grande parte fechados pelo pensamento ou ação maligna; mas de modo algum contrabalança as consequências físicas dessa ação, nem dispensa a necessidade de restituição onde o mal foi feito.

Um homem que rouba, por exemplo, coloca-se em erro de três maneiras distintas: ele violou a lei divina do amor e da justiça, e com isso se privou da comunicação plena e livre com o lado superior da Natureza; ele violou as leis de seu país; e ele prejudicou o indivíduo de quem roubou.

Se ele compreende plenamente o erro que cometeu e está genuinamente ansioso para corrigi-lo, a absolvição do sacerdote desfará para ele o emaranhamento etérico, astral e mental produzido por sua ação, ou melhor, pela atitude mental que tornou essa ação possível; mas isso não o livra da penalidade legal dessa ação, nem do dever de restaurar imediata e plenamente o que roubou.

A intoxicação é uma tentação para homens em estágio inferior de desenvolvimento; aquele que a ela sucumbe está, sem dúvida, tristemente necessitado da ajuda da absolvição para remover as barreiras que ergueu entre si e a luz do sol da graça de Deus; mas, ao ceder, ele também enfraqueceu sua vontade e prejudicou sua saúde física, e não deve esperar que a absolvição fortaleça uma ou restaure a outra.

O Sacramento coloca o homem em paz com Deus; mas não o livra da responsabilidade por seus atos, nem afeta de qualquer maneira suas consequências físicas.

É um processo espiritual, uma libertação da escravidão do pecado, um processo de unificação com o Eu Superior, uma restauração da harmonia interior do ser que é perturbada pelo mal agir, para que o homem possa fazer um novo esforço rumo à retidão, fortalecido pelo fluxo ininterrupto de
86       A Ciência      dos Sacramentos

o poder divino dentro dele. Um homem não pode escapar das consequências de seus erros, embora possa neutralizá-los semeando novas causas de natureza justa.

“Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer: porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”

A INCENSAÇÃO

Em seguida vem a bela cerimônia da incensação do altar, que requer algumas palavras de explicação.

Ela nos chega dos primeiros dias da Igreja e é mencionada pelo próprio Orígenes.

O uso do incenso é pleno de significado.

É ao mesmo tempo simbólico, honorífico e purificatório.

Ele ascende diante de Deus como símbolo das orações e da devoção do povo; mas também se espalha pela igreja como símbolo do suave perfume da bênção de Deus.

É oferecido como marca de respeito, como o era em muitas das religiões mais antigas; mas também é usado com uma ideia definida de purificação, e assim o sacerdote nele derrama uma santa influência, com a intenção de que onde quer que seu aroma penetre, onde quer que a menor partícula daquilo que foi abençoado possa passar, ela carregue consigo um senso de paz e de pureza, e afaste todos os pensamentos e sentimentos inarmoniosos.

Mesmo à parte da bênção, sua influência é boa, pois é cuidadosamente composto de certas gomas, cuja taxa de ondulação harmoniza-se perfeitamente com as vibrações espirituais e devocionais, mas é distintamente hostil a quase todas as outras.

A magnetização pode meramente intensificar suas características naturais, ou pode acrescentar-lhe outras oscilações especiais, mas em qualquer caso seu uso em conexão com cerimônias religiosas é sempre desejável.

O aroma do sândalo tem muitas das mesmas propriedades; e o aroma da pura essência de rosas, embora totalmente diferente em caráter, também tem um bom efeito.

Mais de uma centena de variedades de incenso são conhecidas, e cada um dos ingredientes empregados tem sua própria influência especial sobre os corpos superiores do homem.

Há uma ciência dos perfumes, e poderes malignos tanto quanto benignos podem ser invocados por tais meios.

Quase todos os incensos preparados para uso eclesiástico contêm uma grande proporção de benjoim e olíbano, pois a experiência tem mostrado que ambos são agradáveis e eficazes.

O benjoim é quase selvagemente ascético e purificante; ele lida incisivamente com todas as formas mais grosseiras de pensamento impuro e é excelente para uso em uma grande catedral repleta de indivíduos um tanto incultos.

Para assembleias menores ou mentes menos bucólicas, é necessária uma grande mistura de outros elementos para produzir os melhores resultados.

O olíbano é o incenso especial da devoção; sua fragrância tende fortemente a despertar esse sentimento naqueles que são de alguma forma capazes dele, e a aprofundá-lo e intensificá-lo onde já existe.

Uma mistura judiciosa dessas duas gomas é considerada satisfatória na prática, por isso é frequentemente empregada como base ou estoque central, ao qual outros aromas menos importantes podem ser adicionados.

Quando o turiferário e o naveta se aproximam, o celebrante coloca um pouco de incenso no turíbulo e o abençoa solenemente, dizendo: "Sê abençoado por Aquele em cuja honra serás queimado." Se um bispo estiver presente, é melhor que ele o abençoe, pois ele pode colocar um pouco de poder adicional nele que não está ao alcance do sacerdote.

Ao abençoar o incenso, a melhor intenção a ter em mente é que ele possa limpar o caminho, possa penetrar e polarizar tudo com o que entrar em contato.

O pensamento que eu mesmo mantenho em mente ao abençoar o incenso é que ele possa "endireitar o caminho do Senhor". Foi perguntado se não seria possível abençoar toda a naveta de incenso antecipadamente, em vez de apenas aquilo que é usado para carregar o turíbulo.

Não seria tão eficaz, porque o incenso não retém o magnetismo total por um período indefinido, como uma pedra preciosa reteria.

É melhor então abençoar cada vez aquela porção de incenso que acabou de ser colocada sobre o carvão incandescente, pois dessa forma o magnetismo é impresso nele no momento de sua fusão, quando pode penetrar mais completamente, e assim o melhor efeito é obtido.

Depois que isso é feito, o celebrante procede à incensação do altar.

Ao fazê-lo, ele busca permear todo o altar e a atmosfera ao seu redor com alta e santa influência, e levar a planos mais elevados o processo preparatório que já foi realizado para o nível etérico nas aspersões.

O altar será o centro de uma tremenda radiação, e é necessário prepará-lo de modo que não drene nenhuma das forças que deve transmitir.

Se não fosse incensado, uma certa proporção da força que chega no momento da Consagração seria gasta em colocar as partículas do altar em ordem para essa transmissão, a fim de que a força pudesse ser devidamente distribuída.

O plano de incensar o altar é bom, pois espalha o magnetismo de forma muito plena e precisa através do próprio altar e de tudo o que está sobre ele. A linha central do altar, sobre a qual são colocados a Hóstia e a Cruz, é a direção por onde fluirá a força da Consagração, e é portanto necessário primeiro incensar essa linha e limpar o caminho.

Adotamos, com ligeiras modificações, a ordem romana na incensação, mas damos nove balanços à cruz, dispostos em grupos de três, o que é melhor para o propósito do que os três balanços duplos da Igreja Romana.

Nesse ato, mostramos a mais alta honra em nosso poder a tudo o que a cruz tipifica — o próprio Cristo e o grande Sacrifício que trouxe à existência o universo.

Além disso, esse balanço nove vezes tem um significado especial e belo, pois simboliza a oferenda ao Deus Trino do homem tríplice que Ele fez à Sua própria imagem; mostra que dedicamos "a nós mesmos, nossas almas e corpos" (que é a frase cristã para o que os estudantes chamam de mônada, o ego e a personalidade) a cada Pessoa da Santíssima Trindade, por sua vez.

Enquanto o sacerdote realiza essa ação, cada membro da congregação deve mentalmente fazer essa entrega total em seu próprio caso, despertando assim dentro de si tudo o que ainda pode ser despertado em cada um desses departamentos, e preparando-se para participar do Kyrie mais tarde.

Quando o sacerdote recebe o incensário do diácono, ele se volta e genuflecte, dizendo silenciosamente: "Ao Pai eu dedico (enquanto balança o incensário três vezes) (1) espírito, (2) alma, (3) corpos;"; então há uma pausa momentânea, e nessa pausa antes do segundo conjunto de balanços ele diz a si mesmo: "Ao Filho eu dedico (enquanto faz os três balanços) espírito, alma, corpos;"; e, em seguida, na pausa antes do terceiro conjunto, ele diz: "Ao Espírito Santo eu dedico espírito, alma, corpos."

DIAGRAMA 3.—Incensação do Altar. Os números indicam a ordem dos movimentos feitos pelo sacerdote com o turíbulo, e as setas mostram a direção dos movimentos.

Observe que o sacrário, que deve fazer parte de todo altar, não está representado no diagrama, porque sua exclusão torna o desenho mais compacto.

A Santa Eucaristia

então, ao fazer uma pausa diante do terceiro conjunto de movimentos, ele diz silenciosamente: “Ao Espírito Santo dedico (enquanto faz os movimentos) espírito, alma, corpos.” Em seguida, ele genuflecte e volta-se para os castiçais no lado sul ou da epístola do altar e incensa cada um com um único movimento do turíbulo (Diagrama 3), o que não apenas magnetiza cada vela, mas também aquela porção da superfície do altar coberta pelo alcance do turíbulo.

Ao fazer isso, o sacerdote deve pensar em cada um dos sete Raios, que são representados pelas seis velas e pela cruz—ou, talvez mais precisamente, pela luz diante da cruz, que pode ser considerada uma espécie de extensão dela. Visto que esta é enfaticamente uma religião do Cristo, o Cabeça do segundo Raio, e a cruz latina é o Seu símbolo especial, a cruz do altar representa para nós o segundo Raio, e ao balançar o turíbulo em direção a ela, estamos adorando a Santíssima Trindade "através de Cristo, nosso Senhor", como dizemos tão frequentemente em nossas orações.

A primeira vela incensada (a mais próxima da cruz no lado sul) representa o primeiro Raio; a seguinte representa o quarto, e a vela externa o quinto Raio.

No lado do Evangelho, a vela mais próxima da cruz denota o sétimo Raio (aquele que agora se torna dominante no mundo), a seguinte representa o terceiro, e a última o sexto Raio.

A atribuição das velas a esses Raios específicos está em harmonia com a disposição das joias na pedra do altar, que é defendida na Parte III, e a relação entre elas será esclarecida pelo Diagrama 8. 92 A Ciência dos Sacramentos

Ao incensar cada vela, o sacerdote deve pensar no Raio ao qual ela está associada, oferecendo adoração a Deus ao longo dessa linha particular, e as pessoas também devem ter em mente o mesmo pensamento, na medida em que puderem.

Isso significa o que é realmente uma espécie de pensamento duplo—uma resolução de tentar desenvolver dentro de si a qualidade pertencente especialmente àquele Raio, e ao mesmo tempo dedicar ao serviço de Deus tudo o que se possui daquela qualidade.

Para o nosso propósito atual, as características dos Raios e as aspirações que devemos oferecer podem ser expressas da seguinte forma:
1. Força.
"Serei forte, corajoso, perseverante em Seu serviço."
2. Sabedoria.
"Alcançarei aquela sabedoria intuicional que só pode ser desenvolvida através do amor perfeito."
3. Adaptabilidade ou Tato.
"Tentarei obter o poder de dizer e fazer exatamente a coisa certa no momento certo—de encontrar cada homem em seu próprio terreno, a fim de ajudá-lo mais eficientemente."
4. Beleza e Harmonia.

“Até onde eu puder, trarei beleza e harmonia para minha vida e arredores, para que sejam mais dignos d’Ele: aprenderei a ver a beleza em toda a Natureza, para que assim eu possa servi-Lo melhor.” A Sagrada Eucaristia

5. Ciência (conhecimento detalhado). “Adquirirei conhecimento e precisão, para que eu possa dedicá-los à Sua obra.” 6. Devoção.

“Desenvolverei dentro de mim o poderoso poder da devoção, para que através dela eu possa trazer outros a Ele.” 7. Serviço Ordenado (cerimonial que invoca auxílio angélico). “Ordenarei e organizarei meu serviço a Deus segundo as linhas que Ele prescreveu, para que eu possa aproveitar plenamente a ajuda amorosa que Seus santos Anjos estão sempre prontos a prestar.” É obviamente impossível pensar em tudo isso dentro do tempo ocupado por um único balanço do turíbulo, então pode-se sugerir que, quando o sacerdote genuflecte após haver incensado a cruz, ele diga a si mesmo: “Para o Seu serviço, desenvolverei dentro de mim” (enquanto incensa as velas em ordem) “(1) Força, (4) Harmonia, (5) Conhecimento.” Em seguida, ele incensa o canto sul do altar, tanto abaixo quanto acima (Diagrama 3), e ao fazê-lo deve cuidar de alcançar bem ao redor do lado.

Durante esta e a próxima operação, ele mantém firmemente o pensamento: “Que a Sua força forme um escudo seguro para a Sua graça.” Então a borda e o topo do altar são incensados, incluindo quaisquer vasos que estejam sobre ele. Ao genuflectir ao atingir o ponto médio, pensa novamente: “Para o Seu serviço, desenvolverei

94 A Ciência dos Sacramentos

dentro de mim” (enquanto incensa as velas) “(7) Ordem, (3) Adaptabilidade, (6) Devoção.” Então, ao lidar com o canto norte ou do Evangelho, borda e topo de maneira semelhante, ele retorna à ideia anterior de fazer um redemoinho de força tão forte que nada possa interferir com ele, usando as mesmas palavras que no lado sul, e mantendo esse pensamento enquanto incensa a parte inferior do altar em ambos os lados.

Quando há apenas duas velas, como nas celebrações privadas, o sacerdote deve incensar cada vela três vezes, mantendo os mesmos pensamentos conforme orientado acima.

Desta forma, todo o altar é cercado por uma casca de magnetismo poderoso, que produz um efeito sobre sua matéria, e sobre a dos objetos sobre ele, o que não é diferente da magnetização de uma barra de ferro.

Por essa mesma ação, o bloco de éter que circunda o altar é separado do restante; ele não se junta por enquanto à circulação etérica geral; sendo especialmente polarizado, permanece como um redemoinho—ainda um corpo elástico, embora mantido à parte por um tempo na vizinhança do altar, até que na segunda incensação seja ainda mais estendido.

Se pensarmos na Hóstia como um polo de um ímã (cujo outro polo é o próprio Cristo), então esse redemoinho etérico é o campo magnético que a circunda. Assim como o espaço dentro do edifício eucarístico está por enquanto murado do mundo exterior, também o campo magnético ao redor do altar está temporariamente murado da igreja, por sua vez—um Santo dos Santos dentro do Templo.

Para mudar a símile—se a igreja, ou melhor, o edifício eucarístico, for imaginado como um poder-

Página 94. A Santa Eucaristia

casa, o redemoinho etérico ao redor do altar é o dínamo, e o celebrante o engenheiro responsável.

Como sinal de que ele é assim separado e associado a este santuário mais íntimo, ele, e somente ele, é também incensado nesta etapa.

Aqui encontramos outra das muitas vantagens da Missa Solene sobre a Missa Baixa comum.

Será facilmente compreendido que é desejável reservar este campo magnético exclusivamente para a recepção e armazenamento da força vinda do alto, e ter o mínimo possível de qualquer outra ação além daquela que ocorre dentro dele. É tarefa do celebrante,

que está necessariamente dentro da área reservada, receber as contribuições de força geradas pela devoção e gratidão de seu povo, e enviá-las em seu caminho ascendente.

Mas elas são de qualidade e poder muito variados, e precisam ser harmonizadas, coordenadas, purificadas, muitas vezes até consideravelmente transmutadas, antes que ele possa empregá-las da melhor maneira possível, e soldá-las em tal corrente que evoque cada grama de poder que possam atrair do ilimitado celeiro divino.

Este trabalho de triagem, organização e filtragem absorve boa parte da energia do celebrante (mesmo que ele possa estar inconsciente disso) e inevitavelmente cria fricção e perturbação dentro do campo etérico.

Tudo isso é evitado em uma Missa Solene, porque, como já disse, as contribuições do povo fluem através do diácono e do subdiácono; a filtragem e a triagem são feitas por eles fora do receptáculo, e eles entregam as correntes de força estáveis e purificadas ao celebrante, que assim é habilitado a manter dentro da 96 A Ciência dos Sacramentos

casca um nível muito mais alto de eficiência.

De fato, é somente por esse expediente que se torna viável lidar de maneira satisfatória com a produção desconcertantemente variada de uma congregação grande e entusiasta.

(Diagrama 2.) Ao considerar os muitos benefícios que obtemos do uso do incenso, não devemos negligenciar o auxílio das ordens especiais de Anjos e espíritos da natureza que trabalham por seu intermédio.

Os Anjos do Incenso são de dois tipos bem distintos — nenhum deles facilmente compreensível, exceto por aqueles que dedicaram muito estudo a tais assuntos.

Tais investigadores sabem que existem Anjos da Música — grandes seres que se expressam através da música assim como nós nos expressamos por palavras — para quem um arpejo é uma saudação, uma fuga uma conversa, um oratório uma oração.

Existem Anjos da Cor, que se expressam por mudanças caleidoscópicas de matizes brilhantes, por iridescências e cintilações de luz de arco-íris.

Assim também há Anjos que vivem e se expressam por aquilo que para nós são perfumes e fragrâncias — embora usar tais palavras pareça degradar, materializar as emanações requintadas nas quais eles se deleitam tão alegremente.

Uma subdivisão desse tipo inclui os Anjos do Incenso, que são atraídos por suas vibrações e encontram prazer em utilizar suas possibilidades.

Há também outro tipo para o qual o título de Anjo é menos apropriado.

Eles são igualmente graciosos e belos à sua maneira, mas na realidade pertencem ao reino dos elfos ou espíritos da natureza.

Em aparência, assemelham-se aos anjos-crianças de Ticiano ou Michelangelo, exceto que não têm asas.

Eles não se expressam por meio de perfumes, mas vivem de e por tais emanações, e por isso estão sempre presentes onde a fragrância está sendo disseminada.

Há muitas variedades, algumas se alimentando de odores grosseiros e repugnantes, e outras apenas daqueles que são delicados e refinados.

Entre elas, há alguns tipos que são especialmente atraídos pelo cheiro do incenso e estão sempre presentes onde ele é queimado.

Quando incensamos o altar e assim criamos um campo magnético, encerramos dentro dele um número desses adoráveis elfos, e eles absorvem grande parte da energia que ali se acumula, tornando-se valiosos agentes em sua distribuição no momento apropriado.

O incenso é valioso em nosso serviço de tantas maneiras diferentes que é eminentemente desejável aproveitar suas notáveis qualidades sempre que possível.

Quando possível, cada sacerdote deve manter um pequeno turíbulo em seu oratório privado e usá-lo em sua Celebração diária.

A Igreja Maronita do Monte Líbano sempre usa incenso tanto na Celebração Baixa quanto na Alta, e nós, da Igreja Católica Liberal, seguimos seu exemplo nesse assunto tanto quanto possível.

DOMINUS VOBISCUM

LIBERAL                               P, O Senhor esteja convosco.

Cc, E com o teu espírito.

A Ciência dos Sacramentos

Pela recitação da segunda dessas Bênçãos Menores, o sacerdote recolhe da congregação tal força que possa ter sido gerada por seu sentimento de gratidão pela absolvição.

Também por ela, o povo é trazido à harmonia com o sacerdote tão intimamente quanto possível, e ele se esforça por compartilhar com eles, tanto quanto pode, a maravilhosa eletrificação que recebeu durante a cerimônia do incensamento.

O campo magnético, o espaço isolado, está sendo cada vez mais altamente carregado, e por essa ação o sacerdote projeta parte dessa força sobre sua congregação; e a pronta resposta de seus membros os liga estreitamente a ele, de modo que suas vibrações são elevadas a um nível mais alto.

As cordas da consciência superior são tensionadas e afinadas.

A retificação alcançada pela absolvição tornou essa afinação possível, de modo que o povo pode agora ser reunido muito mais intimamente do que teria sido possível antes, assim como um feixe de varas retas pode ser amarrado mais estreitamente do que um monte de galhos tortos e irregulares.

Cada homem tinha suas próprias torções e ângulos; estes foram agora, em grande medida, endireitados, e há agora pelo menos uma aproximação ao paralelismo e, portanto, uma capacidade de colaboração psíquica na construção do edifício eucarístico pelo belo ato de adoração chamado Introito.

Na forma abreviada da Eucaristia, o lugar da Bênção Menor antes do Introito é ocupado por uma referência especial ao trabalho que estamos agora empreendendo.

O sacerdote canta: "Com louvor e..."

com oração será construído o nosso Templo.’? E o povo responde: ‘Só a Deus seja a glória.’”  
página                         A Santa Eucaristia  
INTROITO          ROMANO                                        LIBERAL   O Introito varia,         O que se segue        é um Domingo da Trindade.  
98.  
Opp.

MH Bendita seja a Santíssima Trindade e a indivisa Unidade: daremos glória a Ele, porque nos mostrou a sua misericórdia. Ó Senhor nosso Deus, quão admirável é o teu nome em toda a terra! Glória seja ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Bendita seja a Santíssima Trindade, a indivisa Unidade, eterna, imortal, invisível, a Quem sejam honra e glória para sempre e sempre. Amém.

Ó Senhor nosso Deus, quão admirável é o teu nome em toda a terra! Glória seja ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos sem fim. Amém.

Bendita seja a Santíssima Trindade, a indivisa Unidade: daremos glória a Ele, porque nos mostrou a sua misericórdia. Ó Senhor nosso Deus, quão admirável é o teu nome em toda a terra! Glória seja ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos sem fim. Amém.

Bendita seja a Santíssima Trindade, a indivisa Unidade, eterna, imortal, invisível, a Quem sejam honra e glória para sempre e sempre. Amém.

O Intróito é, em essência, um reconhecimento e invocação adicionais do poder e esplendor do Nome que está acima de todo nome; e lembrai-vos sempre de que isto é, na realidade, sinônimo do Poder que está acima de todo poder.

Pois sua característica central é o versículo: "Ó Senhor nosso Deus, quão admirável é o teu nome em todo o mundo." O restante do Intróito consiste no habitual Gloria Patri acrescentado a isto, e uma magnífica antífona que o precede e o segue. Não seria fácil inventar um tributo de louvor mais belo, e é eminentemente eficaz em fornecer material para as paredes e o teto do edifício.

A matéria vivificada jorra em grandes ondas sobre o pavimento de mosaico, inundando-o e curvando-se para cima em suas bordas, seguindo (no que concerne à igreja) a forma da bolha soprada pelo Asperges, mas reduplicando essa forma também no lado oriental do altar.

Pelo sinal da cruz no início, cada pessoa se abre plenamente à influência da eletrização, e então, sob esse estímulo maravilhoso, derrama-se em amor, devoção e adoração.

O primeiro jorro dessa força, brotando da congregação em direção ao altar, forma um enorme vórtice ao seu redor (Lâmina 7), no qual a resposta divina ao sentimento devocional desce em torrente; mas o Anjo da Eucaristia rapidamente a espalha e a achata, de modo que ela se precipita em todas as direções ao longo do pavimento e sobe curvando-se pelas paredes, assemelhando-se curiosamente a uma flor em forma de taça que cresce rapidamente (Lâmina 8). Cada frase do Introito envia uma nova onda, e o material ascendente logo se dobra novamente formando um teto, de modo que o edifício nesse estágio parece um enorme saco cilíndrico, com todos os seus cantos e arestas arredondados (Lâmina 9). O Anjo, soberbamente capaz, permanece no centro junto ao altar, aspergindo habilmente a força em todas as direções com maravilhosa facilidade e precisão, pressionando rapidamente as curvas para formar cantos, até termos um edifício oblongo (Lâmina 10). As cores ainda são principalmente carmesim e azul, como no pavimento, embora às vezes se fundindo em púrpura com toques ocasionais de ouro.

O material é a princípio mais espesso perto da base das paredes e, portanto, mais escuro em tonalidade; a parte superior, sendo mais clara e mais fina, mostra delicados matizes de rosa e azul de indescritível luminosidade, mas à medida que o jorro ascendente continua, toda a ereção torna-se mais firme e menos tênue.

No Missal Romano, o Introito é constantemente alterado, de acordo com a estação.

Consideramos prudente evitar isso e seguimos, de preferência, o costume da Igreja Grega, que não altera seus serviços dessa maneira.

Descobrimos que os muitos Introitos da Igreja Romana não são, de modo algum, todos igualmente eficazes em produzir o material necessário para o edifício, portanto parece desejável tomar o melhor deles, modificando-o muito ligeiramente; e uma consideração ainda mais importante é que as pessoas participam muito mais prontamente e cordialmente de palavras que lhes são totalmente familiares.

Quando sabem o que está por vir, conseguem colocar seu pensamento no que estão dizendo, em vez de ter que considerar como ajustar as palavras à música; assim, se queremos cooperação realmente entusiástica e de todo coração daqueles que não são altamente treinados em canto, é óbvio que grande parte do ritual deve ser imutável, para que possam aprendê-lo de cor.

KYRIE          ROMANO                        LIBERAL    Kyrie, eleison.

Kyrie eleison.

Kyrie, eleison.

Kyrie  eleison.

Kyrie,   eleison.

Kyrie    eleison.

Christe, eleison,              Christe   eleison.

Christe, eleison.

Christe   eleison.

Christe, eleison,              Christe   eleison.

Kyrie, eleison.

Kyrie   eleison.

Kyrie,   eleison.

Kyrie eleison    Kyrie,   eleison.

Kyrie eleison.

o/      : 102      A Ciência dos Sacramentos

Estas são as únicas palavras de sua língua original que permanecem agora em nossa Liturgia.

A frase "Kyrie eleison" é geralmente traduzida como: "Senhor, tende piedade de nós" — uma tradução que traz a ideia falsa e indigna de que Deus está irado conosco e que devemos pedir misericórdia, e é inteiramente consistente com a atitude servil à qual já nos referimos como tão desastrosa para a verdadeira devoção.

É verdade que o verbo grego *eleeo* é suscetível a esse significado quando usado como expressão da petição de um prisioneiro a um juiz; mas que ele tem outra significação, mais natural, é demonstrado pelo uso que fazemos da palavra inglesa "eleemosynary", que dele deriva. Isso traz a ideia de dar livremente, dar como esmola; de modo que um equivalente muito mais apropriado para *Kyrie eleison* é: "Senhor, dá-te a nós", ou "Senhor, derrama-te". A oração é, na verdade, pré-cristã, pois é em efeito uma tradução de uma dirigida nos Mistérios Egípcios ao Deus Sol Rá, pedindo-lhe que brilhasse sobre seu povo com seus raios benéficos e vivificantes — não com aquilo que é ardente ou destrutivo.

Quando percebemos a verdadeira intenção da celebração da Eucaristia — quando compreendemos que uma verdadeira continuação do grande Sacrifício está prestes a ocorrer — vemos imediatamente quão eminentemente adequada é uma oração como esta, e quão habilmente concebida é a forma curiosa na qual é moldada.

Pois esta invocação nove vezes repetida corresponde à oferenda nove vezes repetida de espírito, alma e corpos na incensação; aquilo abriu o homem nesses três níveis, e a resposta que vem a este apelo.

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102.

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Leste

DIAGRAMA         4.—A Ordem da Formação           das Tigelas no Kyrie.

Uma tigela   aparece,      na ordem   numerada, com o dizer ou cantar de cada frase do Kyrie.

As cinco tigelas do grupo central são fundidas no início do Gloria pela expansão da tigela 1 para formar   a base   da cúpula   central   da   forma eucarística, enquanto no Sanctus, se não antes, as tigelas           dos cantos disparam para cima    para   formar   minaretes.

A Ciência dos Sacramentos

enche os vasos abertos.

Ao cantar a primeira peti-          ção, o adorador, elevando-se com         toda          a sua          força         em direção ao Todo-Pai, e tentando          realizar sua absoluta unidade com Ele, deve pensar: “‘Eu          sou          uma centelha de Ti, a Chama Viva; Ó Pai,          derrama          a Ti mesmo para fora e através de Tua centelha.”’          Mantendo a mesma realização, ao cantar a segunda,          ele sentirá: ‘‘ Pai, alimenta Tu minha alma, para          que através dela outras almas sejam nutridas.’'                  E na          terceira: “‘Pai, meus corpos são Teus; usa-os          Tu para Tua glória.”’        Na quarta, quinta e sexta          recitações, ele repetirá esses pensamentos, substi-          tuindo a realização do Filho pela do Pai;          e na terceira série ele oferecerá as mesmas peti-          ções a Deus o Espírito Santo.

Contudo, em tudo isso, ele não deve pedir nada como se fosse para si mesmo, nem se orgulhar de ser escolhido como um vaso separado da graça de Deus, mas deve antes reconhecer-se como um entre os irmãos, um soldado entre camaradas.

Quando uma congregação compreende este esquema de invocação e o executa eficientemente, resultados notáveis são produzidos no edifício eucarístico.

Um esplêndido grupo de agulhas é lançado para cima a partir do seu telhado, seguindo uma ordem bela e sugestiva em sua disposição (Diagrama 4). A primeira identificação do espírito com o Pai Universal projeta para cima uma fina agulha central; a segunda e a terceira petições projetam agulhas semelhantes, porém ligeiramente menores, ao norte e ao sul dela. A quarta produz uma agulha a leste daquela no centro, enquanto a quinta e a sexta resultam em agulhas menores nos cantos nordeste e sudeste do telhado, formando um triângulo com a quarta.

A sétima apelação da Cruz—

(Fig. 2).

(Fig. 1).—Forma do Introito em Ob.

com extremidades de arestas, pontas afiadas e quadrado visto como forma.

seção do

LÂMINA 10.

—

A Santa Eucaristia

DIAGRAMA 5.—Os Tipos Variados de Formas construídas no Kyrie, mostrados em corte transversal.

Geralmente, quando o Kyrie é falado, ou mesmo com pequenas congregações quando é cantado, as protuberâncias forçadas para cima a partir do telhado nivelado da forma eucarística são como tigelas invertidas.

Tal tigela tem a forma mostrada na parte mais baixa deste diagrama.

Quando a congregação é maior e compreende algo do que ocorre invisivelmente quando a Eucaristia é celebrada, as tigelas construídas são maiores e podem ser coroadas por uma cúpula ou por um pináculo pontiagudo.

Os contornos desses estágios são mostrados no diagrama.

Em raras ocasiões, quando a congregação coopera plenamente com o celebrante, esplêndidas agulhas brilhantes ou mesmo minaretes ornamentados podem ser formados, antecipando assim as projeções de minaretes que a vinda dos Anjos na Paz e sua explosão de louvor no Sanctus geralmente produzem, no que diz respeito às tigelas dos cantos, 106 A Ciência dos Sacramentos

ergue uma agulha a oeste do centro, completando assim o grupo de quatro que circunda a primeira e maior em forma de diamante, enquanto a oitava e a nona ocupam os cantos noroeste e sudoeste e formam um triângulo com a sétima.

Esse arranjo será facilmente seguido com o auxílio das ilustrações.

Somente uma congregação bem treinada pode erguer essa floresta de agulhas; esforços anteriores produzirão tigelas invertidas baixas, semelhantes a cúpulas (Lâmina 11), exatamente como aquelas no telhado da Igreja de San Giovanni degli Eremiti em Palermo (Lâmina 12); mas o arranjo é sempre o mesmo.

Às vezes, com uma congregação especialmente treinada e devota, esplêndidos minaretes são formados pela irrupção da força.

Uma tigela é formada quando a força é fraca, um minarete quando é forte (Diagrama 5). No serviço romano, essas formas semelhantes a tigelas frequentemente afundam novamente e se tornam depressões no teto, em vez de se elevarem acima dele. Isso se deve às ideias de medo e autodepreciação que tantas vezes acompanham o mal-entendido causado por traduções indignas das palavras gregas.

Quando pensamos em nós mesmos como miseráveis pecadores e continuamente suplicamos a Deus por misericórdia, o efeito sobre o edifício é impressionante, pois curvas reentrantes e cavidades tomam o lugar de cúpulas salientes e agulhas flamejantes.

Adorar a Deus com medo e tremor é, do lado oculto das coisas, afastar de nós mesmos grande parte da descida de Seu amor que fluiria através de nós se apenas aprendêssemos a confiar Nele totalmente como um Pai amoroso.

Nas igrejas romanas, frequentemente se veem finas erupções de devoção de indivíduos, mas é raro encontrar uma combinação de devoção inteligente de um número de pessoas, de modo que o resultado se assemelha mais a alguns postes de andaime espalhados do que a um minarete.

Às vezes, as pessoas fornecem grandes nuvens rolantes de devoção, mas geralmente são vagas e pouco inteligentes, de modo que, mesmo quando podem ser usadas na construção do edifício, deixam todo o trabalho de construção inteiramente para o Anjo.

É importante que cada pessoa presente pense fortemente, não em si mesma, mas em agir como parte de uma unidade.

Dessa forma, a força de sua devoção, em vez de se lançar através do teto do edifício como uma haste, auxilia a elevar e expandir as cúpulas ou minaretes.

No serviço eucarístico da Igreja da Inglaterra, o efeito do Kyrie foi quase totalmente perdido pela ridícula introdução, nesse serviço, dos mandamentos mosaicos.

Os nove Kyries são intercalados entre eles, sendo um décimo adicionado após o último, que se supõe ser dirigido às Três Pessoas coletivamente.

O Kyrie é especialmente destinado a conduzir ao Gloria in Excelsis, e a permitir que o povo, digna e proveitosamente, se una a esse mais belo ato de louvor e adoração; mas os chamados reformadores, totalmente ignorantes de tudo isso, os separaram amplamente, colocando um no início e o outro no final do serviço.

Os Kyries neste serviço não podem, naturalmente, erguer torres ou cúpulas, como deveriam; pois ainda não há absolutamente nenhuma construção de qualquer tipo, nem foi invocado qualquer Anjo, exceto no caso daquelas poucas igrejas que, embora usando a Liturgia Anglicana, suplementam suas deficiências interpolando as principais características do rito romano.

A Ciência dos Sacramentos

GLORIA IN EXCELSIS — ROMANO                                    LIBERAL    Omitido durante as Semanas da Paixão e Santa.

Glória a Deus nas alturas,                  Glória seja a Deus nas alturas, e na terra paz aos homens de boa vontade.

e paz na terra aos homens de boa vontade.

Nós te louvamos, nós te bendizemos,                  Nós Te louvamos, nós Te bendizemos, nós Te adoramos, nós Te glorificamos.

nós te adoramos, nós te glorificamos.

Nós Te damos graças pela tua                  Nós Te damos graças pela Tua grande glória.

grande glória.

Ó Senhor Deus, Rei celestial,                  Ó Senhor Deus, Rei celestial, Deus Pai todo-poderoso.

Deus Pai todo-poderoso.

Ó Senhor Jesus Cristo, o Filho                  Ó Senhor Cristo, Filho unigênito.

unigênito.

Somente nascido do Pai; Ó Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Senhor Deus, Filho indwelling do Pai, que és Luz, Filho do Pai, que tiras os pecados do mundo, tende misericórdia de nós. Que tiras os pecados do mundo, cuja sabedoria poderosamente e docemente ordena todas as coisas, derrama o Teu amor; Tu cuja força recebe a nossa oração.

Que sustenta e mantém toda a criação, recebe a nossa oração; Tu que estás assentado à direita do Pai, tende misericórdia de nós, Tu cuja beleza brilha através de todo o universo, desvela a Tua glória.

Pois só Tu és santo.

Pois só Tu és santo; só Tu és Senhor.

Tu somente és o Senhor; somente Tu, Ó Jesus Cristo, és o Altíssimo, juntamente com o Espírito Santo, és o Altíssimo na glória de Deus Pai, somente Tu, Ó Cristo, com o Espírito Santo, na glória de Deus Pai.

Amém.

Amém.

O Glória in Excelsis (como dado nos livros de oração romanos ou anglicanos) é uma tradução de um hino grego antigo.

A primeira menção certa dele está em uma ordem dada pelo Papa Telésforo no ano 128.

A Santa Eucaristia

Há considerável variação entre as formas mais antigas dele que sobreviveram, e algumas de suas características menos defensáveis estão ausentes das versões anteriores.

Durante alguns séculos, foi cantado apenas quando um bispo celebrava; depois, um sacerdote foi autorizado a usá-lo somente no Dia de Páscoa; e, finalmente, por volta do século XII, foi permitido seu uso geral em todas as Missas festivas.

Adotamos a tradução da primeira e da última de suas três estrofes tal como está no Serviço de Comunhão Inglês, exceto pela frase "boa vontade para com os homens", que, embora talvez mais pitoresca como sentimento, é indefensável como tradução do texto geralmente aceito do grego original, e obscurece a questão significativa de que somente aqueles podem ter paz que são animados por boa vontade para com seus semelhantes.

Certas modificações foram introduzidas na segunda estrofe.

Corrigimos a extraordinária tradução errônea da palavra *monogenes* como "unigênito", substituindo-a por seu significado real "nascido-só" — isto é, nascido de um único progenitor, e não de uma sizígia ou par, como têm sido todas as outras criaturas criadas.

Eliminamos a frase enganosa "tende piedade de nós", substituindo-a por outras mais em harmonia com o espírito deste glorioso hino.

Em vez de uma referência lúgubre aos pecados do mundo, citamos de outro ritual a nobre descrição da Santíssima Trindade como Sabedoria, Força e Beleza.

Ao cantar isto, tanto o sacerdote quanto o povo não podem fazer melhor do que seguir as palavras reais o mais de perto possível, tentando senti-las e significá-las ao máximo.

Pois, assim como no Asperges estávamos lidando principalmente com material etérico, assim também em toda esta parte do serviço temos estado principalmente ocupados na vivificação da matéria astral, embora, sem dúvida, fortes vibrações de sabedoria intuicional também sejam despertadas em todos aqueles que são capazes delas.

O efeito do *Gloria in Excelsis* sobre o edifício eucarístico é mais notável.

Cada uma de suas três partes contribui definitivamente para a construção.

Ao cantarmos a primeira estrofe, a agulha central produzida pelo canto do primeiro *Kyrie* incha e se expande até se fundir com as quatro agulhas circundantes para formar uma grande cúpula central (Lâmina 13). Esta cúpula é baixa em proporção ao seu diâmetro, e ainda não é exatamente circular na base, pois ainda nesta fase mostra traços das quatro cúpulas ou agulhas menores que absorveu.

A forma, neste estágio, é curiosamente sugerida pela Mesquita do Cairo, mostrada na Estampa 14. Com o cantar do segundo parágrafo, esta grande cúpula achatada se arredonda, e uma cúpula alta e de proporções primorosas se expande em seu topo.

Por fim, na terceira parte, uma estrutura em forma de lanterna projeta-se da cúpula, formando agora o todo uma estrutura de três estágios, algo como a cúpula do Capitólio de Washington, embora os detalhes sejam diferentes (Estampa 15). Finalmente, quando as pessoas se persignam enquanto cantam as últimas palavras, uma cruz rosada se forma acima de suas cabeças e flutua para dentro da parte em forma de lanterna do edifício.

Considerando o importante papel que este magnífico hino desempenha na construção da forma, o costume romano de omiti-lo, juntamente com o Credo, no que alguns se agradam em chamar de estações penitenciais é muito de se lamentar.

DOMINUS VOBISCUM — ROMANO — LIBERAL
V. O Senhor esteja convosco. — P. O Senhor esteja convosco.
R. E com o teu espírito. — C. E com o teu espírito.

A Santa Eucaristia

Ao final do Glória in Excelsis, quando o povo está especialmente exaltado pelas nobres palavras que acabou de proferir e se encontra, portanto, em um estado de espírito mais sensível e receptivo, mais uma vez o sacerdote se volta para eles e se esforça, por meio da Bênção Menor, por derramar sobre eles algo de seu próprio entusiasmo.

A pronta resposta deles os aproxima em união mais íntima com ele e também coloca em suas mãos toda a força que eles têm gerado.

AS COLETAS ROMANO LIVRE A Coleta varia.

A que se segue é do Domingo da Trindade.

Onipotente, eterno Deus, que concedeste aos teus servos, pela confissão da verdadeira fé, reconhecer a glória da eterna Trindade e adorar a unidade no poder da divina majestade: concede que, pela firmeza dessa mesma fé, sejamos sempre defendidos de todo mal. Por Cristo, nosso Senhor.

R. Por nosso Senhor.

Amém. Seguem-se quaisquer Coletas adicionais, após as quais se lê a Epístola.

Deus onipotente e eterno, a quem todos os corações estão abertos, todos os desejos são conhecidos e de quem nenhum segredo está oculto; purifica os pensamentos de nossos corações pela inspiração do Teu Santo Espírito, para que possamos perfeitamente amar-Te e dignamente engrandecer o Teu santo Nome.

Aqui segue a Coleta do Dia, após a qual se lê a Epístola.

A Ciência dos Sacramentos —

A devoção e o amor do povo foram agora completamente despertados pelos esplêndidos atos de adoração e invocação nos quais participaram e, em consequência, a construção do edifício eucarístico foi completada no que diz respeito às suas porções astrais.

Deseja-se agora despertar o entusiasmo mental da congregação, com o resultado de que a matéria do nível mental também possa ser tecida em nossa edificação.

Isso se faz lendo ao povo a Epístola e o Evangelho e convocando-os a se unirem na recitação do Credo.

Mas primeiro são ditas certas orações chamadas Coletas, das quais em nossa liturgia revisada uma é usada invariavelmente, mas as outras mudam com o calendário.

Essas orações breves e abrangentes têm sido usadas na Igreja desde os períodos mais antigos.

O nome a elas aplicado é de grande antiguidade, mas de origem obscura.

Os liturgiologistas pensaram que elas eram assim chamadas meramente porque eram usadas na congregação pública, ou reunião do povo; ou pelo fato de muitas petições serem coletadas juntas nelas em um breve resumo; ou porque coletam as ideias compreendidas na Epístola e no Evangelho do dia, e as entrelaçam em uma oração.

Novamente, há uma sugestão de que em tempos anteriores o sacerdote "coletava" os desejos de sua congregação e os incorporava em sua oração extemporânea.

Outra teoria que tem sido amplamente apoiada fundamenta-se no fato de que nos tempos antigos, quando o serviço chamado estação era realizado, era costume o clero e o povo se reunirem primeiro em outra igreja, e então irem juntos em procissão até aquela na qual

A Santa Eucaristia

a Eucaristia seria celebrada.

Antes de partirem da primeira igreja, uma breve oração era dita, chamada Oratio ad collectam, e desse costume a própria oração passou a ser denominada Coleta.

Seja como for, tais orações são encontradas em todas as liturgias conhecidas.

Nossa primeira Coleta, que é imutável, é uma oração da Igreja primitiva chamada Coleta pela Pureza, que segue imediatamente o Paternoster na abertura do Serviço de Comunhão da Igreja da Inglaterra.

Sua ardente aspiração pela pureza de pensamento é especialmente apropriada aqui, quando estamos prestes a fornecer o material mental necessário para o edifício eucarístico; e a petição de que sejamos preenchidos com perfeito amor e possamos dignamente louvar o santo Nome de Deus toca exatamente a nota certa, e nos dá a pista para exatamente a atitude de mente que devemos manter se quisermos corretamente prestar-Lhe serviço.

Ao selecionar as Coletas para os Domingos e dias santos, usamos em muitos casos aquelas do Livro de Oração Comum da Igreja da Inglaterra, que por sua vez geralmente foram escolhidas entre as da liturgia antiga; mas eliminamos consistentemente todas as passagens que exibem um espírito de temor ou de falta de fé, e nos esforçamos por manter sempre diante das mentes de nossos membros o pensamento do amor e da glória de Deus, e a suprema alegria do serviço altruísta.

No que diz respeito às comemorações, seguimos o costume ordinário da Igreja.

Quando dois festivais coincidem, usamos o serviço do mais importante dos dois, e além disso recitamos a Coleta do outro, a fim de que nosso povo não o negligencie.

A CIÊNCIA DOS SACRAMENTOS

A EPÍSTOLA

Nos primeiros dias da Igreja, parece ter sido o costume ler uma série de lições neste ponto do serviço, sendo a quantidade limitada apenas pelo tempo disponível; encontramos a direção de que o bispo ou sacerdote deve dar um sinal quando julgar que já se leu o suficiente.

Em um período posterior, essa superabundância de lições foi reduzida a três, chamadas Profecia, Epístola e Evangelho; mais tarde ainda, a primeira dessas desaparece, e encontramos apenas a Epístola e o Evangelho, como os temos agora, embora um traço da compressão ainda permaneça no fato de que o que é chamado de Epístola às vezes é tirado dos livros dos Profetas.

A intenção claramente é oferecer ao povo alguma instrução definida; pois não devemos esquecer que nos primeiros dias não havia livros impressos, de modo que o ensino só podia ser dado oralmente.

Em relação ao edifício, o objetivo dessas leituras é despertar as faculdades intelectuais da congregação, dando-lhes alimento para o pensamento, de modo que tanto o material mental quanto o astral possam ser fornecidos.

Ao selecionar leituras para a Epístola, às vezes escolhemos lições diferentes daquelas usadas tanto pelos ramos romano quanto anglicano da Igreja.

Não nos sentimos constrangidos a tomar qualquer passagem particular em sua totalidade, pois, se o fizéssemos, em muitos casos seríamos obrigados a ler passagens bastante inadequadas e pouco edificantes.

Em vez de selecionar invariavelmente versículos consecutivos, portanto, temos frequentemente

PRANCHA 14.—Uma Mesquita no Cairo, mostrando os quatro minaretes de canto e o agrupamento central de cinco cúpulas,

Opp.

página 114.                   A Santa Eucaristia

escolhendo apenas aquelas que expressam algum pensamento elevado e estimulante, omitindo outras que não têm conexão com o assunto em questão, ou que o abordam de um ponto de vista inconsistente com uma fé firme no amor e na sabedoria de Deus.

Os críticos naturalmente nos acusarão de aceitar na escritura aquilo que serve ao nosso propósito, e de ignorar ou rejeitar o resto.

Não estamos de modo algum preocupados em rebater tal acusação, pois é exatamente isso que todo autor ou orador faz; ao citar um livro, ele toma aquilo que ilustra o ponto que porventura está defendendo, e evita o que não tem referência a ele. Na Igreja Católica Liberal, deixamos nossos membros absolutamente livres em todas as questões de crença, de modo que, se algum deles desejar sustentar a teoria da inspiração verbal da tradução inglesa das escrituras, está inteiramente à vontade para fazê-lo.     Para o escritor, esse livro é um entre         muitos   outros volumes do Saber Sagrado, que têm sido reve- renciados e estudados por homens santos de diversas religiões através dos tempos — volumes, todos eles, contendo joias   de verdade   inseridas na moldura   de   belas   e poéticas palavras, iluminadoras e úteis para todos os tempos; mas também todos eles incluindo muito que é falso ou de interesse meramente temporário e local.

Considerar qualquer desses livros como infalível é contrariar a verdade, a razão e a história, pois é facilmente demonstrável que todos contêm muitas imprecisões; e há em quase todos eles muito conteúdo extremamente objetável.

Mas tudo isso não é razão para que não colhamos deles o que quer que encontremos de encorajador, instrutivo e edificante.

A Ciência            dos Sacramentos

Ao final da Epístola, os servidores,                         coro e congregação dizem ou cantam: “‘Graças           a Deus.’”

GRADUAL               ROMANO                                    LIBERAL   O Gradual varia.

Aquele            O Gradual varia apenas que se segue           é da Trindade           no Natal, na Páscoa, na Ascen- Domingo.

são, no Pentecostes, e    Bendita    és tu,     Ó             no Domingo da Trindade.

Aquele que Senhor, que contemplas         os             se segue   é usado durante profundos,    e te assentas              o resto do ano.

os querubins. Aquele que ama a sabedoria Bem-aventurado és tu, ó ama a vida: e os que te Senhor, no firmamento buscam desde cedo serão do céu, e dignos de cheios de alegria. louvor para sempre.

Aleluia, Ensina-me, ó Senhor, o Aleluia.

caminho dos Teus estatutos: e Bem-aventurado és tu, ó Senhor, eu o guardarei até o Deus de nossos pais, e o fim. digno de louvor para sempre.

Dá-me entendimento, Aleluia.

e guardarei a Tua lei: sim, eu a guardarei com todo o meu coração.

A vereda dos justos é como a luz resplandecente: que brilha cada vez mais até o dia perfeito.

O Gradual é uma das partes mais antigas do serviço, e é assim chamado da palavra latina *gradus*, um degrau, porque era cantado do degrau mais baixo do ambão ou tribuna de onde o Epístola e o Evangelho eram entoados.

Nos dias de muitas lições, havia sempre um salmo cantado após cada uma; este, que é chamado de Gradual, veio originalmente entre a Profecia e a Epístola, enquanto a palavra "Aleluia", repetida muitas vezes, era cantada logo antes do Evangelho para expressar a gratidão do povo pelas boas novas que lhes trazia.

Surgiu o hábito de prolongar a última sílaba dessa palavra, fazendo-a vagar para cima e para baixo por muitas notas (não raramente estendendo-se a trezentas ou quatrocentas, e em um caso pelo menos chegando a setecentas!), sendo esse vago ruído inarticulado supostamente simbolizando a alegria inexprimível dos santos no céu.

À medida que um certo senso musical rudimentar se desenvolvia lentamente entre os primeiros cristãos, ocorreu-lhes que seria melhor substituir por um hino essa curiosa divagação; e quando isso foi feito, o hino foi chamado de Sequência, porque seguia o Aleluia.

Em ocasiões em que se desejava dar um ar de luto ao serviço, como na Quaresma ou em funerais, substituíam o Aleluia por um salmo ao qual deram o nome de Trato, porque era cantado de uma só vez (*uno tractu*) e não em versículos alternados.

O Trato e a Sequência ainda são encontrados na liturgia romana, mas consideramos desnecessário perpetuá-los, pois um grande número de pequenas passagens que mudam constantemente causa confusão e torna mais difícil para a congregação acompanhar o serviço.

Pela mesma razão, usamos um único Gradual durante todo o ano, exceto para aquelas grandes festividades para as quais Prefácios Próprios são designados.

Como nesta parte do serviço estamos concentrando-nos na vivificação da matéria mental para o edifício, o Gradual advoga o amor à sabedoria e explica a necessidade de instrução para que se possa fazer progresso real — para que assim obtenhamos entendimento e nos tornemos uma luz e ajuda constantemente crescentes para o mundo.

O Anjo da Eucaristia usa a matéria que lhe é dada pelo canto do Gradual para fortalecer e enriquecer o seu edifício, e especialmente para a divisão de cada uma das suas quatro paredes em painéis, pela ereção de meias-colunas.

Numa Celebração Baixa, quando o Gradual é omitido, colunas e decorações não aparecem, embora geralmente haja uma tênue indicação dos painéis.

Naturalmente, a forma feita numa Celebração Baixa não é apenas muito menor do que a de um serviço musical completo, mas também em todos os aspectos mais simples e menos ornamentada.

Outro fator que faz uma grande diferença na forma é a cooperação inteligente do sacerdote.

Nas Igrejas onde este ramo do assunto não é estudado, todo o trabalho de projetar e construir o edifício recai inteiramente sobre o Anjo da Eucaristia (ou, quando ele não é invocado, sobre o Anjo Diretor); mas onde o sacerdote compreende o que está sendo feito, ele pode e de fato torna o trabalho muito mais fácil, fornecendo material exatamente quando e onde é necessário.

MUNDA COR MEUM

ROMANO                                  LIBERAL    Purificai o meu coração e            Purificai o meu coração e os meus lábios, ó Deus onipotente,               os meus lábios, ó Deus, que que purificastes os lábios             pela mão do Vosso Serafim do profeta Isaías com             purificastes os lábios do uma brasa viva: dignai-Vos               profeta Isaías com uma brasa pela Vossa graciosa misericórdia             ardente do Vosso Altar, e na Vossa assim purificar-me para que               bondade amorosa purificai-me eu possa proclamar dignamente             para que eu possa proclamar o Vosso santo evangelho.               dignamente o Vosso santo evangelho.

Através de Cristo, eu possa proclamar dignamente... (texto ilegível/embaralhado no original)

A Santa Eucaristia

— Nosso Senhor.

Amém.

Teu santo evangelho.

Através de Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

Orai, Senhor, uma bênção.

Que o Senhor esteja em meu coração e em meus lábios, para que eu possa proclamar dignamente o seu santo evangelho. Que o Senhor esteja em meu coração e em meus lábios, para que através do meu coração o amor de Deus possa resplandecer, e através dos meus lábios o Seu poder se manifeste.

Amém.

R. Amém.

Esta oração é dita como acima apenas na Missa Baixa ou na Missa Cantata.

Na Missa Solene, a primeira parte é repetida pelo diácono, que então se ajoelha diante do celebrante (ou diante do bispo, se presente), e este recita a segunda parte da aspiração, substituindo a palavra "teu" por "meu". É um desejo fervoroso por parte do leitor de que ele possa ser tão purificado a ponto de fazer seu trabalho adequadamente e ser um canal apropriado para o poder que será derramado; e uma resposta muito real é recebida através da bênção do celebrante ou do bispo, que assim lhe confere uma porção da eletrificação que foi produzida na incensação, e o inclui temporariamente dentro do campo magnético, admitindo-o assim ao Santo dos Santos para realizar esta obra especial.

DOMINUS VOBISCUM

ROMANO                                  LIBERAL     V. O Senhor      esteja      convosco.          P. O Senhor esteja convosco.

R. E       com      o teu espírito.

Cc. E com o teu espírito.

Imediatamente o diácono volta-se e partilha esta bênção privada com o povo (exceto que, naturalmente, não pode incluí-los dentro do campo), e             120              A Ciência          dos Sacramentos

é colocado em estreito rapport com eles pela sua pronta e fervorosa resposta.

A sua aspiração deve, naturalmente, ser que os seus corações sejam tão purificados de                                                                               7— emoções inferiores que possam receber dignamente o ensinamento e dele beneficiar.                                 O EVANGELHO           ROMANO                                     LIBERAL    O Sacerdote anuncia a                   O Sacerdote anuncia a porção do Evangelho a ser lida,              porção do Evangelho a ser lida, fazendo o sinal da cruz               fazendo o sinal da cruz sobre o livro com a sua                   sobre o livro com o seu polegar direito.

polegar direito.

C. Glória a Vós, ó                                            Senhor.

Ele     lê o Evangelho.

Ele incensa o livro três vezes                                             e lê o Evangelho.

R. Louvor a Vós, ó                     C. Louvor a Vós, ó Cristo.

Cristo.

O Sacerdote beija o livro, dizendo:   Pelas    palavras     do Evangelho   sejam    os nossos pecados apagados.

O Evangelho sempre foi considerado a mais importante das leituras, pois se supunha que contivesse as palavras do próprio Cristo, ou o relato de algum incidente na Sua vida terrena.

Deste ponto de vista, o livro no qual estava escrito era cercado          com        a   maior   reverência;        era incensado e beijado por                  o leitor, e      acompanhado      por acólitos com velas.

Sabemos agora muito bem que historicamente a maioria dessas razões para especial respeito não tem existência; sabemos que esses livros são, em sua maior parte, não a obra daqueles a quem são atribuídos, que muitas das palavras que eles                    A Santa Eucaristia

atribuídas ao Cristo certamente nunca foram por Ele proferidas, e que, em todo caso, não foram destinadas por seus autores a serem tomadas como um relato de atos históricos, mas meramente como a representação dos grandes e eternos atos do progresso humano sob a forma de uma alegoria, tal como foi feito em outros grandes dramas de mistério pelos antigos.

Isso foi perfeitamente compreendido pelos grandes médicos gnósticos da Igreja primitiva, embora esquecido, junto com tantas outras coisas, quando as eras sombrias de ignorância e barbárie desceram sobre o mundo.

Orígenes, o mais brilhante e erudito de todos os Pais eclesiásticos, ensina que "o gnóstico ou sábio não necessita mais do Cristo crucificado.

O evangelho eterno ou espiritual, que é sua possessão, mostra claramente todas as coisas concernentes ao próprio Filho de Deus, tanto os mistérios revelados por Suas palavras quanto as coisas das quais Seus atos eram os símbolos.

Não é tanto que Orígenes negue ou duvide da verdade da história evangélica, mas ele sente que eventos que aconteceram apenas uma vez não podem ter importância, e considera a vida, a morte e a ressurreição do Cristo como apenas uma manifestação de uma lei universal, que foi realmente encenada, não neste mundo fugaz de sombras, mas nos eternos conselhos do Altíssimo.

Ele considera que aqueles que estão completamente convencidos das verdades universais reveladas pela Encarnação e pela Expiação não precisam mais se preocupar com suas manifestações particulares no tempo." (Christian Mysticism, de Dean Inge, p. 89). Orígenes fala claramente a respeito da diferença entre a fé ignorante da multidão não desenvolvida e a fé superior e racional que se funda sobre 122 A Ciência dos Sacramentos

conhecimento definido.

Ele traça uma distinção entre a fé popular irracional que conduz ao que ele chama de cristianismo somático (isto é, a forma meramente física da religião) e o cristianismo espiritual oferecido pela Gnose ou Sabedoria.

Ele deixa perfeitamente claro que por cristianismo somático ele entende aquela fé que se baseia na suposta história evangélica.

De um ensinamento fundado sobre essa narrativa, ele diz: "Que método melhor poderia ser concebido para auxiliar as massas?" É claro, portanto, que o próprio livro dos Evangelhos dificilmente pode ser considerado digno de respeito exagerado, pois há inquestionavelmente outros volumes nos quais a Sagrada Doutrina é exposta com mais precisão e de forma bem menos alegórica.

Mas a reverência com que ainda continuamos a saudá-lo é prestada a ele como símbolo.

Nós nos curvamos diante da cruz do altar e a incensamos, não porque adoremos aquele Nehushtan particular, mas porque é o símbolo reconhecido do Cristo e do Seu poderoso Sacrifício; saudamos a nossa bandeira nacional, não porque aquele pedaço de pano seja superior a qualquer outro, mas por causa do glorioso ideal que ela se destina a nos recordar. Assim também o livro dos Evangelhos é a apresentação cristã da Sabedoria Antiga, a Gnose, a Verdade que nos liberta; ele ocupa para nós a mesma posição que o Darma, ou Lei da Vida, ocupa entre os budistas.

Por isso lhe prestamos reverência, por isso agradecemos ao Cristo por ele, por mais imperfeitamente que esta manifestação especial possa representar o Seu ensinamento.

Algumas cruzes de altar são de madeira, outras de latão, outras de ouro, e no entanto nos curvamos igualmente diante de todas; algumas bandeiras podem ser apenas de algodão pintado, mas o símbolo é o mesmo.

Os três sinais da cruz que somos instruídos a fazer antes da leitura do Evangelho tipificam a dedicação da mente, dos lábios e do coração à obra de difundir a verdade, e também se destinam a abrir os três centros na testa, na garganta e no peito à influência que está prestes a ser derramada.

O livro torna-se um centro de força, cercado por uma espécie de casulo de pensamento reverente e fervoroso, e assim é o canal designado para a emanação que se destina a estimular as nossas faculdades mentais e ajudar-nos na nossa contribuição de matéria nesse nível para a construção do edifício.

A primeira cruz feita sobre o livro pelo diácono destina-se a destrancar a porta do tesouro — a abrir a torneira, por assim dizer; e as outras três feitas pelo povo abrem-nos para o influxo.

Um esforço especial é feito para proporcionar um bom centro irradiante; o subdiácono segura o livro, e um acólito com uma vela permanece de cada lado dele; o volume é incensado, e o turiferário permanece na vizinhança imediata durante a leitura; de modo que a vibração da luz e a permeação do perfume são ambas utilizadas para auxiliar na difusão de vários aspectos da influência.

O uso do polegar ao fazer o sinal da cruz corresponde a um passe pugnal no mesmerismo; este e o lugar correspondente no Último Evangelho romano são os únicos casos em que é prescrito no serviço da Eucaristia, mas ocorre nos ofícios de Batismo e Confirmação, e seu uso é reconhecido no serviço romano para a consagração de um bispo na unção de suas mãos, onde se faz referência à “imposição desta mão ou polegar consagrado”. Parece ser empregado quando se requer um pequeno mas poderoso fluxo de força, como para a abertura de centros.

Quando a leitura do Evangelho é concluída, o diácono volta-se para o celebrante e o incensa, devolvendo-lhe assim tudo o que permaneceu sem uso da força que foi fornecida no Munda cor Meum, para que seja utilizada na obra do serviço.

Durante a leitura, os membros da congregação devem acompanhar atentamente, procurando sempre compreender o significado interno tanto quanto o externo; e quando ao final todos se unem cantando: “Louvado sejas, ó Cristo”, devem perceber que estão expressando sua gratidão não apenas pelo que acaba de ser lido, mas pelo grande dom da Sabedoria Antiga, o conhecimento que traz vida e luz a todos.

O SERMÃO

Se houver sermão, segue-se aqui.

Antes de começá-lo, o pregador deve voltar-se para o altar e, fazendo o sinal da cruz sobre si mesmo, entoar as antigas palavras de poder — a invocação: “Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, ao que todo o povo deve responder “Amém”. Após concluir o que tem a dizer, deve novamente voltar-se para o altar e, benzendo-se mais uma vez, entoar a doxologia: “E agora a Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, Três Pessoas em Um só Deus, seja atribuída toda honra, louvor, majestade e domínio, agora e para sempre.” E o povo deve responder como antes.

O sermão não é de modo algum uma parte necessária do serviço, e sua inserção ou omissão fica inteiramente ao critério do sacerdote.

Em nenhum caso deve ocupar mais de quinze minutos em sua prolação.

CREDO ROMANO — LIBERAL Omitido em certos dias.

Creio em um só Deus, o Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis.

E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus, gerado do Seu Pai antes de todos os séculos; Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai, por Quem todas as coisas foram feitas.

Que por nós homens e pela nossa salvação desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo da Virgem Maria, e se fez homem.

Foi crucificado também por nós, padeceu sob Pôncio Pilatos, e foi sepultado.

E ao terceiro dia ressuscitou segundo as Escrituras; e subiu ao céu. Está sentado à direita do Pai; e há de vir novamente com glória para julgar o Pai.

126 A Ciência dos Sacramentos

E Ele julgará os vivos e os mortos; virá novamente com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim.

E no Espírito Santo, o Senhor e doador da vida, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, que falou pelos profetas.

E em uma só santa igreja católica e apostólica.

Confesso um só batismo para a remissão dos pecados.

E aguardo a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há de vir. Amém.

A recitação ou canto do Credo desempenha um papel especialmente importante na obra da Celebração Eucarística — um papel cuja importância aumenta com a capacidade intelectual da congregação.

Pois, assim como uma efusão de matéria astral foi evocada pelas grandes doxologias de louvor, e a matéria mental inferior foi acrescentada pela consideração da Epístola e do Evangelho, agora um esforço mais elevado deve ser despertado pelo pensamento mais abstrato envolvido na tentativa de apreender as grandes verdades apresentadas diante de nós no Credo.

As forças dos corpos emocional e mental já foram mobilizadas; neste ponto, tudo o que possa ser desenvolvido em cada homem do veículo causal, muito mais elevado, é também posto em ação.

A medida em que isso pode ser feito depende de quão profundamente o homem compreende o real significado interno das palavras que usa; as concepções envolvidas são tão magníficas e abrangentes que é somente por meio de estudo paciente e assimilação gradual que o homem pode esperar torná-las parte de si mesmo.

Na Igreja Católica Liberal não impomos restrição alguma à fé de nossos membros, como já disse, de modo que, se houver quem prefira aceitar a interpretação quasi-histórica do Credo, estão perfeitamente livres para fazê-lo, ao mesmo tempo em que estamos prontos a dar o que cremos ser seu significado espiritual àqueles que são capazes de apreendê-lo, e isso se encontrará em outro livro desta série.

Aqui nos preocupamos apenas com o efeito que ele produz sobre o edifício eucarístico, que é o de permeá-lo com um esplêndido brilho dourado de matéria mental superior, muito mais fino e radiante do que qualquer outro que tenha sido contribuído antes.

A forma do Credo dada acima é a comumente usada por toda a Igreja Ocidental.

Não é (embora frequentemente se suponha que seja) o Credo do Concílio de Niceia, mas a forma emendada aceita pelo Concílio de Constantinopla no ano de 381. Na forma mais curta do serviço, vários substitutos são oferecidos — o chamado Credo dos Apóstolos, a forma original do Credo Niceno e um Ato de Fé que, embora mais antigo que qualquer um deles, é mais claro em sua expressão do significado interno.

Formas ainda mais curtas são oferecidas para nossa seleção nos Ofícios de Prima e Completas. Durante a recitação do Credo, como no Glória Patri e nas doxologias de todos os hinos, tem sido desde os primeiros dias da Igreja o costume universal voltar-se para o altar, o que geralmente significa (ou deveria significar) voltar-se para o leste.

Este costume de voltar-se para o sol nascente, a fonte de luz, é pré-cristão e é herdado do antigo culto solar.

Em nossos serviços, significa sempre um esforço especial para derramar força para fora e para cima — uma atribuição direta de glória a Deus, na qual toda a congregação se une, e um reconhecimento de Cristo como o verdadeiro Grande Oriente, o Sol da Justiça, que surge no Oriente para iluminar, empregar e instruir o mundo.

DOMINUS VOBISCUM

ROMANO                                LIBERAL   V. O Senhor esteja convosco.

P. O Senhor esteja convosco.

R. E com o teu espírito.

C. E com o teu espírito.

O sacerdote provavelmente compreende mais plenamente do que seu povo as gloriosas doutrinas expostas no Credo; tendo-as estudado mais profundamente, elas devem significar muito mais para ele.

Portanto, seu entusiasmo intelectual deveria ser maior que o deles, e é isso que ele tenta compartilhar com eles na Bênção Menor que se segue imediatamente.

Em sua resposta, eles derramam através dele toda a força que foi despertada dentro deles, e com isso o Anjo da Eucaristia completa sua estrutura no que diz respeito aos três planos inferiores.

A Santa Eucaristia

OFERTÓRIO

ROMANO                                      LIBERAL       O Ofertório varia.

O que se segue é para o Domingo da Trindade.

Bendito seja Deus, o Pai, e o Filho unigênito de Deus, e também o Espírito Santo; porque ele nos mostrou sua misericórdia.               Desde o nascer do sol até o seu ocaso, o Nome do Senhor será engrandecido; e em todo lugar incenso será oferecido ao Seu Nome, e uma oferta pura.

Haverá de ser ouvido neste lugar a voz de alegria e a voz de regozijo, a voz daqueles que trarão o sacrifício de louvor à casa do Senhor.

Chegamos agora ao Ofertório, cujo objetivo é dar ao povo uma oportunidade de expressão prática no plano físico dos sentimentos que foram despertados pela parte anterior do serviço, para que a alegria de dar, de fazer uma oferta, seja acrescentada a tudo o que veio antes.

A única oferta agora feita é dinheiro, mas nos tempos antigos cada pessoa trazia o que podia poupar de sua despensa doméstica, sendo a comida posteriormente usada para o sustento do clero e distribuída entre os pobres.

Um pouco mais tarde, trigo, vinho e óleo eram os dons costumeiros; mais tarde ainda, apenas pão e vinho, dos quais se retirava o que era necessário para a Eucaristia, sendo o restante ainda dado aos pobres.

Mas tudo o que era trazido pela congregação era sempre primeiro solenemente oferecido   J   130                 A Ciência dos Sacramentos

a Deus pelo sacerdote; e as palavras dessa dedicação ainda permanecem em nosso serviço, como se verá imediatamente, embora agora os elementos que hão de ser empregados no Sacramento também tenham de servir como oferendas simbólicas.

OBLAÇÃO DOS ELEMENTOS — ROMANO — LIBERAL — O Sacerdote oferece a hóstia.

O Sacerdote oferece a hóstia.

Recebei, ó santo Pai, Deus onipotente e eterno, esta hóstia imaculada, que eu, vosso indigno servo, vos ofereço, a vós, meu Deus vivo e verdadeiro, pelos meus inúmeros pecados, transgressões e negligências, e por todos os aqui presentes; como também por todos os fiéis cristãos, vivos ou mortos; para que me aproveite a mim e a eles para a saúde e a vida eterna.

Amém.

Fazendo o sinal da cruz com a patena, o Sacerdote põe a hóstia sobre o corporal.

Ele abençoa a água a ser misturada no cálice, dizendo:

Ó Deus, que de modo admirável criastes e ennobrecestes a natureza humana, e de modo ainda mais admirável a renovastes; concedei que, pela união mística desta água e deste vinho, nos tornemos participantes da divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, vosso

Adoramos-vos, ó Deus, onipotente, que sois a fonte de toda vida e bondade, e com coração sincero e agradecido vos oferecemos, de vossos próprios dons vivificantes, os dons concedidos a nós, vós que sois o doador de tudo.

Amém.

Fazendo o sinal da cruz com a patena, o Sacerdote põe a hóstia sobre o corporal.

Ele derrama vinho e um pouco de água no cálice, dizendo:

Segundo o costume imemorial, ó Senhor, agora misturamos água com este vinho, rogando-vos que possamos permanecer sempre em Cristo e Ele em nós.

A Santa Eucaristia

... sim, assim como ele se dignou a compartilhar conosco a nossa natureza humana; que vive e reina contigo na unidade do Espírito Santo, um só Deus, pelos séculos dos séculos.

Amém.

Ele oferece o cálice.

Ele oferece o cálice.

Oferecemos-te, ó Senhor, o cálice da salvação, suplicando a tua misericórdia para que ele suba como suave odor diante da tua divina majestade, para a nossa própria salvação e pela de todo o mundo.

Amém.

Fazendo o sinal da cruz com o cálice, o Sacerdote o coloca sobre o corporal.

Com espírito humilde e coração contrito, sejamos por ti recebidos, ó Senhor; e que o nosso sacrifício seja de tal modo oferecido diante de ti, que seja agradável a ti, ó Senhor Deus.

Vem, tu que santificas, Deus onipotente e eterno; e abençoa este sacrifício que é preparado para a glória do teu santo nome.

O pão e o vinho são aqui apresentados meramente como símbolos das ofertas do povo — não como a Hóstia mística e o Cálice do Sacramento, mas como amostras dos dons de Deus ao homem, que são alegre e agradecidamente dedicados pelo sinal da cruz ao Seu serviço.

Isto é afirmado ainda mais claramente na forma mais curta pela inserção das palavras "este símbolo". A patena é posta de lado, colocando-a sob o corporal, porque aquilo de que ela é símbolo não entra em nossa consideração neste período.

É costume usar hóstias de pão de trigo ázimo para a Eucaristia, pois Cristo, sem dúvida, usou pão pascal ázimo na instituição do rito, porque o pão ázimo em forma de hóstia é mais puro, e por causa da maior conveniência da forma de hóstia para o propósito da administração.

Mas isto, embora seja um costume louvável, não é uma necessidade; foi estabelecido que tal pão de trigo como é ordinariamente comido basta para cumprir as condições do Sacramento, contanto que seja o melhor que se possa obter.

Eu, o pão não é feito de farinha de trigo, ou é misturado com farinha de outra espécie em quantidades tais que não possa ser chamado pão de trigo, não pode ser usado.

Não há dúvida de que na Última Ceia Cristo usou o vinho não fermentado que os homens geralmente bebiam naquele período — o que hoje chamaríamos de suco de uva; e é praticamente certo que era misturado com água, porque esse era o hábito invariável da época.

É claro que é melhor seguir o Seu exemplo; mas se o artigo apropriado não for obtível, o vinho comum bastará, desde que seja feito do suco da uva e não adulterado; substitutos feitos de outras frutas, como vinho de sabugueiro ou de groselha, não são permitidos em circunstância alguma. A mistura de água com o vinho não é necessária para a validade real do Sacramento, mas é necessária para a perfeição do simbolismo, como se verá mais adiante.

Toma-se cuidado para remover quaisquer gotas de água que possam aderir às paredes do cálice, porque se houvesse água não misturada com o vinho, o simbolismo seria impreciso.

A regra que dei acima é aquela que obriga os nossos padres católicos liberais; mas tem havido muita discussão entre os teólogos sobre esses elementos sagrados, e as mais diversas opiniões têm sido sustentadas.

Pão ázimo é usado pela Igreja Romana, mas pão levedado na Igreja Oriental, exceto entre os maronitas, os armênios, e nas igrejas de Jerusalém e Alexandria.

Alguns escritores anglicanos parecem sustentar que o vinho não fermentado não é matéria válida para o Sacramento; a Igreja Romana sustenta que é válido, mas que usá-lo é uma ofensa grave, mesmo que o próprio Cristo tenha dado o exemplo!

É melhor aderir o mais estritamente possível ao esquema do Sacramento tal como nos foi dado; todas as divergências do plano prescrito causam mais trabalho aos Anjos envolvidos na obra, e assim diminuem a quantidade de força que pode ser irradiada.

Uma certa efusão ocorre; se os nossos arranjos são perfeitos, quase toda ela pode ser distribuída entre os propósitos pelos quais a Eucaristia é oferecida.

Mas se fazemos a nossa parte de modo desajeitado, boa parte dessa força é desperdiçada em reparar os nossos erros, e assim menos bem é realizado.

A Ciência dos Sacramentos

A “UNÇÃO”

Neste ponto do ritual antigo, uma mudança ocorria.

O milho e o vinho que haviam sido oferecidos a Deus pelo povo foram postos de lado, e o

DIAGRAMA 6.—Incensando as Oblações.

Três cruzes são primeiramente traçadas no ar sobre as oblações pelo sacerdote com o turíbulo, como indicado pelas setas retas.

O pão é representado pelo círculo, o vinho pelo quadrado, que figura o véu cobrindo o cálice.

O sacerdote então traça três círculos ao redor das oblações na direção indicada pelas setas curvas,                 A Santa Eucaristia

os elementos a serem usados na Eucaristia foram trazidos ao altar.

Como fazemos o pão e o vinho servirem a ambos os propósitos, marcamos a mudança no simbolismo por uma solene incensação, que os separa de todo uso comum, e forma ao redor deles mais um daqueles úteis invólucros ou vórtices que tão frequentemente empregamos nas cerimônias religiosas.

Três vezes o celebrante faz o sinal da cruz sobre eles com o turíbulo (Diagrama 6), abençoando-os e vinculando-os a si mesmo enquanto diz silenciosamente: "Eu vinculo estas oblações a mim, espírito, alma e corpos." Na oferta anterior, os elementos tipificavam nossas posses, mostrando que tudo o que temos mantemos à disposição de Deus; agora eles devem ser mais intimamente vinculados a nós, pois devem simbolizar tudo o que somos, e isto também colocamos a Seus pés.

Então o celebrante traça três anéis ao redor das substâncias sagradas (Diagrama 6), isolando-as de todas as influências externas, para que sejam carregadas apenas com o magnetismo que estamos prestes a oferecer.

Ao inscrever os círculos, ele diz silenciosamente: "e eu os protejo em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." Do ponto de vista interno, achamos mais adequado fazer esses três círculos da esquerda para a direita, em vez de traçar dois deles para trás, como é feito no rito romano; este último método causa perturbação desnecessária e estabelece no éter algo semelhante a um mar agitado, em vez do vórtice estável que é necessário.

Feito isso, o celebrante repete a incensação do altar como antes, mantendo o mesmo pensamento de então, mas com uma aplicação ainda mais ampla, pois agora não apenas o celebrante, mas toda a congregação deve ser                                                                                 'é                                                                                  ss.

A Ciência dos Sacramentos

atraída para uma comunhão próxima e mística.

O campo magnético que anteriormente se formava ao redor do altar deve agora ser estendido para incluir toda a igreja, enquanto uma nova câmara interior do tesouro se forma ao redor dos elementos sagrados.

É importante que o celebrante concentre sua atenção exclusivamente no que está fazendo e nos pensamentos apropriados a cada movimento, por isso é melhor que ele não tenha que recitar uma oração enquanto balança o incensário, como é indicado no rito romano, mas que a diga assim que tenha concluído os movimentos.

Permanecendo por um momento no centro do altar, e segurando o incensário fumegante erguido em direção à cruz, à altura do peito, ele ora:

ROMANO                                     LIBERAL
Ele diz na Missa Solene, ao         Ele incensa as oferendas
incensar as oferendas:              e o altar, e então diz:
Que este incenso que                 Assim como este incenso
abençoaste suba diante de Ti,        sobe diante de Ti, ó Senhor,
ó Senhor, e que a Tua                que a nossa oração se
misericórdia desça sobre nós.        apresente diante de Tua
                                     presença.
Ele incensa o altar, dizendo:
                                     Que Teus santos Anjos
Que minha oração, ó Senhor,          envolvam Teu povo e
se apresente como incenso            exalem sobre eles o
diante de Ti; e a elevação           espírito de Tua bênção.
de minhas mãos, como o
sacrifício da tarde.

Põe uma guarda, ó Senhor,
diante de minha boca, e uma
porta ao redor de meus
lábios; para que meu
coração não se incline a
palavras más, a buscar
desculpas no pecado.

A Santa Eucaristia

Esta oração refere-se naturalmente aos Anjos do Incenso, que foram descritos anteriormente, e é uma visão belíssima vê-los precipitar-se pela igreja derramando sua influência sobre a congregação, carregando consigo a essência do perfume e enviando-a em grandes ondas enquanto passam.

O objetivo principal de seu esforço é expresso nas palavras usadas pelo sacerdote ao devolver o turíbulo:

**ROMANO**                        **LIBERAL**
Ele devolve o turíbulo,          Ele devolve o turíbulo,
dizendo:                          dizendo:
Que o Senhor acenda               Que o Senhor acenda
em nós o fogo de seu              em nós o fogo de Seu
amor, e a chama da                amor, e a chama da
caridade eterna.                  caridade eterna.

Amém.

Em seguida, os clérigos, o coro e o povo são incensados na ordem de dignidade.

Há um tríplice objetivo nisso: primeiro, mostrar respeito a eles, como é evidenciado pela variação no número de balanços dados; segundo, incluí-los a todos dentro do campo magnético; terceiro, evocar qualquer poder latente de amor e devoção que exista em cada um, para que possa ter sua plena participação na grande obra que está prestes a ser realizada.

O ato de incensar estabelece uma condição de rapport, de vibração síncrona, que pode ser utilizada para acelerar o fluxo de força, seja para fora ou para dentro.

Por exemplo, se um bispo estiver presente no serviço, ele é incensado imediatamente após o celebrante, mas com nove balanços em vez de seis.

Isso não é apenas um reconhecimento de seu ofício, e uma inclusão dele dentro do campo magnetizado; é também uma oportunidade para ele derramar nesse campo a energia espiritual da qual ele é uma bateria viva.

Um bispo vive em condição de radiação perpétua de força, e qualquer pessoa sensível que se aproxime dele perceberá isso imediatamente.

Isso acontece sempre sem qualquer volição especial de sua parte, mas sempre que ele escolhe, pode reunir essa força e projetá-la sobre qualquer objeto desejado.

Quando caminha em procissão, ele a comunica dessa maneira à congregação; e quando o incenso lhe é oferecido, através de sua influência ele imediatamente inunda o campo magnético com o poder que lhe foi confiado.

Cada sacerdote que é incensado deve, da mesma forma, dar tanto quanto receber; ele também tem seu vínculo com o Senhor, embora difira do do bispo, como será explicado quando tratarmos do Sacramento da Ordem; portanto, ele também tem sua cota de bênção a acrescentar ao tesouro comum.

O turiferário (ou o diácono ou subdiácono quando ele balança o incensório) deve pensar principalmente no poder do incenso para purificar e para remover obstruções em vários planos; mas ele também deve tentar enviar com cada balanço uma onda de amor.

O povo, por exemplo, é incensado com três balanços longos, o primeiro pelo centro, o segundo à esquerda e o terceiro à direita.

Enquanto faz isso, o turiferário deve pensar fortemente: "Eu vos amo a todos; incluo-vos dentro do nosso círculo sagrado; purificai vossos pensamentos e elevai-os às coisas santas." Lembrai-vos, pensamentos são coisas; o pensamento é um poder vivo e tremendo; como pensais, assim será.                        A Sagrada Eucaristia

LAVABO             ROMANO                              LIBERAL    Lavarei     minhas    mãos        Lavarei minhas mãos entre os inocentes;      e     entre os inocentes, ó Senhor: e assim cercarei         o vosso altar,        irei ao vosso altar.

Ó Senhor.

Para que eu possa mostrar          Para que eu possa ouvir a voz de ações de graças, e         voz de louvor, e contar todas        contar todas as vossas maravilhas.

as vossas maravilhas.

Ó Senhor, eu amei a               Senhor, eu amei a beleza da vossa casa, e             habitação da vossa casa: o lugar onde a vossa glória            e o lugar onde a vossa habita.

honra habita.

Não retireis a minha alma com os ímpios, nem a minha vida com homens sanguinários.

Em    cujas    mãos.

há iniquidades:     a    sua       destra está cheia de dádivas.

Mas eu tenho      caminhado          Mas eu tenho caminhado em       minha    inocência:   resgatai-me,   retidão:  em    as         e tende misericórdia de mim.    igrejas    eu vos bendirei,          O meu pé está firme no            O meu pé está firme no caminho reto:  em    as         caminho reto:  nas           congregações    eu vos           congregações bendirei o Senhor.

louvarei.

Ó Senhor.

Glória seja ao Pai,               Glória    seja    ao   Pai, e ao Filho, e      ao          e ao Filho: e ao Espírito Santo.

Espírito Santo.

Como era no princípio,           Como era no princípio, agora e sempre será,           agora,    e   sempre mundo sem fim. Amém.                será:   mundo    sem

fim.                    Amém.

Recebei, ó Santíssima Trindade, esta    oferta que vos fazemos     em memória     da    paixão,    res- surreição e ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo,                A oração correspondente e em honra da bem-aventurada             segue-se ao Orate Fratres.

Glória a Deus,

A Ciência dos Sacramentos. Ó Maria, sempre virgem, ó bem-aventurado João Batista, ó santos apóstolos Pedro e Paulo, ó estes, e a todos os santos: que isto aproveite para sua honra e nossa salvação; e que aqueles cuja memória guardamos na terra se dignem a interceder por nós no céu.

Por esse mesmo Cristo, nosso Senhor.

Amém.

O propósito do Lavabo é limpar as mãos de quaisquer pequenas partículas de poeira que possam ter aderido a elas após tocar a bolsa, o véu e o incensário.

Naturalmente, associa-se também a isso a ideia de uma purificação final e completa do pensamento e do sentimento antes de entrar no Cânon, a parte mais sagrada do serviço.

A palavra Lavabo é apenas o latim para as três primeiras palavras do salmo que o acompanha, mas como esses versículos não têm efeito especial sobre o serviço, são omitidos em nossa forma abreviada, que é, no entanto, mais plena e mais explicativa na frase seguinte do que sua predecessora.

ORATE FRATRES — ROMANO — LIBERAL
V. Irmãos, orai para que o meu sacrifício e o vosso sejam aceitáveis a Deus Pai todo-poderoso.
P. Irmãos, orai para que o meu sacrifício e o vosso sejam aceitáveis a Deus Pai todo-poderoso.
R. Que o Senhor receba o sacrifício de vossas mãos, para louvor e glória do Seu nome, para nosso benefício e o de toda a Sua santa Igreja.
C. Que o Senhor receba o sacrifício de vossas mãos, e santifique nossas vidas em Seu serviço.

A Sagrada Eucaristia

Na forma mais curta do serviço eucarístico, as seguintes palavras foram inseridas como parte do Orate Fratres: "Irmãos, construímos um Templo para a distribuição do poder de Cristo; preparemos agora um canal para sua recepção; e, para esse fim, orai para que o meu sacrifício, etc."

As pessoas, tendo sido atraídas pela incensação para o círculo sagrado, o sacerdote agora as convoca a se unirem a ele no sacrifício que está prestes a oferecer, e pela sua resposta cordial elas colocam em suas mãos, à sua disposição, todo o entusiasmo e as boas resoluções evocados durante a incensação do altar, que ele imediatamente procede a oferecer na seguinte oração:

          ROMANO                                            LIBERAL                                    
          Nós Te apresentamos, ó                                        
          Senhor, estas Tuas criaturas                                        
          de pão e vinho, em                                        
          sinal do nosso sacrifício de                                        
          louvor e ação de graças;                                        
          pois aqui Te oferecemos e                                        
          apresentamos a nós mesmos,                                        
          nossas almas e corpos, para                                        
          ser um santo e contínuo sac-    A oração correspondente        
          rifício a Ti, para que nós,    precede o Orate            
          que somos verdadeiros membros Fratres.                    
          incorporados no corpo                                        
          místico de Teu Filho, que é                                        
          a bendita companhia de todo                                        
          o povo fiel, possamos ouvir                                        
          aquela Sua voz alegríssima:                                        
          "Vinde a Mim, ó vós que                                        
          sois benditos de Meu                                        
          Pai, e possuí o                                        
          reino que vos está preparado                                        
          desde o princípio                                        
          do mundo", através de 142            A Ciência dos Sacramentos

          do mesmo Jesus Cristo, nosso                                        
          Senhor, que vive e                                        
          reina Contigo na                                        
          unidade do Espírito Santo,                                        
          sempre um só Deus por                                        
          todos os séculos dos séculos.                                        
                                        
R. Amém.

Segredos,   Os Segredos variam.

O que se segue é do Domingo da Trindade.

Recebe favoravelmente, ó Senhor, nós te suplicamos, estas vítimas que consagramos a ti; concede que nos aproveitem ou ajudem para sempre.

Por nosso Senhor.

O objeto especial desta oração é, como de costume, declarado mais claramente em nossa forma abreviada da Eucaristia, onde aparece assim: Colocamos diante de Ti, ó Senhor, estas Tuas criaturas de pão e vinho, ligando-as espiritualmente a nós mesmos, e rogando-Te que recebas através delas nosso sacrifício de louvor e ação de graças; pois aqui oferecemos e apresentamos a Ti nós mesmos, nossas almas e corpos, para serem um santo e contínuo sacrifício a Ti.

Que nossa força seja gasta em Teu serviço, e nosso amor derramado sobre Teu povo, Tu que vives para todo o sempre.

BR. Amém.

O sacerdote ofereceu-se inteiramente no momento da incensação, mas agora está prestes a fazer a mesma solene oblação em nome de seu povo.

Para este fim, ele os liga misticamente ao pão e ao vinho por um forte esforço de sua vontade, enquanto faz o sinal da cruz, e derrama nesses elementos toda a tremenda força que reuniu de sua congregação, para que estes possam ser não apenas símbolos da oblação de "nós mesmos, nossas almas e corpos", mas realmente os canais místicos desse sacrifício.

Ao fazer isso, ele testifica que todos os seus esforços são inspirados pelo único desejo de realizar aquela obra para a qual Deus os enviou ao mundo.

Devemos aqui nos precaver contra um mal-entendido comum e muito infeliz.

Quando cristãos ignorantes inventaram a grosseira e filosoficamente impossível teoria do céu e do inferno, tomaram a bela frase de Cristo "o reino dos céus" como equivalente ao seu paraíso grosseiramente material, e supuseram que quando Ele falava da dificuldade de alcançá-lo, queria dizer que a maioria das pessoas seria lançada em seu flagrantemente ridículo inferno.

"O reino dos céus" é um sinônimo da Grande Fraternidade Branca, a Comunhão dos Santos; e assim, quando dizemos que nos oferecemos para que possamos ganhar o reino, não estamos fazendo nenhum esforço egoísta em busca da "salvação" pessoal, mas estamos prometendo dedicar nossas vidas ao objetivo para o qual fomos enviados aqui — a obtenção do adeptado ou santidade, o destino preparado desde o princípio para aqueles que forem fortes o suficiente para alcançá-lo. Uma explicação mais completa disso será encontrada em um volume posterior, juntamente com uma nota sobre o verdadeiro significado das palavras "por Jesus Cristo, nosso Senhor", tão constantemente usadas por milhares que não têm concepção de sua verdadeira significação.

O corpo místico é, naturalmente, a Igreja.

O CÂNONE O Cânone é assim chamado porque é a parte mais sagrada e invariável do serviço, estabelecida estritamente de acordo com uma regra que deve ser cuidadosamente seguida.

Fizemos nossa parte; construímos nosso edifício, colocamo-nos absolutamente à disposição de Deus; agora aguardamos com fé sincera a resposta do alto, a resposta ao nosso esforço, que fará o que nós mesmos não podemos fazer. Estamos prestes a elevar o chamado tradicional às hostes angélicas, ao qual, por dois mil anos, elas se acostumaram a responder; e, para fazer isso reverente e dignamente, devemos nos colocar na atitude mental adequada.

DOMINUS VOBISCUM

ROMANO                                    LIBERAL
V. O Senhor esteja convosco.              P. O Senhor esteja convosco.
R. E com o teu espírito.                  R. E com o teu espírito.
C. E com o teu espírito.

Para nos ajudar nisso, o sacerdote aproveita o vínculo adicional que acaba de ser estabelecido com seu povo, quando eles se uniram a ele em oferecerem-se ao Senhor, e ele tenta fortalecê-los e aproximá-los ainda mais para a perfeita realização desta bela invocação.

A partir deste ponto, até depois da Consagração, nada é permitido interferir na ação sacrificial do sacerdote; a maravilhosa e bela magia da Eucaristia segue seu curso através de todas as suas etapas, e é somente após a efusão daquela estupenda influência sobre toda a região circunvizinha, e pouco antes de sua própria comunhão pessoal, que o sacerdote, na Saudação da Paz, mais uma vez atrai seu povo a si por meio desta Bênção Menor.

A Santa Eucaristia

SURSUM CORDA — ROMANO — LIBERAL
V. Elevai os vossos corações.
P. Elevai os vossos corações.
R. Já os elevamos ao Senhor.
C. Nós os elevamos ao Senhor.
V. Demos graças ao Senhor nosso Deus.
P. Demos graças ao Senhor nosso Deus.
R. É digno e justo.
C. É digno e justo fazê-lo.

O nome Sursum Corda aplicado a estes versículos e suas respostas é, como de costume, a forma latina do primeiro deles: "Elevai os vossos corações". Originalmente concebido como uma preparação para a grande invocação, tornou-se agora, através do longo uso, praticamente parte da própria invocação.

A admoestação para elevar nossos corações é claramente um chamado para reunirmos todas as nossas energias no elevado nível de devoção e entusiasmo ao qual acabamos de ser elevados, e direcioná-las ao longo da linha indicada no segundo versículo — a de intensa gratidão a Deus, expressa na mais elevada forma de adoração da qual somos capazes.

É com nossos corações repletos desses sentimentos que devemos seguir, com forte intenção, as palavras que agora serão entoadas pelo sacerdote.

Há um significado adicional e belíssimo naquele segundo versículo do qual não devemos perder de vista.

"Demos graças" é em grego *eucharistésomen*, "ofereçamos a Eucaristia"; assim, aqui no início do Cânon, com estas palavras o sacerdote convoca seu povo a unir-se a ele naquele que é o maior de todos os atos de adoração, e é com relação a isso que eles concordam com ele ao responderem que é digno e justo fazê-lo.

Para esses versículos e suas respostas há uma melodia tradicional, que vem sendo usada desde que a Igreja foi fundada, e pode muito bem ter sido prescrita ou por nosso próprio Senhor em sua fundação, ou pouco depois por alguém daqueles que compreendiam o efeito do som sobre o mundo interior.

Como foi dito, certas ideias centrais do ritual foram dadas apenas no início, e em torno dessas ideias imutáveis os celebrantes agrupavam orações extemporâneas; mas para esses pontos definidos houve desde o princípio fórmulas invariáveis, cujo significado exato ainda se preserva, embora tenham sido traduzidas de uma língua para outra.

Esta é uma dessas fórmulas primárias, e o mesmo tom ou melodia tem sido usado para ela desde aqueles primeiros dias, exceto por certas modificações muito leves que marcam o uso de diferentes localidades; e é tão eficaz quando unida a palavras inglesas quanto costumava ser quando suas frases correspondentes eram cantadas em latim ou grego.

O Anjo da Eucaristia apreende ao mesmo tempo a adorável forma musical e a força mental emitida pelo celebrante, e as envia varrendo a igreja com um gesto esplêndido de supremo comando, e quando a resposta do povo volta girando como uma grande rajada de fogo vivo, ele a eleva tudo para cima em uma chama poderosa e ascendente, que enche a cúpula do edifício eucarístico e flui para cima através do lanternim para o espaço.

O segundo versículo e sua resposta enviam um segundo impulso de natureza semelhante, e a cruz rósea flutuante brilha com luz ofuscante para aqueles cujos olhos podem ver.

E através do canal assim formado, o celebrante envia para cima as palavras designadas desde outrora, A Santa Eucaristia

O PREFÁCIO ROMANO LIBERAL O Prefácio é variável.

O Prefácio não muda, exceto que no Natal, na Páscoa, na Ascensão, no Pentecostes e nos domingos ao longo do ano que têm um Prefácio próprio, um Prefácio próprio é inserido entre os dois parágrafos do que se segue:

É muito conveniente, justo e nosso dever obrigatório que em todos os tempos e em todos os lugares te agradeçamos, ó Senhor, santo Pai, Deus todo-poderoso e eterno.

É verdadeiramente conveniente e justo, reto e salutar que em todos os tempos e em todos os lugares te agradeçamos, ó santo Senhor, Pai onipotente, Deus eterno.

Deus todo-poderoso e eterno: Portanto, com os Anjos e Arcanjos, com os Tronos, Dominações, Princípios, Virtudes, Potestades, com os Querubins e Serafins, e com toda a companhia do céu, nós louvamos e engrandecemos o Teu glorioso Nome, sempre Te louvando e dizendo:

Que, confessando a verdadeira e eterna Divindade, adoremos a distinção de pessoas, a unidade de ser e a igualdade de majestade; a qual anjos e arcanjos, os querubins também e os serafins louvam; dia após dia não cessam de clamar, dizendo, como que a uma só voz:

148 A Ciência dos Sacramentos

Primeiro, o sacerdote enfaticamente retoma e endossa a resposta da congregação, reiterando que é dever nosso, em todos os tempos e lugares, oferecer este santo sacrifício de louvor e ação de graças; e portanto ele procede a convocar as hostes angélicas para auxiliá-lo nisso, exercendo assim um dos poderes que lhe foram conferidos pelo vínculo com as esferas superiores, estabelecido em sua Ordenação.

Em certas grandes festividades, insere-se o que se chama de Prefácio Próprio, recitando a razão da festividade.

Esta forma de palavras também faz parte da invocação, pois ela convoca o Anjo encarregado da força especial derramada naquela ocasião particular.

Nesta parte do serviço, seguimos exatamente o ritual da Igreja Anglicana (que é substancialmente o da Romana), exceto que acrescentamos os nomes de algumas Ordens de Anjos que são omitidos por eles.

Este não é o lugar para uma dissertação detalhada sobre as hostes celestiais, mas algumas palavras de explicação geral são desejáveis.

Os Anjos formam um dos reinos da natureza, situando-se acima da humanidade da mesma forma que o homem se situa acima dos animais.

Há pelo menos tantos tipos de Anjos quantas são as raças de homens, e em cada tipo há muitos graus de poder, de intelecto e de desenvolvimento geral, de modo que, ao todo, encontramos centenas de variedades.

A ideia tão frequentemente sustentada pelos ignorantes de que essas poderosas hostes de gloriosos espíritos existem principalmente para dançar em atenção aos homens é meramente o fruto da espantosa vaidade da raça humana, assim como foi a teoria geocêntrica, ou a ainda mais incompreensível ilusão de que o próprio Deus desceu e sofreu a morte física para salvar das horrores imaginários os habitantes deste particular ponto de lama.

Os Anjos existem, como os homens, para glorificar a Deus e para gozá-Lo para sempre; e o método designado de tal glorificação é, primeiro, pelo autodesdobramento (que os homens chamam de evolução) e, em segundo lugar, pelo serviço.

Este serviço é de muitos tipos, e apenas alguns deles colocam os Anjos em contato com os seres humanos — principalmente em conexão com cerimônias religiosas.

Os Anjos foram divididos em nove Ordens; os nomes usados para eles nas escrituras são dados na Liturgia.

Destas, sete correspondem aos grandes Raios dos quais o sistema solar é composto, e duas podem ser chamadas de cósmicas, pois são comuns a alguns outros sistemas.

Um departamento definido de trabalho é atribuído a cada Ordem, e representantes de cada uma são invocados em toda Eucaristia, para assumirem a responsabilidade por qualquer coisa que caia dentro dos limites de seu departamento. A Santa Eucaristia

O método da evolução angélica sendo, como eu disse, em grande parte pelo serviço, uma cerimônia como a Eucaristia oferece-lhes uma oportunidade notavelmente boa, e eles não perdem tempo em aproveitá-la. Como o Cristo é o Chefe de todas as religiões, vastas hostes deles estão sempre ao Seu redor, aguardando para avançar ansiosamente ao longo da linha do Seu pensamento, e assim se chega a dizer que Ele envia Seus Anjos para realizar certos atos (como na Asperges, por exemplo), embora o único caso em que isso seja literalmente verdadeiro seja o do Anjo da Presença, de quem teremos de falar mais adiante.

Assim como, entre a comitiva que rodeia o Senhor, há sempre um Anjo pronto a assumir a direção do serviço eucarístico quando o apelo da Asperges é emitido, também há representantes dessas nove Ordens sempre prontos a responder ao chamado do Prefácio.

Nos mundos superiores, pronunciar o nome de qualquer pessoa é atrair imediatamente a sua atenção; e o mesmo se aplica a uma classe, como uma ordem de Anjos.

Numa Celebração Baixa, é o Anjo Diretor que primeiro responde, e ele parece reunir os demais; mas numa Celebração Alta ou Missa Cantata, porque a melodia usada para os versículos tem sido sempre a mesma através dos séculos, todos a notam imediatamente quando ela ressoa, e aqueles que vêm em seguida na ordem estão preparados para mergulhar instantaneamente enquanto o sacerdote entoa os nomes dos tipos.

É deveras uma visão maravilhosa e gloriosa para o clarividente ver esses visitantes celestiais precipitarem-se para as suas posições designadas em resposta às tradicionais palavras de poder.

Enquanto o Anjo da Eucaristia permanece geralmente ao lado do celebrante, ou flutua logo acima da sua cabeça, os ilustres embaixadores das nove Ordens sempre se posicionam atrás do altar, de frente para o celebrante.

Atrás deles, por sua vez, permanecem números de Anjos inferiores, que vêm banhar-se no magnetismo ao mesmo tempo tão estimulante e tão enobrecedor; e há frequentemente também uma grande congregação astral de seres humanos, cujos membros geralmente tomam seus lugares em frente às extremidades do altar, embora frequentemente também preencham a parte superior da nave, pairando sobre aqueles que ainda estão no corpo.

Os católicos que durante suas vidas físicas se deleitaram nos serviços da Igreja naturalmente continuam a frequentá-los.

após a morte de seus corpos; e aqueles que vivem no outro lado do mundo, que estão fora de seus corpos durante o sono, às vezes fazem exatamente a mesma coisa.

A devoção e a seriedade de sua congregação no plano físico podem tornar uma certa igreja popular entre os Anjos e os mortos, de modo que os adoradores que a maioria das pessoas não pode ver são frequentemente muito mais numerosos do que aqueles perceptíveis a todos.

Assim que chega, o Anjo do Primeiro Raio assume a direção do trabalho como um todo, determinando a quantidade de cada força que pode ser usada com maior vantagem, movendo-se os outros Anjos a seu comando, e agrupando-se de modo a melhor receber e utilizar o fluxo.

Este diretor geralmente carrega uma vara, o símbolo de seu ofício, que varia em cor conforme a força que está sendo enviada através dela. A cor do dia é geralmente predominante, mas não invariavelmente.

Em uma festividade do Espírito Santo, por exemplo, tanto a vara quanto o fogo que dela flui seriam de um vermelho brilhante, a cor consagrada à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, embora o representante da Primeira Pessoa ainda liderasse a cerimônia.

SANCTUS          ROMANO                            LIBERAL
Santo, santo, santo, Senhor         Santo, santo, santo, Senhor Deus dos exércitos.
O céu e a terra estão cheios da tua      e a terra estão cheios da Tua glória.
glória; Glória a Ti, ó Altíssimo.
Hosana nas alturas.                  Senhor Deus do universo.

Agora que reunimos esta ilustre e augusta companhia dos santos Anjos, nosso primeiro ato é unir-nos a eles na atribuição de glória 152        A Ciência dos Sacramentos

e adoração a Deus.

Esta magnífica explosão de louvor, chamada Trisagion ou Tersanctus (ambas as palavras significando "Três Vezes Santo") é de extrema antiguidade.

Não apenas tem sido usada neste mesmo lugar na liturgia desde sua fundação, mas mesmo antes disso era empregada no serviço judaico.

Uma forma primitiva dela é encontrada nos escritos do profeta Isaías (vi, 3). A palavra hebraica Sabaoth, significando exércitos ou hostes, é frequentemente deixada sem tradução nesta passagem.

Embora a Igreja agora a interprete muito apropriadamente como referindo-se aos Anjos, há pouca dúvida de que os judeus originalmente a tomavam como significando a hoste das estrelas.

Seja como for, este breve cântico ocupa uma posição e produz um efeito em nossa Liturgia cuja importância dificilmente pode ser exagerada.

Nossos esforços anteriores de louvor e adoração têm fornecido muito material devocional, que o Anjo da Eucaristia tem utilizado em suas operações de construção; mas neste nobre ato tradicional de homenagem, os Anjos representativos e seus satélites se juntam a nós, e seu poder de devoção é tão enormemente maior que o nosso que sua contribuição muda inteiramente o caráter do edifício.

Sua ação vivifica uma imensa quantidade de matéria astral e mental, e o Anjo do Primeiro Raio, que agora assumiu a direção da construção, direciona a maior parte da força para cima.

A parte inferior do edifício é frequentemente aumentada em tamanho, embora não haja alteração na forma; mas a cúpula se expande tão prodigiosamente, tanto em altura quanto em diâmetro, que a basílica se torna, em proporção a ela, nada mais que um pedestal sustentando sua massa gigantesca.

A ereção agora se assemelha muito a uma dagoba, embora seja oca em vez de sólida; e as pequenas cúpulas nos cantos se erguem em graciosos minaretes, como é mostrado na ilustração (Frontispício). Mas essa modificação de forma não é a única mudança produzida pela cooperação dos Anjos, pois eles introduzem um fator inteiramente novo no edifício.

Conosco, a devoção é uma energia dos níveis astrais superiores, despertando, como que por reflexo ou vibração simpática, alguma leve atividade na parte intuicional de nossa natureza; mas com os grandes Anjos essa relação é invertida, pois a força de sua devoção atua por sua própria natureza nesse nível mais elevado, e qualquer efeito emocional é apenas por via de reflexo.

Assim, eles acrescentam ao nosso edifício uma vasta riqueza de material pertencente a um plano de natureza inteiramente novo e mais exaltado, que permeia e eteriza todo o resto.

Dessa forma, todo o monumento assume um caráter novo e mais elevado, ao mesmo tempo mais magnífico e mais delicado, indescritivelmente belo e capaz de vibrações muito mais refinadas — um veículo adequado para a força celestial.

Os homens às vezes perguntaram: "Se os Anjos podem fazer tudo isso tão rapidamente e tão melhor do que nós, não seria mais sábio deixar todo o trabalho em suas mãos, e não presumir oferecer nosso material inferior?" A resposta a essa sugestão é dupla.

Primeiro, participar de uma construção tão sublime e bela é o maior dos privilégios e, certamente, desenvolve nossa natureza e nos faz avançar rapidamente no curso de nossa evolução; cada vez que realizamos tal obra, adquirimos algo de crescimento espiritual.

Em segundo lugar, a ideia que domina todas as 154      A Ciência dos Sacramentos

tais operações, sem exceção, é a de economizar força, de fazê-la ir o mais longe possível.

Obviamente, cada onça de poder gerado ou de material fornecido pela congregação é um ganho, e conserva a energia à disposição dos Anjos. É uma ajuda para eles, portanto, se formos profundamente agitados por entusiasmo e devoção, de modo que derramemos de nós mesmos vibrações firmes e fortes.

Se não fizermos isso, eles terão de suprir o que falta.

Verdadeiramente, toda força é força divina; mas ela flui para os vários mundos em diferentes níveis e através de muitos canais, e quanto mais pudermos servir como canais para conduzi-la dos níveis superiores aos inferiores, mais dela estará disponível aqui embaixo.

Se sentimos grande devoção e, por causa disso, derramamos vívido entusiasmo, estamos trazendo da latência para a atividade forças que, de outro modo, permaneceriam latentes, e estamos, portanto, fazendo parte do trabalho inferior que é mais difícil para os Anjos, deixando-lhes mais energia para usar nos níveis superiores, onde são tão completamente familiares e tão esplendidamente proficientes.

A Igreja da Inglaterra, lamento dizer, lança quase todo o trabalho sobre os auxiliares angélicos e é, assim, antieconômica na dispensa do glorioso dom do alto.

Ela negligencia, no início do serviço, convocar um Anjo para construir o edifício eucarístico (como de fato faz a Igreja Romana em ocasiões em que o Asperges não é usado), e assim nada disso é feito até o ponto que agora alcançamos.

Ela não menciona em detalhe as nove Ordens dos

a                                                         e                                                         w                 A Santa Eucaristia

Anjos, mas eles vêm a ela ao chamado tradicional, e o Anjo Diretor do Primeiro Raio imediatamente procede a construir o edifício que deveria ter sido preparado para ele.

Ele frequentemente encontra tristemente pouco material, mas faz o melhor com o que há. A Epístola, o Evangelho e o Credo fornecem-lhe consideravelmente mais matéria mental do que ele geralmente obtém deles em um serviço romano, onde são ditos em latim, e assim despertam pouco pensamento na congregação média.

Como na Igreja Inglesa a Santa Comunhão geralmente segue a Oração Matinal, frequentemente há algumas nuvens úteis de devoção restantes daquela; e uma boa quantidade é derramada enquanto as palavras do Triságio são cantadas ou ditas.

Mas o efeito é lamentavelmente estéril em comparação com o produzido pela forma mais antiga e mais científica de serviço.

Em uma igreja que é mais afortunada em sua liturgia, o quadro apresentado à visão clarividente neste estágio é deveras maravilhoso.

Totalmente à parte do monumento admirável que foi erigido, o esplêndido aspecto dos Anjos jamais pode ser esquecido.

Cada figura imponente possui em meio às cintilantes coruscações de sua própria aura algum tom predominante adorável, resplandecendo com uma radiância que nada na terra pode igualar; e o grupo inteiro exibe um magnífico e harmonioso esquema de cores que neste mundo físico não temos meios de reproduzir.

Sendo este um dos pontos especiais do serviço, esforços adicionais são feitos para permitir que a congregação assimile facilmente a força.

Os homens diferem em temperamento e receptividade; alguns são mais 156 A Ciência dos Sacramentos

prontamente afetados de uma maneira e outros de outra, e assim apelamos aos três sentidos do olfato, audição e visão.

Para auxiliar na difusão do requintado magnetismo angélico, incenso é queimado neste ponto do serviço, o sino da consagração é soado, e os acólitos elevam suas velas acesas.

Onde quer que o perfume penetre, onde quer que o som seja ouvido, essas estranhamente doces e benéficas vibrações se estenderão.

Quanto mais prateado o tom do sino, melhor adaptado ele é ao seu propósito; e ele realizará seu trabalho muito mais eficientemente se tiver sido abençoado por um bispo — isto é, se tiver sido magnetizado para este propósito especial.

O uso de um gongo é permitido, desde que seu tom seja doce e musical, embora ele emita um rugido contínuo em vez de um número de impulsos sucessivos, e assim seja um tanto menos adequado.

O Triságio deve ser cantado com a maior solenidade e reverência possíveis, seguindo o adorador as palavras cuidadosamente, e procurando senti-las e significá-las com cada fibra do seu ser, embora ao mesmo tempo mantendo a máxima calma e serenidade.

Na primeira recitação da palavra "Santo", é oferecida homenagem a Deus Pai, e a segunda e a terceira são dirigidas ao Filho e ao Espírito Santo, respectivamente.

Nosso povo deve ter isto em mente e dirigir seus pensamentos de acordo.

BENEDICTUS QUI VENIT

ROMANO LIBERAL HX
Bendito o que vem — Bendito o que vem em
em nome do Senhor. nome do Senhor.
Hosana nas alturas. Hosana nas alturas.

a A Santa Eucaristia 10

Terminado o ato de adoração no Sanctus, o celebrante se ergue, e todos nós nos unimos para acolher os santos Anjos, agradecendo-lhes por virem, e ao Senhor por enviá-los — ou, mais precisamente, por dispor que eles venham.

A palavra "Hosana" é hebraica, e seu significado literal ou original diz-se ser "salva" ou "salva agora", mas em algum período primitivo da história judaica esse significado original se perdeu inteiramente, e tornou-se uma mera exclamação jubilosa de louvor, equivalente a "glória a Deus". Aparece nesse sentido tanto no Antigo quanto no Novo Testamento; foi usada pelos judeus na sua festa dos tabernáculos, a ocasião mais jubilosa do seu ano; e novamente a encontramos empregada da mesma maneira pelas crianças que espalharam ramos diante do Cristo no Domingo de Ramos.

Alguns sustentaram que a exclamação francesa "hoseché" e o nosso "huzza" derivam desta palavra hebraica.

Há aqui um fragmento de ritual muito belo e interessante.

Aqueles que são clarividentes devem observar atentamente sua ação, e todos devem unir-se a ele em pensamento, bem como em palavra, quer possam ver o que acontece ou não.

Quando todos nós nos curvamos às palavras "Santo, santo, santo", todos os Anjos e os mortos também se curvam; e há uma vasta corrente ascendente de devoção subindo como a fumaça do incenso, exceto que não é fumaça, mas luz que sobe, e ela imediatamente invoca uma descida ainda mais vasta em resposta.

Mas quando esse ato de adoração é concluído, o celebrante se ergue e fala através do altar aos Anjos as belas palavras de boas-vindas e gratidão:

"Bendito é aquele que vem em Nome do Senhor." Com isso, numa igreja onde o povo compreende, flui horizontalmente através do altar uma grande corrente de gratidão aos santos Anjos; eles se inclinam levemente para recebê-la e enviam de volta uma corrente de sentimento afetuoso que é, em verdade, uma bênção.

Nas palavras "Hosana nas Alturas", dirigimos nossa corrente de gratidão para cima, rumo ao Senhor, abrindo assim espaço para que a corrente da bênção angélica passe por baixo dela, e atraindo para nós sua santa influência pelo sinal da cruz que fazemos sobre nós mesmos.

É muito belo observar a súbita mudança de direção em nossa corrente de força, e o modo hábil como aquela enviada pelos Anjos instantaneamente se insinua por baixo dela enquanto esta se curva para cima.

Devemos ter o pensamento de gratidão fortemente em nossas mentes ao cantarmos estas palavras.

A Igreja da Inglaterra, infelizmente, omite essa expressão de gratidão aos nossos visitantes angélicos.

A ORAÇÃO DA CONSAGRAÇÃO

ROMANA                                        LIBERAL
Portanto, ó Pai clementís-             Portanto, ó Pai amantís-
simo, nós, teus suplican-               simo, nós, Teus servos,
tes, te rogamos e suplica-              Te pedimos, através de
mos, por Jesus Cristo, teu               Jesus Cristo, Teu Filho,
Filho, nosso Senhor, que                nosso Senhor, que rece-
recebas e abençoes estes                bas, + purifiques e san-
dons e + ofertas, este                   tifiques esta oblação
+ santo e imaculado                     que Te oferecemos.
sacrifício.

Aqui novamente encontraremos nosso serviço abreviado expressando mais claramente o que está realmente ocorrendo.

Sua forma para esta oração é:

A Santa Eucaristia

Ó Senhor, estas nossas oblações têm servido como símbolos e canais de nosso amor e devoção para Contigo; mas agora rompemos o vínculo conosco e com todas as coisas inferiores, e Te rogamos que as purifiques e santifiques como canais terrenos de Teu maravilhoso poder.

O pão e o vinho, primeiramente empregados como símbolos das oferendas do povo, e depois como canais de nosso sacrifício, agora preenchem outro e muito mais elevado papel, e atuam como manifestações externas ou veículos do poder e da vida do próprio Cristo.

Assim, o sacerdote primeiro rompe o vínculo que estabeleceu e, em seguida, desmagnetiza os elementos, purificando-os de qualquer mácula terrena que possa ter-se misturado com nosso amor, nossa devoção e nosso culto, deixando neles toda a parte puramente espiritual de nossa oferenda, para ser depositada mais tarde aos pés de Cristo, nosso glorioso Rei.

Na primeira cruz, o vínculo é rompido; na segunda, ocorre a desmagnetização; e na terceira, os elementos são especialmente abençoados para o tremendo destino que lhes está reservado.

As três cruzes feitas na forma mais longa produzem exatamente o mesmo resultado, embora as palavras proferidas sejam menos apropriadas.

Esse carregamento dos elementos com uma oferenda espiritual é o primeiro passo no processo de preparação do canal para a recepção da grande efusão de força divina que é a característica central e o objetivo do serviço eucarístico.

Mas antes de o sacerdote prosseguir com esse trabalho, ele se volta por alguns momentos para explicar como essa força deve ser distribuída, 160              A Ciência dos Sacramentos

ROMANO                                  LIBERAL                        + —.oe

Nós os oferecemos a Ti          Desejamos oferecer este primeiramente por Tua santa         santo Sacrifício primeiramente igreja católica, que Te         por Tua santa igreja católica; agrade conceder-lhe paz,         que Te agrade conceder-lhe vigiar sobre ela, conduzi-la        paz, vigiar sobre ela, conduzi- à unidade e guiá-la por           la à unidade e guiá-la por todo o mundo; igualmente por         todo o mundo; igualmente por Teu servo N., nosso papa, e       Teus servos N., nosso Rei pelo nosso bispo, e por todos        Jorge, N., nosso Bispo os verdadeiros crentes que           Presidente, N., nosso Bispo, guardam a fé católica e           por todos os nossos Bispos, apostólica.                    clero e fiéis, e por todos os presentes, cuja fé e devoção Te são conhecidas.

Sê mindful, ó Senhor, de teus servos, homens e mulheres, N. e N., e de todos os presentes, cuja fé e devoção Te são conhecidas.

cuja fé e devoção também recordamos são conhecidas por ti.

Pois por todos aqueles que nesta vida transitória te oferecemos, ou que se encontram em tribulação, dor, necessidade, doença, ou qualquer outra adversidade (especialmente...), ou que a ti se entregam; assim também o oferecemos por todas aquelas almas redimidas; ou pela esperança de salvação e inteireza, e agora cumprem seus votos a ti, ó Deus eterno, vivo e verdadeiro.

para que, livres do fardo terreno, possam gozar da felicidade de Tua Presença, louvando-te sempre em palavra e ação.

Ó Deus eterno, vivo e verdadeiro.

Deve-se compreender que a distribuição da magnífica efusão de força espiritual que é invocada por meio da oferta da Eucaristia é, em considerável medida, dirigida pela vontade do celebrante.

Há certas direções estabelecidas no ritual pelas quais ele sempre a envia — à Igreja, ao Rei, aos bispos, ao clero e aos fiéis; mas uma grande proporção dela está sempre disponível para disposição especial.

A quantidade de força invocada durante a cerimônia depende em parte do grau de avanço na evolução alcançado pelo celebrante e pelo povo, em parte da devoção do celebrante, em parte do número e da devoção das pessoas presentes, em parte da música utilizada, e também, certamente, em parte das necessidades do caso — como, por exemplo, a existência nas proximidades de alguém necessitado da ajuda que pode ser dada dessa maneira especial.

Se houvesse alguma grande necessidade próxima à igreja, aproveitar-se-ia a Celebração para suprir tal força que pudesse ajudar.

Isso poderia acontecer, não apenas durante a realização de uma Alta Celebração, mas também no serviço diário privado celebrado pelo sacerdote em seu próprio oratório.

Não sabemos qual é o limite (se houver) da quantidade dessa força divina disponível em uma única ocasião; não sabemos quantos podem ser afetados de uma só vez pela efusão de uma única igreja; mas certamente sabemos que a quantidade de força é enorme.

A proporção dela que pode ser reservada para cada propósito é decidida pelo Anjo Diretor.

Ele ouve atentamente a lista de recipientes recitada pelo celebrante e, à medida que cada um é mencionado, ele indica, apontando com sua vara, o Anjo ou grupo de Anjos que devem atender àquela pessoa ou objeto em particular.

Após a efusão ter ocorrido, ele divide a energia entre aqueles que selecionou, e cada um absorve em si o que lhe é dado, e permanece pronto para levá-la ao seu destino quando a palavra de dispensa for dada.

É muito interessante ver como cada um se adianta e brilha mais intensamente quando sua incumbência lhe é atribuída.

Há muitos tipos de Anjos em cada uma das grandes Ordens; em cada uma há alguns que trabalham, alguns que guardam, alguns que meditam, enquanto outros ainda estão no estágio em que estão principalmente preocupados com seu próprio desenvolvimento.

Aqueles que são encarregados da distribuição da força são frequentemente chamados de anjos apostólicos ou mensageiros — aqueles que foram ensinados a conhecer e responder ao antigo chamado da Pré-Paz.

Alguns já realizaram tal trabalho centenas de vezes e são completamente versados nele; outros são noviços, aprendendo ansiosamente o que deve ser feito e como fazê-lo, mas todos se deleitam na oportunidade de progresso que a Eucaristia lhes dá, e determinados a aproveitá-la ao máximo.

O trabalho pode ser bastante contínuo para aqueles que o desejam, pois a Eucaristia está sempre sendo oferecida em algum lugar do mundo.

Uma igreja nem sempre é assistida pelos mesmos Anjos, pois seu trabalho é muito variado; mas acontece frequentemente que um grupo se afeiçoa a um certo altar.

e venham às Celebrações ali realizadas sempre que seus membros não estiverem de outra forma ocupados.

Seres humanos que deixaram de lado seus corpos físicos, seja na morte ou no sono, e estão trabalhando no mundo astral, também são ocasionalmente empregados pelo Anjo Diretor nesta obra beneficente de distribuição; mas ele só pode utilizar aqueles que desenvolveram as qualificações especiais requeridas.

Um número considerável de católicos "mortos", especialmente entre aqueles que pertencem a ordens religiosas, tem se mostrado disposto a se submeter ao treinamento necessário para habilitá-los a serem úteis nesse aspecto; e esperamos que esse número aumente à medida que a ciência dos Sacramentos vier a ser mais amplamente compreendida pelos fiéis.

Voltando agora aos objetivos para os quais o sacrifício é oferecido, vemos que eles são de duas classes distintas, que podemos chamar de pessoais e impessoais.

Certos nomes são definitivamente mencionados — os de Sua Majestade o Rei e os de nosso Bispo Presidente sempre, e (quando desejado) os de outros indivíduos que estejam na ocasião especialmente necessitados de tal ajuda como pode assim ser dada.

Aqueles que não estão familiarizados com a ação das forças mais sutis da Natureza às vezes perguntam que resultado pode ser alcançado por essa descarga de energia espiritual sobre uma pessoa — que diferença isso realmente fará em sua condição.

Acontece que posso oferecer testemunho pessoal sobre este assunto; não apenas tenho frequentemente observado a distribuição clarividentemente, mas tive eu mesmo a boa fortuna de ser o recipiente de tal derramamento quando doente; e posso testemunhar tanto a elevação espiritual quanto a uma sensação distinta de maior bem-estar físico no momento em que fui assim lembrado no serviço.

Referimo-nos a todos aqueles que estão em dificuldade, tristeza, necessidade, doença, ou qualquer outra adversidade, e às vezes damos o nome de alguma pessoa particular que sabemos estar sofrendo de alguma forma; essa pessoa pode estar do outro lado do mundo; de que maneira então ela pode ser afetada por nosso pensamento sobre ela? No reino do pensamento a distância não conta; mas neste caso não é apenas a vibração do pensamento que a alcança.

O Anjo designado para cuidar do seu caso reunirá a porção do minério espiritual que lhe é destinada, encontrá-lo-á instantaneamente onde quer que esteja, e usará essa força em seu benefício da maneira que julgar ser a melhor para ele.

Ele a derramará no coração e na mente do homem, infundindo-lhe força e coragem; se ele estiver em tristeza, dúvida ou dificuldade, isso o confortará e o estabilizará; se ele estiver deprimido, isso aliviará sua melancolia.

Não apenas para os vivos, mas também para aqueles a quem tão erroneamente chamamos de mortos, é este sacrifício oferecido, e ele os ajuda exatamente da mesma maneira, pois a discriminação infalível do Anjo o aplica para dar-lhes qualquer encorajamento ou assistência de que mais necessitem.

Para que possamos compreender plenamente, devemos ter constantemente em mente a realidade absoluta dessa força — que ela pode ser medida tão verdadeiramente quanto a energia elétrica pode ser medida, embora o método adotado seja um tanto diferente.

Se o homem a ser beneficiado estiver longe de seu corpo físico, seja no sono ou na morte, acontece frequentemente que o pensamento forte do sacerdote a seu respeito o atrai para a igreja, e assim poupa ao Anjo selecionado o trabalho de ir encontrá-lo.

Se, tendo morrido recentemente, ele ainda estiver em estado de inconsciência, o Anjo o encontrará de qualquer maneira e usará a força designada como julgar ser melhor.

Em tal caso, às vezes ele emprega parte dela para despertar o homem de seu estupor; às vezes julga melhor armazenar a energia na aura do recipiente, para que ele possa obter o benefício dela quando retornar à consciência.

Mas podemos ter certeza de que, em qualquer caso e em todos os casos, um resultado definido é obtido; é impossível que a força jamais se extravie ou se perca.

Essa direção da vontade do sacerdote para algum objeto especial é frequentemente chamada de intenção da Eucaristia, e é um ato perfeitamente legítimo de magia invocatória; mas infelizmente um elemento inteiramente ilegítimo e maligno tem sido às vezes importado para a transação pela exigência de uma taxa pelo exercício desse poder espiritual — algo que é sempre inadmissível.

Tudo o que é necessário é que o sacerdote tenha claramente em mente o objeto para o qual deseja que a força seja empregada, e que ele queira fortemente que ela seja assim usada.

Tudo o que está na mente do celebrante está claramente aberto diante do Anjo Diretor; mas quando, como às vezes acontece, a pessoa por quem se pede ajuda é desconhecida do celebrante, o Anjo a quem aquela tarefa específica é atribuída tem de encontrar seu paciente trabalhando de volta ao longo da linha pela qual o pedido chegou ao sacerdote.

O pedido implica um desejo sincero por parte de alguém — seja o próprio paciente ou algum amigo em seu nome; e esse desejo sincero se destaca conspicuamente nos planos superiores, de modo que a tarefa do Anjo geralmente não é de grande dificuldade.

Sua ação sobre os indivíduos não é, portanto, difícil de entender, mas um pouco mais de explicação é necessária para compreender a maneira de sua aplicação a corpos como a Santa Igreja Católica, "todos os que estão em aflição", ou "todos os que são libertados do fardo da carne". Como foi expresso em uma de nossas coletas, Deus de fato constituiu os serviços de Anjos e homens em uma ordem maravilhosa, e na vasta economia da Natureza há ampla provisão para serviço mútuo em escala estendida, embora na atualidade a civilização europeia tire pouco proveito disso, tendo se desenvolvido por outras linhas.

Além dos grandes Anjos apostólicos, e em muitos casos trabalhando sob eles, há exércitos inteiros de Anjos ministrantes que igualmente evoluem pelo serviço, e estão prontos e ansiosos por precisamente tal oportunidade como a Eucaristia lhes dá.

O grande Anjo mensageiro escolhido pelo Diretor para administrar o bloco de força que ele atribui à Santa Igreja Católica, por exemplo, imediatamente o divide entre uma vintena ou uma centena desses subordinados, que no momento apropriado se lançam e buscam em todas as direções por possibilidades de promover a paz, a unidade e a sabedoria na Igreja de Cristo, que são os objetos prescritos da oração segundo a Liturgia.

Da mesma forma, outra companhia parte para assistir aqueles em aflição e tristeza, e esses geralmente não precisam ir longe para encontrar muitos clientes.

Ainda outro grupo empreende o mesmo trabalho entre as vastas hostes dos mortos; e eles muitas vezes não precisam deixar a vizinhança imediata da igreja para realizar sua missão de misericórdia, pois os mortos se reúnem em grande número ao redor dela para participar do grande ato de devoção.

A Santa Eucaristia

Como já foi mencionado antes, esta é uma religião do segundo Raio, e portanto nosso primeiro cuidado na distribuição da força é prover a Santa Igreja Católica, que é o canal designado para nossa porção do trabalho desse Raio.

Mas assim que fizermos isso, mesmo antes de entrarmos em detalhes com relação à nossa própria Igreja, pensamos naquele outro grande raio complementar que guia e governa o mundo, que para nós é simbolizado, corporificado, focalizado, em Sua Majestade o Rei.

O Rei George é o centro e a cabeça do mais grandioso Império que o mundo já conheceu, e a ele nessa capacidade nossa mais profunda lealdade é devida, e é sempre mais alegremente prestada por todo homem verdadeiro.

Contudo, se podemos nos aventurar a dizer isso, para o estudante do lado interno da vida Sua Majestade é ainda mais do que isso; ele é a encarnação viva de uma poderosa ideia, o Preservador do Império, o pivô central único sobre o qual tudo gira, uma estupenda realidade em planos superiores.

Ele é para nós o polo físico ou ponto dessa tremenda realidade, o princípio da Realeza, do qual irradia poder governante e justiça sobre todo o Império.

As místicas palavras "Em nome do Rei" não são mera forma exterior; lembre-se de que um nome é um poder, e que assim como esse grande centro de força tem constantemente que irradiar, assim deve ser constantemente suprido.

Nós ajudamos a supri-lo por nossa leal devoção e sincera afeição e reverência; toda vez que o Hino Nacional é cantado, toda vez que um brinde é feito à saúde do Rei — mais que tudo, toda vez que o Rei é assim lembrado na Eucaristia — uma onda adicional de energia é enviada àquela poderosa ideia-raiz de força exercida 168      A Ciência dos Sacramentos

pela justiça, poder usado para manter a paz — o centro de força do primeiro Raio.

O Anjo Diretor, que representa esse Raio, atrai para si essa parcela da força, embora ela certamente reaja também sobre o Rei George.

Quando nosso Bispo Presidente é mencionado, um Anjo é designado para transmitir o poder a ele, outro ao Ordinário (isto é, ao bispo da diocese), e outro (que emprega muitos assistentes) é encarregado da distribuição a "todos os nossos bispos, clero e fiéis". Uma aspersão é reservada para "todos aqui presentes", embora eles recebam tanta radiação direta que sua necessidade dessa outra força é menos premente.

A Igreja da Inglaterra, nada sabendo sobre a distribuição do poder divino, não oferece nenhuma sugestão a respeito; assim, o assunto é deixado inteiramente nas mãos dos auxiliares angélicos.

Parte da forma católica mais antiga aparece na oração anglicana pela Igreja Militante de Cristo aqui na terra, mas as palavras usadas parecem expressamente evitar oferecer a Eucaristia em favor dos mencionados, e em qualquer caso são proferidas antes da vinda dos Anjos,

                                                                   ee                                                                           l         ROMANO                          LIBERAL                                 Unindo-nos   neste   jubiloso                               Sacrifício    com    a    Tua                               santa Igreja através de todas                               as eras, elevamos nossos corações                               em adoração a Ti, ó Deus                               Filho, consubstancial, co-                               eterno com o Pai,                               Que,      permanecendo imutável                               dentro de Ti mesmo,                               não obstante, no mistério                         A Santa Eucaristia

do Teu infinito amor                                        e do Teu eterno Sacri-                                        fício, exalaste a Tua                                        própria vida divina no Teu                                        universo, e assim                                        Te ofereceste como o Cordeiro                                        imolado desde a fundação                                        do mundo, morrendo                                        em verdade para que nós                                        pudéssemos viver.

Comunicando, e re-              Onipotente, que tudo per- verenciando a memória               meia, por esse mesmo Sacri- da gloriosa Maria, sempre       fício Tu continuamente sus- virgem, mãe de Deus e de       tentas toda a criação, não nosso Senhor Jesus Cristo;      descansando de noite nem de igualmente os teus benditos      dia, operando sempre por apóstolos e mártires, Pedro     essa augustíssima Hierarquia e Paulo, André, Tiago, João,     dos Teus Santos, que vivem Tomé, Tiago, Filipe,           apenas para fazer a Tua von- Bartolomeu, Mateus, Simão     tade como perfeitos canais do e Tadeu; Lino, Cleto,         Teu admirável poder, a quem Clemente, Sisto, Cornélio,      nós sempre oferecemos amor Cipriano, Lourenço,            e reverência sinceros.

Crisógono, João e Paulo,       Tu, ó dulcíssimo e santo Cosme e Damião, e de todos      Senhor, em Tua inefável os teus santos; por amor        sabedoria, dignaste-Te or- aos seus méritos e orações,     denar para nós este Bendito concedei-nos que em todas       Sacramento do Teu amor, as coisas sejamos guardados     para que nele não apenas pela Tua proteção auxiliadora.   comemoremos em símbolo a

Por meio do mesmo Cristo,     Tua eterna Oblação, mas ver- nosso Senhor. Amém.           dadeiramente dela participemos, e perpetuemos assim, dentro das limitações de tempo e espaço que velam aos nossos olhos terrenos o excesso da Tua glória, o duradouro Sacrifício pelo qual o mundo é nutrido e sustentado.

A Ciência dos Sacramentos

A intenção principal dessas belas sentenças é despertar tanto no sacerdote quanto no povo o mais alto entusiasmo possível, para evocar todas as suas potências latentes de mente e coração em preparação para o tremendo ato da Consagração.

Quando estávamos trabalhando na revisão da Liturgia, achamos desejável encurtá-la onde fosse possível, e como esta parte da longa oração de Consagração não tem relação direta com o que chamamos de ação mágica da Eucaristia, sugeri ao nosso Bispo Presidente que talvez pudesse ser omitida.

Mas ele não favoreceu essa ideia, dizendo que, embora nós, que nos treinamos para perceber a ação dessas forças divinas e até certo ponto compreendê-las, possamos imediatamente elevar-nos a uma condição de recebê-las e delas nos beneficiarmos, haverá inevitavelmente em nossa Igreja muitos sacerdotes que ainda não veem nem compreendem, e eles precisarão de certo tempo para se elevar ao nível necessário, e serão grandemente ajudados nisso pelos pensamentos inspiradores postos diante deles nessas sentenças; e penso que ele tinha razão.

Além disso, temos de pensar não apenas em nossos sacerdotes, mas também nos membros da congregação, que são igualmente profundamente afetados por essas palavras comoventes.

Primeiro, somos lembrados de que, ao fazer esta obra santa, estamos dando continuidade à tradição da Igreja através de todas as eras — que sempre foi seu costume oferecer este sacrifício para perpetuar a memória daquele outro Sacrifício primordial da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Referência é feita a vários pontos importantes de doutrina —                 A Santa Eucaristia                 iva

importantes, não porque a crença neles seja essencial para a "salvação", como tem sido frequentemente ensinado pelos ignorantes, mas porque a compreensão deles é necessária àquele que deseja entender o esquema da evolução até onde pode ser apreendido pelo cérebro físico.

Por essa razão, afirma-se que Deus Filho é consubstancial e coeterno com Deus Pai, e que Ele permanece imutavelmente Ele mesmo, ainda que coloque parte de Sua vida divina na matéria para que um universo possa existir. Longas e ridiculamente amargas foram as discussões sobre esses pontos recônditos nos dias da Igreja primitiva; nestes tempos mais tolerantes, a violência dos Padres cristãos ao discutir tais assuntos parece quase inacreditável, e a agravada controvérsia entre Atanásio e Ário pouco honra o intelecto ou o cristianismo de ambos.

No geral, o mundo avançou desde então em liberalidade e caridade, mas ainda há muitos que parecem incapazes de compreender o fato fundamental de que a crença de um homem em qualquer ponto é exclusivamente assunto seu, e que nos concernem apenas suas ações.

Aqui em nossa Liturgia afirmamos o que alguns de nós sabem ser verdade; mas se um homem não é capaz de ver esses atos ou não está disposto a aceitá-los, ninguém além dele mesmo sofre com isso, e sua incapacidade de apreciar a verdade de modo algum nos justifica a reter dele qualquer um dos auxílios que Cristo oferece ao mundo nos Sacramentos.

Não devemos esquecer que nessas referências à descida da Divindade à matéria está sempre incluído também o pensamento do sacrifício feito pelo Instrutor do Mundo ao descer periodicamente à encarnação para ajudar Seu povo; mas este é um assunto que será mais apropriadamente considerado no volume teológico desta série.

É especialmente enfatizado aqui que em ambos os casos o sacrifício é, segundo nossa concepção sequencial do tempo, contínuo.

A obra da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade não se limitou a um único ato de criação; verdadeiramente "sem Ele nada do que foi feito se fez", mas Seu labor não está terminado, pois é Seu poder que ainda sustenta e mantém todos os mundos.

Assim também o sacrifício do Cristo não terminou quando Ele deixou esta terra; devemos pensar Nele, como Ele mesmo disse, como Aquele que vive para sempre, o Cristo vivo que, aqui e agora, está sempre pronto para guiar e abençoar Sua Igreja.

E em ambos esses aspectos, como Deus e Homem, Ele obra eternamente através daquela augustíssima Hierarquia de Seus gloriosos Santos, que nos é tão bem conhecida sob seu outro nome de Grande Fraternidade Branca.

Na terceira sentença, o sacerdote lembra a si mesmo e ao seu povo que neste santíssimo Sacramento eles não estão apenas comemorando a obra que Cristo fez e está fazendo, mas estão realmente, na pequena medida de sua capacidade, tomando parte nela, e assim tornando-se verdadeiramente cooperadores com Ele.

ROMANO                                LIBERAL    Nós, portanto, vos suplicamos,        Portanto, ó santo Senhor, nós vos,   ó Senhor,    que vos         ó Pai onipotente, rogamos digneis comprazer-vos e receber           que vos digneis olhar com bondade esta oferta que nós, vossos             e aceitar estas oferendas,                        A Santa Eucaristia

servos, e toda a vossa             que nós, vossos servos, e toda a família, vos oferecemos;              vossa família, vos oferecemos, ordenai os nossos dias na             em obediência ao mandamento vossa paz; concedei que             de vosso santíssimo Filho, sejamos livres da condenação          nosso Senhor Jesus Cristo; eterna e contados entre             e contados no número dos o número dos vossos eleitos.        vossos eleitos.

Por Cristo, Senhor nosso.

Amém.

Porque fazemos um esforço para assim cooperar, pedimos que estas oferendas sejam aceitas — aceitas, lembremo-nos, como um canal e também como um símbolo, como claramente se afirma na forma abreviada do nosso serviço.

É nestas palavras que o sacerdote, pela primeira vez, ousa chamar diretamente a atenção do nosso Senhor para aquilo que está prestes a fazer. A consciência do nosso Senhor é algo tão acima da nossa compreensão que não podemos pretender, de modo algum, medi-la ou limitá-la. Os estudantes têm-se perguntado se é possível que, quando milhares de Eucaristias são oferecidas simultaneamente, a atenção do Senhor possa ser dada a cada uma; e, se assim for, em que sentido e em que grau.

O nosso conhecimento não é suficiente para nos permitir dar uma resposta detalhada a essa questão; mas não há absolutamente nenhuma dúvida quanto à resposta plena e imediata que chega a cada apelo, e há atos dentro da nossa visão em níveis muito mais baixos que sugerem a linha ao longo da qual este aparente milagre pode ser explicado.

Foi provado repetidas vezes que a consciência de um ego pode estar simultânea e plenamente presente na vida celestial de centenas de pessoas separadas, sem interferir no mínimo com a atividade desse ego através de 174 A Ciência dos Sacramentos

sua personalidade na vida física; e se isso pode ser feito por uma alma humana comum, certamente não há dificuldade em supor que a consciência do nosso Senhor tenha capacidade enormemente maior em linhas semelhantes.

Pessoalmente, falando com a mais profunda reverência e humildade, creio que o Cristo está subconscientemente ciente do que acontece em todas as Suas igrejas.

Não quero dizer que Ele esteja, no nosso sentido da palavra, "voltando Sua atenção" para cada um dos mil ou milhões de altares; mas para Ele a atenção é algo muito mais elevado do que é para nós. Tal atenção que, através de Seus muitos milhares de Anjos, Ele pode dar a cada altar, é provavelmente tanto quanto nós poderíamos dar se concentrássemos toda a nossa mente nisso; o que chamaríamos de Sua atenção concentrada é algo completamente além da nossa compreensão atual.

Baseio essa opinião no conhecimento íntimo de uma coisa muito menor — a relação que cada aluno de estudo esotérico mantém com seu próprio Mestre.

O que quer que o aluno saiba, o Mestre sabe; não necessariamente no momento, se Ele por acaso estiver ocupado com outra coisa; mas está dentro do Seu conhecimento, de modo que ao final do dia Ele se lembra disso se desejar lembrar-se. Ele poderia, a qualquer momento, voltar Sua atenção para aquele fragmento de Sua consciência que está em Seu aluno, e saberia tudo o que ele soubesse e se lembraria de tudo o que ele se lembrasse. Imediatamente após pronunciar esta invocação, o celebrante volta-se novamente para a preparação do canal efetivo para a recepção da força divina — um processo que acharemos difícil descrever, porque lida com assuntos que estão, em grande medida, além do alcance da mente não treinada.

O derramamento da força é inteiramente ato do Senhor Cristo através do Anjo da Presença, mas uma certa parte da preparação é feita aqui pela mão de Seu sacerdote.

Se tivermos o cuidado de lembrar que todas as símiles são imperfeitas e não devem ser levadas longe demais, talvez possamos ajudar-nos a compreender o que está prestes a acontecer comparando-o à instalação de um telefone.

O edifício que até agora estivemos ocupados em construir é ao mesmo tempo uma câmara suficientemente isolada do clamor do mundo exterior para nos permitir receber a mensagem, e um megafone por meio do qual, uma vez recebida, ela possa alcançar todos os que estão na vizinhança.

Nos elementos sagrados, tão cuidadosamente purificados e consagrados, providenciamos um receptor isolado, e agora temos de assentar um tubo para a proteção dos fios; esses fios serão então inseridos pelo Anjo da Presença, para que o próprio Cristo possa enviar a mensagem.

Começando com os elementos como nosso receptor isolado, o sacerdote está prestes a exercer sua vontade num esforço vigoroso para empurrar seu tubo para cima.

As palavras atribuídas a ele enquanto realiza este trabalho não têm relação óbvia com a obra, mas como têm sido usadas neste ponto há alguns séculos nos rituais Romano e Galicano, não tentamos alterá-las.

São as seguintes:

**ROMANO**                                    **LIBERAL**
Esta nossa oferenda, fazei               Quais oferendas dignai-vos, ó Deus,
digna de ser por Vós abençoada,          com todas as coisas, de abençoar,
consagrada, *aprovada*,                   consagrar, *aprovar*, tornar razoável
e aceitável: para que se torne           e aceitável: para que se tornem
para nós o Corpo e o Sangue              para nós o Seu preciosíssimo Corpo
do Vosso amadíssimo Filho,               e Sangue, nosso Senhor Jesus Cristo.
nosso Senhor Jesus Cristo.

Com as três cruzes feitas sobre as oferendas em "abençoar, aprovar e ratificar", ele empurra seu tubo através da matéria etérica, astral e mental inferior, respectivamente, e as duas feitas separadamente sobre a água e o cálice conduzem o mesmo tubo (agora em dois ramos) adiante, através do mundo mental superior, até a beira de algo ainda mais elevado.

Ele deve usar ao fazer isso as forças de seu próprio corpo causal, pressionando seu pensamento para cima, ao nível mais alto possível.

O Anjo Diretor suplementará seus esforços quando necessário, mas deve ser uma questão de honra para o sacerdote fazer o máximo do trabalho que puder.

A maioria dos sacerdotes é, naturalmente, absolutamente ignorante do lado mágico do serviço eucarístico, e assim, por centenas de anos, todo o esforço de construir este tubo de matéria sutil tem recaído sobre o Anjo; mas isso significa simplesmente que há tanto menos força espiritual disponível para a distribuição final.

Além disso, pense na inefável bem-aventurança e honra de cooperar nesta gloriosa obra de amor, tão além de nossas esperanças ou sonhos! Mas agora ele continua:

**ROMANO**                                **LIBERAL**
Que, no dia antes de padecer,           Que, no dia antes de padecer,
tomou o pão em suas santas              tomou o pão em Suas santas
e veneráveis mãos, e, com os olhos      e veneráveis mãos, e, com os olhos
elevados ao céu, para Ti,               elevados ao céu, para Ti,
ó Deus, seu Pai onipotente,             ó Deus, Seu Pai onipotente,

a Ti, Deus, Seu Onipotente      Ti,     Deus,    Seu       Onipotente Pai, dando graças a       Pai,     dando          graças    a ti, Ele abençoou, partiu,    Ti,        Ele           abençoou, e deu a seus discípulos,     partiu, e deu-lho dizendo: Tomai e comei        discípulos, dizendo:     Tomai todos

e comei todos disto, ou

Aqui o sacerdote inicia a parte mais solene da Eucaristia—a recitação das circunstâncias da fundação do Sacramento, conforme relatado na narrativa evangélica, que em todos os ramos da Igreja tem sido, desde o princípio, a fórmula da Consagração efetiva.

Ele repete as ações do próprio Cristo naquele cenáculo em Jerusalém há dois mil anos—o tomar do pão pascal em Suas mãos, o olhar para cima em gratidão ao céu, a bênção e a fração daquele pão.

Na bênção do pão com o sinal de poder, ele completa seu esforço, empurrando o tubo a ele conectado para além das fronteiras dos três mundos em que o homem comumente vive (o físico, o astral e o mental) para o mundo da unidade que jaz além—aquele mundo onde a separação é desconhecida, onde todos são um com Ele, assim como Ele é um com o Pai.

Notar-se-á que o sacerdote é especialmente instruído a incluir neste sinal todas as partículas que devem ser consagradas.

Isso porque a consagração das hóstias é inteiramente uma questão da intenção do sacerdote.

Se o sacerdote se concentrasse na única hóstia que segura, e esquecesse aquelas que jazem sobre o corporal ou no cibório, estas últimas provavelmente não seriam consagradas.

O sacerdote não deve esquecer.

É possível que o Anjo da Presença possa detectar as linhas de conexão de todas   M 178          A Ciência dos Sacramentos

as hóstias colocadas sobre o corporal, mas o sacerdote não deve dar-lhe o trabalho de decidir quais hóstias devem ser consagradas, mas deve indicá-las definitivamente pensando nelas, e fazendo o santo sinal sobre elas, incluindo-as assim dentro de seu tubo.

Claramente não é função do Anjo consagrar mais do que o sacerdote intenciona.

É costume fazer o sinal primeiro sobre a hóstia do sacerdote, e depois sobre o cibório ou vaso contendo os pães menores para a congregação; mas um único sinal sobre o maior será suficiente, se o sacerdote tiver fortemente em sua mente a intenção de que ele opere também sobre as outras hóstias.

Vemos que na confecção do tubo, um único signo para cada grau de densidade da matéria é considerado suficiente para fazer o tubo comparativamente grande que encerra ambos os elementos sagrados.

Isso o conduz com sucesso através da matéria etérica, astral e mental inferior; mas quando o sacerdote tem de lidar com a matéria mental superior, no nível do corpo causal, ele deve dividir seu tubo em dois e dedicar um esforço especial da vontade a cada um — não porque a matéria na qual ele está trabalhando seja mais densa (pelo contrário, é muito mais leve), mas porque ele está mais distante do nível no qual está acostumado a exercer sua vontade, e consequentemente ela é menos eficaz.

Agora que ele precisa ir ainda mais longe e impulsionar um de seus tubos através da glória sem limites do mundo intuicional, seu esforço é ainda maior, e ele deve ter especial cuidado para indicar o que deseja incluir dentro de sua esfera de atividade. A Santa Eucaristia

Quando o santo signo é feito, imediatamente o Anjo da Presença aparece, e a vida daquele mundo superior flui, proporcionando as condições sob as quais podem ocorrer as maravilhosas mudanças da Consagração, que agora se seguem imediatamente, na recitação com intenção das palavras originais da instituição.

ROMANA                              LIBERAL         Este é o Meu Corpo.

Este é o Meu Corpo.

Este é o clímax da cerimônia, o momento para o qual todo o restante foi uma preparação.

A vida divina lampeja através do tubo que foi feito para ela, e aquele fenômeno ocorre em torno do qual se centrou tanta controvérsia amarga e desnecessária — o prodígio chamado transubstanciação.

Não podemos pretender compreender plenamente um processo que envolve mundos superiores a qualquer um que possamos alcançar; mas não há possibilidade de erro quanto ao que acontece na parte dele que está dentro da esfera da observação clarividente; e essa parte tentaremos descrever.

Todo objeto físico é visto como tendo sua contraparte em planos superiores, mas a química dessas contrapartes não é, creio eu, geralmente compreendida.

Os mundos astral e mental têm elementos próprios, desconhecidos dos químicos físicos, e também suas próprias combinações, mas estas não correspondem necessariamente às nossas neste mundo inferior.

A contraparte de um de nossos elementos químicos é geralmente um composto nos mundos superiores; mas, seja o que for, geralmente permanece inalterada por nossas combinações aqui embaixo.

Uma mistura de carbono, oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e outros elementos químicos em certa proporção resulta em farinha de trigo, da qual fazemos o pão; mas não devemos supor que os equivalentes astrais desses elementos produzirão algo que, no plano astral, tenha exatamente o mesmo efeito que o pão tem aqui embaixo.

Cada um desses elementos possui uma linha de conexão que remonta à Divindade que o criou; e embora essa linha possa passar através de um grupo do que poderíamos chamar de elementos astrais, e de um grupo ainda maior daqueles no plano mental, ela permanece sempre a mesma linha, não importa em quais combinações esse elemento possa entrar em nosso mundo.

A linha pode ser melhor imaginada como uma corrente de contas — cada conta sendo o equivalente do elemento físico em um dos planos.

(Diagrama 7.) É verdade que as contas estão realmente dentro de um

DIAGRAMA 17 — A Mudança que ocorre na Consagração quando o pão se torna a Hóstia.

O feixe de “fios” conectando os átomos no pão com os átomos correspondentes nos mundos superiores (veja a figura à esquerda) é desviado para ser substituído por uma linha de fogo que se assemelha a um relâmpago parado (veja a figura à direita). A Santa Eucaristia

Outro do ponto de vista físico, mas se os olharmos de dimensões superiores, eles se encontram lado a lado, bem como uns dentro dos outros, produzindo assim o efeito de uma linha.

O correspondente astral do que chamamos pão é um certo agrupamento de elementos astrais, bem conhecido de qualquer clarividente que tenha feito um estudo da química do mundo interior; e o mesmo se aplica a planos mais sutis, até onde podemos ver; de modo que o pão é representado por um conjunto definido e imutável de linhas — um feixe de fios, por assim dizer — que se estende até a alma das coisas.

O que acontece no momento da Consagração da Hóstia é a deflexão instantânea desse feixe de fios.

(Diagrama 7.) Ele é desviado com a velocidade de um relâmpago, e seu lugar é ocupado pelo que parece ser uma linha de fogo — um único fio de comunicação, que se eleva, sem divisão ou alteração, até o próprio Senhor Cristo, como o Mestre e Cabeça da Igreja, e através Dele a uma altura além de qualquer poder de visão clarividente que atualmente temos à nossa disposição — para dentro daquele outro Aspecto divino Dele mesmo que é Verdadeiro Deus de Verdadeiro Deus.

Pode-se dizer que isto é um milagre — uma violação das leis da Natureza.

Não existe tal coisa como um milagre nesse sentido da palavra; tudo o que acontece no mundo, por mais incomum ou inacreditável que seja, deve ocorrer e ocorre sob as leis eternas e imutáveis que Deus impôs à Sua criação.

Isto é, sem dúvida, uma realização além de nossa capacidade física; sabemos ainda pouco sobre essas poderosas leis, e muito do que é impossível para nós está certamente ao alcance das poderosas Inteligências em cujas mãos está a execução deste plano divino.

Pelo que descrevi, ver-se-á que, embora a forma externa do pão e do vinho permaneça inalterada após a Consagração, a manifestação da vida divina que os subjaz é totalmente diferente.

Era vida divina antes, como toda vida é divina; mas agora é uma epifania de Deus muito mais plena e íntima, e é por isso que a Igreja sempre insistiu tão fortemente na Presença Real de Cristo no Sacramento, e falou dele como sendo tão verdadeiramente Seu Veículo como se fosse realmente Sua Carne e Sangue vivos.

Ao longo dos tempos, tem sido necessário combater o materialismo do homem, insistindo energicamente na realidade da mudança que ocorre quando o alimento comum e cotidiano é transformado em alimento sagrado, portador de uma potência especial e poderosa.

O próprio fato de que, aos olhos físicos, o pão e o vinho são evidentemente apenas o que eram antes, torna ainda mais necessário enfatizar que, em outro e mais elevado sentido, eles são bastante diferentes.

Sendo os "acidentes" inalterados, deve ficar claro para aqueles que são cegos aos planos superiores que a "substância" foi definitivamente alterada.

Se nos for permitida uma pequena incursão pela etimologia, podemos notar que a derivação dos termos técnicos usados em conexão com essa mudança é plena de significado.

"Acidente", o nome dado ao pão e ao vinho físicos, significando filosoficamente "uma propriedade não essencial à nossa concepção de uma substância", vem do latim "ad", para, e "cadere", cair, e significa portanto "cair em justaposição com". "Substância" vem do latim sub, sob, e stans, estando; é aquilo que está sob ou por trás de um objeto físico.

Trans é o latim para através, e vimos como a "substância" do pão e do vinho é varrida através e substituída por outra.

As "contas" não são realmente contas, a menos que as contrapartes sejam tomadas separadamente, mas é impossível em termos físicos descrevê-las exatamente como são.

Para compreender a verdadeira relação entre a matéria física da Hóstia e suas contrapartes, é necessária a visão de outras e mais elevadas dimensões do espaço.

Assim, em certo sentido, estamos apenas descrevendo um diagrama quando dizemos que o Anjo da Presença afasta um feixe de fios ou linhas que sobem da hóstia até a Divindade, mas não há outra maneira de tornar esse processo concebível para aqueles que não podem ver nos mundos interiores.

Se tentarmos analisar a coisa, descobriremos que ela é bastante complicada, porque cada átomo tem sempre sua conexão com a Divindade.

Verdadeiramente, a vida divina está em toda parte, como já disse, mas através do ato de consagração, uma manifestação especial dela irrompe na matéria da Hóstia, jorrando do próprio coração do Cristo, de modo que ela se torna naquele momento uma verdadeira epifania Dele.

É então que a Hóstia brilha com um esplendor sobrenatural, como convém ao mais precioso dom de Deus ao homem.

Foi esse brilho que primeiro me chamou a atenção para a possibilidade de estudar clarividentemente o lado oculto do serviço eucarístico.

Talvez ajude o leitor a perceber a realidade e a natureza material do fenômeno se eu reproduzir aqui um relato (escrito logo depois) da primeira ocasião em que tive a oportunidade de observá-lo. "Minha atenção foi primeiro despertada para esse assunto ao observar o efeito produzido pela celebração da Missa em uma igreja católica romana em uma pequena aldeia da Sicília.

Aqueles que conhecem essa belíssima ilha compreenderão que não se encontra ali a Igreja Católica Romana em sua forma mais intelectual, e nem o sacerdote nem o povo poderiam ser descritos como especialmente desenvolvidos; contudo, a celebração bastante comum da Missa foi uma magnífica exibição da aplicação da força oculta.

No momento da consagração, a Hóstia brilhava com o mais deslumbrante fulgor; tornava-se, de fato, um verdadeiro sol aos olhos do clarividente, e quando o sacerdote a elevava acima das cabeças do povo, notei que duas variedades distintas de força espiritual jorravam dela, que talvez pudessem ser consideradas como correspondendo aproximadamente à luz do sol e às labaredas de sua coroa.

A primeira (chamemo-la Força A) irradiava imparcialmente em todas as direções sobre o povo na igreja; na verdade, penetrava as paredes da igreja como se elas não existissem, e influenciava uma considerável seção da região circunvizinha.

"Essa força era de natureza de um forte estímulo, e sua ação era mais intensa de todas no mundo intuicional, embora também fosse extremamente poderosa nas três divisões superiores do mundo mental.

Sua atividade era marcante também nas primeira, segunda e terceira subdivisões do astral, mas isso era um reflexo do mental, ou talvez um efeito produzido por vibração simpática.

Seu efeito sobre as pessoas que entravam no alcance de sua influência era proporcional ao seu desenvolvimento.

Em pouquíssimos casos (onde havia algum ligeiro desenvolvimento intuicional) atuava como um poderoso estimulante para seus corpos intuicionais, dobrando ou triplicando por um tempo a quantidade de atividade neles e o esplendor que eram capazes de emitir.

Mas, como na maioria das pessoas a matéria intuicional estava ainda quase inteiramente adormecida, seu principal efeito foi produzido sobre os corpos causais dos habitantes.

“A maioria deles, novamente, estava desperta e parcialmente responsiva apenas no que diz respeito à matéria da terceira subdivisão do mundo mental, e portanto perderam muito da vantagem que poderiam ter obtido se as partes superiores de seus corpos causais estivessem em plena atividade.

Mas, de qualquer forma, todo ego ao alcance, sem exceção, recebeu um impulso distinto e um benefício distinto daquele ato de consagração, pouco sabendo ou suspeitando ele do que estava sendo feito.

“As vibrações astrais também, embora muito mais tênues, produziram um efeito de longo alcance, pois ao menos os corpos astrais dos sicilianos são geralmente bem desenvolvidos, de modo que não é difícil despertar suas emoções.

Muitas pessoas longe da igreja, caminhando pela rua da aldeia ou dedicando-se às suas diversas ocupações nas encostas solitárias, sentiram por um momento um frêmito de afeição ou devoção, enquanto essa grande onda de paz espiritual e força passava sobre a região, embora certamente nunca sonhassem em relacioná-la à Missa que estava sendo celebrada em sua pequena catedral.

“Tornou-se imediatamente evidente que estamos aqui na presença de um esquema grandioso e de longo alcance.

Claramente, um dos grandes objetivos, talvez o principal objetivo, da celebração diária da Missa é que todos ao seu alcance recebam pelo menos uma vez por dia um desses choques elétricos tão bem calculados para promover qualquer crescimento de que sejam capazes.

Tal efusão de força traz a cada pessoa aquilo para o que ela se tornou capaz de receber; mas mesmo os completamente subdesenvolvidos e ignorantes não podem deixar de ser um tanto beneficiados pelo toque passageiro de uma emoção nobre, enquanto para os poucos mais avançados significa uma elevação espiritual cujo valor seria difícil exagerar.

“Eu disse que havia um segundo efeito, que comparei aos filamentos da coroa solar. Suponhamos que o chamemos de Força B. A luz que acabei de descrever (Força A) derramou-se imparcialmente sobre todos, os justos e os injustos, os crentes e os incrédulos.

Mas essa segunda força foi posta em atividade apenas em resposta a um forte sentimento de devoção por parte de um indivíduo.

Na elevação da Hóstia, todos os membros da congregação devidamente se prostraram — alguns aparentemente por mero hábito, mas outros também com uma forte onda de profundo sentimento devocional.

O efeito, visto pela visão clarividente, era mais impressionante e profundamente marcante, pois para cada um destes últimos partia um raio de fogo da Hóstia elevada, que fazia a parte superior do corpo astral do recipiente brilhar com a mais intensa êxtase.

Através do corpo astral, por sua estreita relação com ele, o veículo intuicional também era fortemente afetado, e embora em nenhum desses camponeses se pudesse dizer que estivesse de qualquer forma despertado, seu crescimento dentro de seu invólucro era inquestionavelmente estimulado de modo distinto, e sua capacidade de influenciar instintivamente o astral era aumentada.

A intuição despertada pode conscientemente moldar e dirigir o astral; mas mesmo no veículo intuicional mais subdesenvolvido há um grande reservatório de força, e esta brilha sobre e através do corpo astral, ainda que inconsciente e automaticamente.

"Naturalmente, eu estava intensamente interessado nesse fenômeno, e fiz questão de assistir a várias funções em diferentes igrejas para aprender se o que eu havia visto nessa ocasião era invariável ou, se variava, quando e sob quais condições.

Descobri que em toda Celebração os mesmos resultados eram produzidos, e as duas forças que tentei descrever estavam sempre em evidência — a primeira aparentemente sem variação apreciável, mas a manifestação da segunda dependendo do número de pessoas verdadeiramente devotas que formavam parte da congregação." O Pão então se tornou verdadeiramente um veículo do Cristo, e de maneira muito especial um posto avançado de Sua consciência, e é por isso que vemos essa maravilhosa radiação semelhante ao sol emanando dele. Mas essas duas forças aqui descritas são bem distintas daquela que deve ser distribuída pelos Anjos (que chamaremos de Força C), The Hidden Side of Things, Vol. I, por C. W. Leadbeater, pp. 226-231, 188 The Science of the Sacraments, embora todas fluam da mesma fonte.

Estas forças ou emanações diferem um pouco daquelas do rádio, ou o brilho é uma vibração como luz ou calor, derramando-se em todas as direções o tempo todo, e aparentemente inesgotável; enquanto a Força C é limitada em quantidade, e pode ser dividida como que em blocos e repartida com precisão como se fosse uma substância material, embora sua natureza pareça ser mais análoga à de uma carga elétrica.

A Força em si é sempre invisível, nos mundos superiores como neste; só pode ser vista por seu efeito em algum tipo de matéria.

As nuvens e correntes de carmesim e azul a partir das quais o Anjo constrói seu edifício não são em si o amor e a devoção das pessoas, mas o efeito desse amor e devoção sobre vários tipos de matéria, etérica, astral e mental.

Da mesma forma, quando falamos de ver a Força C irradiando da Hóstia, deve-se entender que o que vemos é sua mais maravilhosa e bela manifestação em formas inferiores de matéria — uma corrente de luz liquefeita, de poeira de ouro vivo, ou talvez melhor ainda, de poeira estelar, a névoa de fogo ondulante do espaço cósmico.

Nenhuma analogia terrena é realmente apropriada; mas podemos talvez pensar na força como uma carga de eletricidade — uma quantidade armazenada, a ser liberada apenas ao tocá-la, sendo o toque requerido a ação do Anjo Diretor.

A outra radiação (Força A e Força B) é contínua e não requer a intervenção do Anjo; mas pode ser até certo ponto concentrada e dirigida pela vontade do sacerdote.

A Santa Eucaristia

É pelo poder do Anjo da Presença que a mudança interior ocorre em relação aos elementos, quando a força plena do alto é derramada.

O Anjo da Presença difere de todos os anteriormente mencionados por não ser um membro do glorioso reino dos Anjos, mas ser na verdade uma forma-pensamento do Cristo, trajando Sua semelhança.

Temos, suponho, uma analogia ou algo assim em um nível quase infinitamente inferior no ato de que, como já expliquei antes, um pensamento afetuoso de um homem no mundo celestial atrai a atenção do ego de seu amigo, que imediatamente responde derramando-se para baixo na forma-pensamento e manifestando-se através dela, embora o amigo em sua consciência física nada saiba disso. Talvez isso nos ajude a compreender como o mesmo poder, elevado ao enésimo grau, torna possível que o Cristo envie Seu pensamento simultaneamente a mil altares, abrindo através de cada um o maravilhoso canal de Sua força e de Seu amor, e ainda assim, ao mesmo tempo, continue tão livremente quanto sempre qualquer obra exaltada em que esteja empenhado.

Não é apenas o Seu poder, por mais imensurável que seja para nós; é a força do Segundo Aspecto da própria Divindade, da qual o Instrutor do Mundo é um canal escolhido, uma epifania especial, de uma maneira maravilhosa que para nós deve permanecer um mistério.

Mas do fato de que essa manifestação mais maravilhosa e bela realmente ocorre em cada celebração da Santa Eucaristia não há dúvida alguma, pois tem sido repetidamente observada por muitas testemunhas competentes.

Não devemos nos admirar que aqueles entre os eclesiásticos que são de algum modo sensíveis a essa santa influência falem dela como "um meio de graça" e a considerem o estímulo mais poderoso para sua vida espiritual.

Quando o Anjo da Presença se expande, ele atrai grandes hostes que não pertencem ao tipo trabalhador, mas aos tipos contemplativo e guardião de Anjos.

Eles vêm pairando ao redor para banhar-se na luz que irradia da Hóstia.

Esses Anjos estão no mesmo nível no reino angélico que os seres humanos no reino humano que assistem a um serviço puramente com o propósito de devoção adoradora, e sem qualquer ideia particular de fazer algo eles mesmos, ou mesmo de compreender que há uma maneira pela qual podem fazer algo.

Esses Anjos, no entanto, atraem e geram uma boa quantidade de força por sua devoção.

Essa é a sua linha, e assim são sempre atraídos quando a luz brilha da Hóstia.

Muito incenso deve ser usado no momento da elevação, porque os Anjos enviam seus pensamentos para cima com e no incenso.

Quando a Hóstia é reservada, há sempre Anjos pairando ao redor dela, não apenas porque desfrutam da radiação que a envolve, mas também porque consideram uma grande privilégio guardá-la e ali estar em atendimento.

Onde quer que a Hóstia esteja, tenha certeza de que há sempre Anjos presentes.

Quando o Anjo da Presença detecta o feixe de "fios" conectados à Hóstia, o que toma seu lugar parece um relâmpago imóvel.

Essa linha de fogo não apenas flui para a Hóstia, mas também para a pedra consagrada do altar, na qual estão incrustadas as sete joias descritas no capítulo vii.

Quando isso ocorre, as joias brilham como sete pontos de fogo.

O próprio celebrante está, naturalmente, em um dos Raios com os quais essas pedras estão conectadas, e a influência flui para ele mais prontamente através da joia ligada ao seu Raio.

Isso o eleva à sua mais alta possibilidade, e então, através dele, a força invocada na Consagração atua sobre a congregação.

Assim, há uma troca de força entre a Hóstia, as joias incrustadas na pedra do altar, os castiçais, os centros de Raios nas paredes da igreja, o sacerdote que se encontra diante do altar e o Anjo da Presença.

(Diagrama 8.) Quando um bispo celebra, outra complicação é introduzida, e a força se torna muito mais intensa devido a outro conjunto de interações.

O bispo usa sua cruz peitoral, sobre a qual estão montadas sete joias correspondentes às incrustadas na pedra do altar.

Quando as joias do altar irrompem em resposta ao derramamento de força, as joias de sua cruz também são afetadas, e toda a cruz brilha como um sol de maneira extraordinária e bela.

O anel usado pelo bispo também entra em ação.

Este anel foi consagrado e colocado especialmente em sintonia com o próprio Cristo, de modo que Sua força individual, não aquela do reservatório espiritual, flui através da joia do anel.

O anel, por sua vez, reage sobre as joias do altar e da cruz peitoral, de modo que linhas de luz fulgurante brincam por toda parte.

Esse entrelaçamento intensifica a força e, como resultado, há uma efusão sobre a congregação e sobre o mundo.

/NY                          hoje eee                                           “A                                             “T                                           A                  o os Sacramentos

Não é possível traduzir o texto fornecido, pois ele está ilegível ou corrompido (contém caracteres aleatórios e fragmentos sem sentido). Por favor, envie o texto original em inglês de forma clara e legível para que eu possa realizar a tradução fiel para o português do Brasil.

A Ciência dos Sacramentos

geral, que é bastante maravilhoso e muito belo de se ver.

Quando, além disso, o báculo do bispo está perto do altar, introduz-se um entrelaçamento altamente complicado das linhas de luz que dificilmente se pode descrever.

No báculo, as sete joias flamejam como estrelas, e entre elas e todas as outras joias, fios de chama viva estão incessantemente a disparar.

Na mecânica física, toda vez que uma força é transferida, algo se perde por atrito.

O contrário ocorre durante a Consagração, pois todos os instrumentos deste maravilhoso Sacramento já estão magnetizados com uma força viva, e quanto mais entrelaçamento houver, mais forte a força se torna.

Tendo se ajoelhado em adoração diante desta maravilhosa manifestação da Presença do Cristo, o sacerdote eleva a Hóstia reverentemente acima de sua cabeça, para que todo o povo possa ver; e é nesse momento da elevação que os raios secundários de fogo jorram em resposta a sentimentos especiais de devoção, como os vi naquela igreja na Sicília.

A elevação da Hóstia à vista do povo tem sido o costume da Igreja desde os primórdios, embora nem sempre fosse feita imediatamente após a Consagração.

Na verdade, sua introdução neste ponto data apenas do século XII, mas é claramente tanto apropriada quanto benéfica aqui, de modo que ninguém precisa hesitar em adotá-la por causa de sua modernidade comparativa.

Devemos nos precaver contra a negação tácita da influência viva do Cristo em Sua Igreja, que está envolvida na teoria de que todas as melhorias introduzidas desde a data da Ascensão são sem a Sua aprovação.

Certamente muitos erros foram cometidos por porções de Sua Igreja, e Ele não interferiu para corrigi-los; mas não precisamos, portanto, duvidar que Ele tenha em várias ocasiões inspirado Seus oficiais a fazer mudanças que a experiência prática havia demonstrado serem de valor, e este pode muito bem ser um caso em questão.

Após uma segunda genuflexão e uma pausa de alguns momentos, o sacerdote procede à consagração do cálice.

ROMANO                              LIBERAL    Da mesma forma, depois de           Da mesma forma, também   Ele   ter   ceado,   tomando           Ele   ceou,   tomando   também este excelente cálice em           este nobre cálice em Suas   suas   santas   e   veneráveis          santas   e   veneráveis   mãos,   mãos:   dando   novamente           dando   novamente   graças   a   graças   a   Ti,   abençoou-o,          Ti,   Ele   o   abençoou   e   o   deu   a   seus   discípulos,           deu   a   Seus   discípulos,   dizendo:   Tomai   e   bebei           dizendo:   Tomai   e   bebei   todos   dele.   Pois   este   é           todos   dele,   ou   Este   é   o   cálice   do   Meu   Sangue,           o   cálice   do   Meu   Sangue.

O   do   novo   e   eterno             ou   assim   como   fizerdes   estas   testamento,   o   mistério   da           coisas,   fá-las-eis   em   fé,   que   será   derramado           memória   de   Mim.   por   vós   e   por   muitos   para   a         remissão   dos   pecados.

Todas   as   vezes   que   fizerdes         estas   coisas,   fá-las-eis   em   memória   de   mim.

Pelo   sinal   da   santa   cruz,   Ele   pressiona   Seu   segundo   tubo   para   dentro   do   mundo   superior,   assim   como   fez   com   o   primeiro,   apenas   um   momento   antes   da   Consagração   real,   e   novamente   na   Palavra   de   Poder   a   transubstanciação   ocorre,   e   o   feixe   de   linhas   que   representa   as   realidades   internas   do   vinho   e   da   água   é   varrido   e   substituído   pelo   fogo   vivo   que   é   o   196         A Ciência dos Sacramentos   vida   do   Cristo.

Mas   desta   vez   o   fogo   não   é   o   branco   e   ouro   ofuscante   que   faz   a   Hóstia   brilhar   como   um   sol,   mas   uma   espada   flamejante   de   carmesim   intenso   em   cor,   como   os   dedos   de   uma   mão   diante   de   uma   vela   acesa,

como   diz   Tennyson.   Os   processos   de   genuflexão   e   elevação   são   repetidos,   e   esta   segunda   forma   da   força   divina   é   derramada   sobre   a   congregação.

Ela   é   complementar   à   outra,   mas   parece   descer   um   pouco   mais   perto   de   nós;   o   Vinho   tem   uma   influência   muito   poderosa   sobre   os   níveis   astrais   superiores,   e   a   Água   envia   vibrações   ainda   mais   etéricas.

A força da Hóstia pode ser descrita como essencialmente mônadica, e atua mais poderosamente sobre aquilo que, dentro de nós, representa a ação direta da Mônada—a força, a precisão e o ritmo pertencentes ao lado da epístola do altar; a força do Cálice é mais a do ego, e parece expressar antes a devoção ígnea, a adaptabilidade e o método cerimonial do lado do evangelho.

Ambas são necessárias, e quando irradiam juntas não há bem que não seja estimulado por suas vibrações, nem mal que não possa ser amenizado.

Tanto sobre seu efeito; mas, além disso, faremos bem em lembrar que, por toda a Santa Eucaristia, percorre um duplo simbolismo—o da Santíssima Trindade, bem como o da descida do Cristo na matéria.

(Diagrama 9.) A Hóstia tipifica Deus Pai, e também representa a Divindade inteira e indivisível; o Vinho representa Deus Filho, cuja vida é derramada na matéria. A Água representa Deus Espírito Santo, descendo à personalidade para torná-la capaz de receber a vida divina.

Manifestado no Sistema Solar; Manifestado no Homem.

Hóstia: A Divindade (inteira e indivisível), ou Deus Pai; a Mônada: a Causa não vista de tudo.

Vinho: Deus Filho; a Individualidade ou Ego no corpo causal (intimamente mesclado com a personalidade).

Água: Deus Espírito Santo; a Personalidade.

Patena: A Raiz da Matéria (antes que as bolhas sejam sopradas); o Espírito Triplo—Espírito, Intuição e Inteligência (através dos quais a Mônada atua sobre a matéria).

Cálice Matéria Vivificada Corpo Causal (As bolhas igualmente distribuídas por todo o espaço)

Elementos Simbolismo da Descida à Matéria do— e Cristo, a Segunda Pessoa Cristo, o Instrutor Vasos, da Trindade do Mundo Hóstia A Unidade Eterna.}| Seu Espírito Cristo dentro do seio do Pai Vinho Cristo informando a matéria | Sua Intuição (positiva ou masculina) Água Cristo manifestado como | Sua Inteligência matéria (negativa ou feminina) Patena As Bolhas |“O Véu da Virgem Mares igualmente distribuídas Iluminado”? : eae Ina ted A Doutrina Secreta.

Vol. iii., = nascente p. 1 = Cálice Físico ae Sistema Solar bose O Corpo ; de Jesus ted into elementos químicos

DIAGRAMA 9.—O Simbolismo da Santa Eucaristia.

A Ciência dos Sacramentos

cálice da forma material, e a Água representa Deus o Espírito Santo—o Espírito Que pairou sobre a face das águas e ainda assim é Ele mesmo simbolizado pela água.

Quando aplicamos as mesmas imagens à manifestação da Divindade no homem, a Hóstia significa a Mônada, a totalidade, a causa invisível de tudo, enquanto a patena representa a Tríplice Atma ou Espírito através do qual essa Mônada atua sobre a matéria; o Vinho indica a individualidade, derramada no cálice do corpo causal, e a Água representa a personalidade, que está tão intimamente misturada com ele. É por isso que, numa fase anterior, quando tipificamos uma condição em que a Mônada está meramente pairando sobre a manifestação inferior, a patena fica oculta sob o corporal ou sob um véu preso ao peito do subdiácono; quando é trazida à luz e a Hóstia é colocada sobre ela, simbolizamos o momento em que uma união é efetuada.

Do ponto de vista da descida à matéria, a Hóstia representa a Unidade Eterna — o Cristo no seio do Pai; enquanto o Vinho e a Água representam a manifestação dual do Cristo na matéria — positiva e negativa, ou masculina e feminina.

Muitas objeções têm sido feitas pelos ignorantes à afirmação sempre feita pela Igreja de que a celebração da Eucaristia é uma repetição diária do sacrifício do Cristo.

Mas quando compreendemos que, do ponto de vista interno, esse sacrifício do Cristo significa a descida à matéria da efusão do Segundo Aspecto da Divindade, vemos que o simbolismo é exato, pois o fluxo de força evocado pela Consagração tem uma conexão especial e íntima com aquele departamento da natureza que é a expressão desse Aspecto divino.

O Cristo verdadeiramente encarna novamente, e assim continua Seu sacrifício, toda vez que a Santa Eucaristia é celebrada; pois Ele realmente deposita algo de Si mesmo naquele Pão e naquele Vinho, que são então assimilados por nós e se tornam parte de nossa carne e sangue.

O sacerdote que compreende isso não deixará de atribuir a esse serviço sua devida posição e cuidará para que seu ponto culminante seja cercado por tudo o que, em termos de ritual e música, possa aumentar seu efeito e preparar o povo para dele participar de forma mais receptiva.

Percebendo também quão tremendo é o mistério do qual ele é o guardião, aproximar-se-á da sua celebração com a mais profunda reverência e temor, pois embora a sua atitude não faça diferença para o ato central e para os seus efeitos, não há dúvida de que a sua devoção profunda, a sua compreensão e cooperação podem fazer descer uma influência adicional que será da maior ajuda para a sua congregação e para a sua paróquia.

Um sacerdote que tem a vantagem de ser também um estudante da física da vida interior tem uma magnífica oportunidade de ampla utilidade.

Tal pessoa tem também a vantagem adicional de compreender algo da natureza da estupenda força com a qual está lidando; e, por isso, será habilitado a evitar muitos dos erros nos quais aqueles que são ignorantes nestas matérias tão prontamente caem.

Muitos e variados são os tipos de força que Deus derrama sobre o Seu mundo, e cada um tem a sua ocasião e canal apropriados, para os quais Ele o ajustou e destinou. É imprudente para os homens criticar as restrições que Ele achou por bem impor, e ignorar as leis eternas da Natureza para adequar-se à sua própria conveniência temporária.

Por exemplo, o maravilhoso influxo da Santa Eucaristia é arranjado para sincronizar-se com e tirar vantagem de um certo conjunto de condições na relação diária da Terra com o Sol.

Há um fluxo de saída e um refluxo de energia magnética entre o Sol e a Terra — uma maré magnética, por assim dizer; e as horas do meio-dia e da meia-noite marcam a mudança de uma para a outra em qualquer ponto dado da superfície da Terra, de modo que as correntes que fluem pela manhã são diferentes daquelas da tarde.

Portanto, a Santa Eucaristia nunca deveria ser celebrada (ou, pelo menos, o serviço nunca deveria ser começado) depois da hora do meio-dia.

Visto que o meio-dia é o ponto de virada da maré, o fluxo por um curto tempo antes, e o refluxo por um curto tempo depois, não são muito fortes; de modo que se a Consagração ocorre, digamos, antes das 12h30, a contracorrente não seria severa o bastante para tornar o resultado desejado inatingível.

Mas deve ser claramente entendido que nem as hostes angélicas nem o seu Senhor e Mestre violarão as leis da Natureza para satisfazer os caprichos dos indolentes; e sacerdotes que providenciam Comunhões noturnas para congregações da moda estão possivelmente dando-lhes um serviço devocional agradável, mas não estão celebrando a gloriosa cerimônia da Santa Eucaristia de Cristo.

200 A Ciência dos Sacramentos

Quando a hóstia é guardada na Hóstia consagrada, pode ser usada tanto entre o meio-dia                    A Santa Eucaristia

e a meia-noite como pela manhã, de modo que a Hóstia reservada possa, em casos de necessidade, ser administrada a qualquer momento.

Um resultado muito maravilhoso é obtido dela no serviço chamado Bênção do Santíssimo Sacramento, ao qual nos referiremos em outro capítulo.

Outra das condições sob as quais recebemos este poderoso dom da graça é que ele está disposto a fluir através do organismo masculino.

Nestes dias em que está na moda ignorar ou depreciar todas as distinções da natureza, e afirmar que todos podem fazer tudo igualmente bem, as mulheres às vezes clamam por posição sacerdotal, perguntando por que não deveriam ocupar tal ofício e exercer seus poderes tão bem quanto os homens.

A resposta clerical comum está nas palavras antigas: "Não temos tal costume, nem as Igrejas de Deus", fortalecida talvez pela lembrança de que se diz que o Cristo escolheu Seus doze apóstolos e Seus setenta pregadores exclusivamente entre os homens.

Esse é um argumento de alguma força; mas o estudante pode acrescentar a ele uma consideração adicional — que este tipo particular de magia não é adaptado para operar através do organismo feminino.

Há outros tipos de energia que são assim dispostos, mas são de caráter bastante diferente e pouco conhecidos de nossa civilização atual — muito, imagino, para sua perda.

O culto de Nossa Senhora na Igreja Romana é um esforço inconsciente para preencher uma lacuna que muitas pessoas instintivamente reconhecem,           202           A Ciência dos Sacramentos

HINOS        DE     ADORAÇÃO    Os hinos que se seguem são usados nesta                                       conexão apenas na Liturgia Católica Liberal.

A Ti    adoramos, ó esplendor oculto,       A Ti,       que em Teu Sacramento        Te dignas estar;       Nós Te adoramos sob este véu terreno,         E aqui Tua Presença devotamente saudamos.

Ó vinde, todos os fiéis, alegres e triunfantes, Ó vinde, sim, ó vinde a Belém.

Vinde e contemplai-O, Monarca dos Anjos;

Ó vinde, adoremos;                     Ó vinde, adoremos;                     Ó    vinde, adoremos;                           Cristo, o Senhor.

Deus, ó Deus, Luz, ó Luz, Porém sob formas terrenas Sua Luz Ele velas, Verdadeiro Deus, unigênito do Pai, Ó vinde, adoremos a Ele; etc.

Cantai, coros de Anjos, cantai em exultação; Cantai, todos vós, cidadãos do céu acima; Glória a Deus nas alturas, Ó vinde, adoremos a Ele; etc.

Sim, Senhor, nós Te saudamos, entronizado sobre Teu altar, Sempre a Ti seja dada a mais alta glória.

Verbo do Pai, Esplendor eterno; Ó vinde, adoremos a Ele; etc.

Amém.

A Santa Eucaristia

Após a Consagração, ajoelhamo-nos por alguns momentos em adoração silenciosa, e então a melodia do antigo hino chega suavemente aos nossos ouvidos, e bem baixinho todos cantamos aquele versículo maravilhosamente apropriado.

Novamente há uma breve pausa, e então todos se levantam e se unem com coração e voz no glorioso canto *Adeste Fideles*, escrito originalmente de fato para o nascimento de Jesus em Belém, porém certamente uma saudação perfeitamente adequada para o novo nascimento do Cristo sobre Seu altar nesta mais moderna Casa do Pão.

O esplendor da cena à visão clarividente durante o canto destes hinos está além de toda descrição, pois os Anjos se unem a eles com um fervor verdadeiramente celestial, e a explosão de seu amor e devoção não apenas enche o vasto edifício de pensamento com fogo vivo, mas enormemente o enriquece e adorna. É neste momento que as aberturas recuadas que chamamos de portas são feitas, de modo que a basílica agora se apresenta completa (Frontispício). O tubo que o celebrante fez expandiu-se em um enorme funil, ainda claramente marcado no meio de todo esse mar de luz.

Ainda a Hóstia, o Cálice e o Anjo são o centro de tudo, e deles irradiam as correntes ígneas que estão iluminando e vivificando o mundo circundante.

As Forças A e B estão em plena operação todo este tempo; a Força C está se acumulando continuamente, enchendo o edifício de pensamento, e sofrendo algum tipo de transmutação ou materialização pelas mãos do Anjo da Presença.

O Missal Romano não usa hinos de adoração imediatamente após a Consagração, mas insere em seu lugar o *Agnus Dei*, um pouco mais adiante no serviço, 204 — A Ciência dos Sacramentos — o que infelizmente está longe de ser tão eficaz.

Uma música tão adorável foi composta para essas palavras por tantos compositores que somos um pouco propensos a ignorar seu significado real.

Somente o efeito entorpecedor do longo costume nos reconciliou com a irreverente inadequação da apóstrofe zoológica de São João Batista, e a ideia de que Ele carrega o pecado do mundo é tão teologicamente enganosa quanto as conotações do pedido para que tenhas misericórdia de nós. Pode ser que aqueles que cantam essas palavras pouco pensem em sua significação, e que as pessoas que as ouvem sejam meramente preenchidas com uma vaga sensação de devoção; mas o efeito prático é que a devoção é frequentemente tristemente tingida de medo servil, e que em muitas grandes catedrais os Anjos têm que ir trabalhar e extrair o cinza do azul nas nuvens pesadas que flutuam lentamente sobre as cabeças da congregação antes que possam usar o material no serviço do Rei do Amor.

Frequentemente e repetidamente tenho visto uma espécie de monte de lixo, uma enorme massa de substância residual — uma névoa espessa e desagradável de lodo astral cinzento — ser expelida de uma igreja pelos Anjos antes que possam realizar seu trabalho em conexão com a Santa Eucaristia.

Nossa redação, ao contrário, sugere apenas alegria e louvor e amor; assim, na medida em que nosso povo segue o ritual e canta com sentimento e compreensão, eles fornecem excelente material para os trabalhadores angelicais.

A Igreja da Inglaterra usa o *Gloria in Excelsis* como sua ação de graças e hino de adoração; seria difícil conceber algo melhor, se não contivesse a própria frase sobre o Cordeiro de Deus que acabei de estigmatizar como, em minha opinião, indesejável.

Outra objeção à sua inserção aqui é que ela tem que ser omitida de seu lugar tradicional na parte anterior do serviço, onde sua presença é tão necessária para a ereção de um edifício sacramental imponente e eficaz.

Mesmo em uma Celebração Baixa, é desejável que o primeiro e o último versos do *Adeste* sejam recitados, pois, se isso não for feito, o Anjo é obrigado a tirar de seu estoque de força para esta parte do trabalho e, consequentemente, resta muito menos para o objetivo de toda a cerimônia.

O edifício construído numa Missa Baixa é naturalmente muito menor do que aquele erguido pelo grande serviço musical com uma numerosa congregação; mas se o celebrante realmente compreende todo o detalhe do seu trabalho, coloca todo o seu coração nele e coopera inteligentemente com os Anjos encarregados, aquela forma comparativamente pequena pode ser uma joia resplandecente, uma verdadeira Capela Palatina como a de Palermo, e o poder derramado através dela pode iluminar a vizinhança como uma fonte de fogo.

ROMANO                               LIBERAL
Portanto, ó Senhor, nós,               Portanto, ó Senhor, Pai
teus servos, e também o teu            celestial, nós, teus humildes
santo povo, recordando a              servos, [tendo em mente o
bendita paixão do mesmo               inefável sacrifício de Teu
Cristo, teu Filho, nosso              Filho, o mistério de Sua
Senhor, e também a sua                admirável encarnação, Sua
ressurreição dos infernos,            poderosa ressurreição e Sua
e a sua gloriosa ascensão             triunfante ascensão, aqui
aos céus, oferecemos à tua            fazemos diante de Tua Divina
excelentíssima majestade,             Majestade a memória que
dos teus próprios dons                nosso Senhor nos mandou
concedidos a nós, uma                 fazer, e Te oferecemos.
hóstia pura, uma hóstia
santa, uma hóstia imaculada,
este, o santo pão da vida             este, o puríssimo dom
eterna, e o cálice da                 que Tu nos concedeste:
salvação eterna.                      [esta Hóstia pura, esta
                                      Hóstia santa, esta Hóstia
                                      gloriosa, o santo Pão da
                                      vida eterna, e o Cálice
                                      da salvação eterna.

206            A Ciência dos Sacramentos

Digna-te olhar para eles com um semblante misericordioso e bondoso, e recebê-los, assim como te agradou receber os dons do teu justo servo Abel, e o sacrifício de nosso pai Abraão, e o que Melquisedeque, teu sumo sacerdote, ofereceu a ti, santo sacrifício e vítima imaculada.

Nós, humildemente, te suplicamos, ó Deus onipotente, que ordenes que estas coisas sejam levadas pelas mãos do teu santo anjo ao teu altar no alto, à vista da tua divina majestade. (As porções entre colchetes são omitidas na forma abreviada do serviço, e as cinco cruzes são feitas onde deveriam estar, segundo o significado da ação — nas palavras amor, devoção, sacrifício, mentes, corações.) O Pão e o Vinho, agora verdadeiramente veículos do Cristo, tornaram-se para nós as maiores joias sobre a terra, os mais maravilhosos dons de Deus.

Portanto, imediatamente os colocamos a Seus pés, em sinal e como expressão do nosso amor, devoção e sacrifício.

Isto é muito mais do que um mero símbolo.

Lembrar-se-á que, numa fase anterior, oferecemos a nós mesmos, nossas almas e corpos, para serem usados absoluta e completamente em Seu serviço.

Então, depois, o sacerdote rompeu o elo e varreu da oblação todo matiz do inferior e do terreno, para que ela pudesse tornar-se um canal adequado para aquela augustíssima potência.

Agora essa potência a preencheu, e nada além do mais elevado pode entrar no seu santuário.

E assim, mais uma vez, fazemos nossa humilde oferenda de tudo o que temos e somos, toda a nossa gratidão por este Seu mais maravilhoso dom de Si mesmo, toda a força, o amor, a devoção que esse dom despertou em nós, tudo o que sentimos e expressamos na elevação e durante o canto dos hinos — tudo isso procuramos verter através do canal que Sua bondade amorosa nos abriu, enquanto o santo Anjo, que é em verdade uma parte d'Ele, ainda está presente conosco. E assim como esse Anjo atua sobre e transmuta a corrente descendente da Divindade, tornando-a assimilável pelo homem mortal, assim também ele atua sobre e transmuta nossa corrente ascendente de amor em resposta, por mais débil que seja, até que se torne não inteiramente indigna de ser ofertada diante da Majestade nas alturas.

Assim, quando o sacerdote faz os cinco sinais de poder, ele pensa no homem quíntuplo, figurado nos mistérios herméticos pela estrela de cinco pontas.

Os cinco princípios ou partes são (a) espírito, (b) intuição, (c) inteligência — os três aspectos do verdadeiro homem interior (frequentemente chamado de alma ou ego), tipificados aqui como amor, devoção e sacrifício — (d) a mente inferior e (e) as emoções.

(Diagramas 11 e 21.) Tudo isso, e toda a força que flui deles sob o inefável estímulo da Santa Eucaristia, ele oferece total e incondicionalmente a nosso Bendito Senhor, através do canal direto e especial que agora lhe está aberto, pedindo que o Anjo da Presença possa levar esta nossa humilde oblação ao eterno Altar nas alturas.

Este Anjo é uma extensão da consciência do próprio Cristo, e quando nosso Senhor, que estendeu esse raio, o recolhe de volta a Si, ele traz consigo a impressão que nós, através dos sagrados elementos, nele gravamos. Assim, a força que nós mesmos, aqui embaixo, geramos é realmente utilizada nos mundos superiores, e temos o inefável privilégio de contribuir, ainda que em pequeníssima medida, para esse grande reservatório de força espiritual do qual os sacerdotes de Cristo extraem seu poder quando administram os santos Sacramentos.

Assim, quando o Anjo desaparece com seu sorriso glorioso no momento em que é mencionado na oração, isto é o que ele traz de volta consigo como nosso tributo de amor.

Sua presença era necessária para o ato de consagração e para a transmutação das forças, mas agora ele deve retornar, trazendo consigo seus feixes.

É verdade, naturalmente, que toda força no mundo é força divina, e assim, como se diz em um hino conhecido:
              Nós Te damos apenas o que é Teu,
         Seja qual for o dom que possa ser.
                 A Santa Eucaristia

Mas é a Vontade de Deus, Seu sistema para o nosso progresso, dar a cada um de nós uma certa quantidade limitada dessa força, e ver como a usamos. Como na parábola dos talentos, alguns fazem bom uso dela, outros a desperdiçam, outros a enterram no chão e a ignoram por completo.

Assim, embora seja somente pelo poder de Deus que somos capazes de fazer qualquer coisa, também é verdade que quando nos derramamos em devoção extremada, estamos gastando para o bem uma certa quantidade de energia que, se fôssemos mais tolos ou mais ignorantes, poderíamos ter empregado de forma menos sábia.

Estamos fazendo aquilo que Deus pretendia que fizéssemos — usando o poder que Ele nos deu em harmonia com a evolução que é o Seu plano.

Lembrai-vos também daquela outra lei da vida superior que mencionei anteriormente.

Para cada elevação de amor ou devoção, vem uma resposta generosa do alto; e porque as forças são vivas, o efeito é muito maior do que a causa.

E tudo isso também é acrescentado à nossa contribuição para o reservatório.

Podemos dizer com a máxima reverência que Deus conta com a ajuda de Suas criaturas — que faz parte do Seu esquema que, assim que elas se tornem suficientemente inteligentes para compreender esse esquema, apressem-se ansiosamente a se alinhar sob Sua bandeira como trabalhadores.

Recapitulemos brevemente.

Primeiro, o sacerdote soprou uma espécie de bolha gigante no Asperges; então o Anjo da Eucaristia, tomando nossa devoção e afeição, começou, dentro dela, a construir o grande edifício eucarístico.

Dentro desse edifício, pela segunda incensação, o sacerdote fez uma espécie de relicário ao redor dos elementos, separando-os do restante da
210            A Ciência dos Sacramentos

igreja, assim como ele havia temporariamente separado a igreja do mundo exterior.

Dentro desse relicário mais íntimo, o sacerdote começou seu tubo; dentro desse tubo novamente a mudança ocorreu na Consagração, para que a influência divina pudesse fluir para baixo.

O próprio Cristo derrama o poder; para que Ele possa fazê-lo facilmente e com o mínimo esforço, deixando a maior quantidade possível da força para ser usada em seu propósito real, o Anjo da Presença, pela transubstanciação real, faz a linha de fogo ao longo da qual Ele pode derramá-lo. O sacerdote, porém, ao empurrar seu tubo para cima e assim preparar um canal, tornou possível ao Anjo fazer isso.

Há muitas experiências elétricas que devem ser realizadas no vácuo; e nesse caso é naturalmente necessário fazer o vácuo primeiro.

Assim, neste caso, o tubo deve ser feito antes que essa linha especial de comunicação possa ser inserida nele. Mas o sacerdote não poderia fazer esse tubo a menos que tivesse primeiro feito um receptáculo devidamente isolado de onde empurrar para cima, e assim ele realizou o isolamento dos elementos.

O povo auxiliou o sacerdote e forneceu o material para o edifício através do qual a força é distribuída quando foi derramada.

Assim vemos que todos tomaram a devida parte no processo um tanto complicado que produz um resultado tão magnífico.

ROMANO                            LIBERAL   Que tantos de nós      E   [como Ele ordenou que o     neste altar participem e re-       celestial Sacrifício seja ce- cebam o santíssimo corpo       lebrado aqui na terra        A Sagrada Eucaristia eu

e   +   sangue   de   através   do ministério   de   teu   Filho,   para que sejamos   preen-   mortais,   para   que   teu   povo   chidos   com   toda   bênção   e   santo   seja   mais   estreitamente   graça   celestial.   unido   em   comunhão   contigo,]   Por   Cristo,   nosso   Senhor.   Amém.   nós   oramos   por   teu   servo   que   ministra   neste   altar,   para   que,   celebrando   dignamente   os   mistérios   do   santíssimo   Corpo   e   +   Sangue   de   teu   Filho,   ele   seja   preenchido   com   teu   poderoso   poder   e   bênção.

Na forma abreviada do serviço, as palavras entre colchetes são omitidas.

Agora que o Anjo da Presença, tendo concluído seu trabalho, se retirou, um certo rearranjo se torna necessário.

Até o ponto de sua retirada, havia três vínculos diretos com o Cristo em plena operação — o Anjo, a Hóstia e o Cálice, se por um momento entendemos o último termo como significando não o copo em si, mas o Vinho e a Água intensamente carregados que ele contém.

Esses três canais têm cada um sua função especial, mantendo entre si o mesmo tipo de relação que encontramos em toda manifestação tríplice, desde as Três Pessoas da Santíssima Trindade até as três qualidades essenciais da matéria.

Todos os três, neste caso, estão preenchidos com a vida de nosso Senhor e são, de fato, extensões de Sua consciência, embora cada um represente o que nós, do nosso ponto de vista inferior, chamaríamos de uma parte diferente dessa consciência.

Assim, quando um desses desaparece, ou deve ser substituído por outro, ou a representação deve ficar imperfeita.

A Ciência dos Sacramentos

O sacerdote, em sua ordenação, foi especialmente vinculado a seu Mestre, o Cristo, e por causa dessa conexão íntima é possível que ele ocupe o lugar do Anjo da Presença — não, de fato, para o ato de consagração, mas para o trabalho em nível inferior que ainda resta ser feito.

Ele está prestes a derramar a força divina sobre o povo, mas não pode fazê-lo até que ele mesmo se torne parte do canal; e assim, "para que o Teu santo povo seja mais estreitamente unido em comunhão Contigo", ele ora para que possa celebrar os mistérios de tal modo que seja preenchido com o poderoso poder e a bênção do Senhor.

E enquanto diz essas palavras, ele faz o sinal de poder sobre a Hóstia, sobre o Cálice e sobre si mesmo, para que a representação tríplice possa ser restaurada.

ROMANO                              LIBERAL   Lembra-te, ó Senhor, dos   teus servos, homens e mulheres,   N.   e   N., que partiram antes de nós com o sinal da fé e dormem o sono da paz.

A estes, ó Senhor, e a todos os que descansam em Cristo, te suplicamos, concede um lugar de refrigério, luz e paz.

Através do mesmo Cristo, nosso Senhor.

Amém.

A nós, pecadores, também, teus servos, que esperamos na multidão de tuas misericórdias, digna-te conceder alguma parte e comunhão com teus santos apóstolos e mártires; com João, Estêvão, Matias, Barnabé, Inácio, Alexandre, Marcelino, Pedro, Felicidade, Perpétua, Ágata, Lúcia, Inês, Cecília, Anastácia, e com todos os teus santos; em sua companhia, nós te rogamos, admite-nos, não por consideração de nossos méritos, mas por teus dons celestiais e teu próprio livre perdão.

Igualmente te rogamos, santifica o teu povo aqui presente através destes mistérios. Por Cristo, nosso Senhor.

Tu santificas, vivificas e abençoas estas tuas dádivas abundantes e no-las concedes. Por quem, ó Senhor, tu crias, santificas, vivificas e abençoas todas as coisas, para que tanto em seus corações quanto em suas vidas manifestem teus dons generosos e deem louvor e glória ao teu santo Nome.

O sacerdote agora envia a divina luz sobre a congregação, pensando, ao fazer os três sinais da cruz, na natureza tríplice da força com que os está carregando, e desejando ardentemente que ela tenha efeito prático tanto em seus corações quanto em suas vidas.

ROMANO                                       LIBERAL                                                  Todas estas coisas pedimos,                                            ó Pai, em o                                               Nome e por a                                               mediação de o Teu                                               mui bendito Filho, ou                                               nós reconhecemos e confessamos                                               com nossos corações e lábios                                               que 44 por Ele foram todas   Por Ele, e com                                               as coisas feitas, sim, todas   Ele, e em Ele,                                               as coisas tanto no céu como                                               na terra; 44 com Ele como o           214 A Ciência dos Sacramentos

Verbo interior, todas                                    as coisas existem, e em                                    Ele como a Glória transcendente todas as coisas vivem                                    e se movem e têm o seu                                    ser: é a Ti, Deus o           A Quem Contigo, ó Pai,                                    onipotente, em a           Poderoso Pai, em a                                    unidade do Espírito +         unidade do Espírito Santo,                                    seja atribuída toda honra    toda honra e glória.

Para todo o sempre.

e glória, através- Amém.

dos séculos dos séculos.

R.                                    Amém,

Em gratidão por esta maravilhosa efusão, eles imediatamente se unem a Ele em uma magnífica atribuição de louvor e adoração à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, reconhecendo que, não fosse a influência que Ele envia ao mundo, não poderia haver vida nele.

E assim, ao renderem graças, recebem, como sempre, muito mais do que dão, ou, enquanto o sacerdote faz as três cruzes com a Hóstia sobre o Cálice, ele deseja fortemente que a santa influência do nível mônadico desça até o ego em sua tríplice manifestação de espírito, intuição e inteligência; e então, ao fazer as duas cruzes entre o Cálice e o próprio peito, ele atrai essa influência para seus próprios corpos mental e astral, para que através dele ela possa irradiar plenamente sobre o seu povo.

A simbologia aqui é precisa e bela, e é notável que tenha sido preservada tão exatamente através dos séculos em que parece que seu significado foi quase inteiramente perdido.

Em todos os estágios iniciais da evolução, a Mônada paira sobre suas manifestações inferiores, pairando sobre a Santa Eucaristia

elas, agindo sobre elas, mas nunca as tocando; assim o sacerdote sustém a Hóstia acima do Cálice, mas nunca toca uma com o outro até que o tempo determinado tenha chegado.

Ao concluir o sacerdote a oração, ele faz o que se chama a Elevação Menor, erguendo a Hóstia em sua mão direita acima do Cálice em sua esquerda, assim não apenas tipificando o pairar da Mônada, mas também mostrando a linha pela qual a força está fluindo.

É agora costume o sacerdote sustentar os elementos sagrados diante do peito, mas em tempos anteriores ele provavelmente os erguia bem alto o suficiente para o povo ver.

É neste ponto que em muitas Liturgias ocorrem as palavras *Sancta sanctis* — "coisas santas para os santos". Ao tentar seguir o simbolismo, devemos sempre ter em mente que o Cristianismo é um culto do Segundo Aspecto do Logos — uma das religiões que enfatizam a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade; e assim nos encontramos especialmente adorando o Verbo, e apresentando a Sabedoria mesmo antes da Força e da Beleza.

Deve haver sabedoria para conceber, força para executar e beleza para adornar.

A tendência vaishnava na religião hindu, e o notável culto de Mitra, que tão quase suplantou o Cristianismo no mundo romano, são outros exemplos do mesmo tipo.

O aspecto shaivita do Hinduísmo enfatiza a Primeira Pessoa, como fazem o Maometanismo e o Judaísmo, na medida em que este último se libertou do sanguinário culto elemental de seus primórdios.

Todos os cultos femininos — a adoração de Ísis, Astarte, Vesta, Vênus, Palas Atena — essen-
216 A Ciência dos Sacramentos

enfatizam especialmente a Terceira Pessoa, a Quem agora chamamos Deus o Espírito Santo.

ROMANO                             LIBERAL   Oremos.

Ensinados por              Oremos.

Instruídos por vossos preceitos de salvação          pelas palavras da divina pelas palavras do           Escritura, e seguindo o divino             mandamento, ousamos           mandamento, e seguindo a           dizer:                     tradição da Santa Igreja              desde os tempos antigos, nós              agora dizemos:   Pai nosso, que estais nos              Pai nosso, que estais nos céus,  santificado seja o vosso           céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso          nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa          reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como          vontade assim na terra como no céu.

O pão nosso           no céu.

O pão nosso de cada dia nos dai         de cada dia nos dai hoje; e hoje; perdoai-nos as           perdoai-nos as nossas ofensas, nossas ofensas, assim           assim como nós perdoamos como nós perdoamos a          a quem nos tem ofendido. E quem nos tem ofendido. E         não nos deixeis cair em não nos deixeis cair em          tentação.

R. Mas livrai-nos           tentação, mas livrai-nos do do mal.

mal.

Pois vosso é o reino,                                       o poder e a glória,                                       para sempre.

Amém.

No ritual romano, a Oração do Senhor ou Pater Noster segue neste ponto.

Ela aparece em todas as liturgias conhecidas, por isso a inserimos aqui, pois muitos dos fiéis a ela se apegam por associações sentimentais.

Raramente a uso pessoalmente, pois ela não tem parte alguma na magia da cerimônia, e devo, em honestidade, permanecer em silêncio durante a repetição de várias de suas cláusulas.

Se devo pedir a Deus que nos dê hoje o pão de cada dia, devo necessariamente buscar alguma interpretação simbólica da frase, pois sei que Deus não dá o pão de cada dia a nenhum homem, a menos que ele o ganhe, ou possa pagar por ele, ou o receba como presente de outro homem.

Não é verdade nestes dias, se é que alguma vez foi, que corvos trarão alimento a um homem que se senta no deserto e espera por ele. Se for um pedido de alimento espiritual, certamente seria melhor dizê-lo; e mesmo nesse sentido a oração é desnecessária, pois Deus está sempre oferecendo a cada homem tudo o que ele é capaz de receber, e se ele falha em aproveitar isso, só tem a si mesmo para culpar.

À petição "perdoa as nossas ofensas" aplica-se a mesma objeção que às expressões das confissões mais antigas — a sugestão de que Deus guardaria rancor contra o homem caso a súplica não fosse feita.

A redação implica falta de fé — uma concepção totalmente errônea de Deus.

Pior ainda é a cláusula seguinte, "não nos deixes cair em tentação", pois isso é um verdadeiro insulto ao Pai celestial.

Nenhuma divindade boa jamais conduziu homens à tentação.

São Tiago observa com senso comum revigorante: "Ninguém, ao ser tentado, diga: 'Sou tentado por Deus'; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta.

Mas cada um é tentado quando atraído e seduzido pela sua própria concupiscência." Isso é exatamente o que a pesquisa científica nos mundos superiores também nos ensina. A petição "livra-nos do mal" pode sem dúvida ser interpretada de várias maneiras, mas novamente tem um sabor de falta de fé.

Nenhum mal pode nos sobrevir a menos que o tenhamos merecido, e como isso ocorre sob a lei de Deus, pode-se dizer que está de acordo com Sua vontade; mas nosso dever é claramente enfrentá-lo com bravura e retidão, para que, daquele erro remoto que foi sua causa, possamos fazer um bem presente para nós mesmos, desenvolvendo coragem, alegria e desenvoltura. Uma interpretação dessas palavras que permitiria usá-las é tomá-las como uma invocação ao Deus interior para que nos guie através da tensão do mal; mas mesmo assim sente-se que poderia ser mais claramente expressa.

Pelas cláusulas da oração que introduzem e seguem aquelas a que me referi, tenho a maior admiração; se todo o meio dela fosse suprimido, poderíamos todos repeti-la conscientemente. Muitos que não podem aprovar seus sentimentos sentem-se obrigados a recitá-la porque se supõe que nosso Senhor mesmo seja seu autor.

Ele pode ou não tê-la prescrito para Seus discípulos, mas é ao menos certo que não a compôs, pois cada uma de suas cláusulas era usada nas sinagogas judaicas e nos templos babilônicos séculos antes de Seu nascimento em Belém.

O Rev. John Gregorie cita a seguinte forma dela, compilada a partir dos Eucológios Judaicos: "Pai nosso que estás no céu, sê gracioso conosco; Ó Senhor nosso Deus, santificado seja o teu nome, e que a lembrança de ti seja glorificada no céu acima e na terra aqui abaixo. Que o teu reino reine sobre nós agora e para sempre."

Os santos homens de outrora disseram: perdoai e absolvei todos os homens de tudo quanto tenham feito contra mim. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

Pois vosso é o reino, e vós reinareis em glória para sempre e para todo o sempre.

Não há dúvida quanto à antiguidade da oração.

Basnage, em sua *Histoire des Juifs*, conta-nos que algumas de suas cláusulas ocorrem no Kadish, uma das mais antigas orações preservadas pelos judeus, tão antiga — *Obras de Gregório*, ed. 1671, p. 163, *A Santa Eucaristia* — que era tradicionalmente recitada em língua caldaica, descendo desde o retorno do cativeiro.

Portanto, não precisamos nos sentir obrigados a usá-la por causa de sua autoria.

Assim ela me afeta; mas há muitos para quem ela é querida por longa associação ou por razões sentimentais; e por amor a eles, acrescento aqui uma belíssima interpretação dela, dada por meu caro e erudito amigo, Sr. Jinarajadasa: ‘“Que melhor modo de trazer Sua poderosa ação mística aqui e agora aos nossos corações do que as palavras que Ele uma vez deu aos homens na Palestina? Vós as repetis tão frequentemente; repeti-as novamente, mas fazei-o agora de uma nova maneira.

Vós as haveis dito e as dizeis todos os dias: ‘Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome.’ Sim, mas Ele é também nosso Irmão, e Seu céu não está longe; Sua vida está fulgurando através de nós todos os dias, e Seu Nome é santificado, pois é Ele quem permanece jubiloso com a grande vida de Deus, embora haja também o mal, a dor de todos os homens, em Sua consciência.

‘“Venha a nós o Vosso Reino,” dizemos.

Não um reino distante, mas este Reino que Ele está planejando trazer a todos os homens, uma parte do grande Plano divino que Ele estabelecerá na terra para todos os homens, pela primeira vez na história da humanidade, verdadeiramente o Reino da Retidão na terra.

Quando dizemos isto, pensemos neste Reino que Ele vai trazer a todos os homens, e anseiemos por ajudar em sua realização.

‘“Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu.” Quem pode compreender estas palavras tão bem quanto nós? Pois naquele mundo invisível de Sua consciência, em 220 *A Ciência dos Sacramentos*

aquele misterioso mundo celestial que está aqui e não longe, Ele está fulgurando Sua inspiração; ali não há miséria, nem tribulação, mas uma alegria insistente, e Ele está ali, fulgurando essa alegria sobre todos os Seus amados filhos.

‘“E essa alegria é o que Ele deseja dar a todos os homens na terra.”

Sempre está a vontade de Deus ali, no mundo celestial; mas é tão raro que as condições possam ser arranjadas de modo que algo do céu possa ser conhecido pelos homens aqui na Terra.

Ele reuniu Seus filhos da Estrela para isto ou aquilo, e nós nos preparamos para esse serviço fazendo a Sua vontade aqui.

'Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.' O que é esse pão de cada dia que todos os homens necessitam? Não é o sustento terreno, mas aquele pão do Amor que renovará nossos corações a cada manhã, e os despertará para uma nova primavera de vida a cada dia.

Pois tão duras são as condições de vida para todos nós, que é o Amor que necessitamos para tornar nosso fardo mais leve.

Esse Amor está em toda parte, mas não podemos vê-lo. Que nossa prece signifique para nós: 'Ensina-nos a ver este amor, este pão de cada dia, em toda parte.' Pois ele está ali para nós, se apenas estendermos nossas mãos para recebê-lo.

Por mais dura que a vida possa ser para todos nós, ainda assim, para Seus filhos da Estrela, cada ocasião na vida pode se tornar uma oportunidade para amar.

'E perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos ofendem.' Tão difícil isso, perdoar a ofensa do outro, compreender por que ele ofendeu, simpatizar e perdoar.

Isso requer compreensão quase divina, e ainda assim ali está nosso Irmão, o Grande Irmão, ao nosso lado, para nos ensinar. E assim, se nos deixarmos ensinar por Ele, Ele nos ensinará. Ele está nos ensinando. Ele veio às nossas vidas e nos falou de Devoção, Constância e Gentileza; se apenas vivermos por esses grandes ideais, Ele nos ajudará; e então descobriremos que Ele nos perdoa as nossas ofensas, e que o fardo de nossa ofensa desaparece, e por mais que tenhamos que pagar a dívida à natureza, a culpa se foi.

Pois o Grande Mestre fará de nossa culpa a Sua culpa, e Ele desfará todo o erro e o tornará como se nunca tivesse existido.

'E não nos deixes cair em tentação.' As tentações estão por todos os lados para transgredir a lei do amor, mas Ele está conosco para nos mostrar como superá-las; nunca devemos duvidar disso.

Enquanto trabalhamos para Ele e em Seu nome, Sua força é a nossa força.

'Mas livra-nos do mal.' É o amor que nos livra de todo mal, e Sua riqueza de amor é nossa para transmutar todo poder maligno em bem.

'Pois Teu é o reino, o poder e a glória.' Sim, verdadeiramente, pois buscamos acima de tudo o grande Reino do Amor; é o Seu Reino que buscamos, e cada vez mais ele é nosso à medida que mais e mais amamos.

Nosso poder de amar é feito para crescer por Ele como Mediador de Deus; nossa glória é também a Sua glória, pois somos d’Ele, e Ele é de Deus. ‘“Estes são os caminhos para encontrá-Lo.

Basta que compreendamos e digamos a Sua oração, que queiramos que o Seu Reino se estabeleça na terra, e que nos determinemos e sejamos firmes para o seu estabelecimento, e encontraremos que Ele conhece nossos corações e ali habita.’”                                                                        Ee

"A Mensagem do Futuro, por C. Jinarajadasa, M.A. (Cantab.), p. 84, 222            A Ciência dos Sacramentos

ROMANO                                   LIBERAL    Livrai-nos, ó Senhor, nós                Aqui nós vos              entregamos, vos suplicamos, de todos os males,          ó Senhor,             altíssimo passados, presentes e futuros;             louvor      e    cordiais        agradecimentos e pela       intercessão      do              pela maravilhosa graça bendito       e     glorioso             e virtude declarada em Maria, sempre virgem e              santa Maria, a sempre-virgem mãe de Deus, e dos vossos              Mãe,    e  em todos os vossos santos apóstolos Pedro              santos gloriosos desde o prin- e Paulo, e André, e de              cípio do mundo, que têm todos os santos,               miseri- sido os vasos escolhidos cordiosamente concedei paz em               da Vossa graça e uma luz nossos tempos, para que              resplandecente para muitas através      do     auxílio      da              gerações.

E nós vos     Vossa       generosa        misericórdia              unimos a eles em adoração possamos estar sempre livres              diante      do     Vosso      grande do pecado e a salvo de todo              trono branco, de onde fluem              transtorno.

todo                                    o amor     e    a luz    e    a bên-                                        ção através        de    todos      os                                        mundos        que      criastes,

A forma mais curta é simplesmente:    Nós vos louvamos e agradecemos, santo Senhor, pela glória dos vossos santos, e nós nos unimos a eles em adoração diante do Vosso grande trono branco, de onde fluem todo amor e luz e bênção através de todos os mundos que criastes.

Aqui novamente a simbologia é proeminente, ou, enquanto o sacerdote profere estas palavras, ele retira a patena do seu recolhimento e faz com ela o sinal da cruz sobre si mesmo. Ora, assim como a Hóstia significa a Mônada, também a patena tipifica o veículo da Mônada — aquele Espírito Triplo através do qual somente a Mônada nos influencia ou pode de qualquer forma tornar-se conhecida por nós no nosso atual estágio de evolução.

Agora, esse Espírito Triplo repousa naquilo que, por causa dele, chamamos de mundo espiritual (ou por vezes o plano átmico ou nirvânico), e é nesse nível que a consciência de todos os Adeptos e grandes Santos funciona.

É somente nesse nível que podemos perfeitamente unir-nos a eles, e assim o sacerdote faz o sinal dessa união com a patena, e então a desliza sob a Hóstia, para mostrar que a Mônada está assumindo o seu veículo, a fim de que possa influenciar o ego.

Contudo, os elementos não são meramente símbolos; são também instrumentos mágicos, por meio dos quais aquilo que é simbolizado é realmente realizado, na medida em que pode ser realizado.

Se os membros da congregação fossem suficientemente avançados no crescimento espiritual, haveria, a estas palavras, uma perfeita fusão de consciência entre eles e os grandes Santos do passado; e embora isso ainda não possa ocorrer, certamente alcançamos tão alto quanto podemos em direção àqueles Seres Santos, e entramos em contato com o seu pensamento e sentimento no nível que já atingimos.

A perfeita unidade do mundo espiritual não é para nós enquanto ainda caminhamos cá embaixo; mas a união maravilhosamente íntima do mundo intuicional está, até certo ponto, aberta para nós. Muitos de nós não temos desenvolvimento consciente nesse nível, e por isso não podemos ainda ter a calma certeza do conhecimento; mas antes que isso seja alcançado, há um longo período de gestação — um tempo de crescimento inconsciente comparável ao de um pintinho dentro do ovo; e isso já começou para muitas pessoas sinceras e devotadas.

Elas podem ainda não ser capazes de ver, mas, de qualquer forma, podem sentir algo do que está ocorrendo, e bem podem estar conscientes de um grande elevação e talvez, por vezes, de uma onda de emoção em alguns dos pontos críticos do serviço religioso.

A igreja está repleta das mais poderosas vibrações, e elas inevitavelmente estimulam o pensamento superior e o sentimento superior de todos os presentes, estejam eles conscientes do efeito ou não.

O serviço é arranjado para ajudar a todos, e cada homem obtém dele o que, em seu estágio de adiantamento, é capaz de obter.

Algo chega a cada um, mas sobretudo ao homem que compreende o que está sendo feito e sabe como se tornar receptivo.

A oração romana neste ponto menciona vários santos e pede sua intercessão; nós fazemos referência especial apenas à Nossa Senhora.

Este não é o lugar para explicar a maravilhosa riqueza de significado que, para nós, reside por trás desse título; ela será encontrada em um volume posterior sobre as Festas Cristãs.

ROMANO                               LIBERAL   Por Jesus Cristo,        Ó Filho de Deus, que vos vosso Filho, nosso Senhor.   manifestais hoje sobre mil altares Que vive e reina convosco         e contudo sois uno e indivisível, na unidade do Espírito Santo.   em sinal do vosso grande sacri- Por todos os séculos           fício nós partimos este vosso dos séculos.              Corpo, orando para que por esta R. Amém.                ação, ordenada desde a anti- A paz do Senhor seja +y        guidade, vossa + força, vossa sempre convosco.              paz, vossa bênção, que nos R. E com o vosso espírito.      dais neste santo Sacramento, Que esta mistura e               se espalhe sobre o vosso rebanho; santificação do corpo e             e assim como vós, ó Senhor sangue de nosso Senhor            Cristo, fostes reconhecido por Jesus Cristo nos aproveite         vossos discípulos no partir do aos que o recebemos para         pão, assim possam vossos muitos a vida eterna.                  filhos reconhecer-se unos em vós, Amém.                             assim como vós sois uno com o Pai.

R. Amém.

St                                                                            De                  A Santa Eucaristia                eo

Já escrevi sobre a "Presença sobre mil altares" que o sacerdote aqui apresenta em simbolismo.

Em sinal do grande Sacrifício (a descida do Segundo Aspecto do Logos na matéria), ele parte a Hóstia em duas partes, simbolizando aquela divisão primordial do Uno em Dois, o Não-Manifestado e o Manifestado, que mais tarde nos leva ao Espírito e à Matéria, positivo e negativo, masculino e feminino, e é o começo de todos os pares de opostos que encontramos aqui embaixo.

Então, porque a mão direita sempre significa o superior e a esquerda o inferior, ele parte um pequeno fragmento da metade esquerda para recordar a continuação do processo, a divisão posterior daquela manifestação inferior em muitos, e com esse fragmento ele magnetiza o Cálice enquanto ora para que força, paz e bênção se espalhem pelo mundo.

Até aqui a cerimônia tem sido dirigida para a coleta e armazenamento da força, e seu efeito sobre os presentes; agora com estas palavras começa o grande derramamento sobre a vizinhança, que é um dos principais objetivos da Eucaristia.

Começa agora, mas continua durante toda a Saudação da Paz e a Comunhão — praticamente através do restante do serviço.

Não devemos confundir isso com as radiações das Forças A e B, que têm ocorrido o tempo todo; este é um fluxo distinto da terceira força que chamamos de C, derramando-se em alta pressão através das portas do edifício eucarístico, e sendo dirigido e especializado pelos Anjos menores a quem essa tarefa foi designada.

P 226          A Ciência dos Sacramentos

Deve-se entender que todo o esquema da magia que é organizado para a Igreja Cristã destina-se a estar disponível e ser eficaz mesmo que nenhuma das pessoas envolvidas, nem os sacerdotes nem a congregação, saiba algo sobre ele. O estudante aprende intencional e compreensivamente a usar as forças superiores, mas o esquema da Igreja é especialmente planejado para dar algo do benefício dessas forças àqueles que as ignoram.

Por isso existe o reservatório especial; por isso é decretado que todo sacerdote deve extrair dele na realização de suas cerimônias diárias, e que essa influência seja derramada sobre toda a paróquia, mesmo que haja poucos nela que sejam suficientemente responsivos para obter algum grande benefício.

O poder que irradia da Hóstia reservada era melhor compreendido na Idade Média, ou em todas as aldeias mais antigas da Inglaterra encontramos as cabanas agrupadas ao redor da igreja, e considerava-se apropriado entrar na igreja cada manhã e orar por um tempo, mesmo fora da participação em qualquer serviço religioso.

As religiões mais antigas, embora fluindo da mesma fonte divina, não têm o mesmo plano de um reservatório especial e de distribuição de força espiritual por meio de um serviço público.

Essa é a ideia nova especial que o Instrutor do Mundo, se podemos, com toda reverência, ousar dizê-lo, inventou para esta religião; e a Igreja Cristã é a primeira na qual isso foi experimentado exatamente nessa forma.

As religiões mais antigas praticamente não têm serviços públicos; são quase inteiramente individuais.

Cada homem vem ao templo quando lhe agrada, faz sua própria pequena oferta e diz suas próprias pequenas orações.

As imagens que o missionário ignorantemente chama de ídolos são altamente carregadas de magnetismo, e cada homem, ao colocar-se em contato com elas, recebe uma efusão desse magnetismo.

Isso também, até certo ponto, irradia-se permanentemente sobre o distrito ao redor. A nova invenção de nosso Senhor para o Cristianismo foi a cerimônia diária na qual uma onda especial e tremendamente intensificada de força deveria ser invocada pelo novo ato diário de magia e, assim, além da radiação suave embora persistente, deveria haver pelo menos uma vez por dia um estímulo muito mais forte.

Sei, é claro, que a Eucaristia nem sempre foi celebrada diariamente, mas sustento que nosso Senhor inspirou Sua Igreja a mover-se nessa direção quando chegasse o momento apropriado.

Os homens têm perguntado se não indicaria um estágio mais elevado de desenvolvimento ser capaz de prescindir desses "meios de graça", e se não podem, por meditação privada, obter o mesmo benefício que o sacerdote alcança na Eucaristia.

É inquestionavelmente um estágio mais elevado quando uma pessoa pode, por meio de seus próprios princípios superiores, realizar-se como parte do Senhor e em contato direto com Ele, e é isso que os estudantes estão gradualmente aprendendo a fazer. Os "meios de graça" são providos principalmente para aqueles que não podem fazer isso, e são eficazes para eles; não há razão para que nós (que sabemos um pouco mais) não possamos também tirar proveito deles, enquanto os sentirmos de algum valor para nós; mas quando realmente altamente desenvolvidos, podemos, sem dúvida, prescindir deles.

Ao mesmo tempo, nas etapas intermediárias, enquanto 228 A Ciência dos Sacramentos

ainda estamos aprendendo, se frequentamos esses meios, não há dúvida de que extraímos muito mais deles do que as pessoas que não os compreendem.

O sacerdote não busca primariamente obter qualquer benefício para si mesmo ao celebrar a Santa Eucaristia, mas se torna um veículo para um benefício espiritual enorme aos seus semelhantes.

O poder da Hóstia reservada é inteiramente diferente de qualquer coisa que se possa obter na meditação privada.

Não podemos comparar duas coisas que são radicalmente diferentes.

O derramamento da Hóstia ajusta e fortalece os vários veículos daqueles que entram sob sua influência.

A meditação é uma espécie de atletismo espiritual e mental para desenvolver os poderes dos veículos superiores.

O homem comum é elevado e auxiliado pela influência do serviço; o estudante está gradualmente se treinando de uma maneira bem diferente para poder ajudar os outros.

O sacerdote está realizando seu trabalho designado como um canal que traz as forças para estes planos inferiores; o estudante visa, no presente, qualificar-se para o sacerdócio universal dos servos de Deus nos planos superiores — o sacerdócio da Ordem de Melquisedeque.

Quando, na oração que estamos considerando, o sacerdote faz os três sinais de poder, ele simboliza a constituição tríplice do ego, o espírito, a intuição e a inteligência, que nele representam os Três Aspectos do Divino; ou Deus fez o homem à Sua própria imagem.

Então ele deixa cair o fragmento da Hóstia no Cálice, significando assim a descida de um raio da Mônada para o ego.

Antes, a Mônada pairou sobre as formas inferiores A Santa Eucaristia

desde o alto, mas sem contato; agora um raio é realmente lançado, e Sabedoria, Força e Beleza são manifestadas um estágio mais abaixo.

Contudo, ao deixá-lo cair, ele ora para que os homens percebam sua unidade com Deus e uns com os outros; pois embora, no que diz respeito à aparência física, a Hóstia seja partida, na realidade espiritual ela ainda é una, pois a parte nunca pode ser separada daquilo a que pertence, e todos somos um n'Ele, assim como Ele é uno com o Pai.

E embora um raio tenha sido lançado no ego, muito mais permanece para trás — a estupenda realidade divina que ainda não podemos conhecer.

O estudante deve atentar para que, em seu deleite com toda essa bela sequência de simbolismo, nunca se esqueça de que não se trata de mera simbologia, mas que se destina, o tempo todo, a atuar definitivamente sobre os veículos superiores dos presentes, de acordo com o estágio de seu desenvolvimento.

Seu poder, dessa forma, de reproduzir aquilo que tipifica é mais notável e, até onde sabemos, é limitado apenas pela capacidade do receptor de ser influenciado.

A    SAUDAÇÃO    DA    PAZ            ROMANA                               LIBERAL     Cordeiro    de  Deus,     que tirais o     pecado   do mundo, tende piedade de nós.     Cordeiro    de  Deus,     que          Omitido     da    Liturgia tirais o     pecado do         Católica Liberal.

mundo,   tende   piedade   de nós   Cordeiro    de  Deus,    que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz.

A Ciência dos Sacramentos

Ó      Senhor     Jesus       Cristo,    Ó    Senhor   Jesus   Cristo, que disseste aos vossos                Que dissestes aos vossos apóstolos: Eu vos deixo a paz,            apóstolos: “Eu vos deixo a minha paz vos dou;                paz, a minha paz vos dou”, não olheis para os meus pecados,           não olheis para a nossa mas    para   a  fé   da  vossa            fraqueza, mas para a fé da igreja; e concedei-lhe a paz               vossa Igreja, e concedei-lhe e a união    segundo    a    vossa          essa paz e unidade que são vontade: vós,    que    viveis           agradáveis à vossa santa e reinais,    Deus,    por            vontade e mandamento.

R. todos    os    séculos    dos

séculos.

Amém.

Amém.

V. A paz    esteja    convosco.

P. A paz do Senhor                                                  esteja sempre convosco.

R. E    com    o    vosso espírito.

C. E com o vosso espírito.

Esta forma da Bênção Menor é ligeiramente diferente das outras nove encontradas no serviço da Eucaristia.

Em vez de estender as mãos para toda a congregação e usar a fórmula usual, o celebrante volta-se para o clérigo de mais alta hierarquia presente no presbitério e dá-lhe o que, segundo a tradição antiga, era chamado o Ósculo da Paz.

Chamamos agora de Saudação da Paz, ou os lábios não são mais usados, mas o celebrante toca levemente o seu vizinho em ambos os ombros simultaneamente, como se o abraçasse, e lhe diz: "A paz do Senhor seja sempre convosco." O clérigo que recebe esta saudação estende os próprios braços enquanto se ajoelha e toca os cotovelos do celebrante, simbolizando também um abraço, e responde com as palavras habituais: "E com o teu espírito." Imediatamente se levanta e transmite a saudação ao clérigo seguinte na hierarquia, usando as mesmas palavras e gestos, e assim a saudação é repassada até que todos os presentes no presbitério a tenham recebido e a ela respondido.

A Santa Eucaristia

Em tempos antigos, era costume que o mais jovem dos acólitos, que era o último a receber a saudação, descesse os degraus do presbitério e a transmitisse a algum membro da congregação nos bancos da frente, que por sua vez a enviava ao longo da fileira; era então transmitida à fileira seguinte, e assim por diante, até que cada pessoa em toda a congregação tivesse sido definitivamente ligada individualmente, desta forma, numa cadeia ininterrupta com o celebrante.

As condições modernas não permitem agora o pleno detalhe desta comovente cerimônia antiga; nossa apressada vida europeia deixa pouco tempo para tamanha atenção individual; assim, quando a saudação circulou entre os oficiais da igreja, às vezes o próprio celebrante, às vezes o mais jovem acólito que acabou de recebê-la, desce aos portões do presbitério e, permanecendo na entrada, dá a saudação a toda a congregação em massa, e os leigos respondem juntos: "E com o teu espírito." Claramente, há nisto uma dupla significação: primeiro, estabelecer o forte vínculo magnético individual do contato físico real com cada pessoa presente; e segundo, expressar muito forte e claramente a ideia de que todos estão absolutamente em paz uns com os outros e em perfeita harmonia e amor antes de se envolverem no admirável e belo ato da Comunhão.

Esta cerimônia é também de grande importância para aqueles que, por alguma razão, não podem comungar; pois pela proximidade da conexão que assim se estabelece com o sacerdote, eles podem participar espiritualmente de sua comunhão.

Na forma mais curta do serviço, o toque físico é omitido, e o sacerdote é instruído a fazer seu vínculo por um 232 A Ciência dos Sacramentos

forte do querer, como nas outras Bênçãos Menores.

Em nosso plano moderno, isso, naturalmente, não faz diferença para os membros da congregação, que não recebem o toque físico em caso algum.

ROMANA                               LIBERAL    Ó Senhor Jesus Cristo, Filho            Ó Tu, Que, neste adorável do Deus vivo, que, segundo a          Sacramento, nos deixaste viva vontade do Teu Pai, pela          memória e penhor do Teu co-operação do Espírito           maravilhoso amor pela humani- Santo, deste vida ao mun-         dade, e nele graciosamente do, livra-me por este Teu         nos atraís a uma admirável e santíssimo Corpo e Sangue         mística comunhão Contigo, de todas as minhas trans-         concede-nos receber os sagra- gressões e de todo o mal; e         dos mistérios do Teu Corpo e faze-me sempre aderir aos         Sangue, para que nossas almas Teus mandamentos, e nunca         sejam elevadas à imensidão permitas que eu seja separa-        do Teu amor, e que, cheios do de Ti: Tu que vives e           de nobre empenho, sejamos reinas com o mesmo Deus Pai        sempre conscientes da Tua e o Espírito Santo, Deus          presença interior e irradie- pelos séculos dos séculos.         mos o esplendor de uma vida Amém.                              santa.

R. Que a recepção do Teu            Amém. Corpo, ó Senhor Jesus Cristo, que eu, embora indigno, presumo tomar, não se volte contra mim para juízo e condenação; mas, por Tua benignidade, sirva-me de salvaguarda e remédio curativo para minha alma e corpo; Tu que, com Deus Pai, na unidade do Espírito Santo, vives e reinas Deus para todo o sempre.

Amém.

A Santa Eucaristia

Estando o povo assim estreitamente unido, o celebrante profere em seu nome uma oração de beleza peculiar, para que a recepção deste Santo Sacramento produza neles plenamente o efeito que Nosso Senhor pretende que tenha — que eles percebam o Seu amor e a Sua presença perpétua, e por isso sejam encorajados a viver uma vida santa de nobre trabalho em Seu serviço e em favor de seus semelhantes.

O celebrante então procede imediatamente à sua própria Comunhão; e devemos lembrar que isso não é meramente uma ação pessoal para ele, mas uma parte necessária de toda a cerimônia.

É através dele que ocorre o lado final e mais físico do derramamento.

Ele participa tanto do Pão quanto do Vinho, pois, sendo ele o importante ator na distribuição da força, deve ser capaz de transmutá-la. Quando participa de ambos, pode realizar mais facilmente a transmutação, porque, à medida que o Pão e o Vinho entram em seu corpo, tornam-se parte dele e, portanto, todas as suas forças ficam à disposição, no plano físico, do poder que flui através dele.

Se ele não tomasse o Cálice, seria um canal apenas etérico, em vez de sê-lo também na parte densa do plano físico.

Os elementos sagrados tornam-se um com ele, permeiam-no, possibilitando que a força seja trazida através dele de uma maneira diferente e em maior grau.

Se o sacerdote não participasse ele mesmo, a força perderia seu anel ou círculo externo de influência no nível físico das coisas, pois o celebrante é o centro pivotal da distribuição.

Em seguida, ele administra o Santíssimo Sacramento àqueles entre o clero e o coro que desejam recebê-lo, e 234             A Ciência dos Sacramentos

então, abençoando            toda a congregação com uma das Hóstias menores, convoca aqueles que desejam participar da Comunhão.

ROMANA                                    LIBERAL    Tomarei o pão do céu e invocarei o nome do Senhor.

Senhor, não sou digno de que entreis sob meu teto; dizei uma palavra e minha alma será curada,    Que o corpo de nosso                  O Corpo de nosso Senhor Senhor Jesus Cristo guarde a                 Jesus Cristo me guarde para minha alma para a vida eterna.

a vida eterna.

Amém.

Que retribuirei ao Senhor por tudo o que ele me deu?          Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor.

Louvando, invocarei o Senhor, e serei salvo de meus inimigos,   Que o sangue de nosso        O Sangue de nosso Senhor Senhor Jesus Cristo guarde a        Jesus Cristo me guarde para minha alma para a vida eterna.

a vida eterna.

Amém.

Vós que desejais participar do Corpo do Senhor, aproximai-vos e recebei este santíssimo Sacramento. Após dar a comunhão ao povo: Concedei, ó Senhor, que o que tomamos com a boca, possamos receber com mente pura, e que de um dom temporal se torne para nós um remédio eterno.

Para o comunicante, este é o ponto culminante do serviço.

Ele atrai para si aquela linha de Fogo divino e vivente que vem ininterrupta diretamente do próprio Cristo — e isso em duplo sentido; do Cristo, o Mestre do Mundo, que é o Homem, mas também através d'Ele do Logos, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, de Quem Ele é, em sagrado mistério, uma epifania tão real.

Pois Cristo é verdadeiramente Deus e Homem, e tem de fato duas Naturezas — não no sentido geralmente suposto, mas neste sentido muito mais elevado e verdadeiro.

As ondas tremendas de força que o comunicante assim atraiu para a mais íntima associação possível consigo mesmo não podem deixar de influenciar seriamente seus corpos superiores.

Por algum tempo, essas ondas elevam suas vibrações à harmonia com elas mesmas, produzindo nele, se ele for ao menos sensível, um sentimento de intensa exaltação.

Isso, porém, constitui uma tensão considerável sobre seus vários veículos, que naturalmente tendem a recuar gradualmente para suas taxas normais.

Por muito tempo, a indescritivelmente vívida influência superior luta contra essa tendência a desacelerar, mas o peso morto da massa comparativamente enorme das ondulações ordinárias do próprio homem atua como um freio até mesmo sobre sua incrível energia, e gradualmente a traz, e a eles, de volta ao nível comum.

Mas, sem dúvida, cada uma dessas experiências eleva o homem uma fração infinitesimal acima do que era antes, e assim deixa um resultado permanente atrás de si. Ele esteve, por alguns momentos, ou mesmo por algumas horas, em contato direto com forças de um mundo muito mais elevado do que qualquer outro que possa tocar de outra forma. 236 A Ciência dos Sacramentos

Não apenas o comungante é estimulado e fortalecido de todas as maneiras por entrar em relação tão íntima com esta esplêndida manifestação do poder divino, mas ele próprio se torna, por algum tempo, um centro subsidiário desse poder, e o irradia por sua vez sobre aqueles que o cercam, na mesma forma prontamente assimilável e material que o sacerdote.

Assim, por algum tempo, ele assume a própria unção do sacerdote e se torna um sol radiante entre seus irmãos, exemplificando assim a doutrina do sacerdócio dos leigos.

Dessa maneira, ele ajuda grandemente os outros membros da congregação, e quaisquer vizinhos e amigos entre os quais venha a se encontrar durante as próximas horas.

Alguns dos anjos menores pairam por algum tempo ao redor daqueles que participaram da Comunhão, pois há ao redor deles uma manifestação tão tremenda de um poder superior neste plano inferior que os anjos não renunciam de bom grado ao prazer e à vantagem de banhar-se em sua influência enquanto ainda resta algo dela.

A razão é que eles não podem alcançar o nível dessa força sob condições normais, de modo que é para eles um intenso deleite e uma grande oportunidade quando ela assim desce ao plano físico e irradia de um corpo humano.

Para compreender claramente todos os seus diferentes modos de ação, devemos ter em mente que a força manifestada na Eucaristia desce da própria Divindade, e à medida que desce através dos vários graus de matéria, ela irradia em todos os níveis ao alcançá-los, e não apenas no mais baixo.

Assim, enquanto a radiação física atua sobre a matéria física densa e etérica, a radiação astral afeta os corpos astrais da congregação e também dos visitantes astrais; e ao mesmo tempo a radiação mental influencia os corpos mentais da congregação, dos mortos e daqueles anjos que não se manifestam abaixo do plano mental.

Se um homem é de algum modo desenvolvido no nível intuicional, ele receberá uma estimulação ainda maior da força — uma estimulação totalmente desproporcional a qualquer coisa conhecida nos reinos inferiores do pensamento e da experiência.

Nesse mundo superior, o resultado se mostraria como um brilho aumentado na luz que sempre circunda aqueles que ali são conscientes.

O quanto de tudo isso um homem é capaz de assimilar depende de dois fatores: o estágio de seu avanço na evolução e a atitude com que ele se aproxima do Sacramento.

Quando um veículo está ainda praticamente adormecido, mesmo essa maravilhosa força eucarística só pode operar sobre ele como o calor age sobre o germe dentro do ovo, aproximando-o da vida consciente.

Isso, pelo menos, está sendo feito em todos os níveis para todos os que estão presentes durante o serviço.

Mas algum desenvolvimento da consciência astral e mental deve haver em todos os que comparecem, e onde quer que exista, ele é estimulado.

Sem dúvida, alguns recebem apenas uma fração mínima do que poderiam obter; mas quanto mais o homem abre seu coração e alma à influência, quanto mais próximo ele puder chegar do sentimento de unidade, mais ele ganhará com a presença na cerimônia, ou com o recebimento do Pão sagrado.

A Ciência dos Sacramentos

Toda essa ajuda maravilhosa ao crescimento espiritual, toda essa oportunidade sem igual de fazer o bem aos nossos semelhantes, é oferecida a nós diariamente por nossa santa Mãe a Igreja.

Verdadeiramente, aqueles de seus membros que negligenciam tirar proveito frequente dela não são apenas ingratos, mas tolos.

Não é, de fato, "necessário para a salvação", como alguns disseram precipitadamente, mas inquestionavelmente oferece aos homens uma assistência muito poderosa em acelerar sua evolução.

Nossa Igreja segue o plano romano de administrar o Sacramento em uma única espécie somente, e de colocar a hóstia consagrada, de preferência, diretamente na boca do comungante, em vez de em suas mãos.

Em algumas Igrejas antigas, e às vezes agora na Igreja da Inglaterra, tem-se o costume de colocar a mão direita, palma para cima, sobre a esquerda, recebendo a Hóstia nessa palma aberta, e então consumindo-a reverentemente. Não vejo objeção a esse método, exceto que envolve um toque adicional e desnecessário do símbolo sagrado.

Os leigos não perdem nada de essencial por não participarem do Cálice além da Hóstia, embora eu pessoalmente estivesse muito disposto a dar ambos a eles se alguma maneira de fazê-lo pudesse ser concebida que fosse ao mesmo tempo reverente, segura e higiênica.

O esquema anglicano de que todos bebam do mesmo cálice é repulsivo para mim, e é certamente inseguro do ponto de vista higiênico, mesmo que a borda do cálice seja limpa imediatamente após cada boca tocá-la. Além disso, o próprio ato de limpar é, em si, dificilmente reverente.

A sugestão de que cada pessoa trouxesse um cálice próprio está sujeita à objeção de que é dever do sacerdote realizar as abluções com o máximo cuidado, e ele não poderia de forma alguma delegar essa tarefa aos leigos.

Mesmo que a igreja fornecesse uma infinidade de pequenos cálices e os recolhesse, as abluções apresentariam uma séria dificuldade e ocupariam tanto tempo que tornariam o plano praticamente inviável.

Além disso, verter o vinho consagrado em centenas de pequenos cálices envolveria um risco de profanação por derramamento que nenhum sacerdote se atreveria a aceitar.

Nos Mistérios do antigo Egito, administrava-se um Sacramento no qual cada comungante trazia um pequeno cálice de barro, sem valor, no qual o sacerdote oficiante colocava uma colherada do fluido sagrado.

Assim que este era ingerido, o cálice era depositado por um acólito em uma grande tigela de ouro, cujo conteúdo era posteriormente cuidadosamente esvaziado no Nilo pelo Sumo Sacerdote.

Assim, o mesmo cálice nunca era usado duas vezes; mas, como esse método exigia que cada comungante se aproximasse separadamente do celebrante, era obviamente adequado apenas para pequenos números.

O plano da intinção foi tentado — a imersão de cada Hóstia no Cálice imediatamente antes de administrá-la; mas nisso há um terrível perigo de irreverência, pois a Hóstia umedecida torna-se flácida e difícil de manejar.

A Igreja Oriental contorna essa dificuldade dando a cada membro uma colherada do Cálice e deixando cair em cada colherada um minúsculo fragmento da Hóstia; mas, como a mesma colher toca todas as bocas, isso é ainda pior do que beber do cálice único.

A absorção por um caniço foi tentada, mas está sujeita a objeções semelhantes; pois deve haver um caniço ou muitos, e nos vemos novamente diante da questão das abluções.

Certamente, muito tempo é poupado, 240 A Ciência dos Sacramentos

e reverência, segurança e higiene são garantidas pela administração sob uma única espécie; vejamos quais são, se houver, as desvantagens desse plano.

Lembrar-se-á que o celebrante deixava cair um fragmento da Hóstia no Cálice, ligando assim misticamente os dois elementos.

E a comunhão do sacerdote (que, por sua vez, foi estreitamente ligado ao seu povo) trouxe ambos os conjuntos de radiações ao mesmo nível definitivamente físico, de modo que, sem dúvida, aquele que recebe a Hóstia consagrada recebe o poder de ambos os elementos.

Se ele também participasse do Cálice, isso seria uma aplicação suplementar para ele da forma secundária da força, em um nível um tanto inferior e em uma forma mais imediatamente assimilável, mas ele não receberia realmente nada de novo.

Eu, o celebrante, não tivesse participado do Cálice, a corrente de força não teria permeado plenamente o plano físico, e assim teria ficado apenas parcialmente disponível; mas, uma vez que isso foi devidamente realizado, a recepção da Hóstia por si só faz tudo o que pode ser feito pelo comungante.

Este último não deve, portanto, imaginar que a comunhão do sacerdote substitui a sua própria; verdadeiramente ele obtém grande benefício apenas por assistir à ação do celebrante; mas, para que se beneficie em toda a extensão, para que possa atrair a vida do Cristo para si e irradiá-la sobre os outros, ele deve ele próprio comer desse Pão sagrado.

Mas ele não receberia essa graça divina mais plenamente se também bebesse do cálice.

Contudo, para cumprimento literal das palavras registradas do Cristo, desejar-se-ia fazê-lo se pudesse ser feito; A Santa Eucaristia

embora, naturalmente, aqueles a quem essa ordem foi dirigida fossem apóstolos, aos quais também foram ditas aquelas outras palavras: "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados" — que certamente não eram de aplicação geral! Um costume sobre o qual muitas autoridades eclesiásticas insistem fortemente é o da comunhão em jejum.

Aqueles de nossos membros que preferem adotá-lo estão perfeitamente à vontade para fazê-lo; mas não o prescrevemos, pois, após investigação exaustiva, não conseguimos descobrir que a presença de alimento no estômago faça a menor diferença na ação ou intensidade da força.

ROMANO                            LIBERAL   O seguinte é dito duran-       O seguinte é dito após te as abluções:              as abluções:   Que o vosso corpo, ó Senhor,      Sob o véu das coisas que recebi, e o vosso sangue      terrenas agora temos comunhão que bebi, se unam às minhas      com nosso Senhor Jesus Cristo; entranhas; e concedei que      em breve, com o rosto descoberto, nenhuma mancha de pecado      O veremos e, regozijando-nos permaneça em mim, a quem      em Sua glória, seremos feitos vossos puros e santos      semelhantes a Ele. Então Seus sacramentos restauraram: vós      verdadeiros discípulos serão que viveis e reinais, pelos      por Ele conduzidos com excessiva séculos dos séculos. Amém.      alegria perante a presença da glória de Seu Pai.

Aqui é feita a declaração de que estamos agora, no sentido mais pleno, em contato direto com o próprio Senhor Cristo.

Expressamos nossa esperança e nossa crença de que, seguindo esta linha de desenvolvimento dirigida pela Igreja, possamos em breve nos aproximar ainda mais; como está escrito nas Escrituras, seremos como Ele, ou O veremos como Ele é, e quando despertarmos à Sua semelhança, ficaremos satisfeitos com isso. Então é dada uma sugestão de um avanço ainda maior além disso, quando através d'Ele seremos levados face a face com a glória do Pai.

COMUNHÃO             ROMANO                                     LIBERAL   A       Comunhão     _ varia.

O que se segue            é    do Domingo da Trindade.

Nós      bendizemos      o        Deus        o        Amém.

Bênção,     e céu, e louvaremos               glória,       e sabedoria, e        Ele     diante    de todos os viventes;      ser-   ação de graças,        e honra, porque        Ele      nos      mostrou          Sua   e poder, e força,          sejam    misericórdia,                             ao nosso Deus para todo o sempre,                                        Amém.

P. O Senhor esteja convosco.

Cc. E com o teu espírito.

Toda a congregação agora se une em uma esplêndida explosão de ação de graças, cuja força gerada é derramada para fora e para cima pelos Anjos.

Então o sacerdote pronuncia novamente a Bênção Menor, esforçando-se mais uma vez para compartilhar com seu povo as novas e mais elevadas condições que agora foram estabelecidas. Está também presente a ideia de que aqueles que realmente tomaram o sagrado Corpo e Sangue deveriam, através desta Bênção Menor, compartilhar mais uma vez a bênção que receberam com aqueles que, por alguma razão, não a tomaram, embora presentes no sacrifício.

E, ainda, além disso, está a ideia de compartilhar com os de fora, não presentes na igreja de modo algum, e o pensamento (expresso também na próxima oração) da necessidade de empregar na prática definida a força que foi recebida.

PÓS-COMUNHÃO                ROMANO                               LIBERAL      A    Pós-comunhão    varia.

O que se segue         é   do Domingo da Trindade.

Concede, nós Te suplicamos,                  Nós que fomos re- Ó Senhor, que,            preenchidos com            fresquados com Teus dons tão grandes, possamos            dons celestiais, Te roga- tanto receber graças para              mos, Ó Senhor, que Tua nossa salvação quanto nunca            graça seja tão profunda- cessar de Teu louvor.             mente gravada em nós.

nossos corações, para que continuamente se manifeste em nossas vidas.

Por Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

Temos aqui uma pequena oração interessante, para que o estímulo maravilhoso que recebemos não se evapore em mero sentimento, mas continue a realizar sua obra dentro de nós, de modo a afetar toda a nossa vida futura.

E isto não é mera fórmula vazia de palavras, pois (como já disse) se for tirado o máximo proveito da efusão da força espiritual, um equilíbrio permanente para o bem fica, sem dúvida, estabelecido, mesmo depois que a maré transbordante do entusiasmo temporário tenha recuado ao nível prosaico da vida comum.

De fato, para o cristão que regular e frequentemente entra assim em alta comunhão com seu Senhor, a vida comum logo deixa de ser prosaica, pois é vivida sob o contínuo esplendor da luz que nunca houve sobre o mar ou a terra, o efeito de uma grande irrupção de luz solar persistindo até ser renovada pela seguinte.

Esta oração preenche uma parte análoga à ação de "selar" um talismã depois de ter sido magnetizado, a fim de que a força que foi armazenada naquele talismã não seja pródiga e inutilmente dissipada, mas possa irradiar em um fluxo constante, para que continue a realizar sua obra designada por muitos anos.

244           A Ciência dos Sacramentos

ROMANO                                     LIBERAL    V. O Senhor esteja convosco.            P. O Senhor esteja convosco.

R. E com o teu espírito.                        C. E com o teu espírito.

Então ou:    V. Ite, missa est,                  P. Ite, missa est.

Ou:

V. Benedicamus Domino.

R. Deo gratias.

C. Deo gratias.

Que minha adoração e dever obrigatório sejam agradáveis a ti, ó Santíssima Trindade; e concede que o sacrifício que ofereci, todo indigno diante da tua majestade, seja por ti recebido e obtenha o perdão da tua misericórdia para mim e para todos aqueles por quem o ofereci. Por Cristo, nosso Senhor.

Amém.

A última instância da Bênção Menor precede imediatamente as palavras místicas: *Ite, missa est*, pelas quais se anuncia o fim da parte mágica da cerimônia. Houve várias teorias quanto ao significado exato disso, todas baseadas na ideia de que as palavras são dirigidas ao povo.

A explicação geralmente aceita é que *missa* é uma forma latina tardia de *missio*, significando originalmente apenas dispensa.

Na Igreja primitiva, os catecúmenos eram despedidos com essas palavras antes do Cânon, e assim se pensa que surgiu um costume — A Santa Eucaristia — de repeti-las novamente para os fiéis ao final de todo o serviço: "Ide, é a dispensa." Na realidade, a frase é dirigida, não à congregação, mas à grande hoste de mensageiros angélicos que se reuniram para tomar parte neste mais maravilhoso dos atos.

É, por assim dizer, sua palavra de dispensa, sua liberação formal do serviço ao qual têm se dedicado.

É o sinal para um esplêndido êxodo de formas majestosas cor de arco-íris, cada uma carregada com sua proporção da efusão divina, apressando-se a cumprir a missão que lhe foi confiada.

Uma vez que parece haver tanta dúvida quanto à sua tradução, talvez seja melhor deixá-la na pitoresca incerteza do latim original.

O povo responde com toda a cordialidade: "Graças a Deus", assim expressando finalmente sua gratidão aos santos Anjos que nos deram tão prodigiosa ajuda, bem como Àquele que os enviou.

Podemos, um tanto artificialmente, interpretar a frase, juntamente com a Bênção Menor que imediatamente a precede, como tendo também uma espécie de significado para a congregação; é como se o celebrante lhes dissesse: "Ide agora; mas, ao vos preparardes para partir, aproximai-vos ainda uma vez o quanto puderdes para receber a efusão final da bênção de Deus." Agora que cumpriu sua obra benéfica, o Anjo Diretor recolhe o material do majestoso edifício que tem usado como seu instrumento, para que todo o amor e devoção que concorreram para a sua construção sejam derramados sobre o mundo, juntamente com a bênção com a qual o celebrante imediatamente conclui o serviço.

Ele se volta para as pessoas e diz: 246             A Ciência dos Sacramentos                                                                                  ii                                                                                  sa                                                                                   s

SEGUNDO            RAIO    BÊNÇÃO                ROMANA                                LIBERAL      Que     Deus     todo-poderoso     abençoe        A paz de Deus, que excede

todo o entendimento,      O      Sacerdote      se      volta      guarde      os      vossos

corações e as pessoas.

mentes      no      conhecimento                                              e amor de Deus, e de      Pai,      Filho      ,      e                                              Seu Filho, Cristo, nosso Senhor; Espírito       Santo.

R. Amém,                                              e a bênção de Deus                                              Todo-Poderoso, o Pai,                                              o    Filho,    e    o  Espírito                                              Santo,     esteja     entre      vós,                                              e permaneça convosco           sem-

pre.

KR. Amém.

Esta bela bênção é tirada do Serviço de Comunhão        da       Igreja      da Inglaterra.

Foi      tomada      de      empréstimo      pelos      compiladores      desse      Livro      de      Orações      do      Ofício      de      Purificação      do Ritual Romano e am- pliada por uma citação da Epístola aos Filipenses.

Foi certamente uma feliz inspiração, pois provou ser um final apropriado e eficaz para muitos serviços.

Tem uma forte nota-chave de paz e simpatia, e espalha sua influência sobre as pessoas em ondas de delicada e bela cor rosa e verde.

Quando dada por um bispo, tem belezas adicionais; mas é sempre um dos pontos impressionantes e dramáticos de qualquer serviço em que é usada.

É essencialmente uma bênção do segundo Raio, e portanto uma conclusão mais apropriada para uma cerimônia que tem definitivamente o caráter desse Raio; e faz o serviço terminar, como começou, com o Nome da sempre-bendita Trindade.

Nos serviços Romano e Angli- cano, assim que isso é feito, o Anjo Diretor, com um gesto gracioso de despedida, desaparece da cena de seus trabalhos.

Nós temos,                    A Santa Eucaristia

No entanto, achei útil em nosso serviço acrescentar-lhe uma bênção adicional de caráter diferente, pertencente ao Primeiro Raio — o Raio do Poder; assim, o Anjo espera ainda alguns momentos para dar esta bênção especial em Nome do Rei espiritual.

BÊNÇÃO DO PRIMEIRO RAIO                             LIBERAL   Que os Santos, cujos discípulos aspirais a vos tornar, vos mostrem a Luz que buscais, vos deem o forte auxílio de Sua compaixão e de Sua sabedoria.

Há uma paz que excede todo entendimento; ela habita nos corações daqueles que vivem no Eterno; há um poder que faz todas as coisas novas; ele vive e se move naqueles que conhecem o Eu como Um.

Que essa paz vos envolva, que esse poder vos eleve, até que vos coloqueis onde o Iniciador Único é invocado, até que vejais Sua Estrela brilhar.

R. Amém.

Isto não é usado, até onde sabemos, em qualquer outra liturgia, mas seu efeito é maravilhosamente revigorante.

Os Santos são, naturalmente, a Grande Fraternidade Branca, a Comunhão dos Santos.

Todos nós que nos esforçamos por avançar pelo caminho ascendente rumo à perfeição desejamos nos colocar sob Sua tutela; e assim o sacerdote envia uma fervorosa aspiração para que possamos aprender Deles a Sabedoria Divina de que necessitamos.

O Iniciador Único é um título dado ao Chefe dessa grande Hierarquia, o principal representante desse primeiro Raio na Terra.

A Estrela prateada é Seu signo, e seu brilho é um sinal de Sua aprovação de um candidato a uma das Iniciações que conduzem de grau em grau nessa grande Loja, de passo em passo nesse caminho ascendente.

Esta é então uma prece para que todos os presentes possam atingir as sublimes alturas a que aspiram, e que no caminho para tal realização 248          A Ciência dos Sacramentos

a paz divina e a força possam sustentá-los.

A inundação que ela derrama sobre a congregação é de muitas cores, entre as quais um azul elétrico é talvez predominante, mas todas estão fortemente impregnadas de uma gloriosa luz dourada, e deslumbrantes raios prateados dardejam constantemente através de sua corrente.

Quando é pronunciada, clarividentes às vezes captaram o brilho da Estrela sobre a fronte do Anjo, enquanto ele permanece acima da cabeça do celebrante.

Aqui nosso serviço termina com um hino de saída, mas a Missa Romana acrescenta o Último Evangelho.

Isto não se encontra em nenhuma das liturgias anteriores, mas foi inserido em seu lugar atual pelo Papa Pio V, em 1570. Antes desse tempo, era às vezes dito como devoção privada pelos sacerdotes após a Missa, e o Missal de Sarum o prescreve para ser recitado durante a procissão de volta à sacristia.

Ainda hoje, um bispo o diz privadamente enquanto retorna ao seu trono após a conclusão do serviço.

O ÚLTIMO EVANGELHO

ROMANO 41 — O início do santo Evangelho segundo João.

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por ele: e sem ele nada foi feito do que foi feito.

Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens: e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João.

Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos os homens cressem por meio dele.

Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.

Essa era a verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este mundo.

Ele estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.

Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que creem em seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

Aqui todos se ajoelham.

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai), cheio de graça e de verdade.

R. Graças a Deus.

Isto claramente não é uma parte necessária do serviço, mas talvez possamos explicá-lo de alguma forma.

Mais uma vez, por meio da Bênção Menor, o sacerdote faz seu vínculo final com o seu povo antes de ler o último Evangelho — uma lição que não vem inoportunamente para lembrá-los da fonte de toda essa beleza e dessa glória.

É como se lhes dissesse: "Agora que tendes a bênção de Deus, mais uma vez compartilhai-a plenamente e preservemo-la, nunca esquecendo que a devemos toda ao poderoso Logos, cuja glória agora contemplamos, a Luz e a Vida dos homens.

Muitos há que não conhecem a Deus e, em sua ignorância, são por isso ingratos; mas vós agora experimentastes a Sua doçura e o Seu amor; cuidai para que nunca o esqueçais."

CAPÍTULO III.

SANTO BATISMO E CRISMA — Para citar nossa Liturgia: "O Batismo é um Sacramento pelo qual o recipiente é solenemente admitido à membresia da santa Igreja de Cristo e enxertado em Seu corpo místico."

Ele se inicia com a invocação habitual, como todos os nossos serviços, para mostrar que todo o nosso trabalho é feito em Nome e pelo poder da sempre bendita e santíssima Trindade.

Então o padrinho apresenta a criança ao sacerdote, pedindo que ela seja admitida na comunhão da Igreja; e o sacerdote, ao aceder, dirige-se à congregação assim:

Irmãos, nosso Pai Celestial Cristo, em Sua grande benignidade, ordenou que Sua Mística Noiva, nossa santa Madre Igreja, guie e proteja seus filhos em cada etapa, do berço ao túmulo.

Para este fim é ordenado o Sacramento do santo Batismo, para que em Seu Nome a Igreja possa dar boas-vindas e bênção àquele que acaba de chegar a este mundo de peregrinação, e para que a alma possa habitar em um corpo purificado da mácula do mal, santificado e separado para o serviço de Deus Todo-Poderoso.

Portanto, irmãos da Igreja católica de Cristo, rogo-vos que vos una a mim neste nosso santo rito, pelo qual esta criança será feita participante desses dons celestiais e membro de Seu corpo místico.

Vemos por isso que a Igreja encontra a alma assim que ele entra em seu novo conjunto de veículos, e lhe oferece boas-vindas e assistência.

Que ajuda podem o Batismo e a Confirmação ser dados a uma alma quando ela chega pela primeira vez a um novo corpo físico? Lembrai-vos, não podemos alcançar a alma em si; estamos lidando com veículos no plano físico.

O que a alma mais necessita é pôr em ordem esse novo conjunto de veículos, para que possa trabalhar através deles.

Ele vem carregado com o resultado de suas vidas passadas, o que significa que traz dentro de si sementes de boas qualidades e também sementes de más qualidades.

Essas sementes do mal têm sido frequentemente chamadas de pecado original, e bastante erroneamente ligadas à ação fabulosa de Adão e Eva.

Isso é mera distorção do fato de que cada alma traz consigo suas próprias qualidades, algumas boas, algumas menos boas, algumas até definitivamente más, de acordo com o que foram suas vidas anteriores.

Obviamente, o dever do pai ou responsável para com a criança é fazer tudo o que puder para estimular os bons germes e congelar ou deixar morrer de fome aqueles que são maus, não lhes dando encorajamento algum.

O estudante da vida interior compreenderá que o desenvolvimento dessas qualidades depende em grande parte do ambiente proporcionado à criança.

Se ela for cercada de amor e gentileza, o amor e a gentileza que nela existem serão despertados e desenvolvidos.

Se, ao contrário, ela encontrar vibrações de raiva e irritabilidade, se houver nela o menor traço de germes dessa espécie (como quase certamente haverá), eles serão despertados e desenvolvidos; e faz uma diferença enorme para a sua vida qual conjunto de vibrações é posto em movimento primeiro.

O Sacramento do Batismo é especialmente concebido para lidar com esse estado de coisas.

A água usada é magnetizada com vistas especiais ao efeito de suas vibrações sobre os veículos superiores, de modo que todos os germes das boas qualidades nos corpos astral e mental ainda não formados da criança possam receber um forte estímulo, enquanto, ao mesmo tempo, os germes do mal possam ser isolados e amortecidos.

A ideia central é aproveitar essa oportunidade precoce de fomentar o crescimento dos bons germes, a fim de que seu desenvolvimento preceda o dos maus — a fim de que, quando mais tarde estes últimos germes começarem a dar frutos, o bem já esteja tão evoluído que o controle do mal seja uma questão comparativamente fácil.

Este é um lado da cerimônia batismal; ela tem também outro aspecto, como típica da Iniciação para a qual se espera que o jovem membro da Igreja dirija seus passos ao crescer. É uma consagração e uma separação do novo conjunto de veículos para a verdadeira expressão da alma interior e para o serviço da Grande Fraternidade Branca; contudo, tem também seu lado oculto com relação a esses próprios novos veículos, e quando a cerimônia é devidamente e inteligentemente realizada, não pode haver dúvida de que seu efeito é poderoso.

É, portanto, distintamente o que pode ser chamado de um ato de magia branca, produzindo resultados definidos que afetam toda a vida futura da criança.

Quais são os fatores que influenciam a criança recém-nascida? Primeiro, há o que é chamado pelos estudantes de elemental cármico, o que requer alguma explicação para aqueles que não estão familiarizados com os detalhes do processo de renascimento.

Ao final de cada vida há um balanço de contas, e uma forma é feita em matéria etérica que representa o tipo de corpo que o homem mereceu para sua próxima aventura na Terra.

Quando ele retorna, essa forma —              Batismo e Confirmação

é vivificado por um espírito da natureza e torna-se o molde sobre o qual o novo corpo físico da criança é construído; é o resultado das ações de sua vida passada, e esse espírito da natureza é a principal força entre aquelas que o estão moldando.

Em segundo lugar, a própria alma está tentando ver o que pode fazer com seus novos veículos — apoderar-se deles o mais cedo possível; mas ele geralmente não é um ator poderoso nos estágios iniciais, porque tem grande dificuldade em entrar em contato com o novo corpo.

Ele faz isso gradualmente, e supõe-se que o tenha apreendido plena e definitivamente por volta dos sete anos de idade.

Em alguns poucos casos, ele obtém essa presa mais cedo; mas às vezes parece que ele nunca ganha controle completo, ou pelo menos não até que a velhice seja alcançada.

Esses dois são os principais atores, mas há outras forças subordinadas em jogo; por exemplo, o pensamento da mãe tem imenso efeito sobre os veículos da criança, tanto antes do nascimento quanto depois.

A alma, então, está tentando influenciar os veículos na direção certa, tanto quanto pode.

O Sacramento do batismo traz outra nova força para atividade a seu favor.

Costuma-se dizer pelos católicos que, no batismo, um anjo da guarda é dado à criança.

Isso é verdade, embora talvez não exatamente na forma em que geralmente é compreendido; mas é um símbolo muito belo do que realmente acontece, porque no batismo uma nova forma-pensamento ou elemental artificial é construída, que é preenchida pela força divina, e também animada por um tipo superior de espírito da natureza, chamado sílfo.

Isso permanece com a criança como um fator a favor do bem; portanto, para todos os efeitos práticos, é um anjo da guarda.

Através de trabalho como este, ele se individualiza e cresce de sílfo a serafim — através de sua associação com uma forma-pensamento permeada pela vida e pelo pensamento do próprio Cabeça da Igreja.

Isso não significa que Cristo esteja pensando em cada bebê, no sentido em que comumente usamos essa palavra.

Um poder tremendo como o do Cristo pode ser espalhado simultaneamente sobre milhões de casos, sem exigir o que comumente chamaríamos de "atenção" da parte Dele.

Como mencionei ao falar de Sua presença sobre mil altares, um caso paralelo, mas em um nível infinitamente mais baixo, é o de um homem no mundo celestial.

Ele cria imagens-pensamento de seus amigos, e estas constituem um apelo às almas desses amigos.

Essas almas imediatamente se colocam dentro dessas imagens-pensamento e as habitam.

As personalidades dos amigos aqui embaixo não sabem nada disso, mas o verdadeiro amigo, o ego, a alma, o homem verdadeiro, está se expressando através de cem dessas formas-pensamento simultaneamente nas vidas celestiais de diferentes pessoas.

Algo do mesmo tipo, embora infinitamente maior, ocorre aqui no batismo; e essa é a primeira ajuda que Cristo dá ao Seu povo através de Sua Igreja.

Um Sacramento não é uma poção mágica.

Não pode alterar a disposição de um homem, mas pode ajudar a tornar seus veículos um pouco mais fáceis de gerenciar.

Não transforma subitamente um demônio em anjo, ou um homem muito perverso em um bom, mas certamente dá ao homem uma chance melhor.

É precisamente isso que o batismo se destina a fazer, e esse é o limite do seu poder.

Batismo e Confirmação

Depois de dar à congregação a explicação já citada, o sacerdote lê para eles, do Evangelho de Marcos, o relato da apresentação das criancinhas a Cristo, e então recita a seguinte oração: “Ó Deus, Onipotente e Onipresente, cujo poder opera em toda criatura viva, que sozinho és a fonte de toda vida e bondade, digna-te derramar sobre este Teu servo, que foi chamado aos rudimentos da fé, um raio de Tua luz; expulsa dele toda cegueira do coração, quebra todas as cadeias de iniquidade com que foi amarrado; abre para ele, ó Senhor, a porta da Tua glória, para que, sendo repleto do espírito da Tua sabedoria e fortalecido pelo Teu poderoso poder, ele possa estar livre da mácula do desejo maligno, e, avançando firmemente em santidade, possa servir-Te alegremente no curso que Tu lhe designaste. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.”

Esta oração é um apelo por ajuda para a criança, mas também se destina a direcionar o pensamento do sacerdote e capacitá-lo a reunir suas forças para o exorcismo que se segue imediatamente, durante o qual a rúbrica o instrui a manter firmemente a intenção necessária em sua mente.

O ritual romano do batismo começa usando uma linguagem bastante forte, supondo que o diabo esteja naquele pobre bebê inocente, insultando-o como amaldiçoado e, de modo geral, tentando exterminá-lo.

Não existe tal coisa como um diabo pessoal; essa é uma das curiosas acumulações que surgiram ao longo dos tempos.

Tudo isso realmente não significa nada além do que acabei de mencionar, um esforço para conter e reprimir qualquer germe maligno.

É um esforço, como dissemos em nosso ritual, para lançar o encanto da santa Igreja de Cristo sobre todas as influências e germes do mal, "para que sejam amarrados tão firmemente como com cadeias de ferro e lançados nas trevas exteriores, para que não perturbem este servo de Deus". A ideia é que eles não sejam alimentados ou encorajados de forma alguma, e que o resultado disso seja amarrá-los em sua condição presente; e em pouco tempo, por falta de nutrição, serão atrofiados e cairão.

Todos esses germes do mal podem ser considerados como uma espécie de tentação.

Ali estão eles, prontos para despertar para a vida; e assim que suas vibrações se tornarem vigorosas, inevitavelmente tenderão a despertar vibrações semelhantes nos vários corpos da infeliz criança, exercendo assim sobre ela uma pressão constante na direção do mal.

Se puderem ser reprimidos, a tentação é removida da criança e ela tem uma oportunidade melhor.

O homem comum é em grande parte uma criatura de seu ambiente, e se pudermos dar-lhe um ambiente melhor, com toda probabilidade humana estaremos fazendo dele um homem muito melhor do que seria de outra forma. É exatamente isso que a Igreja faz; ela lhe dá uma chance melhor.

É por essa razão que se atribui tanta importância ao batismo de crianças, especialmente se estiverem em perigo de morte.

Seria perfeitamente possível que os germes do mal trazidos da vida anterior se desdobrassem em considerável extensão no mundo astral, do outro lado da morte.

Há sempre abundância de influências naquele mundo que podem estimulá-los.

Portanto, considera-se de grande importância fazer tudo o que puder ser feito para amortecê-los antes que a criança morra.

Da mesma forma, os bons germes também podem ser estimulados durante a curta vida astral de um bebê, de modo que o batismo lhe dá distintamente uma chance melhor também naquela vida.

Quando ele assume seu próximo novo corpo, os germes do mal não terão se desenvolvido, e assim ele estará exatamente onde estava antes, com a vantagem adicional de qualquer boa qualidade que o estímulo espiritual possa ter trabalhado em seu caráter.

Então vem outra característica curiosa do serviço.

No antigo ritual romano, ordena-se que o sacerdote diga sobre a criança, citando as palavras do Cristo: "Ephphatha, isto é, abre-te." Ao mesmo tempo, é instruído a fazer o sinal da cruz sobre os ouvidos e as narinas da criança.

Olhando para os tempos antigos, descobrimos que o sacerdote fazia o sinal sobre a testa, a garganta, o coração e o plexo solar, portanto restauramos esse arranjo no ritual da Igreja Católica Liberal.

Estes são alguns dos centros especiais de força no corpo humano, e o objetivo do sinal, e do exercício inteligente da vontade, é colocar esses centros em movimento. Se um clarividente olhar para um recém-nascido, verá esses centros marcados; mas são pequenos círculos minúsculos como uma moeda de três vinténs — pequenos discos duros que mal se movem, e apenas brilham fracamente.

O poder particular que o sacerdote exerce no batismo abre esses centros e os coloca em movimento muito mais rapidamente, de modo que um clarividente os verá crescer diante de seus olhos até o tamanho, talvez, de uma moeda de coroa, e começando a cintilar e girar como fazem nas pessoas adultas.

O centro se abre de maneira muito semelhante à forma como o olho de um gato se abre no escuro; ou é ainda mais parecido com a maneira como um obturador de íris bem feito se abre em uma câmera fotográfica.

Esses centros são abertos para que a força que será derramada possa fluir mais facilmente; caso contrário, ela iria abrir caminho com violência, o que coloca uma tensão desnecessária no corpo do bebê.

Quando o sacerdote realiza essa ação, ele continua: "Que tua mente e teu coração se abram ao santíssimo Espírito do Deus vivo, para que toda a tua natureza seja dedicada para sempre ao Seu serviço; assim poderás ter poder para receber os preceitos celestiais e ser tal em tua conduta que possas ser um templo puro do Deus vivo."

Ainda de pé, ele estende a mão direita sobre a criança e diz: "Faze, ó Senhor, com Teu poder eterno, vigiar sobre este Teu servo escolhido, a quem dedicamos ao Teu serviço, para que, usando bem os primórdios de Tua glória e observando cuidadosamente Tuas santas leis, ele possa ser considerado digno de alcançar a plenitude do novo nascimento.

Por Cristo, nosso Senhor.

Amém."

Com estas palavras, ele tenta preparar ainda mais a criança para a grande efusão da força divina que está prestes a ser concedida a ela; e então, colocando a ponta de sua estola sobre o ombro da criança, ele diz: "Entra no templo de Deus, para que tenhas parte com Cristo na vida eterna." Diz-se que, nos tempos antigos, o serviço até este ponto ocorria em um vestíbulo fora da igreja propriamente dita, e que com estas palavras o sacerdote conduzia o candidato (ou a pessoa que carregava o bebê) ao batistério.

Tendo assim aberto os centros, o sacerdote procede a fazer a forma-pensamento.

Na Igreja Católica Liberal, assim como nas Igrejas Romana e Grega, usamos não apenas água no batismo, mas também óleo.

Três tipos diferentes de óleo são usados pela Igreja, e eles são magnetizados para diferentes propósitos, assim como um talismã é magnetizado.

Um desses tipos de óleo é tomado aqui (aquele chamado Óleo dos Catecúmenos), e com ele são feitos os sinais que constroem a forma-pensamento.

O sacerdote diz: Em Nome de Cristo, nosso Senhor, unjo-te com óleo para tua proteção; que Seu santo Anjo vá diante de ti.

Enquanto isso, ele faz uma pequena cruz sobre o peito da criança com o óleo, e uma grande no ar diante da criança, alcançando todo o comprimento do corpo; e ao dizer: e siga após ti; ele faz um pequeno sinal na pele entre os ombros, seguido por uma cruz maior no ar ao longo de todo o comprimento das costas, e continua: que ele esteja contigo em teu assentar e em teu levantar, e te guarde em todos os teus caminhos.

Imagino que muitos sacerdotes que realizam essa cerimônia quase todos os dias têm pouca ideia do que realmente estão fazendo.

Ele está construindo os dois lados da forma-pensamento por esse esforço — fazendo uma espécie de couraça de luz branca diante e atrás da criança.

Ao fazer isso, ele deveria visualizar fortemente essa armadura, enquanto diz as palavras: "Que Seu santo Anjo vá diante de ti e siga após ti." Um sacerdote que não sabe nada sobre tudo isso geralmente faz apenas uma película fina; aquele que compreende e usa sua vontade faz uma forma muito mais forte.

Tendo aberto os centros e construído a forma-pensamento, o sacerdote agora troca sua estola violeta por uma branca e procede a derramar a força espiritual tríplice, pensando o tempo todo com grande intensidade no que está fazendo.

Enquanto os padrinhos seguram a criança sobre a pia batismal, o sacerdote, usando uma concha ou outro recipiente conveniente, derrama um pouco da água batismal consagrada sobre a cabeça da criança três vezes.

A água deve ser derramada sobre o topo da cabeça em forma de cruz, tendo o cuidado de que parte dela escorra sobre a pele da testa.

Ao mesmo tempo, ele pronuncia as palavras: N.: Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Esse derramamento da força é o batismo real, e para isso, através de toda a história, a Igreja nos disse que duas coisas são necessárias: o uso da água e de uma certa forma de palavras: "Eu te batizo" (ou, na Igreja Russa, "O servo de Deus é batizado") "em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." Há razão para ambas as coisas, e certamente elas são necessárias para tornar a cerimônia eficaz.

A água magnetizada é necessária porque, como já disse, ainda não podemos alcançar a alma; mas através da água física magnetizada o sacerdote põe em violenta vibração a parte etérica do corpo físico, estimula o cérebro e, através da glândula pituitária, afeta o corpo astral e, por meio deste, por sua vez, o corpo mental.

Assim, a força desce e sobe novamente, como a água encontrando seu próprio nível.

Nisto reside a necessidade do uso da água e de seu contato definido com a pele, e não apenas com o cabelo.

Se a água não fosse devidamente aplicada, o Sacramento seria truncado — erraria o alvo, por assim dizer, no que diz respeito à personalidade.

É possível que, mesmo assim, algo da força divina ou de sua influência pudesse alcançar a alma por algum tipo de osmose ou através de outra dimensão; o toque do sacerdote e o esforço de sua vontade devem produzir algum tipo de resultado, mas não é o Sacramento do batismo operando através do canal designado.

Então vem a invocação das Três Pessoas da Santíssima Trindade.

Essa é uma verdadeira palavra de poder, que invoca três tipos de força, e não deveria necessitar de muita explicação para estudantes atentos.

Permitam-me expor muito brevemente, remetendo os leitores a uma declaração mais completa ao volume sobre teologia desta série.

Deus fez o homem à Sua própria imagem.

Os teólogos nos dizem que Deus, ao criar Adão, previu a forma física que Cristo assumiria quando descesse ao mundo, e fez Adão segundo esse modelo.

Isso nos parece uma explicação laboriosa, indireta e ridícula, pois sabemos que o corpo do homem foi gradualmente evoluído de formas inferiores.

Dizemos antes que não é o corpo do homem que é feito à forma de Deus, mas a alma.

Precisamente como em Deus há Três Pessoas, assim no homem há o Espírito Tríplice que se manifesta como aquilo que os filósofos indianos há milhares de anos chamaram em sânscrito de *atma*, *buddhi*, *manas* — espírito, intuição e inteligência — exatamente como os Três Aspectos da Trindade Se manifestam como o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Portanto, o homem não é um mero reflexo de Deus, mas, na verdade, de algum modo misterioso, uma expressão d'Ele; e cada um desses princípios (Diagrama 21) em 262 A Ciência dos Sacramentos

no homem é, de uma maneira que ainda não podemos esperar compreender, parte de um Princípio ou Pessoa correspondente da Divindade.

Assim, o uso dessas palavras, com o esforço de vontade para abençoar em Nome d'Ele, faz descer do alto essa força tríplice, que atua simultaneamente sobre os três princípios no homem.

A força, sem dúvida, flui das Três Pessoas do próprio Deus Solar, embora nos alcance apenas através de estágios intermediários.

Ela é armazenada no grande reservatório sobre o qual escreveremos quando tratarmos das Ordens Sagradas, e parece ser dali atraída para os princípios correspondentes do Senhor Cristo, a Cabeça da Igreja.

Em sua ordenação, os princípios do sacerdote foram ligados de modo especial aos de seu Mestre, o Cristo; e assim é através do Cristo e de Seu sacerdote que a força divina alcança a criança, e o pensamento que preenche a forma e faz o anjo da guarda é realmente o do Cristo.

É uma força que ajudará a alma em seu esforço para obter controle e o encorajará a perseverar.

O batismo por um diácono é menos poderoso do que o por um sacerdote, pois ele não está tão plenamente conectado ao Senhor; o por um leigo é ainda menos eficaz, pois ele não pode recorrer ao reservatório nem atrair a força através do Senhor Cristo dessa maneira especial.

Ao usar essas palavras com intenção, ele invoca, ainda que ignorantemente, o espírito, a intuição e a inteligência em si mesmo, e estes, por sua vez, atraem alguma influência de seus contrapartes superiores.

Assim, o batismo de um leigo é eficaz e é inquestionavelmente útil e efetivo; mas não é de modo algum a mesma coisa que o de um sacerdote.

Mesmo que o leigo não seja ele próprio cristão (por exemplo, poderia ser um médico judeu), seu batismo ainda assim operaria se ele usasse água pura e as palavras corretas, tendo em mente a intenção honesta de fazer o que os parentes da criança desejavam que fosse feito, e de ajudá-los e satisfazê-los.

A palavra "validade" é frequentemente usada nessa conexão; mas ela é calculada para transmitir uma impressão falsa.

O rito destina-se a ajudar, e o faz com variados graus de eficiência, de acordo com os meios empregados.

Assim que a força divina foi derramada, o sacerdote procede a fechar os centros que abriu, para que a força não passe imediatamente para fora novamente, mas permaneça na criança como um poder vivo, e irradie dela apenas lentamente, e assim influencie outros.

Portanto, o próximo passo é tomar outro tipo de óleo sagrado, o crisma, e com esse os centros são fechados.

O sacerdote diz: Com o santo crisma de Cristo te unjo, para que Sua força te previna em tua saída e em tua entrada, e te guie para a vida eterna.

O crisma é aquele tipo de óleo sagrado que contém incenso e, portanto, é usado sempre para propósitos purificatórios.

O incenso é feito de várias maneiras, como dissemos; mas quase sempre contém benjoim, e o benjoim é um agente purificador muito poderoso.

Portanto, é com o crisma que a cruz é feita no topo da cabeça da criança — a fim de, como dizia um antigo ritual, "purificar o portal". Lembre-se de que o homem, quando "adormece", como chamamos, passa para fora e para longe de seu corpo físico através do centro de força no topo da cabeça, e retorna por esse caminho ao despertar.

Portanto, esse crisma é aplicado ao portal pelo qual ele sai e entra, enquanto o sacerdote profere as palavras dadas acima.

A palavra “prevenir” é usada aqui, naturalmente, no sentido arcaico inglês de “vir antes”, não no nosso significado moderno de “impedir”. O efeito dessa unção é grande, mesmo sobre aqueles que são pouco evoluídos.

Ela faz do centro de força uma espécie de peneira, que rejeita os sentimentos, influências ou partículas mais grosseiros; foi comparada a um limpador de soles, para remover a poluição do homem, ou a um ácido que dissolve certos constituintes nos veículos mais sutis, enquanto deixa outros intocados.

Se durante o dia o homem cedeu a alguma paixão inferior, seja ira ou luxúria, esse centro de força magnetizado se apodera das partículas astrais excitadas quando elas saem e não as deixa passar até que suas vibrações sejam, até certo ponto, amortecidas.

Da mesma forma, se emoções indesejáveis foram despertadas no homem enquanto estava fora do corpo físico, a peneira entra em operação na direção oposta e retarda as vibrações enquanto ele passa por ela no caminho de volta à vida desperta.

Os quatro centros que foram abertos — a testa, a garganta, o coração e o plexo solar — são agora fechados por um esforço da vontade do sacerdote.

Cada centro ainda está distendido, mas apenas uma pequena abertura efetiva permanece, como a pupila de um olho.

Enquanto estava aberto, era todo pupila, como um olho no qual foi injetada beladona.

Agora              Batismo e Confirmação

a pupila está fechada às suas dimensões normais, e uma grande íris permanece, que se contrai apenas ligeiramente depois que o efeito imediato da cerimônia passa. O centro na base da espinha não é tocado, porque não se deseja, nesta fase, despertar a força latente dentro dele, que é chamada nos livros antigos de fogo serpentino.

O baço não é tocado, porque já está em plena atividade ao absorver e especializar a vitalidade física para a criança.

O centro no topo da cabeça foi tratado com o crisma, de modo que agora todos eles foram despertados e postos em seus respectivos trabalhos.

Depois que essa parte da cerimônia foi realizada, o sacerdote admite formalmente a criança na Igreja.

A essa ação também há um lado interno e mágico.

O sacerdote impõe a mão sobre a cabeça da criança e diz: “Recebo esta criança na comunhão da santa Igreja de Cristo e a assinalo com o sinal da cruz.” Ele faz o sinal na testa da criança com o óleo purificador.

Este é um belo símbolo; mas é muito mais do que isso, porque a cruz feita desta maneira é visível no duplo etérico durante toda a vida da pessoa.

É o sinal do cristão, exatamente da mesma forma que a marca tilaka é o sinal de Shiva, e o tridente de Vishnu.

Essas marcas são colocadas na testa na Índia com tinta física comum, mas são os sinais externos e visíveis de uma dedicação interna e real que pode ser vista nos planos superiores.

Este assinalar com a cruz, então, é a dedicação da criança ao serviço de Cristo, a imposição do selo de Cristo 266         A Ciência dos Sacramentos

sobre ela, e sua admissão ao corpo dos fiéis.

Seguem-se então dois pequenos fragmentos encantadores de simbolismo primitivo.

O sacerdote traz do altar um lenço ou echarpe de seda branca e o coloca sobre os ombros da criança, dizendo: Recebe da santa Igreja esta vestimenta branca como modelo da imaculada pureza e esplendor d'Aquele a cujo serviço entras hoje, e como sinal de tua comunhão com Cristo e Seus santos Anjos, para que tua vida seja preenchida com Sua paz.

Ele então traz do altar uma vela que foi acesa na luz do altar do lado do Evangelho e, entregando-a à criança, diz: Toma esta luz ardente, acesa do fogo do santo altar de Deus, como sinal da luz sempre ardente de teu espírito.

Deus conceda que daqui em diante Seu amor brilhe através de teu coração de tal maneira que possas continuamente iluminar as vidas de teus semelhantes.

A vela é recolocada sobre o altar e subsequentemente apagada pelo coroinha.

Na Igreja primitiva, uma veste branca era colocada sobre a criança ou o candidato adulto neste ponto, para indicar a condição de pureza comparativa que o Sacramento havia produzido nele, e como expressão da esperança de que ele, em sua vida futura, se esforçaria por cumprir a boa promessa deste auspicioso começo, e nunca esqueceria o privilégio e a obrigação que lhe foram impostos por sua admissão à santa Igreja de Cristo.

Não vemos sentido em exigir promessas vicárias dos padrinhos sobre o que o bebê deverá fazer e deverá crer quando crescer, pois uma promessa é algo solene, de modo algum                Batismo e Confirmação

para ser feita levianamente, ou quando não se tem possibilidade de controlar seu cumprimento.

Portanto, omitimos inteiramente essa parte do serviço; mas neste fragmento de simbolismo expressamos a esperança sincera de que a semente lançada neste belo Sacramento possa produzir bons frutos no devido tempo.

O lenço de seda branca é dado pelos padrinhos, mas é abençoado pelo sacerdote e colocado sobre o altar antes do início do serviço.

Pretende-se que seja cuidadosamente guardado para a criança e bordado com o seu nome, e que, quando ela vier a receber o Sacramento da confirmação, o use ao redor do pescoço.

Na Igreja primitiva, era chamado poeticamente de "a veste branca dos Anjos" e "este dom de Cristo ao Seu filho recém-nascido". É o descendente direto da veste branca que era sempre usada pelo candidato nos Mistérios antigos; de fato, a própria palavra "candidato" deriva dela, pois *candidus* em latim significa branco.

A vela acesa no altar é um símbolo do amor de Deus manifestado para com a Sua criatura, e expressa novamente uma esperança — a esperança de que, em gratidão pela ajuda agora estendida a ele, a criança possa, mais tarde na vida, dedicar suas forças ao auxílio dos outros.

O bebê frequentemente agarra a vela; se não o fizer, sua mão é guiada para tocá-la pelo padrinho, que deve, naturalmente, cuidar para que nenhum dano seja causado pela chama e que a vela seja devidamente entregue ao coroinha.

O sacerdote então impõe a mão sobre a cabeça da criança em bênção e lhe diz: "Vai em paz, 268 A Ciência dos Sacramentos

e que o Senhor esteja contigo." Em seguida, ele profere aos padrinhos a seguinte exortação: Vós que trouxestes esta criança aqui para ser batizada, vendo que agora ela é regenerada pela água e pelo Espírito Santo, e enxertada no corpo místico da Igreja de Cristo, lembrai-vos de que sobre vós recai um dever que não deve ser levianamente abandonado.

É vossa parte cuidar que, tão logo ela tenha idade suficiente para compreender, seja ensinada a santa vontade e o mandamento de Deus, como foram proferidos por nosso próprio Senhor quando disse: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e com todas as tuas forças.

Este é o primeiro e grande mandamento; e o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." Também lhe será ensinada a doutrina da santa Igreja católica, na qual ela foi neste dia admitida, e será levada, no devido tempo, ao bispo para ser por ele confirmada.

Estas são as verdadeiras responsabilidades dos padrinhos — não fazer promessas impossíveis em nome da criança, mas garantir que ela seja ensinada na grande lei do amor, e que tenha a vantagem do Sacramento da Confirmação assim que tiver idade suficiente para dele beneficiar-se. O mandamento que lhe é ensinado não é a estranha mistura jeovística do decálogo mosaico, com sua atribuição blasfema à Divindade de um dos piores e mais tolos pecados do homem, mas a versão dada por nosso próprio Senhor. Muita controvérsia amargurada tem cercado a questão do significado exato de regeneração.

A palavra significa simplesmente nascer de novo, e não é de modo algum inadequada como descrição do que ocorre no batismo.

A abertura dos centros no corpo à influência espiritual, a repressão dos germes do mal, e a dotação da criança com o que é praticamente um anjo da guarda, uma influência nova e poderosa na direção do bem — tudo isso junto constitui uma mudança tão marcante na condição da criança que pode muito bem ser considerada um segundo nascimento — um nascimento na Igreja de Cristo, seguindo rapidamente sua reentrada no mundo físico.

O BATISMO DE CRIANÇAS MAIS VELHAS E DE ADULTOS

Duas outras formas do serviço batismal são dadas em nossa Liturgia — uma para crianças que têm idade para compreender algo do que está sendo feito, e outra para adultos que desejam ser formalmente admitidos na Igreja.

Apenas tais modificações são introduzidas quanto necessárias para adaptar as orações e exortações à idade do candidato.

O exorcismo de todas as influências e germes do mal, e a abertura e fechamento dos centros de força são omitidos, porque, para o bem ou para o mal, esses centros já estão funcionando e esses germes já se desenvolveram em certa medida.

No lugar do exorcismo, uma oração é substituída para que o candidato possa ser tão purificado que seja capaz de receber devidamente o Sacramento.

Se o candidato já recebeu alguma forma de batismo, mas há incerteza quanto a se as palavras de poder foram ditas, ou se a água foi devidamente usada, nós o rebatizamos condicionalmente, dizendo: "Se não foste já batizado, então eu te batizo." Mesmo que tenhamos conhecimento, evidência ou presunção de que o batismo foi devidamente realizado, mas que as unções e outras partes do

Se a cerimônia foi omitida (como seria o caso, por exemplo, de alguém batizado na Igreja da Inglaterra), é permitido repetir o rito para suprir as partes faltantes, caso o candidato o deseje. Neste caso, também a forma condicional deve, naturalmente, ser usada.

Se qualquer forma de batismo foi anteriormente administrada, a recepção na Igreja de Cristo é omitida, pois o batismo admite à Igreja como um todo, e não a uma seção apenas dela, e devemos presumir que qualquer pessoa que tenha administrado esse rito deve ter tido ao menos um mínimo de intenção.

Na exortação final, a admoestação é dirigida não aos padrinhos, mas ao próprio candidato.

No caso de adultos, o evangelho referente à recepção das criancinhas por Cristo é omitido, e também geralmente a entrega da veste branca e da vela, a menos que sejam especialmente desejadas.

O batismo é primariamente destinado às crianças, e sua omissão na infância não pode ser plenamente suprida pelo batismo em idade posterior.

A operação do Sacramento sobre o bebê é de longo alcance, pois o poder flui através de todos os veículos e os limpa completamente, colocando a maquinaria em funcionamento exatamente da maneira correta.

O adulto, necessariamente, já pôs as coisas em movimento por si mesmo há muito tempo, e suas correntes fluem de modo muito semelhante ao que o batismo teria feito com que fluíssem, mas geralmente se descobrirá que os cantos não foram limpos, grande parte da aura do homem parece não vivificada, e há uma grande quantidade de matéria indeterminada com a qual nada está sendo feito, e portanto ela tende a sair da circulação geral, a assentar e formar um depósito, e assim gradualmente a obstruir a maquinaria e impedir seu funcionamento eficiente.

Grande parte desse resultado desagradável é evitado quando uma pessoa foi batizada na infância; pois no batismo infantil é o poder do próprio Cristo que desperta os germes do bem para a atividade e, assim, lança uma esplêndida fundação para o desenvolvimento subsequente.

A criança que não é batizada tem de fazer esse trabalho por si mesma, e provavelmente o fará de modo menos satisfatório, tanto mais porque não recebeu a vantagem adicional da repressão dos germes do mal.

Outra razão a favor do batismo infantil é que há na criança um campo de ação claro, que não existe no adulto; e assim, embora a forma-pensamento seja feita da mesma maneira, as condições sob as quais o silfo tem de trabalhar são tão diferentes que ele não opera em nada parecido com a mesma extensão.

Na verdade, para as pessoas mais velhas, é dado um tipo bastante diferente de silfo, com talvez um pouco menos do amor materno do serafim, mas uma entidade mais _ mundana, capaz de se desenvolver em uma inteligência mais aguçada.

Há algo meio cínico nele; ele tem paciência incansável, mas não parece esperar muito, enquanto o anjo do bebê é otimista — mais vago, talvez, do que o outro, mas cheio de amor e esperança e planos para o futuro.

Ainda assim, uma influência salutar e benéfica é exercida pela administração do Sacramento ao adulto; a unção com crisma não deixa de ser útil na limpeza do portal, e até mesmo a confecção da couraça é boa, especialmente para aqueles que são jovens e solteiros.

A Ciência dos Sacramentos

Os Sacramentos são organizados em uma ordem definida — o batismo para atender e ajudar a criança logo após o nascimento, a confirmação para fortalecê-lo através do difícil período da puberdade, e a Santa Eucaristia para dar-lhe sustento espiritual frequente durante toda a sua vida.

É inquestionavelmente melhor que eles sejam recebidos no tempo e na ordem pretendidos, mas não vejo fundamento para a teoria de que a ausência de um invalida os outros.

É a crença romana de que um homem que não foi batizado não pode ser validamente ordenado, e essa ideia tem causado grande ansiedade em certos casos.

Parece haver dúvida nas mentes de muitos quanto ao batismo do falecido Arcebispo Tait de Canterbury (ele sendo de uma família presbiteriana escocesa) e de vários outros prelados anglicanos; e por essa razão alguns temeram que o clero ordenado por eles pudesse não ser realmente sacerdotes, e que consequentemente os Sacramentos celebrados por esse clero pudessem ser ineficazes.

Isso não parece ser o fato.

Ao mesmo tempo, para eliminar a menor possibilidade de qualquer dúvida ou dificuldade nas mentes de nossos membros, ou de pessoas de outras Igrejas, nós da Igreja Católica Liberal temos sempre o cuidado de rebatizar condicionalmente qualquer candidato à ordenação, a menos que tenhamos evidências irrefutáveis de que já foram batizados segundo um rito pleno e absolutamente confiável, como o da Igreja de Roma.

A água a ser usada no batismo, segundo o costume romano, é benta apenas uma vez por ano, no Sábado Santo, sendo derramado nela um pouco dos óleos sagrados.              Batismo e Confirmação

Consideramos mais conveniente benzer a água fresca para cada ocasião, usando a mesma fórmula da confecção da água benta, exceto que o sacerdote mantém firmemente a intenção especial de prepará-la para o Sacramento do batismo.

CONFIRMAÇÃO    O próximo auxílio sacramental que a Igreja oferece aos seus jovens membros é o da confirmação.

Consiste numa maravilhosa efusão do Espírito Santo, dada à criança assim que ela é capaz de recebê-la com entendimento, e é capaz, até certo ponto, de pensar por si mesma.

É óbvio que nenhuma idade exata pode ser prescrita, pois as crianças diferem muito em seu ritmo de desenvolvimento; mas na Igreja Ocidental não é costume administrar este Sacramento antes dos sete anos, idade em que se supõe que a alma já tenha definitivamente assumido seus veículos.

A apresentação teológica desta verdade (mesquinha e distorcida, como tantas vezes acontece) é que antes dos sete anos uma criança é incapaz de pecado mortal.

Cerca de doze anos é talvez a idade ideal, embora muitas crianças estejam prontas para isso muito mais cedo.

Não é aconselhável adiá-lo muito além disso, pois se destina principalmente a atender a criança quando ela se aproxima da puberdade, e a ajudá-la a atravessar um período difícil de sua vida.

O serviço, tal como contido em nossa Liturgia, explica-se tão bem que grande parte dele pode ser citado sem comentários.

O bispo, revestido de capa e mitra brancas, e segurando seu báculo pastoral na mão, está sentado num faldistório diante do altar, voltado para o oeste, e    274        A Ciência dos Sacramentos

os candidatos à confirmação estão sentados em ordem diante dele, fora do presbitério — seus padrinhos também, se ainda vivos e aptos a comparecer, estando por perto para apresentá-los no momento oportuno.

Então o bispo profere a seguinte exortação: Meus amados filhos; ao vosso ingresso nesta vida mortal fostes trazidos à casa de Deus, e a nossa santa Mãe a Igreja vos recebeu com o auxílio que então podíeis receber.

Agora que podeis pensar e falar por vós mesmos, ela vos oferece um dom adicional — o dom do Santíssimo Espírito de Deus.

Este mundo em que vivemos é o mundo de Deus, e está se tornando melhor dia após dia e ano após ano; mas ainda está longe da perfeição.

Ainda há muito de pecado e egoísmo; ainda há muitos que não conhecem a Deus, nem compreendem as Suas leis.

Portanto, há uma luta constante entre o bem e o mal, e, sendo vós membros da Igreja de Cristo, estareis ansiosos por tomar posição ao lado de Deus e lutar sob o estandarte do nosso Senhor.

Neste Sacramento da Confirmação, a Igreja vos dá tanto a oportunidade de vos alistardes no exército de Cristo quanto a força para vos portardes como homens.

Mas se entrardes no Seu santíssimo serviço, cuidai de ser tais soldados como Ele deseja que sejais. Fortes deveis ser como o leão, porém mansos como o cordeiro, prontos sempre a proteger os fracos, vigilantes sempre a ajudar onde o auxílio é necessário, a dar reverência àqueles a quem é devida, e a mostrar cortesia cavalheiresca a todos.

Nunca esquecendo que Deus é Amor, fazei da vossa constante preocupação derramar amor ao vosso redor onde quer que vades; assim transformareis em chama viva os fogos latentes de amor nos corações daqueles em quem ainda a centelha arde fraca.

Lembrai-vos de que o Soldado da Cruz deve arrancar pela raiz do seu coração a gigantesca erva daninha do egoísmo, e deve viver não para si mesmo, mas para o serviço do mundo; pois este mandamento temos d'Ele: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão.

Lembrai-vos de que o poder de Deus, que agora estais prestes a receber de minha mão, operará sempre dentro de vós para a justiça, inclinando-vos a uma vida nobre e reta.

Batismo e Confirmação

Esforçai-vos, portanto, seriamente, para que os vossos pensamentos, as vossas palavras e as vossas obras sejam tais como convêm a um filho de Cristo e a um cavaleiro dedicado ao Seu serviço.

Tudo isto devereis tentar fazer com zelo, pelo doce amor de Cristo e em Seu Santíssimo Nome.

O bispo então pergunta aos candidatos se eles se esforçarão para viver no espírito do amor com toda a humanidade, e para lutar virilmente contra o pecado e o egoísmo; se eles se esforçarão para manifestar em seus pensamentos, palavras e obras o poder de Deus que ele está prestes a lhes conceder. Eles respondem afirmativamente, e o bispo pronuncia sobre eles esta bênção: Que a bênção do Espírito Santo desça sobre vós, e que o poder do Altíssimo vos preserve em todos os vossos caminhos.

Esta bênção preliminar tem por objetivo ampliar a conexão entre a alma e seus veículos — para preparar o caminho para o que está por vir.

Poderíamos dizer que o objetivo é esticar tanto a alma quanto os veículos até sua capacidade máxima, para que possam receber mais da efusão divina.

Imediatamente após isto (todos ajoelhados), o hino Veni Creator é entoado.

Este tem sido chamado o mais famoso dos hinos.

Sua autoria é incerta.

Foi atribuído a Santo Ambrósio, a Gregório Magno e ao Imperador Carlos Magno, mas talvez o peso das evidências seja antes a favor de Rabanus Maurus, que foi arcebispo de Mainz e abade de Fulda por volta do ano 850 d.C. Há cerca de sessenta traduções e paráfrases em inglês, de méritos variados.

Aquela que selecionamos será encontrada em nossa Liturgia no serviço de Confirmação, 276 A Ciência dos Sacramentos

Está designado no breviário romano para as Vésperas e a Terça de Pentecostes e sua oitava, e também é cantado na coroação de Reis, na consagração de bispos e na ordenação de sacerdotes.

Na Igreja Católica Liberal, nós o usamos nas duas últimas ocasiões mencionadas, e também na ordenação de diáconos e na confirmação.

Tornou-se a forma aceita para o apelo a Deus o Espírito Santo em todas as ocasiões em que pedimos uma efusão especial de Seu poderoso poder.

Assim que este é entoado, o bispo imediatamente prossegue com a confirmação propriamente dita.

Ele toma assento no faldistório — ou se não houver um faldistório adequado, uma cadeira comum pode ser usada — ainda usando sua mitra e segurando seu báculo.

Um gremial — que é um pano de linho como uma toalha, tendo frequentemente alguns símbolos sagrados bordados nele com fio vermelho, e destinado como uma espécie de avental para proteger as vestes do bispo — é estendido sobre seus joelhos, e uma almofada colocada a seus pés.

Cada candidato é conduzido individualmente até ele pelos padrinhos e instruído a ajoelhar-se sobre a almofada e a unir as mãos, palma contra palma, apoiando-as sobre o gremial.

O bispo, entregando seu báculo a seu assistente, impõe as mãos sobre cada lado das mãos do candidato, de modo que as mãos unidas do candidato fiquem entre as suas.

O candidato, auxiliado se necessário por seu padrinho, então diz: "Reverendíssimo Padre, ofereço-me como cavaleiro a serviço de Cristo"; e o bispo, pressionando levemente suas mãos, responde: "Em o santíssimo Nome de Cristo, eu te aceito."

Na Igreja Católica Liberal, todo o serviço tem um sabor militar e cavalheiresco, e isso emerge com muita clareza nesta etapa.

O candidato adota precisamente a posição daqueles que se apresentam diante do Rei em sua coroação para prestar-lhe homenagem e declarar-se seus homens, à sua disposição em total lealdade e abnegação; e o bispo toca as mãos da criança em cada lado em resposta, assim como o Rei faz quando aceita a homenagem e promete sua proteção.

O voto sobe através dele até o Cristo, de Quem a resposta flui para baixo.

O bispo agora profere as palavras de poder.

Segurando seu báculo na mão esquerda, ele toma um pouco de crisma sobre o polegar e impõe a mão direita sobre a cabeça do candidato, dizendo: "Recebe o Espírito Santo para o suave odor de uma vida piedosa; com o qual te assinalo com o sinal da cruz, e te confirmo com a crisma da salvação. Em o Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém."

Ao dizer "te assinalo", ele faz a cruz com a crisma sobre a fronte do neófito, e após a palavra "salvação", ele ergue a mão e faz o sinal três vezes sobre a cabeça do neófito, mas sem tocá-lo, enquanto recita os Nomes da Santíssima Trindade.

O poder que o bispo derrama no candidato é definida e distintamente o da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Terceiro Aspecto da Divindade; mas ele vem em três ondas, e atua nos três níveis sobre os princípios do candidato.

Como no batismo, há primeiro uma abertura pela força, que se move de baixo para cima; depois há um processo de preenchimento e selamento, que se move de cima para baixo.

Mas estamos lidando agora com a alma, e não meramente com seus veículos.

Nas palavras: "Recebei o Espírito Santo", o poder divino irrompe através da alma ou ego do bispo para aquela camada inferior da alma do candidato que chamamos de inteligência (ou em sânscrito o manas superior); no sinal da cruz, ele se eleva para o estágio seguinte, a intuição ou buddhi; e nas palavras: "Eu te confirmo com o crisma da salvação", ele pressiona para cima até o espírito ou atma.

Mas deve-se compreender que há um aspecto de Terceira Pessoa em cada um desses princípios (Diagrama 21), e que é através dele, em cada caso, que a obra está sendo realizada; é tudo ação direta do Espírito Santo.

Alguns candidatos são muito mais suscetíveis a esse processo de abertura do que outros; sobre alguns, o efeito produzido é enorme e duradouro; no caso de outros, é frequentemente apenas leve, porque ainda aquilo que deve ser despertado é tão pouco desenvolvido que mal é capaz de qualquer resposta.

Quando o despertar foi alcançado até onde pode ser, vem o preenchimento e o selamento. Isso é feito, como sempre, pela pronúncia da grande palavra de poder, o Nome da Bem-aventurada Trindade.

No Nome do Pai, o princípio mais elevado é preenchido e selado; no Nome do Filho, o mesmo é feito ao princípio intuicional, e no Nome do Espírito Santo a obra é concluída pela ação sobre a inteligência superior.

À medida que essa efusão adicional, que chamei de preenchimento, ocorre, o efeito sobre o espírito é refletido no duplo etérico do neófito, até onde seu desenvolvimento permite; a impressão sobre a intuição é da mesma maneira reproduzida no veículo emocional; e o que é feito à mente superior deve similarmente espelhar-se na inferior.

Mas todas essas reflexões na personalidade dependem da extensão em que ela é capaz de expressar e refletir a alma por trás dela. A própria intenção do Sacramento é apertar os elos em toda a extensão — promover uma conexão mais próxima entre a alma e seu veículo, a personalidade, mas também entre essa alma e o espírito que ela, por sua vez, expressa.

Este resultado não é meramente temporário; a abertura dessas conexões cria um canal mais amplo através do qual um fluxo constante pode ser mantido.

A confirmação arma e equipa um menino para a batalha da vida, e torna mais fácil para a alma agir sobre e através de seus veículos.

Quando este grande ato sacramental foi realizado, o bispo novamente impõe sua mão sobre a cabeça do neófito, dizendo: "Portanto, vai adiante, meu irmão, em Nome do Senhor, pois em Sua força podes fazer todas as coisas." Então ele o toca levemente na face como uma carícia de despedida, e lhe diz: "A paz esteja contigo." Quando todos os neófitos retornaram aos seus lugares, um belo e apropriado hino é cantado.

Depois que isto é concluído, o bispo dirige algumas palavras de conselho aos neófitos, dizendo-lhes que cuidem para que seus corpos sejam sempre puros e limpos, como convém ao templo do Deus Altíssimo e ao canal de tão grande poder; e 280        A Ciência dos Sacramentos

ele ainda lhes diz que, à medida que mantêm esse canal aberto por uma vida útil dedicada ao serviço do próximo, assim a vida divina que está dentro deles brilhará com glória cada vez maior.

Então ele faz uma oração na qual oferece a Cristo as vidas que Ele naquele dia abençoou, pedindo que aqueles que Ele assim aceitou como soldados na Igreja militante aqui na terra possam portar-se como verdadeiros e fiéis cavaleiros, para que sejam considerados dignos de permanecer diante d'Ele nas fileiras da Igreja triunfante no porvir.

Então, segurando seu báculo e usando sua mitra, para que os neófitos possam ter o mais pleno benefício de todos os canais possíveis, ele os despede com uma bela variante da bênção aarônica: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, vos abençoe, preserve e santifique; o Senhor em Sua bondade amorosa olhe para vós e seja gracioso para convosco; o Senhor faça resplandecer a luz do Seu Rosto sobre vós e vos dê a Sua paz, agora e para sempre.

Isto é seguido pela bênção do Primeiro Raio, exatamente como no final da celebração da Santa Eucaristia.

Há também neste Sacramento, como disse antes, a ideia de preparar o menino (ou menina) para as tentações e dificuldades de atingir a puberdade, e, de modo geral, para ajudá-lo a pensar e agir por si mesmo.

Seu efeito é, sem dúvida, um grande estímulo e fortalecimento.

Que uso o neófito faz dessa oportunidade depende dele mesmo, mas, de qualquer forma, a oportunidade lhe é dada pela Igreja.

Após receber isso, ele é então considerado elegível para o maior auxílio de todos, o Sacramento da Santa Eucaristia.

A Igreja, no entanto, reconheceu universalmente que não se trata de um pré-requisito essencial, pois sempre esteve pronta a admitir em seus altares aqueles que estão "prontos e dispostos a serem confirmados". Tenho sido frequentemente perguntado se estamos dispostos a repetir o Sacramento da Confirmação para aqueles que o receberam da Igreja da Inglaterra.

Estamos prontos a fazê-lo, se desejado, porque essa Igreja omitiu tantos pontos da forma de confirmação que foi transmitida através dos tempos, que acreditamos poder acrescentar algo ao que ela tem dado.

Não insistimos, é claro, nisso, pois não há necessidade real deste ou de qualquer outro Sacramento; mas o recomendamos, pois sabemos que é útil, e que o auxílio pode muitas vezes atuar em direções inesperadas.

Nossa atitude é que, já que nosso querido Senhor e Mestre, em Sua bondade amorosa, nos ofereceu essa assistência tão valiosa, seria tolice, bem como ingratidão, não aceitá-la. O sol do Seu amor brilha sempre; por que haveríamos de recusar sair para a luz do sol? Mas se alguém vem a nós da Igreja Romana, seria inútil e impróprio repetir a cerimônia, pois sua forma contém tudo o que podemos dar.

Na Igreja Oriental, a confirmação em nosso sentido da palavra não se pode dizer que exista.

O que é chamado por esse nome é uma cerimônia suplementar ao batismo, administrada ao infante imediatamente após, pelo sacerdote, embora com crisma que tenha sido abençoado pelo bispo.

Pode ser talvez uma sobrevivência da tradição de ungir com crisma no batismo, de modo que os dois Sacramentos se tornaram, até certo ponto, confundidos.

CAPÍTULO IV. ORDENS SAGRADAS Cito do prefácio a esta seção de nossa Liturgia: "Ordens Sagradas é o Sacramento pelo qual, em seus diversos graus, os ministros da Igreja recebem poder e autoridade para desempenhar seus sagrados deveres."

Nosso Senhor opera por meio da agência humana, e para que aqueles que são escolhidos para este sagrado ministério como bispos, sacerdotes ou diáconos se tornem canais mais prontos de Sua graça, Ele ordenou que eles sejam ligados estreitamente a Ele por este santo rito, e sejam assim capacitados a administrar Seus Sacramentos e agir como distribuidores de Sua bênção.

Mas é muito importante que o povo se lembre de que recebe todos os Sacramentos da mão do próprio Cristo, e que o sacerdote é apenas um instrumento nessa mão.” Entre os estudiosos da história da Igreja, opiniões amplamente divergentes são sustentadas sobre a origem das Ordens Sagradas.

A Igreja Romana sempre manteve que as três Ordens (bispo, sacerdote e diácono) foram instituídas pelo próprio Cristo, e que os primeiros bispos foram consagrados pelos apóstolos.

Presbiterianos e outros, que não possuem eles próprios a sucessão apostólica, contendem que nos tempos mais antigos bispos e presbíteros eram termos sinônimos.

Eles avançam a ideia de que, se uma igreja foi fundada sob influência judaica, seus oficiais eram chamados de anciãos, mas se a influência gentílica predominasse, o nome de bispo era usado.

Alguns deles atribuem grande importância à sucessão factual, mas consideram que ela é transmitida através da linha ininterrupta de presbíteros desde os dias de Cristo até hoje, e que consequentemente não há necessidade da intervenção do bispo.

O Bispo Lightfoot escreveu um ensaio cuidadoso e erudito sobre a questão, adotando a visão de que o sacerdócio e o diaconato foram provavelmente instituídos primeiro, e que o episcopado foi acrescentado logo em seguida, conforme as necessidades da Igreja em crescimento o exigiam. Quando Santo Inácio escreveu no ano 107 d.C., as três Ordens de bispos, sacerdotes e diáconos já eram consideradas necessárias ao próprio nome de uma Igreja.

Um documento chamado Didaquê, ou Ensinamento dos Doze Apóstolos, ao qual se faz referência nos escritos de alguns dos Padres, foi redescoberto em 1883 por Briênio, o metropolita grego ortodoxo de Nicomédia.

Neste tratado há algumas passagens obscuras sobre este assunto, que sugerem que as primeiras Ordens foram apóstolos, profetas e mestres, que eram nomeados carismaticamente ou por inspiração direta, mas que, além disso, havia um ministério local e administrativo.

A data e a origem do Didaquê, no entanto, são desconhecidas, embora deva ter sido uma produção muito antiga, e alguns escritores não estão dispostos a atribuir-lhe muita importância. - O Bispo Gore, por exemplo, fala dele como emanando de uma comunidade sem cristã, e o Dr. 84 A Ciência dos Sacramentos

Swete diz que, na melhor das hipóteses, ele ilustra a prática de alguma Igreja remota, e sua confiabilidade como monumento histórico tem sido posta em questão.

Parece ser verdade que nos primeiros dias da Igreja existiam corpos de crentes (de fato, um deles é mencionado nos Atos dos Apóstolos) que não conheciam os ritos sacramentais, embora alguns fragmentos da pregação do Cristo tivessem chegado até eles.

É bem possível que o Didaquê possa representar as crenças de tal corpo.

O Rev.

A. E. J. Rawlinson, em seu ensaio no conhecido livro *Foundations*, descreve graficamente a posição do argumento como um impasse.

As evidências históricas disponíveis são insuficientes para provar qualquer uma das teorias.

Na p. ele diz: "Todas são interpretações mais ou menos legítimas da evidência; nenhuma é certamente demonstrável." Isso resume de forma justa o resultado da grande quantidade de estudo minucioso e cuidadoso que foi dedicado à questão.

Aqueles que desejam ler por si mesmos uma declaração imparcial de estudiosos cujo saber dá peso às suas opiniões podem ser remetidos a *Essays on the Early History of the Church and the Ministry*, editado pelo Dr. Swete.

Seleciono as seguintes observações das do editor, ao epitomizar em seu prefácio as conclusões a que os ensaístas chegam: "O cristianismo primitivo reconhecia... nenhuns dons assegurados de graça fora da comunhão católica.

No estágio anterior, o bispo é um presbítero distinguido de outros presbíteros por seu poder de ordenação.

A teoria de um ministério carismático baseado no Didaquê verifica-se não ter apoio nas Epístolas de São Paulo.

Foi o perigo gnóstico do segundo século que deu proeminência ao princípio da sucessão apostólica.

Quando o gnosticismo reivindicou uma tradição secreta derivada dos apóstolos, a Igreja Católica replicou apontando para igrejas cujos bispos podiam mostrar uma sucessão ininterrupta desde os fundadores apostólicos.

Não há fundamento para pensar que profetas foram alguma vez admitidos ao presbiterado sem ordenação." Outro livro sobre o assunto é *The Government of the Church in the First Century*, do Rev. William Moran; e uma declaração clara e concisa da doutrina romana será encontrada no artigo sobre Ordens Sagradas na *The Catholic Encyclopedia*, do qual extraio o seguinte parágrafo:

"O Novo Testamento não mostra claramente a distinção entre presbíteros e bispos, e devemos examinar suas evidências à luz de tempos posteriores.

No final do segundo século, há uma tradição universal e incontestada de que os bispos e sua autoridade superior datam dos tempos apostólicos.

Isso lança muita luz sobre as evidências do Novo Testamento, e descobrimos que o que aparece distintamente na época de Inácio pode ser rastreado através das epístolas pastorais de São Paulo, até o próprio início da história da Igreja Mãe em Jerusalém, onde São Tiago, o irmão do Senhor, parece ocupar a posição de bispo.

Timóteo e Tito possuem plena autoridade episcopal, e foram sempre assim reconhecidos na tradição.

Sem dúvida, há muita obscuridade no Novo Testamento, mas isso é explicado por muitas razões. Os monumentos da tradição nunca nos dão a vida da Igreja em toda a sua plenitude, e não podemos esperar essa plenitude, no que diz respeito à organização interna da Igreja existente nos tempos apostólicos, a partir das referências superficiais nos escritos ocasionais do Novo Testamento.

A posição dos bispos seria necessariamente muito menos proeminente do que em tempos posteriores.

A autoridade suprema dos Apóstolos, o grande número de pessoas dotadas carismaticamente, o fato de que várias Igrejas eram governadas por delegados apostólicos que exerciam autoridade episcopal sob direção apostólica, impediriam essa proeminência especial.

A união entre bispos e presbíteros era estreita, e os nomes permaneceram intercambiáveis muito depois de a distinção entre presbíteros e bispos ser comumente reconhecida, por exemplo, em Irineu, *Adv. Haer.*, IV., xxvi., 2. Portanto, parece que já no Novo Testamento encontramos, sem dúvida de forma obscura, o mesmo ministério que aparece tão distintamente depois."

A investigação clarividente desses períodos primitivos confirma absolutamente a alegação da Igreja Romana.

Na mente daqueles que aprenderam a olhar para os registros indeléveis do passado, não pode haver dúvida alguma de que o Cristo definitivamente intentou e fundou as três Ordens em Sua Igreja; portanto, para eles, esta discussão histórica não é de interesse primário.

Eles sabem que não houve ruptura na sucessão apostólica, mas também sabem que os gnósticos estavam certos ao reivindicar a existência de uma tradição secreta — que o Cristo, não apenas após Sua ressurreição, mas mesmo após Sua ascensão, ensinou a Seus apóstolos muitas coisas concernentes ao reino dos céus, e que dessas "muitas coisas" pelo menos algumas foram, por Sua ordem, mantidas em segredo entre os membros da comunidade essênia à qual Ele pertencera.

A explicação adicional de tudo isso, no entanto, pertence antes ao nosso volume posterior sobre a doutrina cristã.

Há dois grupos de Ordens na Igreja Cristã tal como se apresenta hoje — as menores e as maiores; e há um estágio preliminar que conduz a cada grupo.

As Ordens menores são quatro, e seus nomes antigos podem ser traduzidos como porteiro, leitor, exorcista e acólito.

O passo preliminar que conduz à primeira destas é o clérigo.

As Ordens maiores da Igreja são três — diácono, sacerdote e bispo.

O passo que conduz do grupo menor ao maior é o do subdiácono.

Tabulemo-las para que as tenhamos claramente em mente.

Ordens Menores                 Passo preliminar: Clérigo                   1.   Porteiro                   2.   Leitor                   3.   Exorcista                   4.   Acólito.

Ordens Maiores               Passo preliminar:    Subdiácono                   1.   Diácono                   2.   Sacerdote                   3.   Bispo   Estas três últimas mencionadas         são   as   únicas Ordens universalmente    reconhecidas       na    Igreja — as únicas 288        A Ciência dos Sacramentos

Ordens no verdadeiro e mais elevado sentido que colocam o recipiente em relação com o Cristo como Seu representante, e conferem poderes definidos.

As Ordens menores têm seus usos, mas não fazem isso, nem fazem parte da instituição original de Cristo, como o são as Ordens maiores.

AS ORDENS MENORES — Há muitas maneiras pelas quais os leigos podem ajudar nos serviços da Igreja, e é uma ideia natural e bela que aqueles que se dedicam a tal trabalho, tão regular e constantemente quanto suas ocupações mundanas permitirem, recebam a bênção especial da Igreja sobre seus labores.

Foi dessa maneira que as Ordens Menores originalmente surgiram.

Não eram então destinadas como etapas de progresso, nem se esperava que um único homem passasse por todas elas; mas cada homem era abençoado pelo trabalho que se comprometia a realizar. O porteiro tinha sua pequena bênção, o leigo-leitor tinha a sua.

Aqueles que se mostravam homens de grande fé e forte vontade, e portanto capazes de curar casos de obsessão, recebiam uma bênção que visava fortalecê-los ainda mais para esse trabalho; enquanto aqueles que demonstravam especial devoção, pureza e santidade de vida eram escolhidos e abençoados para o serviço efetivo do altar.

Assim, estas nossas Ordens vieram a existir, e foi somente em uma data consideravelmente posterior que foram organizadas em sua ordem atual, e consideradas como preliminares necessárias ou, pelo menos, desejáveis para as Ordens Maiores.

Embora a Igreja Romana as disponha consecutivamente, seus serviços para essas Ordens Menores não levam em conta o ato, e são evidentemente relíquias do tempo em que cada uma se mantinha isolada.

Na Igreja Católica Liberal, achamos por bem enfatizar sua sequência e tornar claro o efeito preciso que cada uma se destina a produzir.

As exortações postas na boca do bispo em nossa Liturgia explicam isso tão bem que será suficiente, para nosso propósito atual, reproduzi-las quase sem comentário.

A ORDEM DE CLÉRIGO

O clérigo dedica-se ao serviço divino e está disposto a fazer algum sacrifício por ele; a abrir mão de boa parte de seu tempo livre, por exemplo, para ajudar no trabalho religioso, ou a pôr de lado a ambição mundana a fim de se dedicar às necessidades do santuário.

Em tempos antigos, ele cortava o cabelo como sinal dessa prontidão para o sacrifício, pois naquela época o cabelo longo e perfumado era considerado uma grande glória.

A verdadeira razão da tonsura, que, no entanto, nunca era mencionada e provavelmente nem mesmo amplamente conhecida, era deixar descoberto o centro de força no topo da cabeça (o portal ao qual nos referimos ao considerar o Sacramento do batismo), de modo que não houvesse o menor obstáculo no caminho da força psíquica que os candidatos, em suas meditações, deveriam procurar despertar.

Na admoestação que dirige aos clérigos, o bispo delineia para eles todo o curso que se apresenta àqueles que desejam receber as Ordens menores, enfatizando o controle e o cuidado do corpo físico que marcam este primeiro passo no caminho ascendente.

Ele fala da seguinte forma:

A Ciência dos Sacramentos

Aqueles que, nos tempos antigos, desejavam dedicar suas vidas ao serviço da santa Igreja de Cristo eram admitidos, como passo preliminar, a esta Ordem de Clérigo.

Sendo separados da vida do mundo, eram admoestados a abandonar as distrações mundanas e os desejos seculares, cuja renúncia, tipificada pelo adorno exterior da pessoa, era indicada pelo raspamento dos cabelos da cabeça e pela renúncia às vestes seculares.

Vós, que agora vos apresentais diante de nós, tendes igualmente o propósito de vos dedicar ao serviço de Cristo e desejais entrar nesta antiga Ordem para receberdes ajuda e instrução na preparação para a vida de serviço.

Nestes últimos dias, já não é necessário ser tonsurado ou usar vestes especiais fora da Igreja; mas nem por isso é menos verdade que aquele que deseja servir fielmente a Cristo deve separar-se do mundo, no sentido de que as considerações da obra de Cristo devem ter precedência sobre a realização de meros desejos pessoais.

Neste grau de clérigo, vós vos propõeis um grande e glorioso ideal — tornar-vos cooperadores de Deus, cooperar em Seu Plano para o aperfeiçoamento de Sua criação.

Para isso, deveis tanto aprender o autocontrole quanto adquirir poderes adicionais.

Em vez de permitir que o vosso corpo vos dirija e escravize, deveis esforçar-vos por viver para a alma. Portanto, como primeiro passo, deveis aprender neste grau de Clérigo a controlar e a expressar corretamente a vós mesmos através do corpo físico, pois no estágio seguinte, o de Porteiro, será vosso dever controlar e desenvolver corretamente as emoções, para que todo o poder que nelas reside possa ser usado a serviço de Deus.

No grau de Leitor, ensina-se-vos a tomar nas mãos os poderes da mente e a dedicá-los também ao serviço de Deus.

Tendo assim laborado diligentemente no treinamento do corpo, das emoções e da mente, entrais numa fase mais elevada do vosso trabalho, e na Ordem de Exorcista desenvolveis mais definitivamente o poder da vontade, para que possais conquistar o mal em vós mesmos e tais sugestões malignas que possam ser impostas sobre vós vindas de fora; também agora podereis melhor ajudar outros a expulsar o mal de suas naturezas.

Acima do grau de exorcista está o de Acólito, nas Ordens Menores, onde vossa tarefa é avivar a intuição e abrir-vos a toda sorte de influência espiritual.

Além desses graus, que entre nós se destinam à maioria, há para poucos um Serviço mais elevado, embora mais estrito, no qual o homem deve separar-se inteiramente para o serviço do Cristo e, tendo passado pelo grau probatório de Subdiácono, entra nas Ordens Maiores de Diácono e Sacerdote.

Mas, ainda que não elejais entrar nesse caminho superior, sereis verdadeiramente felizes, pois mesmo nas Ordens Menores tereis desdobrado muitos poderes dentro de vós, e com esses poderes corretamente desenvolvidos e treinados podereis oferecer serviço aceitável Àquele em cujo serviço somente há perfeita liberdade.

Nesta Ordem de Clérigo, portanto, deveis aprender o autodomínio com relação ao corpo.

Deve ser treinado para hábitos de exatidão e capricho; deve ser mantido em perfeita saúde e limpeza, e deveis ver que ele consagra suas energias ao serviço de Deus, não na desordem e no egoísmo, mas na harmonia e no ritmo.

Em vosso gesto, em vossa maneira e em vossa fala, esforçai-vos por manifestar o ideal da beleza, nunca esquecendo que nossos corpos físicos são o templo do Espírito Santo.

Além disso, assim como aprendeis a respeitar vosso próprio corpo, deveis escrupulosamente respeitar os corpos dos outros, imaginando-os sempre como o templo da Beleza eterna.

Terminada a exortação, os candidatos ajoelham-se diante do bispo, que se levanta e diz: Ó Senhor Cristo, que estais sempre pronto a receber e a fortalecer as sinceras aspirações de vossos filhos, olhai com amor para estes vossos servos que desejam tornar-se dignos de vos servir como clérigos em vossa santa Igreja.

Santificai-os, ó Senhor, com vossa graça celestial, para que, crescendo continuamente em virtude, possam exercer corretamente os deveres de seu ofício e assim serem achados aceitáveis aos vossos olhos, ó grande Rei do Amor, a Quem seja glória para todo o sempre.

R. Amém.

292 A Ciência dos Sacramentos

Os ordenandos ajoelham-se diante do bispo em sucessão.

Ele coloca sua mão direita sobre a cabeça de cada um, enquanto diz: Em Nome de Cristo, nosso Senhor, eu te admito à Ordem de Clérigo.

O bispo coloca uma sobrepeliz sobre cada um dos ordenandos, dizendo-lhe: Eu te visto com a vestimenta da santidade e te admoesto a desenvolver diligentemente os poderes que há em ti, para que teu serviço seja de bom efeito.

Tendo ordenado os vários candidatos, ele abençoa os novos clérigos com as seguintes palavras: A bênção de Deus Todo-Poderoso, o Pai, o Filho e o Espírito Santo desça sobre vós, para que possais cumprir corretamente aquilo que hoje empreendestes.

R. Amém.

A ORDEM DE PORTEIRO

O objetivo especial proposto ao porteiro para alcançar é uma purificação geral e o controle do lado emocional de sua natureza.

A exortação do bispo a ele é a seguinte: Era dever do porteiro, nos tempos antigos, tocar os sinos da igreja, abrir a igreja nos horários determinados aos fiéis, mas mantê-la sempre fechada aos descrentes, abrir o livro para o pregador e guardar com diligência os utensílios da igreja, para que nada se perdesse.

Em nossos dias, essas funções não pertencem mais à Ordem do Porteiro, mas antes as tratamos como simbólicas e as revestimos de um significado moral.

Será, portanto, vosso dever, como porteiros, guardar as chaves do vosso coração, abrir o coração a todo momento para a expressão do que é nobre e bom, mas mantê-lo firmemente fechado contra sugestões malignas e indignas.

Assim como é vosso dever guardar o vosso próprio coração, deveis também procurar predispor os corações dos outros para as coisas belas e buscar, em linguagem persuasiva, apresentar-lhes a atratividade dos nobres ideais das Santas Ordens.

Assim podereis, nestes dias, cumprir os deveres de serviço que marcaram a obra de nossos irmãos anteriores.

Neste grau, aprendeis o controle das emoções e paixões, assim como antes aprendestes a dominar os instintos grosseiros do corpo físico.

Há aqueles que pensaram na emoção como necessariamente má e ensinaram outros a arrancá-la da natureza.

Não é para vós pensar assim.

Deus nos deu o poder de sentir emoção, e ela também é um poder que pode se tornar poderoso a Seu serviço.

Em qualquer estágio em que se encontrem as emoções de um homem, elas representam o funcionamento do poder divino dentro dele, e não devem ser suprimidas, mas elevadas e consagradas ao serviço de Deus.

Se, por descuido ou egoísmo, as emoções foram permitidas a tornar-se centradas no eu, é nosso dever não eliminá-las, mas purificá-las e elevá-las; substituir a devoção ao nosso próprio prazer pela devoção a Deus e à humanidade; pôr de lado, tanto quanto possível, o afeto por si mesmo ou o afeto que dá, sem se importar com qualquer retorno; não pedir amor, mas dar amor.

Portanto, é vossa tarefa, como porteiros, treinar vossas emoções, depositando-as como oferta no santo altar de Cristo, para que também elas possam ser usadas em Seu serviço.

O bispo então os admite formalmente à Ordem e entrega a cada um, por sua vez, uma chave e um sino.

Cada ordenando tranca e destranca a porta da igreja e toca o sino três vezes.

O bispo lhe diz: Assim como aquele que porta a chave abre a igreja para o uso de toda a humanidade, assim também abrirás as portas do teu coração para o serviço de teus irmãos.

E assim como aquele que toca o sino convoca os homens ao culto divino, assim também, pela força do bom exemplo, convocarás os homens ao serviço de Deus.

A ORDEM DO LEITOR Assim como no estágio anterior o candidato deve aprender a controlar sua natureza emocional, neste estágio 294 A Ciência dos Sacramentos

é seu dever aprender a manejar as forças da mente, e o poder que o bispo nele derrama é especialmente dirigido para fortalecê-lo para esse propósito.

Assim, a exortação diz: Aprendemos pela tradição antiga que pertencia ao leitor, nos tempos passados, ler para aquele que estava prestes a pregar, entoar as lições, abençoar o pão e todas as primícias.

A passagem do tempo despojou o ofício de leitor desses deveres e funções, mas ainda é da essência de seu ofício que ele dedique os dons de sua mente à glória de Deus.

Aprendestes nas Ordens precedentes que deveis controlar o corpo físico e treinar as emoções para o serviço; e tereis visto pela experiência que, na medida em que vossa afeição foi concedida aos outros, muito ajudastes a desenvolver a afeição neles.

É agora vosso dever, ao mesmo tempo, treinar vossa própria mente e influenciar para o bem as mentes dos outros.

Assim como tivestes de conquistar e controlar as tendências errôneas da emoção, assim também agora é necessário disciplinar vosso pensamento; pois, assim como sabeis que o corpo físico não é vosso eu, nem vossas emoções, por mais gloriosas e belas que sejam, também a mente não é vós.

Vosso pensamento é um poder, esplêndido e grande, dado a vós para o serviço de Deus: ele também deve ser vosso servo e não vosso senhor.

Ele necessita de cuidadoso treinamento, e esse treinamento é o propósito especial deste passo que estais prestes a dar.

Encontrareis em vós mesmos propensão ao pensamento errante; isso deveis conquistar.

Deveis desenvolver dentro de vós o poder de concentração, para que possais estudar eficazmente e comunicar os resultados desse estudo aos outros.

Assim como tivestes de aprender a purificar a emoção, também a vossa mente deve ser pura.

Assim como aprendestes a perceber a necessidade da limpeza física, ou a rejeitar com repugnância a emoção inferior, também deveis afastar o pensamento indigno, lembrando que todo pensamento é indigno quando é impuro, egoísta, mesquinho ou vil; tal como, por exemplo, aquele que buscaria defeitos em vez de virtudes ao pensar no caráter ou na obra de outrem.

Todo esse pensamento é impuro diante da luz branca do pensamento do Santo Cristo, que é nosso modelo e perfeito exemplo.

Portanto, como leitores, é vosso dever treinar e desenvolver os poderes da vossa mente, estudar e preparar-vos para que possais ajudar a treinar e desenvolver as mentes de outros.

A oração e a forma de admissão são como antes, e o bispo entrega um livro a cada ordenando, dizendo: "Estuda diligentemente a Ciência Sagrada, para que melhor possas dedicar a tua mente e todos os seus poderes ao serviço de Deus."

A ORDEM DE EXORCISTA — A ordenação do clérigo destina-se a atuar principalmente sobre o corpo etérico; a do porteiro, sobre o astral; e a do leitor ou lector, sobre o mental.

Dando continuidade à sequência, a ordenação do exorcista visa o corpo causal, e destina-se a desenvolver a vontade e a dar à alma um controle mais pleno sobre os veículos inferiores.

A exortação do bispo é a seguinte: "Era dever do exorcista na Igreja antiga expulsar demônios, advertir o povo de que os não-comungantes deveriam dar lugar àqueles que iriam à comunhão, e derramar a água necessária no serviço divino."

O livro de exorcismos era-lhe entregue com as palavras: "Toma e confia isto à memória, e recebe o poder de impor as mãos sobre os endemoninhados, sejam eles batizados ou catecúmenos." O candidato era admoestado de que, assim como expulsava demônios dos corpos de outros, deveria livrar a sua própria mente e o seu corpo de toda impureza e maldade, para que não fosse vencido por aqueles que expulsava de outros pelo seu ministério.

Pois somente então poderia exercer com segurança o domínio sobre os demônios nos outros, quando primeiro tivesse vencido dentro de si a sua múltipla maldade.

Tal exorcismo como hoje é realizado na Igreja é empreendido apenas por aqueles que foram ordenados sacerdotes, 296 A Ciência dos Sacramentos

e mesmo para eles, uma autorização especial é geralmente exigida; também, com o passar do tempo, os outros deveres ligados ao ofício de exorcista caíram em desuso.

Além disso, nossa concepção dessas matérias é diferente em alguns aspectos daquela outrora sustentada.

Os homens de antigamente pensavam na tentação como sendo devida aos ataques de demônios vindos de fora.

Mas, na verdade, isso não é geralmente assim. Há, por trás de cada um de nós, um passado que, uma vez que estamos crescendo em graça, deve ter sido menos desejável do que o presente.

Há hábitos, instintos mesmos, enraizados nos corpos, que se levantam contra nós quando tentamos viver a vida superior.

Aquilo que tentamos conquistar não é um demônio de grande poder atacando-nos de fora, nem é mesmo uma maldade inerente em nós mesmos.

É a consequência e o resquício de ações anteriores permitidas em dias de ignorância.

Neste grau de exorcista, é vosso dever, por esforço vigoroso, desenvolver o poder da vontade e, por seu exercício, expulsar de vós mesmos o espírito maligno da separatividade e do egoísmo.

Tendo aprendido a controlar vossos próprios maus hábitos, tereis maior poder para ajudar outros a expulsar o mal de si mesmos, não apenas pelo exemplo, mas também pelo preceito, e até mesmo por ação direta de vossa parte.

Em tempos antigos, era frequentemente verdade, e ainda em casos raros permanece verdade, que, por fraqueza ou por persistência no mal, os homens permitiam que seus corpos fossem obcecados ou parcialmente controlados por espíritos malignos.

A alguns, é dado poder e autoridade especiais para conter espíritos impuros e expulsar essa influência maligna dos corpos de outros.

Há também alguns que possuem o dom da cura e são capazes, pela virtude que deles emana, de aliviar o sofrimento e suavizar as aflições do corpo; esse dom pode igualmente ser fortalecido na Ordem de Exorcista; de fato, nos tempos antigos, o exorcista era considerado um curador na Igreja.

Portanto, amados filhos, esforçai-vos diligentemente neste novo ofício ao qual sois chamados, para exercer domínio sobre vós mesmos, a fim de que possais ajudar os outros mais eficazmente a alcançar um domínio semelhante sobre suas fraquezas.

Ordens Sagradas

Os símbolos entregues pelo bispo ao ordenando são, neste caso, uma espada e um livro, e ao entregá-los, ele diz: "Tomai esta espada, ou um símbolo da vontade, e este livro, ou um símbolo do conhecimento, pelos quais sereis fortes na guerra do espírito."

A ORDEM DO ACÓLITO

Esta é, sem dúvida, a mais importante das quatro Ordens menores, não apenas porque qualifica seu recipiente para o serviço direto no altar, mas porque sua efusão especial de força visa desenvolver e estimular nele o poder da intuição superior.

A instrução é assim: "Era dever do acólito, nos tempos antigos, carregar o castiçal, acender as velas e lâmpadas da igreja, e apresentar vinho e água para a oferta eucarística."

Esses deveres não estão mais confinados ao acólito, mas são geralmente desempenhados por meninos ou homens leigos; portanto, como no caso das Ordens anteriores, tratamos os deveres como simbólicos e os investimos de um significado moral.

Onde o acólito servia diante do altar da igreja, vós agora servis diante do altar do coração humano, no qual cada homem deve verdadeiramente oferecer-se a si mesmo como sacrifício a Deus.

Tereis notado que nos graus anteriores o treinamento consistia em parte no cultivo de vossos próprios poderes, mas também em aprender a exercer esses poderes para ajudar os outros.

Certamente, este treinamento pelo qual passastes seria vão se não vos levasse, por amor a Cristo, a consagrar vossos poderes aos interesses mais amplos da humanidade.

Lembrai-vos das palavras do Cristo, como Ele disse: "Qualquer que quiser ser grande entre vós, seja vosso ministro; e qualquer que quiser ser o primeiro entre vós, seja vosso servo: assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir." Portanto, ao vos oferecerdes a Ele para serdes inscritos na comunhão daqueles que buscam ser, em verdade, servidores espirituais do mundo, esforçai-vos com sinceridade de coração para desempenhar o ofício que agora assumis.

Pois somente então apresentareis devidamente o vinho e a água para serem usados no sacrifício de Deus, quando, pela prática contínua do altruísmo, vos tiverdes oferecido como um sacrifício aceitável a Deus.

No simbolismo antigo desta Ordem, o candidato, além de receber um galheteiro como símbolo visível desse sacrifício, recebe também um castiçal com uma vela, e é informado de que está obrigado a acender as luzes da igreja em Nome do Senhor.

Esse acender de luzes pode ser vosso dever no sentido literal, e deve ser feito, como de fato todos os deveres da vida diária, como um ato de serviço em Nome do Senhor.

Mas também se pretende que carregueis sempre convosco a luz espiritual da santa Presença de Cristo, e vos esforceis por acender esse sentido de Sua Presença nos corações de vossos irmãos, que formam a grande Igreja católica da humanidade.

Em muitas formas de fé religiosa, a luz tem sido tomada como símbolo da Divindade — a Luz que ilumina todo homem que vem ao mundo.

Essa Luz é universal, mas também habita no coração do homem.

É nosso dever ver essa Luz em todos, por mais fracamente que arda, por mais velada e obscurecida que possa parecer à nossa percepção comum.

E, tendo aprendido assim a reconhecer a Luz tanto em nós mesmos quanto nos outros, podemos ajudá-los a fazer com que o esplendor de sua Divindade interior brilhe em sua glória e esplendor primitivos, até que a Luz interior se torne uma com a Luz universal exterior.

Para esse fim, de fato, somos constantemente admoestados pelas palavras das Escrituras cristãs: "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus." "Os que forem sábios resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, para todo o sempre." Ou como fala o Apóstolo Paulo: "No meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo." Ou ainda: "Estejam cingidos os vossos lombos e acesas as lâmpadas em vossas mãos, para que sejais filhos da luz." "Revesti-vos das obras das trevas e vesti-vos da armadura da luz." "Porque outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor.

Andai como filhos da luz." Ordens Sagradas.

Este grau de acólito tem por objetivo ajudar-te a acelerar tuas faculdades espirituais, e especialmente a intuição, através da qual a luz do divino amor e da divina sabedoria possa iluminar teu entendimento. À medida que utilizares dignamente teu ministério, ajudando os outros, assim serás ajudado por aqueles Grandes Seres, cujos ouvidos nunca estão surdos, cujos corações nunca estão fechados contra o mundo que amam.

Ao final de sua exortação, o bispo apresenta a cada ordenando dois objetos: primeiro, um castiçal com uma vela acesa, com as palavras: "Assim como carregas esta luz visível, assim deverás sempre irradiar ao teu redor o esplendor da Luz divina"; e segundo, uma galheta, dizendo: "Vê que derrames tua vida em união com o grande Sacrifício pelo qual o mundo é mantido." Ver-se-á que, entre nós, as ordens menores representam uma série de oportunidades definidas para o progresso espiritual.

Um costume comum nos séculos posteriores tem sido conferi-las todas no mesmo dia; mas pode-se perceber que elas poderiam ser efetivamente separadas por períodos de alguns meses, durante os quais o candidato poderia fazer um esforço determinado para o desdobramento das características exigidas por cada estágio, e poderia ser auxiliado nisso por meditações selecionadas, por conselhos especiais, ou por um curso de aulas ou palestras.

A admissão em uma dessas ordens não pode, é claro, conferir as qualidades a ela atribuídas; mas o bispo, ao impor a mão sobre a cabeça do ordenando, derrama nele uma corrente de força calculada para estimular seu crescimento, e para proporcionar um reservatório de energia do qual o recipiente possa extrair para esse propósito.

Como é declarado em nossa Liturgia, leigos, meninos ou homens, são agora frequentemente permitidos a servir ao altar, e um pequeno serviço para a admissão de um leigo a esse ofício é provido em nosso livro de orações; mas, quando possível, é eminentemente desejável que aqueles que o façam recebam estas ordens menores, para que sejam, até certo ponto, separados para o santo trabalho que têm o privilégio de realizar. É óbvio, contudo, que ninguém deve ser recomendado para tais ordens a menos que seja conhecido por ter bom caráter e ser realmente devotado ao trabalho da Igreja.

É apropriado que aqueles que deram um ou outro destes passos usem, enquanto participam dos serviços da Igreja, algum pequeno distintivo ou símbolo de sua Ordem — digamos, uma chave para o ostiário, um livro para o leitor, uma espada para o exorcista, um sol com raios para o acólito.

Tais distintivos podem ser bordados em seda e fixados à sobrepeliz ou cotta, ou feitos de metal e suspensos por uma corrente ou fita.

AS ORDENS MAIORES    Chegamos agora à consideração das Ordens maiores da Igreja — aquelas que definitivamente conferem poder.

Deixando de lado o subdiaconato, que é puramente preparatório e não confere poder, estas Ordens maiores são três — bispo, sacerdote e diácono.

O diácono é praticamente uma espécie de aprendiz ou sacerdote assistente.

Ele ainda não tem o poder de consagrar o Sacramento, de abençoar o povo ou de perdoar seus pecados; ele pode batizar crianças, mas, como já expliquei, até um leigo é permitido fazê-lo em caso de emergência.

Após um ano no diaconato, ele é elegível para a ordenação como sacerdote, e é esta segunda ordenação que lhe confere o poder mais pleno de extrair

As Ordens Sagradas

a força do reservatório ao qual já me referi.

A ele é então dado o poder de consagrar a Hóstia e também vários outros objetos, de abençoar o povo em Nome do Cristo, e de pronunciar o perdão de seus pecados.

Além de todos estes poderes, o bispo tem o de ordenar outros sacerdotes, e assim dar continuidade à sucessão apostólica.

Somente ele tem o direito de administrar o rito da confirmação, e de consagrar uma igreja, isto é, de separá-la para o serviço de Deus.

Estas três são as únicas Ordens que significam graus definidos, separados uns dos outros por ordenações que conferem poderes diferentes.

Você pode ouvir muitos títulos aplicados ao clero cristão, como os de arcebispo, arquidiácono, deão, cônego, prebendário, reitor ou vigário, mas estes são apenas títulos de ofícios, e envolvem diferenças de dever, mas não de grau no sentido de poder espiritual.

O clero existe para o benefício do mundo; eles são destinados a atuar como canais para a distribuição da graça de Deus.

Sacerdotes e bispos às vezes esqueceram esse fato primordial, e cederam à tentação de buscar poder para si mesmos e para o ramo da Igreja ao qual pertencem.

Sua missão é explicar a verdade como a veem e oferecer orientação e conselho onde for necessário; nunca, sob nenhuma circunstância, têm eles o direito de tentar dominar as mentes de outros, ou de forçá-los a qualquer curso de ação.

Qualquer ramo da Igreja que se enrede em políticas trai, com isso, sua herança espiritual e se afasta do caminho que nosso Senhor traçou para  
302           A Ciência dos Sacramentos

ela; e, ao fazê-lo, expõe-se à justa condenação de homens honestos e sensatos.

Receio que haja pouca dúvida de que a grande Igreja Romana se expôs a essa acusação no passado, e ainda agora está exposta a ela em várias partes do mundo.

A condição existente na Idade Média é bem expressa em um livro recente de considerável influência.

"O pontífice romano, apegado a reivindicações políticas, incapaz de conceber a função da Igreja como essencialmente espiritual, tornou-se meramente um entre uma multidão de monarcas em disputa.

A Igreja tornou-se uma das grandes potências da Europa e caiu em grave perigo de deixar de ser o canal do poder de Deus.

As energias e o gênio de eclesiásticos fiéis eram exigidos a serviço da sustentação de seus interesses políticos, barganhando e conspirando com a turba de diplomatas, conquistando aliados mundanos, intimidando inimigos fracos e bajulando os fortes.

A Igreja começou a parecer como se existisse por si mesma, e por si mesma — não como a Noiva de Cristo, mas como uma corporação política e financeira cuja mão estava, em um momento ou outro, contra toda nação, e a mão de toda nação contra ela."    Sinceramente espero, firmemente confio, que nossa Igreja Católica Liberal, que inicia sua carreira sob tão benignos auspícios, nunca venha a ser assim falsa a Cristo, nosso Senhor e Mestre; pois Seu reino não é deste mundo; Seu trono é o coração do homem.

A graça de Deus é a vida de Deus, e é derramada incessantemente sobre o mundo de muitas maneiras =   O Catolicismo Liberal que Vem, pelo Rev.

W. G. Peck, p. 44.                           Ordens Sagradas

e em muitos níveis.

É um dos propósitos de toda religião proporcionar ao seu povo canais para essa efusão, e prepará-lo para tirar pleno proveito dela. É obviamente a vontade de Deus que, à medida que Seu povo sobe cada vez mais alto na escada da evolução, e assim aprende a vê-Lo mais claramente e a compreender melhor Seu plano, tenha a oportunidade e o privilégio de cooperar nesse esquema Seu, tão poderoso e maravilhoso.

Para compreender como podem fazer isso, precisamos de um pouco de conhecimento do que se poderia chamar de física dos mundos superiores — as leis sob as quais essas poderosas forças atuam, e a maneira pela qual se pode tirar vantagem delas.

Em cada plano de Seu sistema solar, Deus derrama Sua luz, Seu poder, Sua vida; e naturalmente é nos planos superiores que essa efusão de força divina pode ser dada mais plenamente.

A descida de cada plano para o imediatamente inferior significa uma limitação quase paralisante — uma limitação totalmente incompreensível, exceto para aqueles que experimentaram as possibilidades superiores da consciência humana.

Assim, a vida divina flui com plenitude incomparavelmente maior no nível mental do que no astral; e, no entanto, mesmo sua glória no mundo mental é infinitamente transcendida pela do nível intuicional.

Normalmente, cada uma dessas maravilhosas ondas de influência se espalha por seu plano apropriado (horizontalmente, por assim dizer), mas não passa para a obscuração de um mundo inferior àquele para o qual foi originalmente destinada.

Contudo, há condições sob as quais a graça e a força peculiares a um plano superior podem, em certa medida, ser trazidas para um nível inferior, e podem ser difundidas ali com maravilhoso efeito.

Experimentos repetidos e uma investigação paciente e prolongada nos mostram que isso acontece apenas quando um canal especial é aberto no momento; e que esse trabalho deve ser feito de baixo e pelo esforço do homem.

Quando o pensamento ou sentimento de um homem é egoísta, a energia que ele produz se move em uma curva fechada e, assim, inevitavelmente retorna e se expande sobre seu próprio nível; mas quando o pensamento ou sentimento é absolutamente altruísta, sua energia se precipita em uma curva aberta e, assim, não retorna no sentido comum, mas perfura o plano acima, porque somente nessa condição superior, com sua dimensão adicional, pode encontrar espaço para sua expansão.

Mas, ao romper assim, tal pensamento ou sentimento pode-se dizer que mantém aberta uma porta de tamanho equivalente ao seu próprio diâmetro, e assim fornece o canal necessário através do qual a força divina apropriada ao plano superior pode derramar-se no inferior com resultados maravilhosos, não apenas para o pensador, mas também para outros.

Uma inundação infinita do tipo superior de força está sempre pronta e à espera de derramar-se quando o canal é oferecido, assim como se pode dizer que a água de uma cisterna espera para derramar-se pelo primeiro cano que seja aberto.

O resultado de tal descida da vida divina não é apenas um grande fortalecimento e elevação do fazedor do canal, mas também a radiação ao seu redor de uma influência poderosíssima e benéfica.

Esse efeito tem sido frequentemente descrito como resposta à oração, e tem sido atribuído pelos ignorantes ao que chamam de interposição especial da providência, em vez da ação infalível da grande e imutável lei divina.

Será facilmente compreendido que os grandes santos e Anjos têm um poder de devoção muito acima do nosso, e que seus esforços podem alcançar níveis mais elevados do que nós podemos esperar atingir no presente.

Houve santos em todas as religiões, e por milênios esses grandes seres têm inundado o mundo com poder espiritual do tipo mais exaltado, de modo que o que se pode chamar de grande reservatório de tal força foi formado, o qual, sob certas condições, está disponível para ajudar e elevar a humanidade.

Muitos homens e mulheres santos, especialmente aqueles das ordens contemplativas, dedicam-se de todo inconscientemente a este trabalho; e mesmo nós, em nossa maneira mais humilde, podemos compartilhar desse glorioso privilégio.

Por mais diminutos que sejam nossos esforços em comparação com o esplêndido derramamento de força do santo ou Anjo, também nós podemos acrescentar nossas pequenas gotas ao grande acervo daquele reservatório, e podemos fazê-lo pelo amor ou devoção desinteressados sobre os quais acabei de escrever.

Não apenas tal pensamento ou sentimento mantém aberta a porta do céu, como descrevi, mas a parte mais grandiosa e nobre de sua força ascende ao próprio trono de Deus, e a magnífica resposta de bênção que imediatamente jorra d'Ele cai naquele reservatório para o auxílio da humanidade.

De modo que está ao alcance de cada um de nós, mesmo do mais fraco e do mais pobre, ajudar o mundo desta maneira tão bela.

É este acréscimo ao reservatório de força espiritual que é a verdade por trás da curiosa ideia das obras de supererrogação.

O arranjo feito pelo Cristo com relação à Sua nova religião foi o de que uma espécie de compartimento especial desse reservatório fosse reservado para o seu uso, e que um conjunto de oficiais fosse investido de poder, mediante o uso de certas cerimônias especiais, certas palavras e sinais de poder, para dele extrair o benefício espiritual do seu povo.

O esquema adotado para transmitir o poder é o que se chama ordenação, e assim vemos imediatamente o verdadeiro significado da doutrina da sucessão apostólica, sobre a qual tem havido tanta discussão.

A isto voltarei mais adiante.

A economia e a eficiência de todo o plano do Cristo dependem do fato de que poderes muito maiores podem ser facilmente arranjados para um pequeno corpo de homens, espiritualmente preparados para recebê-los, do que poderiam possivelmente ser distribuídos universalmente sem um desperdício de energia que não poderia ser contemplado por um momento.

Na religião hindu, por exemplo, todo homem é sacerdote do seu próprio lar, e portanto temos de lidar com milhões desses sacerdotes de todas as variedades possíveis de temperamento, e de modo algum especialmente preparados.

No cristianismo, o esquema da ordenação dos sacerdotes confere um poder maior a um número limitado, que por essa própria ordenação foram especialmente separados para a obra.

Levando o mesmo princípio um pouco mais adiante, poderes ainda mais elevados são dados a um número ainda menor — os bispos.

Eles são feitos canais para a força que confere a ordenação, e para a manifestação muito menor da mesma força que acompanha o rito da confirmação.

O lado oculto dessas cerimônias é sempre de grande interesse para o estudante das realidades da vida.

Há muitos casos agora, infelizmente, em que todas essas coisas são meras questões de forma, e embora isso não impeça o seu resultado, minimiza-o; mas onde as antigas formas são usadas como se destinavam a ser usadas, o efeito invisível está fora de toda proporção com qualquer coisa que seja visível no mundo físico.

É por este Sacramento da Ordem Sagrada que um homem é dotado de poder para extrair, para certos propósitos definidos, do reservatório sobre o qual escrevi.

Os três graus de diácono, sacerdote e bispo representam três graus desse poder, e ao mesmo tempo três graus de conexão com nosso Senhor.

Cada ordenação confere seus próprios poderes especiais, e à medida que o ordenado ascende de um posto na Igreja a outro, aproxima-se cada vez mais de seu grande Mestre, o Cristo.

Ele entra em contato cada vez mais íntimo e controla cada vez mais o poderoso reservatório.

Nesse próprio reservatório há diferentes níveis e diferentes graus de poder.

O funcionamento de todo o esquema pode ser, até certo ponto, indicado ou simbolizado por um diagrama, e procuraremos em breve auxiliar nossa compreensão dele por esse meio; mas naturalmente qualquer coisa na natureza de um desenho mecânico só pode esboçar muito vagamente o que realmente está ocorrendo.

Pois todas essas forças são vivas e divinas; e embora haja um lado mecânico em seu funcionamento, há sempre também outro que jamais poderá ser retratado por desenhos ou por palavras.

A Ciência dos Sacramentos

Essa porção reservada do reservatório não é fácil de descrever.

Ela se estende através de vários planos ou estados da matéria, e se tentarmos representá-la por uma forma confinada às nossas três dimensões, o mais próximo que podemos chegar de uma expressão dela é um vasto objeto em forma de sino, não muito diferente de uma dagoba budista.

(Diagrama 10.) Ela está dividida em três partes, que rotulamos como A, B e C. A ordenação de um diácono o coloca em contato com a borda do sino, marcada como C, e o capacita a extrair força dela — força, primeiramente, para seu próprio progresso e para sua preparação para o recebimento daquilo que

DIAGRAMA 10. — O Reservatório.

Isto é apenas uma representação diagramática e não real — aquela porção do reservatório espiritual nos mundos superiores que está ligada a donde a Igreja, flui a força de toda a ... Cerco! ... manifestada na Eucaristia, e na qual se derramam as forças do amor altruísta e da devoção que nós mesmos geramos. Um diácono, por sua Ordenação, é capaz de extrair da parte inferior do reservatório, C, que está situada principalmente no mundo astral; ... Mundo ... Mental ... um sacerdote pode extrair da parte central maior, B, que se encontra no mundo mental; enquanto um bispo pode invocar forças da parte mais alta, A, que se estende através dos sublimes níveis dos mundos intuicional e espiritual.

Ordens Sagradas

está por vir; contudo, ele também pode, em certa medida, transmiti-la a outros por um esforço de sua vontade, e assim pode ajudar as pessoas tanto astral quanto mentalmente.

Mas é no estágio seguinte, o do sacerdócio, que o verdadeiro poder começa.

O sacerdote extrai da parte marcada como B, o corpo principal da forma; por sua ordenação, o ego (ou alma) foi mais definitivamente despertado, e assim ele pode agir diretamente sobre outras almas no nível do corpo causal.

É essa relação que lhe dá o poder de endireitar a distorção causada pelo desvio do caminho do reto, e por isso se diz que ele pode remir o pecado.

Nele também está investido o poder de abençoar e de oferecer o sacrifício da Santa Eucaristia.

A força que o sacerdote traz para baixo não é para si mesmo, mas para o rebanho que lhe foi confiado.

O pináculo do dagoba, o cabo da forma de sino (marcado como A), alcança os planos intuicional e espiritual; e é sobre isso que o episcopado pode extrair.

O bispo é destinado a ser uma verdadeira manifestação do princípio crístico, capaz de irradiar isso sobre todos aqueles com quem entra em contato.

O poder para o bem que está ao seu alcance não é facilmente exagerado.

Portanto, há dois aspectos da ordenação — o dom do Espírito Santo, que fornece a chave para o reservatório, e o vínculo pessoal do próprio Cristo com Seu ministro.

O primeiro destes é a conexão oficial que capacita um sacerdote, por exemplo, a consagrar a Hóstia e a dispensar absolvição e bênção.

Este é o mínimo irredutível de poder, que é igualmente possuído por todos os sacerdotes devidamente ordenados, e é bastante independente de suas aquisições em outras direções — seu desenvolvimento espiritual ou devocional, por exemplo, ou sua compreensão do mecanismo dos Sacramentos que administram — assim como um homem pode ser um telegrafista rápido e preciso, mesmo que não saiba o que é eletricidade, e embora seu caráter moral não esteja acima de qualquer reprovação.

Muitas pessoas acham isso estranho, porque não apreenderam a natureza da relação do sacerdote com o Sacramento.

Se a Hóstia fosse um talismã no qual ele tivesse que colocar seu magnetismo pessoal, obviamente a natureza desse magnetismo seria de suma importância.

Não há, contudo, aqui questão de magnetização, mas sim da devida realização de uma certa cerimônia, na qual o caráter do celebrante nada tem a ver com o assunto.

Se os fiéis tivessem que instituir uma investigação exaustiva sobre o caráter privado de um sacerdote antes de poderem sentir-se certos da validade dos Sacramentos recebidos de suas mãos, um elemento de intolerável incerteza seria introduzido, o que praticamente tornaria inútil este dispositivo maravilhosamente concebido por Cristo para o auxílio de Seu povo.

Ele não planejou Sua graciosa dádiva de maneira tão inepta quanto essa.

Para comparar coisas grandes com pequenas, assistir a uma celebração da Santa Eucaristia é como ir a um banco sacar uma quantia em ouro; as mãos do caixa podem estar limpas ou sujas, e certamente a limpeza é preferível à sujeira; mas recebemos o ouro da mesma forma em ambos os casos.

É obviamente melhor, de todos os pontos de vista, que o sacerdote seja santo, mas a validade do Sacramento não depende de sua santidade pessoal.

Seja um homem de nobre caráter e profunda devoção, e deveria compreender completamente, tanto quanto um mortal possa, o estupendo mistério que administra; mas, quer tudo isso seja assim ou não, a chave que destranca uma certa porta foi colocada em suas mãos, e é a abertura da porta o que principalmente nos concerne. Não posso fazer melhor do que repetir aqui parte do que escrevi em O Lado Oculto das Coisas sobre este assunto, quando o investiguei pela primeira vez. Primeiro, somente aqueles sacerdotes que foram legitimamente ordenados e possuem a sucessão apostólica podem produzir este efeito de modo algum.

Outros homens, não fazendo parte desta organização definida, não podem realizar esta façanha, por mais devotos, bons ou santos que sejam. Em segundo lugar, nem o caráter do sacerdote, nem seu conhecimento ou ignorância sobre o que realmente está fazendo, afeta o resultado de qualquer maneira.

Se pensarmos nisso, nenhuma dessas afirmações deveria nos parecer de modo algum surpreendente, pois é obviamente uma questão de ser capaz de realizar uma certa ação, e somente aqueles que passaram por uma certa cerimônia receberam o dom da capacidade de realizá-la. Da mesma forma, para poder falar com um certo grupo de pessoas, é preciso conhecer sua língua, e um homem que não conhece essa língua não pode comunicar-se com elas, por mais bom, sincero e devoto que seja. Além disso, sua capacidade de comunicar-se com elas não é afetada por seu caráter privado, mas apenas pelo único fato de que ele tem, ou não, o poder de falar com elas, que é conferido pelo conhecimento de sua língua.

A Ciência dos Sacramentos

Não digo por um momento que essas outras considerações sejam sem seu devido efeito; chegarei a isso mais tarde, mas o que digo é que ninguém pode extrair deste reservatório particular a menos que tenha recebido o poder de fazê-lo, que vem de uma devida nomeação dada de acordo com a direção deixada pelo Cristo.

Penso que podemos ver uma razão muito boa para que precisamente este arranjo tenha sido feito.

Algum plano era necessário que colocasse um esplêndido derramamento de força ao alcance de todos simultaneamente em milhares de igrejas em todo o mundo.

Talvez fosse possível para um homem de poder e santidade mais excepcionais invocar, através da força de sua devoção, uma quantidade de força superior equivalente à obtida através dos ritos que descrevi.

Mas homens de poder tão excepcional são sempre excessivamente raros, e nunca em qualquer época da história do mundo teria sido possível encontrar suficientes deles simultaneamente para preencher nem mesmo a milésima parte dos lugares onde são necessários.

Mas aqui está um plano cuja disposição é, até certo ponto, mecânica; está ordenado que um certo ato, quando devidamente realizado, seja o método reconhecido de trazer a força; e isso pode ser feito com treinamento comparativamente pequeno por qualquer um sobre quem o poder seja conferido.

Um homem forte é necessário para bombear água, mas qualquer criança pode abrir uma torneira.

É preciso um homem forte para fazer uma porta e pendurá-la em seu lugar, mas quando ela está nos gonzos, qualquer criança pode abri-la.                     Ordens Sagradas

Sendo eu mesmo um sacerdote ordenado na Igreja da Inglaterra, e sabendo quão acirradas são as disputas sobre se essa Igreja realmente possui a sucessão apostólica ou não, naturalmente me interessei em descobrir se seus sacerdotes possuíam esse poder.

Fiquei muito satisfeito ao descobrir que possuíam; mas também logo verifiquei, por exame, que ministros do que comumente se chama seitas dissidentes não possuíam esse poder, por mais bons e sinceros que pudessem ser. Sua bondade e sinceridade produziam muitos outros efeitos que descreverei oportunamente, mas seus esforços não recorriam ao reservatório particular a que me referi.

Interessei-me especialmente pelo caso de um desses ministros, a quem conhecia pessoalmente como um homem bom e devoto, e também um estudioso bem lido das coisas interiores.

Aqui estava um homem que sabia muito mais sobre o significado real do ato de consagração do que novecentos e noventa e nove em cada mil dos sacerdotes que constantemente o realizam; e, no entanto, sou obrigado a admitir que seu melhor esforço não produziu esse efeito particular, enquanto os outros, inquestionavelmente, o produziram.

(De novo, é claro, ele produziu outras coisas que eles não produziram — sobre as quais falarei mais adiante.) Se pensarmos nisso, devemos ver que não poderia ter sido de outra forma.

Suponha, por exemplo, que uma certa soma de dinheiro seja deixada por um maçom rico para distribuição entre seus irmãos mais pobres; a lei nunca sancionaria a divisão desse dinheiro entre outros que não os maçons para quem foi destinado; e o fato de outras pessoas pobres fora do corpo maçônico 314      A Ciência dos Sacramentos

poderem ser mais devotas ou mais merecedoras não pesaria nem um pouco.

Outro ponto que me interessou grandemente foi o esforço para descobrir até que ponto, se é que em alguma medida, a intenção do sacerdote afetava o resultado produzido.

Na Igreja Romana, encontrei muitos sacerdotes que realizavam a cerimônia de modo algo mecânico, como questão de dever diário, sem qualquer pensamento decidido sobre o assunto; mas, fosse por reverência inata ou por longo hábito, pareciam sempre recompor-se pouco antes do momento da consagração e realizar aquele ato com uma intenção definida.

Voltei-me então para o que se chama de divisão da Igreja Baixa da comunidade anglicana, para ver o que aconteceria com eles, porque sabia que muitos deles rejeitariam por completo o nome de sacerdote e, embora pudessem seguir a rubrica ao realizar o ato de consagração, sua intenção ao fazê-lo seria exatamente a mesma que a dos ministros de várias denominações fora da Igreja.

Contudo, descobri que o homem da Igreja Baixa podia e de fato produzia o efeito, enquanto os outros, de fora, não o produziam.

Daí infiro que a "intenção" que se diz sempre ser necessária deve ser nada mais que a intenção de fazer o que a Igreja quer dizer, sem referência à opinião particular do sacerdote sobre o que esse significado seja. De fato, houve uma vez um bispo tão flagrante em sua ignorância que declarou explicitamente a seus infelizes candidatos à ordenação que não os ordenava como sacerdotes sacrificantes, mas apenas como ministros do evangelho.

Contudo, mesmo em um caso tão extremo quanto este, sua vontade mal direcionada foi incapaz de tornar nulo o que sua Igreja pretendia que ele fizesse. Verdadeiramente, é certo que todos os Sacramentos são recebidos das mãos do próprio Cristo, por mais fracos e ignorantes que possam ser os instrumentos através dos quais eles vêm.

Não tenho dúvida de que muitas pessoas pensarão que tudo isto deveria estar arranjado de maneira bem diferente, mas só posso relatar fielmente o que minhas investigações me mostraram ser o fato.

Não devo, por um momento, ser compreendido como se dissesse que a devoção e o fervor, o conhecimento e o bom caráter do oficiante não fazem diferença.

Eles fazem uma grande diferença; mas não afetam o poder de extrair daquele reservatório particular.

Quando o sacerdote é fervoroso e devotado, todo o seu sentimento irradia sobre seu povo e desperta sentimentos semelhantes naqueles que são capazes de expressá-los.

Além disso, sua devoção evoca sua resposta inevitável, e o derramamento de força assim evocado beneficia tanto sua congregação quanto a si mesmo; de modo que um sacerdote que entrega seu coração e alma ao trabalho que realiza pode-se dizer que traz uma dupla bênção ao seu povo, embora a segunda classe de influência dificilmente possa ser considerada como sendo da mesma ordem de magnitude que a primeira.

Este segundo derramamento, que é atraído pela própria devoção, é naturalmente encontrado com a mesma frequência fora da Igreja como dentro dela. O poder adicional de auxílio que o sacerdote pode desenvolver depende em grande parte de seu cultivo do segundo dom que recebe na ordenação — o vínculo pessoal estabelecido entre 316        A Ciência dos Sacramentos

ele mesmo e seu Senhor e Mestre.

Isto também foi explicado pelo Cristo aos Seus apóstolos; Ele lhes diz que orou a Seu Pai para que eles sejam um com Ele da mesma maneira que Ele é um com Seu Pai.

As pessoas pensam em tais ditos de modo bastante vago e não percebem que eles se referem a atos científicos definidos.

Novamente Ele diz com absoluta clareza: "Eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos." Se examinarmos o lado interno da cerimônia de ordenação, veremos que há um sentido especial no qual esta promessa é cumprida.

Não é meramente que haja o princípio crístico no sacerdote, como há em todo homem; tão grande é o maravilhoso amor e condescendência do grande Instrutor do Mundo que, pelo ato da ordenação, Ele atrai Seus sacerdotes a uma íntima união pessoal com Ele, criando um vínculo definido através do qual a força divina pode fluir, tornando-os canais para Ele, à imitação, em um nível quase infinitamente inferior, do modo misterioso e maravilhoso pelo qual Ele é um canal para o Segundo Aspecto, a Segunda Pessoa da Trindade Eternamente Bendita.

Naturalmente, há muitos sacerdotes que são inteiramente inconscientes disto; infelizmente, há também muitos que vivem de tal maneira que fazem pouco uso da esplêndida possibilidade que este canal lhes abre.

No entanto, esta afirmação é inteiramente verdadeira; e, portanto, descrevê-Lo como ainda presente com Sua Igreja, como ainda definidamente guiando aqueles que se abrem à Sua influência, não é mera figura de linguagem, mas a expressão de uma realidade sublime.

Ordens Sagradas                         Slt

Um diagrama não pode expressar essa grande verdade espiritual, mas pode nos ajudar a compreender um pouco do método de seu funcionamento.

Qualquer coisa que faça isso tem seu valor, porque o ato se torna mais real para nós quando somos assim capazes de ver um pouco mais dele. Aqueles que ainda não abriram dentro de si o poder da visão clarividente não podem realmente ver esses processos ocorrendo, como alguns de nós podem; mas podem formar sua própria opinião sobre a razoabilidade do que é relatado por aqueles de nós que veem, e também podem obter uma boa quantidade de evidências corroborativas em vários pontos — às vezes de seus próprios sentimentos, às vezes dos de outros.

Para aqueles que me conhecem, ofereço minha garantia de que tudo o que aqui está registrado é o resultado de observação e experimentação repetidas com frequência, de modo que não tenho dúvida de sua exatidão até onde vai. Observei em um capítulo anterior que Deus fez o homem à Sua própria imagem e que, consequentemente, a alma no homem mostra uma manifestação tríplice correspondente, em seu nível, à manifestação tríplice da Divindade; e também que, neste caso, o inferior não é um mero reflexo ou símbolo do superior, mas na verdade, de alguma forma, uma expressão dele. O homem verdadeiro, a Mônada (marcada como 1 no Diagrama 11), é uma centelha da vida divina existente em um plano ao qual, por causa disso, damos o nome de mônadico.

Esse plano está atualmente além do alcance de nossas investigações clarividentes, e o mais elevado que qualquer um de nós realmente conhece do homem por observação direta é a manifestação dessa Mônada como o Espírito Triplo, um estágio abaixo.

Cada um dos [texto ilegível ou referências a diagramas]

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os três aspectos ou divisões deste espírito têm suas próprias qualidades e características.

O primeiro permanece em seu próprio nível, enquanto o segundo desce (ou, mais corretamente, move-se para fora) ao plano intuicional; o terceiro desce (ou sai) através de dois estágios, e se manifesta na parte superior do mundo mental como inteligência.

São essas três manifestações (numeradas 2, 5 e 7 no diagrama), tomadas em conjunto, que constituem a alma ou o ego no homem; ele habita o corpo causal e, nesse corpo, é frequentemente chamado de augoeides.

Ele passa de vida em vida inalterado, exceto pelo desenvolvimento que possa advir-lhe das boas ações de cada encarnação.

Por trás dos princípios marcados 5 e 7 (a intuição e a inteligência), permanecem outros três, ainda latentes e não desenvolvidos em nós, que são marcados 3, 4 e 6 (Fig. 1, Diagrama 11). Deve-se naturalmente compreender que 2, 5 e 7, embora não sejam realmente latentes como os outros, estão ainda muito longe do pleno desenvolvimento que alcançarão no santo aperfeiçoado.

(Fig. 10, Diagrama 11.) Cristo, nosso Senhor, é o Homem Perfeito, como nos é dito no Credo Atanasiano.

Nele, portanto, esses princípios existem exatamente na mesma ordem, mas, em Seu caso, todos estão plenamente desenvolvidos e misticamente unidos à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

O segundo dos dons conferidos pela ordenação é a ligação de certos desses princípios no ordenando com os princípios correspondentes de seu Senhor e Mestre, de modo que um canal definido é aberto, pelo qual a força espiritual e a sabedoria fluirão, até o limite máximo da receptividade do ordenando.

Ordens Sagradas                       SLL

Essa abertura de um canal é um afastamento tão grande da vida comum que só pode ser feita por etapas, e o primeiro passo em direção a ela é praticamente uma operação cirúrgica psíquica.

Isso é realizado na ordenação ao diaconato, enquanto o subdiaconato (Fig. 2, Diagrama 11) é um tempo de preparação destinado a trazer o paciente a uma condição favorável ao sucesso da operação.

A outorga do Espírito Santo descrita acima, que confere o poder sacerdotal, é plena, definida e final em cada uma de suas etapas, e a mesma em todos os casos; mas essa operação de ligar o homem ao Cristo, embora nunca possa falhar, pode, contudo, ter mais pleno êxito em um caso do que em outro, por causa do maior ou menor avanço do sujeito ao longo do caminho da evolução, o qual governa o grau de sua sensibilidade à influência divina.

Além disso, essa sensibilidade é cultivável; pode ser muito aumentada após a ordenação por meio de aspiração e devoção sinceras, e pelo esforço determinado do sacerdote em harmonizar sua natureza humana com a Natureza divina — em viver a vida do Cristo.

Na ordenação de um diácono (Fig. 3, Diagrama 11), a primeira perfuração é feita através da rocha, e um vínculo definido é estabelecido; a inteligência (marcada no diagrama) é unida ao princípio correspondente no Cristo, de modo que este possa influenciar aquela e incitá-la a uma atividade benéfica.

Não se segue de modo algum que assim a afetará; isso depende do diácono; mas ao menos o caminho está aberto, a comunicação está estabelecida, e cabe a ele fazer dela o que puder.

Cabe a ele adquirir todo o conhecimento que puder — Vv 322 — A Ciência dos Sacramentos — dessas coisas interiores da alma, e esforçar-se sinceramente para desenvolver tanto a mente superior quanto a inferior dentro de si, para que em ambas possa refletir e expressar o pensamento de seu Senhor.

"Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus." Ele deve esforçar-se para se adaptar à sua nova condição, para aproveitar plenamente a oportunidade que lhe é oferecida.

Assim estará pronto, no devido tempo, para receber a bênção superior da Ordem Sacerdotal.

A responsabilidade do sacerdote é muito maior, porque muito mais poder está em suas mãos.

Para ele, a conexão é elevada um estágio acima, e o princípio até então latente que numeramos como 6 é chamado à atividade e ligado ao do Cristo.

(Fig. 5, Diagrama 11.) Isso também envolve um alargamento do tubo 7, que foi previamente aberto, para que possa transmitir um volume muito maior de poder.

Além disso, outro tipo de conexão entra em ação, que se relaciona com a anterior como a descoberta de Marconi se relaciona com a forma comum de telegrafia.

À visão clarividente, uma linha de fogo claramente distinguível liga os princípios 6 e 7 em um sacerdote ao seu Mestre; mas, além disso, o espírito e a intuição nele (marcados como 2 e 5 na Fig. 4, Diagrama 11) são feitos para brilhar por vibração simpática, em harmonia com a luz ofuscante dos princípios correspondentes em seu Senhor.

O efeito geralmente é apenas leve no caso do espírito, mas é muito marcante na intuição.

Qualquer pessoa em quem a faculdade de clarividência esteja desenvolvida compreenderá imediatamente a diferença entre esses dois métodos de conexão, mas para um homem que ainda não tenha desdobrado esse sentido interno, é provavelmente impossível indicá-la, exceto pelo simbolismo grosseiro que acabei de adotar.

O resultado é que, por este segundo aspecto da ordenação, o sacerdote se une ao seu Mestre e se torna "homem d'Ele", em um sentido muito real, um posto avançado de Sua consciência, um canal para Sua graça, um esmoler para distribuir Sua força ao povo — na linguagem campestre inglesa, o *parson*, que significa, naturalmente, nada mais do que a pessoa que representa Cristo em uma determinada paróquia.

Se nos lembrarmos da derivação da palavra *person* do latim *per* (através) e *sona* (um som), e considerarmos ainda que *persona* era usada para designar a máscara que um ator romano usava, através da qual saía o som de sua voz, começaremos a perceber o que a antiga palavra *parson* pretendia transmitir.

Obviamente, é papel do *parson* vivificar essa sagrada conexão interior e tornar-se, cada vez mais, uma manifestação pessoal de seu Senhor.

Tanto mais triste é ter de reconhecer que milhares de sacerdotes usam apenas o vínculo mecânico com o reservatório, o que lhes permite cumprir seu dever oficial, e permanecem ignorantes dessa conexão individual direta com o Cristo, de quem são ministros.

Felizmente, há também muitos sacerdotes que, sem saber nada da ciência de tudo isso, são, no entanto, verdadeiramente belos e semelhantes a Cristo em suas vidas, de modo que Seu poder flui através deles poderosa e docemente para a cura de Seu povo.

A consagração de um bispo representa a mais alta possibilidade de realização ao longo desta linha das Ordens Sagradas.

Em seu caso, dois vínculos muito mais importantes são acrescentados àqueles possuídos pelo sacerdote.

Em primeiro lugar, a linha da inteligência, primeiramente aberta no diaconato e elevada um estágio adiante no sacerdócio, é agora imensamente alargada e empurrada até o limite mais distante atualmente ao nosso alcance, o terceiro aspecto do Espírito Triplo, marcado como 4 no Diagrama 11, Fig. 7. Em segundo lugar, uma conexão direta é aberta entre a intuição (que marcamos como 5) e o princípio correspondente em nosso amado Senhor.

É esta unção que dá o poder de transmitir as Ordens, e significa também a potencialidade de despertar o princípio crístico para o segundo estágio (3). No bispo, então, encontramos a conexão direta operante entre 4, 5, 6 e 7, e um forte brilho simpático em 2 e 3. Vemos imediatamente quão intimamente afiliado está o bispo ao Senhor de quem atua como legado, e que tremendo poder para o bem é colocado em suas mãos.

Examinaremos agora e comentaremos os serviços dos vários estágios destas Ordens maiores.

O SUBDIACONATO

Isto é tão essencialmente apenas uma preparação para o que se seguirá que possui muitas das características das Ordens menores, e de fato parece ter sido contado entre elas até meados do século XII.

A menção histórica mais antiga desta ordem está em uma carta do Papa Cornélio a Fábio de Antioquia no ano 255 d.C. São Cipriano, escrevendo no mesmo século, também se refere a ela, assim como o sínodo de Elvira na Espanha cinquenta anos depois.

A Igreja Grega ainda a considera uma Ordem menor, e a Igreja da Inglaterra a ignora por completo.

Não há referência a ela no Novo Testamento, e não se afirma que tenha sido instituída pelo Cristo durante Sua vida terrena, ou mesmo por Seus apóstolos imediatos.

Do ponto de vista interno, ela não confere poderes, mas auxilia na preparação do caminho para o que chamamos de operação cirúrgica do diaconato.

No serviço da Igreja Romana para a admissão a esta Ordem, não há imposição de mãos, mas há no serviço grego.

Neste aspecto, seguimos o exemplo deste último, pois nosso ritual dirige o bispo a impor sua mão direita sobre a cabeça do ordenando, e admiti-lo solenemente em Nome de Cristo nosso Senhor, tal como foi feito no caso das Ordens menores.

A Igreja Romana considera esta Ordem como obrigando seu recipiente ao celibato e à recitação diária do Ofício Divino.

O propósito geral do rito é claramente permitir que o ego se expresse mais livremente através da personalidade.

Prosseguirei, como antes, a citar a exortação do bispo.

Amados filhos, esta Ordem de Subdiácono é um grau de provação para as Ordens maiores de Diácono e Sacerdote.

Isso dá aos que o recebem maior força e firmeza de propósito, para que, com singeleza de coração, possam dedicar suas vidas a Cristo em Sua santa Igreja. Tão grande, de fato, é a responsabilidade imposta àqueles que, nestas Ordens maiores, se tornam representantes de Cristo, que um período de prova neste grau preparatório do subdiaconato é frequentemente designado, no qual aqueles que aspiram a tão sublime estado possam testar a si mesmos, se necessário, especialmente se forem jovens no corpo ou na experiência das questões eclesiásticas, para que não entrem leviana ou impensadamente em tão solene empreendimento.

A Ciência dos Sacramentos

Vós, bem-amados filhos, tendo já vos oferecido ao serviço de Deus e para ajudar a promover o Seu reino na terra, sois agora movidos em vossos corações a vos dedicar ainda mais ao Seu serviço e ao de vossos irmãos.

Sobre este propósito invocamos a bênção divina; e, com a ajuda e pronta concordância dos fiéis aqui reunidos, procederemos agora no exercício do nosso ofício a vos apresentar como santa oblação diante da Presença de Cristo, não duvidando que, no fim, vós, tendo o testemunho do serviço fiel, brilhareis, puros e luminosos, como joias na coroa do nosso Mestre.

No rito romano segue-se aqui uma litania cansativa e inadequada, cheia de apelos servis por misericórdia e livramento.

Para esta, substituímos uma litania métrica do Espírito Santo, que pode ser considerada como ocupando, neste serviço preparatório, o lugar que nas ordenações maiores é ocupado pelo *Veni Creator*. A importância destas litanias, sejam romanas ou liberais, centra-se em três petições oferecidas pelo bispo, durante as quais ele faz um esforço especial, pelo uso do sinal de poder, para purificar os corpos físico, astral e mental dos candidatos.

Uma cruz é feita para o corpo físico, duas para o astral e três para o mental.

Estes três versículos da litania são cantados somente pelo bispo; e para a realização mais eficaz da sua tarefa, ele se levanta de seus joelhos, assume a mitra e segura o báculo, para que, assim totalmente paramentado, possa ser um canal mais perfeito para a força divina.

Os versículos são:
Nós Te suplicamos, ouve a nossa oração;
Abençoa + os Teus servos, prostrados ali;
Mantém-nos no Teu amoroso cuidado;
Ouve-nos, Santíssima Trindade.

Ordens Sagradas                                Sar.

Ouve a Teus servos enquanto oram, Ajuda Teus escolhidos hoje, Abençoa-os e santifica-os para sempre; Ouve-nos, Santíssima Trindade.

Derrama Tua grande benignidade Sobre cada candidato escolhido, Abençoa-os, santifica-os, consagra-os; Ouve-nos, Santíssima Trindade.

O versículo final da ladainha é então cantado por todos, e o bispo retoma sua exortação como se segue: Amados filhos, que estais prestes a ser admitidos ao Ofício de Subdiácono, deveis saber que espécie de ministério foi em tempos passados confiado à vossa Ordem.

Pertencia ao subdiácono prover a água para o serviço do altar, ministrar ao diácono, lavar os panos do altar e os corporais, apresentar ao diácono o cálice e a patena a serem usados no sacrifício, guardar as portas da igreja ou os portões do santuário, e em tempos posteriores ler as Epístolas diante do povo.

Esforçai-vos, então, cumprindo prontamente com zelo e diligência tais desses ministérios visíveis que ainda fazem parte do vosso ofício, por mostrar verdadeira reverência pelas coisas invisíveis que se pode dizer que eles tipificam.

Pois o altar da santa Igreja é o trono do próprio Cristo, e é de fato apropriado que aqueles que ministram diante dele andem com circunspecção e percebam que sobre eles está depositada a alta honra de sua guarda.

Portanto, cuidai de que sejais sentinelas vigilantes da guerra celestial, para que, crescendo sempre em virtude, possais brilhar, luminosos e castos, na companhia dos santos.

Esforçai-vos seriamente por vos moldar segundo o exemplo de nosso divino Mestre, para que possais ministrar dignamente no divino sacrifício, tanto no santuário invisível de vossos corações quanto no santuário visível da santa Igreja.

Desde os tempos antigos, também, tem sido exigido daqueles que entram nesta Ordem que se esforcem por adquirir certas virtudes de caráter, tais como são tipificadas pelas vestimentas que lhes são entregues.

Pelo amito, o controle da fala; pelo manípulo, o amor do serviço ou diligência em todas as boas obras; pela tunicela, o espírito de alegria e regozijo, ou liberdade da preocupação e da depressão, isto é, confiança na Boa Lei, que pode ser interpretada como um reconhecimento do Plano revelado por Deus Todo-Poderoso para o aperfeiçoamento de Sua criação.

O bispo então pede aos ordenandos uma promessa solene de que, na medida de suas forças, ordenarão suas vidas de acordo com os preceitos que ele acaba de estabelecer; e, mediante seu assentimento, ele estende as mãos em direção a eles e ora para que seus corações e mentes sejam tão abertos a receber aquilo que ele está prestes a lhes dar, que eles possam ser firmes no serviço de Cristo e crescer em conhecimento, de modo a oferecerem suas vidas como um sacrifício santo e contínuo a Ele.

Com isso, ele faz sobre eles o sinal da cruz; e imediatamente depois, cada candidato se ajoelha diante dele e é formalmente admitido à Ordem de Subdiácono, tal como nas Ordens menores.

O efeito do subdiaconato deve ser considerado em referência ao que se seguirá no próximo passo.

Na ordenação de um diácono, uma operação séria deve ser realizada, e sente-se que esta será mais bem-sucedida se uma certa preparação tiver sido empreendida.

O bispo tenta suavemente alargar a conexão (Fig. 2, Diagrama 11) entre a alma e o corpo, para que aquela possa mais plenamente atuar sobre e através deste.

O bispo então procede a dar a cada neófito o que pode não inapropriadamente ser chamado de ferramentas de trabalho de seu grau, e a investi-lo com suas insígnias especiais.

Primeiro, ele lhe entrega um cálice vazio e uma patena, admoestando-o a conduzir-se em seu ministério de modo a ser digno de louvor aos olhos de Deus.

Então, em Nome da Santíssima Trindade, e com o tríplice sinal de poder, ele o reveste com o amito, o manípulo e a tunicela, referindo-se em cada caso novamente às virtudes que esses paramentos supostamente significam, respectivamente.

Ele então entrega a cada um o livro das epístolas, dando-lhe autoridade para lê-las na santa Igreja de Deus, tanto pelos vivos quanto pelos mortos; e encerra a ordenação com uma bênção solene, dada especialmente para que os neófitos possam perseverar com firmeza e zelo na vida que empreenderam.

O grau de subdiácono só pode ser conferido durante a celebração da Santa Eucaristia, e imediatamente após a recitação das Coletas; e após a ordenação, um dos recém-ordenados subdiáconos é designado para ler a Epístola do dia.

O DIACONATO

A ordenação de diáconos ocorre após a Epístola, e antes de o Gradual ser cantado.

O serviço começa com a apresentação dos candidatos por um sacerdote, que os traz diante do bispo e diz: Reverendíssimo Padre, nossa Santa Madre Igreja Católica roga que ordeneis estes subdiáconos aqui presentes para o encargo do diaconato.

O bispo pergunta se ele os conhece como dignos desta promoção, e ele responde: Tanto quanto a fragilidade humana me permite julgar, conheço e atesto que eles são dignos do encargo deste ofício.

A Ciência dos Sacramentos

O bispo então se dirige à congregação da seguinte forma: Amados irmãos, estes subdiáconos aqui presentes são apresentados para a Ordem do Diaconato, para serem irrevogavelmente separados para o serviço de Cristo pelo dom do Espírito Santíssimo de Deus.

Cônscios da sagrada confiança em nós depositada, procuramos assegurar que somente aqueles que possam ser proveitosos à santa Igreja de Cristo sejam assim apresentados; contudo, por maior precaução, é conveniente que indaguemos se alguém conhece causa ou justo impedimento pelo qual estas pessoas não devam ser admitidas ao exercício do ofício diaconal.

Se, pois, algum de vós souber algo contra eles, em Nome de Deus e para o benefício de Sua Igreja, que se apresente corajosamente e fale; todavia, que esteja cônscio de sua própria condição.

Esta última cláusula tem por objetivo advertir qualquer possível objetor do perigo da difamação e da necessidade de estar seguro de seu fundamento antes de se aventurar a qualquer crítica adversa.

Se ninguém fala, o bispo prossegue com a seguinte breve exortação: Amados filhos, que agora estais prestes a ser elevados à Ordem do Diácono, esforçai-vos por recebê-la dignamente e por cumprir irrepreensivelmente seus deveres quando a tiverdes recebido. Pertence ao diácono ministrar no altar, ler ou entoar o Evangelho, pregar e, na ausência do sacerdote, batizar.

Portanto, amados filhos, assim como agora sois encarregados de ministrar ao rebanho de Cristo, elevai-vos acima de todas as propensões indignas que guerreiam contra a alma; sede sóbrios, corteses no trato, e cheios de nobres desejos e de amor por Deus e pelos homens, como convém aos ministros de Cristo e aos despenseiros encarregados de distribuir os mistérios de Deus.

E como agora tendes parte em oferecer e dispensar o Corpo e o Sangue do Senhor, como está nas Sagradas Escrituras: "Sede limpos, vós que carregais os vasos do Senhor." Seja vosso cuidado apresentar aos outros, por meio de ações vivas, o evangelho que vossos lábios lhes proclamarão, para que de vós se diga: "Quão formosos sobre os montes são os pés daquele que traz boas-novas, que anuncia a paz."

Ele recebe a promessa deles de que se esforçarão para usar dignamente o poder que está prestes a lhes confiar, e então eles se prostram diante do altar enquanto a ladainha métrica é cantada — desta vez não a do Espírito Santo, mas um apelo especial ao Senhor Cristo, reconhecendo Sua Presença, anunciando que o bispo está prestes a usar o poder conferido a ele pelo mesmo Senhor em sua consagração, e pedindo que suas mãos sejam fortalecidas para esta grande obra.

O bispo então recita uma oração durante a qual faz duas vezes o sinal da cruz sobre os ordenandos.

A primeira vez ele o faz com a intenção de manter firmemente os três veículos que foram purificados na ladainha, e trabalhar através deles até o elo que conecta a personalidade com a alma — o elo que os filósofos indianos chamam de antaskarana.

O objetivo aqui, como no subdiaconato, é alargar essa conexão e, assim, dar à alma mais influência sobre seus corpos.

Se o bispo tem a boa fortuna de ser clarividente, e assim pode ver o corpo pituitário e observar a ação da força que está enviando, tanto melhor, pois ele pode então dirigi-la mais cientificamente.

Tendo assim aberto mais plenamente o caminho até o corpo causal, ele aponta sua segunda cruz para esse próprio corpo, com o objetivo de levar o mesmo processo um pouco mais adiante, para que o candidato possa receber mais do poder do Espírito Santo.

Tendo assim preparado o caminho tanto quanto possível, o chamado tradicional a Deus o Espírito Santo é enviado — o Veni Creator; e imediatamente em seguida o bispo (usando sua mitra e segurando seu báculo na mão esquerda) impõe a mão direita sobre a cabeça do ordenando e diz: Recebei o Espírito Santo para o ofício e obra de um diácono na Igreja de Deus.

A estas palavras ocorre a descida abrupta do poder; contudo, esse termo dá apenas uma imagem imperfeita, ou, na realidade, esse poder açoita para baixo e para cima muitas vezes com rapidez inconcebível, exatamente como faz o relâmpago.

A quantidade que um homem pode receber depende da preparação que ele fez, da medida em que se abriu à influência divina.

A crosta agora está rompida, o vínculo com seu Senhor e Mestre está feito, no que diz respeito ao princípio 7 (Hig. 3, Diagrama 11); o canal foi alargado, e cabe a ele mantê-lo nessa condição melhorada, deixando a graça divina fluir constantemente através dele para a ajuda de seus semelhantes.

Essa ideia é apresentada de forma proeminente ao diácono recém-ordenado quando o bispo o investe com uma estola branca, dizendo: "Recebe a estola branca como símbolo do teu ofício; lembrando que, assim como para o serviço e o amor ao homem exerces o poder que agora está em ti, assim ele fluirá através de ti em plenitude e glória cada vez maiores."

E ao dizer isso, ele faz o sinal da cruz sobre o coração do diácono, para que qualquer despertar ou fortalecimento do princípio intuicional (5) que possa ter ocorrido no momento da ordenação seja conservado e aumente.

A estola, que se supõe sempre simbolizar o jugo de Cristo, denota o ofício do diácono apenas por causa da maneira em forma de faixa como ele a usa sobre o ombro esquerdo, presa sob o braço direito.

O sacerdote a usa sobre ambos os ombros, para mostrar que assumiu plenamente o jugo e a responsabilidade, dos quais apenas uma pequena parte recai sobre o diácono.

O bispo então, em Nome da Santíssima Trindade, e com o sinal triplo da cruz, investe cada novo diácono com uma dalmática, dizendo: "O Senhor te revista com a vestimenta da alegria" e sempre te envolva com a dalmática da justiça.

No mesmo santo Nome, e com o mesmo sinal triplo de poder, ele lhe dá autoridade para ler o Evangelho na Igreja de Deus, tanto para os vivos quanto para os mortos.

Em cada um desses casos, a influência tríplice da qual o bispo é especialmente o guardião é energizada, derramada, fortemente evocada à manifestação, de modo que, ao atuar sobre os princípios correspondentes no ordenando, ela os agita em vibração simpática, fazendo com que fiquem, ao menos por um tempo, enormemente mais ativos e receptivos do que nunca antes.

Cabe ao diácono zelar para que esse grande avanço temporário seja mantido e intensificado.

O serviço conclui-se com uma bela oração referente à íntima associação com as hostes angélicas, da qual desfrutam aqueles cuja feliz tarefa é ministrar dentro do santuário.

Ó Cristo, Senhor do Amor, que, pelo serviço celestial e terreno dos Anjos que Tu ordenas, derramas sobre todos os elementos a eficácia da Tua vontade, derrama sobre estes Teus servos a plenitude da Tua bênção, para que, na comunhão desses gloriosos Anjos, possam ministrar dignamente aos Teus santos altares e, sendo dotados de virtude e graça celestiais, sejam sempre vigilantes e zelosos no serviço da Tua Igreja, Tu que reinas para todo o sempre.

R. Amém.

A cruz final feita durante esta oração produz uma intensificação geral de tudo o que foi realizado.

Seu propósito especial é espessar as paredes do vínculo muito expandido entre a alma e a personalidade, endurecê-las e mantê-las mais firmemente em sua nova forma.

É como se uma espécie de estrutura fosse erguida internamente, um revestimento para impedir que o canal alargado se contraia.

Compreender-se-á facilmente que é distintamente vantajoso haver um intervalo considerável entre a ordenação ao diaconato e a ao sacerdócio, para que esse vínculo, em sua forma alargada, possa ser consolidado.

A primeira abertura desse canal, que comparamos a uma operação cirúrgica, é uma mudança tão grande; um afastamento tão radical de tudo o que veio antes, que o homem precisa de tempo para se ajustar às novas condições antes que qualquer tensão adicional lhe seja imposta.

Por isso a Igreja prescreve que, quando possível, o neófito permaneça por um ano nas ordens de diácono antes de ser elevado ao sacerdócio.

É novamente óbvio quão incalculável é a vantagem possuída por aqueles entre o clero que sabem o que estão fazendo nessas questões, e ainda mais por aqueles que podem ver o efeito de suas operações.

A grande maioria dos bispos trabalha às cegas, mas ninguém precisa duvidar de que seu objetivo é alcançado; porém, sem dúvida, seria muito mais plenamente alcançado se tivessem maior conhecimento do mundo espiritual e da operação de suas forças.

Um dos diáconos recém-ordenados lê o evangelho, e a Santa Eucaristia é então continuada como de costume, exceto que menção especial é feita na oração de consagração àqueles que, no santo Nome de Cristo, acabaram de ser admitidos à Ordem do Diaconato.

Tal cláusula é inserida em todas as ordenações maiores, mas não nas menores; na verdade, estas últimas podem ser conferidas à parte da celebração da Eucaristia, embora deva ser antes da hora do meio-dia.

O SACERDÓCIO

A ordenação ao sacerdócio é solenizada após o canto do Gradual, e começa com a apresentação dos candidatos por um sacerdote, assim como no serviço anterior.

O bispo então profere esta exortação: Amados irmãos, assim como tanto o capitão de um navio quanto os passageiros que ele transporta têm igual motivo de segurança ou de temor, convém que aqueles cujos interesses são comuns sejam de um só coração.

Não foi sem propósito que os Padres decretaram que o povo também fosse consultado acerca da eleição daqueles que devem ser empregados no serviço do altar, pois o que é desconhecido da maioria sobre a vida e a conduta daqueles que são apresentados pode, muitas vezes, ser conhecido de poucos, e todos necessariamente obedecerão mais prontamente àquele que, quando ordenado, teve a sua ordenação aprovada pelo seu consentimento.

Se, portanto, alguém tem algo em prejuízo destes homens, em Nome de Deus e para o benefício da Sua Igreja, que se apresente corajosamente e fale; contudo, que esteja ciente da sua própria condição, 336 A Ciência dos Sacramentos

Após uma pausa, o bispo, dirigindo-se aos ordenandos, exorta-os da seguinte forma: Amados filhos, é agora nossa parte, solene e pela última vez, antes que o ato irrevogável se cumpra, que vos imporá o doce mas pesado fardo do sacerdócio, exortar-vos sobre quão grande é a dignidade e a responsabilidade deste ofício e quão pesados são os deveres a serem desempenhados por aqueles que a ele são ordenados.

Pertence ao sacerdote oferecer sacrifício, abençoar, presidir, desligar e ligar, ungir, pregar e batizar.

Portanto, amados filhos, que o prêmio de nossos irmãos escolheu para que sejais consagrados a este ofício como nossos auxiliares, somente após solene premeditação e com grande reverência se deve abordar tão sublime ofício, e grande deveras deve ser o cuidado com que determinamos que aqueles que são escolhidos para representar nosso Bendito Senhor e presidir em Sua Igreja se recomendem por grande sabedoria, por dignidade de vida e pela prática perseverante da justiça e da verdade.

Guardai, pois, amados filhos, estas coisas em memória, e que o fruto delas se veja em vosso proceder e conversação, na casta e santa integridade de vida, na abundância contínua de toda sorte de boas obras.

Esforçai-vos sem cessar por aumentar em vós mesmos a perfeição do amor celestial, para que, tendo o coração repleto do amor de Deus e do homem,

sejais esmoleres da bênção de Cristo e portadores de Seu Amor aos corações da humanidade.

Nunca esqueçais quão grande privilégio é o vosso de trazer os pequeninos a Ele através do portal do batismo e de aliviar o pesado fardo da dor e do pecado do mundo pela graça da absolvição.

Considerai atentamente o que fazeis, imitai aquelas coisas que na Igreja de Deus é vosso dever tratar e administrar.

E porquanto agora sereis chamados a oferecer o Santo Sacrifício diante do trono de Deus, e a celebrar os sagrados Mistérios do amor do Senhor, sede zelosos em despojar vossos membros de todas as imperfeições.

Vós, cujo dever é oferecer a Deus o doce incenso da oração e da adoração, que vosso ensino seja um remédio espiritual para o povo de Deus; que vossas palavras de bênção e consolação sejam seu auxílio e força; que o doce odor de vossa vida seja uma fragrância na Igreja de Deus.

Assim, por palavra e por obra, podereis moldar o templo de Deus, de modo que nem nós pareçamos repreensíveis diante do Senhor, que em Seu Nome assim vos promoverá, nem vós, que assim sereis promovidos; antes, possamos todos nós encontrar aceitação e abundante recompensa pelo ato deste dia, o qual, de Sua infinita bondade e benignidade, digne-Se Ele conceder.

A promessa costumeira de se esforçar para usar o poder dignamente é então pedida e dada, e a ladainha especial de ordenação é cantada, como no serviço anterior,

estando os candidatos prostrados diante do altar.

A oração que se segue começa com as mesmas palavras daquela usada para o diaconato, mas difere em suas petições posteriores.

O Senhor Cristo, a Fonte de toda bondade, que pela operação do Espírito Santo designaste diversas Ordens em Tua Igreja, e para seu maior enriquecimento e aperfeiçoamento derramas abundantemente Teus dons sobre os homens, derrama Tu Tua graça santificante sobre estes Teus servos, que estão prestes a ser contados entre os sacerdotes de Tua Igreja.

Que suas mãos sejam fortes para realizar, que a sabedoria guie e direcione sua vida, que a beleza da santidade os santifique e espalhe uma fragrância espiritual ao redor de seu caminho, para que em todas as suas obras começadas, continuadas e terminadas em Ti, eles manifestem a abundância de Teu poder e glorifiquem Teu Santo Nome, ó Tu, grande Rei do Amor, a Quem sejam louvor e adoração dos homens e da hoste angélica.

R. Amém.

Imediatamente após esta oração, o bispo, em perfeito silêncio, impõe ambas as mãos sobre a cabeça de cada ordenando.

O mesmo é feito depois dele, sucessivamente, por todos os sacerdotes presentes, desejando cada um intensamente dar tudo o que pode de ajuda e consagração ao candidato.

O bispo usa seu poder para derramar nele o poder do Cristo e para atraí-lo à mais próxima relação possível com Ele.

Referindo-se novamente ao Diagrama 11, Fig. 4, os três princípios de espírito, intuição e inteligência (numerados 2, 5 e 7) no ordenando são feitos para brilhar com fervor indescritível.

A linha oblíqua que os conecta é aberta em atividade, e grandemente alargada, de modo que não apenas o espírito se torna muito mais uno com o Espírito do Cristo, mas ele também é capaz de se expressar muito mais plenamente do que antes através da intuição e da inteligência.

Não se segue de modo algum que ele o fará na vida diária; isso depende do esforço individual do sacerdote; mas a potencialidade está ali, e aquele que dela tem conhecimento pode usá-la com grande efeito, se quiser.

Toda a aura do ordenando se expande prodigiosamente com este influxo direto de poder do Cristo; cada átomo dentro dele é abalado à medida que suas várias ordens de espirilas são despertadas.

O influxo irrompe em 2, 5 e 7 através dos princípios correspondentes do próprio bispo, razão pela qual ele impõe ambas as mãos sobre a cabeça do candidato, em vez de usar apenas a mão direita para distribuir o que é atraído através do báculo em sua esquerda, como faz no caso do diácono, ou na confirmação.

Quando a aura do neófito está assim dilatada e extremamente sensível, os sacerdotes derramam sua influência.

Eles não conferem poder como o bispo o faz, mas cada um dá sua quota de bem; cada um acrescenta tudo o que tem de valor, enquanto o neófito está em condições de recebê-lo. Os sacerdotes podem, muito provavelmente, estar em diferentes Raios e, de qualquer forma, certamente diferem em caráter, de modo que cada um terá alguma qualidade a contribuir.

A outorga do sacerdócio é, acima de tudo, a concessão de uma oportunidade maravilhosa, colossal, e nenhum esforço é poupado para ajudar o recipiente a tirar proveito dela. O poder do Cristo, a emanação direta da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, vem sempre no silêncio, pois ainda não desceu suficientemente à materialidade para se manifestar como som; o Espírito Santo veio como um vento impetuoso e impetuoso e Se mostrou em línguas de fogo, conferindo aos apóstolos um poder incomum de fala.

Assim, na segunda imposição das mãos, mais tarde, a palavra de poder é empregada, como nas outras Ordens; mas o dom tremendo da primeira imposição desce em um silêncio que é sentido.

É este ato que realmente torna o homem um sacerdote e o dota do poder de celebrar a Santa Eucaristia.

A oração que se segue imediatamente à ordenação refere-se belamente a isto: "Ó Senhor Cristo, cuja força está no silêncio, concede que estes Teus servos, a quem agora Te unes a Ti mesmo no santo vínculo do sacerdócio, possam daqui em diante ministrar fielmente do poder sacerdotal àqueles que pedem em Teu Nome.

R. Amém.

Oremos, caríssimos irmãos, para que Deus Todo-Poderoso multiplique os dons do Espírito nestes Seus servos para a obra do sacerdócio.

Na Igreja Católica Liberal, cantamos o Veni Creator aqui e procedemos imediatamente à segunda imposição das mãos; mas a Igreja Romana tem um arranjo bastante diferente.

Em seu ritual, chega neste ponto uma oração interessante invocando sobre os recém-ordenados sacerdotes "'a bênção do 340 A Ciência dos Sacramentos

Espírito Santo e o poder da graça sacerdotal" — uma oração que foi originalmente destinada a fazer o trabalho agora feito pela segunda imposição — isto é, empurrar para cima o canal feito para o diácono e alargá-lo enormemente. No caso do diácono, o princípio 7 em nosso diagrama foi ligado ao princípio correspondente no Senhor Cristo; agora a mesma conexão é feita para o princípio (Fig. 5, Diagrama 11), enquanto aquela para o 7 é grandemente fortalecida e aumentada.

A linha diagonal que foi chamada à existência na primeira imposição entre 2, 5 e 7 é intensificada; e 7 é aberto, de modo a permitir que a força dessa linha oblíqua flua melhor para fora, pois sem isso haveria perigo de grande congestão.

O sinal único da cruz que acompanha a emissão das palavras acima citadas parece ter sido considerado insuficiente para realizar o trabalho por completo, e assim, por volta do século XII, foi introduzida a segunda imposição, com sua fórmula escritural definida.

Alguns livros romanos, de fato, contam esta oração como "a bênção do Espírito Santo" (que é recitada pelo bispo com as mãos estendidas sobre os novos sacerdotes) como uma segunda imposição, e chamam aquela que vem mais tarde no serviço de terceira.

Após a recitação dessa oração no rito romano, o *Sursum Corda* é cantado, mas em vez de "portanto, com os anjos e arcanjos" vêm as palavras: "a Fonte das honras hierárquicas e o Dispensador de toda dignidade". A oração ou exórdio prossegue através de uma espécie de retrospecto histórico de exemplos do sacerdócio primitivo, citando as Ordens Sagradas de Moisés, Eleazar e Itamar.

Depois disso, o bispo romano reorganiza as estolas dos novos sacerdotes e os reveste com a casula dobrada.

Em seguida, ele recita uma oração que nos Pontificais antigos é chamada de Consagração, ou às vezes a Consumação (ou toque final) do sacerdote.

Ela invoca (com o sinal de poder) a graça da bênção de Deus sobre os neófitos, e desempenha um papel útil na cerimônia, como será explicado quando chegarmos a considerar nossa própria versão dela, que colocamos logo após a segunda imposição.

Após esta oração (ainda segundo o ritual romano) vem o *Veni Creator*, e enquanto ele é cantado, o bispo unge e ata as mãos de seus novos sacerdotes, e lhes dá autoridade para oferecer sacrifício a Deus e celebrar a Missa tanto pelos vivos quanto pelos mortos.

Então o curso ordinário da Eucaristia é retomado com o Evangelho, o Credo e o Ofertório, recitando os sacerdotes as palavras do serviço juntamente com o bispo, desde "Recebei, ó Santo Pai". É somente após a comunhão ter sido recebida que o bispo pronuncia as palavras de tremenda importância: "Recebei o Espírito Santo". Julguei conveniente fazer esta longa digressão para explicar a ordem adotada no ritual romano, a fim de que fique claro que no nosso próprio não omitimos nenhum dos seus pontos salientes, embora os disponhamos conforme julgamos melhor, pela consideração do jogo das forças internas.

Retomaremos agora o comentário sobre o nosso próprio serviço, do qual nos desviamos na pág. 339. Imediatamente após a exortação ali citada, para orar a Deus que 342 A Ciência dos Sacramentos

multiplique os dons do Espírito, o povo responde cantando o Veni Creator, e logo o bispo se ergue de seus joelhos e, impondo ambas as mãos sobre a cabeça de cada novo sacerdote, por sua vez, diz: Recebei o Espírito Santo para o ofício e obra de sacerdote na Igreja de Deus; cujos pecados perdoares, são perdoados; e cujos pecados retiveres, são retidos.

Já consideramos o efeito produzido pelo derramamento que acompanha estas palavras momentosas, e temos apenas a acrescentar que a conexão feita com o princípio 6 capacita o sacerdote a haurir da grande câmara central do reservatório, que marcamos como B (Diagrama 10). É essa conexão que o capacita a dar efetivamente a absolvição e a abençoar em Nome da Santíssima Trindade.

A Igreja da Inglaterra usa uma forma um tanto mais longa de ordenação, pois após as palavras "Igreja de Deus" insere "agora confiado a ti pela imposição de nossas mãos"; e no final, após a palavra "retidos", acrescenta "e sê tu um fiel dispensador da palavra de Deus e de Seus santos Sacramentos, em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém." Neste lugar segue-se a nossa versão da oração chamada da Consumação, à qual me referi acima.

Ela assim reza: Ó Deus, fonte de toda santidade, de Quem provêm a verdadeira consagração e a plenitude da bênção espiritual, rogamos-Te, ó Senhor, que abras à Tua graça celestial os corações e mentes destes Teus servos, que foram elevados ao sacerdócio, para que através deles o Teu poder flua abundantemente para o serviço do Teu povo.

Que sejam sinceros e zelosos como obreiros em nossa Ordem, e assim provem ser dignos do sagrado encargo das Santas Ordens que lhes foi confiado.

E, como por uma bênção imaculada agora eles hão de transformar, para o serviço do Teu povo, o pão e o vinho no santíssimo Corpo e Sangue do Teu Filho, que sejam sempre vigilantes em manter puro e imaculado o vaso do seu ministério.

Que toda espécie de retidão brote dentro deles, e que seus corações se encham de tal compaixão pela multidão, que se esqueçam de si mesmos no amor ao próximo.

Assim, firmes nesse Teu alegríssimo serviço, que o resplendor do Teu amor e da Tua glória brilhe cada vez mais intensamente em seus corações, até que se elevem à maturidade espiritual plena, à medida da estatura da plenitude de Cristo, quando suas vidas estiverem ocultas com Cristo em Deus.

R. Amém.

O sinal de poder feito na palavra "abre" destina-se a desobstruir o caminho entre os princípios superiores e o cérebro físico.

A bênção inunda o cérebro etérico e visa ascender através do corpo pituitário, que é o ponto de junção mais íntima entre o físico denso, o etérico e o astral; mas se o bispo puder, ao mesmo tempo, derramar a força no corpo mental do sacerdote e trabalhar de cima para baixo, tanto melhor.

Chegamos agora à vestimenta e à unção.

Os neófitos ainda usam suas estolas à maneira diaconal, então o bispo as reorganiza como um sacerdote deve usá-las, e em seguida as cruza sobre o peito, como são usadas pelo celebrante na Santa Eucaristia.

As palavras com que ele acompanha este ato referem-se não apenas ao simbolismo da estola, mas também ao seu uso real como condutor de força: "Recebe esta estola, como símbolo do poder do ofício sacerdotal, e como canal da corrente sempre fluente do amor de Cristo."

A Ciência dos Sacramentos

Em seguida, ele veste cada novo sacerdote com a casula, dizendo: "Recebe a vestimenta sacerdotal, para que nela possas oferecer com nosso Senhor Cristo o santíssimo sacrifício do Seu sagrado Corpo e Sangue."

Ele então procede à unção das mãos dos novos sacerdotes com o óleo dos catecúmenos.

O sacerdote coloca as mãos juntas, com as palmas voltadas para cima, sobre o gremial estendido sobre os joelhos do bispo, e este, tomando um pouco do óleo com o polegar direito, traça com ele uma linha do polegar direito do sacerdote através das palmas e até o primeiro dedo da mão esquerda do sacerdote.

Em seguida, ele inverte o movimento, começando pelo polegar esquerdo do sacerdote, através das palmas e até o primeiro dedo da mão direita.

Ele faz uma cruz em cada palma e esfrega o óleo por toda parte com um movimento circular.

Depois de fazer tudo isso, ele diz: Digna-te, ó Senhor, a consagrar e santificar estas mãos por esta unção e por nossa bênção; que tudo o que elas abençoarem seja abençoado, e tudo o que elas consagrarem seja consagrado e santificado, em Nome de nosso Senhor Cristo.

BR. Amém.

O bispo agora fecha as mãos juntas, palma contra palma, e elas são amarradas com uma tira de linho branco.

Esta é uma cerimônia simbólica peculiar e interessante, mas é também muito mais do que isso, pois como todos os ritos, tem seu lado prático.

O óleo dos catecúmenos é construtivo e é usado na edificação das formas.

A unção com ele é uma separação das mãos para o serviço santo, uma modelagem delas para a transmissão desse poder maravilhoso.

A mão do sacerdote é um instrumento especializado que pode transmitir bênção.

A unção traz as forças de abertura para atuar sobre as mãos e as reveste de poder, pelo qual, ao longo das linhas que são feitas na unção, a influência pode fluir; notar-se-á que os dois dedos com os quais o bispo lida especialmente são precisamente aqueles que tocam a Hóstia.

Não se trata apenas de linhas de força estabelecidas na aura; é ainda mais uma questão de trabalho superior em todos os sentidos.

É algo como a magnetização do aço: a unção opera de modo que as forças possam passar através da mão e, ao mesmo tempo, tempera as mãos para que possam suportar essas forças.

Não é apenas uma consagração, uma separação, mas também uma preparação do lado espiritual do sacerdote para que ele possa conduzir o poder; e há a ideia associada a isso de ser capaz de transmitir esse poder com segurança.

É como conduzir um raio, e sem a unção isso poderia muito bem ser perigoso.

O poder da Hóstia pode produzir resultados curiosos em ambientes indignos; por exemplo, há histórias de o toque da Hóstia queimar um vampiro.

Das duas cruzes que o bispo faz ao recitar as palavras, a primeira destina-se a providenciar a distribuição da força que desce pela linha diagonal (2, 5, 7) no Diagrama 11, Fig. 5, e a segunda à dispensação daquilo que flui do princípio 6. Como esse magnetismo preparatório leva algum tempo para penetrar e permear as mãos, o plano de amarrá-las juntas por um tempo tem uma utilidade prática distinta.

O bispo então apresenta ao sacerdote um cálice contendo vinho e água, com uma patena e uma hóstia sobre ele, sendo estes os principais instrumentos de trabalho do grau na Igreja que ele agora alcançou.

Como as mãos do sacerdote estão amarradas, ele não pode segurar os vasos sagrados, mas os recebe entre as pontas dos dedos, tendo o cuidado de tocar tanto o cálice quanto a patena.

O bispo lhe diz: "Recebe autoridade para oferecer sacrifício a Deus e para celebrar a Santa Eucaristia, tanto pelos vivos quanto pelos mortos. Em Nome do Senhor."

R. Amém.

As mãos dos sacerdotes são então desamarradas; eles as purificam segundo o costume medieval com limão e migalhas de pão, e a Celebração prossegue com a leitura do Evangelho.

Logo antes do Ofertório, os novos sacerdotes se ajoelham por um momento diante do bispo e cada um lhe apresenta uma vela acesa como sinal visível de gratidão pelo dom recebido e do sacrifício de suas vidas pela obra de Cristo.

Em seguida, os novos sacerdotes recitam com o bispo o restante da Santa Eucaristia palavra por palavra, tendo o cuidado particular de dizer simultaneamente com ele as Palavras da Consagração com a devida intenção de consagrar.

Uma cláusula especial referente aos novos sacerdotes é inserida na oração da Consagração, e após as abluções eles se apresentam e se ajoelham mais uma vez diante do bispo.

Eles fazem o que se chama o juramento de obediência canônica, comprometendo-se a aceitar a decisão do bispo em todos os assuntos relacionados aos serviços da igreja e a não se afastar das formas prescritas sem sua permissão.

Ele os adverte nas seguintes palavras sobre o perigo de remover quaisquer dos marcos antigos e sobre a necessidade de cautela e vigilância na celebração dos Sacramentos: Ordens Sagradas.

Amados filhos, como o que haveis de tratar não está isento de percalços, admoesto-vos a que atenteis diligentemente ao curso da Santa Eucaristia, e especialmente àquilo que diz respeito à Consagração, à fração e à comunhão da Hóstia.

Sede também cuidadosos em que, em tudo o que pertence à administração dos Sacramentos da santa Igreja de Cristo, adirais à forma estabelecida pela autoridade legítima e não presumais dela vos afastar em nenhum detalhe.

Ele então lhes dá uma bênção especial para a nova obra que têm de realizar: A bênção de Deus Todo-Poderoso, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, desça sobre vós, para que sejais abençoados na ordem sacerdotal e na oferta de sacrifício a Deus Todo-Poderoso, a Quem pertencem honra e glória pelos séculos dos séculos.

R. Amém.

Ele encerra o serviço de ordenação com um belo pequeno lembrete do único modo pelo qual podem tanto mostrar gratidão a Deus pelo que lhes foi dado, quanto continuar firmemente a aproximar-se cada vez mais d'Ele.

Amados filhos, considerai atentamente a Ordem que recebestes e sede sempre conscientes da sagrada confiança em vós depositada.

Visto que aprouve a nosso Senhor chamar-vos assim para mais perto d'Ele, não esqueçais o serviço de vossos irmãos, que é o caminho áureo para a Sua gloriosíssima Presença.

De graça recebestes, de graça dai.

A Santa Eucaristia é então continuada até seu fim como de costume. Antes de deixar o assunto do sacerdócio, pode ser oportuno referir certas questões que têm sido frequentemente levantadas a respeito dele. Uma é se o serviço tristemente truncado da Igreja da Inglaterra confere algo menos do que o ritual mais pleno da Igreja Romana.

As Ordens da Igreja da Ing- 348 A Ciência dos Sacramentos

laterra são válidas, e sua forma de ordenação confere o poder de extrair do reservatório de força espiritual, e liga seus sacerdotes ao seu Senhor e Mestre.

Tudo o que é essencial, portanto, é feito; mas é forçoso confessar que é feito de modo menos completo, na medida em que vários auxílios valiosos não são concedidos.

A preparação especial das mãos torna-as, sem dúvida, capazes de transmitir com segurança um volume muito maior de força; a abertura do canal para o cérebro físico permite que o sacerdote, em sua consciência cotidiana comum, sinta muito mais daquilo que está fazendo, e assim lhe dá maior confiança.

Muitos sacerdotes anglicanos, estou certo, não sabem realmente o que alcançam em seu ofício sacerdotal; por um ato de fé sublime e plenamente justificada, creem que lhes é dado transformar o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Cristo, que os pecados são perdoados e que a bênção é derramada através deles; mas muitas vezes podem não perceber por seu próprio sentimento o poderoso influxo do poder divino do qual são o canal, e assim não têm a certeza absoluta que lhes permite dizer "eu sei". Essa certeza pode ser alcançada pelo autodesenvolvimento, pelo trabalho constante e pela aspiração sincera; mas sua obtenção não lhes é facilitada na ordenação, como o é nas Igrejas mais antigas.

A abertura é feita pelo rito anglicano, mas sua ampliação é deixada inteiramente à iniciativa e ao conhecimento do sacerdote individual, e assim nem sempre é realizada.

As cerimônias colaterais também abrem muitas linhas de atividade que não existem da mesma maneira para o homem que não passou por elas.

Deve-se lembrar que forças que fluem ao longo de diferentes linhas reagem entre si e se intensificam mutuamente, e que uma grande quantidade de poder adicional é obtida dessa maneira.

Outra questão à qual se atribuiu grande importância é a do celibato do clero.

A Igreja Romana insiste nele como questão tanto de disciplina quanto de conveniência, embora admita que não seja uma instituição apostólica.

A Igreja Oriental proíbe que um clérigo se case, embora se ele fosse casado antes de sua ordenação, não repudie sua esposa.

Na própria Grécia, afirma-se que há 5.423 sacerdotes casados e apenas 242 solteiros, enquanto na Rússia o casamento parece ser praticamente uma condição para a ordenação, embora não haja regra real sobre o assunto.

A Igreja da Inglaterra deixa seu clero inteiramente livre nessa questão, assim como nossa Igreja Católica Liberal.

Do ponto de vista especial que estou enfatizando neste livro, o casamento aparentemente não faz diferença alguma; certamente não afeta de modo algum o poder do homem de transmitir qualquer uma das forças.

O celibato pode ou não ser desejável do ponto de vista da conveniência; há muito a dizer em ambos os lados desse argumento; mas no que diz respeito ao lado interno do trabalho, é irrelevante.

Obviamente, um homem que é escravo das paixões carnais é indigno de servir a Deus como sacerdote, seja ele casado ou solteiro; mas essa é uma questão bastante diferente.

Pergunta-se frequentemente se uma mulher poderia ser validamente ordenada.

Essa questão foi praticamente respondida em um capítulo anterior.

As forças atualmente dispostas para distribuição através do sacerdócio não funcionariam eficientemente através de um corpo feminino; 350        A Ciência dos Sacramentos

mas é perfeitamente concebível que os arranjos atuais possam ser alterados pelo próprio Senhor quando Ele voltar ao mundo.

Sem dúvida, seria fácil para Ele, se assim o escolhesse, ou reviver alguma forma das antigas religiões nas quais o Aspecto Feminino da Divindade era servido por sacerdotisas, ou modificar a física do esquema católico de forças de tal maneira que um corpo feminino pudesse ser satisfatoriamente empregado no trabalho.

Como alguns de nós sustentamos que não tardará o Seu advento, a questão pode ser finalmente resolvida com autoridade inquestionável num futuro próximo; mas até que Ele venha, não temos escolha senão administrar Sua Igreja segundo as linhas que nos foram traçadas.    Objeção é às vezes feita ao juramento de obediência canônica.

Pensa-se que, assim como deixamos nosso povo livre em questões de crença, deveríamos também deixar nossos sacerdotes livres para usar qualquer ritual que escolherem, ou nenhum.

Qualquer homem já é livre para fazer isso sem se unir a Igreja alguma; mas se ele deseja o estupendo privilégio do sacerdócio, deve estar disposto a aceitar suas condições.

A Igreja de Cristo existe para ajudar a humanidade pela distribuição de Seu poder, e Ele dispôs que isso seja feito de certas maneiras definidas.

Aqueles que creem saber mais do que Ele e desejam fazer o trabalho de alguma outra forma estão obviamente fora de lugar num corpo como o nosso, e não parece haver razão para que desejem tornar-se seus sacerdotes.

É necessário que o controle dos serviços públicos da Igreja esteja nas mãos daqueles que conhecem algo do funcionamento das forças internas envolvidas; caso contrário, a chama da Igreja poderia ser manchada por todo tipo de grotesqueria e ineficiência.

Outra objeção ocasionalmente levantada pelos ignorantes é que a obediência canônica pode incluir obediência política — que um sacerdote poderia, assim, ser compelido a votar ou a agir contra sua consciência.

Tal sugestão é, naturalmente, infantil, ou o adjetivo define claramente os limites da promessa.

O sacerdote compromete-se a usar nos serviços públicos apenas as formas fornecidas pela Igreja que ele representa; se, por qualquer boa razão, desejar variá-las de alguma forma, deve recorrer ao seu bispo para obter permissão. Ele é livre para votar como quiser, para abraçar qualquer causa que lhe pareça boa; mas deve deixar claro que o faz como indivíduo privado, e não como representante da Igreja à qual pertence.

A Igreja mantém-se absolutamente alheia à política, embora cada um de seus membros seja livre para seguir sua própria linha.

O EPISCOPADO

Esta, a cerimônia final e mais elevada das Ordens Sagradas, é talvez a mais bela de todas — como, de fato, deveria ser. Ao longo do esquema de conferência das Ordens sucessivas, o progresso em sua importância foi indicado de várias maneiras — uma delas sendo a posição ocupada pelo serviço.

A ordenação de um clérigo pode ocorrer a qualquer hora, mas os outros quatro graus das Ordens menores só podem ser conferidos pela manhã.

Podem ser concedidos à parte da Santa Eucaristia, mas, se forem conferidos durante esse serviço, a ordenação ao grau de clérigo ocorre após o Introito, e aos outros quatro graus após o Kyrie.

As Ordens maiores só podem ser conferidas durante a Santa Eucaristia; a ordenação de um subdiácono é realizada após as Coletas, a de um diácono após a Epístola, a de um sacerdote e a de um bispo após o Gradual; mas nestas últimas, partes do serviço são intercaladas em vários pontos do rito eucarístico.

Por exemplo, é ao final das Asperges que o serviço para a consagração de um bispo começa com sua apresentação ao consagrador pelo bispo assistente sênior.

O protocolo da eleição é então lido, e o bispo eleito, ajoelhado diante do consagrador, presta o juramento de obediência canônica na seguinte forma: Em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, Amém.

Eu, N., eleito Bispo da Igreja, prometo toda a devida reverência e obediência em matérias canônicas a [Vós] e a vossos sucessores.

Assim me ajude Deus, através de Jesus Cristo.

Deste ponto em diante, em todas as partes da cerimônia fora do curso usual da Santa Eucaristia, os bispos assistentes (dos quais deve haver, se possível, dois) repetem tudo o que é dito pelo consagrador, fazendo também os vários sinais sobre o bispo eleito juntamente com ele.

O consagrador então prossegue, com algumas palavras de introdução, a pedir do bispo eleito uma série de compromissos quanto ao uso que fará do poder que tão logo lhe será confiado, de modo que se estabelece o seguinte diálogo entre eles:

Consagrador.

A ordem estabelecida desde a antiguidade pelos Padres ensina e manda que todo aquele que for eleito para a Ordem Episcopal seja antes diligentemente examinado em toda caridade acerca da doutrina da Santíssima Trindade e das diversas relações e virtudes adequadas a este encargo; e é conveniente que esta prática seja mantida.

Pois, uma vez que cremos verdadeiramente que esta mordomia nos foi confiada pelo próprio Cristo, convém-nos assegurar-nos de que aqueles a quem por nossa vez a confiamos saibam e estejam em seus corações plenamente persuadidos de quão grande é a sua responsabilidade diante d'Ele.

Em Seu Nome, portanto, e em virtude desta autoridade e mandamento, perguntamos agora a ti, bem-amado irmão, em sincera caridade, se, sendo ordenado para este sagrado encargo, exercerás os seus poderes inteiramente para aquilo que te parecer o verdadeiro benefício da santa Igreja católica de Cristo, e para nenhum outro propósito seja qual for, pondo de lado totalmente todo pensamento de predileção ou avanço pessoal.

Bispo Eleito.

Com todo o meu coração me esforçarei para assim o fazer.

Cons.

Quererás tu, na medida do que em ti estiver, pôr a tua afeição nas coisas do alto e não nas coisas da terra?

B.E. Quero.

Cons.

Quererás tu, com a ajuda de Deus, lembrar sempre que neste alto ofício para o qual és chamado é teu dever obrigatório, e deve ser tua constante preocupação, dar exemplo de vida piedosa a todos aqueles que forem confiados ao teu cuidado?

B.E. Quero.

Cons.

Quererás tu sempre acalentar como um depósito sagrado o poder que agora te será confiado, e comprometer-te solenemente a exercer todo cuidado e discrição na escolha daqueles sobre os quais, em Nome de Cristo, conferirás o dom das Ordens Sagradas?

B.E. Quero.

Cons.

Queres manter-te sempre pronto a servir em Nome de Cristo a todos os homens, tanto quanto te for possível, lembrando-te de que o mais nobre título de um Bispo é "Servo dos servos de Deus"? B.E. Quero.

x

A Ciência dos Sacramentos

Con.

Queres, por amor ao Nome do Senhor, buscar ser sempre gentil e terno para com os aflitos e para com aqueles que sofrem necessidade? B.E. Quero.

Con.

Queres sempre lembrar-te de que deves ser um pai para o teu povo e, acima de tudo, demonstrar amor aos pequeninos do teu rebanho, recordando como Cristo falou: "Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus"? B.E. Quero.

Con.

O Senhor te guarde nestas coisas, bem-amado irmão, e te fortaleça em toda bondade.

R. Amém. O Consagrador continua: Crês tu, segundo a medida do teu entendimento e as forças da tua mente, na Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, de Quem, por Quem e em Quem são todas as coisas nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, corporais e espirituais? B.E. Creio. Con.

O Senhor aumente em ti esta fé, bem-amado irmão em Cristo, para que possas conduzir o teu rebanho ao conhecimento da Sabedoria Divina.

R. Amém.

No rito romano, muitas outras perguntas são feitas a respeito da crença, e em algumas delas a redação é tão grosseiramente material que dificilmente seria possível a alguém que compreende a verdade respondê-las afirmativamente.

Poder-se-ia pensar que, por deixarmos as nossas congregações inteiramente livres em matéria de fé, seria inconsistente exigir mesmo isto dos nossos bispos.

Mas, embora não consideremos que a ignorância ou qualquer forma de crença ou descrença honesta deva desqualificar um homem de receber a ajuda dada por Cristo nos Sacramentos, sentimos que aqueles a quem confiamos a sua administração devem ter tal conhecimento que

Ordens Sagradas B

os capacite a dar uma explicação razoável do grande Plano divino, tanto quanto atualmente nos é conhecido; e, portanto, estamos dispostos a reter assim tanto do antigo catecismo.

Outra razão é que, como um bispo tem de lidar tão fundamentalmente em seu trabalho com o poder da Santíssima Trindade, uma grande medida de crença e de compreensão é eminentemente desejável.

Mas declinamos inteiramente de anatematizar aqueles que não concordam conosco, e na forma romana espera-se que um bispo o faça.

O consagrador e o bispo eleito assumem agora as vestes eucarísticas, e o consagrador inicia a Celebração como de costume.

Após ter pronunciado a absolvição, o bispo eleito, escoltado pelos bispos assistentes, dirige-se a um altar lateral que foi montado dentro do santuário, e desse ponto recita a Eucaristia juntamente com o consagrador.

Após o Gradual ter sido cantado, o consagrador senta-se num faldistório diante do altar-mor.

O bispo eleito é trazido perante ele, e ele assim lhe dirige a palavra: Pertence a um bispo consagrar, ordenar, oferecer sacrifício, ungir, abençoar, desligar e ligar, batizar e confirmar, presidir, interpretar e julgar.

Então a ladainha de ordenação é cantada, tal como para o sacerdote ou diácono, estando o bispo eleito prostrado, e os três bispos levantando-se e abençoando-o juntamente nos versículos designados.

Após isso, um livro aberto dos evangelhos é colocado sobre o pescoço e os ombros do bispo eleito, enquanto este se ajoelha, e é ali sustentado por um dos clérigos, enquanto o consagrador e seus assistentes, com as mãos estendidas sobre ele, recitam a seguinte forma da oração que sempre precede a ordenação propriamente dita nas Ordens Maiores, embora sua redação seja variada para se adequar ao grau que está prestes a ser conferido.

Ó Senhor Cristo, Fonte de toda bondade, Que pela operação do Espírito Santo estabeleceste diversas Ordens em Tua Igreja, e para seu maior enriquecimento e aperfeiçoamento derramas abundantemente Teus dons sobre os homens, fazendo alguns sobressaírem em sabedoria, outros em devoção e ainda outros serem bem habilitados na ação, derrama sobre este Teu servo da plenitude do Espírito Santo, para que na dignidade pontifical à qual estamos prestes a elevá-lo ele resplandeça com toda sorte de virtude celestial, ó grande Pastor e Bispo das almas dos homens, a Quem sejam louvor e adoração dos homens e da hoste angélica.

R. Amém.

Todos então se ajoelham, e o Veni Creator é cantado.

Quando termina, o consagrador e os bispos assistentes se levantam, mas a congregação permanece ajoelhada.

O consagrador e os bispos assistentes, ainda usando suas mitras e tendo seus báculos segurados atrás deles pelos capelães, simultânea e solenemente impõem ambas as mãos sobre a cabeça do bispo eleito (Estampa 16), todos dizendo lenta e distintamente: Recebei o Espírito Santo para o ofício e obra de um bispo na Igreja de Deus.

Excetuando-se apenas o Hoc est Corpus Meum, estas são as palavras mais solenes proferidas na Liturgia, e a efusão de força divina que elas evocam é tremenda e indescritível.

Referindo-nos mais uma vez ao Diagrama 11, Fig. 7, elas elevam a linha perpendicular à direita até 4, e ampliam enormemente os canais que conectam 6 e 7 com os princípios correspondentes no próprio Senhor Cristo.

O Bispo é assim ligado através do Espírito Santo diretamente com o Espírito Tríplice de nosso Senhor, de modo que a bênção daquele nível flui através dele, pois esses três Aspectos são verdadeiramente um; e é por isso que ele assinala o povo com uma cruz tripla, em vez de apenas uma, como faz o sacerdote.

O sacerdote faz descer sua bênção pela linha diagonal 2, 5, 7 através de seus próprios princípios, e a emite através de seu corpo causal; o bispo, sendo mais plenamente desenvolvido, pode deixar o poder brilhar mais imediatamente e, portanto, muito mais fortemente.

Na consagração do bispo, uma linha inteiramente nova também é aberta, ligando seu princípio intuicional (5) diretamente ao de nosso Senhor, dando-lhe assim a potencialidade de um desenvolvimento muito além de nossa imaginação.

É esta maravilhosa força crística que lhe permite transmitir seu poder a outros.

É digno de nota que há um progresso constante, por assim dizer, nos sinais externos da ordenação.

Na confirmação e nas Ordens menores, o bispo impõe uma mão sobre a cabeça do candidato, segurando seu báculo.

O mesmo ocorre quando ordena um subdiácono ou um diácono, mas quando ordena um sacerdote, ele abandona o báculo e impõe ambas as mãos sobre a cabeça do sacerdote.

Um bispo ordena o sacerdote; se houver outros bispos e sacerdotes presentes, eles impõem as mãos sobre a cabeça do recém-ordenado sacerdote sucessivamente, porque cada um tem, ou deveria ter, algo a dar, algo a contribuir para tornar essa ordenação mais plena.

Alguns desses sacerdotes e bispos pertencem a diferentes Raios, e assim cada um tem algo especial, algo próprio para dar ao sacerdote que foi recentemente aberto e está em condição de receber tal influência.

Quando chegamos ao estágio mais elevado nas Ordens conferidas pelo Cristo, o maior poder possível converge, de modo que para a consagração de um bispo todos os bispos presentes agem simultaneamente e todos dizem as palavras, enquanto na ordenação de um sacerdote apenas um profere a fórmula, e os outros contribuem com o que podem depois.

Tenha certeza de que nesses serviços cada detalhe tem seu significado.

Após uma pausa, com as mãos agora estendidas sobre o novo bispo, o consagrador continua com a seguinte oração, os bispos assistentes também estendendo as mãos e, como já indicado, acompanhando-o em voz baixa: Ó Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, Trindade santíssima e adorável, Que eras e és e hás de vir, assim como agora concedeste a este Teu servo do Teu sagrado poder, e Te dignaste consagrá-lo como Teu representante e mestre de Teu povo, abrimos, Te pedimos, seu coração e mente à Tua graça celestial, para que ele maneje sabiamente o que recebeu e, sendo sempre lembrado de Ti, exerça seu sagrado poder para a honra e glória do Teu santo Nome. Cumpre em Teu Bispo escolhido a perfeição do Teu serviço e, tendo-lhe confiado a suprema dignidade, santifica-o com a unção do alto.

Isto ocupa o lugar da oração romana para que Deus derrame sobre o bispo recém-consagrado Sua bênção fortalecedora, e desempenha um papel importante na obra, pois abre o caminho para os veículos mental e astral para a influência do surpreendente desenvolvimento que acaba de se tornar possível para o princípio intuicional.

Enquanto todos os poderes espirituais de um bispo são conferidos simultaneamente na prolação das palavras das Ordens Sagradas

poder, seria extremamente difícil colocá-los em operação prática sem os auxílios que são dados por esta abertura e pela unção da cabeça e das mãos.

A Igreja Anglicana perde muito, e torna o trabalho dos seus prelados mais árduo e menos prontamente eficaz ao reduzir tudo isto.

Ela de fato, até certo ponto, supre o lugar desta oração inserindo, logo antes da bênção final, uma petição por bênção celestial; mas seria muito mais eficiente em seu devido lugar.

Ela também alonga consideravelmente a fórmula real de consagração, que com ela é a seguinte: Recebei o Espírito Santo, para o Ofício e Obra de Bispo na Igreja de Deus, agora confiado a vós pela Imposição de nossas mãos; Em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

Amém.

E lembrai-vos de que aviveis a graça de Deus que vos é dada por esta Imposição de nossas mãos; pois Deus não nos deu o espírito de temor, mas de poder, e de amor, e de moderação.

Ver-se-á quão determinado é o esforço aqui feito para impressionar sobre o bispo eleito a realidade do poder conferido a ele pela ação ordenada por Cristo — uma impressão ainda mais fortalecida pela invocação do Nome da Santíssima Trindade.

A exortação a "avivar a graça" é peculiar, mas mostra que mesmo os chamados reformadores tiveram um vislumbre da grande verdade de que todo poder dado do alto cresce precisamente na proporção em que é usado.

É esta sentença que, neste rito mutilado, faz tanto quanto pode o trabalho de abrir, dispor e conectar que, em esquemas mais científicos, é alcançado pelas unções.

A Ciência dos Sacramentos

Retomando a consideração do nosso próprio ritual, o consagrador agora toma seu assento e assume sua mitra.

A cabeça do bispo recém-feito é então envolvida com um longo pano, e o consagrador com seu polegar unge a cabeça com o santo crisma, primeiro na forma de uma cruz sobre todo o topo da cabeça, depois com uma série de círculos que se estendem até que tudo seja coberto com o óleo sagrado.

Ele diz: Que a vossa cabeça seja ungida e consagrada com a bênção celestial na Ordem pontifical, para que o poder que recebeis do alto flua de vós em abundância e glória cada vez maiores.

Em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

Esta unção da cabeça é um item importante na cerimônia, pois o crisma é especialmente o veículo do Fogo divino.

Nos níveis inferiores, é uma poderosa influência purificadora, e nos superiores dá força e clareza.

Embora seja aplicada aqui no mundo físico, seus efeitos se estendem muito acima, para reinos invisíveis.

A alma se espelha na personalidade, e essa reflexão, como muitas outras, é de cabeça para baixo.

A mente superior ou intelecto é refletida na mente inferior, a intuição no corpo emocional ou astral, e o próprio espírito, aqui embaixo, no veículo físico.

Ordinariamente, o espírito tríplice está tão amplamente separado do homem como o conhecemos que não há resultado aparente dessa reflexão; mas como no bispo esse espírito tríplice tem a oportunidade de despertar, a aplicação do crisma à cabeça intensifica o poder da reflexão e faz o espírito tríplice brilhar mais maravilhosamente, além de desobstruir o caminho até o cérebro físico para o fluxo das novas forças.

Ordens Sagradas

O centro de força no topo da cabeça (chamado pelos estudantes indianos de física superior de *brahmarandra chakram*, e referido no batismo como o portal através do qual o homem entra e sai) é na maioria dos homens um vórtice que produz uma pequena depressão em forma de pires, assim como os outros centros no corpo humano.

Eles assumem essa forma porque a força flui constantemente para o homem físico através deles, a partir de planos superiores; mas no grande santo, a força que ele mesmo gera flui constantemente para fora através desse centro, para a ajuda do mundo, e assim o vórtice, girando mais rapidamente do que nunca, torna-se um cone em vez de uma depressão, e é frequentemente visto em estátuas do Senhor Buda como uma projeção distinta no topo da cabeça.

Manifestamente, é intenção que o bispo se junte a esse tipo mais avançado de almas, pois a ação do crisma tende fortemente na direção desse desenvolvimento.

Se ele entende seu ofício e usa suas oportunidades, todo bispo deveria ser um verdadeiro sol radiante, um farol em meio ao mar tempestuoso da vida, uma bateria carregada de poder quase ilimitado para o bem, de modo que possa ser uma fonte de força, de amor e de paz, e sua mera presença possa ser em si uma bênção.

Após essa unção, o consagrador se levanta e, estendendo novamente as mãos, diz: "Tu Que és sabedoria, força e beleza, manifesta Tua glória neste Teu servo."

Que Tua sabedoria habite em sua mente e ilumine seu entendimento, para que em juízo seja verdadeiro e sábio conselheiro para o seu povo, discernindo em todo conhecimento espiritual.

Que ele seja forte e de bom ânimo, sustentando seu povo na hora das trevas e do desânimo, uma torre de força para aqueles que vacilam no caminho.

Que a beleza da santidade resplandeça em sua conversação e em suas ações.

Enche-o, ó Senhor, de reverência, e faze-o devoto e constante em Teu serviço.

Que a gentileza adorne sua vida, para que ele conquiste os corações dos homens e os abra à luz do Espírito Santo.

Acima de tudo, que ele seja tão cheio de Teu amor que possa tocar os corações dos homens com o fogo do céu e trazê-los das trevas da ignorância para Tua maravilhosa Luz: Tu que vives e reinas, ó Trindade de Poder e Sabedoria e Amor, um só Deus santo por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.

O Consagrador agora unge as mãos do novo bispo com o santo crisma.

Ele diz: Que estas mãos sejam consagradas e santificadas para a obra da Ordem Pontifical por esta unção com o santo crisma de santificação.

Em Nome do † Pai, e do † Filho, e do Espírito Santo.

R. Amém.

Esta unção das mãos com crisma dispõe o mecanismo para a distribuição dos três tipos de força (procedentes, se levarmos nossa investigação suficientemente longe até a luz da glória inefável, dos Três Aspectos ou Pessoas da sempre bendita Trindade) que fluem através do bispo em virtude do dom do Espírito Santo em sua consagração.

Por essa razão, a tripla cruz é feita sobre ele.

Então o consagrador faz o sinal da cruz primeiro sobre o coração do bispo recém-consagrado, depois sobre suas mãos, dizendo: Que tu abundes com a plenitude da bênção espiritual, de modo que tudo o que † abençoares seja abençoado, e tudo o que santificares seja santificado, e que a imposição desta mão consagrada possa valer para a salvaguarda espiritual de Teu povo: em Nome de nosso Senhor Cristo.

R. Amém.

Ele então une as mãos consagradas e as amarra com uma faixa de linho.

O sinal de poder feito às palavras "a plenitude da bênção espiritual" abre plenamente a linha direta de conexão entre a intuição e o corpo emocional ou astral, de modo que, se e quando essa intuição for desenvolvida, ela possa irromper de uma só vez naquilo que se destina a ser sua expressão na vida física.

O homem não evoluído é guiado quase inteiramente por seus sentimentos e emoções; e, com frequência, estes podem ser meros impulsos, nascidos do preconceito ou de ideias equivocadas.

Mais tarde, a mente inferior se desdobra, e o homem começa a refrear seus impulsos pelo raciocínio, que, no entanto, é muitas vezes estreito e baseado em premissas falsas.

Nesse estágio, ele é frequentemente um livre-pensador raivoso, negando ruidosamente a existência de qualquer coisa que, com suas faculdades muito limitadas, não possa sentir, ver ou compreender.

Gradualmente, a mente superior surge e o capacita a ter uma visão mais ampla e sensata, a perceber que deve confrontar suas pequenas experiências pessoais com as dos outros, e que o limite estreito de sua compreensão não é necessariamente a fronteira do universo.

Assim, ele aprende a subordinar observações isoladas a leis gerais e a ponderar as conclusões antes de aceitá-las.

Muito lentamente, ele aprende que, acima e além do acervo de conhecimento obtido pela vasta experiência, existe uma sabedoria que conhece a verdade por instinto, que distingue infalível e instantaneamente o fato do erro; e a essa faculdade interior damos o nome de intuição.

Seu verdadeiro habitat é aquele plano superior que nomeamos a partir dela — aquele a que, nas terras orientais, se dá o título de búdico ou iluminado; mas aqui embaixo, no mundo exterior, ela se manifesta através do corpo emocional como sentimento instintivo.

Pouco a pouco, passo a passo, ela desponta na consciência do homem, e, até que ele possa reconhecê-la com certeza, sabiamente ele teme confiar nela; contudo, quantas vezes não nos aconteceu a todos nós raciocinar até nos afastarmos da obediência a algum sentimento instintivo e, depois, lamentar amargamente termos negligenciado o aviso! A intuição existe — que ninguém duvide disso; mas nem todos nós ainda somos suficientemente desenvolvidos para ter certeza de reconhecê-la instantaneamente quando ela irrompe sobre nós; e os perigos decorrentes de confundir impulso com intuição são tão sérios que fazemos bem em ser cautelosos.

A obtenção da intuição confiável na vida diária significa a abertura desse canal direto entre os veículos intuicional e emocional; e esse é exatamente o resultado que o sinal de poder sobre o coração do recém-consagrado bispo se destina a produzir.

Quando o elo é assim posto em operação, cabe ao próprio bispo desenvolver a faculdade fazendo uso dela. O sinal feito sobre o coração não é de modo algum meramente simbólico, pois é através desse centro, e não através da mente, que a intuição atua; e o sinal feito sobre as mãos às palavras "que tudo o que abençoares seja abençoado" organiza o mecanismo para a distribuição dessa maravilhosa força crística que flui através do bispo como resultado do elo estabelecido entre a sua intuição e a do seu Mestre.

Segue-se então a bênção pelo consagrador do báculo, da cruz peitoral e do anel, e imediatamente depois a entrega ao novo bispo desses objetos, que podem muito verdadeiramente ser chamados as ferramentas de trabalho do sublime grau que lhe foi conferido.

Tomando o báculo em suas mãos, o consagrador diz: "Eterno Deus Trino, diante de cujo grande trono branco sete Espíritos flamejantes estão, os quais, no entanto, Tu envias por todo o mundo, derrama sobre este cajado o Teu fogo setenário, para que ele seja uma vara de poder para o governo e fortalecimento da Tua Igreja.

Por Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

Explicarei em um capítulo posterior a disposição das sete joias na pedra do altar e sua ligação especial com as Cabeças terrenas dos sete Raios, que são, por sua vez, os representantes do nosso planeta dos sete Espíritos que, embora estejam sempre diante do trono de Deus, permeiam todo o sistema solar.

Um plano semelhante é adotado com relação ao báculo do bispo e à sua cruz peitoral.

A ligação das joias com os vice-gerentes dos grandes Espíritos é feita anualmente pelo bispo na festa de São Miguel e Todos os Anjos; portanto, o objetivo desta oração não é fazer essa ligação, mas oferecer este báculo como um canal para o poder divino e invocar a bênção divina sobre ele. A referência à Vara do Poder será apreciada pelo estudante mais profundo do lado interno da vida; entre os místicos orientais, ela é às vezes chamada de dorje.

O consagrador toma agora a cruz peitoral entre as mãos e diz: Deus Todo-Poderoso, que por Tua santíssima vontade Te ofereceste como sacrifício por todo o mundo, e que por essa Tua limitação santificaste o sinal da cruz e o fizeste para sempre Teu, que os sete Raios de Tua inefável glória resplandeçam através deste sagrado símbolo, para que esta santa cruz seja sempre um sol radiante para aquele que a usa, e uma fonte de luz e bênção para todo o Teu fiel povo, ó Tu, que reinas desde a cruz para sempre.

R. Amém.

Isto, novamente, como a oração anterior, oferece a cruz como um canal para poderosas forças cósmicas; e todos os que possuem a visão interior reconhecerão a propriedade de descrevê-la como um sol radiante, pois é exatamente essa a aparência que ela lhes apresenta.

Cada joia fulgura com sua própria cor especial, e contudo elas se fundem em um todo maravilhoso e harmonioso, e certamente o sagrado símbolo emana uma influência poderosíssima e contínua não apenas sobre o usuário, mas sobre todos os que entram em contato com ele.

O fato de a cruz tipificar o Sacrifício envolvido na descida da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade à matéria, a fim de que nós e todos os mundos possamos existir, torna o símbolo ainda mais adequado como veículo através do qual Sua graça possa brilhar sobre o mundo que deve a sua própria existência àquilo que a cruz significa.

O consagrador deixa de lado a cruz peitoral e toma o anel entre as mãos da mesma maneira, dizendo: Ó Cristo, puro Senhor do Amor, a Quem as hostes angélicas obedecem, toca Tu com sagrado fogo este anel que em Teu Nome nós + abençoamos, para que aquele que o usar sempre manifeste Teu amor e pureza, e todos os que o tocarem conheçam Tua graça curativa, R. Amém.

Ver-se-á que esta oração difere em caráter das que a precedem. Não é mais um apelo à Divindade para reconhecer uma conexão já estabelecida, mas uma petição ao Instrutor do Mundo para aceitar o anel como um centro de radiação para o fogo de Seu maravilhoso amor.

Este anel, assim magnetizado,

Vermelho                                                                                           obs                                                                                           ay                                                                                           yt                              Ordens Sagradas

torna-se o mais poderoso dos talismãs, através do qual a bênção especial do Cristo está sempre fluindo sem a intervenção do bispo, embora ele seja capaz de concentrá-la e dirigi-la pelo esforço de sua vontade.

Isto é explicado mais detalhadamente na Parte III, que trata dos instrumentos dos sacramentos.

Todos estes instrumentos estando agora devidamente preparados, o consagrador os apresenta um a um ao novo bispo.

Primeiro o báculo, que o recipiente deve segurar entre as pontas dos dedos, pois suas mãos ainda estão atadas pela faixa de linho.

O consagrador diz: Recebe este cajado, e exerce teu poder com cuidado como pastor do rebanho de Cristo.

Pela virtude do fogo setenário de Deus, o Espírito Santo, sê tu tudo para todos os homens; dando mais força aos fortes, porém mostrando gentileza aos fracos; cheio de sabedoria para os sábios, e para os devotos cheio de profunda devoção.

Porém, assim como as sete cores flamejantes do arco-íris formam um único raio branco e puro, assim também teu poder setenário será todo o único grande poder do amor.

O consagrador agora suspende a cruz ao redor do pescoço do novo bispo, dizendo: Recebe esta cruz, lembrando que somente pelo perfeito sacrifício da natureza inferior à superior poderás te tornar apto a carregá-la dignamente.

Vai adiante no poder da cruz, e que a luz setenária do Espírito Santo brilhe através de ti de tal modo que possas conquistar outros para a beleza do sacrifício.

Ele coloca o anel no dedo anelar da mão direita do recém-consagrado bispo, dizendo: Recebe este anel em sinal do vínculo que te liga ao nosso Senhor, como símbolo de teu ofício como Seu legado para teu povo.

Em Seu santíssimo Nome, sê tu um curador das almas dos homens, um canal de Seu amor.

A Ciência dos Sacramentos

Então, entregando-lhe o Livro dos Evangelhos, fechado, que havia sido anteriormente mantido sobre seus ombros, ele diz: Recebe o Livro dos Evangelhos, e sê tu um mestre da Divina Sabedoria para o povo a ti confiado.

O consagrador; e após ele os bispos assistentes, dão a saudação da paz ao bispo recém-consagrado, cujas mãos são então desatadas.

Tanto ele quanto o consagrador lavam então as mãos.

O novo bispo e os bispos assistentes retiram-se para o altar lateral.

O Evangelho é lido, e o Credo é cantado.

Após o Credo e imediatamente antes de o Ofertório ser lido, o novo bispo apresenta suas oferendas ao consagrador.

Segundo o costume antigo, estas consistem em dois pequenos pães, duas tochas ou velas, e dois barris miniatura de vinho.

Os pães e barris são ornados com as armas do consagrador em um escudo dourado e as do novo bispo em um escudo prateado.

O bispo recém-consagrado, acompanhado por seus bispos assistentes, então se dirige à extremidade sul do altar-mor e diz em voz alta o restante do ofício da Santa Eucaristia com o consagrador, palavra por palavra.

Exceto por uma cláusula especial inserida na oração de consagração, o serviço prossegue até o fim como de costume.

Após a bênção final, o consagrador e o novo bispo vestem a capa pluvial.

O consagrador então se dirige ao faldistório.

A mitra e as luvas do novo bispo são seguradas diante dele, e ele as abençoa.

Os três bispos então colocam a mitra sobre a cabeça do bispo recém-consagrado, dizendo o consagrador:

Ó Santas Ordens

Recebe esta mitra, com a qual te coroo para o serviço daquele nosso amadíssimo Senhor, que, embora seja Deus e Homem, contudo não é dois, mas um só Cristo; e assim como Ele em Si mesmo une indissoluvelmente duas naturezas, possas tu também em ti mesmo unir para sempre os atributos da sabedoria e do amor.

Pode ser de interesse aqui citar a passagem correspondente no ritual romano, pois o simbolismo da mitra ali dado difere do nosso.

Colocamos sobre a cabeça deste Bispo, ó Senhor, o Teu Campeão, o elmo de defesa e salvação, para que, com semblante formoso e com a cabeça armada com os chifres de um e outro Testamento, Ele possa parecer terrível aos contraditores da verdade, e possa tornar-se seu vigoroso assaltante, pelo abundante dom da Tua graça, que fizeste resplandecer o rosto do Teu servo Moisés após familiar conversa Contigo, e o adornaste com os resplandecentes chifres da Tua claridade e da Tua verdade, e ordenaste que a mitra fosse posta sobre a cabeça de Aarão, Teu sumo sacerdote.

Por Cristo, nosso Senhor.

No rito romano, a seguinte oração é dita quando as luvas são colocadas nas mãos do novo bispo.

Cinge, ó Senhor, as mãos deste Teu servo com a pureza do novo Homem, que desceu do Céu; para que, assim como Jacó, Teu amado, cobrindo as mãos com peles de cabritos, e levando a seu pai carne e bebida saborosíssimas, obteve a bênção de Isaque, assim também ele, apresentando com as mãos a Vítima Salvífica, seja achado digno de obter a Tua graciosa bênção.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, Teu Filho, que, na semelhança da carne pecaminosa, a Si mesmo Se ofereceu a Ti, em nosso favor.

R. Amém.

Na Liturgia Liberal nenhuma oração é dita, pondo o consagrador, com o auxílio dos bispos assistentes, as luvas nas mãos do novo bispo.

A Ciência dos Sacramentos, pág. 370

em silêncio.

Feito isto, o consagrador se levanta e diz: Faze, nós Te rogamos, ó Senhor, que se cumpra em Teu servo aquilo que é significado por estes emblemas visíveis, de modo que a virtude que nestas vestes é prefigurada pelo brilho do ouro, pelo fulgor das gemas e pela habilidade do variado bordado, resplandeça continuamente em sua vida e ações.

R. Amém.

Então o novo bispo é solenemente entronizado, conduzindo-o o consagrador pela mão direita, e o bispo assistente mais antigo pela esquerda.

Seu báculo é entregue a ele, e um solene Te Deum é cantado, durante o qual o novo bispo, acompanhado pelos bispos assistentes, percorre a igreja e dá sua bênção ao povo.

Julgamos conveniente modificar alguns dos versículos do Te Deum, pois há frases no original que não sentimos poder recitar com honestidade.

Quando a procissão retorna ao santuário, o novo bispo é sentado no trono ou cátedra, estando o consagrador de pé à sua direita e os bispos assistentes à sua esquerda.

O consagrador volta-se para o povo, dá a Bênção Menor e diz: Ó Deus, Pastor e Governante de todos os fiéis, olhai com benignidade para este vosso servo, que agora se tornou pontífice e governante em vossa Igreja; concedei-lhe, vos pedimos, ó Senhor, que tanto por seu ministério como pela palavra e pelo exemplo, ele possa edificar aqueles sobre os quais está colocado, de modo que, juntamente com o rebanho confiado aos seus cuidados, possa continuamente crescer no conhecimento de vossos mistérios.

Por Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

O consagrador e os bispos assistentes, um de cada lado dele, permanecem ao lado do evangelho do altar.

O novo bispo avança para o meio do altar e dali dá sua solene bênção na forma ordinária.

O bispo recém-consagrado então presta homenagem ao consagrador, segundo a antiga tradição da Igreja.

Ele avança em três etapas até o consagrador, genuflectindo a cada vez e dizendo: Ad multos annos (por muitos anos), recebendo finalmente do consagrador e dos bispos assistentes a saudação da paz.

Concluído isto, a procissão deixa o presbitério.

Embora a rubrica exija a presença de três bispos para consagrar um quarto, isso não é de modo algum necessário para a validade do Sacramento.

Um único bispo é plenamente capaz de transmitir o episcopado e, na história, muitas vezes o fez. Quando três participam da cerimônia, cada um é um canal independente de força; de modo que, mesmo que o consagrador, por algum estranho engano, não fosse um bispo devidamente ordenado, a ação dos outros remediaria a deficiência, e a consagração seria válida.

Os bispos assistentes teriam a intenção de consagrar e teriam a forma de consagração explicitamente em suas mentes; e essa intenção operaria na imposição das mãos, mesmo que não a expressassem vocalmente.

Ainda assim, por segurança, é ordenado que todos os três falem as palavras simultaneamente.

Aqueles do laicato que têm a oportunidade de assistir a alguma das principais Ordenações são pessoas privilegiadas.

É uma grande coisa, uma coisa excelente poder ver a continuação deste esquema que nos foi dado pelo Cristo há centenas de anos.

Pela sua presença, pela sua devoção sincera, os leigos podem ajudar e fortalecer as mãos daqueles que estão transmitindo este dom maravilhoso.

Eles próprios não foram ordenados, portanto não está em seu poder transmitir as Ordens Sagradas; mas está em seu poder sustentar as mãos daqueles que o fazem, e assim dar uma ajuda muito real no que está sendo feito.

Outro ponto é que tal serviço oferece uma magnífica oportunidade àqueles que estão tentando desenvolver a clarividência.

Aqueles que estão começando a ver devem tentar ver tudo o que puderem.

A humanidade está evoluindo, os poderes dos nossos corpos superiores estão se aproximando da superfície; às vezes, alguns de nós conseguem ver um pouco mais do que costumávamos ver.

Há ocasiões em que há muito mais a ser visto do que é visível ao olho físico.

Vale bem a pena para os presentes fazerem um esforço para se colocarem em uma atitude receptiva, na esperança de ver ou sentir algo do que está por trás da forma externa do que é feito.

Haverá maravilhosas efusões de poder visíveis para aqueles que aprenderam a percebê-las — torrentes de luz, clarões de esplêndida cor, grandes Anjos que vieram ajudar.

Muitos podem sentir a sua presença, e há alguns que podem vê-los.

Não há razão para que outros não compartilhem dessa vantagem.

Que se coloquem em uma atitude de simpatia; que tentem ver e sentir.

Algum dia terão sucesso; talvez possa ser em breve.

Essa é uma maneira pela qual nós, o clero, gostamos que os leigos cooperem conosco no trabalho que temos a fazer.

CAPÍTULO V
OS SACRAMENTOS MENORES
SANTO MATRIMÔNIO

Na vida comum do mundo, o casamento de um homem é frequentemente um dos pontos mais importantes, pois com ele se inicia uma seção inteiramente nova dessa vida.

Portanto, nesse ponto a Igreja intervém para dar à sua ação o seu reconhecimento formal e a sua bênção, para iniciá-lo nessa nova seção com o espírito correto, e para dar-lhe a ajuda ao longo do caminho que ele for capaz de receber.

A intenção geral do serviço matrimonial é abrir as naturezas dos noivos um para o outro, especialmente nos níveis astral e mental; e então, tendo feito isso, traçar um círculo ao redor deles, separando-os até certo ponto do resto do mundo.

Do ponto de vista da vida interior, o matrimônio é um tremendo experimento, no qual as partes concordam em fazer certos sacrifícios de liberdade e preferências individuais, na esperança e com a intenção, primeiro, de que através de sua reação mútua cada um intensifique a vida interior do outro, de modo que sua produção conjunta de força espiritual possa ser muito maior do que a soma de seus esforços separados seria; e, segundo, que possam ter o privilégio de fornecer veículos adequados para almas que desejam e merecem uma boa oportunidade de evolução rápida.

Naturalmente, há muitos casos em que esses resultados não são alcançados; é necessária uma cooperação muito real e cuidadosa, e muitas pessoas não são capazes de oferecê-la.

Isso exige um alto padrão; visa nada menos que mantê-los perpetuamente apaixonados um pelo outro, não de maneira tola ou efusiva, mas forte, profunda e verdadeiramente, com senso comum e máximo esquecimento de si.

Não há dúvida de que cada um sacrifica algo; o solteiro pode se derramar igualmente em todas as direções e obter grandes resultados disso; mas os casados, para obterem essa ligação mais íntima, devem focar especialmente um no outro, mesmo que seja feito para proporcionar resultados ainda melhores por esse êxtase de devoção.

Assim como esses dois são unidos e tornados praticamente um só pela incessante consideração mútua e autossacrifício, assim toda a humanidade deveria ser unida; e um dia será. Enquanto isso, o estado conjugal é excelente prática para o homem comum.

O serviço da Igreja para o santo matrimônio é curto e simples.

Começa com uma alocução à congregação, anunciando o desejo do casal de serem unidos em matrimônio, e perguntando se algum dos presentes conhece qualquer razão contra tal união.

Se nenhuma objeção for levantada, o sacerdote pergunta a cada uma das partes, por sua vez, se ele ou ela está plenamente disposto a aceitar o outro; e se ambos responderem afirmativamente, o anel é colocado sobre uma salva de prata, e o sacerdote o asperge com água benta e o abençoa solenemente, imprimindo fortemente sobre ele o pensamento da fé verdadeira e do amor sempre crescente, de modo que se torne um poderoso talismã.

O pai ou tutor da noiva então se adianta, toma-a pela mão direita e formalmente a entrega ao sacerdote, como representante da Igreja de Cristo; o sacerdote imediatamente a entrega ao noivo com as palavras: "Recebe o precioso dom de Deus." Então o noivo repete após o sacerdote a grande e solene obrigação do serviço matrimonial, uma bela forma do tradicional compromisso de fidelidade: Eu te recebo como minha esposa legítima, para ter e manter, deste dia em diante, para o melhor ou para o pior, para o mais rico ou para o mais pobre, na doença e na saúde, para amar, cuidar e honrar, até que a morte nos separe; e para isso, na presença de Deus e no poder e amor de Cristo, nosso Senhor e Mestre, empenho-te minha palavra.

Amém.

E ao final desta solene promessa vem o Amém, significando, como expliquei em capítulo anterior, por parte do noivo um enfático juramento "Pelo Amém, Senhor da Vida, juro que assim será", e por parte da congregação uma fervorosa oração "Assim seja; que o voto seja cumprido." A noiva agora assume a mesma obrigação para com seu marido, e então segue a estranha e antiga cerimônia de dotá-la com o anel consagrado, que é colocado primeiro por um momento no polegar, e depois no primeiro e no segundo dedos, antes de finalmente alcançar seu lugar permanente no terceiro, enquanto o noivo invoca os sagrados Nomes da Santíssima Trindade, e termina com a costumeira afirmação.

Então ele repete outro antigo voto; 376 A Ciência dos Sacramentos Com este anel eu te desposo; meu mais verdadeiro amor eu te empenho; com meu corpo te dou reverência, e com todas as minhas forças te protejo.

Amém.

O sacerdote agora toca as frontes dos noivos com água benta, une suas mãos direitas e, segurando-as juntas com sua própria mão direita, pronuncia a fórmula efetiva que os torna marido e mulher: Eu vos uno em matrimônio em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

Cobrindo suas mãos entrelaçadas com a ponta de sua estola, para significar a proteção da Igreja, ele acrescenta as conhecidas palavras: "O que Deus uniu, não o separe o homem." Então ele se volta para a congregação e faz proclamação pública formal de que o casamento é um ato consumado.

A cerimônia de casamento tem seu lado legal, bem como seu lado eclesiástico; o costume inglês de publicar os banhos por três semanas, a exigência no início do serviço de que qualquer pessoa presente saiba de algum impedimento, e agora este anúncio definitivo ao mundo em geral, são todos evidências claras de seu caráter legal, e nada têm a ver com seu aspecto interno ou sacramental.

Aqui se seguem alguns versículos nos quais o sacerdote invoca para o recém-casado casal bênção, amor, sabedoria e força; e após estes devem vir duas orações por seu futuro — uma para que sempre se lembrem de manter seus votos, e a outra (a ser usada apenas quando apropriado) para que possam receber o "dote de filhos abençoados" mencionado no hino que se segue imediatamente às orações.

Os Sacramentos Menores

A segunda dessas orações tivemos que omitir (embora a tradição seja inteiramente a seu favor) em deferência ao curioso costume moderno de recusar reconhecer a existência dos atos mais óbvios da natureza.

Esta parte do serviço se explica por si mesma; será suficiente citá-la. Ó Deus eterno, Criador e Preservador de toda a humanidade, doador de toda graça espiritual, autor da vida eterna, envia Tua bênção sobre estes Teus servos, este homem e esta mulher, a quem abençoamos em Teu Nome; para que estas pessoas possam certamente cumprir e manter o voto e a aliança entre elas feitos, e possam assim conduzir suas vidas no conhecimento e amor de Ti, que possam habitar juntos em santo amor e paz.

Por Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

Pai das Luzes, em Cuja Mão estão as almas que vêm à terra, abençoa Tu o casamento destes Teus servos com frutífera descendência.

Que suas vidas sejam tão santificadas em Teu serviço que a eles possa ser dado filhos radiantes com Teu poder e glória.

Por Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

Segue-se então o conhecido Hino de Casamento de Keble, no qual, no entanto, fomos compelidos a fazer alterações um tanto extensas para trazê-lo em harmonia com os ideais de nossa Igreja.

'O sacerdote pronuncia esta bênção sobre os noivos.

Deus Todo-Poderoso derrame sobre vós as riquezas de Sua graça, santifique-vos e abençoe-vos, para que O sirvais tanto em corpo como em alma, e vivais juntos em santo amor até o fim de vossas vidas.

R. Amém.

Considera-se apropriado que, seja no momento do casamento, seja logo após, quando for conveniente, os noivos recebam juntos a Santa Comunhão.

Se isso for feito no momento do casamento, o serviço é chamado, segundo o costume romano, de Missa nupcial.

Nela são introduzidas algumas poucas mudanças apropriadas, sobre as quais não precisamos nos deter, pois estão devidamente indicadas em nossa Liturgia e não necessitam de explicação.

Naturalmente, este Sacramento do Matrimônio não é a ocasião de uma vasta efusão geral de força espiritual como aquela que acompanha a Santa Eucaristia, ou as Vésperas e a Bênção Solene.

Mas é de imensa importância para aqueles intimamente envolvidos nele, e seu efeito interior sobre eles pode ser não apenas grande no momento, mas permanente, se estiverem prontos para receber o que ele pode lhes dar.

Às vezes, ambas as partes estão tão autoconscientes, ou tão nervosas e confusas, que pouco bem pode ser feito; mas há aqueles que estão serenos e profundamente sinceros, e quando esse é o caso, o lado interior da cerimônia vale bem a pena ser observado.

Quando o noivo profere a promessa de fidelidade, toda a sua aura brilha e se expande até envolver completamente sua noiva; e quando chega a vez dela, ela o envolve da mesma maneira, e as duas auras grandemente ampliadas permanecem assim interpenetrando-se e, naturalmente, interagindo fortemente.

Nessa esfera dupla mágica entra o anel consagrado, iluminando instantaneamente ambos, e elevando suas vibrações de tal modo que se tornam muito mais sensíveis do que normalmente são.

Enquanto essa condição de consciência expandida e alta receptividade ainda existe, o sacerdote pronuncia a fórmula do casamento; e ao dizer as palavras, uma torrente de luz irrompe dele através das auras combinadas, e por um momento as funde em uma só.

Essa luz e essa unidade maravilhosa persistem durante o restante do serviço, e provavelmente, sob circunstâncias favoráveis, por algum tempo depois.

Então, gradualmente, cada um retorna a algo semelhante à sua forma e condição anteriores; contudo, permanece permanentemente ampliado e modificado, e cada um retém uma especial simpatia vibratória com o outro, de modo que pode ser muito mais facilmente influenciado por ele do que por qualquer outro estímulo externo.

Assim, as partes podem continuar indefinidamente a reagir uma sobre a outra para o bem, se forem capazes de preservar perfeita harmonia.

Uma oportunidade tão grande traz necessariamente consigo sua responsabilidade e seu perigo.

‘A conexão íntima que permite a esses dois ajudarem-se mutuamente torna-os inevitavelmente anormalmente sensíveis à influência e ao sentimento um do outro; de modo que, se permitirem que a desarmonia surja, o vínculo é tão poderoso para o mal ou para a tristeza quanto seria, de outra forma, para o bem ou para a alegria.

Como comecei por dizer, o casamento é um experimento tremendo, e requer tato, abnegação, adaptabilidade e uma fonte inesgotável de amor para torná-lo um sucesso completo.

Um vínculo tão próximo e tão forte não é rompido pela morte física; o poder de influenciar e a suscetibilidade a esse poder não residem no corpo físico, portanto não se perdem quando este é abandonado.

As almas diferem muito nesse aspecto, pois suas naturezas e seus méritos são diferentes; algumas elevam-se rapidamente para fora do contato com a terra, algumas são retidas contra sua vontade por muitos anos na sua vizinhança imediata, e algumas intencionalmente se retêm, a fim de permanecerem mais próximas daqueles que amam.

Sabendo da continuidade do vínculo, a Igreja encara com certa dúvida os segundos casamentos, embora não se recuse a celebrá-los; mas deve haver, pelo menos, um intervalo decente.

O Santo Matrimônio deve ser sempre celebrado antes do meio-dia, pois após essa hora as condições magnéticas são muito menos favoráveis.

ABSOLVIÇÃO
Já expliquei a ação do Sacramento da Absolvição ao escrever sobre seu lugar e valor no curso da Santa Eucaristia (p. 78). Será talvez conveniente, como apêndice a essa explicação, citar algumas sentenças do que está escrito sobre o assunto em nossa Liturgia.

É estritamente proibido ao sacerdote e ao suplicante de absolvição, respectivamente, perguntar e revelar a identidade de outros implicados em qualquer falta confessada.

O suplicante vem confessar suas próprias faltas, não as dos outros.

O sacerdote deve ser tão simpático, natural e humano quanto possível com aqueles que vêm a ele para receber a absolvição.

Crianças abaixo de sete anos não são sujeitos para a confissão, pois é tradição da Igreja que elas não são capazes de pecado sério e responsável.

Acima dessa idade e até que se tornem agentes responsáveis, eles podem, na Igreja Católica Liberal, fazer confissão auricular (salvo em emergência) somente com o consentimento de um ou de outro dos pais. O sacerdote ouve a confissão sem interrupção, a menos que isso seja necessário.

Ele então dá tal conselho que julgar conveniente.

No uso católico liberal, ele não impõe penitência, mas pode sugerir que o suplicante assista à Santa Eucaristia, com o desejo de que o poder que então lhe chega seja usado contra alguma falta particular ou conjunto de faltas.

OS SACRAMENTOS MENORES

SANTA UNÇÃO

Novamente cito de nossa Liturgia: Os propósitos do Sacramento da Santa Unção são: (a) auxiliar na restauração da saúde corporal, (b) preparar o homem para a morte, (c) ao que se pode acrescentar a remissão dos pecados, pois envolve também uma forma de absolvição.

Não obstante a tendência do costume na Igreja Latina, que tem sido limitar a administração deste rito àqueles em grave perigo de morte, é desejável que o rito seja mais geralmente empregado como auxílio à recuperação de qualquer enfermidade grave.

Por essa razão, entre nós é chamado de "Santa Unção" em vez de "Extrema Unção", embora este último nome às vezes se diga originar-se da ideia de que é a última das unções dadas ao cristão comum, precedendo-a as do Batismo e da Confirmação. A Santa Unção não deve ser considerada como tendo, em circunstâncias ordinárias, qualquer efeito quase-milagroso.

Destina-se simplesmente a auxiliar os processos normais da natureza, libertando o corpo de influências inferiores e abrindo-o à influência espiritual.

Há pouca informação confiável a respeito deste Sacramento.

Supõe-se frequentemente que se origine da instrução dada por São Tiago: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor.

E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.

Orai uns pelos outros, para que sejais curados."

A oração eficaz e fervorosa de um homem justo muito pode.” Mas não há, naturalmente, evidência de que a ideia fosse do próprio escritor; é bem possível que, como muitos acreditam, o plano tenha sido sugerido pelo Cristo, e que São 382 A Ciência dos Sacramentos

Tiago estivesse apenas repetindo para o benefício de seus seguidores o que ouvira do Mestre.

Este aspecto curativo do Sacramento parece ter sido negligenciado em anos posteriores, e passou a ser considerado meramente como uma preparação final para a morte.

Provavelmente há alguma confusão aqui com o antigo costume de selar todos os centros de força no corpo de um moribundo, para que entidades indesejáveis não se apoderassem daquele corpo quando o dono o deixasse, e o empregassem para fins de magia maligna.

Isso, sem dúvida, com o tempo transformou-se no atual método romano de ungir os órgãos dos sentidos, e pedir a Deus que perdoasse ao paciente os vários pecados que ele havia cometido por meio deles.

Mas até o século XII, a prática na Igreja Ocidental era, sem dúvida, administrar a Unção livremente a todos os que sofriam de doença grave, sem considerar se havia perigo iminente de morte.

Várias razões conspiraram para limitar seu uso aos moribundos; a Enciclopédia Católica sugere a rapacidade dos sacerdotes, que exigiam um preço despropositado por sua administração, e o surgimento de certas superstições populares de que, se a pessoa ungida se recuperasse, ficaria pelo resto da vida impedida de exercer os direitos do casamento, comer carne, fazer testamento ou andar com os pés descalços.

Não parece improvável que num futuro próximo possamos ver um considerável renascimento do uso deste Sacramento para fins de cura, bem como para ajudar aqueles que estão à beira da morte.

Para estes últimos, a recepção da Santa Comunhão sempre foi considerada altamente desejável quando é Os Sacramentos Menores

de todo possível, e esta administração final é chamada de viático, ou provisão para a jornada.

A Unção pode muito bem ser empregada na cura de doenças etéricas.

A maioria das doenças é complicada por afecções nervosas, e é provável que tais possam ser ajudadas pela unção com óleo consagrado.

O Sacramento é calculado para ajudar e curar o homem se possível, mas se ele deve deixar seu corpo físico, torna a partida fácil e simples para ele.

Quando um homem está visivelmente morrendo, é conveniente que a Igreja o despeça com sua bênção, dando-lhe um impulso final para o bem através do viático, e então selando os centros para que nenhum uso indesejável possa ser feito do cadáver, seja pelo próprio homem ou por outros.

Pois houve casos em que homens mal instruídos e aterrorizados fizeram esforços frenéticos para reentrar em seus corpos após a morte; e o sucesso em tal tentativa levaria a condições tão antinaturais e prejudiciais que é sábio torná-la impossível.

Há uma vasta e interessantíssima literatura sobre o assunto da vida após a morte; mas este não é o lugar para considerá-la.

CAPÍTULO VI
O EDIFÍCIO DA IGREJA

Nos primeiros dias do cristianismo, as igrejas eram invariavelmente erguidas na forma de basílica, imitando os edifícios públicos da época.

A basílica não era muito diferente da igreja média de hoje, pois consistia em um salão oblongo correspondendo à nossa nave, e corredores com galerias, separados da nave por fileiras de pilares.

Na extremidade leste havia uma pequena abside semicircular, na qual os magistrados se sentavam quando o edifício era usado como tribunal de justiça.

Esta era dividida do corpo do salão por uma tela de treliça, a progenitora de nossa moderna tela de coro.

Na Igreja Grega, isso se desenvolveu em uma imponente parede de madeira, ricamente pintada, que impede inteiramente a congregação de ver o altar, exceto quando as portas do coro são abertas em certas partes do serviço.

Em algumas de nossas catedrais inglesas, a barreira é igualmente formidável, mas na maioria das igrejas modernas ela se reduziu ao gradil do presbitério, no qual a congregação se ajoelha para receber a Santa Comunhão.

Na época medieval, surgiu a ideia da igreja cruciforme, e um grande número ainda é construído nessa forma por causa do simbolismo.

Não é um bom plano para fins práticos, pois se a igreja for de qualquer tamanho, as pessoas na extremidade inferior da nave estão longe demais do altar, e a maioria daquelas nos transeptos não pode nem ver nem ouvir.

Um a-                                      Edifício da Igreja

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17. Biblioteca.

:  2. Patamar.

Ae Assentos para pessoas.

18. Laterais  3. Santuário.

- Raios de cruzes.

{. Santuário                     &Capela  Fe Assentos para o clero                            2. Corredores.

20. Púlpito.

- Púlpito.

13. Vestíbulo.

214. Abóbada.

16. Degraus     .                                14. Guarda-roupas.

22. Depósito,  ie Comungatório.

Grade                          1o. Salas de descanso.

23. Sala de aula.

8. Órgão.

16,.Sala dos sacerdotes.2                                               24. Batistério.

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DIAGRAMA               12.—Planta Baixa                                     de              uma                Igreja Ideal.

As vantagens         deste                     plano                     são                     que             o             altar          pode          ser   visto de todas as partes da igreja; que o celebrante está próximo das pessoas; que o coro está voltado para o leste e, portanto, lidera as pessoas no canto; que os corredores são convenientemente dispostos, simbolicamente traçados, e permitem que as procissões passem efetivamente entre as pessoas; e que uma igreja quadrada ajuda a formar um edifício eucarístico agradável.

Zz 386         A Ciência dos Sacramentos

tentativa de melhorar sua posição foi feita pela invenção do hagioscópio—uma abertura nos cantos das paredes da torre entre os transeptos e o presbitério; mas foi apenas um remédio muito parcial.

Os pontos importantes são que cada membro da congregação deve ser capaz de ver o celebrante, e que todos devem ouvir o que é dito.

Estes são exatamente os requisitos também em um teatro, e penso que, ao planejar nossa igreja ideal, faríamos bem em aproveitar a experiência dos arquitetos teatrais.

Nosso edifício deve certamente ser elevado, e sinto que, quando pudermos fazê-lo, é melhor dispensar as galerias, embora reconheça que elas são inevitáveis onde for necessário acomodar uma grande congregação em um terreno comparativamente pequeno.

Adequados sistemas de ventilação, aquecimento e iluminação também são imperativos.

O Reverendíssimo

Irving S. Cooper, Bispo Regional de nossa Igreja Católica Liberal nos Estados Unidos da América, submeteu-me um plano para um edifício destinado à nossa própria forma de culto que me parece ter muito a recomendá-lo. Reproduzo-o aqui, com sua explicação. (Diagrama 12.) Qualquer que seja a forma que assuma, quando for construída, nossa igreja deve ser consagrada.

O serviço usado para esse fim será encontrado em nossa Liturgia.

A alocução com que se inicia explicará seus objetivos e método.

É o costume imemorial da Santa Igreja consagrar o edifício em que seus serviços serão permanentemente realizados; e é para esse fim que nos reunimos hoje.

Nosso primeiro passo nesta cerimônia é procurar purificar a atmosfera mental do edifício mediante o uso de água benta e de incenso, para que o pensamento e a influência mundanos sejam banidos dela, e nossos pensamentos durante nossa primeira procissão devem ser dedicados a esse fim.

Tendo realizado o ritual de purificação, invocamos a Deus Todo-Poderoso para consagrar e santificar todas as suas diversas partes aos propósitos em Seu serviço aos quais são destinadas, e para esse fim ungimos com óleo santo certos centros especiais de influência.

Nessa segunda procissão de consagração, nossas mentes devem estar firmemente fixadas na ideia de que esta igreja será não apenas um lugar livre de pensamento egoísta ou mundano, mas definitivamente um centro ativo de pensamento bom e santo — não meramente livre do mal, mas ativamente boa.

Quando este grande ato de consagração tiver sido devidamente realizado, começamos imediatamente nosso primeiro Serviço — o mais elevado e santo Serviço que conhecemos — a Santa Eucaristia que o próprio Cristo ordenou.

No curso desta celebração, a terceira procissão terá lugar, e a Sagrada Hóstia será levada ao redor da Igreja como uma bênção culminante.

Durante esse tempo, nossos corações devem estar repletos da mais profunda adoração ao nosso Senhor e da mais sincera gratidão por Seu maravilhoso amor.

Lembrai-vos, então, destas três notas-chave das diferentes partes do Serviço — primeiramente purificação, em segundo lugar consagração, e em terceiro lugar adoração e gratidão.

A primeira seção do serviço começa com uma oração para que o edifício seja tão purificado pela influência do Espírito Santo que nenhum pensamento maligno possa ali entrar.

Para esse fim, o bispo toma o aspersório e, de pé diante do altar, asperge-o três vezes com água benta; então ele se move ao redor do altar, aspergindo-o continuamente, e depois disso volta-se para o povo e os asperge.

Em seguida, forma-se uma procissão, que marcha toda ao redor, junto às paredes da igreja, enquanto o bispo as asperge abundantemente com a água benta.

Enquanto isso, um hino é cantado — geralmente "Avante, Soldados Cristãos". Terminada a purificação, a consagração começa com uma bela oração adaptada da Liturgia Irvingita.

Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, aceitai, santificai e abençoai este lugar para o fim ao qual o separamos, isto é, para ser um santuário do Altíssimo e uma igreja do Deus Vivo.

Que o Senhor, com Seu favor, considere graciosamente a nossa obra, e envie Sua bênção espiritual e graça, para que seja para Ele a casa de Deus, e para o Seu povo que ali adora, a porta do céu.

R. Amém.

O bispo então vai ao altar e, com crisma, faz o sinal da cruz sobre cada uma das cinco cruzes esculpidas na pedra do altar.

Ele então unge com crisma a cruz sobre o tabernáculo e a cruz do altar, e diz: Ó Deus, cuja sabedoria poderosa e suavemente ordena todas as coisas, olhai, Vos pedimos, para a obra de Vossos servos, e enchei esta casa com sabedoria celestial, para que aqueles que Vos servem aqui sejam tão cheios do Espírito de sabedoria e amor que possam constantemente laborar para elevar Vosso povo das trevas da ignorância à luz de Vossa santa verdade.

Portanto, nós consagramos e santificamos este altar para a glória de Deus, para o aperfeiçoamento da humanidade, e em honra de "Seu glorioso Mártir, o santo St... Em Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

BR. Amém.

Quando isso é concluído, o altar é vestido, o cálice e a patena são dispostos sobre ele como de costume, e as velas são acesas; e o bispo então o incensa da maneira usual.

Uma procissão é formada, e isto variará de acordo com a dedicação da Igreja, Edifício da Igreja

novamente marcha por toda a igreja, cantando o hino "Cidade bendita, Salém celestial," e parando em cada uma das cruzes—ou em lugar das horríveis imagens chamadas Estações da Cruz que desfiguram as igrejas romanas, colocamos em nossas paredes cruzes para representar os sete Raios, levando assim adiante uma ideia que explicarei plenamente ao escrever sobre a pedra do altar.

Nós as dispomos para corresponder tanto quanto possível às joias inseridas nesta última.

A cruz na porta do sacrário é tomada como a do segundo Raio; a do primeiro Raio é erguida o mais próximo possível do centro da igreja; a que representa o quarto é colocada no sudeste, e a do quinto no sudoeste; a do sétimo no oeste, a do sexto no noroeste, e a do terceiro no nordeste (Diagrama 8). Cada uma tem gravado sobre si o símbolo de seu Raio, e uma minúscula partícula de sua gema apropriada está embutida nela. Quando, como às vezes acontece, um edifício já existente tem de ser adaptado ao nosso uso, a orientação da igreja pode ser imprecisa; nesse caso, a posição relativa dessas cruzes deve ser mantida, embora os pontos cardeais possam ter de ser variados.

É lamentável quando o altar não está situado no leste, pois impõe dificuldades adicionais aos auxiliares angélicos no trabalho que realizam em nossos serviços.

Quando a igreja é devidamente orientada, eles utilizam as correntes etéricas que fluem sempre sobre a superfície da terra em ângulos retos umas em relação às outras—norte e sul, e leste e oeste; mas quando a igreja está desalinhada, eles têm de conduzir suas linhas de força através das correntes terrestres em todos os tipos de ângulos estranhos.

A Ciência dos Sacramentos

Pode ser feito, é claro, mas exige muito mais esforço; é como nadar contra a maré.

Ao ungir a cruz do quarto Raio no canto sudeste, o bispo diz: Ó Tu, cuja beleza resplandece através de todo o universo, concede que, assim como neste Teu santuário buscamos espelhar as belezas de Tua glória celestial, possamos continuamente irradiar nossas vidas com a luz de Tua Presença interior.

Em cada cruz, a oração conclui com as palavras "Portanto, consagramos e santificamos, etc.", exatamente como foram ditas no altar.

Na cruz do quinto Raio, ele diz: Ó Tu, grande Mestre-Construtor, que lançaste os fundamentos do universo em ordem e simetria, concede que Teu povo possa moldar e polir o material bruto de suas naturezas, para que sejam encontrados justos e precisos aos Teus olhos.

Na cruz do sétimo Raio, no oeste: Ó Deus, Rei dos Anjos, Governante de todas as hostes do céu, nós Te louvamos pela ajuda que estes Teus radiantes servos tão alegremente nos prestam; que possamos encontrar força para desdobrar dentro de nós tal coragem, tal sabedoria e tal pureza que sejamos considerados dignos de ser colaboradores com eles em Teu gloriosíssimo serviço.

Na cruz do sexto Raio: Ó Cristo, Senhor do Amor, depositamos nossos corações sobre Teu altar; nesta Tua casa de louvor, que a fervorosa adoração de Teus servos se eleve sempre diante de Ti como incenso, até que a luz de seu amor se torne uma só com Tua Luz infinita.

Na cruz do terceiro Raio: Ó Deus, que encontras cada homem no caminho pelo qual ele se aproxima de Ti, concede-nos graça para ver-Te nos corações de todos os homens, para que jamais falhemos em cortesia e compreensão; e assim como Tu, ó Senhor, Te manifestas de muitas maneiras, que possamos discernir corretamente Teu propósito em meio ao tumulto de nossa vida terrena.

A procissão move-se para a cruz do primeiro Raio no centro da igreja, e enquanto a unge, o bispo diz: "Ó Deus, a Rocha dos Séculos, a força de todos os que em Ti confiam, rogamos-Te que consideres graciosamente o nosso trabalho e enchas esta casa com o Teu poder onipotente, para que aqueles que aqui adoram sejam cingidos de força para o Teu santo serviço."

A procissão retorna ao presbitério, e a Santa Eucaristia é celebrada.

Após a Consagração, a Hóstia é colocada no ostensório e levada em volta da igreja enquanto uma ladainha é cantada, como no serviço da Bênção do Santíssimo Sacramento.

Temos descoberto que o efeito deste método de consagração ao longo das linhas dos sete Raios é muito maravilhoso.

A invocação definida dos próprios princípios — os próprios Anjos — de amor e devoção, de sabedoria divina e força espiritual, traz um resultado verdadeiramente esplêndido; de modo que alcançamos quase imediatamente uma condição de coisas que normalmente necessita de séculos de serviços para produzir, e nossas igrejas tornam-se permeadas pelo sentimento de devoção e temor reverente que encontramos em algumas das grandes catedrais.

Em muitos desses esplêndidos edifícios medievais, o sentimento de devoção absoluta e literalmente exsuda das paredes, porque por centenas de anos formas-pensamento devocionais foram criadas neles por gerações sucessivas.

Mesmo enquanto aquelas paredes eram erguidas, esse poder foi 392 A Ciência dos Sacramentos

derramado nelas, pois naqueles dias a fé era maior, e a influência do mundo exterior menos proeminente; enquanto construíam, os trabalhadores repetiam orações e assentavam cada pedra como se tivesse sido uma oferenda sobre um altar.

Assim, mesmo antes da consagração pelo bispo, cada pedra era um verdadeiro talismã, carregado com a reverência e a devoção do construtor, e capaz de irradiar essas mesmas ondas de sensação sobre outros, de modo a despertar neles sentimentos semelhantes; e as multidões que depois vinham adorar no santuário não apenas sentiam essas radiações, mas também as fortaleciam por sua vez pela reação de seus próprios sentimentos.

Algum dia, talvez, possamos voltar a esse quadro mais saudável da mente pública; entretanto, obtemos algo decididamente aproximado a seu resultado por este método especial de consagração.

E mesmo que dificilmente possamos esperar que a maioria dos pedreiros realmente empregados adote uma linha tão elevada, não é demais esperar que os membros da congregação que confeccionam as vestimentas e os panos do altar, e organizam as decorações internas, possam abordar seu trabalho com o espírito correto.

Cada toque do pincel numa pintura, cada ponto dado numa casula ou sobrepeliz, deve ser uma oferenda direta a Deus, para que a obra de arte concluída seja envolvida por uma atmosfera de reverência e amor, e possa perpetuar as vibrações dessas qualidades sobre os fiéis.

Por essas razões, é infinitamente preferível, sempre que possível, que todas as vestimentas, panos de altar e decorações sejam realmente feitos pelas mãos de membros da congregação, em vez de comprados em loja ou recebidos como presente.

Certamente é bom que tenhamos excelência artística além de amor e devoção; pois uma nobre obra de arte pode irradiar esses santos sentimentos tão plenamente quanto algo menos perfeito, e além disso dará um estímulo muito útil, de outra natureza, àqueles que são capazes de apreciá-la e de perceber tudo o que ela significa.

VITRAIS DE IGREJA

Vitrais de vidro colorido são eminentemente desejáveis, se realmente bons e artísticos.

Os cinzas pálidos e turvos e os marrons de muitos vitrais modernos devem ser enfaticamente evitados, assim como os padrões de tapete sem sentido que frequentemente vemos reproduzidos em vidro.

Figuras do Cristo, de Nossa Senhora, e de santos e anjos são permitidas, assim como representações de algumas das conhecidas histórias dos evangelhos, mesmo que estas sejam em grande parte míticas.

Mas apenas cores fortes e puras devem ser permitidas, aproximando-se o máximo possível do esplêndido vitral dos melhores vitrais medievais.

Verdadeiramente será difícil para nós igualá-los, não apenas porque nossos artesãos modernos nessas linhas não têm a habilidade de seus ancestrais, mas porque quando nossos antepassados construíram aquele maravilhoso mosaico, o fizeram por amor a Deus e para glória de Seus santos; e assim cada fragmento de vidro é um verdadeiro talismã, e a luz do sol que o atravessa traz consigo uma glória que não é toda do mundo físico.

SINOS DE IGREJA

Frequentemente me perguntaram se é desejável que nossas igrejas tenham sinos em suas torres.

Não 394 — A Ciência dos Sacramentos

a menos que possamos ter um repique doce e harmonioso; se isso estiver ao nosso alcance, é de fato uma aquisição, mas é um luxo caro.

O toque dos sinos tem um papel distinto no esquema da Igreja, que nos dias de hoje parece pouco compreendido.

A teoria moderna parece ser que eles servem para convocar as pessoas no momento em que o serviço está prestes a ser realizado, e não há dúvida de que na Idade Média, quando não havia relógios, eles eram usados precisamente para esse fim.

Dessa visão restrita da intenção do sino surgiu a ideia de que qualquer coisa que faça barulho serve ao propósito, e na maioria das cidades da Inglaterra a manhã de domingo se torna um purgatório devido ao clangor simultâneo, mas discordante, de vários pedaços de metal sem musicalidade.

De tempos em tempos reconhecemos o verdadeiro uso dos sinos, como quando os empregamos em grandes festivais ou em ocasiões de regozijo público; pois um repique de sinos musicais, soando notas harmoniosas, é a única coisa que foi contemplada pelo plano original, e estes foram destinados a ter uma dupla influência.

Alguns vestígios disso ainda permanecem, embora apenas parcialmente compreendidos, na ciência da campanologia, e aqueles que conhecem as delícias da execução adequada de um triple-bob-major ou de um grandsire-bob-cator talvez estejam preparados para ouvir quão singularmente perfeitas e magníficas são as formas que eles produzem.

Um dos efeitos que o toque ordenado dos sinos pretendia produzir era lançar uma corrente de formas musicais repetidas vezes, exatamente da mesma maneira, e com exatamente o mesmo propósito, que o monge cristão costumava repetir centenas de Ave-Marias — não de modo algum para si mesmo ou para seu próprio progresso espiritual, mas para que uma forma-pensamento particular e seu significado pudessem, dessa maneira, ser impressos repetidamente sobre todos os corpos astrais ao alcance.

A bênção dos sinos destinava-se a acrescentar uma qualidade adicional a essas ondulações.

O toque dos sinos em ordem diferente naturalmente produz formas diferentes; mas quaisquer que sejam as formas, elas são produzidas pela vibração dos mesmos sinos, e se esses sinos são, para começar, fortemente carregados com um certo tipo de magnetismo, toda forma feita por eles trará consigo algo dessa influência.

É como se o vento que nos traz fragmentos de música devesse, ao mesmo tempo, carregar consigo um perfume sutil.

Edifício da Igreja

Assim, o bispo que abençoa os sinos os carrega com praticamente a mesma intenção com que abençoaria a água benta — com a intenção de que, onde quer que esse som chegue, todo pensamento e sentimento maligno sejam banidos e a harmonia e a devoção prevaleçam — um exercício real e legítimo do que pode não inapropriadamente ser chamado de magia, e bastante eficaz quando o mago faz seu trabalho adequadamente.

A cerimônia romana da bênção dos sinos é bastante elaborada; ela prevê sua lavagem com água consagrada, sua unção com o óleo dos enfermos e com crisma, e uma especial incensação com tomilho, mirra e olíbano.

Quando nossas congregações se tornarem grandes e ricas o suficiente, por todos os meios tenhamos um doce e verdadeiramente melodioso repique em tais igrejas que estejam adequadamente situadas; até então, é melhor permanecer em silêncio, para que não nos tornemos um incômodo para nossos vizinhos.

Um relógio de igreja que soa musicalmente é agradável; e há também muito a dizer a favor do toque suave de um sino na torre naqueles momentos do serviço em que o sino da consagração é tocado no presbitério abaixo, para que todos os homens devotos ao alcance da audição saibam o que está ocorrendo, e possam unir-se em espírito à nossa adoração, se assim o desejarem.

ÁGUA BENTA

Mencionei o uso da água benta ao descrever as Asperges; mas pode ser bom explicar um pouco mais.

Para fazê-la, o sacerdote toma água limpa (não destilada) e sal limpo, e então procede a desmagnetizá-los, a remover deles quaisquer influências exteriores casuais com as quais possam ter sido permeados.

A água é um solvente quase universal, e absorve prontamente todos os tipos de magnetismo circundante, e assim, se for tirada de um cano ou de uma fonte, já terá certas impregnações.

Para nosso propósito, precisamos de água que seja absolutamente pura magneticamente.

Gostaríamos que fosse tão pura quanto possível também fisicamente, mas não devemos destilá-la, pois isso tira toda a vida dela e a deixa sem resposta.

A presença das usuais quantidades mínimas de produtos químicos nela não importa; são desprezíveis; mas devemos torná-la magneticamente limpa, então o sacerdote varre as impurezas para fora dela. Poderíamos dizer que ele a filtra etéricamente, astralmente e mentalmente; só que, em vez de passar a água pelo filtro, ele passa o filtro através da água e expulsa o que é indesejável.

Se ele for clarividente, observará as impurezas, provavelmente como uma nuvem cinzenta, e assim terá a satisfação de ver realmente que seu esforço é bem-sucedido. Mas, se ainda não possui essa faculdade, deve, não obstante, sentir-se absolutamente certo de seu poder de purificar.

O vínculo com nosso Senhor, que foi estabelecido para ele em sua ordenação, confere-lhe uma força limitada apenas por sua realização desse vínculo, e ele age em nome do Nome que está acima de todo nome.

Em toda ação magnética dessa natureza, a confiança absoluta é a condição do êxito.

Essa é a fé que, com o exagero poético do Oriente, o Cristo descreveu como capaz até de mover montanhas.

Naqueles tempos antigos, personificavam tudo, e assim, aos seus olhos, as impurezas casuais eram demônios, e eles as exorcizavam com terríveis maldições, como se pode ver lendo o rito romano do batismo de crianças.

Emprega-se uma quantidade de denúncia vigorosa que parece um tanto desproporcional ao resultado a ser alcançado.

Ainda assim, devemos levar em conta as necessidades daqueles que não estão acostumados a exercitar a vontade nessas linhas e, portanto, precisam de certo tempo para gerar ímpeto.

Em nosso livro de serviços, colocamos isso de forma mais suave, mas o mesmo efeito é produzido.

Uma desmagnetização semelhante é realizada para o sal.

Uma quantidade considerável desse mineral pode ser abençoada de uma só vez, para que possa ser mantida em estoque; mas a água deve ser preparada fresca para cada serviço.

A razão pela qual ambas as substâncias são empregadas é, em parte, por completude simbólica e, em parte, porque realmente se complementam até certo ponto, e são mais eficazes em combinação do que cada uma separadamente.

O cloro é o que costumava ser chamado de elemento ígneo; isto é, sua ação etérica é ígnea por natureza.

O sal é cloreto de sódio e, portanto, é a forma mais conveniente de se obter cloro.

Água e fogo são os grandes agentes purificadores; e assim temos essa mistura dos dois na água benta.

Tendo desmagnetizado ambos minuciosamente, o sacerdote então os carrega com poder espiritual, cada um separadamente e com muitas repetições fervorosas, e então, finalmente, e com novas adjurações ferventes, lança o sal na água em forma de cruz e, com uma bênção final, a operação está concluída.

Se esta cerimônia for devidamente e cuidadosamente realizada, a água se torna um talismã altamente eficaz para o propósito especial para o qual é carregada — que ela afaste do homem que a utiliza todos os pensamentos mundanos e belicosos, e o direcione na direção da pureza, concentração e devoção.

O estudante das coisas internas compreenderá prontamente como isso deve ser assim, e quando ele vir com a visão astral a descarga da força superior que ocorre quando alguém usa ou asperge esta água benta, não terá dificuldade em perceber que ela deve ser um poderoso fator em afastar pensamentos e sentimentos indesejáveis, e em aquietar todas as vibrações irregulares dos corpos astral e mental.

Em todo caso em que o sacerdote realiza seu trabalho, a força espiritual flui através dele, mas ele pode acrescentar grandemente a ela pelo fervor de sua própria devoção, e pela vividez com que ele percebe o que está fazendo.

Ela deve produzir algum efeito sobre todos que a utilizam, mas produz muito mais efeito se a pessoa inteligentemente se coloca aberta à sua influência.

Se ao tomar a água benta ele disser a si mesmo uma pequena adjuração ou oração: "Que meus corpos astral e mental sejam purificados pelo magnetismo que foi colocado nesta água", ou algo desse tipo, seria uma boa maneira de obter os melhores resultados.

É sem dúvida vantajoso ter água benta na entrada da igreja, mas deve-se admitir que o plano usualmente adotado é anti-higiênico e repugnante.

Em deferência à opinião moderna, teremos que modificar a maneira atual de oferecê-la às pessoas.

Talvez algum esquema de pressionar um botão e obter algumas gotas possa se mostrar viável.

Foi perguntado se um leigo não pode fazer água benta por um exercício suficientemente determinado de sua vontade.

Certamente ele pode, embora não exatamente da mesma maneira.

Não sendo um sacerdote ordenado, ele não pode recorrer àquele reservatório especial, e não pode consagrar os elementos sagrados na Eucaristia, mas ele pode carregar qualquer objeto com seu próprio magnetismo e torná-lo poderoso para o bem.

Ele é ele mesmo uma manifestação da Divindade, uma centelha do Fogo divino; e, percebendo isso, pode derramar seu poder, que é um aspecto do Poder divino, na água benta e fazer dela um talismã extremamente eficaz.

CAPÍTULO VII
O ALTAR E SEUS PERTENCES

Temos considerado a celebração da Santa Eucaristia do ponto de vista do efeito interno que ela produz, e vimos que tal consideração nos permite compreendê-la como uma cerimônia bela, maravilhosa e complicada, adaptada com notável engenhosidade ao trabalho que se propõe a realizar.

Quando compreendemos esse trabalho, podemos facilmente ver qual das várias liturgias melhor serve ao seu propósito, e qual dos muitos métodos possíveis de realizar o rito causa menos transtorno aos auxiliares angélicos e lhes fornece a maior quantidade de material disponível.

Passaremos agora a examinar do mesmo ponto de vista o que podemos chamar de instrumentos dos Sacramentos — o altar, suas luzes e vasos, e as vestes usadas pelo celebrante e seus assistentes.

Em tudo isso há espaço para considerável variação, e verificar-se-á que alguns arranjos são mais adequados do que outros.

O ALTAR E AS PEDRAS

O altar tem geralmente trinta e nove polegadas de altura e quarenta e duas de largura, incluindo os degraus ou vasos e velas; cerca de oito pés é um comprimento conveniente para uma igreja comum.

Pode ser de pedra ou de madeira, mas neste último caso uma lâmina de pedra deve ser embutida no topo, rente à superfície da mesa, perto da frente, mas a meio caminho entre as extremidades.

Essa lâmina é geralmente de mármore, e tem cerca de um pé quadrado e uma ou duas polegadas de espessura.

É, na verdade, o altar real, e sobre ela repousam o cálice e a patena durante a celebração da Santa Eucaristia.

Cinco cruzes maltesas são gravadas nessa lâmina, uma no centro e uma em cada um dos cantos.

Essas cinco cruzes têm sido consideradas pelos escritores romanos como simbólicas das supostas cinco chagas de Jesus, mas foram originalmente destinadas a referir-se às cinco direções no espaço ao longo das quais a força da Hóstia irradia.

Uma cavidade é escavada na lâmina, e na Igreja Romana uma relíquia de algum tipo é geralmente selada nessa cavidade.

Nós, na Igreja Católica Liberal, adotamos um plano um tanto diferente, que [descreverei em seguida, mas desejo primeiro dizer algumas palavras sobre o assunto geral das relíquias.

É costumeiro, para aqueles que ignoram essas matérias, ridicularizar a ideia de prestar reverência a um fragmento de osso que outrora pertenceu a um santo; mas, embora a reverência prestada ao próprio osso fosse descabida, a influência que irradia desse osso pode, no entanto, ser algo bastante real e digno de séria atenção.

Que o comércio de relíquias tenha levado, em todo o mundo, à fraude, por um lado, e à credulidade cega, por outro, não é coisa a ser contestada; mas isso de modo algum altera o fato de que uma relíquia genuína pode ser algo valioso.

Tudo o que fez parte do corpo físico de um Grande Ser, ou mesmo das vestes que cobriram esse corpo físico, está impregnado de seu magnetismo pessoal.

Isso significa que está carregado com as poderosas ondas de pensamento e sentimento que dele costumavam emanar, assim como uma bateria elétrica pode ser carregada; somente que, neste caso, a carga permanece praticamente inalterada por séculos, como qualquer psicômetro sabe.

Tal força, que ele possui, é intensificada e perpetuada pelas ondas de pensamento que sobre ele são derramadas com o passar dos anos, pela fé e devoção das multidões que visitam o santuário.

Portanto, qualquer pessoa que se coloque em atitude receptiva e se aproxime da vizinhança imediata de uma relíquia receberá em si suas fortes vibrações e, em pouco tempo, estará mais ou menos sintonizada com elas.

Uma vez que essas vibrações são, sem dúvida, melhores e mais fortes do que qualquer uma que ele provavelmente geraria por conta própria, isso é algo bom para ele.

Por enquanto, isso o eleva a um nível mais alto, abre-lhe um mundo superior; e, embora o efeito seja apenas temporário, isso não pode deixar de ser bom para ele — um evento que o deixará, pelo resto de sua vida, ligeiramente melhor do que se não tivesse ocorrido.

Isso, se a relíquia for genuína: mas parece haver pouca dúvida de que a maioria das relíquias não é genuína.

Todos nós já ouvimos a história do bispo que, quando os dignitários de alguma cidade que ele visitava exibiram com grande orgulho seu tesouro mais precioso, o crânio de João Batista, observou gentilmente: "Pecador que sou, esta é a quarta cabeça do santo Batista que seguro nestas mãos indignas!" E comumente se relata que existe madeira suficiente da Verdadeira Cruz para construir um navio de linha, embora eu acredite que alguns escritores romanos neguem isso indignadamente.

Por mais sem princípios que a observação possa parecer, não importa muito se uma relíquia comum é autêntica ou não, pois o magnetismo original do santo médio é coisa pequena comparada à força que foi derramada na relíquia por séculos de sentimento devocional; é certo que ela emite uma radiação bastante forte em qualquer caso, e a influência sobre os visitantes é sempre boa.

É claro que uma relíquia real do Cristo ou do Buda é uma coisa de tremendo poder, e brilha como o sol em sua força; mas dessas há muito poucas. Esta é a razão de ser das peregrinações, e elas são com frequência realmente eficazes.

Além do que quer que tenha sido o magnetismo original contribuído pelo homem santo que outrora viveu naquele local, ou pela relíquia dele ali preservada, tão logo o lugar de peregrinação é estabelecido e multidões de pessoas começam a visitá-lo, esse lugar se carrega com o sentimento devocional de todas aquelas hostes de visitantes, e o que eles deixam para trás reage sobre seus sucessores.

Assim, a influência de um desses lugares santos geralmente não diminui com o passar do tempo, pois se a força original tende a diminuir ligeiramente, por outro lado ela é constantemente alimentada por novas afluências de devoção.

Em vez de uma relíquia, nós da Igreja Católica Liberal usamos para nossos altares um conjunto de joias altamente magnetizadas, dispostas de uma maneira que tentarei explicar.

Ao escrever sobre as velas do altar, já disse algo sobre os sete Raios e suas qualidades.

Mencionei ali as características principais desses Raios, portanto não preciso repetir essa informação aqui; mas uma explicação um pouco mais aprofundada sobre o assunto pode ser útil.

Toda vida provém de Deus; mas ela vem d'Ele através de diferentes canais.

Lemos no livro do Apocalipse sobre os sete Espíritos que estão diante do Seu trono, mas pouco aprendemos ali sobre a sua função.

Os estudantes da vida interior estão cientes de que estes sete grandes Ministros são muito mais do que meros servos ou mensageiros; são, por assim dizer, os próprios membros de Deus, através dos quais Ele opera, canais do Seu poder, parte de Si mesmo, funcionando sob Ele de modo semelhante a como, no corpo humano, os gânglios subordinados funcionam sob o controle do cérebro.

A vida divina flui através destes sete Ministros, e é colorida pelo canal através do qual passa; ao longo de toda a sua longa evolução, carrega o selo de um ou outro destes poderosos Espíritos; é sempre vida daquele tipo e de nenhum outro, seja no estágio mineral, vegetal, animal ou humano do seu desenvolvimento.

Daí se segue que estes sete tipos devem ser encontrados entre os homens, que nós mesmos devemos pertencer a um ou outro deles.

Diferenças fundamentais desta natureza na raça humana sempre foram reconhecidas; há um século, os homens eram descritos como do tipo linfático ou sanguíneo, o vital ou o fleumático; e os astrólogos nos classificam sob os nomes dos planetas, como homens de Júpiter, homens de Marte, homens de Vênus ou Saturno, e assim por diante. Entendo que estas são apenas outras maneiras de enunciar as diferenças básicas de disposição devidas ao canal através do qual acontecemos de ter vindo, ou antes, através do qual foi ordenado que viéssemos.

Como estes tipos existem entre nós, é óbvio que a força divina atuará sobre nós de maneiras diferentes; sua incidência, por assim dizer, se dará em ângulos diferentes.

Somos dirigidos pela Igreja de Cristo a fazer certos arranjos para a recepção dessa força — a prover um cálice e uma patena, um altar e um edifício de igreja; nossos bispos carregam um báculo e usam uma cruz peitoral, ambos centros físicos para a radiação da força.

Ocorreu-nos que, se as características dos vários Raios pudessem de alguma forma ser incluídas dentro desses centros especiais — se em cada um deles pudesse haver um centro subordinado para cada um dos Raios, isso poderia facilitar a distribuição do poder.

Vamos tentar ilustrar essa ideia por uma analogia; mas lembremo-nos de que é apenas uma analogia e não deve ser levada longe demais. Suponhamos que os homens de cada Raio possam absorver facilmente luz de uma só cor — digamos, violeta para o primeiro raio, azul para o segundo, e assim por diante. O poder que desce do alto é a luz branca, que inclui todas as cores; e, ao cair sobre cada homem, ele extrairá dela a cor que pode absorver, e o restante passará por ele, tendo relativamente pouco efeito sobre ele.

Mas esse poder de selecionar a própria cor e separá-la do restante existe nos homens em graus muito variados; e parecia provável que, se pudéssemos conceber algo como um prisma psíquico — algum método de dividir a luz branca nas sete cores do espectro, mesmo ao deixar o foco físico que fomos instruídos a proporcionar 406 A Ciência dos Sacramentos

para ela —, tornaríamos muito mais fácil a assimilação para o nosso povo.

Os Raios percorrem toda a natureza, de modo que, assim como há homens pertencentes a cada um deles, há também animais, vegetais e minerais pertencentes a cada um, possuindo as características especiais daquilo a que pertencem.

Descobrimos, por exemplo, que cada Raio tem sua pedra preciosa representativa, ou grupo de pedras preciosas, através das quais sua força atuará mais prontamente do que através de qualquer outra; e assim nos pareceu que, se obtivéssemos um conjunto de sete dessas gemas, uma apropriada a cada um dos Raios, e as colocássemos em nossa pedra do altar, estaríamos oferecendo uma lente especialmente adequada através da qual cada um dos tipos da força setenária poderia irradiar.

A experiência foi tentada e verificou-se ser imediata e notavelmente bem-sucedida; tanto assim que fomos encorajados a estender o esquema ao próprio edifício da igreja, bem como à cruz peitoral e ao báculo de nossos bispos.

A mais minúscula partícula da joia requerida é suficiente, de modo que o custo não é proibitivo (de quatro a seis xelins pelo conjunto de sete), nem o valor da gema é suficiente para tentar um ladrão; e é agora nosso costume inserir um pequeno círculo de tais minúsculos pontos na cavidade no centro da pedra do altar, em lugar de uma relíquia. Cada ponto é fortemente magnetizado ao longo de sua própria linha especial, para que possa ser o canal mais pronto possível para o grande Anjo de seu Raio particular, sempre que ele deseje usá-lo, além de seu trabalho como prisma em conexão com a Consagra-                          O Altar

ção do Host.

A disposição das pedras que se mostrou mais conveniente está indicada no Diagrama 8, que também mostra como a força flui entre as gemas na pedra do altar, aquelas nos castiçais e aquelas nas cruzes de Raio nas paredes da igreja.

Raio    Nº do Mineral                     Substitutos

Diamante    |Cristal de Rocha    2    Safira    |Lápis-Lazúli, Turquesa, Sodalita   3.    Esmeralda     |Água-Marinha, Jade, Malaquita.

4,    Jaspe      Calcedônia, Ágata,       Serpentina   5     Topázio       Citrino, Esteatita   6     Rubi        Turmalina,     Granada, Cornélia, Carbúnculo,                          Tulita,    Rodonita   (o   Ametista    |Pórfiro, Violana

Acima está uma lista das pedras peculiares aos sete Raios.

Não se deve supor que seja uma lista exaustiva, porque todas as pedras preciosas estão em um ou outro dos Raios; aquelas que dei na primeira coluna estão à frente de seus respectivos Raios no reino mineral e, portanto, são seus representantes mais apropriados.

Por que são assim, ainda não sabemos; aparentemente não é por causa de sua constituição química, pois nesse aspecto a safira e o rubi são praticamente idênticos, no entanto as forças que fluem através deles são radicalmente diferentes.

Possivelmente a cor da pedra possa ser um fator importante.

Uma investigação mais aprofundada, sem dúvida, com o tempo esclarecerá esses pontos; entretanto, nossos sacerdotes podem confiar na      408      A Ciência dos Sacramentos

precisão da lista, até onde ela vai.

Em uma segunda coluna, adiciono os nomes de algumas pedras de menor valor, que podem ser substituídas quando aquelas da primeira coluna não estiverem disponíveis; mas as pedras desta segunda lista precisariam ser de tamanho maior se quiserem ser igualmente eficazes.

O altar (Estampa 17) é elevado acima do piso do santuário por pelo menos três degraus.

O degrau superior forma uma ampla plataforma diante do altar, na qual o sacerdote se posiciona quando celebra a Sagrada Eucaristia.

Esta plataforma é chamada em inglês de footpace, mas às vezes encontramos o nome italiano predella, ou o latim suppedaneum.

Os degraus, naturalmente, contornam os lados do altar, bem como a frente.

O altar deve ser coberto por três toalhas, sendo a superior da mesma largura do altar e comprida o suficiente para quase tocar o chão em cada extremidade.

O uso romano parece exigir sob essas três uma quarta, uma toalha de cera feita de linho encerado, chamada chrismale — presumivelmente em caso de acidentes.

O frontal do altar (chamado em latim de antependium, porque fica pendurado à frente do altar) é trocado de acordo com as estações eclesiásticas, cuja disposição explicarei em outro volume desta série sobre as Festas Cristãs.

AS CORES ECLESIÁSTICAS

O estudante do lado interior da vida sabe muito bem que a cor é um dos modos de expressão na natureza.

A cor é uma taxa de vibração, e nossas variadas emoções se manifestam em mudanças de cor no corpo astral para aqueles que desenvolveram a visão pela qual ela pode ser percebida.

Exatamente da mesma maneira, mudanças de cor no corpo mental expressam os diferentes tipos de pensamento que por ele passam. A investigação das cores e suas combinações nesses mundos superiores é fascinantíssima, e está sendo gradualmente reduzida a uma ciência.

Eu mesmo escrevi um livro sobre o assunto, com muitas ilustrações pintadas para mim por alguém que pode ver, e a esse livro devo remeter qualquer leitor que deseje prosseguir no estudo.

Há uma certa reação nessas matérias.

Se uma emoção produz uma taxa de vibração no corpo astral que se manifesta como uma cor, essa mesma cor em algum objeto externo, emitindo essa mesma taxa de vibração, ao incidir sobre um corpo astral em condição de relativo repouso, tenderá a despertar as partículas desse corpo e colocá-las em oscilação simpática — o que significa que uma cor tende a despertar no homem a emoção que ela expressa.

A influência não é muito forte ou decidida quando há apenas uma pequena quantidade da cor; mas, se há bastante dela, uma pressão lenta e constante é sem dúvida exercida, e aos poucos um efeito apreciável é produzido.

Em tempos anteriores, quando se realizavam reuniões menores, as paredes da sala ou da igreja eram cobertas com cortinas da cor do dia, de modo que o pequeno grupo de fiéis adentrava um salão vermelho, um salão verde, um salão violeta quando se reuniam para o propósito de adoração.

O tamanho das nossas igrejas nos dias atuais nos impede de seguir o exemplo dos nossos predecessores, mas a Igreja ainda ordena que o frontal do altar e as vestes dos seus sacerdotes sejam mudados para corresponder ao tipo especial de força que está sendo irradiada, e à condição de mente que ela se esforça por induzir; e, ao fazer isso, ela não está apenas colocando diante de nós um sistema interessante de simbologia, mas também fazendo um esforço científico distinto na busca de um objetivo definido.

Há, além disso, outra consideração. Todas as forças de ajuda e bênção invocadas durante os serviços são derramadas através do celebrante e seus assistentes, e suas vestes são especialmente arranjadas para a recepção e distribuição dessas forças, como será explicado oportunamente.

A cor dessas vestes é, portanto, um fator distinto no caso, pois tinge até certo ponto, com sua vibração, a energia armazenada dentro delas; e assim, embora a tonalidade da vestimenta do sacerdote nunca possa impedir o fluxo da força divina, ela pode tornar sua passagem um pouco mais fácil, se estiver em harmonia com a variedade particular dessa força que está em ação no momento, e pode causar um pouco de atrito se for inadequada.

Como regra geral, tons escuros e opacos são de pouca utilidade, e o preto (que é a ausência de toda cor) coloca obstáculos sérios no caminho; o preto, portanto, nunca é usado pela Igreja Católica Liberal.

Assim, as estações da Igreja são em si mesmas uma espécie de sacramento arranjado para o bem-estar do povo, de modo que ora um lado de suas naturezas possa ser desenvolvido, e em outros momentos outro lado, por essa lenta e constante influência da cor atuando sobre eles enquanto estiverem dentro dos muros do edifício sagrado.

Não se afirma que sua pressão possa forçar uma pessoa descuidada, frívola ou preconceituosa a um certo estado de espírito, mas apenas que, se a pessoa for simpática e disposta a fazer um esforço na direção certa, este esquema proporciona circunstâncias mais fáceis para esse esforço.

A Igreja não pode forçar a evolução de ninguém; ela só pode oferecer circunstâncias convenientes para o desenvolvimento, e cabe então a cada um aproveitá-las.

Estas coisas são todos auxílios; e o homem sábio não negligencia nada, por menor que seja, que possa ajudá-lo em um caminho repleto de dificuldades.

Quatro cores são agora usadas pela Igreja — branco, vermelho, violeta e verde, com uma quinta (rosa) que é empregada apenas duas vezes por ano pelas igrejas que a adquiriram. Cada uma delas é a mais adequada para uma certa forma de efusão.

Outras tonalidades foram experimentadas em várias épocas da história da Igreja, especialmente na Inglaterra no antigo rito de Sarum; o azul era usado para as festas de Nossa Senhora, e o amarelo para as dos Confessores, mas verificou-se que não havia utilidade prática especial nisso, e a despesa adicional era considerável, de modo que houve uma reversão geral para as quatro cores principais que foram originalmente indicadas pela tradição.

O branco é usado para as maiores festas, como Páscoa, Natal, Ascensão, Trindade, e também para as festas de Nossa Senhora, dos Anjos, e de todos os santos que não são mártires.

Que fique claramente entendido que estas grandes festas não são meras comemorações históricas; são ocasiões de especial efusão de poder divino.

Elas podem ter sido originalmente épocas em que, por razões astronômicas ou sazonais, tais efusões se mostravam fáceis; e agora são, por assim dizer, por acordo entre o céu e a terra, as oportunidades designadas para especiais "chuvas de bênçãos". Não é difícil compreender que em uma época como o Natal, quando todos os homens estão predispostos a pensamentos de caridade e bondade amorosa, eles estão muito mais abertos a influências superiores do que em meio à suspeita e ao estresse da vida comum.

Eles estão, no momento, prontos para receber a graça do alto, e vantagem é imediatamente tirada de sua atitude, e a chuva descendente ocorre.

Anjos e outros que estão engajados em ajudar em tal trabalho conhecem o arranjo de antemão, assim como nós, e estão prontos para auxiliar.

O branco é a síntese de todas as cores, a combinação de todas, o símbolo não apenas da pureza, mas da mais alta alegria e da maior exultação.

Assim, nas maiores ocasiões, todo o poder da luz branca é acionado. Talvez em alguns aspectos seja quase melhor expresso pelo brilho do ouro do que pelo branco; não quero dizer amarelo-dourado, mas o fulgor do metal em si.

Por essa razão, a Igreja considera o ouro um substituto permissível para todas as cores, exceto o violeta.

A luz branca representa a plena e perfeita efusão; mas não somos capazes de suportar ou responder a toda a força de sua vibração o tempo todo, portanto, para recebermos o benefício completo dela, devemos ser preparados para isso pela ação separada de alguns de seus constituintes.

O fato de a luz solar ser dividida em várias cores é simbólico da ação do amor divino sobre o homem; assim, usamos esses matizes variados para estimular diferentes aspectos de nossa natureza.

O Altar

O violeta é a cor empregada para nos preparar para a recepção imediata do branco; pois as vibrações do violeta são intensamente rápidas, penetrantes, actínicas, purificadoras.

Tem sido considerado uma cor penitencial; uma melhor expressão da ideia é que ele promove a introspecção, que volta as forças para dentro de nós mesmos, e assim age melhor sobre o homem interior.

Ele expressa e estimula a mais elevada aspiração espiritual, que é uma mistura do azul da devoção e do carmesim do amor perfeito.

Verifica-se que o branco é o melhor para a recepção do resultado das semanas de esforço dedicadas no Advento e na Quaresma à preparação para as festividades do Natal e da Páscoa, mas que o violeta é o mais útil durante o tempo de preparação, pois suas vibrações atuam sobre nossos corpos superiores e tendem a nos tornar bons canais para a força a ser derramada nessas festividades.

Não quero de modo algum dizer que a mera presença dessa cor na igreja mudará a natureza das pessoas que frequentam seus serviços; mas se as pessoas estão vivas e despertas para sua influência, e compreendem o que deveriam estar fazendo consigo mesmas, a prevalência dessa cor e suas vibrações tornarão o trabalho mais fácil para elas do que de outro modo seria. O mesmo se aplica às vigílias que precedem os dias de santos, então o violeta é a cor escolhida também para elas.

Pela mesma razão de seu poder penetrante e purificador, é usado para todos os exorcismos, para a unção santa, para o sacramento da absolvição e em funerais.

O vermelho é usado nas festividades do Espírito Santo e nas dos mártires, supondo-se que a referência simbólica seja, em um caso, às línguas de fogo no Pentecostes, e no outro, ao sangue que foi derramado.

Na realidade, sua força é a do poder espiritual, coragem e expansividade.

A atribuição a Deus, o Espírito Santo, do título de Consolador tem sido, sem dúvida, um consolo para muitos homens e mulheres aflitos, mas é, no entanto, uma tradução parcial e dificilmente satisfatória da palavra grega Parákletos.

Uma tradução melhor do título seria Encorajador, Fortalecedor, ou mesmo Ajudador.

A tradução comum sugere que o Espírito Santo entra em ação somente ou principalmente em tempos de tristeza, enquanto a verdade é que Seu poder está conosco a cada momento, uma fonte sempre presente de inspiração, uma torre de força, uma fonte de vida, uma fonte de energia a Quem nunca podemos apelar em vão.

Seu aspecto como Consolador dos aflitos é, no esquema cristão, transferido para Nossa Senhora, com quem Ele está tão intimamente ligado; mas a consideração deste ponto pertence antes ao nosso próximo volume.

O vermelho também tipifica o fogo do amor; e a cor eclesiástica chamada vermelho-amaranto é provavelmente um compromisso entre o carmesim puro ou rosa do amor e o escarlate-laca da coragem.

É uma cor magnífica, e suas vibrações são sempre animadoras e calorosas.

No extremo oposto do espectro ao violeta, tem ainda certos pontos de semelhança em seu efeito; mas move-se para a atividade externa em vez da introspecção.

O verde vem no meio do espectro, entre os dois, e é a cor da natureza, da grama e das árvores.

Representa a condição intermediária, o equilíbrio das forças; e seu efeito está na direção da simpatia e da bondade amorosa — o interesse bondoso que devemos sentir em todos os momentos por todas as pessoas, a atitude calma, pacífica e afetuosa.

É a cor sobre a qual recuamos quando nada mais está acontecendo, e simboliza para nós a colocação em prática de tudo o que aprendemos, o uso na vida diária das forças tremendas que acumulamos durante os períodos festivos.

O rosa, por costume antigo, substitui o violeta no Terceiro Domingo do Advento e no Quarto Domingo da Quaresma; mas muitas igrejas não têm uma vestimenta separada para essas ocasiões, então seu uso fica ao critério do sacerdote responsável.

Indica o amor espiritual puro que deve ser ao mesmo tempo o resultado e o pensamento central de nossas estações de preparação.

O RETÁBULO — Ao longo da parte posterior do altar correm uma ou duas prateleiras ou estantes, cada uma com cerca de quinze centímetros de altura, chamadas retábulos ou gradines.

Sobre elas ficam os seis grandes castiçais, vasos de flores, e no meio a caixa chamada tabernáculo na qual a Hóstia é reservada.

O tabernáculo frequentemente se coloca sobre o próprio altar, sendo o retábulo recortado no meio para lhe dar lugar. As diretrizes romanas recomendam que seja um pequeno cofre de ferro, embutido na parede da igreja, ou no topo de um altar de pedra.

Deve ter na frente uma porta que se abre para fora — ou, às vezes, talvez mais convenientemente, uma porta dupla que se abre ao meio.

Há casos de tabernáculos com frente curva, com a porta deslizando para um dos lados.

Deve haver uma cruz latina simples de latão na parte externa da porta, que, no entanto, às vezes é coberta por um véu de seda da cor do dia.

Todo o interior do tabernáculo deve ser dourado, ou forrado com seda branca.

Uma grande cruz de latão em pé (não um crucifixo) deve ser colocada sobre o topo do tabernáculo, ou logo acima dele, de modo que possa ser claramente vista pela congregação.

A forma comum do crucifixo deve ser sempre evitada, pois está associada a muito que é falso e enganoso.

Há uma forma rara que representa o Cristo como coroado e reinando triunfante desde a cruz — um simbolismo muito mais antigo e mais defensável do que o outro.

Sobre o altar deve haver vasos de flores e, nos dias de festa, castiçais ramificados para as velas menores adicionais.

Quando há duas ou mais prateleiras na parte posterior do altar, seis grandes castiçais ficam na mais alta, e velas adicionais ou vasos de flores nas mais baixas.

Duas velas menores numa prateleira inferior podem ser usadas para a Celebração Baixa.

A lâmpada do santuário (que deve estar sempre acesa quando o Santíssimo Sacramento está presente) deve pender do teto da igreja um pouco à frente do meio do altar, mas bem acima das cabeças do clero oficiante.

AS VELAS

Pode ser útil dizer algumas palavras sobre a função das velas, pois parece ser tão frequentemente mal compreendida.

Cada um dos grandes castiçais é especialmente consagrado e dedicado à Cabeça de um dos Raios.

Quando um objeto é consagrado, ele se torna um canal para forças superiores.

Pela consagração, estabelecemos nele, aqui no plano físico, certas vibrações definidas que não estavam nele antes.

Mas assim como cada nota musical tem harmônicos, assim também cada vibração física tem seus harmônicos, suas contrapartes em vários mundos superiores.

Ao descrever o efeito da Consagração da Hóstia, falamos dos "fios" que alcançam o infinito a partir de todo objeto físico; não deslocamos, neste caso, esses fios (somente o Anjo da Presença tem o poder de fazê-lo), mas despertamos neles um novo conjunto de vibrações que os torna capazes de responder a forças superiores de uma maneira inteiramente nova, e assim trazê-las para este mundo inferior.

Estabelecido esse vínculo, utilizamo-lo pelo processo de combustão.

Quando levamos qualquer objeto a essa condição, ou o fazemos incandescer, imediatamente agitamos todas as suas contrapartes em diferentes níveis, tornando-o assim uma linha de comunicação direta e fácil.

Lembrando quão estritamente a ideia de economia de força rege todas as manifestações de poder vindas do alto, vemos que criar uma linha fácil de comunicação é obter um resultado.

Portanto, quando acendemos as velas dos Raios, estabelecemos, por assim dizer, um fio telegráfico até os pés dos Líderes desses Raios; produzimos o que é praticamente uma extensão de sua consciência até nós aqui embaixo, enviamos-lhes um chamado em resposta ao qual seu fogo imediatamente flui para baixo e faz tudo o que encontra para fazer.

Quando os judeus queimavam a carne de novilhos e de carneiros, apelavam a uma variedade baixa e repugnante de elemental, pois nenhum outro poderia sentir prazer na matança, nos vapores de sangue e no horrível fedor de carcaças em chamas.

Mas a ideia de um sacrifício queimado está muito longe de ser uma mera superstição infundada.

Tanto o fogo quanto a luz são poderosos agentes de comunicação com os mundos superiores, para aqueles que sabem como tirar proveito deles.

O fogo de nossas velas, de nossa lâmpada do santuário, de nosso incenso não é aceso em vão; os oficiantes que nos transmitiram essas tradições as herdaram de estudantes dos antigos Mistérios que tinham uma base científica para suas ações.

Nossa ciência moderna ainda não tocou esses níveis não físicos, mas está claramente se estendendo em direção a eles; e homens sábios estão aprendendo a preservar uma mente aberta sobre muitas coisas das quais os ignorantes zombaram.

Durante os grandes quarenta dias entre a Páscoa e o Dia da Ascensão, queimamos uma vela adicional grande, chamada vela pascal, para formar um canal para parte da força extra que então está sendo irradiada, e também para servir como um lembrete à congregação da oportunidade especial que então lhes é oferecida.

As pequenas velas suplementares usadas em outros festivais têm os mesmos objetivos gerais.

Todos esses atos são questões de conhecimento e visão para aqueles que desenvolveram clarividência, mas precisam de explicação para pessoas que ainda têm apenas visão física.

A Igreja Romana insiste fortemente que apenas velas contendo uma porcentagem preponderante de cera de abelha devem ser usadas, pelo menos para as velas maiores.

Há uma curiosa associação da cera de abelha com a indústria da abelha, e uma ideia de oferecê-la como emblemática do nosso trabalho.

Deve-se lembrar, no entanto, que essas regras datam de um período em que a cera de abelha e o sebo eram os únicos materiais com os quais as velas podiam ser feitas, e é óbvio que o sebo seria totalmente inadequado.

O Altar

Não parece haver objeção à parafina, nem a velas feitas de óleo de palma ou de coco.

Não há limite para o número de velas adicionais que podem ser usadas para marcar os maiores festivais.

Não menos que duas das velas grandes devem ser acesas em uma Missa Baixa, ou (segundo o uso romano) quatro se um bispo estiver celebrando; e na Bênção ou exposição do Santíssimo Sacramento deve haver sempre pelo menos doze velas acesas; mas é claro que pode haver muitas mais.

Na Celebração Pontifical Solene pelo Ordinário, uma sétima vela é acesa e colocada atrás da cruz do altar, de modo a ficar um pouco mais alta do que as outras seis.

Ela até já foi fixada à própria cruz.

O CÁLICE E A PATENA

De todos os instrumentos dos Sacramentos, nenhum é tão importante quanto o cálice e a patena (Lâmina 18).

Estes devem ser sempre de ouro ou prata, e se o último metal for usado, pelo menos a superfície superior da patena e o interior do cálice devem ser dourados.

Se a pobreza obrigar, o pé e a haste do cálice podem ser de metal inferior, mas isso não é recomendado.

Eles devem ser consagrados por um bispo, e quando precisarem ser re-dourados (o que deve ser feito assim que a douradura mostrar sinais de desgaste), devem ser enviados depois para serem re-consagrados antes do uso.

Nos tempos antigos, tanto os cálices quanto as patenas eram frequentemente trabalhados elaboradamente e fortemente ornamentados com joias.

Eles parecem às vezes ter sido muito maiores do que

420       A Ciência dos Sacramentos

qualquer um usado agora; li sobre uma patena medieval pesando trinta libras, e o celebrado cálice de Ardagh contém três pintas.

Tem duas alças e tem quase a mesma forma da moderna sopeira; é maravilhosamente ornamentado com ouro e rico esmalte, e é de fato uma obra-prima da antiga arte do ourives irlandês.

Sua data é incerta, mas supõe-se que seja entre 800 e 900 d.C. Na Igreja primitiva lemos sobre cálices de vidro, cristal e marfim, e até de madeira e chifre, mas estes últimos foram logo enfaticamente proibidos.

OUTROS VASOS E PANOS

Em conexão com o cálice, devemos considerar o corporal e o purificador (Estampa 18). Ambos são retângulos de linho — o mais fino e mais branco que se pode obter.

O corporal — assim chamado porque sobre ele repousa o Corpus ou Corpo Sagrado — é estendido sobre o altar acima da pedra consagrada, e a Hóstia e o cálice são colocados sobre ele durante a celebração.

Após o término do serviço, ele é dobrado e colocado na bolsa (Estampa 18). O purificador é usado para limpar e secar o cálice, a patena e os lábios e dedos do sacerdote após as abluções.

A pala (Estampa 18) é um pequeno quadrado de linho endurecido ornamentado com uma cruz, que é colocada sobre o cálice como tampa.

A bolsa não é nada mais que um bolso ou envelope quadrado no qual se guarda o corporal; geralmente é endurecida com papelão, como a pala, e tem uma cruz bordada a ouro no meio de um de seus lados.

O véu do cálice (Estampa 18) é um pedaço de material grande o suficiente para cobrir o cálice e cair sobre o altar em todos os seus lados. Também traz uma cruz de ouro perto de uma de suas bordas, para que possa ser facilmente arranjado de modo a ficar no centro, voltado para a congregação, quando o véu é drapeado sobre o cálice.

Tanto a bolsa quanto o véu são geralmente feitos do mesmo material que o conjunto de paramentos ao qual pertencem, e são ornamentados para combinar com o resto.

ESTAMPA 18. (Fig. 1).—Véu e Bolsa cobrindo o Cálice.

(a) Véu; (b) Bolsa; (c) Cruz na frente do Véu; (d) Corporal de linho.

(Fig. 2).—(e) Cálice; (f) Patena; (g) Purificador; (h) Corporal; (i) Cibório; (j) Véu dobrado; (k) Pala; (l) Bolsa.

Em frente à página 420. O Altar 421]

Antes da Celebração, os arranjos (Estampa 18) são os seguintes:—O corporal é primeiramente estendido sobre o altar, de modo que seu centro fique acima do centro da pedra do altar; sobre ele está o cálice vazio, sobre o qual é pendurado o purificador; a patena repousa sobre o purificador, com a grande hóstia do sacerdote sobre ela. Acima disso é colocada a pala, e então o véu do cálice é pendurado sobre ela, de modo a tocar o altar em todos os lados, ocultando completamente o cálice, e com sua cruz voltada para o povo.

Separada, no lado do Evangelho do altar, ou apoiada contra um vaso inferior, também com sua cruz voltada para o povo, está a bolsa vazia.

Após as abluções, o mesmo arranjo é restaurado, exceto que, naturalmente, não há então hóstia sobre a patena, e a bolsa, contendo o corporal dobrado, e com sua cruz para cima, repousa sobre o véu.

Deve-se lembrar que a Hóstia pode repousar somente sobre ouro ou sobre linho branco; não deve ser permitido tocar seda, algodão ou qualquer outra substância.

O cibório (Estampa 18) é, na realidade, um cálice coberto, e a regra para ele é a mesma que para o cálice; deve ser de ouro ou de prata, e, neste último caso, a copa deve ser dourada por dentro.

A tampa é geralmente encimada por uma haste em forma de cruz.

É usado para conter as hóstias para a congregação, e permanece aberto sobre o altar, ao lado do cálice, enquanto as hóstias aguardam a consagração.

As Hóstias são posteriormente distribuídas ao clero e ao povo a partir dele, e pode ser colocado dentro do sacrário para conter aquelas que são reservadas.

Nesse caso, sua tampa é cuidadosamente colocada sobre ele, e ele também deve ser coberto com um véu de seda branca.

Em igrejas grandes, onde vários sacerdotes auxiliam na distribuição à congregação, pode haver um número correspondente de cibórios.

Se, em uma Missa baixa, o número de comungantes for pequeno, as Hóstias para eles podem ser consagradas na mesma patena que a Hóstia do sacerdote, e podem ser distribuídas a partir dela; mas deve-se ter grande cuidado para evitar acidentes, pois a patena moderna é um pequeno prato circular de ouro (ou prata dourada), frequentemente sem qualquer borda e apenas levemente côncava, de modo que é necessária a maior vigilância para impedir que as Hóstias escorreguem quando ela é movida sobre o altar, ou levada de um lugar para outro.

É conveniente que uma igreja possua uma píxide — uma pequena caixa, geralmente de prata (mas naturalmente dourada por dentro), na qual uma Hóstia pode ser guardada para a Bênção, ou levada aos enfermos.

Nos tempos antigos, a píxide era frequentemente muito maior do que é agora e ricamente ornamentada; uma na Catedral de São Paulo pesava quarenta e duas onças.

Algumas tinham a forma de uma pomba, esplendidamente esmaltada; algumas, a forma de uma torre, ou de um cálice com tampa.

Não raramente era suspensa sobre o altar, e parece ter ocupado, dessa maneira, o lugar do nosso sacrário, o qual substituiu a píxide suspensa somente na parte final do século XV.

Quando os pesados dossel de altar saíram de moda, tornou-se mais difícil suspender a píxide, e assim surgiu o costume de guardá-la em um nicho no retábulo, que então precisava ter uma porta que pudesse ser trancada, e assim logo se desenvolveu em um sacrário.

A píxide em forma de cálice passou então a ter um pé, por conveniência, e foi assim a ancestral do nosso cibório.

O ostensório (Estampa 19), no qual a Hóstia é colocada para o serviço da Bênção Solene, e quando é levada em procissão, é realmente uma píxide transparente.

Ostensórios antigos eram feitos em muitas formas diferentes — imagens de todos os tipos, cruzes, anjos sustentando uma píxide de cristal encimada por uma cruz, um grande tubo de cristal fixado em um pé de metal, figuras de Nosso Senhor com uma porta de cristal no peito, atrás da qual a Sagrada Hóstia era inserida — muitas e estranhas eram as formas que assumiam; no entanto, eram quase sempre artísticos e frequentemente de imenso valor.

O tipo que agora é quase invariavelmente usado foi adotado no século XVII.

É o de um sol radiante de ouro ou prata, com uma píxide de cristal no centro, dentro da qual a Hóstia é mantida em posição vertical por um clipe em forma de crescente feito de ouro (ou prata dourada), chamado lúnula.

É imperativo que a Hóstia não toque o vidro.

CAPÍTULO VIII — AS VESTES

Houve duas escolas de pensamento com relação à origem das vestes eclesiásticas.

Por muito tempo, supôs-se que elas fossem modeladas diretamente sobre as do sacerdócio judaico, para as quais instruções tão minuciosas são dadas na suposta lei de Moisés.

Pesquisas posteriores e mais críticas parecem demonstrar conclusivamente que elas foram evoluídas por um processo natural a partir do traje comum de um cidadão romano do primeiro século da nossa era, embora se diga que várias mudanças em sua textura, contorno e número foram introduzidas para assimilar, tanto quanto possível, os sistemas judaico e cristão.

Os sacerdotes usavam a princípio a vestimenta civil, cuidando apenas de que fosse especialmente limpa e da melhor qualidade disponível; mas quando, por volta do sexto século, a moda dessa vestimenta civil começou a alterar-se, a Igreja considerou a mudança menos adequada à dignidade dos ofícios divinos e ao trabalho que tinha a realizar, de modo que reteve as formas mais antigas, modificando-as gradualmente ao longo dos séculos. Não tenho dúvida de que em tais modificações ela recebeu certa medida de orientação de poderes superiores por trás — não em cada detalhe, obviamente, mas o suficiente para produzir um conjunto de vestes decentes e apropriadas que possam ser prontamente utilizadas para o influxo e o efluxo das forças com as quais nossos serviços estão relacionados.

Os Grandes Seres sempre evitam dominar o pensamento do homem, mas estão prontos a dar conselho se consultados, e a influenciar gentilmente na direção certa aqueles que estão dispostos a se abrir a tal orientação.

Se devemos nos beneficiar do resultado do exame clarividente sobre o valor e a eficácia das vestes, devemos primeiro compreender que elas devem satisfazer dois conjuntos distintos de requisitos.

Elas têm dois papéis a desempenhar; devem recomendar-se, no todo, ao senso estético do povo (ou pelo menos não devem ultrajá-lo de qualquer forma) e não devem oferecer obstáculo às forças que devem fluir através delas.

O melhor tipo de vestimentas usado pela Igreja nos dias atuais satisfaz muito bem a primeira dessas condições; são dignas e majestosas, belas em cor e ornamento, e trazem consigo o profundo interesse de uma longa continuidade histórica.

Quando as consideramos, no entanto, do segundo ponto de vista, descobrimos que alguns dos vários tipos são mais úteis do que outros; e é esse lado da questão que agora tentarei explicar.

Homens de certa mentalidade são divertidamente impacientes com o ritual e as vestimentas, e clamam constantemente contra eles com veemência, perguntando se não podemos prescindir deles. Certamente podemos.

O grande sacrifício da Santa Eucaristia pode ser oferecido, o poder pode ser invocado, a bênção pode ser derramada, sem nenhuma dessas coisas; mas isso pode ser feito com muito mais facilidade e suavidade com elas.

Você pode funcionar por um curto período sem lubrificar o motor; mas logo descobrirá que ele está produzindo menos resultado do que deveria e trabalhando com muito atrito.

O ritual, as vestimentas, os sinos, as velas, o incenso — todos esses são artifícios para economizar energia, de modo que menos se perca na maquinaria e mais seja liberado para o grande propósito do sacrifício.

O poder de Deus, dizem os homens, é infinito; Ele pode fazer o que quiser sem nossa ajuda.

Não lhes ocorre que Ele possa, não inconcebivelmente, ter um número infinito de propósitos aos quais deseja dedicar esse poder, e que não nos convém fazê-Lo desperdiçá-lo por causa de nossas mesquinhas e pessoais prevenções.

Sem dúvida, a vontade humana pode fazer todas as coisas quando devidamente desenvolvida; mas pode fazê-las com muito mais facilidade e com muito menos trabalho para a Fonte de todo o poder, se um pouco de inteligência for usado no fornecimento de maquinaria adequada.

Uma materialização etérica, por exemplo, poderia servir em lugar de algumas das vestimentas; mas a energia gasta em fazer essa materialização toda vez seria desproporcionalmente maior do que a envolvida em confeccionar a vestimenta — sem mencionar a oportunidade que esta última oferece para que um membro da congregação participe da boa obra.

Muitos sacerdotes não fazem a menor ideia de como materializar; e o Cristo quis que Seu plano funcionasse mesmo nas mãos dos ignorantes.

Por isso os serviços são cercados de muitas pequenas precauções, e não é prudente afastar-se de um ritual prescrito, a menos que se veja claramente tudo o que dele depende. Certamente nosso Senhor operará com o que tivermos, mas nós, de nosso lado, devemos fazer o nosso melhor para proporcionar canais tão adequados quanto possível.

As Vestes

Revisemos as várias vestes eclesiásticas uma por uma; algumas precisamos apenas mencionar de passagem, enquanto outras podem exigir comentário ou explicação.

A BATINA — A batina (Lâmina 20) é simplesmente o longo sobretudo ou túnica com uma única gola alta que fazia parte da vestimenta comum dos séculos XI e XII.

Mais tarde, foi abandonada pelos leigos em favor do casaco mais curto, que se mostrou mais conveniente de várias maneiras, mas a Igreja reteve a batina por sua maior dignidade e graciosidade como base para as demais vestes; e assim ela se tornou a vestimenta externa distintiva do clero em ocasiões comuns.

Nos dias modernos, a batina é frequentemente fechada por uma longa fileira de botões do pescoço aos pés, que alguém certa vez comparou a uma caldeira com uma fileira de rebites; anteriormente, era (e às vezes ainda é) uma vestimenta trespassada, com um lado dobrado sobre o outro como um quimono, e era cingida na cintura por uma larga faixa da mesma cor e material, chamada cinta.

Mesmo quando há botões, a cinta ainda deve ser usada.

Na Igreja da Inglaterra, padres e diáconos usam batinas pretas, e até mesmo alguns bispos fazem o mesmo, embora outros estejam começando a adotar um roxo escuro.

Na Igreja Romana, padres e o clero inferior usam preto, os bispos um lindo roxo-rosado, os cardeais vermelho, e o Papa branco.

Acólitos e coristas em ambas as Igrejas usam várias cores — vermelho, azul, roxo e preto.

Batinas marrom-acinzentadas parecem ter sido usadas não raramente na Idade Média, mas dificilmente são vistas hoje, embora eu pense que ainda sejam permitidas pelos cânonos ingleses.

Lembro-me de que o Rev.

Stephen Hawker de Morwenstow sempre usava uma.

Na Igreja Católica Liberal, temos a mais forte objeção a essa negação da cor chamada preto, e nunca a usamos sob nenhuma circunstância.

Portanto, vestimos nossos acólitos, turiferários, portadores de cruz, de velas, de naveta e de báculo em escarlate, nossos coristas (sejam homens ou meninos) em azul-claro, e nossos padres, diáconos e subdiáconos em púrpura escura.

Nossos bispos usam o tradicional rosa-púrpura.

A batina deve ser sempre suficientemente comprida para esconder a barra das calças.

Na época medieval, esta vestimenta não era usada sobre o traje comum, como agora, mas era ela própria o traje comum, usada apenas sobre a roupa de baixo.

Assim, no inverno, era frequentemente forrada com pele ou pele de carneiro por questão de calor, e assim adquiriu no latim posterior o nome de *pellicea*.

Independentemente de sua dignidade e decoro, é uma vantagem decidida para o sacerdote ter na batina uma vestimenta clerical distinta, carregada com o magnetismo de inúmeros serviços, permeada de pensamentos da vida superior e do trabalho sacerdotal, e tão útil para excluir as preocupações e trivialidades da existência cotidiana.

A SOBREPELIZ

Esta (Estampa 21) é a vestimenta usual de sacerdotes, diáconos e coristas para todos os serviços, exceto para o celebrante, diácono e subdiácono na Santa Eucaristia ou Bênção.

A palavra é derivada por modificações fonéticas naturais de seu nome latino *superpellicea*, dado a ela porque é usada imediatamente sobre a batina.

A sobrepeliz, a alva, a rocheta e a cota são todas variantes da mesma vestimenta original, embora cada uma tenha sido agora modificada para usos especiais.

É fundamentalmente uma longa túnica de linho branco feita para ser vestida pela cabeça, tendo mangas amplas, que se alargam até as mãos, e pendendo em dobras graciosas.

Parece ser uma descendente direta da *tunica talaris* do cidadão romano, embora também se assemelhe à túnica mosaica do sacerdote levítico.

Passou por muitas mudanças de forma e estilo.

Duzentos anos atrás, na Igreja da Inglaterra, por exemplo, foi aberta totalmente na frente e presa no pescoço com um botão, de modo que pudesse ser vestida sem desarrumar as enormes e espantosas perucas de fundo largo que então estavam na moda.

Tal alteração tornou a vestimenta completamente ineficaz para os propósitos internos para os quais é realmente destinada, mas seus usuários nem sabiam nem se importavam com tais questões.

A sobrepeliz romana moderna, em muitos lugares, tornou-se uma mera paródia — uma vestimenta de aparência ridícula e indecorosa, absurdamente curta e orlada de renda, sugerindo irresistivelmente a saia de uma dançarina de balé.

Em outros lugares, o orifício original, que deveria ser apenas grande o suficiente para a cabeça, tornou-se uma espécie de jugo quadrado e largo que repousa sobre os ombros, ao estilo de uma bata camponesa ou do traje de alguns leiteiros modernos.

Todas essas extravagâncias devem ser evitadas, pois interferem na utilidade da vestimenta e foram evidentemente introduzidas por homens ignorantes de seu valor para o trabalho eclesiástico.

A Ciência dos Sacramentos

Não creio que precisemos nos preocupar demasiadamente com os significados simbólicos que os eclesiásticos atribuíram às diversas vestimentas, pois eles diferem tão amplamente entre si que é obviamente, em grande parte, uma questão de fantasia individual.

É, contudo, uma bela concepção ver na alvura da sobrepeliz um emblema da pureza de vida tão necessária àqueles que verdadeiramente serviriam a nosso Senhor; e isso ajuda a impressionar no usuário a conveniência de lavar e passar frequentemente a vestimenta, para que ela possa tipificar mais de perto essa virtude.

Tudo isso a torna mais adequada para o trabalho que se destina a realizar. Para compreender isso, devemos lembrar que as vestimentas têm várias funções.

Algumas protegem o usuário, agindo como um escudo contra influências perturbadoras; outras lhe oferecem uma oportunidade de armazenar suas forças, e ainda outras são dispostas para sua fácil distribuição.

Às vezes, o fluxo do poder divino é definitiva e inteiramente externo, como na Celebração ou Bênção do Santíssimo Sacramento; às vezes, destina-se a operar principalmente através de uma intensificação das forças naturais do sacerdote.

Nosso Senhor liga Seus sacerdotes a Si mesmo de modo especialmente íntimo na sua ordenação, e esse vínculo jamais pode ser perdido, embora o sacerdote possa fortalecê-lo pelo uso devoto que dele faça, ou atenuá-lo por descuido ou esquecimento persistente. Em todos os serviços da Igreja, exceto aqueles ligados à Santa Eucaristia, o Senhor utiliza esse vínculo como canal do Seu poder; e quando isso é feito, a sobrepeliz é a vestimenta mais conveniente.

Ela desempenha um papel que, em pequena escala, pode ser comparado ao da edificação de pensamento na Eucaristia, pois dentro dela a força se condensa e se acumula, sendo o linho quase impermeável a essas vibrações e, portanto, um bom isolante.

O sacerdote derrama a energia acumulada sobre o seu povo quando ergue a mão direita na absolvição ou bênção, ou estende ambas no *Dominus vobiscum*; daí o uso das mangas largas.

Há também um fluxo constante através da estola, com a qual trataremos mais adiante.

A sobrepeliz (Prancha 21) do sacerdote da Igreja Católica Liberal deve ser de linho, suficientemente longa para cair abaixo do joelho; deve ter uma abertura circular para a cabeça, tão pequena quanto seja compatível com a conveniência, e mangas que desçam até os punhos, largas o bastante para alcançar os lados quando os braços estão totalmente estendidos à altura do ombro.

A faixa em volta do decote deve ser lisa, e todas as dobras e franzidos nessa parte da vestimenta devem ser cuidadosamente evitados, pois prejudicam seriamente a sua utilidade.

Não deve ter botões, nem deve ser orlada ou ornamentada com renda.

Estou inserindo uma série de fotografias das vestimentas da Igreja, especialmente para que nossos sacerdotes vejam quais formas foram consideradas mais adequadas do ponto de vista interno para a pronta transmissão das forças superiores envolvidas; e confio que aqueles que tiverem a bondade de confeccionar vestimentas de qualquer tipo para nossos sacerdotes serão tão bons a ponto de seguir de perto os modelos aqui representados.

A distribuição das forças é o objetivo do uso dessa vestimenta especial, e a sua aptidão para esse propósito nunca deve ser sacrificada às preferências particulares do confeccionador ou do usuário.

A Ciência dos Sacramentos

A COTTA — Esta (Prancha 21) é uma forma mais curta da sobrepeliz, feita exatamente do mesmo modo, mas caindo apenas até a metade da coxa, com mangas curtas e largas que alcançam um pouco abaixo dos cotovelos.

A parte inferior da cotta e as pontas das mangas são orladas com renda.

Na Igreja Católica Liberal, ela é usada apenas por coroinhas, não pelo clero ou pelos coristas.

Seu uso interno é proteger todos os órgãos mais importantes do corpo contra influências externas desagradáveis, tais como as que podem facilmente recair sobre aqueles cujos deveres os obrigam a circular entre ou perto de uma congregação mista.

A ESTOLA

A estola (Lâmina 21) é uma faixa estreita de seda ou de trabalho bordado, muito parecida com uma fita, geralmente com três ou quatro polegadas de largura no meio, seis ou sete polegadas de largura nas extremidades e oito pés de comprimento.

É geralmente orlada em ambos os lados com cordão ou trança de ouro, e tem uma franja dourada profunda em cada extremidade.

Na Idade Média, essa franja era frequentemente feita de fios de pérolas ou outras joias, entremeados com pequenos sinos dourados; mas esse não é o costume nos dias atuais.

A estola pode ser relativamente simples ou muito ricamente ornamentada; mas sempre traz três cruzes de ouro, uma em cada extremidade e uma (muito menor) no meio.

Essa cruz menor é beijada pelo sacerdote antes de colocar a estola sobre a cabeça; ela repousa na nuca enquanto as extremidades da estola pendem na frente até cerca dos joelhos do usuário.

Essas extremidades frequentemente se alargam ligeiramente para dar espaço a cruzes maiores.

Por volta do século XVIII, esse alargamento tornou-se grosseiramente exagerado, e encontramos as extremidades se espalhando em formas feias semelhantes a pás, enquanto ao mesmo tempo a estola foi muito encurtada, de modo que mal alcançava a cintura do usuário; mas a moda está agora felizmente retornando à forma mais antiga, mais graciosa e muito mais eficaz.

A forma longa e estreita sugere inevitavelmente a ornamentação da estola com figuras de santos e Anjos, dispostas uma acima da outra em painéis; e, de fato, encontramos centenas de exemplos de tal decoração, alguns deles espécimes requintadíssimos do trabalho medieval.

A estola é frequentemente parte de um conjunto de paramentos feitos para combinar.

Um conjunto eucarístico consiste na casula, estola, manípulo, véu de cálice e bolsa; e com eles deve ir uma capa para a procissão, e a dalmática e a tunicela para o diácono e o subdiácono.

Não é de modo algum necessário ter um conjunto que combine dessa maneira, e acontece mais frequentemente que um membro da congregação ofereça uma casula, outro uma capa, outro uma estola e manípulo, e assim por diante, todos de padrões diferentes.

É preciso ter os paramentos, embora não precisem combinar; mas quando um conjunto é possível, produz um efeito agradável.

O conjunto inteiro é então feito do mesmo material; mas esses materiais variam muito.

Algum tipo de tapeçaria, ricamente bordada com ouro, prata e sedas de muitas cores, é talvez a mais favorecida, mas o brocado de seda é muito usado, e também a seda moiré lisa, o cetim ou o veludo.

A cor do fundo do material difere de acordo com a estação do ano litúrgico da Igreja, e pode ser branca, vermelha, violeta, verde ou rosa; de modo que, para estar totalmente equipada, uma igreja precisa de pelo menos quatro conjuntos de paramentos, se o rosa (que é usado apenas duas vezes no ano) for omitido.

O conjunto branco deve ser o primeiro a ser obtido, pois no caso de igrejas muito pobres ele é aceito como substituto de todos os outros.

A estola é usada somente por bispos, sacerdotes e diáconos.

O sacerdote a usa como descrito acima — colocada ao redor do pescoço e pendendo reta na frente — para todos os serviços da igreja, exceto na celebração da Santa Eucaristia, quando é cruzada sobre o peito e mantida nessa posição pelo cinto (Estampa 22). Um bispo, no entanto, não cruza a estola durante a celebração, pois isso interferiria na radiação de sua cruz peitoral.

Um diácono a usa como uma faixa apenas sobre o ombro esquerdo, com as pontas amarradas ou unidas em laço no lado direito do quadril.

Ela é vestida sobre a sobrepeliz ou alva, mas sob a capa, a casula ou a dalmática.

A Igreja Romana ordena o uso da estola somente quando um sacerdote ou diácono está exercendo os poderes especiais de seu ofício; de modo que, segundo esse esquema, ela não é usada, por exemplo, nas Vésperas.

A Igreja Católica Liberal decidiu seguir, nessa matéria, o costume que se desenvolveu na Igreja da Inglaterra, segundo o qual um sacerdote ou diácono usa sempre sua estola durante qualquer serviço religioso, como marca do grau que alcançou.

A estola preta anglicana é, contudo, provavelmente uma sobrevivência do tippet medieval, e não realmente uma estola.

Os significados simbólicos atribuídos a esta vestimenta são bastante mais inconsistentes que o usual.

Diz-se comumente que ela tipifica o "jugo suave" de Cristo; mas também foi interpretada como significando inocência, a santa Encarnação, a resistência às dificuldades presentes, a pureza das boas obras, a subjugação da língua, a origem terrena e a meta celestial do corpo humano, e a necessidade de justiça e misericórdia além de temperança e abstinência do mal! A força que se acumula ao redor do sacerdote sob o estímulo do serviço é, como já disse, condensada e comprimida dentro da sobrepeliz. Obviamente há uma considerável saída através do buraco do pescoço, mas a cruz de ouro na estola atrai essa saída como um para-raios atrai a eletricidade; e assim, em vez de disparar para cima novamente e dissipar-se inutilmente, esse excedente corre para baixo pela estola, é concentrado em um vórtice de cada lado pelas cruzes de ouro nas extremidades, e espalha-se sobre a congregação através das franjas de ouro na parte inferior (Diagrama 13). Um desenho é anexado (Diagrama 14) do tipo de cruz que se mostrou mais satisfatório para concentrar a força, de modo que ela se derrame uniforme e constantemente.

O ouro é o melhor condutor dessas forças superiores; algumas delas (não todas) funcionarão quase tão bem através da prata ou da seda; mas o ouro é um meio satisfatório para todas elas.

O melhor material disponível deve ser obtido; muito do que é vendido como galão de ouro é mero ouropel, e embora isso geralmente sirva como condutor, é menos satisfatório que a coisa real.

Mais uma vez, deixe-me enfatizar que não estou por um momento sustentando que as vestimentas sejam necessárias para a devoção; não tenho dúvida alguma de que um homem 436 A Ciência dos Sacramentos

DIAGRAMA 13.—Fluxo de Forças através da Estola.—A força que se acumula sob a sobrepeliz durante um serviço religioso sobe através da abertura do pescoço e é atraída pela cruz de metal fixada ao meio da estola.

Dali flui para baixo por ambos os lados da estola até as extremidades, onde forma um vórtice ao redor de cada cruz ali fixada. Em seguida, irradia para fora, sobre as pessoas, através da franja de metal.

DIAGRAMA 14.—Cruz da Estola.

Este tipo de cruz tem se mostrado o mais satisfatório na concentração e na distribuição uniforme da força.

As Vestes

podem oferecer louvor e adoração aceitáveis a qualquer momento, em qualquer lugar, e com qualquer vestimenta ou sem nenhuma, e que, quando ele os oferece, receberá o devido reconhecimento das alturas.

Estou descrevendo o que é visto, por qualquer pessoa suficientemente clarividente, ocorrer em qualquer serviço religioso quando as vestes consagradas pelo tempo são usadas; e por causa do que eu mesmo observei repetidamente dessa forma, afirmo que essas vestes têm um uso distinto e prático, e que nos permitem receber o benefício de uma boa quantidade de força divina que, de outra forma, retornaria à sua fonte sem afetar diretamente nenhum ser humano em seu caminho.

Sei que há pessoas que não acreditarão nisso e se irritarão ao ouvir falar; mas, na realidade, seus sentimentos não alteram os fatos, e sempre lhes é possível aceitar outros ministérios religiosos, se os preferirem.

A CAPA PLUVIAL

A vestimenta da qual a capa pluvial (Lâmina 25) originalmente evoluiu era uma capa externa pesada, usada como proteção contra a chuva, como podemos ver pelo seu nome latino *pluviale*.

Tinha atrás um capuz que podia ser puxado sobre a cabeça; mas quando foi adaptado para uso eclesiástico, o capuz gradualmente se desenvolveu em uma espécie de escudo de rico bordado ou galão de ouro, endurecido e adornado com uma franja — um escudo totalmente separado da vestimenta, e preso nas costas dela por botões ou laçadas.

A capa pluvial, quando estendida no chão, tem forma semicircular, e quando lançada sobre os ombros é vista como um longo manto, chegando quase ao chão, mostrando uma abertura na frente, 438            A Ciência dos Sacramentos

onde é presa sobre o peito com um fecho chamado morsa.

Um orfre ou faixa bordada a ouro, geralmente de seis a oito polegadas de largura, corre ao longo da corda do semicírculo, de modo que, quando a capa é usada, o orfre fica ao redor do pescoço e desce pela frente até os pés em duas largas faixas.

Os botões que sustentam o capuz ou capa são geralmente colocados na borda inferior desse orfre, na parte de trás do pescoço.

Verificar-se-á que, se aderirmos exatamente à forma semicircular, a vestimenta assenta muito desajeitadamente sobre os ombros e também se ergue de maneira feia na nuca, desperdiçando assim boa parte da força gerada dentro dela. É nosso costume na Igreja Católica Liberal evitar essas dificuldades fazendo a capa pluvial moldada aos ombros, o que a torna não apenas menos desajeitada, mas muito mais confortável e, ao mesmo tempo, mais adequada para seu propósito.

A capa pluvial é usada em procissões, nas Vésperas Solenes, no Asperges antes da celebração da Santa Eucaristia e na Bênção do Santíssimo Sacramento.

Nas grandes festas, todo o clero usa capas pluviais, se as tiver, mas nos domingos comuns apenas o celebrante usa a vestimenta durante a procissão e o Asperges.

Segundo o uso romano, também podem ser usadas pelos cantores.

Lemos que em 1552 havia duzentas e oitenta capas pluviais no tesouro da Catedral de São Paulo, e algumas delas eram de valor enorme. É difícil para nós, nos dias de hoje, imaginar a multi-     Esta palavra é contraída do latim *aurum Phrygiatum* — trabalho frígio em ouro (Plínio, viii.

48.)                     As Vestimentas

tude de vestimentas possuídas por nossas grandes igrejas antes de serem confiscadas pelo rei Henrique VIII.

É necessário examinar alguns dos inventários de suas posses para perceber sua riqueza.

Não é de admirar que tenha despertado a cobiça daquele monarca sem escrúpulos; e ele pode não ter sido inteiramente injustificado ao pensar que parte dela poderia ser melhor dedicada ao bem geral da nação.

Uma igreja deve ter vestimentas suficientes e dignas para seu clero, mas armazená-las aos milhares convida à crítica.

Um esplêndido exemplar de bordado medieval é a Capa de Syon, agora no Museu de South Kensington.

É profusamente ornamentada com brasões heráldicos e figuras da história sagrada, e deve ter sido maravilhosamente impressionante quando usada.

Lembro-me de uma capa mais moderna de tecido de ouro, com uma bela reprodução da Última Ceia de Leonardo da Vinci sobre sua capa.

Sendo a capa uma das vestimentas do "conjunto", os materiais mencionados para a estola podem ser considerados como aplicáveis também a ela.

O morse é às vezes uma faixa altamente decorada de brocado, e às vezes um fecho de metal, frequentemente esmaltado e ricamente adornado com gemas.

Na Idade Média, era frequentemente um dos exemplos mais finos e custosos da arte do ourives; e a história nos conta que o magnífico morse que Benvenuto Cellini fez para o Papa Clemente VII foi realmente o fundamento de toda a sua fortuna posterior.

Para compreender o uso interno da capa, devemos lembrar que um grande número de diferentes tipos de forças entra em ação durante nossos serviços.

Podemos classificar as mais importantes delas sob três cabeças, deixando de lado por completo, por enquanto, a mais maravilhosa de todas — aquela que flui através da Hóstia consagrada.

1. Aquelas (às quais já me referi) que são enviadas através da conexão especial do Cristo com Seu sacerdote, ou do reservatório de força espiritual.

Estas, fluindo através dos princípios superiores do sacerdote e sendo transmutadas ou materializadas dentro do seu próprio corpo, acumulam-se dentro da sobrepeliz, alva ou roquete.

2. As correntes que as forças do primeiro tipo produzem por indução, fora dessas vestimentas de linho, se condições adequadas forem proporcionadas para elas — isto é, se uma estola, capa ou mantelleta for usada.

3. As forças que são coletadas de fora.

A maior delas é aquela irradiada pela Hóstia reservada; mas há também uma emissão constante e vigorosa de poder das pedras magnetizadas sobre o altar, e das cruzes e castiçais especialmente designados aos Raios.

Em todos os serviços mais importantes, e particularmente quando se usa incenso, há sempre uma grande presença dos santos Anjos; e as maravilhosas forças que deles emanam perpetuamente são mais facilmente captadas e utilizadas para a congregação quando vestimentas adequadas são usadas como condutoras.

Consideraremos a celebração da Santa Eucaristia mais adiante, pois esta possui um conjunto de vestimentas reservado para si.

Em todos os outros serviços feriais comuns (isto é, não festivos), forças de segunda e terceira classes são coletadas e distribuídas suficientemente.

página 440.

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pela estola; mas em ocasiões de derramamento especial é aconselhável suplementá-la com a capa, que tem uma capacidade de condução muito maior.

As correntes induzidas do segundo tipo causam uma radiação geral, não diferente daquela que se sente perto de um Anjo; as vestimentas a captam e a direcionam. A água que escapa de um hidrante de rua se perde em grande parte; direcione-a através da mangueira de um carro de bombeiros, e ela se torna tremendamente eficaz.

DIAGRAMA 15.—Fluxo de Forças através da Capa.

A larga faixa metálica na capa pluvial atua como uma estola ampliada, exceto que as forças que ela recolhe, seja enquanto o sacerdote caminha em procissão ou está de frente para o altar, fluem para cima até os ombros, descem para dentro da capa e daí para fora, sobre o povo.

Naquelas ocasiões em que o sacerdote está de frente para o povo, a capa absorve a força do altar, que então flui ao longo dos orfres e se derrama pelas extremidades inferiores das faixas metálicas em direção à congregação. 442 — A Ciência dos Sacramentos

A capa pluvial é especialmente valiosa em procissões, pois recolhe força das cruzes de Raio ao passarmos por elas, e no altar nas Vésperas Solenes, quando recebe a esplêndida erupção causada pelo Te Deum.

Seus orfres podem ser considerados uma espécie de estola glorificada; mas a alquimia da estola — a transmutação, mistura e fortalecimento recíproco das várias forças — é realizada nos vórtices causados pelas cruzes em suas extremidades, enquanto na capa pluvial esse trabalho é feito em escala muito maior no escudo nas costas.

Nas Vésperas Solenes, por exemplo, esse escudo é um centro semelhante ao sol, de luz ofuscante, para o olho clarividente, quando o sacerdote está diante do altar no Te Deum; mas quando ele se volta para abençoar o povo, o vórtice, por assim dizer, inverte-se, de modo que o escudo se torna imediatamente um poderoso absorvedor e a força corre ao longo dos orfres e se derrama sobre a congregação pelas extremidades inferiores, elevando-se à medida que se espalha, como é sua tendência natural (Diagrama 15).

A ALVA

Chegamos agora às vestes eucarísticas especiais, das quais a primeira é a alva (Lâmina 22). Ela tem a mesma origem que a sobrepeliz, mas foi evoluída de maneira um tanto diferente, a fim de adaptá-la ao lugar especial que lhe foi designado. Em sua forma atual, é uma vestimenta de linho branco com mangas justas, que se estende até alguns centímetros da parte inferior da batina, e é cingida na cintura com um cordão (Lâmina 22). Na Igreja Romana, é frequentemente uma vestimenta bastante ampla, com muitas pregas e dobras; de fato, encontramos São Carlos Borromeu prescrevendo uma circunferência de sete jardas para a parte inferior de uma alva! Ela também é às vezes presa no pescoço por um botão ou por cordões.

Remendos oblongos de brocado rico, chamados ornatos, são frequentemente costurados na parte inferior da alva, tanto na frente quanto atrás; mas às vezes buracos de tamanho e formato semelhantes são cortados na alva e preenchidos com renda delicada, de modo que a cor da batina aparece através deles.

Nos primeiros dias, placas ou discos circulares de ouro eram fixados à alva no lugar ocupado pelos ornatos modernos, mas esse plano foi abandonado.

Adotamos para a Igreja Católica Liberal o tipo de alva que descobrimos por experimentação ser o mais útil do ponto de vista interno.

Ela é inteiramente sem botões ou cordões, e tem uma abertura para o pescoço precisamente como a da sobrepeliz, tão pequena quanto seja consistente com a conveniência, com uma gola lisa e plana, e sem dobras, pregas ou babados de espécie alguma.

Esta última condição é especialmente importante, pois cada uma dessas dobras causa uma interrupção na uniformidade do fluxo da força, e assim dá trabalho adicional.

A alva assenta-se frouxamente sobre a batina, tem mangas comuns semelhantes às de um casaco, com bordas profundas de renda, e grandes aberturas contendo ornatos de renda (como os descritos anteriormente), tanto na frente quanto atrás, alguns centímetros acima da barra.

Ela pende quase até os pés, mas deve mostrar alguns centímetros da batina.

Um cordão é usado ao redor da cintura, mas a alva não deve ser puxada para cima através dele de modo a sobrepor-se, como às vezes é feito em outros ramos da Igreja.

O cordão simplesmente mantém a alva próxima à batina; não a encurta nem a vincula de maneira apreciável.

A Ciência dos Sacramentos

DIAGRAMA 16.—Fluxo de Forças sob a Alva.—Sempre que o sacerdote toca a Hóstia ou o Cálice, a força que deles emana sobe por seus braços sob a alva de linho, e jorra pelo colarinho, sendo capturada e desviada pelo amito e pela estola para canais que a conduzem ao povo.

Tais canais são as pontas da estola e os galões da casula.

O cíngulo impede o fluxo dessa força para baixo.

Outras forças, da parte inferior do altar, passam através do aparato de renda na base da alva, que está mais próximo do altar, fluem ao redor sob a alva, e irradiam sobre o povo através do outro aparato.

O uso da alva é, em alguns aspectos, semelhante ao da sobrepeliz, e em outros bastante distinto.

O linho branco atua como um forte escudo, uma espécie de armadura para o sacerdote, e o isola, de modo a prevenir quase inteiramente qualquer interferência de influências externas desagradáveis.

As mangas não são feitas largas, porque a vestimenta não é usada em ocasiões em que a força interior do sacerdote é o principal agente.

Na Celebração, o poder geralmente não desce pelos braços do sacerdote como antes, mas sobe por eles a partir dos Sagrados Elementos com os quais ele lida, e, arrastando consigo as forças privadas do próprio sacerdote, passa para o amito e a estola.

É contido pela pressão suave do cíngulo contra qualquer movimento descendente; enquanto outras forças do altar irrompem através do aparato que está voltado para elas, e (mais uma vez carregando algo da personalidade do sacerdote) derramam-se sobre a congregação através do aparato oposto (Diagrama 16).

O AMITO

Esta vestimenta (Lâmina 19) geralmente aparece como uma peça retangular de linho, seja lisa ou moldada aos ombros, com cordões em seus cantos superiores que cruzam sobre o peito e são amarrados ao redor do corpo do usuário, de modo que repousa sobre o pescoço e os ombros.

Parece que originalmente se destinava também a cobrir a cabeça, e como relíquia desse uso, o sacerdote romano ainda a descansa por um momento sobre a cabeça antes de colocá-la ao redor do pescoço.

Pode ter sido, nos primeiros séculos, uma mera proteção para a garganta, ou possivelmente destinada a evitar que gotas de suor escorressem sobre a casula.

Na Idade Média, a borda superior, que se dobrava sobre a gola da casula, era adornada com um rico ornamento e, às vezes, fortemente cravejada de joias.

Esse ornamento é agora desaprovado pela Igreja Romana, embora do ponto de vista interno seja a parte mais valiosa da vestimenta.

Nossos estudantes devem ter cuidado para não confundir o amito com a almúcia, que é uma vestimenta eclesiástica bastante diferente, mesmo que esta última seja às vezes corrompida para amys ou amess.

As derivações das palavras seguem linhas bem distantes uma da outra, embora as formas modernas sejam muito semelhantes.

Na Igreja Católica Liberal, retemos o amito em sua forma medieval, com um ornamento bordado a ouro ao longo de sua borda superior, como faz o partido ritualista na Igreja da Inglaterra.

O ornamento pode ser da cor do dia; mas tem-se verificado que um ornamento de seda ou cetim branco ou vermelho rico, coberto com renda dourada, serve bem para qualquer estação e harmoniza-se com todas as cores, exceto o rosa.

Alguns de nós até descartaram completamente a peça retangular de linho e inventaram o que é praticamente um novo tipo de amito, consistindo apenas no ornamento, endurecido com entretela ou papelão fino, e preso ao redor do pescoço como uma gola, levemente moldado aos ombros.

Possivelmente isso não seria reconhecido por nossos irmãos romanos como um amito de forma alguma, mas do ponto de vista interno, ele faz seu trabalho admiravelmente.

Para os propósitos da celebração da Santa Eucaristia, é desejável tapar a abertura do pescoço da alva com algo, além da estola, que sirva como um excelente condutor da poderosa força que sobe pelos braços do sacerdote.

A gola de renda de ouro do amito atende admiravelmente a essa exigência e conduz a força aos orfréis da casula, onde se une à grande corrente que já ali flui.

O CÍNGULO — O cíngulo (Estampa 22) é a corda que prende a alva na cintura.

Frequentemente é chamado de cinctura, mas parece-me que esse nome é mais apropriadamente aplicado à faixa larga que circunda a batina (Estampa 20). Este cíngulo da alva, contudo, foi em certa época também largo e chato, feito de seda ou tecido de ouro e profusamente adornado com joias.

Agora é geralmente uma corda de linho branco bem tecida, com uma grande borla do mesmo material em cada extremidade; mas pode ser de seda ou de cordão de ouro — este último talvez o melhor.

Alguns sacerdotes têm cíngulos das quatro cores litúrgicas, para harmonizar com o restante das vestimentas, mas isso é irrelevante.

A função do cíngulo é pressionar a alva contra a batina na cintura e manter no lugar as extremidades cruzadas da estola do sacerdote quando ele celebra.

A CASULA — Esta (Estampa 23) é a vestimenta sacrificial especial — a mais importante e altamente prezada de todas.

Os materiais mais ricos, a decoração mais abundante, o melhor trabalho de joalheria, o bordado mais elaborado foram, através dos séculos da história da Igreja, prodigalizados sobre esta, que bem pode ser chamada a vestimenta de corte do sacerdote, pois é reservada exclusivamente para sua aparição na própria presença de Cristo, o Rei celestial.

Pensou-se que ela representa a túnica inconsútil de Cristo e tipifica o amor, que envolve e mantém unidas todas as outras virtudes, e salvaguarda e ilumina sua beleza com sua proteção.

Provavelmente foi originalmente derivada de uma vestimenta não muito diferente do poncho mexicano — um grande círculo de tecido com um buraco cortado no centro, através do qual a cabeça era introduzida.

Daí as primeiras casulas terem forma de sino, e algumas foram descritas como semelhantes a capas com suas bordas frontais costuradas.

Mas essa forma, por mais eficiente que fosse para reter a força, logo se mostrou intoleravelmente inconveniente na prática, e a casula tornou-se uma vestimenta oval, encurtada nas laterais até atingir os pulsos e, eventualmente, apenas um pouco abaixo dos cotovelos do usuário.

Assim evoluiu a casula gótica — de longe a forma mais graciosa e eficaz da vestimenta, que persistiu durante toda a Idade Média.

A Igreja da Inglaterra, onde é sábia o suficiente para usar vestes eucarísticas, conserva essa forma, assim como a nossa Igreja Católica Liberal; mas desde a Reforma a Igreja Romana, buscando a conveniência à custa da eficiência, ainda mais abreviou a casula e adotou a feia forma de costas retas.

Nesta, os lados da vestimenta são inteiramente cortados, e as tiras que passam sobre os ombros são pouco mais que um par de suspensórios para manter as partes dianteira e traseira unidas.

Também uma grande abertura é geralmente deixada para a cabeça, em vez do pequeno orifício redondo para o pescoço.

Nessa mudança, a disposição original e mais adequada dos galões também foi necessariamente abandonada, e seu lugar é geralmente ocupado por uma longa coluna reta de bordado dourado descendo pela frente e uma grande cruz latina nas costas.

Estas são frequentemente trabalhadas com grande beleza, e são habilmente interpretadas como significando a coluna à qual, segundo a narrativa evangélica, o Cristo foi amarrado, e a cruz que Ele teria carregado colina acima até o Calvário.

Mas elas são decididamente menos úteis para o fluxo das forças espirituais do que o plano mais antigo da cruz em Y, que tem uma coluna tanto nas costas quanto na frente.

As Vestes

DIAGRAMA 17.—Fluxo de Forças na Casula.

As forças que irradiam da Hóstia e do Cálice são capturadas pelo galão central ou coluna da casula.

Elas então fluem para cima, passando ao longo dos galões umerais e ao redor da faixa do pescoço até a coluna oposta.

Assim, quando o sacerdote está de frente para o altar, uma torrente de força jorra do disco central radiante nas costas, e também do ponto inferior da casula, e quando ele se volta para o povo, esse disco e a coluna abaixo dele recolhem a força e a enviam em torrentes sobre os ombros até a coluna frontal, de onde irradia sobre o povo.

As forças que fervilham dentro da casula são capturadas pelo aparato metálico do amito e lançadas na circulação geral, embora certa quantidade possa transbordar por sob as bordas da vestimenta.

Fig.

A representa a forma geral da casula quando estendida no chão—a de uma Vesica Piscis; Fig.

B a frente e Fig.

C as costas de uma casula.

DD 450        A Ciência dos Sacramentos

com os braços da cruz inclinados para cima em cada caso, de modo a se encontrarem sobre os ombros, dando a forma da letra grega psi (Estampa 23), ou de uma cruz latina com braços oblíquos.

Quando as faixas estão assim dispostas, o pilar na frente é chamado peitoral, o pilar nas costas dorsal, e as faixas auxiliares, que passam sobre os ombros, os galões umerais.

A Igreja Romana, no entanto, retém a casula gótica em alguns lugares, e diz-se que há uma tendência crescente de reverter ao seu uso.

A casula, quando estendida plana sobre uma mesa, aproxima-se muito da conhecida figura eclesiástica chamada vesica piscis (Diagrama 17), um oval pontiagudo desenhado sobre dois círculos iguais, cuja circunferência de cada um passa pelo centro do outro.

Vista de frente ou de trás, a vestimenta tem muito a aparência de um escudo.

Além dos galões já mencionados, uma faixa estreita de ouro contorna a borda de toda a vestimenta e também o colarinho; e no centro das costas, no ponto onde os braços do Y deixam a linha média, há um círculo de bordado em ouro — geralmente um símbolo de algum tipo (uma Hóstia e cálice, uma pomba, um pelicano, ou as letras I.H.S.) cercado por um halo de raios, que forma a base física para um vórtice de tremendo poder.

Qualquer um dos materiais descritos como adequados para um conjunto de vestimentas é apropriado para uma casula, mas será conveniente que seja bastante flexível, pois dobras rígidas e pesadas atrapalham muito os braços no momento da elevação, e tendem a apresentar uma aparência deselegante, Op.

página.

450.

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Os galões devem ser de trança de ouro ou tecido de ouro quando possível.

Às vezes são feitas de seda bordada a ouro, de cor diferente da da vestimenta, mas, quando for esse o caso, devem ser orladas com galão de ouro, para que nenhum obstáculo seja colocado no caminho do fluxo de energia.

Durante todo o tempo em que os Elementos consagrados estão sobre o altar, eles irradiam força em vários níveis de consciência com intensidade inimaginável.

O Anjo da Presença lida com isso enquanto está conosco, mas o sacerdote tem de assumir total responsabilidade após a sua partida, e é para ajudá-lo nesse trabalho tremendo que o mecanismo da casula foi concebido.

Qualquer um dos pilares da vestimenta que esteja voltado para a Hóstia ou para o Cálice captura, concentra e direciona o poder, enquanto através do pilar oposto, e especialmente através do vórtice central nas costas, quando o sacerdote está de frente para o altar, a torrente se derrama sobre o povo (Diagrama 17). O pilar voltado para o altar atua como uma espécie de escudo ou para-raios, pois a força é de tal poder que o sacerdote poderia ser totalmente dominado por ela, e incapaz de continuar seu trabalho.

Sempre que o sacerdote toca em qualquer um dos Elementos sagrados, as vibrações percorrem seus braços e (como foi explicado) são capturadas pelo amito e pela estola e conduzidas através deles até o vórtice central, que brilha como um sol.

No momento da Consagração, uma linha indescritivelmente gloriosa de fogo vivo fustiga assim através dos braços do sacerdote, vinda diretamente da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade através do princípio intuicional de nosso Senhor — de Cristo, o Deus, através de Cristo, o Filho do Homem.

Essas forças estupendas arrastam consigo aquelas geradas pelo próprio sacerdote, e fervem verdadeiramente dentro da casula como num caldeirão; e as correntes de indução estabelecidas no exterior são proporcionalmente vigorosas.

Quando as necessárias comistões e transmutações são completadas, as forças combinadas unem-se através do amito, precipitam-se ao redor da estreita orla dourada da casula, e para baixo e para fora pelo pilar que está voltado para o povo.

Uma certa quantidade transborda o tempo todo sob as bordas da vestimenta, curvando-se ao redor dela como chamas, mas a maior parte disso também é capturada e lançada para frente pela torrente que emana do vórtice.

O sacerdote pode, até certo ponto, controlar a direção do poder, embora isso seja feito principalmente pelo Anjo Diretor, que observa a intenção do celebrante.

O comprimento da casula deve necessariamente variar com a altura do celebrante, embora nenhuma regra absoluta possa ser estabelecida.

Roma recomenda que o comprimento atrás seja de quarenta e seis polegadas, o que concorda com o de Santo Tomás de Cantuária, preservado na Catedral de Sens.

Devemos, no entanto, lembrar que essa vestimenta é do antigo formato de extintor, e que a casula romana moderna em formato de violino é muito larga na parte inferior, de modo que a nossa, em formato de escudo, precisaria ser um pouco mais comprida.

O Sr. R. A. S. Macalister, em sua obra sobre Vestimentas Eclesiásticas, p. 86, afirma: "As dimensões de uma casula pontiaguda (cerca do século XIV) em Aix-la-Chapelle, que foi aceita como padrão para imitação moderna, são dadas como se segue:

Profundidade do ombro, medindo do pescoço 33 pol.
Comprimento lateral, do ombro à ponta 59 pol.
Profundidade do pescoço à ponta na frente... 54 pol.
Profundidade do pescoço à ponta atrás... 58 pol.

O Sr. Macalister não explica por quem esse padrão foi aceito, e as medidas me parecem um tanto excessivas.

Algo entre isso e o tamanho romano seria mais prático.

A grande cruz latina nas costas da casula geralmente usada pela Igreja Romana é frequentemente muito bela, mas um pouco menos prática do ponto de vista interior do que o orfrês em forma de Y.

A força que flui ao redor dela é muito comprimida nos ângulos retos e se acumula em cada um como uma pista de corrida de bicicletas onde uma curva precisa ser feita.

Cada um desses ângulos é um verdadeiro gargalo de obstrução, portanto é melhor evitá-los.

O MANÍPULO
O manípulo (Lâmina 22) tem a aparência de uma pequena estola, com cerca de dois pés de comprimento, e é usado no braço esquerdo do celebrante, diácono e subdiácono na celebração da Santa Eucaristia.

Parece ter sido originalmente uma tira estreita de linho, usada para enxugar o rosto ou as mãos (donde, talvez, o seu nome). Gradualmente recebeu ornamentos; foi orlado com uma franja e decorado com bordados, e finalmente adotado como uma vestimenta eclesiástica definitiva.

Agora traz três cruzes, assim como uma estola; uma em cada extremidade, e uma no meio, que aparece na superfície superior do braço quando é usado.

Tornou-se parte do conjunto de vestimentas, 454. A Ciência dos Sacramentos

e é portanto feito dos mesmos materiais ricos que a capa ou a casula.

Nos primeiros tempos, era às vezes usado sobre o ombro esquerdo e, aparentemente, pela figura do Arcebispo Stigand na Tapeçaria de Bayeux, passou por uma fase intermediária de ser usado sobre os dedos da mão esquerda.

Isso deve ter sido logo considerado um arranjo intolerável, e agora é colocado sobre a manga da alva, logo acima do punho.

É conveniente costurá-lo ou abotoá-lo de modo que se ajuste levemente à manga, ou fixá-lo no lugar com um pedaço de elástico; já o vi preso com um alfinete, mas esse método não é recomendável.

Um botão ou uma pequena alça pode ser fixado à manga da alva.

O manípulo pode ter sido originalmente puramente utilitário, mas também tem um uso distinto pelo lado interno das coisas.

A mão direita é frequentemente empregada na cerimônia do serviço e está constantemente tocando ou segurando alguns dos objetos sagrados a ele relacionados, de modo que eles emitem uma forte radiação.

Grande parte dessa radiação sobe pelo braço direito, que protege suficientemente a área de tensão desse lado; mas o esquerdo permanece aberto, e muito escaparia nessa direção e se dissiparia se não fosse pela poderosa atração das cruzes douradas do manípulo, que a capturam e a guiam através do braço do sacerdote para a circulação geral da força.

Será facilmente compreendido que um grande esforço está envolvido na materialização ou na descida do poder espiritual dos planos superiores para os inferiores, e sua tendência natural, se não for usado no nível inferior, é evaporar rapidamente e retornar à sua forma original; portanto, estamos ansiosos para capturar e utilizar cada grama dele para os propósitos para os quais foi invocado.

Estou bem ciente de que, para aqueles que nunca pensaram no lado científico da religião, parece estranho e um tanto irreverente medir assim a graça de Deus em pés-libras e falar em economizá-la ou desperdiçá-la; mas estamos lidando com atos definidos e observáveis na natureza, e não vejo por que deveríamos ter medo de enfrentá-los e aprender a tirar o melhor proveito deles.

A DALMÁTICA E A TÚNICA

A dalmática (Figura 22) é a vestimenta usada na Santa Eucaristia, em procissões e na Bênção pelo diácono, e é assim chamada por causa da região da Dalmácia, onde se originou.

É uma vestimenta folgada, com aberturas laterais e mangas curtas e largas.

Suas orfréis correm em linhas retas sobre cada ombro, e verticalmente até a barra, tanto na frente quanto atrás, e são unidas por travessas horizontais perto do topo e da base.

Essas orfréis são geralmente menos ricas que as da casula e frequentemente consistem apenas em duas linhas largas de galão de ouro ou seda, a poucos centímetros de distância — apenas as bordas de uma orfréi, por assim dizer.

Às vezes, cordões de ouro com borlas pendem das mangas, que são ornamentadas da mesma maneira que o corpo da vestimenta.

Há geralmente algum tipo de bordado de ouro no meio do quadrado ou retângulo formado pelas orfréis, tanto atrás quanto na frente — um J.H.S., um sol com raios, ou algum outro símbolo — que é útil para coletar força do povo ou distribuí-la a ele.

Como foi explicado 456 A Ciência dos Sacramentos

em um capítulo anterior, o diácono e o subdiácono atuam como intermediários entre o sacerdote e o povo, e suas vestimentas destinam-se a facilitar esse trabalho.

Na consagração da Hóstia, por exemplo, o diácono, que está ajoelhado imediatamente atrás do celebrante, ergue a ponta da casula enquanto o celebrante genuflete e, com ela, ou toca o bordado de sua dalmática, ou pelo menos direciona a força para ela, de modo que, precipitando-se através dele, possa aspergir mais efetivamente sobre a congregação.

A tunicela é a vestimenta do subdiácono e é quase exatamente como a dalmática, exceto que geralmente é menos ricamente ornamentada.

Além disso, a dalmática tem geralmente duas faixas, enquanto a tunicela tem apenas uma.

Costumava ser mais curta que a veste do diácono, mas esse costume agora desapareceu.

Ambas as vestimentas são de seda, da cor do dia, embora às vezes sejam consideradas parte de um "conjunto", e nesse caso combinariam com a casula do celebrante.

O VÉU UMERAL

Esta é uma tira de seda, geralmente branca, com cerca de oito pés de comprimento e dezoito polegadas de largura, que é lançada sobre os ombros e pende na frente como uma estola.

As únicas ocasiões em que o usamos na Igreja Católica Liberal são na Bênção do Santíssimo Sacramento e quando a Hóstia é carregada em procissão.

Na Igreja Romana, também é usado pelo subdiácono na Missa Solene, quando segura a patena com ele, e também quando o viático é levado aos enfermos.

As Vestimentas

É frequentemente ricamente decorado, bordado, orlado e guarnecido com ouro; de fato, já vi exemplares tão rígidos dessa maneira que não podiam ser usados para seu propósito legítimo — segurar o ostensório — mas precisavam ser providos de bolsos de material mais fino nos quais as mãos do portador pudessem ser inseridas! Isso, naturalmente, não deveria ocorrer. Descobrimos que, de longe, o material mais eficaz para o véu umeral (quando se pode obtê-lo) é aquela gaze de seda indiana quase transparente na qual o ouro é entrelaçado com seda de algum tom delicado e encantador.

Não importa qual seja essa cor — azul, rosa, púrpura, amarelo, verde — contanto que não seja preta; mas tons puros e claros são os melhores.

Se a gaze indiana não for obtível, fina seda japonesa branca orlada com estreita trança de ouro é um bom substituto.

O véu é colocado sobre os ombros do celebrante imediatamente antes de ele pegar o ostensório contendo a Hóstia consagrada na Bênção ou na procissão, e (estando suas mãos sob o véu) ele segura o ostensório através dele, mantendo-o assim enquanto dá a Bênção ou durante a procissão.

O objetivo do véu umeral é bem distinto do de qualquer outra vestimenta, e portanto a forma de sua magnetização ou bênção deve ser diferente.

Outras vestimentas são abençoadas para que sejam boas condutoras da força espiritual; mas este é especialmente carregado para que seja impermeável a ela e a reflita tanto quanto possível.

Assim como um refletor colocado atrás de uma lâmpada reúne a luz que de outra forma se perderia nas paredes e a projeta para frente, na sala, assim o véu umeral — A Ciência dos Sacramentos, p. 458 — destina-se a refletir a força que de outra forma subiria pelos braços do sacerdote quando ele segura o ostensório, para que ela seja projetada diretamente sobre o povo.

Essa é a característica especial da Bênção do Santíssimo Sacramento.

Em todas as outras bênçãos ao final dos ofícios, a bênção do Cristo é dada através da mão de Seu sacerdote — uma efusão maravilhosa e beneficentíssima, tornada possível pelo vínculo extraordinariamente estreito que Cristo forma com Seu sacerdote na ordenação; mas a Bênção do Santíssimo Sacramento vem diretamente do próprio Cristo, sem qualquer intermediário humano.

A linha de fogo vivo que nosso Senhor derrama sobre a Hóstia irradia diretamente dela sobre o povo, e a diferença em sua qualidade é imediatamente observável pelo sensitivo.

O objetivo da procissão da Hóstia é trazer essa influência direta do Cristo para incidir sobre a congregação a curta distância.

Para esse propósito, o véu umeral é transformado em um refletor, de modo que todo o poder possa ser lançado para frente com imensa força.

O bispo que abençoa ou magnetiza o véu deseja fortemente que sua constituição seja assim mudada — etericamente, astralmente e mentalmente — para que possa agir dessa maneira particular; e a mudança que ele assim imprime permanecerá até que o véu se desgaste, a menos que seja removida por uma vontade mais forte.

É muito parecido com tingir um tecido; se o corante for bom, permanecerá.

Em sua dedicação do véu ao seu trabalho particular, pode-se dizer que o bispo tinge seus equivalentes sutis com a cor necessária.

As Vestes

Um tipo menor e menos elaborado de véu umeral, chamado vimpa, é usado e empregado de maneira semelhante pelo acólito ou capelão que carrega o báculo do bispo diante dele.

A ROQUETE

A roquete (Estampa 24) pode ser descrita como a forma episcopal da sobrepeliz.

Ela difere desta por ser mais curta (alcançando apenas o joelho) e profundamente orlada de renda; também por ter mangas comparativamente justas com punhos cor de chama, igualmente cobertos de renda.

É sempre feita do mais fino linho.

De um modo geral, a roquete faz pelo bispo o que a sobrepeliz faz pelo sacerdote, mas há uma certa diferença.

O bispo é sempre um centro radiante de força — uma espécie de bateria de alta potência; ele é o canal escolhido do Espírito Santo, cuja Vida é continuamente derramada através dele, e ele usa punhos cor de chama não apenas como símbolo dessa força, mas como um veículo conveniente para ela. Essa cor de chama, às vezes chamada de vermelho amaranto, nem sempre é fácil de obter, mas é muito mais eficaz do que o escarlate, de um lado, ou o cereja, de outro.

Na Igreja Romana, a roquete também é usada por cônegos e outros dignitários.

A MOZETA E A MANTELETA

Estas vestes (Estampa 24) são, na prática, capas menores, usadas sobre a roquete por prelados no coro, ou em ocasiões em que a capa seria inadequada.

A mozeta é uma vestimenta curta, semelhante a uma capa, que cobre os ombros, mas alcança apenas o cotovelo.

Ela é presa na frente por uma fileira de pequenos botões vermelhos e tem uma espécie de capuz rudimentar.

É usada por um bispo em sua própria diocese, mas não fora dela, nem na presença de um dignitário superior.

É da mesma tonalidade rosa-púrpura de sua batina e, frequentemente, feita do mesmo material.

Pode ser de veludo ou seda, e deve ser ao menos forrada de seda.

O bispo não a usa quando atua como oficiante, de modo que as únicas forças com as quais ela se destina a lidar são as do nosso segundo tipo — aquelas evocadas por indução.

No caso de um bispo, essas forças são muito fortes e copiosas; elas fervem sob a mozeta, jorram por suas bordas e se curvam ao redor do bispo, que permanece no meio como o pistilo de uma flor, as chamas bruxuleantes de esplêndida cor formando um cálice ao seu redor.

A força, portanto, flui ao redor dele e irradia imparcialmente sobre o clero, o coro e o povo.

A mantelletta, embora seja a vestimenta interior, usada por prelados menores e por um bispo fora de sua própria diocese ou na presença de um dignitário superior, é de longe a mais elegante das duas vestes.

Ela atinge os joelhos, cobrindo praticamente a rocheta, exceto na frente, onde fica aberta, com suas lapelas dobradas para trás e fixadas nessa posição.

É da mesma cor púrpura-rosada que a mozeta, mas é costume forrá-la com seda vermelho-amaranto, de modo que as lapelas têm um efeito muito brilhante.

Ela é fixada por um único botão ou gancho no pescoço, e tem aberturas laterais, através das quais projetam-se as mangas da rocheta.

Neste caso, as forças produzidas sob ela por indução irradiam através do espaço aberto na frente, e também através das cavas das mangas, para os punhos cor de chama da rocheta.

As Vestes

A MITRA

Este adorno de cabeça episcopal (Estampa 25) tem semelhança suficiente com a do sumo sacerdote judeu para tornar-se uma tentação distinta de procurar derivar uma da outra, mas infelizmente a história não apoia essa sugestão fascinante.

Não parece haver evidência direta do aparecimento da mitra antes de cerca do ano 1000 d.C., embora eu pense que a tenhamos visto um pouco antes disso em investigações clarividentes.

Algum tipo de adorno de cabeça era usado pelos bispos desde as eras mais remotas, mas é somente por volta do século X que ela começa a assumir a forma familiar.

Mesmo então era feita simplesmente, e não mais que seis polegadas de altura; mas por volta do século XIV aumentou para um pé ou mais, e tornou-se mais soberbamente enriquecida.

No século XVII, seu tamanho havia sido ainda mais aumentado para dezoito polegadas ou até mais, e sua forma havia mudado um pouco, de modo que assumiu uma aparência de barril.

A Igreja Romana ainda afeta mitras enormes, em forma de par de parênteses; mas na Igreja Católica Liberal consideramos mais adequado adotar um padrão de tamanho médio, arranjado de tal modo que, quando fechada, a parte superior forma um triângulo plano, e quando usada, toda a mitra é cilíndrica em contorno.

Não há, contudo, objeção à forma de barril onde ela for preferida.

A Igreja Romana atualmente usa três tipos de mitra.

Cito novamente do Sr. Macalister, p. 119: "Diferentemente de outras vestes, que são classificadas de acordo com a cor litúrgica particular que predomina em seu bordado, as mitras são 464 A Ciência dos Sacramentos

portanto, seu uso é opcional.

Em algumas igrejas ritualísticas, zucchettos escarlates são atribuídos aos acólitos; mas isso é incorreto.

O BARRETE Este (Lâmina 20) é usado tanto por bispos quanto por sacerdotes, concordando em cada caso com a cor da batina.

É um chapéu quadrado e dobrável com três proeminências curvas projetando-se da copa, e uma borla no centro.

Na França e na Espanha, barretes com quatro proeminências são frequentemente usados, aparentemente ao gosto de quem os veste, embora eu acredite que devam ser estritamente reservados para uso dos doutores em teologia enquanto ensinam.

O bispo usa seu barrete juntamente com a mozeta ou mantel-leta — nunca com a capa pluvial ou casula; mas o sacerdote o usa com quaisquer vestimentas, embora apenas em certas partes do serviço, como procissões, o epístola ou o sermão.

O barrete é sempre removido antes de se fazer uma genuflexão, embora a mitra não o seja.

Há pouca dúvida de que o barrete era originalmente uma variante do capelo acadêmico quadrado; mas não é sem sua utilidade no lado interno do serviço.

Seu uso é do mesmo caráter que o de uma rolha em uma garrafa — para evitar a evaporação e consequente desperdício.

Tal força que possa ser despertada dentro do sacerdote deve acumular-se nele e ser descarregada para o benefício de seu povo, e não ser permitida a escapar infrutiferamente para planos superiores, como é sua tendência natural.

Da mesma forma, o vapor permitido a escapar para o ar sobe rapidamente e se dissipa; se quisermos que ele realize trabalho aqui embaixo no mundo físico, devemos confiná-lo e dirigi-lo. As Vestimentas

As três proeminências no barrete têm o usual significado tríplice, enquanto as quatro no capelo do doutor em divindade são supostamente simbólicas das quatro letras do tetragrama ou nome sagrado, do qual ele deveria ter um conhecimento mais pleno do que outros homens.

VESTIMENTAS ADICIONAIS Tanto a Igreja Romana quanto a Grega usam certas vestimentas adicionais que não adotamos até agora, pois não conseguimos descobrir que elas tenham qualquer valor especial, seja do ponto de vista simbólico ou esotérico.

Tais, por exemplo, são o pálio arquiepiscopal e a cappa magna.

É costume romano que os bispos, ao oficiarem em qualquer função solene, usem meias e sapatos da cor da estação, frequentemente bordados e ricamente ornamentados.

Não pode haver objeção a isso, mas, por outro lado, é difícil ver qualquer vantagem particular nisso. É costume um bispo, quando não está diretamente oficiando, usar luvas de seda branca com uma cruz de ouro bordada ou costurada no dorso de cada mão.

Parece que na Idade Média essas luvas eram da cor da estação e eram frequentemente adornadas com grandes joias em lugar da cruz.

Nós as mantemos na forma mais moderna (Estampa 25).                A CRUZ PEITORAL

Chegamos agora a certos instrumentos usados pelo bispo que não podem ser exatamente denominados vestimentas, mas são de grande importância em seu trabalho — a cruz pei-

EE 466           A Ciência dos Sacramentos

toral, o anel episcopal e o báculo.

O primeiro destes é uma cruz sólida de ouro (ou prata dourada) com cerca de três ou quatro polegadas de comprimento, frequentemente fortemente ornada de joias, que é usada no peito por bispos e abades (Estampas 20, 24 e 25). Na Igreja Romana, geralmente contém uma relíquia de algum tipo — quando possível, um fragmento da suposta madeira da Verdadeira Cruz.

Na Igreja Católica Liberal, achamos vantajoso adotar com relação a esta cruz o mesmo plano que com a pedra do altar, e nela incrustar as joias dos Sete Raios, embora em uma ordem ligeiramente diferente.

Uma pedra central maior é aqui desejável, e é mais conveniente que seja a do Raio que agora está entrando em influência dominante no mundo — o sétimo.

Portanto, colocamos uma ametista razoavelmente grande nessa posição e arranjamos as outras gemas ao redor dela exatamente como antes, exceto que o diamante fica imediatamente acima e a safira imediatamente abaixo.

Outras ametistas menores podem estar nas extremidades da cruz.

Quando a nova raça-raiz se tornar proeminente, é provável que seja bom usar o diamante como a pedra central; mas o arranjo atual é o melhor pelos próximos mil anos ou mais. A cruz peitoral é uma estação permanente de recepção e descarga.

Quando foi consagrada, cada uma das gemas foi feita um veículo especial para o Chefe de seu Raio particular, de modo que se torna uma espécie de receptor telefônico conectado a ele — um posto avançado de sua consciência.

A força peculiar a ele está sempre irradiando através dela, assim como o magnetismo de qualquer pessoa comum é sempre sentido quando alguém se aproxima dela; mas a pessoa comum, se Op.

página

466.

Sua atenção é atraída para qualquer caso específico, ou se sua simpatia é despertada, pode imediatamente trazer aquele magnetismo radiante a um foco, e concentrá-lo sobre o objeto que lhe apela.

Da mesma forma, a força de um Raio flui sempre através de sua pedra consagrada; mas quando qualquer pessoa que pertence àquele Raio se aproxima dessa pedra, ela é imediatamente despertada para uma ação mais vigorosa, e a pessoa, se for de algum modo receptiva, pode receber uma extraordinária efusão de força e auxílio.

O tipo de crítico que está sempre ansioso por dispensar tudo, naturalmente dirá que certamente se poderia atrair a atenção do Chefe de um Raio orando a ele sem qualquer vínculo no plano físico.

Pode ser que sim, assim como se pode, até certo ponto, comunicar-se através de um vale com um amigo na colina oposta gritando para ele; mas o resultado pode ser alcançado com mais certeza e conforto, e com muito menos esforço, usando um telefone.

Além disso, alguns amigos estão longe demais para serem alcançados por gritos; e um telefone psíquico devidamente construído nunca pode sair de ordem, como nossos telefones terrestres tantas vezes saem.

Então, quanto à cruz peitoral; mas por que apenas um bispo a usa, e que papel ele desempenha em sua ação? O vínculo do bispo com seu Senhor e Mestre foi explicado no capítulo sobre Ordens Sagradas; isso o torna, como já disse antes, uma bateria altamente carregada.

Assim, podemos dar continuidade à analogia telefônica e dizer que o bispo fornece a corrente que faz o telefone funcionar.

Como a pedra do altar, a cruz peitoral atua como um prisma para as forças que estão sempre fluindo através do bispo.

O bispo é um centro de força do segundo Raio; mas nesse Raio, como em todos os outros, há sete sub-raios.

Há o segundo Raio influenciado pelo primeiro, pelo terceiro, pelo quarto, e assim por diante, bem como o segundo Raio puro.

Assim, quando a força do segundo Raio do Cristo flui do centro cardíaco de Seu bispo para a cruz que pende diante dele, ela é instantaneamente dividida pelas pedras em suas partes componentes, e derramada sobre aqueles ao redor na forma mais facilmente assimilável.

É dada proeminência ao sétimo Raio porque ele está justamente agora entrando em operação.

Cada um desses Raios influencia o mundo por sua vez.

O sexto Raio, ou Raio da devoção, foi dominante durante a Idade Média; à medida que seu poder declinava, tivemos um período de descrença, irreligião e profunda ignorância do lado interior da vida.

O sétimo Raio envolve o estudo e o uso das forças interiores da Natureza, e a cooperação inteligente com os Poderes que as manejam.

Essa é a influência que agora está despontando sobre o mundo e, portanto, damos a ela a posição central na cruz peitoral do bispo, e oferecemos a ela canais adicionais de manifestação.

A Igreja Romana instrui com toda razão seus bispos a que a cruz peitoral seja usada por fora da mozzetta, mas por dentro da mantelletta; ela também determina que permaneça por dentro da casula na Celebração, mas neste ponto ousamos divergir de seu costume porque verificamos que, sob as novas condições estabelecidas pelo uso das sete joias na pedra do altar, a interação entre elas e as da cruz é de grande valor.

Consequentemente, instruímos nossos bispos a que é mais sábio deixar a cruz peitoral pendente por fora da casula.

O ANEL EPISCOPAL

Um bispo parece ter usado um anel especial como uma das insígnias de seu ofício desde épocas muito remotas, embora a primeira notícia definitiva que nos resta seja do ano 610 d.C. Considerava-se que ele simbolizava o selamento de segredos, e também a fidelidade conjugal exigida pelo casamento do bispo com sua diocese.

Era sempre um anel de ouro, com uma grande pedra, que se dizia ser indiferentemente um rubi, uma esmeralda ou uma safira — geralmente sem gravação.

Atualmente é geralmente uma ametista de forma oval, a maior que se possa obter, e o brasão de armas do bispo é gravado nela, de modo que pode realmente ser usada como selo, se necessário.

O bispo, no entanto, tem frequentemente um selo maior de latão para uso oficial.

O anel deve ser feito bastante folgado, pois quando o bispo usa sua luva durante os serviços, ele deve deslizar o anel por fora dela. Às vezes, portanto, tem-se achado necessário usar um anel menor como segurança.

O anel (Lâminas 20, 24 e 25) desempenha um papel importante no trabalho do bispo.

Em sua consagração, ele é definitivamente ligado ao próprio Senhor — não através dos princípios superiores do bispo, mas diretamente, de maneira não dissimilar à consagração da Hóstia.

É, portanto, uma linha de comunicação com Ele totalmente exterior à personalidade do bispo, e não tingida por quaisquer idiossincrasias suas.

Ele está sempre irradiando o magnetismo especial e pessoal do Cristo; na verdade, o mais próximo que posso chegar de uma descrição de sua potência peculiar é dizer que ele tem o mesmo efeito que um anel que tivesse sido usado pelo próprio Cristo.

É assim um centro de tremendo poder, e quando o bispo dá sua bênção solene, as comportas desse poder são abertas ao máximo.

A bênção de um bispo é maravilhosa em sua complexidade e adaptabilidade, e vale a pena percorrer um longo caminho para obtê-la; e a ação de seu anel é um de seus fatores mais importantes.

A explicação dos outros fatores será encontrada no capítulo sobre as Ordens Sagradas.

O BÁCULO — Este é o cajado pastoral de um bispo — um cajado com a extremidade curvada ao redor de algo à maneira de um cajado de pastor, do qual alguns supuseram que derivasse (Estampa 25). Essa ascendência não é de modo algum certa.

Outra teoria é que ele é descendente do *lituus* ou cajado recurvado, que era um dos emblemas carregados pelo áugure romano nos dias pré-cristãos.

Certamente, o cajado pastoral, como representado em alguns dos mais antigos monumentos cristãos, é praticamente idêntico a essa vara do áugure, ou o báculo primitivo parece ter sido muito mais curto na haste do que seu equivalente moderno.

De fato, o alongamento do cajado provavelmente ocorreu apenas quando ele começou a ser feito de materiais tão pesados que era aconselhável apoiar seu peso no chão.

É inquestionavelmente um dos mais antigos símbolos externos que a Igreja prescreveu para seus oficiais, pois báculos foram encontrados ilustrados nas catacumbas, e um cajado alegadamente pertencente a São Pedro é preservado na catedral de Trier ou Tréves.

As Vestes

dium                     LN                                                 CeseeCer                                                 VOLO                                                 Cdt                                                  TTLOLUUULULUOUI                  AMAA                                                                                    AAAUAMAAMEALAUAA

DIAGRAMA           18.—O Báculo.

Três estilos de cabeças de báculo são mostrados.

As pequenas joias consagradas são colocadas no interior do botão, marcado com K. Os pontos na cabeça do báculo onde divisórias de pedra ou de éter magnetizado devem ser fixados são indicados por numerais.

A primeira divisória, 1, interrompe o fluxo de matéria etérica, a segunda, 2, de matéria astral, e a terceira, 3, de matéria mental inferior, 472          A Ciência dos Sacramentos

Tanto o material da haste quanto sua forma variaram consideravelmente.

No início, era uma vara de madeira, geralmente de cedro, cipreste ou ébano, frequentemente dourada ou revestida com placas de prata.

Logo a cabeça começou a ser feita de metal precioso ou marfim esculpido, e mais tarde toda a haste era de marfim ou metal esmaltado.

Os báculos irlandeses eram frequentemente de bronze, decorados com maravilhosos nós ou faixas entrelaçadas.

Nos dias modernos, toda a haste é geralmente de latão ou prata fortemente dourada, e às vezes ricamente adornada com joias, embora isso seja desnecessário.

Muitas formas foram experimentadas nos primeiros séculos, e encontramos cabeças em forma de Y e T, bem como botões, volutas e ganchos.

A cabeça do báculo irlandês de bronze é quase sempre um U invertido. Pelo século XI, a forma de gancho foi universalmente adotada, exceto na Igreja Grega, que ainda retém a forma de T, sendo o travessão geralmente feito de duas serpentes, aparentemente ameaçando uma à outra.

Mesmo na Igreja Ocidental ainda há três variantes do gancho, como se verá em nossa ilustração (Diagrama 18). O centro da voluta frequentemente representa algum incidente sagrado, algum santo ou anjo, ou algum dispositivo simbólico ou heráldico — um cordeiro, um cacho de uvas, uma Hóstia e um cálice.

O botão é frequentemente muito elaborado, servindo muitas vezes aos propósitos de um relicário.

Na Igreja Católica Liberal usamos qualquer uma dessas três formas, com preferência pela que está à direita do nosso diagrama, por ser mais bem equilibrada e ter o centro da voluta mais diretamente acima do botão, o que evita um ângulo desajeitado no fluxo da força.

Como no caso da pedra do altar, substituímos o conjunto de sete joias magnetizadas pela relíquia dentro do botão, arranjando-as exatamente como para o altar.

O báculo tem sido considerado em todas as épocas o símbolo de autoridade e jurisdição.

Não deve ser confundido com a cruz especial que marca a dignidade do arcebispo.

Este último tem seu próprio báculo, como qualquer outro bispo, e o utiliza nos mesmos pontos do serviço; mas, além disso, uma espécie de cruz processional que ele não usa é carregada diante dele ao entrar, sair ou mover-se pela igreja.

Considerado do ponto de vista do seu efeito interno, o báculo é um instrumento de grande valor.

A inserção das joias o torna equivalente a uma pedra de altar portátil e, além disso, é provido de um arranjo único para a aplicação da força espiritual aos diferentes princípios ou divisões do homem.

As curvas da voluta são usadas para esse fim, e dividem-se automaticamente em três partes, como mostrado em nosso desenho (Diagrama 18). Seria vantajoso marcar essas divisões por partições físicas ou discos de substância como calcedônia, crisoprásio, jade ou jaspe; mas isso parece apresentar sérias dificuldades ao fabricante. Felizmente, é fácil para um magnetizador fazê-las etéricamente.

O botão no qual as gemas estão incrustadas é o foco e a fonte de atividade — um intenso centro de fogo vivo, do qual a força se projeta para cima na voluta.

Todas as formas de energia estão presentes ali, mas a etérica é a mais externa e a mais proeminente — tão proeminente que não seria surpreendente se curas físicas pudessem ser efetuadas pelo seu toque. 474 A Ciência dos Sacramentos

A primeira partição ou filtro é disposta para deter a matéria etérica, de modo que apenas as manifestações astral, mental e ainda mais elevadas da força possam passar através dela. A curva da voluta até certo ponto diminui a velocidade do jorro ascendente e torna mais fácil para nós dirigi-lo. Nesta porção entre a primeira e a segunda partição, a expressão astral da força é sua manifestação mais externa e mais conspícua, e é portanto desta curva da haste que procede a influência que é principalmente ativa em estimular a devoção, e tanto despertar quanto controlar as emoções das pessoas.

A segunda partição rejeita toda a matéria astral, de modo que, para além dela, é o aspecto mental da energia que está mais em evidência, e sua tendência é encorajar o pensamento elevado e claro, e geralmente vivificar os processos mentais.

A terceira partição filtra até mesmo a matéria mental inferior, de modo que apenas a matéria mental superior, da qual o corpo causal é construído, possa passar através dela para o ornamento central que termina a voluta, o qual é consequentemente capaz de exercer uma influência poderosíssima sobre o ego ou alma do homem que esteja suficientemente desenvolvido para poder abrir-se a ela. Isso não significa de modo algum que seja necessária especial inteligência, mas apenas que o homem deve estar em um estado de espírito humilde, grato e receptivo.

Pois verdadeiramente, como Ele disse, o Cristo está à porta e bate ao coração do homem, e espera para ser admitido, mas nunca força a entrada.

Os Paramentos

Para níveis ainda mais elevados, nenhuma parte especial do báculo é reservada; eles não podem ser confinados ou localizados exatamente da mesma maneira que aqueles outros.

Toda a haste está permeada pela influência do mundo intuicional, pois essa pode penetrar todos os princípios em qualquer nível, se as pessoas apenas o permitirem. As projeções ou pontas que geralmente se veem nas curvas da voluta permitem que esses diferentes graus de força fluam prontamente de suas respectivas seções do báculo sobre as pessoas.

Os báculos são frequentemente ricamente ornamentados e fortemente cravejados de joias.

Quando isto deve ser feito, é apropriado ter uma safira (ou várias delas) sobre o botão contendo as gemas, jaspe ou topázio sobre a primeira ou divisão etérica, rubis sobre a segunda ou astral, esmeraldas ou jade sobre a terceira, que é mental, e um diamante ou uma ametista no centro para marcar a quarta.

A ação prática do báculo durante os diversos serviços da Igreja é extremamente poderosa e abrange uma complicação verdadeiramente desconcertante de detalhes.

Ele atua simultaneamente em várias direções.

Atua sobre o bispo, recebe dele, e irradia poder sobre a congregação.

Em alguns pontos do serviço, o bispo deve segurá-lo, para que sua força se misture com a dele; em outros, basta que seja segurado ao seu lado ou carregado diante dele.

Quando administra a Confirmação, por exemplo, ele é segurado ao seu lado enquanto ele aceita o candidato em Nome de Cristo, mas ele o toma em sua mão quando profere as palavras de poder: "Recebei o Espírito Santo". Ele o segura ao dar a absolvição e a bênção, e é maravilhoso ver como seu brilho sempre presente se avoluma em uma luz ofuscante à medida que as palavras são proferidas, o ponto central mostrando três pontos semelhantes a estrelas, branco, azul e rosa.

Para ver esses pontos é necessário um alto desenvolvimento de clarividência, pois eles são uma expressão do Espírito Triplo no Cristo, e só podem ser percebidos através do reflexo do mesmo Espírito em nós. Examinamos muitos báculos e os serviços em muitas igrejas; os mesmos elos são feitos em todos os casos, mas infelizmente muitas vezes são deixados estéreis.

A maioria dos bispos e padres nada sabe sobre eles, naturalmente; não é necessário que saibam, embora seja muito melhor se souberem. Devoção intensa e aspiração sincera colocarão toda essa maquinaria em movimento, sem percepção real do que está sendo feito.

O grande ato da Santa Eucaristia permanece onde quer que haja a sucessão apostólica, mas a efusão de seu poder é muitas vezes tristemente limitada, e o que podemos chamar de vias laterais está inteiramente obstruído e em desuso.

As informações aqui fornecidas são suficientes para habilitar muitos bispos ou sacerdotes a redobrar a força e o efeito de seus serviços; mas precisamente aqueles que mais necessitam delas seriam os últimos a acreditar ou a se beneficiar delas. Nada é mais triste para quem desenvolveu a visão interior do que encontrar a ignorância vazia e autossatisfeita e o ceticismo daqueles que ainda não a possuem; eles estão tão certos de que não pode haver nada além do que podem ver, nenhuma luz além da de suas pequenas lâmpadas, e assim vivem como uma lagarta sobre sua folha, cercados por todos os esplendores da terra, do mar e do céu, mas totalmente desatentos.

A evolução progride constantemente, e até eles verão um dia; ou Mais perto e mais perto se aproxima o tempo, o tempo que certamente há de ser, Quando a terra se encherá da glória de Deus, como as águas cobrem o mar, CAPÍTULO IX VÉSPERAS E BÊNÇÃO SOLENE VÉSPERAS Este é o mais antigo dos Ofícios da Igreja—distinto da Santa Eucaristia, que não é contada entre os Ofícios.

Encontramos Vésperas mencionadas por Plínio em sua famosa carta no início do segundo século, embora não saibamos exatamente que forma de serviço era então usada.

É descrita na Peregrinatio, um documento provavelmente do quarto século, enquanto em 530, na Regra de São Bento, aparece praticamente na forma romana atual, contendo os salmos, o capítulo breve, os versículos e o cântico Magnificat.

Laudes e Vésperas são os dois serviços diários de louvor da Igreja—os dois que geralmente foram cantados em público, sendo a maioria das outras horas de oração recitadas privadamente por sacerdotes e monges.

Desses dois, Vésperas sempre foi o mais importante; primeiro porque Laudes geralmente era cantado ao nascer do sol ou mais cedo (de fato, parece frequentemente ter seguido diretamente as Matinas, que começavam às duas da manhã), de modo que era extremamente inconveniente para os leigos assistirem; segundo, porque a Santa Eucaristia foi naturalmente desde o início o grande serviço matinal, e logo ofuscou completamente as Laudes.

Esta última quase nunca aparece agora entre os serviços públicos da Igreja Romana, e não a imprimimos em nossa Liturgia.

Vésperas e Bênção Solene

Vésperas era originalmente o Ofício da tarde, mas quando São Bento introduziu as Completas como o ato conclusivo do dia, as Vésperas começaram a ser cantadas a qualquer hora das quatro às seis, e passaram a ser consideradas o serviço do pôr do sol, assim como Laudes era o do nascer do sol.

Em algum momento do século VI foi introduzido o Hino do Ofício — um conjunto de tais hinos, na verdade, pois havia um para cada dia da semana, referindo-se aos supostos estágios da criação.

No domingo refere-se à criação da luz, na segunda-feira à separação da terra e das águas, na terça-feira à criação das plantas, na quarta-feira à do sol e da lua, na quinta-feira à dos peixes, e na sexta-feira à dos animais.

O sábado é uma exceção, porque as Vésperas cantadas nesse dia são na realidade as primeiras Vésperas do domingo, portanto o hino é em louvor da Santíssima Trindade.

É esta última que adotamos em nosso serviço, pois nos pareceu melhor ter uma forma invariável, na qual apenas a Coleta do dia muda.

O esquema das Vésperas é o de um fluxo constante de louvor, trabalhando gradualmente até a culminação de amor, devoção e gratidão que evoca uma resposta tão generosa que toda a vizinhança é inundada por sua radiação.

Em nossa Liturgia seguimos a estrutura do antigo serviço, mas o material componente é diferente.

Usamos cinco salmos, mas em vez de tomá-los tal como estão, evitamos todos os versículos abusivos, servis ou sem sentido, e os construímos a partir dos mais belos e adequados que podemos encontrar nas escrituras.

Sendo o louvor a nota-chave de todo o 480       A Ciência dos Sacramentos

serviço, dedicamos três dos salmos inteiramente a ele; dos outros, um exalta a vida piedosa, e o outro é um panegírico à sabedoria.

Todos são especialmente destinados a despertar o entusiasmo do povo e a elevar seu pensamento e sentimento ao mais alto que lhes seja possível.

Para alcançar plenamente esse resultado, é necessário que todos se unam nos salmos, que atendam cuidadosamente às palavras que estão cantando e que procurem senti-las tanto quanto compreendê-las.

A igreja inteira deve, a essa altura, estar preenchida com força viva, que se manifesta em enormes nuvens de luz cintilante.

Durante todo o canto dos salmos, essas nuvens vão se acumulando, formando bancos no santuário, girando diante do altar, fervendo para cima e caindo novamente, mas no geral tornando-se cada vez mais densas, com ondulações atravessando-as enquanto o coro e a congregação cantam antifonicamente.

Na maioria das vezes, essas nuvens são de vários tons de azul, mas às vezes estrelas douradas de aspiração voam através delas, ou brilhos afilados de ouro tremeluzem como chamas.

Novamente, além das figuras feitas pela devoção do povo, há as formas musicais feitas pelo órgão e pelas vozes do coro.

Sobre tudo isso vem a leitura do Capítulo Breve, cercada de pompa e cerimônia, que se destina não apenas a atrair atenção especial para suas palavras, mas também a auxiliar na distribuição de seu pensamento dominante de amor, que se derrama em uma esplêndida corrente carmesim.

Sacerdotes assistentes reúnem-se ao redor do celebrante, um acólito com uma vela acesa fica de cada lado dele, e incenso é usado muito como na leitura do evangelho.

O objetivo deste Capítulo é tornar praticamente disponível toda essa força potencial que foi gerada, para fornecer-lhe um imenso poder de impulso, evocando o senso de fraternidade e forte afeição mútua.

Em tempos primitivos, quando essas palavras do apóstolo eram lidas na igreja, era costume que os membros da congregação se voltassem uns para os outros e se abraçassem; e embora em nossa sociedade moderna mais artificial tais demonstrações fossem inadmissíveis, devemos certamente enviar com todo o nosso coração os sentimentos que elas pretendiam expressar.

O Capítulo Breve nos fornece força motriz, por assim dizer; dá-nos a pólvora para nossa arma, enquanto o Hino do Ofício que imediatamente se segue nos diz em que direção apontá-la, pois volta nosso pensamento para a sempre bendita Trindade, de Quem tudo veio, para Quem tudo retornará.

O povo deve lançar sua força neste hino, especialmente em sua conhecida doxologia, que nunca falha em atrair a atenção das hostes angélicas.

Isso faz nossa densa massa de nuvens ferver vigorosamente, e ela começa a se elevar em uma forma cônica, não diferente de uma tenda em forma de sino.

A preparação estando assim concluída, fazemos agora o grande esforço para o qual toda a parte anterior do serviço tem conduzido. No ritual romano, esse lugar é preenchido pelo cântico chamado Magnificat.

Mas esse canto de Nossa Senhora, por mais belo que seja, é bem menos eficaz para o nosso propósito atual de uma poderosa explosão de louvor do que o *Te Deum laudamus*, que é o grande ato matinal de homenagem, sendo geralmente cantado nas Vésperas e na Bênção Solene.

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fim das Matinas e pouco antes das Laudes.

Como atualmente não recitamos nenhum desses Ofícios da manhã, tomamos emprestado o *Te Deum* para uso nas Vésperas, e o consideramos eminentemente adequado para essa posição.

Em sua forma original, está entre os mais antigos hinos da Igreja.

Há uma tradição de que foi composto espontaneamente e cantado em versos alternados por Santo Ambrósio e Santo Agostinho na noite do batismo deste último, no ano de 387, mas essa história é rejeitada pelos estudiosos.

Sua autoria é incerta, e é provável que tenha crescido gradualmente, passando por várias modificações.

Os primeiros dez versos são atribuídos ao Papa Aniceto, que morreu em 168 d.C.; mas supõe-se que tenha sido compilado na forma em que agora aparece nos livros romanos (e no livro de orações anglicano) por Nicetas, bispo de Remesiana, na Romênia, por volta do ano 400. Também foi atribuído a Atanásio, a Hilário de Poitiers, a Hilário de Arles, a Nicécio de Trèves e a Abôndio.

Koch afirma que é um hino vespertino da antiguidade primitiva, originalmente escrito em grego, traduzido para o latim por Santo Ambrósio para uso de sua igreja em Milão, e posteriormente introduzido nas igrejas do norte da África por Santo Agostinho.

Ele afirma ainda que ela é encontrada em sua forma grega em um dos manuscritos mais antigos do século VI.

São Bento, em sua Regra, determina que ela seja cantada no Ofício noturno dos domingos, portanto não estamos fazendo nenhuma inovação séria ao usá-la nas Vésperas.

Sem dúvida, tem sido usada diariamente nas catedrais, abadias e igrejas inglesas desde a Conquista Normanda, exceto quando o Benedicite é

PRANCHA 26.—Vórtice e Haste formados nas Vésperas, (a) Força fluindo em direção ao altar vinda do povo; (b) Vórtice formado no Sacrário, dentro do centro do qual, na base, são vistos o sacerdote, seus assistentes e o altar; (c) Haste de força disparando para cima; (d) Derramamento de força para baixo, revestindo a haste.

Em frente à

página 484.           Vésperas e Bênção Solene

substituído por ele, como frequentemente acontece no Advento e na Quaresma.

Seu título é, como de costume, a forma latina das palavras iniciais.

Infelizmente, após o seu décimo quinto versículo, o Te Deum original muda um pouco seu caráter, tornando-se primeiro uma espécie de retrospecto histórico ou confissão de fé, e termina degenerando nas comuns e abjetas súplicas por misericórdia; embora mesmo nessa parte o espírito de alegria e louvor irrompa irresistivelmente em dois ou três versículos.

Essa descida ao tom menor sendo claramente inadequada para o propósito interno que o grande hino deve servir, ousamos substituir versículos mais alegres por aqueles que estão menos em harmonia com seu tom geral.

Durante o canto do Te Deum, é um antigo costume acender luzes adicionais no altar, tantas quanto possível, para auxiliar na reunião e radiação do poder (Dia. 19). O altar é solenemente incensado, assim como o clero, o coro e o povo; os sacerdotes assistentes agrupam-se ao redor e atrás do oficiante, que se encontra no degrau diante do centro do altar; e atrás deles, por sua vez, ficam dois turiferários, balançando seus incensários alternadamente em toda a extensão da corrente.

O incenso é sempre eficaz em atrair a atenção de quaisquer Anjos que porventura estejam nas proximidades — embora, na verdade, isso seja feito pela doxologia do hino, e até mesmo pela invocação da Santíssima Trindade no início do ofício.

Os Anjos não são especialmente invocados nas Vésperas, como o são na Santa Eucaristia, mas nunca vi um serviço devidamente celebrado no qual eles deixassem de comparecer.

Eles se apoderam das nuvens de luz densamente carregadas que foram geradas durante a parte inicial do serviço e rapidamente as formam em um vórtice giratório ao redor do oficiante e de seus assistentes — um vórtice do qual jorra um jato de força em alta pressão, formando um grande cilindro que se eleva até o teto da igreja e o atravessa (Lâmina 26). Através dele sobe, em uma vasta fonte de azul e rosa, o amor devocional do povo, reforçado pelo dos santos Anjos; e a resposta inevitável desce em uma torrente de branco e dourado enormemente maior que o fluxo ascendente, embora em estrita proporção a ele. Isso forma outro cilindro muito maior que envolve o primeiro, e a força que desce através dele desliza, por assim dizer, sobre a superfície da corrente de devoção do povo, e irradia sobre uma vasta área da região circunvizinha, embora uma considerável aspersão dela penetre também na congregação.

Essa descida atrai para si e intensifica grandemente todos os bons pensamentos e sentimentos que porventura estejam flutuando; continua até o *Te Deum* ser concluído, e então gradualmente se extingue.

Essa força é, em vários aspectos, diferente daquela que nos é dada na Santa Eucaristia.

Aquela é o dom especial do próprio Cristo, ao passo que esta vem diretamente da Santíssima Trindade como um todo.

Aquela pode ser e é dirigida a pessoas particulares, dedicada a objetivos definidos; esta inunda a vizinhança como um mar.

Está menos sob o controle do sacerdote, e os Anjos não fazem esforço para distribuí-la, mas apenas para facilitar seu derramamento.

Os Anjos que ela atrai não são os especialistas treinados que realizam o trabalho da Eucaristia; tampouco são invocados os representantes das nove Ordens.

É frequentemente o costume que a Bênção do Santíssimo Sacramento siga imediatamente após as Vésperas; se assim for, geralmente se acha conveniente omitir as três Coletas do Livro de Oração Comum da Igreja da Inglaterra que precedem os versículos finais e a bênção.

Se as Completas forem ditas em lugar da Bênção, as Coletas são recitadas nesse Ofício, e não aqui.

BÊNÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Este é um dos mais belos de todos os serviços da Igreja e, ainda assim, um dos mais simples.

Tem sido chamado de "A Missa da Noite", porque as mesmas forças maravilhosas são emitidas nele como na Santa Eucaristia.

Esta última só pode ser celebrada pela manhã, mas à noite a Bênção, até certo ponto, ocupa o seu lugar.

As características essenciais do serviço são que a Hóstia é removida do tabernáculo, colocada no ostensório e exibida para a veneração do povo; que é então levada em procissão pela igreja e, finalmente, que uma solene Bênção é dada com ela. Certos hinos tradicionais têm sido associados a ele desde a sua introdução no século XIII, e é costume na Igreja Romana cantar a bela Ladainha a Nossa Senhora, comumente chamada de Ladainha de Loreto, diante da Hóstia exposta.

Para isso substituímos, como mais apropriado à ocasião, uma ladainha dirigida ao próprio Senhor, mas exceto por essa mudança, cantamos os hinos que sempre foram cantados, embora em inglês em vez de latim.

(Admito plenamente que o latim é mais sonoro, mas atribuímos grande importância a tornar tudo em nossos serviços prontamente compreensível, para que todos os presentes possam participar deles de forma inteligente.) É provável que o início deste serviço de Bênção estivesse intimamente ligado à instituição da festa de Corpus Christi no ano de 1246, pois é logo depois disso que primeiro ouvimos falar dele. Alguns consideraram estranho que um serviço tão maravilhoso em seu efeito, tão cheio de conforto para o Seu povo, não tivesse sido ordenado por nosso Senhor desde o início.

Não nos cabe criticar o plano que Ele adotou ao lidar com a Sua Igreja; mas podemos reverentemente conjecturar que, à medida que a evolução progride, novas possibilidades se abrem, de modo que o que foi útil no século XIII pode ter sido inadequado no primeiro.

Para mim, pessoalmente, parece provável que o nosso querido Senhor mesmo experimente — experimente novos métodos de derramar bênçãos — e, portanto, esta forma especial de serviço pode ter-Lhe ocorrido não enquanto Ele estava na terra, mas mais tarde; embora eu tema que tal ideia seja inaceitável para muitos.

Outra grande religião fala d'Ele como Avalokiteshvara, o Senhor que olha do alto; e sabemos que Ele olha para nós através de muitos canais, e que as forças derramadas sobre nós ao longo dessas diferentes linhas interagem, e ao interagir se fortalecem mutuamente.

O celebrante na Bênção usa sobrepeliz, estola branca e capa, embora se ele acabou de oficiar as Vésperas com uma capa da cor do dia, e não deixa o altar entre os serviços, é permitido que ele conserve a capa que está vestindo.

Mas se ele tiver (como deveria ter quando possível) um diácono e subdiácono presentes com dalmática e tunicela, ele deve usar o amito, a alva e o cíngulo em vez da sobrepeliz.

Ele deve ter um coroinha para trazer o véu umeral e tocar o sino, pelo menos dois acólitos com velas e um turiferário — embora dois incensários sejam melhores do que um para a execução digna do serviço.

Pelo menos doze velas devem estar acesas no altar — mais se possível.

O serviço começa, como todos os outros em nossa Igreja, com a invocação, e imediatamente depois todos se ajoelham enquanto um sacerdote remove a Hóstia do tabernáculo, coloca-a no ostensório, e ergue o ostensório sobre um corporal no altar.

O celebrante, ajoelhado, oferece incenso diante do Santíssimo Sacramento, usando três incensações triplas, como no início da primeira incensação na celebração da Santa Eucaristia.

Ele coloca o incenso no incensário, mas não o abençoa, pois nenhuma bênção humana é dada enquanto a Hóstia está exposta.

Enquanto isso, a congregação canta os dois versículos que começam com O Salutaris Hostia, escritos por São Tomás de Aquino no século XIII:
Ó Vítima Salutar, abrindo ampla
A porta do céu ao homem cá embaixo,
Nossos inimigos pressionam de todos os lados;
Concede Teu auxílio, concede Tua força.

A Ti sobem todo louvor e gratidão
Para sempre, bendito Uno em Trino;
Ó concede-nos vida que não terá fim
Em nossa verdadeira pátria contigo.

A Ciência dos Sacramentos

Isto é, naturalmente, um apelo pessoal direto a nosso Senhor, dirigido a Ele através do canal que Ele mesmo, naquela extensão de Sua consciência que chamamos de Anjo da Presença, preparou para nós na consagração da Hóstia.

Essa Hoste é em si uma espécie de posto avançado de Sua consciência, e quando Sua atenção é atraída por esse apelo, ela imediatamente brilha vividamente em resposta.

Compreendam, a Hoste consagrada sempre brilha enquanto repousa no tabernáculo, e responde com um aumento de luz a cada ato privado de adoração oferecido através dela; mas agora, em graciosa resposta à devoção sentida por toda uma congregação, expressa através da incensação e do canto daquele hino bem conhecido, o Senhor volta, por assim dizer, uma camada mais elevada de Sua atenção sobre nós, e essa Hoste arde como um verdadeiro sol.

Permitam-me citar mais uma vez a descrição que escrevi quando fui primeiramente levado a observar esses fenômenos maravilhosos há muitos anos numa aldeia da Sicília: "A elevação da Hoste imediatamente após sua consagração não foi a única ocasião em que uma manifestação de força teve lugar.

Quando a bênção era dada com o Santíssimo Sacramento, exatamente a mesma coisa acontecia.

Em várias ocasiões, acompanhei a procissão da Hoste pelas ruas, e toda vez que se fazia uma parada em alguma igreja meio arruinada e a bênção era dada de seus degraus, precisamente o mesmo duplo fenômeno se produzia.

Observei que a Hoste reservada sobre o altar da igreja permanecia o dia inteiro derramando constantemente a primeira das duas influências (Força A), embora não tão fortemente quanto no momento da elevação ou bênção.

Poder-se-ia dizer que a luz brilhava sobre o altar sem cessar, mas irradiava como um sol naqueles momentos de esforço especial.

A ação da segunda força, o segundo raio de luz (Força B), também podia ser evocada do Sacramento reservado sobre o altar, aparentemente a qualquer momento, embora me parecesse um tanto menos vívida do que a efusão imediatamente após a consagração.

"Tudo o que estava conectado com a Hoste — o tabernáculo, a monstrância, o próprio altar, as vestes do sacerdote, o véu umeral isolante, o cálice e a patena — tudo estava fortemente carregado com esse tremendo magnetismo, e tudo o irradiava, cada um em seu grau."

O véu umeral (q.v.) é agora colocado sobre os ombros do celebrante; ele se levanta, sobe ao altar, e através do véu toma a monstrância em suas mãos e se volta para o povo, que permanece ajoelhado enquanto a ladainha é cantada e a Hoste é carregada pela igreja em procissão.

A procissão deve mover-se muito lentamente e com a maior dignidade.

Quatro ou mais homens, vestidos com batinas e sobrepelizes, seguram as varas que sustentam o pálio sobre a cabeça do celebrante; o diácono caminha à sua direita e o subdiácono à sua esquerda, segurando as pontas da sua capa pluvial; e à sua frente, dois acólitos, com batinas escarlates e sobrepelizes curtas, caminham de costas, balançando seus incensórios alternadamente, de modo a oferecer um fluxo de perpétua veneração à Hóstia.

Quaisquer que sejam os estandartes e luzes processionais que a igreja possua, tudo deve ser usado, e tudo o que for possível deve ser feito para acrescentar beleza e imponência à função.

Será vantajoso que um sacerdote (não o celebrante) ou um dos cantores cante versículos alternados da ladainha como solista, ficando a congregação e o coro com os demais.

O efeito desta procissão é maravilhoso.

Há sempre Anjos pairando ao redor da Hóstia reservada, mas quando este brilho mais vívido começa, vemos uma curiosa e belíssima adição à companhia, pois um número de Anjos muito pequenos circula ao redor dela. A maioria dos membros da hoste angélica é pelo menos do tamanho humano comum, e muitos deles são muito maiores que os homens; mas aqui há uma tribo de querubins minúsculos, bem semelhantes a alguns daqueles pintados pelos velhos mestres, exceto que nunca vi nenhum deles com asas.

São criaturas pequenas e maravilhosamente perfeitas — não muito diferentes de certas classes de espíritos da natureza, exceto que são muito mais radiantes e indubitavelmente de tipo angélico; infantis e, no entanto, de algum modo, muito, muito antigos.

Transmitem uma impressão de esplendor eterno que é impossível pôr em palavras; são como aves do paraíso no esplendor de sua cor, seres de luz viva; e eles giram ou pairam em uma atitude de adoração, entrelaçando-se ao se moverem, formando uma espécie de esfera oca ao redor da Hóstia — uma esfera talvez de vinte pés de diâmetro.

Não creio que nenhum deles desça tão baixo a ponto de ter um corpo astral; a maioria deles só pode ser distinguida pela visão do corpo causal, o que, naturalmente, significa que seu veículo mais denso é construído de matéria pertencente ao mundo mental.

Eles refletem e, até certo ponto, transmutam a Força A, e evocam grandes volumes da Força B; assim, um redemoinho de atividade indescritível ocorre dentro e ao redor de sua esfera.

O celebrante, seus assistentes, os portadores do dossel e os turiferários estão todos bem dentro dessa esfera, e se forem minimamente sensíveis, dificilmente deixarão de perceber as influências que atuam sobre eles.

Que o próprio centro de radiação dessa força estupenda se aproxime tanto das pessoas, passando assim em forma amigável entre elas, é deveras um dom digno de gratidão de nosso querido Senhor; é como se Ele mesmo caminhasse entre Seus seguidores, deixando a luz de Sua graciosa Presença brilhar sobre eles.

A igreja inteira se enche de um resplendor de glória; sente-se como se estivesse vivendo no próprio coração de um pôr do sol egípcio, tudo permeado de alegria e paz celestiais.

Paz inefável, paz que tudo permeia e tudo satisfaz, e ainda assim, ao mesmo tempo, atividade intensíssima; ideias irreconciliáveis na vida exterior, porém claramente simultâneas aqui.

A esfera de vinte pés dos diminutos Anjos não é, naturalmente, o limite dessa maravilhosa radiação; ela se estende muito longe em todas as direções, exceto diretamente para baixo (Lâmina 27). Nossa longa sucessão de serviços criou na igreja uma atmosfera na qual a Força A brilha como uma corrente elétrica em um tubo de Crookes, de modo que temos o efeito de um grande hemisfério que envolve o edifício em uma direção e se estende ao espaço exterior na mesma medida atrás do altar; embora a metade oriental desse hemisfério seja naturalmente muito mais opaca do que a parte dentro do edifício sagrado.

Muito além disso as radiações se estendem, tornando-se mais tênues à nossa vista à medida que se espalham; mas essa aparência de diminuição pode muito possivelmente ser devida apenas às limitações de nossa visão.

Quando a procissão retorna ao santuário, o celebrante e seus assistentes se ajoelham diante do altar, não sobre a predela, mas um ou dois degraus abaixo dela, e o clero e os acólitos se agrupam atrás e ao lado deles, todos ajoelhados.

O ostensório contendo a Hóstia é colocado sobre um trono, de modo que fique à vista da congregação.

Às vezes esse trono é um nicho especialmente disposto no retábulo ou na parede da igreja acima do altar; mas mais frequentemente o crucifixo do altar é retirado e posto de lado, e o ostensório é colocado em seu lugar, sobre uma corporal estendida ali para esse fim.

Se possível, é desejável que uma luz forte seja projetada sobre o ostensório, com a fonte de luz protegida, para não ofuscar os olhos da congregação.

Quando a ladainha é concluída, há silêncio por alguns momentos, e então o Tantum Ergo é cantado, como sempre foi desde que este serviço foi primeiramente instituído.

TANTUM ERGO

Portanto, nós, diante d'Ele nos curvando, Este grande Sacramento reverenciamos; Tipos e sombras têm seu fim, Pois o rito mais novo está aqui.

A fé, nosso sentido externo auxiliando, Torna nossa visão interna clara.

Glória demos, e bênção, Ao Pai e ao Filho, Opp.

página 494.

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Honra, poder e louvor dirigindo, Enquanto as eras eternas correm: Sempre, também, Seu amor confessando, Que de Ambos com Ambos é Um.

Amém.

Isto também, como o O Salutaris, devemos a S. Tomás de Aquino, e em cada caso os dois versos são as estrofes finais de um hino sacramental.

Estes poemas serão encontrados em Hymns Ancient and Modern, nos.

e 309 respectivamente.

Todos os presentes permanecem ajoelhados e se curvam profundamente na segunda linha do Tantum Ergo.

Ao final do primeiro verso, o celebrante novamente coloca incenso nos dois turíbulos e, ainda ajoelhado, oferece o incenso com nove balanços como antes, enquanto o segundo verso está sendo cantado.

O versículo e a resposta que são tradicionais.

P. Tu lhes deste o Pão do céu.

C. Contendo em si mesmo toda a doçura.

Mas acrescentamos a isso uma oração por tal iluminação que nos permita tirar o máximo proveito possível da maravilhosa efusão que agora esperamos.

P. Ó Senhor Cristo, Tu, Morador Oculto no espírito humano; C. Abre Teus olhos em nós, para que possamos ver.

Também modificamos ligeiramente a coleta tradicional que se segue: Ó Deus, que no admirável Sacramento do Altar nos deixaste uma memória viva do Teu eterno Sacrifício; concede-nos, Te suplicamos, que veneremos o sagrado mistério do Teu Corpo e do Teu Sangue de tal modo que possamos sempre perceber dentro de nós o poder da Tua vida interior, e assim, pelo alegre derramamento de nossas vidas em sacrifício, possamos 496 A Ciência dos Sacramentos

saber-nos um contigo, e através de Ti com tudo o que vive; Tu que vives e reinas com o Pai na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos.

KR. Amém.

Acrescentamos aqui uma atribuição de louvor e glória a Deus, e àqueles por meio de quem esta grande bênção nos chega. À santíssima e adorável Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, três Pessoas em um só Deus; a Cristo, nosso Senhor, o único sábio Conselheiro, o Príncipe da Paz; aos sete poderosos Espíritos diante do trono; e à gloriosa Assembleia dos justos aperfeiçoados, os Vigilantes, os Santos, os Sagrados, seja louvor incessante de toda criatura vivente; e honra, poder e glória, doravante e para sempre.

R. Amém.

Após isso, o celebrante se levanta (seus assistentes, os acólitos e a congregação permanecendo de joelhos), o ostensório é retirado do trono, e o celebrante, através do véu umeral, o toma com ambas as mãos e o segura diante do peito.

Lentamente, então, ele se volta para a direita até ficar de frente para o povo e faz o sinal da santa cruz sobre eles com o ostensório, desejando intensamente que a bênção do Cristo flua para fora sobre eles.

Se um bispo estiver oficiando, ele faz o sinal três vezes, como faz nas bênçãos ordinárias, mas com o ostensório em vez de apenas com a mão.

Enquanto isso, nuvens de incenso se elevam, e o sino do santuário é tocado.

O derramamento de força é tremendo; é literalmente como se o próprio Cristo estivesse ali e abençoasse o Seu povo, ou a personalidade do celebrante não entra em questão alguma; isso é expressamente bloqueado pelo véu umeral isolante.

Na bênção ordinária dada no encerramento de um serviço religioso, recebemos a bênção do Cristo através da personalidade do sacerdote ou bispo, ou a força viaja de nosso Senhor para os princípios superiores de Seu representante, que foram especialmente ligados a Ele na ordenação.

Ela desce daqueles princípios superiores do sacerdote para a sua mente e corpo emocional, assim como qualquer outro pensamento, e ele a envia sobre o povo pelo esforço de sua vontade.

Assim, parte da transferência dos planos superiores para os inferiores ocorre dentro do próprio sacerdote, e inevitavelmente a influência é colorida pelo meio através do qual passa.

No caso desta Bênção com o Santíssimo Sacramento, a linha de comunicação é aquele "relâmpago imóvel" que ligou a Hóstia ao Cristo no momento de sua consagração; de modo que o fluxo de força é bastante independente do sacerdote, exceto que o esforço de sua vontade põe a corrente em movimento — abre a torneira, por assim dizer.

Não é fácil sugerir uma símile exata; há sempre um fluxo constante de bênção vindo da Hóstia, mas a vontade do celebrante no momento da bênção a envia em um jato sob pressão muito mais alta.

Quando a bênção ordinária no encerramento de um serviço é dada por um bispo em vez de um sacerdote, a força tem algo de ambas essas qualidades; seu vínculo com seu Mestre é mais próximo, então há um derramamento muito maior através de sua personalidade, mas ao mesmo tempo seu anel está diretamente conectado magneticamente com o Cristo, e sua cruz peitoral e báculo com as Cabeças dos sete Raios, de modo que uma vasta quantidade de energia bastante exterior a ele mesmo também é posta em movimento.

É uma das características mais notáveis de todas essas forças vivas que elas têm um poder tão forte de reagir umas sobre as outras — de se intensificarem mutuamente.

Quando várias linhas atuam juntas, há um reforço decidido de cada uma, de modo que o efeito total é tremendo.

A bênção do Cristo é derramada em silêncio neste serviço, assim como é na ordenação de um sacerdote.

Este é o clímax da cerimônia, para o qual toda a parte anterior tem conduzido. O ato culminante de devoção do Tantum Ergo evoca esta resposta maravilhosa, e a igreja é inundada com esplendor celestial.

Para a visão clarividente, a cena é de uma beleza indescritível, e a elevação que ela traz consigo também está além de qualquer expressão.

Esta bênção silenciosa é a única parte do serviço durante a qual a Força C entra em ação; mesmo agora ela não é armazenada e distribuída como na celebração da Santa Eucaristia, mas irradiada para a vizinhança juntamente com a Força A. Na verdade, não há uma edificação de pensamento definida na qual ela pudesse ser retida; antes, eu diria talvez que nenhuma forma é deliberadamente construída para esse propósito.

Temos o efeito de uma série de esferas concêntricas de luz, cada uma tendo em sua superfície algum tipo de tensão que temporariamente retém a energia e permite uma certa acumulação dela; mas a superfície é elástica e se expande o tempo todo à medida que a pressão aumenta; e quando o celebrante eleva a custódia para a bênção, a força dispara através do vidro como um holofote e instantaneamente dissolve a parte da esfera oposta a ele, de modo que, à medida que ele lentamente se volta, toda a forma se desfaz, e toda a energia acumulada se derrama horizontalmente sobre a congregação e o mundo ao redor.

Este não é apenas o ponto culminante, mas virtualmente o fim deste belíssimo serviço; um breve salmo é cantado enquanto a Hóstia é recolocada no sacrário, e a procissão deixa a igreja cantando um hino de encerramento que me parece uma das joias inestimáveis da nossa Liturgia.

Foi escrito por um de nossos membros, o Sr. E. Armine Wodehouse.

Finda está a hora solene,
Os ritos sagrados se concluíram:
E eis! a música do Teu poder
Vibra através de nós, cada um.

Ó Mestre, que essa harmonia
Cante através das vidas que vivemos para Ti!

E agora com passo reverente,
Nossa força renovada pela Tua,
Guardiões devotos da Tua graça,
Deixamos este santo santuário,
E adentramos a noite silenciosa,
Para sermos portadores da Tua luz.

Eu recomendo especialmente este serviço de Bênção aos nossos membros.

Parece-me que ele se classifica em beleza e importância logo após a celebração da Santa Eucaristia.

Penso que é mais eficaz quando precedido pelas Vésperas, pois este último serviço prepara o caminho para ele e reúne uma hoste de Anjos e outros cuja assistência é do mais alto valor.

Unamo-nos a ele com todo o nosso coração, pensando nas palavras que cantamos e realmente significando-as, procurando sentir e apreciar o que nosso Senhor está fazendo por nós; e então, como um ato de gratidão a Ele, derramemos essa força e essa bênção sobre todos aqueles com quem 500 A Ciência dos Sacramentos

entramos em contato.

Assim aproveitaremos melhor esta maravilhosa oportunidade que Ele nos oferece; assim O agradaremos mais, e nos tornaremos um canal ainda melhor para o Seu eterno amor no futuro.

CAPÍTULO X — SERVIÇOS OCASIONAIS — PRIMA E COMPLETAS

Pouco há a dizer sobre estes serviços.

Cito da introdução que os precede em nossa Liturgia.

Prima é um dos Ofícios da manhã, e Completas um dos Ofícios da noite da Igreja.

Os serviços maiores, como a santa Eucaristia, as Vésperas e a Bênção, destinam-se principalmente a derramar força espiritual sobre o mundo, ao passo que estes Ofícios menores podem, não sem razão, ser considerados como designados especialmente para o benefício daqueles que deles participam.

Prima e Completas são serviços curtos, que podem ser conduzidos por um leigo, se necessário, e seriam portanto eminentemente adequados para um Ofício comunitário, ou para orações em família, ou para uso por um mestre-escola que desejasse rezar orações matinais ou vespertinas com seus alunos.

Eles também, naturalmente, prestam-se ao uso na Igreja; Prima, quando a santa Eucaristia não pode ser celebrada ou como preparação para ela, e Completas como um acréscimo às Vésperas, ou quando as Vésperas e a Bênção são inadequadas, como na noite da Sexta-Feira Santa.

Seu plano geral é idêntico.

Cada um começa, como todos os nossos serviços, com a invocação do Nome da Santíssima Trindade, seguida destes versículos:

P. Nosso auxílio está no Nome do Senhor.

C. Que fez o céu e a terra.

P. De manhã e à tarde O louvaremos.

C. Pois nossos corações descansam sempre no Seu amor.

A confissão ordinária é então recitada.

Se um sacerdote estiver presente, ele pronuncia a absolvição; se não, o ministrante encarregado, ainda ajoelhado, diz:

502 A Ciência dos Sacramentos

Que o Senhor nos abençoe e nos absolva de todos os nossos pecados; e que a Sua paz permaneça sobre nós hoje e sempre.

R. Graças a Deus.

Três salmos apropriados para cada um de nossos versículos, um Hino do Ofício, um Ato de Fé, a epístola e o evangelho do dia lidos como lições, e algumas coletas e versículos completam esses serviços muito simples.

É permitido encurtá-los ainda mais quando necessário, omitindo as lições, dois dos salmos e o Hino do Ofício.

Para mostrar seu caráter, transcrevo os dois Atos de Fé alternativos que são oferecidos:

Cremos que Deus é Amor, e Poder e Verdade e Luz; que a justiça perfeita rege o mundo; que todos os Seus filhos um dia alcançarão Seus Pés, por mais longe que se desviem.

Sustentamos a Paternidade de Deus, a Fraternidade do homem; sabemos que O servimos melhor quando melhor servimos a nosso irmão homem.

Assim Sua bênção repousará sobre nós, e paz para sempre.

Amém.

Ou isto:

Depositamos nossa confiança em Deus, a santa e toda-gloriosa Trindade, que habita no espírito do homem.

Depositamos nossa confiança em Cristo, o Senhor do amor e da sabedoria, o primeiro entre muitos irmãos, que nos conduz à glória do Pai, e é Ele mesmo o Caminho, a Verdade e a Vida.

Depositamos nossa confiança na Lei do Bem que rege o mundo; aspiramos ao antigo e estreito Caminho que conduz à vida eterna; sabemos que servimos melhor a nosso Mestre quando servimos a nosso irmão homem.

Assim Seu poder repousará sobre nós, e paz para sempre.

Amém.

A nota-chave dos serviços é dada em uma oração e alguns versículos ao final de cada um.

No caso da Prima, são estes:

Serviços Ocasionais

Permanece conosco, Senhor, ao longo deste dia, para que em todo o nosso trabalho, começado, continuado e terminado em Ti, possamos glorificar Teu santo Nome, que vive para todo o sempre.

R. Amém.

V. Sopra sobre nós, ó Espírito de Deus.

R. Em Tua força podemos fazer todas as coisas.

V. Que nossos corações se encham de Teu amor.

R. Em Tua força podemos fazer todas as coisas.

V. Glória seja ao Pai, e ao Filho: e ao Espírito Santo.

R. Em Tua força podemos fazer todas as coisas.

Nas Completas, substituímos:

Permanece conosco em nossos lares, ó Senhor, e que Teus santos Anjos aí habitem, para nos preservar em paz; e que Tua bênção repouse sempre sobre nós, ó Senhor do amor, que vives para todo o sempre.

R. Amém.

V. Olha, ó Senhor, para esta Tua família.

. Nas Tuas Mãos entrego o meu espírito.

. Protege-nos sob a sombra das Tuas Asas.

. Nas Tuas Mãos entrego o meu espírito.

yoOoHa! . Glória seja ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo.

C. Nas Tuas Mãos entrego o meu espírito.

Cada serviço é então encerrado com a seguinte bênção, se um sacerdote estiver presente: À graciosa amor e proteção de Deus vos entregamos; o Senhor vos abençoe e vos guarde; o Senhor faça resplandecer o Seu Rosto sobre vós e tenha misericórdia de vós; o Senhor levante a luz do Seu Semblante sobre vós e vos dê a Sua paz, esta noite e para sempre.

R. Amém.

Se não houver sacerdote, o ministrante encerra o serviço com as seguintes palavras: A graça de nosso Senhor Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo, sejam conosco todos para sempre.

BR. Amém.

A Ciência dos Sacramentos

O ENTERRO DOS MORTOS

Não há talvez serviço algum no qual a atitude adotada pela Igreja Católica Liberal se mostre mais proeminentemente do que neste.

Os serviços mais antigos têm demasiado de melancolia e dúvida; insistem que toda carne é erva, que temos pouco tempo de vida e somos cheios de miséria, que na nossa última hora estamos em perigo de cair de Deus, e assim por diante. O melhor que parecem poder oferecer é "uma esperança segura e certa". Sua atitude está fora de moda e em desarmonia com os fatos.

Não leva em conta o resultado das descobertas modernas; mantém teorias refutadas diante da razão e da ciência.

Na Igreja Católica Liberal acolhemos a verdade de qualquer fonte que ela venha, e consideramos pior que tolice promulgar uma doutrina que é desmentida por uma massa de fatos registrados.

A vida após a morte não é mais um mistério.

O mundo além do túmulo existe sob as mesmas leis naturais que este que conhecemos, e foi explorado e examinado com precisão científica.

Um objetor talvez sinta que isso é apenas uma afirmação; mas eu lhe perguntaria com base em que fundamentos ele sustenta sua crença atual, seja ela qual for. Ele pensa que a sustenta porque alguma Igreja a ensina, ou porque se supõe estar fundada no que está escrito em algum livro sagrado; ou porque é a crença geral daqueles ao seu redor — a opinião aceita do tempo.

Mas, se ele tentar libertar a mente de preconceitos, verá que essa opinião também se baseia meramente em afirmações, ou as Igrejas ensinam pontos de vista diferentes, e as palavras dos  
Serviços Ocasionais  

do livro sagrado podem ser e têm sido interpretadas de várias maneiras.

A visão aceita da época não se baseia em qualquer conhecimento definido; é mero boato.

Estas questões que nos afetam tão de perto e tão profundamente são importantes demais para serem deixadas à mera suposição ou crença vaga; exigem a certeza da investigação científica e da _ tabulação.

Tal investigação foi empreendida — tal tabulação foi realizada; é o resultado dessas que a Igreja Católica Liberal apresenta como seu ensinamento sobre este assunto, e é sobre esse resultado que este serviço se baseia.

Não pedimos crédulo cego; declaramos o que muitos de nós sabemos ser fatos, e convidamos nossos estudantes a examiná-los.

Para tornar o assunto claro, devo referir-me novamente à questão da constituição do homem, à qual já toquei anteriormente.

Todos nós já ouvimos dizer vagamente que o homem possui algo imortal chamado alma, que se supõe sobreviver à morte do corpo.

Deixemos de lado essa vagueza e estudemos a evidência até não dizermos mais: "Espero ter uma alma", mas "Sei que sou uma alma". Pois essa é a verdade real; o homem é uma alma e tem um corpo.

O corpo não é o homem; é apenas a vestimenta do homem.

O que chamamos de morte é o deixar de lado de uma vestimenta gasta, e não é mais o fim do homem do que é o nosso fim quando removemos nossos sobretudos.

Portanto, não perdemos nossos amigos "mortos"; apenas perdemos de vista a capa na qual estávamos acostumados a vê-los.

A capa se foi, mas o homem que a usava não; certamente é o homem que amamos, e não a vestimenta.

A Ciência dos Sacramentos

Antes de podermos compreender a condição dos mortos, devemos compreender a nossa própria.

Devemos tentar compreender o fato de que somos seres imortais, imortais porque somos divinos em essência — porque somos centelhas do próprio Fogo de Deus; que vivemos por eras antes de vestirmos estas vestes que chamamos de corpos, e que viveremos por eras depois que elas se desfizerem em pó.

"Deus fez o homem para ser uma imagem de Sua própria eternidade." Isto não é uma suposição ou uma crença piedosa; é um ato científico definido, capaz de prova, como pode ser visto na literatura sobre o assunto por qualquer um que se dê ao trabalho de lê-la. O que os homens pensam ser sua vida é, na verdade, apenas um dia de sua vida real como alma, e o mesmo se aplica ao nosso amigo falecido; portanto, ele não está morto — é apenas o seu corpo que foi posto de lado.

Contudo, não devemos por isso pensá-lo como um mero sopro sem corpo, como se fosse, de qualquer forma, menos ele mesmo do que era antes.

Você, que lê isto, tem tanto um corpo físico, que pode ver, quanto outro corpo interior, que não pode ver, ao qual (como observei antes) São Paulo chamou de "corpo espiritual". E quando você deixa de lado o físico, você ainda retém esse outro veículo mais sutil; você está vestido em seu "corpo espiritual". Se simbolizarmos o corpo físico como um sobretudo ou capa, podemos pensar nesse corpo espiritual como o robe caseiro comum que o homem veste por baixo dessa vestimenta externa.

Não é apenas no que chamamos de morte que um homem tira esse sobretudo de matéria densa; toda noite, quando ele vai dormir, ele o desliza por um tempo e vagueia pelo mundo em seu corpo espiritual — invisível no que diz respeito a este mundo denso, mas claramente visível para aqueles amigos que por acaso estão usando seus corpos espirituais ao mesmo tempo.

Pois cada corpo vê apenas aquilo que está em seu próprio nível; nosso corpo físico vê apenas outros corpos físicos, nosso corpo espiritual vê apenas outros corpos espirituais.

Quando o homem retoma seu sobretudo — isto é, quando ele volta ao seu corpo mais denso e acorda (ou desce) para este mundo inferior — ocasionalmente acontece que ele tem alguma lembrança, embora geralmente bastante distorcida, do que viu quando estava ausente em outro lugar; e então ele a chama de sonho vívido.

O sono, então, pode ser descrito como uma espécie de morte temporária, sendo a diferença que não nos retiramos tão completamente de nossos sobretudos a ponto de não podermos retomá-los.

Segue-se que, quando dormimos, entramos na mesma condição na qual os mortos passaram.

O que é essa condição, tentarei explicar muito brevemente e parcialmente.

Muitas teorias têm circulado sobre a vida após a morte — a maioria delas baseada em mal-entendidos das escrituras antigas.

Em certa época, o horrível dogma do que se chamava punição eterna era quase universalmente aceito na Europa, embora ninguém, exceto os irremediavelmente ignorantes, o creia agora.

Baseava-se numa tradução errônea de certas palavras atribuídas a Cristo, e era mantido pelos monges medievais como um espantalho conveniente com o qual amedrontar as massas ignorantes para o bem-agir.

À medida que o mundo avançava em civilização, os homens começaram a ver que tal princípio não era apenas blasfemo, mas ridículo.

Os religiosos modernos leram *Salvator Mundi*, de Samuel Cox, 508 — *A Ciência dos Sacramentos* —

e, portanto, o substituíram por sugestões um tanto mais sensatas; mas estas são geralmente bastante vagas e longe da simplicidade da verdade.

Todas as Igrejas complicaram suas doutrinas porque insistiram em partir de um dogma absurdo e infundado de uma divindade cruel e irada que desejava ferir seu povo.

Importaram essa doutrina terrível do judaísmo primitivo, em vez de aceitar o ensinamento do Cristo de que Deus é um Pai amoroso.

As pessoas que apreenderam o fato fundamental de que Deus é Amor, e que Seu universo é governado por sábias leis eternas, começaram a perceber que essas leis devem ser obedecidas no mundo além-túmulo tanto quanto neste.

Mas ainda assim as crenças são vagas.

Falam-nos de um céu distante, de um dia de juízo num futuro remoto, mas pouca informação nos é dada sobre o que acontece aqui e agora.

Aqueles que ensinam nem sequer pretendem ter qualquer experiência pessoal das condições após a morte.

Eles nos contam não o que eles próprios sabem, mas apenas o que ouviram de outros.

Como isso pode nos satisfazer? A verdade é que o dia da crença cega passou; a era do conhecimento científico está conosco, e não podemos mais aceitar ideias sem o sustento da razão e do senso comum.

Não há razão para que métodos científicos não sejam aplicados à elucidação de problemas que, em épocas anteriores, eram deixados inteiramente à religião; de fato, tais métodos foram aplicados pela Sociedade de Pesquisas Psíquicas, pela Sociedade Teosófica e por muitos investigadores individuais, entre os quais encontramos cientistas bem conhecidos.

É o cúmulo da tolice ignorar ou negar os resultados de tais investigações, ou, embora alguns investigadores tenham penetrado mais longe do que outros, há muitos fatos amplos sobre os quais todos concordam.

Como eu mesmo tomei parte neste trabalho, o que colocarei diante de meus leitores aqui é o conhecimento a que minhas próprias investigações me conduziram. Ninguém mais é responsável por minhas afirmações, embora haja muitos que concordam comigo total ou parcialmente. Somos espíritos, mas vivemos em um mundo material — um mundo, no entanto, que apenas parcialmente conhecemos. Toda a informação que temos sobre ele nos chega por meio de nossos sentidos; mas esses sentidos são seriamente imperfeitos.

Objetos sólidos podemos ver; geralmente podemos ver líquidos, a menos que sejam perfeitamente transparentes; mas gases, na maioria dos casos, são invisíveis para nós. A pesquisa mostra que há outros tipos de matéria muito mais sutis do que os gases mais rarefeitos; mas a esses nossos sentidos físicos não respondem, e assim não podemos obter informação alguma a respeito deles por meios físicos. No entanto, podemos entrar em contato com eles; podemos investigá-los, mas só podemos fazê-lo por meio daquele "corpo espiritual" ao qual se fez referência, ou que tem seus sentidos assim como este tem.

A maioria dos homens ainda não aprendeu a usá-los, mas este é um poder que pode ser adquirido pelo homem.

Sabemos que pode ser, porque assim foi adquirido; e aqueles que o conquistaram se veem capazes de ver muito do que está oculto à visão dos homens comuns.

Eles aprendem que este nosso mundo é muito mais maravilhoso do que jamais supusemos; que, embora os homens tenham vivido nele por milhares de anos, a maioria deles permaneceu totalmente ignorante de toda a parte mais elevada e mais bela de sua vida.

É por esse poder que obtivemos toda a informação dada neste livro; consideremos agora que novo conhecimento ele nos apresenta sobre a vida além do que chamamos de morte, e a condição daqueles que a desfrutam.

A primeira coisa que aprendemos é que a morte não é o fim da vida, como temos assumido ignorantemente, mas é apenas um passo de um estágio da vida para outro.

Já disse que é o deixar de lado de um sobretudo, mas que, depois disso, o homem ainda se encontra vestido com seu traje comum de casa — o corpo espiritual.

Mas, embora, por ser muito mais sutil, São Paulo lhe tenha dado o nome de "espiritual", ele ainda é um corpo e, portanto, material, ainda que a matéria de que é composto seja muito mais sutil do que qualquer uma ordinariamente conhecida por nós. O corpo físico serve ao espírito como um meio de comunicação com o mundo físico.

Sem esse corpo como instrumento, ele seria incapaz de comunicar-se com esse mundo, de imprimir-se nele ou de receber impressões dele. Descobrimos que o corpo espiritual serve exatamente ao mesmo propósito; atua como intermediário para o espírito com o mundo superior e "espiritual".

Mas esse mundo "espiritual" não é algo vago, distante e inatingível; é simplesmente uma parte superior do mundo que agora habitamos.

Não estou por um momento negando que existam outros mundos, muito mais elevados e remotos; estou apenas dizendo que o que comumente se chama morte nada tem a ver com esses, e que é meramente uma transferência de um estágio — Serviços Ocasionais 51

ou condição para outro neste mundo com o qual todos estamos familiarizados.

Pode-se dizer que o homem que faz essa mudança torna-se invisível para nós; mas, se pensarmos nisso, veremos que o homem sempre foi invisível para nós — que o que temos o hábito de ver é apenas o corpo que ele habitava.

Agora ele habita outro corpo, mais sutil, que está além de nossa visão comum, mas não necessariamente, de modo algum, além de nosso alcance.

O primeiro ponto a perceber é que aqueles a quem chamamos de mortos não nos deixaram. Fomos criados em uma crença complexa que implica que cada morte é um milagre separado e maravilhoso, que, quando a alma deixa o corpo, ela de alguma forma desaparece em um céu além das estrelas — sem que se faça qualquer sugestão sobre os meios mecânicos de trânsito através do espaço apavorante envolvido.

Os processos da Natureza são certamente maravilhosos e, muitas vezes, incompreensíveis para nós; mas nunca desafiam a razão e o senso comum.

Quando um homem tira o sobretudo no vestíbulo, ele não desaparece subitamente para algum pico distante de montanha; ele está de pé exatamente onde estava antes, embora possa apresentar uma aparência externa diferente.

Precisamente da mesma maneira, quando um homem deixa de lado seu corpo físico, ele permanece exatamente onde estava antes.

É verdade que não o vemos mais, mas a razão para isso não é que ele tenha partido, mas que o corpo que ele agora veste não é visível aos nossos olhos físicos.

Nossos olhos respondem apenas a uma proporção muito pequena das vibrações que existem na natureza e, consequentemente, as únicas substâncias que podemos ver são aquelas que por acaso refletem essas ondulações específicas — 512 A Ciência dos Sacramentos.

A visão do nosso "corpo espiritual" é igualmente uma questão de resposta a ondulações, mas estas são de uma ordem bastante diferente, provenientes de um tipo de matéria muito mais sutil.

Tudo isso pode ser encontrado detalhado na literatura sobre o assunto.

Por ora, tudo o que nos concerne é que, por meio de nossos corpos físicos, podemos ver e tocar apenas o mundo físico, enquanto por meio do "corpo espiritual" podemos ver e tocar as coisas do mundo espiritual.

E lembre-se de que este não é, em nenhum sentido, outro mundo, mas simplesmente uma parte mais refinada deste mundo.

Mais uma vez digo: existem outros mundos, mas não nos concernem agora.

O homem que pensamos estar morto está, na realidade, ainda conosco.

Quando estamos lado a lado, nós em nossos corpos físicos e ele no veículo "espiritual", estamos inconscientes de sua presença porque não podemos vê-lo; mas quando deixamos nossos corpos físicos no sono, ficamos lado a lado com ele em plena e perfeita consciência, e nossa união com ele é, em todos os sentidos, tão plena quanto costumava ser. Assim, durante o sono, somos felizes com os "mortos" que amamos; é somente durante as horas de vigília que sentimos a separação.

Infelizmente, para a maioria de nós, há uma ruptura entre a consciência física e a consciência do corpo espiritual, de modo que, embora nesta última possamos perfeitamente lembrar da primeira, muitos de nós acham impossível trazer para a vida de vigília a memória do que a alma faz quando está longe do corpo no sono.

Se essa memória fosse perfeita, para nós não haveria realmente morte.

Alguns homens já alcançaram essa consciência contínua, e todos podem alcançá-la por graus; pois faz parte do desdobramento natural dos poderes da alma.

Em muitos, tal desdobramento já começou, e assim fragmentos de memória vêm à tona, mas há uma tendência a rotulá-los como meros sonhos e, portanto, sem valor — tendência especialmente prevalente entre aqueles que não estudaram os sonhos e não compreendem o que eles realmente são.

Mas, embora apenas poucos possuam visão plena e memória plena, há muitos que conseguiram sentir a presença de seus entes queridos, mesmo que não possam vê-los; e há outros que, embora não tenham memória definida, despertam do sono com uma sensação de paz e bem-aventurança que é o resultado do que ocorreu naquele mundo superior.

Aqueles que têm a memória plena podem nos relatar a vida que os mortos estão levando.

Nele há muitas e grandes variações, mas ao menos é quase sempre mais feliz do que a mentira terrena.

Devemos desiludir-nos de teorias antiquadas; o morto não salta subitamente para um _ céu impossível, nem cai em um inferno ainda mais impossível.

Não há de fato inferno no antigo sentido perverso da palavra; e não há inferno em lugar algum, em qualquer sentido, exceto aquele que o homem cria para si mesmo.

Devemos tentar compreender claramente que a morte não produz mudança no homem; ele não se torna subitamente um grande santo ou anjo, nem é de repente dotado de toda a sabedoria dos séculos; ele é exatamente o mesmo homem no dia após sua morte como era no dia anterior, com as mesmas emoções, a mesma disposição, o mesmo desenvolvimento intelectual.

A única diferença é que ele perdeu o corpo físico.

Pensemos exatamente no que isso significa.

Significa liberdade absoluta da possibilidade de dor ou fadiga; liberdade também de todos os deveres enfadonhos; inteira liberdade (provavelmente pela primeira vez em sua vida) para fazer exatamente o que lhe agrada.

Na vida física, o homem está constantemente sob constrangimento; a menos que seja um da pequena minoria que possui meios independentes, está sempre sob a necessidade de trabalhar para obter dinheiro — dinheiro que precisa ter para comprar comida, roupas e abrigo para si e para aqueles que dele dependem.

Em alguns raros casos, como os do artista e do músico, o trabalho do homem é uma alegria para ele, mas na maioria dos casos é uma forma de labuta à qual certamente não se dedicaria, a menos que fosse compelido.

Neste mundo espiritual, dinheiro não é _ necessário, comida e abrigo não são mais precisos, pois sua glória e sua beleza são livres para todos os seus habitantes, sem dinheiro e sem preço.

Em sua matéria rarefeita, no corpo espiritual, ele pode mover-se para cá e para lá como quiser; se ama a bela paisagem de floresta, mar e céu, pode visitar a seu prazer todos os mais belos lugares da Terra; se ama a arte, pode passar todo o seu tempo na contemplação das obras-primas de todos os maiores homens; se é músico, pode passar de uma para outra das principais orquestras do mundo, ou pode passar seu tempo ouvindo os mais célebres intérpretes.

Qualquer que tenha sido seu deleite particular na Terra — seu passatempo, como diríamos — ele tem

agora a mais plena liberdade para dedicar-se inteiramente a ela e segui-la até o fim, desde que seu gozo seja o do intelecto ou das emoções superiores — que sua gratificação não exija a posse de um corpo físico.

Assim, ver-se-á de imediato que todos os homens racionais e decentes são infinitamente mais felizes após a morte do que antes dela, pois têm tempo amplo não apenas para o prazer, mas para um progresso realmente satisfatório ao longo das linhas que mais lhes interessam.

Há então, nesse mundo, alguns que são infelizes? Sim, pois essa vida é necessariamente uma sequência desta, e o homem é, em todos os aspectos, o mesmo homem que era antes de deixar seu corpo.

Se seus prazeres neste mundo eram baixos e grosseiros, ele se verá incapaz, naquele mundo, de gratificar seus desejos.

Um bêbado sofrerá de sede inextinguível, não tendo mais um corpo através do qual possa saciá-la; o glutão sentirá falta dos prazeres da mesa; o avarento não encontrará mais ouro para ajuntar.

O homem que se entregou, durante a vida terrena, a paixões indignas, as encontrará ainda roendo suas entranhas.

O sensualista ainda palpita com anseios que agora jamais poderão ser satisfeitos; o ciumento ainda é dilacerado por seu ciúme, tanto mais que não pode mais interferir na ação de seu objeto.

Tais pessoas, sem dúvida, sofrem — mas apenas essas, apenas aquelas cujas propensões e paixões foram grosseiras e físicas em sua natureza.

E mesmo elas têm seu destino absolutamente em suas próprias mãos.

Basta-lhes conquistar essas inclinações, e estarão imediatamente livres do sofrimento que tais anseios acarretam.

Lembrai sempre que não existe punição; existe apenas o resultado natural de uma causa definida; de modo que o homem só precisa remover a causa e o efeito cessa — não sempre imediatamente, mas assim que a energia da causa se esgota.

Há muitas pessoas que evitaram esses vícios mais flagrantes, mas viveram o que se pode chamar de vidas mundanas, preocupando-se principalmente com a sociedade e suas convenções, e pensando apenas em divertir-se.

Tais pessoas não sofrem ativamente no mundo espiritual, mas frequentemente o acham monótono — sentem o tempo pesar em suas mãos.

Eles podem se reunir com outros de seu tipo, mas geralmente os acham um tanto monótonos, agora que não há mais competição em vestuário ou em ostentação geral, enquanto as pessoas melhores e mais inteligentes que desejam alcançar estão habitualmente ocupadas de outra forma e, portanto, um tanto inacessíveis para eles.

Mas qualquer homem que tenha interesses intelectuais ou artísticos racionais se achará infinitamente mais feliz fora de seu corpo físico do que dentro dele; e deve-se lembrar que é sempre possível para um homem desenvolver nesse mundo um interesse racional, se for sábio o suficiente para desejar fazê-lo. Os artísticos e intelectuais são supremamente felizes nessa nova vida; contudo, ainda mais felizes, creio eu, são aqueles cujo interesse mais aguçado esteve em seus semelhantes — aqueles cujo maior deleite foi ajudar, socorrer, ensinar.

Pois embora nesse mundo não haja mais pobreza, nem fome, nem sede, nem frio, ainda há aqueles que estão em tristeza que podem ser consolados, aqueles que estão na ignorância que podem ser ensinados.

Justamente porque nos países ocidentais há tão pouco conhecimento do mundo além do túmulo, encontramos nesse mundo muitos que necessitam de instrução sobre as possibilidades dessa nova vida; e assim, quem sabe pode sair espalhando esperança e boas novas ali tanto quanto aqui.

Mas lembre-se sempre de que "lá" e "aqui" são apenas termos usados em deferência à nossa cegueira; pois esse mundo está aqui, bem próximo de nós o tempo todo, e não deve ser pensado por um momento como distante ou de difícil acesso.

Tudo isso tem pouco em comum com o céu e o inferno que nos ensinaram na infância; contudo, é fato que esta é a realidade que está por trás desses mitos.

Verdadeiramente não há inferno; mas ver-se-á que o bêbado ou o sensualista pode ter preparado para si algo que não é má imitação dele.

Apenas não é eterno; dura somente até que seus desejos se exaurem; ele pode a qualquer momento pôr fim a isso, se for forte e sábio o bastante para dominar esses anseios terrenos e elevar-se inteiramente acima deles.

Esta é a verdade subjacente à doutrina romana do purgatório — a ideia de que, após a morte, as qualidades malignas têm de ser queimadas em um homem por uma certa quantidade de sofrimento, antes que ele seja capaz de desfrutar da bem-aventurança do céu. Há um segundo e mais elevado estágio da vida após a morte que corresponde muito de perto a uma concepção racional do céu.

Esse nível mais alto é atingido quando todos os anseios inferiores ou egoístas desapareceram absolutamente; então o homem passa para uma condição de êxtase religioso ou de alta atividade intelectual, de acordo com sua natureza e de acordo com a linha ao longo da qual sua energia fluiu durante sua vida terrena.

Esse é para ele um período da mais suprema bem-aventurança, um período de compreensão muito maior, de aproximação mais íntima à realidade.

Mas essa alegria chega a todos, não apenas aos especialmente piedosos.

Não deve de modo algum ser considerada uma recompensa, mas, mais uma vez, apenas como o resultado inevitável do caráter evoluído na vida terrena.

Se um homem está cheio de elevada e altruísta afeição ou devoção, se ele é esplendidamente desenvolvido intelectual ou artisticamente, o resultado inevitável de tal desenvolvimento será esse gozo do qual estamos falando.

Lembre-se de que todos esses são apenas estágios de uma única vida, e que, assim como o comportamento de um homem durante sua juventude determina em grande parte as condições de sua meia-idade e velhice, assim o comportamento de um homem durante sua vida terrena determina sua condição durante esses estados posteriores.

É eterno esse estado de bem-aventurança? — pode-se perguntar.

Não, pois, como eu disse, ele é o resultado da vida terrena, e uma causa finita nunca pode produzir um resultado infinito.

A vida do homem é muito mais longa e muito maior do que a maioria supôs.

A Centelha que emanou de Deus deve retornar a Ele; e estamos ainda muito longe daquela perfeição da Divindade.

Toda vida está evoluindo, pois a evolução é a lei de Deus; e o homem cresce lenta e firmemente junto com o resto.

O que comumente se chama de vida do homem é, na realidade, apenas um dia de sua vida verdadeira e mais longa.

Assim como nesta vida comum o homem se levanta cada manhã, veste suas roupas e sai para fazer seu trabalho diário, e

Então, quando a noite desce, ele deixa de lado essas roupas e descansa, e então, na manhã seguinte, levanta-se renovado para retomar seu trabalho do ponto onde o deixou — assim também, quando o homem entra na vida física, ele veste a vestimenta do corpo físico, e quando seu tempo de trabalho termina, ele deixa de lado essa vestimenta novamente no que chamamos de morte, e passa para a condição mais repousante que descrevi; e quando esse descanso termina, ele veste mais uma vez a vestimenta do corpo e sai novamente para começar um novo dia de vida física, retomando sua evolução do ponto onde a deixou.

'É apenas como quando alguém deixa
Suas vestes gastas de lado,
E, tomando novas, diz:
"Estas vestirei hoje!"
Assim o Espírito põe de lado
Levemente sua veste de carne,
E passa a herdar
Uma morada renovada.

E essa longa vida dele dura até que ele atinja aquela meta de divindade que Deus pretende que ele alcance.

Tudo isso será novo para muitos, e por ser novo pode parecer estranho e grotesco.

Contudo, tudo o que disse é passível de prova, e já foi testado muitas vezes; mas aqueles que desejarem ler tudo isso devem estudar a literatura sobre o assunto.

Uma pergunta frequentemente feita é: O que acontece com as crianças nesse estranho mundo espiritual novo? De todos os que nele entram, elas são talvez as mais felizes e as mais total e imediatamente em casa.

Lembrem-se de que elas não perdem os pais, os irmãos, as irmãs, os companheiros de brincadeira que amam; é simplesmente que os têm para brincar durante o que chamamos de noite, em vez do dia; de modo que não sentem perda ou separação.

Durante o nosso dia, elas nunca são deixadas sozinhas, pois, lá como aqui, as crianças se reúnem e brincam juntas — brincam em Campos Elísios cheios de raras delícias.

Sabemos como aqui uma criança gosta de "fazer de conta", fingindo ser este ou aquele personagem da história — representando o papel principal em todos os tipos de maravilhosos contos de fadas ou histórias de aventura.

Na matéria mais sutil daquele mundo superior, os pensamentos assumem forma visível, e assim a criança que se imagina um certo herói prontamente assume temporariamente a aparência real desse herói.

Se ela deseja um castelo encantado, seu pensamento pode construir esse castelo encantado.

Se ele deseja um exército para comandar, imediatamente esse exército está ali.

E assim, entre os mortos, as hostes de crianças estão sempre cheias de alegria — na verdade, muitas vezes até ruidosamente felizes.

E aquelas outras crianças de disposição diferente, aquelas cujos pensamentos se voltam mais naturalmente para assuntos religiosos — também elas nunca deixam de encontrar aquilo por que anseiam.

Pois os Anjos e os santos de outrora existem — não são meras piedosas fantasias; e aqueles que deles necessitam, aqueles que neles creem, certamente são atraídos a eles, e os encontram mais bondosos e mais gloriosos do que qualquer fantasia jamais sonhou.

Há aqueles que buscariam encontrar o próprio Deus, Deus em forma material; contudo, mesmo esses não são decepcionados, pois dos mais gentis e bondosos mestres aprendem que todas as formas são formas de Deus, pois Ele está em toda parte, e aqueles que desejam servir e ajudar até mesmo o mais humilde de Seus

Serviços Ocasionalmente

criaturas estão verdadeiramente servindo e ajudando a Ele.

As crianças gostam de ser úteis; gostam de ajudar e confortar; um vasto campo para tal ajuda e conforto se estende diante delas entre os ignorantes daquele mundo superior, e enquanto percorrem seus gloriosos campos em suas missões de misericórdia e de amor, aprendem a verdade do belo ensinamento antigo: "Sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." E os bebês minúsculos — aqueles que ainda são jovens demais para brincar? Não tenhais receio por eles, pois muitas mães mortas aguardam ansiosamente para apertá-los ao peito, para recebê-los e amá-los como se fossem seus.

Geralmente, esses pequeninos permanecem no mundo espiritual por pouco tempo, e então retornam à Terra mais uma vez, muitas vezes para o mesmo pai e a mesma mãe.

Acerca desses, o monge medieval inventou uma crueldade especialmente horrenda, na sugestão de que o bebê não batizado estaria perdido para seus amigos para sempre.

O batismo é um verdadeiro sacramento, e não é desprovido de suas utilidades, como já vimos; mas que ninguém seja tão anticientífico a ponto de imaginar que a omissão de uma forma exterior como essa possa afetar o funcionamento das leis eternas de Deus, ou transformá-Lo de um Deus de amor em um tirano impiedoso.

É abundantemente evidente que, por mais natural que seja para nós sentirmos tristeza pela morte de nossos parentes, essa tristeza é um erro e um mal, e devemos superá-la. Não há necessidade de nos entristecermos por eles, pois eles passaram para uma vida muito mais ampla e mais feliz.

Se nos entristecemos por nossa suposta separação deles, estamos em primeiro lugar

chorando por uma ilusão, ou, na verdade, eles não estão separados de nós; e, em segundo lugar, estamos agindo egoisticamente, porque pensamos mais na nossa aparente perda do que no seu grande e real ganho.

Devemos nos esforçar para ser totalmente altruístas, como de fato todo amor deveria ser. Devemos pensar neles e não em nós mesmos — não no que desejamos ou sentimos, mas somente no que é melhor para eles e mais útil ao seu progresso. Se choramos, se cedemos à melancolia e à depressão, projetamos de nós mesmos uma nuvem pesada que escurece o céu para eles.

O próprio afeto que sentem por nós, a própria simpatia que têm por nós, os deixam expostos a essa influência terrível.

Podemos usar o poder que esse afeto nos dá para ajudá-los, em vez de atrapalhá-los, se assim o quisermos; mas para isso é preciso coragem e autossacrifício.

Devemos esquecer-nos totalmente de nós mesmos em nosso desejo sincero e amoroso de ser da maior assistência possível aos nossos mortos.

Cada pensamento, cada sentimento nosso os influencia; cuidemos então para que não haja pensamento que não seja amplo e útil, nobre e purificador.

Procure compreender a unidade de tudo; há um só Deus, e todos são um Nele.

Se pudermos apenas trazer para nós mesmos a unidade desse Eterno Amor, não haverá mais tristeza para nós; pois perceberemos, não apenas para nós mesmos, mas para aqueles que amamos, que, quer vivamos, quer morramos, somos do Senhor, e que Nele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser, seja neste mundo ou no mundo vindouro.

A atitude de luto é uma atitude sem fé, uma atitude ignorante.

Quanto mais sabemos, mais plenamente confiaremos, pois sentiremos com absoluta certeza que nós e os nossos mortos estamos igualmente nas mãos do perfeito Poder e da perfeita Sabedoria, dirigidos pelo perfeito Amor.

O SERVIÇO FÚNEBRE Esta tem sido uma longa digressão de nossa consideração do Serviço Fúnebre; contudo, a extrema importância do assunto a justifica, e é impossível compreender o serviço sem uma compreensão geral do conhecimento que ditou sua organização.

O prefácio deste serviço em nossa Liturgia observa: Os ritos fúnebres da Igreja podem ser agrupados em duas divisões; a primeira inclui aqueles ofícios, de importância primordial, cujo propósito é envolver a alma libertada com paz e poder espiritual.

Desses, a oferta do Santo Sacrifício pelo repouso da alma é a mais importante e eficaz. A outra parte, menos importante, do rito consiste na bênção do túmulo e na consignação nele das cinzas ou do corpo descartado.

A isso deve-se acrescentar a obra de dar conforto e segurança aos parentes e amigos.

Esta obra de dar ajuda e paz à pessoa falecida é inevitavelmente prejudicada se a cercamos de sentimentos de depressão e infelicidade.

Todo esforço deve, portanto, ser feito para deixar de lado nosso sentimento muito natural de pesar e perda, e pensar antes na felicidade e na paz da alma partida.

Na medida em que conseguimos isso, também obtemos conforto e força para nós mesmos.

O sacerdote deve ser solicitado a comemorar a pessoa falecida o mais cedo possível após a morte, em uma de suas celebrações regulares.

É fortemente recomendado que, sempre que possível, o corpo físico da pessoa falecida seja cremado, isto é, desintegrado rapidamente pelo fogo, em vez de pelo processo de lenta decomposição.

A Ciência dos Sacramentos

Quando as sentenças habituais tiverem sido lidas e o corpo do falecido trazido para a igreja, o sacerdote começa com a invocação e então diz: Irmãos, estamos reunidos aqui hoje para celebrar a passagem para uma vida superior de nosso querido irmão.

... É natural que nós, que o conhecemos e amamos, lamentemos sua partida do nosso meio; contudo, nesta ocasião, nosso dever é pensar não em nós mesmos, mas nele.

Portanto, devemos nos esforçar vigorosamente para deixar de lado o pensamento de nossa perda pessoal e nos ater apenas ao seu grande e gloriosíssimo ganho.

E então ele os convoca a se unirem a ele no canto do Te Deum em celebração da alegria que sobreveio ao irmão falecido.

Quando há grande pressa, o salmo vinte e três pode ser substituído, mas é, naturalmente, menos eficaz.

Então o sacerdote asperge o caixão com água benta e o incensa, enquanto alguns belos versículos são ditos, e então pronuncia a absolvição que se segue: P. Concede-lhe, ó Senhor, o descanso eterno, C. E que a luz perpétua brilhe sobre ele.

P. Vinde ao seu encontro, vós, Anjos do Senhor.

C. Recebei-o em vossa comunhão, ó santos de Deus.

. Que os coros de Anjos o recebam.

. E o guiem para a paz eterna.

. Concede-lhe, ó Senhor, o descanso eterno.

. E que a luz perpétua brilhe sobre ele,     . Ó Deus, em cujo inefável amor as   aANaYN   WFAN                                                                   almas    dos    falecidos       encontram    descanso   e   paz,     em    Teu         Nome    nós o absolvemos de    todo     vínculo     de pecado, Teu servo               que despiu esta vestimenta de carne.

Que Teus santos Anjos o carreguem em seu terno cuidado, para que ele possa entrar no esplendor da luz eterna e encontrar sua paz em Ti.

Por Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

Se houver uma celebração especial da Santa Eucaristia neste momento pelo falecido, ela começa neste ponto.

Se não, as seguintes coletas são ditas:                     Serviços Ocasionais

Deus Todo-Poderoso, que tens domínio sobre os vivos e os mortos, e susténs toda a Tua criação nos eternos braços do Teu amor, Te rogamos pela paz e pelo repouso de Teu servo, para que ele, morto para este mundo, mas sempre vivendo em Ti, possa encontrar em Teu contínuo e incessante serviço a perfeita consumação da felicidade e da paz.

Por Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

Igualmente, ó Senhor, Te rogamos por aqueles que amam Teu servo, aqueles a quem Tu chamaste para sacrificar o consolo de sua presença terrena; faze, ó Senhor, que Tu os consoles com o bálsamo da Tua bondade, para que, fortalecidos por Ti e apoiados na certeza da Tua sabedoria, eles possam afastar seus pensamentos de tristeza e luto, e derramar sobre ele apenas tais pensamentos de amor que possam ajudá-lo na vida superior de serviço para a qual Tu agora o chamaste.

Por Cristo, nosso Senhor.

R. Amém.

A procissão que carrega o caixão agora vai até o túmulo.

Antes de o caixão ser baixado, o túmulo é aspergido com água benta, incensado e abençoado pelo sacerdote.

O caixão é então baixado, e o sacerdote profere uma rhapsódia que é em parte uma declaração de fato e em parte uma oração, mas dá uma ideia justa dos pensamentos com os quais desejamos inspirar aqueles que assistem ao funeral.

Porquanto aprouve a Deus Todo-Poderoso, por Seu grande amor, tomar para Si nosso querido irmão daqui partido, nós, portanto, confiamos este seu corpo despojado à terra, terra à terra, cinzas às cinzas, pó ao pó, para que, naquele corpo espiritual mais glorioso que agora ele veste, ele possa estar livre das cadeias terrenas para servir a Deus como deve.

Pois eu vos digo: Bem-aventurados os mortos que morrem no Senhor; ou as almas dos justos estão na Mão de Deus, e nenhum tormento as tocará.

Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido, e a sua partida é tida por miséria, e o seu afastamento de nós por total destruição, mas eles estão em paz.

Pois Deus criou o homem para ser imortal, e o fez à imagem da Sua própria eternidade.

O Senhor está assentado acima das inundações; o Senhor permanece Rei para sempre.

O universo é o Seu templo; sabedoria, força e beleza estão ao redor do Seu trono como pilares das Suas obras; pois a Sua sabedoria é infinita, a Sua força é onipotente, e a Sua beleza brilha através de todo o universo em ordem e simetria.

Os céus Ele estendeu como um dossel; a terra Ele plantou como Seu escabelo; Ele coroa o Seu templo com estrelas como com um diadema, e das Suas Mãos fluem todo poder e glória.

O sol e a lua são mensageiros da Sua vontade, e toda a Sua lei é concórdia.

Se subirmos ao céu, ali Ele está; se descermos ao inferno, ali também Ele está.

Se tomarmos as asas da manhã e habitarmos nas extremidades do mar, mesmo ali a Sua Mão nos guiará, e a Sua destra nos sustentará. Em Seu cuidado onipotente descansamos em perfeita paz, e igualmente em Seu cuidado descansa este nosso ente querido, a quem Ele Se dignou a aproximar da visão da Sua eterna beleza.

Louvando-O portanto sempre, em firme mas humilde confiança, invocamo-Lo e dizemos: Ó Pai da Luz, em Quem não há trevas algumas, rogamos-Te que enchas os nossos corações de calma e paz, e que abras dentro de nós os olhos da alma, para que vejamos pela fé o resplendor e a glória que Tu estás derramando sobre nós, Teus servos.

Pois Tu sempre nos dás muito mais do que podemos pedir ou pensar, e é somente através da nossa fraqueza e falta de fé que alguma vez precisamos suplicar qualquer coisa à Tua onipotência.

Mas Tu conheces bem a fraqueza do coração humano, e no Teu amor sem limites farás concessão ao nosso amor humano quando Te suplicamos que concedas descanso eterno a este nosso querido irmão, e que a luz perpétua brilhe sobre ele.

Nós Te agradecemos por, em Tua providência amorosa, o teres atraído do irreal para o Real, das trevas da terra para a Tua gloriosa luz, através dos portais da morte para um esplendor além da nossa compreensão.

Nosso pensamento amoroso o seguirá e o envolverá; ó, toma Tu esta nossa oferta de pensamento, imperfeita embora seja, e toca-a com o eterno Fogo do Teu amor, para que se torne para ele um Anjo da Guarda que o ajude em sua jornada ascendente.

Assim, através da Tua bondade amorosa, possamos nós, em profunda humildade e reverência, tornar-nos colaboradores com o Teu poder ilimitado, e possa a nossa fraqueza ser sustentada pela Tua força infinita; para que nós, com este nosso irmão tão amado, possamos, a seu tempo, alcançar a sabedoria do Espírito, que com o Pai e o Filho vive e reina, Deus por todos os séculos dos séculos.

R. Amém.

Assim, com uma coleta e uma aspiração, termina este serviço singular.

APÊNDICE — A ALMA E SUAS VESTES

Nossa teoria deste mundo, e do sistema solar do qual ele faz parte, é que há muito mais neles do que normalmente se supõe — que eles se estendem muito mais longe do que se pensa comumente, não para fora, mas para dentro.

Sustentamos que existe um mundo invisível, que está ao nosso redor aqui e agora, e não distante de nós, e que permanece invisível apenas porque a maioria de nós ainda não desenvolveu os sentidos pelos quais ele pode ser percebido; que para aqueles que desenvolveram esses sentidos, esse mundo não é invisível nem desconhecido, mas está inteiramente ao alcance, e pode ser explorado e investigado conforme se deseje, precisamente como qualquer país aqui na Terra poderia ser. Descobrimos que, além da matéria que podemos ver ao nosso redor, e além da matéria que não vemos, mas cuja presença a ciência nos assegura — os vários gases e o éter, por exemplo — existem muitas outras espécies ainda mais sutis de matéria, que só podem ser vistas por meio desses sentidos mais refinados.

Apresentamos isto diante de vocês como uma hipótese, para vossa consideração e exame; mas é justo dizer-lhes que para nós é muito mais do que uma hipótese — que para muitos de nós é uma certeza baseada em nossas próprias observações individuais.

Trabalhamos por muitos anos nesses estudos; eu mesmo sou estudante há trinta e sete anos completos, e quando um homem dedica praticamente todo o seu tempo durante todos esses anos a um único assunto, ele começa a conhecer algo sobre ele, e a ter seus princípios gerais clara e definitivamente em sua mente.

É, portanto, bastante verdadeiro que, com relação a muitos desses assuntos, que vos parecerão novos e estranhos, encontro-me em uma posição um tanto diferente, ou para mim todas essas coisas são questões de rotina — em muitos casos, questões de experiência diária.

Muitos de nós sabemos, por nossas próprias experiências, que essas coisas são verdadeiras, mas não vos pedimos que acrediteis nisso porque nós acreditamos, e sim apenas que aceiteis nosso testemunho como aceitaríeis qualquer outra evidência, e o leveis em consideração.

Não buscamos convertidos, não tentamos induzir as pessoas a crer no que dizemos; simplesmente apresentamos-lhes um sistema de estudo, na esperança de que se interessem o suficiente para adotá-lo e prosseguir por si mesmas.

Há uma literatura imensa sobre esses assuntos, de modo que qualquer um que o deseje pode facilmente estudar mais a fundo.

No que nos concerne, então, sabemos que essas espécies mais sutis de matéria existem, e que há mundos inteiros compostos delas, aos quais chamamos os planos superiores da Natureza.

Lembrai-vos de que ainda estou falando da mesma matéria que todos conheceis; reconhecemos apenas uma matéria, embora ela possa estar em condições diferentes.

Assim como podeis ter hidrogênio em sua condição gasosa normal, ou (sob pressão suficiente e com a temperatura adequada) podeis tê-lo liquefeito, ou mesmo solidificado — assim também descobrimos que sua condição pode ser mudada na direção oposta, e podemos tê-lo em um estado mais sutil, ao qual chamamos etérico.

Nessa condição etérica, poderíamos ter ouro ou prata, lítio ou platina, ou qualquer um dos assim chamados "elementos". Não aplicamos o nome de elementos a essas substâncias, porque descobrimos que todas elas são capazes de subdivisão adicional.

Já em 1887, Sir William Crookes propôs a teoria de que todos os elementos conhecidos poderiam muito bem ser variações de um só — que todos poderiam ser reduzidos a uma substância original, à qual deu o nome de protyle.

A verdade, como vista por nossos estudantes, vai um pouco além disso; pois, em vez de encontrarmos atrás de tudo uma substância homogênea, descobrimos que existe algo como um átomo físico.

Um químico fala de átomos de qualquer um de seus elementos, mas, na realidade, todos eles podem ser subdivididos ainda mais, decompostos nos átomos verdadeiros, dos quais são simplesmente arranjos diferentes.

Esses átomos físicos últimos são todos semelhantes (exceto que alguns são positivos e alguns negativos), e permeiam todo o espaço do qual temos conhecimento.

São inconcebivelmente minúsculos e estão além do alcance do microscópio mais poderoso já construído, ou que provavelmente jamais será construído; mas podem, no entanto, ser observados por meio dos sentidos desenvolvidos do homem.

A ciência interior aborda seus problemas de um ponto de vista diferente; em vez de desenvolver e aperfeiçoar seus instrumentos, como a ciência exterior tem feito com tão notável sucesso, ela se dedica a desenvolver o observador.

Ela desenvolve dentro do homem outras e mais interiores faculdades, por meio das quais ele é capaz de perceber esses objetos excessivamente minúsculos, e assim penetra mais fundo no coração da Natureza do que qualquer instrumento jamais poderá fazer. Não imagine que haja algo de sobrenatural ou misterioso nessas faculdades superiores; elas são simplesmente desenvolvimentos diretos de poderes que o homem já possui e que virão a todos no devido tempo, embora algumas pessoas tenham se dado ao trabalho especial de desenvolvê-los agora, à frente das demais.

DIAGRAMA 20 — Um Átomo Físico Último — O átomo representado é masculino ou positivo.

É uma estrutura em forma de coração, aparentemente composta de dez conjuntos de "fios" dispostos em espiral, dos quais três conjuntos são mais espessos que os outros.

Sob observação, um átomo se mostra extremamente ativo, sendo três movimentos especialmente perceptíveis: Primeiro, gira rapidamente sobre seu eixo; segundo, move-se rapidamente em uma pequena órbita; terceiro, está o tempo todo se expandindo e contraindo, pulsando como um coração que bate.

Todos os chamados elementos químicos e, portanto, todos os compostos de qualquer tipo derivados desses elementos, são feitos de grupos geometricamente arranjados desses átomos últimos.

A Ciência dos Sacramentos

Existem, então, átomos físicos últimos que podem ser observados e examinados.

Seria inadequado descrevê-los aqui em detalhe, mas talvez eu deva dizer que um átomo tem aproximadamente forma de coração e parece como se fosse construído de fios, como uma gaiola de pássaro.

(Diagrama 20.) Cada fio é uma espiral, feita por sua vez de espirais ainda mais interiores, que chamamos de espirilas.

O átomo é, na realidade, um vórtice, formado pelo fluxo da força vital divina.

Se essa força fosse por um momento retirada, o átomo instantaneamente desapareceria — deixaria de existir, assim como uma pequena coluna de poeira e folhas que gira em uma esquina se desfaz quando o vento cessa.

Quando alcançamos aquele átomo físico último, há alguma possibilidade adicional? Pode a nossa observação levar-nos ainda mais longe? Descobrimos que pode.

A palavra átomo deriva do grego *atomos*, significando aquilo que não pode ser cortado ou subdividido.

Mas esse termo não é estritamente aplicável, pois esses átomos físicos podem ser divididos; porém, quando o são, temos um tipo de matéria totalmente não afetada por qualquer calor ou frio que possamos produzir.

Parece provável que temperaturas solares afetariam mesmo essa matéria finamente subdividida, mas certamente as nossas não a afetam.

Mas essa matéria superior é extremamente interessante, e descobrimos que existe um mundo inteiro composto dela, existindo ao nosso redor, interpenetrando toda a matéria que conhecemos — estendendo-se ao nosso redor, na atmosfera, dentro de nossos próprios corpos e dentro de todos os objetos sólidos.

Assim como a ciência nos diz que o éter interpenetra todos os objetos, incluindo nós mesmos, assim também o faz essa matéria ainda mais sutil.

A Alma e Suas Vestes

Existem vários estágios dessa subdivisão da matéria, e falamos desses estágios como os planos da Natureza, pelos quais queremos dizer simplesmente divisões da matéria de acordo com seu grau de densidade.

Toda a matéria que você conhece, descreveríamos como a do plano físico, incluindo uma condição ainda mais sutil que o gás.

Além disso, chegamos a outra classe — a mesma matéria ainda, lembre-se, apenas mais finamente subdividida, e a chamamos de matéria astral.

Este é um nome que lhe foi dado pelos alquimistas medievais, que estavam bem cientes de sua existência.

A ciência moderna ainda não tem nome para ela, mas provavelmente em breve o terá, pois suas pesquisas se aproximam cada vez mais dessa matéria mais sutil a cada dia; de fato, parece provável que o que ela chama de elétron seja o que chamamos de átomo astral.

Levamos esse processo de subdivisão e refinamento a outro estágio, e encontramos outra condição de matéria ainda mais elevada; e a essa demos o nome de matéria mental, porque o que é chamado de corpo mental do homem é composto desse tipo de matéria.

Isso soa como uma afirmação surpreendente, sem dúvida, mas não obstante é verdadeira, baseada em experimentos definidos em linhas científicas.

Ainda mais dessas subdivisões se elevam uma acima da outra, e começando de baixo, as chamamos de física, astral, mental, intuitional, espiritual, mônada e divina.

Não se deixe enganar pelo uso da palavra "acima". Não pense por um momento em nossa investigação como algo que se afasta da Terra.

Para elevar-se mais alto nesta investigação significa simplesmente retirar-se cada vez mais para dentro do eu, de modo a poder sentir estágios cada vez mais internos da matéria; mas todos esses estágios existem ao nosso redor, aqui e agora, o tempo todo, simplesmente interpenetrando-se uns aos outros, assim como o ar ou o gás na água gaseificada interpenetra o líquido.

Exatamente assim, entre e no meio de todas as partículas físicas existem partículas astrais, e entre as partículas astrais existem, por sua vez, as mentais.

Se levarmos essas subdivisões até o fim, chegamos a um número incontável de pontos ou contas inconcebivelmente minúsculos, todos esféricos, da construção mais simples possível e absolutamente idênticos.

Embora sejam a base de toda matéria, não são eles próprios matéria; não são blocos, mas bolhas sopradas no éter do espaço — sopradas por esse Sopro criador de Deus de que nos falam as escrituras antigas. Assim, o universo existe enquanto Deus o sustém com Seu sopro; se Ele retirasse esse sopro, não haveria universo.

Em vista dessa maravilhosa distribuição de Si mesmo no espaço, o conceito familiar do Sacrifício do Logos assume uma nova profundidade e esplendor; este é o Seu morrer na matéria, este o Seu perpétuo Sacrifício.

Não é a Sua própria glória que Ele possa assim sacrificar-Se até o extremo, permeando e tornando-Se um com aquela porção do éter que Ele escolhe como campo do Seu universo? Agora, tendo em vista essas ideias a respeito da natureza da matéria, voltemo-nos para a constituição do homem.

O homem comum pensa em si mesmo como consistindo certamente de um corpo, e possivelmente de uma alma, embora geralmente fale de si mesmo como possuindo esta última, e sendo responsável por salvá-la, como se fosse algum tipo de animal de estimação que ele mantém, ou algo preso a ele e flutuando acima dele, como um balão cativo.

Deveríamos dizer que ele está completamente errado ao supor que tem uma alma, mas estaria bastante certo se dissesse que ele é uma alma.

Para maiores detalhes, ver Química Oculta, de A. Besant e C.W. Leadbeater, também artigos do Professor Osborne Reynolds.

A afirmação comum é uma inversão cômica do ato; ou a verdade é que o homem é uma alma e tem um corpo, que é simplesmente uma das vestimentas que ele veste. Todos vocês sabem que é assim, se pensarem nisso. Estou bem ciente da teoria de que nada existe senão matéria, e que todos os pensamentos e aspirações do homem nada mais são do que reações químicas entre as partículas constituintes da matéria cinzenta do seu cérebro; mas como há milhares de atos dos quais essa teoria não dá conta, creio que podemos descartá-la em favor de uma mais racional.

Há centenas de casos registrados em que um homem se afastou do seu corpo físico em transe ou sob a influência de anestésicos, ou mesmo em sono comum; e verifica-se que, sob tais circunstâncias, quando ele está bem longe do seu cérebro físico, com sua matéria cinzenta e sua ação química, ele ainda pode pensar, observar e lembrar exatamente como quando tem seu veículo físico em uso.

É, portanto, evidente que o homem não é o corpo, pois pode existir separado dele; o corpo é apenas um instrumento que ele usa para seus próprios propósitos.

Alguns podem perguntar se temos alguma prova definitiva, fora da nossa própria observação, quanto a esse fato crucial de que o homem pode viver sem o seu corpo.

Certamente há uma grande quantidade de provas para qualquer um que se dê ao trabalho de procurá-las. Leiam os anais da Sociedade de Pesquisas Psíquicas, e verão o que ela fez nessa linha — como um comitê de homens científicos foi repetidamente satisfeito quanto à aparição do "duplo" de um homem a uma distância de onde seu corpo físico estava na ocasião.

É definitivamente sabido por todos os investigadores que um homem pode, sob certas circunstâncias, viajar para longe do seu corpo, ver o que está acontecendo à distância, e então retornar e reanimar seu corpo, e contar onde esteve e o que viu e fez.

Em alguns dos meus próprios livros, vocês encontrarão uma série de instâncias coletadas; e em *No Limiar do Invisível* de Sir William F. Barrett, ou em sua *Pesquisa Psíquica*, ou no livro profundamente interessante de Myers, em dois volumes, *Personalidade Humana e sua Sobrevivência à Morte Corporal*, vocês encontrarão muitos exemplos, com a mais completa autenticação possível.

© A teoria materialista comum não explica essas ocorrências de forma alguma, e porque não pode explicá-las, geralmente as nega e declara que elas não acontecem — o que é desonesto, ou um pequeno exame prova conclusivamente que elas acontecem constantemente.

Uma vez que essas coisas ocorrem, como ocorrem? Sua explicação está intimamente ligada ao nosso assunto, ou o primeiro passo para compreendê-las é perceber que o homem é uma alma, e não tem apenas um corpo, mas vários.

Esta não é uma ideia nova.

Lemos sobre uma alma e um espírito nos escritos de São Paulo, e porque os homens de hoje são tão ignorantes em psicologia a ponto de confundir esses termos, imaginam que São Paulo era igualmente ignorante e os empregava como sinônimos.

Ele usa duas palavras gregas inteiramente distintas — *pneuma*, espírito, e *psyche*, alma — e atribui precisamente o mesmo significado a cada uma delas que qualquer outro homem educado de seu período atribuía.

Se você quiser captar as exatas nuances desse significado, não deve confiar na ignorância absoluta do entusiasta religioso moderno, mas estudar a filosofia contemporânea.

Estou ciente, é claro, de que muita controvérsia cerca a significação precisa a ser atribuída a essas duas palavras gregas.

Tomei-as aqui no sentido que me parece mais provável, considerando sua relação com o restante do argumento de São Paulo; mas alguns estudiosos as colocariam em um nível totalmente mais elevado e diriam que a palavra *psuchikos*, que aqui é traduzida como "natural", deveria ser traduzida pela palavra inglesa dela derivada, "psíquico". Se essa teoria for aceita, o "corpo natural" é o astro-mental, e aquele outro veículo superior que é chamado "espiritual" deve ser o corpo causal, que é o veículo permanente da alma, durando através de toda a longa sucessão de encarnações físicas.

Mas mesmo que assim seja, permanece verdadeiro que São Paulo testemunha o fato de que o homem possui mais de um corpo, e que quando um deles morre, ele vive novamente em outro.

Nossa teoria do homem e de sua origem é que ele é essencialmente um espírito, uma centelha do Fogo Divino.

Essa centelha é individualizada, marcada como que separada do grande oceano da Divindade por algo que podemos chamar de alma — ou melhor, quando é assim individualizada, nós a chamamos de alma.

Aquilo que o separa costumamos chamar de corpo causal, mas deixemos isso de lado por enquanto, e tratemos apenas dos seus veículos inferiores, pois esse corpo causal é imutável, exceto que gradualmente evolui, enquanto o mental, o astral e o físico são renovados a cada encarnação.

Por que ele deveria tomar sobre si esses vários corpos? — pode-se perguntar.

Porque este é o método de evolução designado para ele — que ele adquira experiência aprendendo a responder a impactos vindos de fora.

Ele assume esses corpos inferiores para que possa receber e responder a vibrações de tipo mais forte e mais grosseiro do que qualquer uma que pudesse encontrar em seu próprio mundo superior.

Para alguns estudantes, todo esse assunto é mais facilmente compreendido considerando-o por essa linha de vibrações.

Pensem assim: Toda impressão que nos chega de fora, não importa o que seja, vem até nós como uma vibração.

Vemos por meio das ondas no éter, ouvimos por meio das ondas no ar.

O que então nos é transmitido pelas vibrações do tipo mais sutil de matéria do qual venho falando, e como somos capazes de recebê-las? A resposta é simples, mas de longo alcance.

Por meio delas somos capazes de perceber a parte superior do nosso mundo, que normalmente está oculta de nós; e podemos aprender a apreciá-las por meio da matéria sutil que existe em nós — através dos sentidos desses corpos sutis, de fato.

Aqui estou entrando em um domínio ainda intocado pela ciência comum, mas não estou dizendo nada que seja de qualquer forma contraditório a essa ciência.

Vocês podem deixar isso de lado como não comprovado, mas não podem dizer que é irracional ou anticientífico.

A ciência reconhece vastos números de vibrações possíveis e sabe que, de todas elas, nossos sentidos físicos podem responder a apenas algumas. No entanto, através dessas poucas, aprendemos tudo o que sabemos até agora; e é óbvio que, se pudermos aprender a usar mais dessas ondas vindas de fora, receberemos mais informação.

Ora, é precisamente isso que um clarividente faz — ele recebe informação sobre um mundo que normalmente não vemos; e a recebe por meio de vibrações que incidem sobre seus veículos superiores.

Assim, um clarividente é um homem que aprendeu a focar sua consciência em seus corpos superiores à vontade.

Pelo menos é isso que um clarividente completamente treinado poderia fazer, mas há muitos que são apenas clarividentes passivos e não conseguem controlar as faculdades que possuem.

A ciência também reconhece plenamente quão parcial é a nossa visão, e como uma ligeira alteração em nosso poder de responder a essas ondas vindas de fora mudaria para nós toda a aparência do mundo.

Certa vez, Sir William Crookes deu um bom exemplo disso.

Ele explicou que, se, em vez de enxergarmos por meio de raios de luz, enxergássemos por meio de raios elétricos, todo o nosso entorno pareceria totalmente diferente.

Um ponto era que, nesse caso, o ar ao nosso redor pareceria perfeitamente opaco, porque o ar não é um condutor de vibrações elétricas, enquanto um fio ou uma barra de ferro seria um buraco através do qual poderíamos ver, porque essas substâncias são boas condutoras.

Muitas pessoas supõem que nossas faculdades são limitadas — que têm seus limites definidos, além dos quais não podemos ir. Mas não é assim. De vez em quando encontramos uma pessoa anormal que tem, por natureza, a visão de raios X e é capaz de ver muito mais do que outros; mas podemos observar variações por nós mesmos sem ir tão longe.

Se tomarmos um espectroscópio, que é um arranjo de uma série de prismas, seu espectro, em vez de ter uma polegada ou uma polegada e meia de comprimento, se estenderá por vários pés, embora seja muito mais tênue.

Se o projetarmos sobre uma enorme folha de papel branco e pedirmos a vários amigos que marquem nessa folha de papel exatamente até onde conseguem ver a luz, até onde o vermelho se estende em uma extremidade, ou até onde o violeta se estende na outra, ficaremos surpresos ao descobrir que alguns de nossos amigos conseguem ver mais longe em uma extremidade, e outros mais longe na outra.

Podemos encontrar alguém que consiga ver muito mais longe do que a maioria das pessoas em ambas as extremidades do espectro; e, se assim for, encontramos alguém que está no caminho de se tornar clarividente.

Poder-se-ia supor que é apenas uma questão de acuidade visual, mas não é isso de forma alguma; é uma questão de visão que é capaz de responder a diferentes séries de vibrações, e de duas pessoas cuja acuidade visual é absolutamente igual, podemos descobrir que uma só consegue exercê-la em direção à extremidade violeta, e a outra em direção à extremidade vermelha.

540 A Ciência dos Sacramentos

O fenômeno inteiro do daltonismo depende dessa capacidade; mas, quando encontramos uma pessoa que pode ver muito mais além em ambas as extremidades desse espectro, temos alguém que é parcialmente clarividente, que pode responder a mais vibrações; e esse é o segredo de ver muito mais.

Pode haver, e há, muitas entidades, muitos objetos ao nosso redor que não refletem raios de luz que possamos ver, mas refletem esses outros raios ou taxas de vibração que não vemos; consequentemente, algumas dessas coisas podem ser fotografadas, embora nossos olhos não possam vê-las.

Os experimentos do falecido Dr. Baraduc, de Paris, parecem demonstrar conclusivamente a possibilidade de fotografar essas vibrações invisíveis.

Quando estive lá pela última vez, ele me mostrou uma grande série de fotografias nas quais conseguira reproduzir os efeitos da emoção e do pensamento.

Ele tem uma de uma criança de luto pela morte de um pássaro de estimação, onde uma espécie curiosa de rede de linhas produzida pela emoção envolve tanto o pássaro quanto a criança.

Outra, de duas crianças, tirada no momento logo após terem sido subitamente assustadas, mostra uma nuvem manchada e palpitante.

A raiva diante de um insulto manifesta-se por uma série de pequenas formas-pensamento lançadas em forma de flocos ou glóbulos incompletos.

Todos esses experimentos nos mostram quanto é visível ao olho da câmera que é invisível à visão humana comum; e é portanto óbvio que, se a visão humana puder ser tornada tão sensível quanto as placas usadas na fotografia, veremos muitas coisas às quais agora somos cegos.

Está ao alcance do homem não apenas igualar a mais alta sensibilidade alcançável por produtos químicos, mas também transcendê-la grandemente; e por esse meio, uma vasta quantidade de informação sobre esse mundo invisível pode ser obtida.

Para colocar a mesma ideia de outro ponto de vista, os sentidos, por meio dos quais obtemos toda a nossa informação sobre objetos externos, estão ainda imperfeitamente desenvolvidos; portanto, a informação obtida é parcial.

O que vemos no mundo ao nosso redor não é, de modo algum, tudo o que há para ver, e um homem que se der ao trabalho de cultivar seus sentidos descobrirá que, na proporção em que tiver sucesso, o mundo se tornará mais pleno e mais rico para ele.

Para o amante da natureza, da arte, da música, um vasto campo de prazer incrivelmente intensificado e exaltado está ao alcance, se ele se dispuser a adentrá-lo. Acima de tudo, para o amante de seu semelhante, existe a possibilidade de uma compreensão muito mais íntima e, portanto, de uma utilidade mais ampla.

Não é de admirar, portanto, que quando aprendemos a ver por um conjunto inteiramente novo de ondas na matéria astral, encontremos um mundo bastante diferente se abrindo ao nosso olhar.

Uma mudança é que nos descobrimos então capazes de ver a matéria astral em outros homens — de olhar para seus corpos astrais em vez de apenas seus veículos físicos.

Escrevi um livro, *Man, Visible and Invisible*, sobre este assunto dos corpos superiores do homem, que é ilustrado com figuras coloridas desenhadas para mim por alguém que é ele próprio capaz de ver esses corpos; a partir disso você poderá formar alguma ideia de como essas coisas aparecem à visão do clarividente, e creio que achará um estudo dos mais interessantes.

O corpo astral é especialmente o veículo da paixão, da emoção e do desejo no homem, de modo que quando uma onda súbita de alguma grande emoção varre um homem, ela se manifesta por vibrações excessivamente violentas da matéria astral.

Suponha que com a visão astral você estivesse observando um homem, e que esse homem infelizmente perdesse a paciência.

Em vez de ver a expressão física do aborrecimento, você veria uma mudança notável em seu corpo astral.

O veículo inteiro pulsaria com uma vibração violenta, e como a cor é apenas uma certa taxa de vibração, essa mudança súbita envolveria também uma mudança na cor do corpo astral.

Quando falamos do surto da paixão, estamos mais próximos da verdade do que pensamos, pois é exatamente essa a aparência produzida.

À medida que o homem se acalma, seu corpo astral reassume sua cor e aparência usuais, embora um leve traço permanente seja perceptível ao olho treinado.

O mesmo se aplica a todas as outras emoções, boas ou más.

Se um homem sente uma grande onda de emoção devocional, ou de afeição intensa, cada uma delas se manifestará imediatamente por sua mudança apropriada no corpo astral, e cada uma deixará seu leve traço permanente no caráter do homem.

Quando passamos a lidar com aquele outro veículo de matéria ainda mais sutil que chamamos de corpo mental, descobrimos que ele também vibra, mas em resposta a um conjunto bastante diferente de impressões.

Nenhuma emoção, sob quaisquer circunstâncias, deveria afetá-lo minimamente, ou este não é o lar das paixões ou emoções, mas do pensamento.

Não é uma ideia nova falar de vibração em conexão com o pensamento.

Todas as experiências em telepatia e transmissão de pensamento dependem do fato de que cada pensamento cria uma vibração, e que esta pode ser transmitida ao longo de uma linha de partículas mentais, e excitará uma vibração semelhante no corpo mental de outro homem.

Pode ainda haver aqueles que não acreditam em telepatia, pois é difícil encontrar os limites da obstinação humana; mas esta é uma questão sobre a qual qualquer um pode facilmente convencer-se a si mesmo, de modo que a descrença simplesmente significa indiferença à questão.

Um homem pode permanecer ignorante se quiser, mas quando ele escolheu voluntariamente essa posição, não tem o direito de negar o conhecimento daqueles que se deram a mais trabalho do que ele. Aqui, então, temos dois dos corpos do homem — o corpo astral, que é o veículo de suas sensações, paixões e emoções; e o corpo mental, que é o meio de seu pensamento.

Mas cada um destes tem suas possibilidades de desenvolvimento, pois em cada nível existem vários tipos de matéria.

Um homem pode ter um corpo astral comparativamente grosseiro, que responde prontamente a vibrações baixas e indesejáveis, e, trabalhando cuidadosamente sobre ele e aprendendo a controlá-lo, ele pode gradualmente alterar consideravelmente sua composição, até que se torne capaz de responder a ondas de emoção de um tipo muito melhor.

No corpo mental, ele pode ter um tipo fino de matéria mental, ou uma matéria mental um tanto mais grosseira; e disso dependerá se pensamentos bons e elevados vêm natural e facilmente a ele, ou o contrário.

Mas isto também está em seu próprio poder, pois ele pode alterá-lo se quiser.

E não é apenas durante sua vida terrena que isso fará uma grande diferença para ele e para suas emoções, mas também na vida após a morte.

Quando o homem despe seu corpo físico, ele ainda retém estes outros, o astral e o mental, e de sua condição depende muito de sua felicidade no novo mundo (que ainda é parte do antigo) em que se encontra.

Lembre-se de que estas são questões não de mera crença, mas de experimentação — para muitos de nós. Será prontamente compreendido que um homem, ao manifestar-se através de um destes veículos, apresentará ao mundo ao seu redor uma aparência modificada por esse veículo.

Um homem vivendo em

Seu corpo astral vive em suas emoções; ele só pode se expressar através delas, só pode ser influenciado por outros através de seus veículos emocionais.

Esse mesmo homem vivendo em seu corpo mental pode muito bem parecer uma pessoa bastante diferente; ou nesse estado ele se expressa através de seus pensamentos; e diferenças semelhantes serão encontradas quando ele estiver usando outras vestes.

Tão distintas são essas várias apresentações do homem que, embora sejam na realidade apenas aspectos dele, são frequentemente descritas como se fossem partes separadas ou atores em sua constituição, e desse ponto de vista são chamadas de seus "princípios" (Diagrama 21). Quando o estudante encontra essa palavra em nossa literatura, deve compreender que eles são as partes constituintes ou aspectos do homem, cada um mostrando muita vida e atividade próprias, mas fundamentalmente todos um.

Aqui está, então, nossa teoria, o resultado de nossos experimentos, e ao explicá-la a vocês estou lhes dando o benefício de quase quarenta anos de trabalho e estudo — trabalho lento, laborioso, difícil, de muitos tipos, envolvendo não pouco autocontrole e autotreinamento.

Penso que todos os meus companheiros de estudo que suportaram o fardo e o calor desses anos concordarão que tem sido um trabalho árduo e lento, mas ainda assim um progresso e desenvolvimento constantes em muitos aspectos: e de tudo isso emergiu para todos nós uma certeza que nada pode abalar, que nos faz saber onde estamos.

Disso veio uma adesão firme e definitiva a esse glorioso conhecimento, que tem feito tanto por nós, que descobrimos explicar tantas coisas que de outra forma seriam mistérios insolúveis, que      KK 546     A Ciência dos Sacramentos

Princípios do Homem

hi                  WS Pe                    Paul     Formas              de Seatepeadip

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(O cart é2 So                                        manifestado no                                         Corpo Causal)

Espiritual |Emocional                 Corpo       nal                          Corpo                           Serviços Ocasional

DIAGRAMA       21.—Os Princípios Humanos.

A consciência do homem é uma unidade, não uma multiplicidade; mas à medida que se manifesta nos diferentes corpos ou veículos, apresenta diferentes aspectos.

Esses aspectos ou apresentações da consciência são denominados "princípios". Pode-se traçar uma analogia nos aspectos de uma corrente elétrica que flui ao redor de uma barra de ferro macio, através de uma bobina de fio de prata alemã, e dentro de um tubo preenchido com vapor de mercúrio, dando origem respectivamente a magnetismo, calor e luz.

A corrente é a mesma, mas suas manifestações variam de acordo com a natureza da matéria através da qual está atuando.

De maneira semelhante, os corpos do homem dividem a corrente de consciência em várias manifestações.

Um princípio não é um corpo, mas a expressão da consciência em um corpo.

A Mônada (1) (denominada por São Paulo o Espírito) é uma Centelha do Fogo Divino — a fonte divina da consciência humana.

Dela nada é conhecido diretamente por nossos investigadores, pois para alcançar e examinar as condições no nível do mundo mônadico, um homem deve ter atingido o estágio de desenvolvimento chamado Adeptado.

Quando a consciência da Mônada se manifesta no mundo espiritual, é sempre uma triplicidade (2, 3 e 4), o Espírito Triplo da filosofia.

O princípio 2 não desce abaixo desse nível e é, portanto, chamado o Espírito do homem.

Os outros dois princípios manifestam-se no mundo imediatamente inferior, o intuicional, dando origem à natureza intuitiva dual.

O princípio 5 não se manifesta abaixo desse nível e é, portanto, chamado a Intuição.

O princípio 6 derrama-se para o mundo seguinte, o mental, e em seus níveis superiores manifesta-se como a Inteligência no homem.

Esses três (2, 5 e 7) constituem o ego no homem, o centro reencarnante de consciência que persiste através de toda a série de vidas humanas.

O ego provavelmente corresponde ao que São Paulo chama de alma.

Nos mundos inferiores, o ego é refletido nos princípios 9, 10 e 11, que coletivamente constituem a personalidade transitória de uma vida, o elo entre o ego e a personalidade é marcado por 8, e na filosofia indiana é chamado de antaskarana.

Se pensarmos no ego como o verdadeiro homem, então a personalidade é a mão que ele mergulha na matéria a fim de trabalhar através dela, e o antaskarana é o elo que liga essa mão ao seu corpo.

No mundo mental inferior, a Inteligência do homem é refletida vagamente como a mente — aquela parte de nossa consciência que se ocupa em reunir, organizar e classificar imagens e atos concretos.

No mundo astral, através do corpo astral, nossas emoções, paixões, desejos e apetites são capazes de se expressar; enquanto no corpo físico reside uma consciência instintiva (que, no entanto, na maioria das pessoas, é em grande parte subconsciente). Aquilo que chamamos de nossa consciência desperta é o reflexo parcial, no cérebro, das atividades dos corpos astral e mental.

Em nossa ilustração, está representado diagramaticamente o fato de que nosso corpo físico é composto de sete graus ou densidades de matéria física; isso é igualmente verdadeiro para os outros corpos, embora não seja mostrado no diagrama; cada um é composto da matéria dos subplanos do mundo em que se encontra, e o estágio do desenvolvimento do homem é mostrado pela proporção dos tipos mais sutis e mais grosseiros.

Tomemos o corpo astral, por exemplo.

A pessoa rude e não evoluída tem uma grande preponderância de matéria pertencente aos subplanos astrais inferiores (que só podem vibrar em resposta a emoções grosseiras e egoístas) e comparativamente pouco dos tipos mais sutis de matéria pertencentes às subdivisões superiores do mesmo plano.

À medida que o homem progride, haverá menos dessas vibrações cruas, e assim as partículas grosseiras que vivem delas gradualmente atrofiarão e cairão, sendo seus lugares ocupados pelas partículas mais sutis dos subplanos astrais superiores, que respondem apenas às ondulações mais gentis da emoção altruísta.

Exatamente a mesma coisa acontece no corpo mental; pensamentos baixos significam matéria mental grosseira, e ela é substituída por matéria mental mais sutil à medida que o pensamento do homem se torna de tipo mais elevado.

As relações mostradas no diagrama não são espaciais, mas mostram apenas as conexões entre as várias expressões daquela coisa complexa que chamamos de consciência humana.

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Permanece ao nosso lado nos momentos de dificuldade e provação, e explica de forma tão clara e razoável por que a dificuldade e a provação vêm, e o que elas farão por nós. É a teoria mais intensamente prática em todos os aspectos, e certamente não desejamos nada que não seja prático e razoável.

Seguindo humildemente os passos do poderoso mestre indiano de 2.500 anos atrás, o Senhor Buda, diríamos a vós o que ele disse ao povo da aldeia de Kalama, quando vieram perguntar-lhe o que, em meio a todas as doutrinas variadas do mundo, deveriam acreditar: "Não acrediteis em algo dito meramente porque foi dito; nem em tradições porque foram transmitidas desde a antiguidade; nem em rumores, como tais; nem em escritos de sábios, meramente porque sábios os escreveram; nem em fantasias que possais suspeitar terem sido inspiradas em vós por um anjo (isto é, em presumida inspiração espiritual); nem em inferências extraídas de alguma suposição casual que tenhais feito; nem por causa do que parece uma necessidade analógica; nem na mera autoridade de vossos próprios mestres ou guias.

Mas devemos acreditar quando o escrito, a doutrina ou o dito é corroborado por nossa própria razão e consciência.

Pois isto vos ensinei: não acrediteis meramente porque ouvistes; mas quando acreditardes por vossa própria consciência, então agi de acordo e abundantemente." (Kalama Sutta do Anguttara Nikaya.) Essa é uma atitude excelente para o mestre de qualquer religião adotar, e é precisamente a atitude que desejamos adotar.

Não buscamos convertidos no sentido comum dessa palavra.

Não estamos de modo algum 550       A Ciência dos Sacramentos

sob a ilusão da qual tantas pessoas ortodoxas estimáveis sofrem, de que a menos que acrediteis como nós, tereis um tempo desagradável e sulfuroso no além.

Sabemos perfeitamente bem que cada um de vós alcançará a meta final da humanidade, quer acrediteis agora no que vos dizemos, quer não.

O progresso de todo homem é absolutamente certo; mas ele pode tornar seu caminho fácil ou pode torná-lo difícil.

Se ele segue na ignorância e busca fins egoístas nessa ignorância, é provável que o ache árduo e doloroso.

Se ele aprender a verdade sobre a vida e a morte, sobre Deus e o homem, e a relação entre eles, compreenderá como viajar de modo a tornar o caminho fácil para si mesmo, e também (o que é muito mais importante) de modo a poder estender uma mão amiga aos seus companheiros de jornada que sabem menos do que ele. Isso é o que você pode fazer, e o que esperamos que você faça. Nós achamos esta filosofia útil para nós; descobrimos que ela nos ajuda nas dificuldades, que torna a vida mais fácil de suportar e a morte mais fácil de enfrentar, e por isso desejamos compartilhar nosso evangelho com você.

Não pedimos fé cega de você; simplesmente colocamos esta filosofia diante de você e pedimos que a estude, e acreditamos que, se o fizer, encontrará o que encontramos — descanso e paz e ajuda, e o poder de ser útil no mundo.

A. M. B. 6.                                           ÍNDICE        AARONIO        BÊNÇÃO,          280,          503.        Evolução angélica, 149.        Abluções,  238.                                      Anglicano;     canto,   efeito.

o, Al; Absolvição, 77, 380; pública e privada, 84. Eucaristia, a, 24, 107, 154; liturgia, 107; ordenação, 347, 359. Acidente e substância, 182. Acólito; ordem do, 297. Unção; no batismo, 264; na Ação do báculo, A475. Ordenação, 344, 360, 362. Atos de fé, 502. Antaskarana; o, 331, 547. Adaptabilidade, 92. Antífona; a nacional, 167. Vestes adicionais, 465. Antífona; a, 39. Adeptos ou santos, 223. Canto antifonal, 64. Adeste Fideles, 202. Apostólico; anjos, 162; Sucessão, a, 306, 311, 313. Admissão à Igreja, 265. Adultos; batismo de, 269, Aparecimento de Anjos, 155. Vantagem do; conhecimento, 334; Cruz do Arcebispo; a, 473. música, 69. Arquitetura; gótica, 26. Éon; o, 41. Artista após a morte, 514. Éter; bolhas no, 80, 534. Idades; a média, 226. Ascetismo perigoso, 76. Aclamação; de louvor, 496; após o Agnus Dei, 203. sermão, 124. Alva; a, 442, 444. Aspectos; de Deus, os três, 228, Todos alcançarão, 549. 261; da ordenação, dois, 309; Unigênito; o, 109. do espírito, os três, 320. Altar; incensação do, 86, 88, 134; Asperges, 36; ação do anjo no, 50; panos do; os, 408; consagração do, 50; bolha, a, 38, 50; necessidade de um, 388; frontal, o, 408; forma mais curta de, 51. como incensar o, 90; joias, Associação com Anjos, 333. do, 191, 1938; tamanho do, 400; Astarte; adoração de, 215. pedra, a, 401. Astral; corpo, 542; matéria, 533; Amaranto vermelho, 414. visitantes, 150. Amém; significado de, 41. Atena; adoração de, 215. Amom-Rá; o Deus-Sol, 41. Plano átmico; o, 222. Amito; o, 327, 329, 445; uma Átomo; o, 531. forma melhor de, 446. Atenção de Deus; a, 80. Quantidade de força dada, 161. Atitude; a do celebrante, 68. Antigo; Egito, religião do, 21; Aumento de força, 194. mistérios, os, 17, 267; oferendas, Augoeides, 320. 129; sabedoria, a, 122. Confissão auricular, 84. Anjo; ação do nas asperges, 50; Avalokiteshvara, 488. o diretor, 150, 155, 161, 165, Ave Maria, 395. 168, 176, 188, 245, 246, 248; da Eucaristia, 49, 61, 69, 100, 118, 128, 146, 150, BEBÊS APÓS A MORTE, 521. 152; do primeiro Raio, 151; um Batismo; de adultos, 269; unção guardião, 253; da Presença, o, 149, 175, 177, 179, 183, 189, 190, 203, 207, 208, 210, 417, 451; o que ele fará, 164. Anjos; os, 372, 391, 406, 440, 487, 492; apostólicos, 162; aparecimento dos, 155; associação com, 333; de cor, 96; devoção dos, 153; de incenso, 96, 137; invocação dos, 30, 49, 147; reino dos, 148; os menores, 236; de música, 69, 96; nove ordens de, 149; minúsculos, 492; tipos de, 162; boas-vindas aos, 157; trabalho dos, 204. Crença; liberdade de, 504; fundamentos da, 504; assunto do homem, 171. Sino; o da sacring, 156. Sinos; bênção dos, 395; da igreja, 393; o efeito dos, 394.

A Ciência dos Sacramentos

Regra de Bento, 478, 484.                                  Atitude do Celebrante, 68. 
Benedicite, 484.                                              Celebrante; comunhão do, 233; 
Bênção; a do Santíssimo Sacramento,                                e seus ministros, o, 70. 
457, 487; Primeiro Raio,                         Celebração; antes da Eucaristia, 200; 
247, 280; a menor, 43, 98,                           Baixa e Alta, 22, 65, 69, 
95, 111, 119, 128, 144, 230, 242,                          97, 150, 205. 
244, 249, 370; objetos.

Celibato do clero, 349.                    menor, 46; o segundo Raio,                  Incensação; a, 86, 88, 134; do                  246; dois tipos de, 497.                    clero, 137; o objetivo da, 88;                 Benedictus, 156.                            as oblações, 134; do povo, 138.             Barrete; o, 464.                            Centro; um subsidiário, 236.             Bispo; a bênção de um, 470,                 Centros; abertura dos, 257.             497; consagração de um, 856;                 Cerimônia delineada por Cristo, 47.            compromissos de um, 353; poderes                 Cálice; o, 419; consagração               de um, 138, 301, 824; o Presidente,                do, 195; elevação do, 196;               168; ferramentas do, 365, 367;               véu, o, 420; por que o padre                o que ele deveria ser, 361.                o toma, 2383.             Luvas do bispo; as, 369.                    Canal de força; um, 304;               Homenagem do bispo, 3871; oferendas,               preparação do, 174, 469, 497;               as, 368; anel do bispo, o, 191,               selo do bispo, o, 469.               366, 367.                                Características dos Raios, 92.             Preto nunca usado, 410.                       Casula; a, 52, 844, 447; a               Fusão de consciência, 223.                 parte central das costas, 448; fluxo               Bênção; a Aarônica, 280, 503;               de força através, 449, 451; a               de um bispo, 470, 497; do in-               gótica, 448; medidas da, 452,               censo, 87; da água, 398,               453.             Corpo; astral, 543; mental, 543;       | Crianças-anjos, 96.               alma e espírito, 44.                        Crianças após a morte, 519.             Corpos; natural e espiritual, 44,          Coro; oportunidade para, 33.               506, 510, 587.                       Crisma; o, 268, 277, 360, 361,             Livro dos Mortos; o, 54.                 862.             Livro dos Evangelhos, 368.                  Cristo; dá o esboço da cerimônia,             Taças; formação das, 103.                47; o vivo, 172, 194; é o               Chacra Brahmarandra, 361.               homem perfeito, 820; o padre               Pão ázimo, 132.                        ligado ao, 262, 316, 3238, 480;             Fração; da Hóstia, 225: do               o sacrifício do, 172, 198, 534;             elo, o, 159,                           uma forma-pensamento do, 189;               Partido, porém uno, 229.                as duas naturezas do, 235.             Irmandade; a Grande Branca,             Misticismo Cristão, 121.                                                Plano de Cristo; economia do, 306.             143, 172, 247, 252.                    Cristianismo; uma religião de             Bolha; a aspersão, 38, 50.               segundo Raio, 215; somático e             Bolhas no éter, 80, 584,                espiritual, 122.             Buda; o Senhor, 361, 584.               Ensinamento do Senhor, 76, 81,             Construção do edifício eucarístico,          548.                                                             100, 152, 158.                        Igreja; admissão à, 265;               Feixe de fios; o, 181.                 sinos, 893; edifício, o, 384;             Enterro; dos mortos, o, 504;               consagração de uma, 386; a               serviço, o, 523.                        Oriental, 239, 281; magia da,             Bolsa; a, 420.                            226; orientação da, 389;               a Igreja e a política, 301, 351;               um centro radiante, 14; de Santa             CAIRO; UMA MESQUITA NO, 110.           Sofia, 23; janelas, 393.             Campanologia, 394.                            Boas-vindas da Igreja; as, 250.             Vela; a pascal, 418.                        Cibório; o, 178, 421.             Velas; as, 91; adicionais, 419;             Civilização da Grécia, 75.               unção das, 416.                          Clarividência; oportunidade para,             Cânon; o, 148,                          872.             Obediência canônica, 346, 350.             Clarividente; faculdades, 9, 10,             Dossel; o, 498.                           509, 5389; testemunho, 317.             Cântico; o de abertura, 59.               Classificação das forças, 184, 186,             Capitólio em Washington, 110.            187, 188, 208, 225.             Capela Palatina, 205.                     Clero: celibato do, 349;               Batina; a, 427,                         incensação do, 137; títulos do,             Clérigo; Ordem do, 289.                 301; por que existem, 301.             Hino de encerramento; o, 499.             como símbolo, o, 55, 366; o

Coleta; a, 111.                                 uso da, 56. Coleta ou pureza; a, 113.                   Cruzes; o Raio, 192, 389, 442. Cor;    anjos, 96;   efeito          o,    Crucifixo a ser evitado, 416.    409; a ciência o, 409.                 | Couraça no batismo, 259. Cores;     as    eclesiásticas,   408; | Culto o; Mitra, 215; Nossa Senhora,    lista o, 411; quando usadas, 411.                   201. Catolicismo      Liberal;      o,    | Cultos; femininos, 215.    302.                                         Cálice e os leigos, 238. Comemorações,         113. Comunhão, 242.                                | PÃO DIÁRIO, 216, 220. Comunhão;     o    celebrante,   233;                                                 Dalmática;     a, 333, 455.    efeito    o,   235;     jejum,   241;                                                 Perigo do ascetismo, 76.    em    uma      espécie,     238,     240;    o |                                                 Diácono;      desenvolvimento     o,   321;    povo, 235; o dos santos, o, 143,               poderes    o, 300;     e sub-    247; inútil à noite, 200.                                                    diácono,    o, 69, 71, 95, 456, Conclusão da Basílica, 203.                       489;    trabalho    o, 119,     124, Completas, 479, 501.                                 330. Esferas concêntricas, 498.                        Mortos; sepultamento o, 504; vida o Confirmação,     273; como funciona,                                                    os, 513; não distantes,       511.    278; repetição o, 281.                                                 Morte;    crianças após, 519; atos Congregação;      cooperação o, 27,            sobre, 511; vida após, 504; não    31,      372.                                                              mistério,  504;           e   sono,            506; Congregações;           grandes       e     pequenas,          sofrimento após,         515.    66.                                                           Definição o pecado,          80, 81. Batismo          condicional,     269.                      Concepções degradantes o Deus, 79. Confissão,          74; auricular,84.                                                         Divindade; tribal ciumenta, 78. Confiteor,    74.                                                       | Livrai-nos do mal, primeiramente eB Consciência;       fusão   o, 223;                                                         Desmagnetização,   396.    uma interrupção em, 512; no céu, vida                                                       | Descida o Monada, 228.    173; o nosso Senhor, 173, 187.                                                       | Desenvolvimento;     o intuição,                        363; Alimento consagrado, 17.                                      o sacerdote, 323; o diácono,                        321. Consagração; a, 177, 179; o um                    |                                                           Dispositivos     para     economizar            energia,            426.    altar, 888;      o um Bispo,       356;                                         Diabo; o, 255.    o cálice, 195; o uma igreja,                                       | Devoção, 93; o dos anjos, 153;    386; efeito o, 34; momento            o,                                            medieval,    391;  o do sacerdote,    451;    a      oração o,      158;                                            315;   resultados o, 28; espiral o,    validade o, 371; o que acontece                                            28, 30, 67; tipos o, 27.    em, 179,    180.                                         Diaconato; o, 321, 329. Constituição o homem, 534.          Didaquê;    a, 283. Consumação     o sacerdote, 341.                                         Diferentes tipos o força, 440. Controvérsias;   ridículas, 171.     | Anjo    Diretor;   o, 150,  155, Cooperação   o congregação,   27,|                                                             161,      165,     168,         176,         188,     245,    Sa     -3725                                       |                                                             246,      248. Capa;    a, 487;   fluxo   o                força                                                      Distribuição   o força,   160.    através,   441; a Syon,                   439;|                                                      Experimento divino;     o, 79.    uso o, 439;    quando                usada,                                                   Divina;   vida derramada,   213;                          ser-    438,                                                     viço,      significado          o,     15;      centelha, Corporal; o, 420.                                         o, 44, 506,             518,     537,         547. Corpus Christi, 488.                                      Divisão    o;   a   energia,                      162; Sobrepeliz; o, 432.                                             homem,  o tríplice, 44. Contrapartes o objetos                 físicos,                                                           Dominus vobiscum,                  43.    179.                                                   Porteiro; Ordem     o, 292. Criaturas;   subumanas,  56.                               Duplo;    aparecimento   o,                      536. Credo;   o, 125; efeito   o                 o,       Deveres o; diácono, 119, 124,                        330;    126.                                                              subdiácono,   327. Cremação, 523. Báculo; o, 194,            365,    470,    497;    ação o, 475; o grego,                         LESTE;       VOLTAR-SE        PARA        O,        128.    472; três tipos o, 471.                              Igreja   Oriental;    a,                239,     281. Cruz;   a do Arcebispo,   473;  a                      Cores   eclesiásticas,                   408.    miniatura de credo,  55;  a pec-                       Economia       o;     plano           de      Cristo,      306;    toral,     191,    365,    367,    465,    497;           força,    14,    67,      183,        154.   sinal      o,     55,   123,    265,    277;        Edifício;     construção       o,        100,      152, 554                   A Ciência o Sacramento

153; fim do, 245; Eucaris-           | FACULDADES DA ALMA, 9, tica, 18, 19, 22, 23, 24, 31, 63,                                  10, 509, 539.    153; Fundação o, 62; mental                                Fé; atos de, 502.    matéria em, 112.                                               Fanons; os, 463. Efeito de; canto anglicano, 41;                          Comunhão em jejum, 241.    batismo, 260, 270; sinos, 394;                                                                 certos resultados tristes de, 26,                         60,        106,    cor, 409; comunhão, 235; consagração, 34;   o credo, 126; Eucaristia, 15; ouvido, 26,                           Colaboradores com Deus, 16.   60, 106, 204; força sobre a pes-                                 Cultos femininos, 215.   soa, 163; Gloria in excelsis,                         Casula em forma de violino; a, 448.    110; tons gregorianos, 40;         re-                        Campo; um magnético, 94, 119, 136.   forma, 20; pensamento, 253.                            Fogo; uso do, 418. Ego ou alma; o, 44, 320, 505,                           Primeiro Raio; anjo do, 151;   547; Mônada pairando sobre,                                  bênção, 247, 280.   214, 215.                                                Homem quíntuplo; o, 207. Egito; mistérios do, 102, 239;                          Piso; assentamento do, 64.   Religião do Antigo, 21.                                    Alimento; consagrado, 17. Elétron; o, 533,                                       Degrau do altar; o, 408. Elementos; são instrumentos má-                         Força; aumento da, 194;   gicos, 223; oblação dos, 130.                             centro no topo da cabeça, 361; Elemental; o cármico, 252.                                       centros no corpo, 257, 264; Elevação do cálice, 196.                                     um canal de, 304; diferentes Elevação; da Hóstia, 194;           a                         tipos de, 440; distribuição da, menor, 215.                                                     160; economia da, 14, 67, Elfos, 96.                                                        183, 154; efeito da, 163; flu- Emoção; impulso de, 543.                                                                    xo através da capa, 441; dada,                                                                     quantidade de, 161; a realidade                                                                     da, 164; de um Raio, a, 467; re- Emoções intensificadas pela natu-                             servatório de espiritual, 15;         nas   reza, 57.                                                                    Vésperas, 480, 486. Energia; divisão da, 162; dispo-                              Forças; classificação das, 184,   sitivos de economia, 426; vital, 29.                                186, 187, 188, 203, 225; inter- Efata, 257.                                                 ação das, 191; vivas, 209; re- Anel episcopal; o, 191, 866,                                       ação das, 498.   867, 469, 497.                                                Perdoai as nossas ofensas, 217, 220. Episcopado; o, 351.                                         Perdão dos pecados, 78. Epístola; a, 114.                                              Forma; a eucarística, 18, 19, 22, Eucaristia; Anjo da, 49, 61,                                28,      24,    81,   63,  153;  na  69,  100,   118,  128, 146,  150,                             Celebração Baixa, 118.    152; Anglicana, 24, 107, 154; como                              Formas; construídas por hino, 35;    uma oportunidade, 17; Simbolismo                               por música, 80; pensamento, 19.    da, 197; «um símbolo, 16, 196;                             Formação;             das         taças,   efeito da, 15; a primeira, 48; a                                do         pavimento,            63.   Santa, 15, 440, 478; instituição                               Fórmula;         uma             primária,             146.   da, 48; intenção da, 18,                            | Fundação                                                                                 do edifício,                         62.   45, 165; Baixa e Alta, 22, 65,                                Liberdade; de crença, 115,                             127;     uma   69, 95, 97, 150, 205; música da,                                 vida de, 514.   82;      forma       abreviada         da,     51,     71,    Maçons, 26.   98, 127, 182, 140,               141, 142, 158,               Frontal; o do altar, 408.    178, 206,           211, 222, 281; o que                      Função das velas,                        416.    é, 11,          18.                                       Funções dos paramentos,                        430. Eucarístico;            edifício, 18, 19, 22,                    JORGE           V,        REI,        167.   23,     24,      81,     68,     158;        sacrifício,       Germes;         bons        e      maus,         251,        256.    170.                                                         Dom;      um maravilhoso,               493. Eucaristia, 145,                                        Cinto;   o, 443,                446. Comunhão    vespertina inútil, 200.                              Gloria in excelsis,                 108,            204;     e. Mal; livrai-nos do, 217, 221.                                   efeito de, 110. Evolução,     10     angélica, 149;                            Gloria      Patri;      o, 41.    corrente de, 81.                                               Luvas; as do Bispo, 369. Exageros;    hipócritas, 75.                             Brilho da Hóstia, 183, 490. Exorcista;  ordem do, 295.                                       Doutores gnósticos,  121. Experimento;    o divino, 79.                                  Gnosticismo, 285.                                                       Índice                                     SIS

DEUS; a atenção de, 80; concepção degradante de, 79; cooperadores com, 16; a graça de, 302, 455; fez o homem à Sua imagem, 261, 317; três aspectos de, 228, 261; trabalha economicamente, 67.
Plano de Deus para o homem, 10, 209.
Germes do bem e do mal, 251, 256.
Evangelho; o, 114, 120; o Último, 248.
Evangelhos; livro dos, 368; não históricos, 121.
Arquitetura gótica, 26; casula gótica, 448.
Graça de Deus; a, 302, 455; realidade da, 65.
Gradins, 415.
Gradual; o, 116, 118.
Grande Fraternidade Branca; a, 143, 172, 247, 252.
Grécia; civilização da, 75.
Gregorie; John, citado, 218.
Tons gregorianos; efeito dos, 40.
Gremial; o, 276, 344.
Fundamentos da crença, 504.
Anjo da guarda; um, 253.

HAGIOSCÓPIO; O, 386.
Vestes feitas à mão, 392.
Harmonia, 92.
Cabeça; centro de força no topo da, 361.
Céu; os exércitos do, 148; o reino do, 143; consciência da vida celeste, 173; um céu racional, 507.
Teoria do inferno; a, 507; verdade sobre a, 513, 517.
Ajudantes; humanos, 162.
Hierarquia; a Grande, 247.
Celebração alta e baixa, 22, 65, 69, 95, 97, 150, 205.
Santa Eucaristia, 15, 440, 478; simbolismo da, 197; o que é, 451.
Santo dos Santos, 94, 119.
Ordens Sagradas, origem das, 282, 286; Santa Unção, 381; água benta, 38, 396.
Homenagem; ao Bispo, 371; ao Rei, 277.
Hosana, 157.
Hóstia; fração da, 225; elevação da, 194; radiância da, 183, 490; o que ela pode tocar, 421.
Exércitos do céu; os, 148.
Como incensar o altar, 90.
Ajudantes humanos, 162; sol humano, um, 236.
Véu umeral; o, 456, 457, 491, 496.
Hino; o final, 499; formas construídas por, 35.
Exageros hipócritas, 75.

IGNORÂNCIA; trabalho feito na, 226.
Imagem de Deus; a, 261, 317.
Imagens; magnetizadas, 227.
Implementos de magia, 223.
Importância; do batismo, 256; dos nomes, 54.
Imposição; a segunda, 340, 342; a silenciosa, 337, 339.
Incenso, 34, 86, 87, 96, 485, 489; anjos do, 96, 137; bênção do, 87; uso do, 86; valor do, 34.
Indulgência perigosa, 76.
Iniciações, 247, 252.
Iniciador; o Único, 247.
Luz interior, 298.
Lado interior; da vida, 9; do casamento, 378.
Inspiração; verbal, 115.
Instituição da Eucaristia, 48.
Intenção; da Eucaristia, 18, 45, 165; do sacerdote, a, 314.
Interação de forças, 191.
Interpretação da Oração do Senhor, 219.
Intervalo entre o diaconato e o sacerdócio, 334.
Intinção, 239.
Intoxicação, 85.
Introito; o, 99.
Intuição; desenvolvimento da, 363.
Invenção; uma nova, 227.
Invocação; dos Anjos, 30, 49, 147; significado da, 54.
Ite missa est, 244.

CIÚME DO DEUS TRIBAL, 78.
Jeová, 78.
Jóias; as do altar, 191, 193; dos Raios, 406, 407, 466, 473.
Noções judaicas, 78.
Jinarajadasa; C., citado, 219.
Alegria; necessidade da, 61.
Judaísmo, 215.

KALAMA SUTTA, 549.
Karma, 86.
Elemental cármico; o, 252.
Rei; Sua Majestade o, 167; Missa de Eduardo VI, 19; homenagem ao, 277.
Reino; dos anjos, 148; do céu, o, 143.
Realeza; princípio da, 167.
Conhecimento; vantagem do, 334.
Kyrie eleison, 101, 102; na Igreja Inglesa, 107; espirais do, 104.

SENHORA; NOSSA, 224; culto a, 201.
Leigos; cooperação dos, 27, 31, 372; e o cálice, os, 238.
556                 A Ciência dos Sacramentos

Lâmpada; o santuário, 416. Casamento; antes do meio-dia, 380; Marcos; não remova os, 346. lado interior de, 378. Congregações grandes e pequenas, Casamentos; segundo, 380. Missa; do Rei Eduardo VI, 19; 66. a, a Romana, 24; na Sicília, Último Evangelho; o, 248. 184, 490, Princípios latentes, 320. Mestre e discípulo, 174. Laudes, 478. Material das vestes, 433. Assentamento do piso, 64. Matrimônio, 373. Leigo; batismo por, 262. Matéria; vários tipos de, 509, Lavabo, 139. 528, 582, 533. Não nos deixes cair em tentação, 217, Significado de; Amém, 41; Divino 221. serviço, 15; a invocação, 54; Anjos menores; os, 236. liturgia, 16; religião, 21. Oremos, 47. Devoção medieval, 391. Mentira; após a morte, 504; de liber- Meditação; privada, 228. dade, uma, 514; lado interior de, 9. Melquisedeque; Ordem de, 228. Luz; a interior, 298. Melodia; uma tradicional, 146. Vínculo; entre alma e personali- Mental; corpo, o, 543; matéria dade, 831; rompimento do, | no edifício, 112. 159. Mensagem do Futuro; a, 221. Ligação; das oblações, a, | Idade; Média, a, 226; caminho, o, 135, 142; de princípios, 320, 321, 322, 324. Ministros do celebrante, 70. Ladainha; a, 326; de Loreto, 487. Bênção menor; a, 438, 98, Pequeno Capítulo; o, 480. 111, 119, 128, 144, 280, 242, Liturgia; Anglicana, 107; significado 244, 249, 370; objeto de, 46. de, 16; objetos de nova, 25. Menor; elevação, a, 716% Liturgias; várias, 48. Ordens, 288. Vidas; sucessivas, 44. Milagre; não existe tal coisa, 181. Vivo; Cristo, o, 172, 194; Equívocos; grosseiros, 78. forças, 209. Missa cantata, 69, 119. Trancando um talismã, 243. Mitra; culto de, 215, Logos; sacrifício do, 534. Mitra; a, 368, 461; uso interior Senhor; a consciência do nosso, de, 462; três tipos de, 462. 178, 187. Momento da consagração, 451. Oração do Senhor; a, 216: origem Mônada; a, 44, 89, 222, 317, da, 218: bela interpretação 547; descida da, 228; de, 219. pairando sobre o ego, 214, 215. Celebração baixa, 65, 118, 205. Monogenes, 109. Luneta; a, 423. Ostensório; o, 423, 494. Morse; o, 489. MAGIA DA IGREJA, 226. Mesquita no Cairo, 110. Implementos mágicos; elementos são, Luto é errado, 522. 223. Mozzeta; a, 459. Campo magnético; um, 94, 119, 136; Maometismo, 215. radiação da igreja, 14, Munda cor meum, 118, Imagens magnetizadas; 227; óleos, Música; vantagem da, 69; -anjos, 259. a, 69, 96; elaborada, 31; Magnificat, 483. da Eucaristia, 32; deve ser Ordens maiores; as, 300. simples, 32. Fabricação do tubo, 175, 210. Formas musicais, 30. Homem; constituição do, 584; o Mistérios; os antigos, 17, 267; de cinco anos, 207; imagem de Deus, Egípcios, 102, 239. 261, 317; princípios de, 545, 547; um espírito, 10, 537; três- NOMES; IMPORTÂNCIA DOS, 54. divisão fold de, 44; veículos de, Hino Nacional; o, 167. 82. Corpo natural; o, 44, 537. Homem; visível e invisível, 542. Espíritos da natureza, 56, 57, 58, 96, 253. Manifestação; tríplice, 211, Naturezas de Cristo; as duas, 235. 317. Necessidade; de aspersão, 34; de Manifestado e não manifestado, 225, alegria, 61; de concentração, 40. Manípulo; o, 328, 453, 454, Negativo e positivo, 225. Mantelleta; a, 459. Vizinhança; derramamento sobre, Igreja Maronita; a, 97. a, 225. Índice

Novo; invenção, uma, 227; liturgia, PALL; O, 420.  
Palas Atena; adoração de, 215.  
Plano nirvânico; o, 222.  
Paracleto; o, 414.  
Meio-dia; celebração antes, 200; casamento antes, 380.  
Vela pascal; a, 418.  
Noções; judaicas, 78.  
Cajado pastoral; o, 470.  
Patena; a, 419; simbologia de, O SALUTARIS HOSTIA, 489.  
Pai Nosso; o, 216; bela interpretação de, 219; origem do, 218.  
Obediência; canônica, 346, 350.  
Objeto; do serviço eucarístico, 18; da saudação da paz; 231.  
Objetos da nova liturgia, 25.  
Lado objetivo da religião, 13.  
Oblação; dos elementos, 130; incensação do, 134; ligação de 231, o, 135, 142.  
Observações na Sicília, 184, 367, 465, 497.  
Química oculta, 534.  
Ofertas; antigas, 129; as do Bispo, 368.  
Ofertório; o, 129.  
Hino do ofício; o, 479, 481.  
Óleos; magnetizados, 259.  
Religiões mais antigas individuais, 226.  
O Único Iniciador; o, 247.  
Concentração; necessidade de, 40.  
Um pensamento quebrado, 229.  
O Unigênito; o, 109.  
Abertura; cântico, o, 59; dos centros, 257.  
Operação; uma cirúrgica psíquica, seooa.  
Preconceitos irritadiços, 426.  
Povo; incensação do, 138; comunhão do, 235.  
Peregrinação, 478.  
Pessoa; efeito da força sobre, 163.  
Persona uma máscara, 323.  
Testemunho pessoal, 163.  
objetos piedosos; contrapartes de, 179.  
Peregrinações, 403.  
Corpo pituitário, 343.  
Plano; nirvânico ou átmico, 222.  
Compromissos do Bispo, 353.  
Plínio, 478.  
Política e a igreja, 301, 351.

Positivo e negativo, 225. Oportunidade; ou coro, 33; ou Poder; palavras e sinais do, 53. Clarividência, 872; Eucaristia como os Poderes do, 53. Bispo, 138, 301, 324; diácono, 300; sacerdote, 301, Ordem do, 297; acólito, o, 309; clérigo, o, 289; porteiro, o, 292; exorcista, o, 295; leitor, o, 293; os sacramentos, 272. Melquisedeque, 228. Serviço ordenado, 93. Ordens; dos anjos, nove, 149; origem das santas, 282, 286; as maiores, 300; as menores, 288. Ordinário; o, 168. Ordenação; anglicana, 347, 359; unção na, 344, 360, 362; sinais da, 357; tempos da, 351; dois aspectos da, 309. Orientação da Igreja, 389. Orígenes, 121. Origem; das santas ordens, 282, 286; da Oração do Senhor, 218; da unção, 381. Pecado original, 251. Orphreys, 438, 449, 451. Nossa Senhora, 224. Esboço da cerimônia dado por Cristo, 47. Derramamento; sobre a vizinhança, 225; sobre o povo, 218. Derramamentos; especiais, 411. Pós-comunhão, 243. Louvor; atribuição do, 496. Oração; bela interpretação da do Senhor, 219; livro de 1552, 19; de consagração, a, 158; a do Senhor, 216; a do Senhor, 218. Predela; a, 408. Prefácio; o, 147. Prefácios; próprios, 148. Preconceitos; irritadiços, 426. Preparação do canal, 174. Presença; Anjo da, 149, 175, 183, 189, 190, 207, 208, 210, 417, 451; a real, 182. Bispo presidente; o, 168. Sacerdote; torna-se representante, 212; consumação do, 341; desenvolvimento do, 323; devoção do, 315; intenção do, 314; ligado com Cristo, 262, 316, 323, 430; poderes do, 301, 309; privilégios do, 336. Sacerdotes devem ser homens, 201.

de egeap o, 335;              ferramentas o, 367,         469,         497;        o casamento,                                                                 374,        375,        378. Fórmula primária;           a,    146.                   Rochet;         o, 459. Prime,     501.                                               Vara do        poder;   a,             365, Simbolismo primitivo,              266,                   Missa Romana;          a,      24. Princípio     do reinado,             167.                   Tela do coro; a, 384, Princípios;         latentes,           320;          Cor de rosa; quando usada, 415,    o, 320,       321,    322,        324;      o homem,       Monturo; o, 204,    545, 547.                                                  Regra de São Bento;   a, 478, Meditação privada, 228.                                        484. Procissão; utilidade da, 34, 35, 490.                          SABAOTH,      152. Profecia;  a, 114.                                          Sacramento;    o que pode fazer, 254. Prefácios próprios, 148.                                         Sacramentos;     ordem dos, 272; Prótile,     530.                                                validade dos, 310. Pesquisa         Psíquica;            Sociedade         de,   Sabedoria sagrada; volumes da, 115,    508, 536.                                                     122. Absolução pública e privada,           84.   Sacrifício; de Cristo, o, 172, 198, Discípulo e Mestre, 174.                                           534;   o Eucarístico,   170;     do Purgatório, 517.                                                  Logos,   534, Purificador; o, 420.                                        Campainha da consagração; a, 156. Pureza; coleta pela, 113.                                     Santo Tomás de Aquino, 489, 495. Píxide; a, 422.                                                Santos;    ou  adeptos,   223;      co- RADIÂNCIA            DA       HÓSTIA,           183,      munhão dos, 143, 247.    490.                                                       Religião shaivita; a, 215. Radiação      da        Igreja;        magnética,       Saudação da paz, 230, 231.    14                                                         Salvador do Mundo, 507. Raio; cruza, o, 192, 389, 442;                             Sancta sanctis, 215.    a força de um, 467; o sétimo,                          Sanctus;   o, 151.    468; o sexto, 468,                                       Lâmpada do santuário; a, 416. Raios;    características dos, 92;                          São    João    dos Eremitas, 106.    joias    dos,   406,  407,    466,                     Santa Sofia; igreja de, 23.    473; os sete, 91, 404.                                   Ceticismo;    a tristeza do, 476. Reação de forças, 498.                                      Ciência, 93; das cores, a, 409. Leitor; Ordem do, 293.                                        Religião científica, 508. Reajuste,     73.                                         Esquema de Deus; o, 10, 209. Presença Real; a, 182.                                      Selo; o do Bispo, 469. Realidade;    da força,   164;   graça                    Segunda; imposição, trabalho feito na,    de Deus, 65                                                       840, 342; casamentos, 380; Raio Recapitulação,           209.                                   bênção, a, 246; Raio religi- Receber; o que recebemos, 237.                                           giões, 215. Reflexo do superior no inferior, 360.                           Secreta;   a, 142. Reforma; efeito da, 20.                                   Altruísmo              necessário,           522. Regeneração;    batismal, 268.                              Sentidos; espirituais, 528. Reencarnação,    519.                                        Separação dos sexos, 71. Relíquias, 401.                                                  Sequência;    a, 117. Religião;    do antigo   Egito, 21;                          Serafim; um, 254.    significado de, 21: lado objetivo                             Sermão;      o,   124; ~~ ascription    de, 18; a shaivita, 215; Ciência-                              ater, 124.    tífica, 508; a vaishnavita, 215.                          Serviço; o fúnebre, 523; significado Religiões; do segundo Raio, 215.                                  do Divino,             15; altruísta, 68. Repetição da confirmação, 281.                              Conjunto     de     vestimentas,             433,       450. Representante;  o sacerdote torna-se,                           Sete     Raios;          os,     91,          404;     joias    212.                                                         dos,     406,      407,      466,        473. Reservatório;         o,       208,       226,          305,   Sete;             espíritos,      os,        404;      tipos,    308; de força espiritual,                 15.                os,        404. Responsabilidades  do                   padrinho,          Sexos;        separação dos,   71.   268                                                         Forma         do edifício eucarístico,                       23, Resultados;     da devoção,             28;      medo,    26,         24.    60, 106, 204.                                              Eucaristia;           abreviada,           objeto       da, Retábulo; o, 415.                                                  51; forma da                   Eucaristia, 51, Reverência         pelos     símbolos,           122.                   71, 98, 127, 132,                 140, 141, 142, Reynolds; Professor Osborne, 534.                               158,         173,       206,       211,      222,     231, Controvérsias ridículas,    171.                            Forma             mais         curta      das        aspersões,            51. Anel;   o episcopal,     191,    366,                       Sicília;        a Missa            em, 184,          490,                                                         Índice Sinal da Cruz; o, 55, 123,        Sursum Corda, 145, 340.    265, 277; valor do, 58.          Sílfide; uma, 253, 271. Sinal de poder; o, 53.               | Simbolismo; da Eucaristia, 16, Sinais da ordenação; os, 357,             196, 197; da cruz, 55, 366; Imposição silenciosa, 337, 339.               primitivo,   266; da estola, 332; Estrela de prata; a, 247.                     das vestimentas, 430, 435. Música simples necessária,     32.         Simbologia da patena, 222. Pecado; definição de, 80, 81; original,   Símbolos; reverência pelos, 122.    251.                                 Capa de Syon; a, 439. Canto;  antifonal, 64. Pecados; perdão dos, 78.                                     TABERNÁCULO;              O,        415. Sono e morte, 506.                                         Tato,   92. Sociedade  de Pesquisas    Psíquicas,                           Talismã;      trancar      um, 243.   508,     536.                                               Tantum   Ergo, 494. Cristianismo     somático       e       espiritual,        Mestre;  o do Mundo, 235.   122                                                         Ensinamento   do   Senhor   Buda; Canção Celestial; a, 519.                                        o, 76, 81, 548. Tristeza     um erro, 521.                                    Te Deum, laudamus, 370, 442, 481, Alma; ou ego, a, 44, 320, 505,                                 483, 485, 524;     autoria do,   547;    e seus veículos, 251,                            484.    528; faculdades da, 9, 10; e                          Telepatia,   543.    personalidade, elo entre, 331.                            Tentação,     256, 296;    não nos Faísca; a divina, 44, 506, 518,                                 deixeis cair em, 217, 221.   537,     547.                                               Tersanctus,      152. Efusões especiais,     411.                                 Testemunho;       clarividente,          317;    per- Espectroscópio;    o, 540.                                       soal,     163. Esferas;   concêntricas, 498.                                   Thet, 85. Flecha da devoção, 28, 30, 67.                                Edifício de pensamento; Eucarístico,   18, Flechas do Kyrie, 104. .                                      19) 22523-2481"        68, 153" Espirilas, 338, 532.                                             por que necessário, 25. Espírito;   o homem é espírito, 10, 537;  no                          Pensamento;      efeito do, 253;       forma    homem, o, 44; o Triplo, 222,                                do Cristo, um, 189;           formas,   261,     317,       820.                                       19;    transferência,     543, Espíritos; os sete, 404.                                      Formas-pensamento, 22, 28. Corpo espiritual; o, 44, 506, 510,                           Três aspectos; os, 228; de Deus,    537; força, economia da, 14, 67,                               228, 261; do espírito, 329.    133, 154; força como eletricidade,                          Tríplice;     divisão     do homem,     44;    66;    força,   reservatório  da, 15;                            manifestação,     211,     317.    sentidos espirituais, 528; mundo espiritual, o, 222.                              Polegar; uso do, 123. Padrinho;     responsabilidades do,                             Turiferário;    o, 138. Báculo; o pastoral, 470.                                     Tempos para ordenação, 351. Estrela; a prateada, 247.                                        Títulos do clero, 301. Estola; a, 432; como usada, 434;                               Ferramentas do; Bispo,           365, 367;    simbolismo da, 332.                                            sacerdócio, 345; subdiácono, 328. Corrente da evolução, 81.                                      Tratado; o, 117. Força,       92.                                           Melodia tradicional;        uma, 146. Estrutura;         a        eucarística,              18,   Transubstanciação,       179, 195.   19°     22)     23)        24        31,    68,    153.         Ofensas; perdoai as nossas, 217, 220. Subdiácono;            e     diácono,                                    71,          69,           Divindade tribal, 78.    95, 456, 489; deveres do, 327;                            Espírito Triplo; o, 222, 261, 317,    ferramentas do, 328. Subdiaconato;    o,                                         Triságio,      152, 156. Criaturas subumanas,                                        Compromisso; o, 375. Centro subsidiário; um, 236.                                    Tubo; confecção do,    175,                  210. Substância e acidente,                                       Tunicela; a, 328, 455. Corpo sutil; o, 44.                                         Virar para o leste, 128. Vidas sucessivas, 44.                                        Duas naturezas de Cristo; as,                   235. Sucessão;    a apostólica, 306,                         Tipos   de; anjos, 162;               devoção,    811, 313.                                                    27;   os sete, 404. Sofrimento após a morte, 515. Sol; um humano, 286.                                            ON eT TON:      SANTO,        381;     origem do, Supererrogação;   obras de, 305. Operação cirúrgica; uma psíquica, 321.                           Vinho          não fermentado,    132. Sobrepeliz;       a,        428,                              Pão ázimo,       132. 560                  A Ciência dos Sacramentos

Seres invisíveis, 53; mundo invisível, o, 9, 528, 541; Visitantes; astral, 150. Energia vital, 29. Serviço altruísta, 68. Volumes da Sagrada Doutrina, 115, 122; Altruísmo necessário, 522; Uso da alva, 444; da capa, 439; da cruz, 56; da água benta, 38, 396; do incenso, 86; da mitra, 38; da cruz peitoral, 467; do polegar, 123. Utilidade da procissão, 34, 35. Validade da consagração, 371; dos sacramentos, 310. Valor do incenso, 34; do sinal da cruz, 58. Variedades de incenso, 87. Veículos do homem, 82; da alma, 251, 528. Véu do cálice, 420; o umeral, 456, 457, 491, 496. Vinde, Criador, 275, 332, 339, 341, 356. Vênus; adoração de, 215. Inspiração verbal, 115. Versículos, 42, 72, 145. Vesica Piscis, 449, 450. Vésperas, 442, 478; força nas, 480, 486. Vesta; adoração de, 215. Vestes; as, 424; adicionais, 465; unções das, 430; feitas à mão, 392; material das, 433; requisitos para, 425; um conjunto de, 433, 450; simbolismo das, 430, 435. Viático; o, 383. Vibrações, 538. Vimpa; a, 459. Purificador violeta, 413. Washington; Capitólio em, 110. Água; bênção da, 398; santa, 396; misturada com vinho, 133. Anel de casamento; o, 374, 375, 378. Boas-vindas; aos anjos, 157; da igreja, 250. O que; o anjo fará, 164; acontece na consagração, 179, 180; um sacramento pode fazer, 254; recebemos, 237. Por que; o padre toma o cálice, 233; o edifício do pensamento é necessário, 25. Janelas; da igreja, 393. Vinho; não fermentado, 132; água misturada com, 133. Sabedoria, 92; a antiga, 122; força e beleza, 109, 229, 387, 861. Fios; o feixe de, 181. Mulheres não são sacerdotes, 201, 349. Dom admirável; um, 493. Palavra de poder; a, 53. Obra dos; anjos, 204; Anjo da Eucaristia, 49; diácono, 119, 124, 330; feita por ignorância, 226. Obras de supererrogação, 305. Professor do Mundo; o, 235. Mundo; o espiritual, 222; o invisível, 9, 528, 541. "Mundo sem fim", 41. Adoração de deusas, 215. ZUCHETTO; O, 463.

Epworth Press, 218 Castlereagh St., Sydney.

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